31 de outubro de 2016

Capítulo 20

A casa estava subitamente lotada. Dentro de um par de horas, tinha sido transformada. A animada curiosidade focada dos irmãos Rosenbloom fazia o ar zunir.
A sala já estava repleta de xícaras, guardanapos e pratos usados com sanduíches meio comidos, sapatos no chão e lápis quebrados ao meio, papeis de rascunho descartados e a escova de dentes do Atticus, porque Atticus disse que teve suas melhores ideias, enquanto escovava os dentes.
O laptop de Jake era seguro, por isso, pelo menos agora eles poderiam fazer pesquisas na web. Através de seu pai, o Dr. Mark Rosenbloom, arqueólogo, eles tinham acesso a bibliotecas on-line que Amy e Dan nunca poderiam ter consultado.
Desde que passou o inverno em Roma, o italiano de Jake era quase fluente, e Atticus era um estudante de latim. Eles haviam traduzido em poucas horas o que teria levado dias para Amy.
— A minha pergunta é a seguinte: Por que uma mulher irlandesa naquela época era fluente em italiano? — observou Jake. — Isso é altamente incomum.
— Ela era uma estudiosa — disse Amy. — Ela menciona que seu pai lhe ensinou latim.
— Latim eu entendo, embora seja incomum para ela aprender isso — Jake falou.
— Ela veio de uma família de bardos, Jake — disse Atticus.
— Barbados? — perguntou Dan.
— Bardos — Atticus corrigiu com uma risada — poetas. Os eruditos da Irlanda.
— Mesmo assim, aposto que eles tinham barbas — disse Dan.
Atticus riu e jogou uma borracha nele.
— Os irlandeses têm uma história acadêmica incrível — comentou Jake. — Bardos eