4 de outubro de 2016

Capítulo 21

Uma hora depois, Lucas a deixou para ir a uma aula de trilha em meio à natureza e Kylie continuou com a sua pesquisa na Internet. Ela tinha lido a maioria dos artigos de sites que continham informações sobre Berta Littlemon. Também fez uma busca rápida de sites com o nome Catherine O’Connell, a mulher que havia delatado Jane. Não só porque Kylie tinha a intenção de manter sua promessa – trato é trato – mas porque queria saber se a mulher era honesta.
A pesquisa rápida sobre as informações que Catherine lhe dera comprovou que ela não mentira. Mas será que isso também significava que a mulher estava certa sobre Jane Doe?
Até o momento, tinha encontrado um ou dois sites que tinham uma foto de Berta Littlemon, mas elas eram tão embaçadas que Kylie não poderia ter certeza de que se tratava da sua Jane Doe. Claro, ela tinha cabelos castanhos e parecia tê-los usado compridos um dia, e as características faciais eram semelhantes, mas... ainda assim havia uma esperança.
E a esperança ficou ainda maior quando Kylie se lembrou vagamente de algo que Holiday tinha dito sobre os espíritos que em vida foram ruins.
Quase como se pensar no nome da líder do acampamento tivesse operado alguma mágica, Kylie ouviu a voz de Holiday.
— Posso entrar?
Kylie viu Jonathon acordar com um sobressalto do seu sono profundo. Então ela saltou da cadeira onde estava, atravessou a sala e abraçou a amiga.
— Estou tão feliz que você esteja em casa! — disse Kylie, só liberando a mulher depois de um abraço bem demorado. Ela tinha sentido falta das conversas com Holiday, de tê-la sempre por perto. Mas Kylie provavelmente tinha sentido falta de seus abraços mais do que de qualquer outra coisa. — Eu tenho tantas coisas pra perguntar, pra contar.
Kylie estava prestes a despejar todo o seu trauma emocional sobre Holiday, quando de repente se lembrou da razão que tinha levado a mesma a se ausentar. Sua tia havia morrido. E essa morte tinha estremecido as bases do seu mundo. Talvez, Kylie concluiu, Holiday já tivesse o suficiente em que pensar e não precisasse que ela lhe desse um pouco mais.
Kylie fez uma pausa para recuperar o fôlego.
— Você está bem? Eu sinto muito pela sua tia. Você conseguiu dar um jeito em tudo?
— Estou bem. — Holiday apertou os ombros de Kylie como se entendesse os pensamentos dela. — E, sim, acho que consegui colocar tudo em ordem. A pergunta importante é se você está bem. Está?
Jonathon se sentou no sofá, parecendo meio adormecido ainda. Holiday não devia tê-lo visto antes, porque ela teve um sobressalto ao ouvi-lo se mexer.
— Ah, Jonathon! Você me assustou! — Holiday olhou para o vampiro sonolento.
— Preciso ficar agora que você está aqui? — perguntou ele.
Holiday consultou o relógio.
— Eu devo ficar aqui durante uma hora, e Della estará de volta antes disso, então, se você quiser ir, não tem problema.
Elas esperaram Jonathon sair, então Holiday passou um braço em torno do ombro de Kylie.
— Agora, me diga o que está acontecendo com você.
Kylie encontrou seu olhar.
— Tem certeza de que vai aguentar?
— É tão ruim assim? — Holiday franziu a testa de preocupação.
— Não. Bem, sim, mas o que eu quero dizer é: você vai conseguir lidar com os meus problemas agora que tem os seus? — Kylie olhou para Holiday como se imaginasse o que a amiga estava passando. — Eu sei como é a sensação de perder alguém. Quando a minha avó morreu, até respirar era difícil.
Holiday deu um sorrisinho.
— Eu estou bem. Ainda sofrendo um pouco — acrescentou honestamente —, mas digamos que eu esteja usando o método Kylie Galen de lidar com os problemas.
— E qual é ele? — Kylie perguntou, intrigada.
Holiday sorriu abertamente.
— Estou me concentrando nos problemas dos outros, assim não tenho tempo de pensar nos meus. — Ela olhou Kylie nos olhos. — Sério, eu estou bem. Agora, me diga o que você descobriu no cemitério. E depois temos um monte de coisas para conversar.
Kylie começou a andar até a mesa da cozinha e então se lembrou da questão pendente que ela queria perguntar a Holiday. Voltou-se novamente para ela.
— Só uma coisa antes. Você não me disse uma vez que as almas realmente ruins não ficam vagando por aí, que elas vão direto para o inferno?
— Na maioria dos casos, é o que acontece. Mas existem algumas que... — A preocupação fez com que Holiday se interrompesse. — Por quê?
Kylie franziu a testa, e foi então que toda a frustração que sentira naquela manhã desabou sobre os seus ombros toda de uma vez.
— Por que tudo tem que ter exceções? Seria tão bom fazer uma pergunta e obter simplesmente um sim ou não! Ou preto ou branco. — Ela se deixou cair pesadamente na cadeira da cozinha. — A vida seria muito mais fácil.
— Mais fácil, sim. Mas realista... não. Poucas coisas são preto no branco. — Holiday inclinou a cabeça para o lado, estudou Kylie por um momento, então franziu o cenho. — Por favor, me diga que você não se envolveu com um espírito infernal...
Quinze minutos depois, Kylie estava sentada ao lado de Holiday, enquanto essa lia os diferentes artigos sobre Berta Littlemon na tela do computador.
— Chega! Não consigo ler mais uma linha! — Holiday estendeu a mão e desligou o computador. — Você não devia nem ter lido isso. Não vai falar com esse espírito novamente. — Algo em seu tom de voz, tão maternal, tão categórico, era um aviso muito claro.
— Nós nem sabemos se é ela mesmo! — contestou Kylie. — Não posso simplesmente presumir que...
— Sim, você pode. Você disse que o outro fantasma afirmou que a sua Jane Doe levantou do túmulo de Berta Littlemon. Isso já é o suficiente para mim.
Kylie fez uma expressão de desagrado.
— Sim, mas ela pode estar mentindo. E você viu as fotos de Berta. Não são nítidas. Quer dizer, tudo bem, elas lembram Jane Doe, mas não são claras o suficiente para que eu possa ter certeza.
— Ok, mas por que o fantasma mentiria?
Kylie encolheu os ombros.
— Talvez porque achasse que, se não me desse informações que parecessem úteis, eu não concordaria em ajudá-la.
— Espera aí... Ajudar quem? A esposa do senhor idoso?
Kylie percebeu que ela obviamente tinha deixado de fora uma parte da história quando relatou a Holiday tudo o que havia acontecido.
— Não, o outro fantasma. Catherine O’Connell. Concordei em ajudá-la se ela me dissesse o que sabia sobre Jane Doe.
— Ai, não... — disse a líder do acampamento, colocando as palmas das mãos sobre o rosto.
— Não, o quê?
Holiday tirou as mãos do rosto.
— Nunca faça acordos com espíritos, Kylie. Nunca!
— Por quê? — ela perguntou.
— Porque pode acabar sendo tão ruim quanto fazer um pacto com o demônio. O que eles querem às vezes é impossível de conseguir e podem não deixá-la em paz enquanto você não fizer a sua parte do trato. Se acharem que você não fez o que prometeu, a coisa pode ficar preta.
Kylie sentiu um aperto na garganta. Ela queria tanto que Holiday voltasse logo e agora parecia que tudo o que iria receber eram broncas.
— Eu não sabia... — murmurou.
A amiga soltou um profundo suspiro.
— Desculpe — ela disse e colocou as mãos sobre as de Kylie. — Não queria assustar você. Isso é culpa minha. É tudo culpa minha. Eu sabia que sua ida ao cemitério não era uma boa ideia. Eu devia ter vetado logo de cara.
Kylie engoliu o bolo na garganta, que pareceu diminuir um pouco com o toque de Holiday.
— Não foi uma má ideia. E talvez eu não devesse ter feito um acordo com Catherine, mas nem mesmo isso me parece tão ruim. Quer dizer, o que ela quer é possível e por uma boa causa.
Holiday balançou a cabeça, inflexível.
— Mesmo assim não é uma boa ideia fazer acordos com espíritos.
— Sim, mas tudo o que ela quer é que eu envie para os filhos seu histórico familiar. Ela é judia e mentiu para eles e para o marido a vida toda, porque naquela época, ser judeu não era legal. Seus pais morreram em campos de concentração e seus avós conseguiram trazê-la para os Estados Unidos. Ela mudou de nome. E agora, tudo parece uma mentira.
Holiday balançou a cabeça novamente.
— Kylie, me desculpe, mas eu não posso deixar você fazer isso.
— Não. — Kylie levantou-se e, embora mantivesse a voz baixa, até ela mesma detectou a determinação em seu tom. — Desculpe, mas não vou deixar de fazer isso só porque você tem medo de que seja demais para mim. Porque você não acha que eu possa lidar com a situação. Eu vou ajudar Jane Doe e, sinto muito, mas não acredito que ela seja uma assassina. E também vou ajudar Catherine O’Connell. Essa é a coisa certa a fazer.
Holiday fechou os olhos de frustração.
— Kylie, você não entende o quanto isso pode ser perigoso para você. Existem coisas sobre lidar com espíritos malignos que... vão colocá-la em risco. Existem tantas coisas que você ainda não sabe!...
Kylie balançou a cabeça.
— Então me explique. Mas eu estou dizendo, Holiday, não acho que ela seja má. Quantas vezes você já não me disse para seguir o meu coração, pois, se eu fizer isso, vou descobrir qual a coisa certa a fazer? Bem, meu coração está me dizendo para fazer isso, e eu vou fazer.
Quando Holiday abriu a boca, supostamente para contestar mais uma vez, Kylie acrescentou:
— Além disso, eu não estava pedindo a sua permissão. Estava pedindo um conselho.

3 comentários:

  1. Eita nós. Kylie tá rebelde em

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  2. kylie que rebeldia é essa menina,se sua mãe souber disso cê vai ficar sem toddynho

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  3. Owwwwww!!!
    Como alguém compara a Kylie com a Madre Tereza?! Mano, não dá!
    Ela tem o coração bom... Okay. Mas isso por ela ser uma protetora.

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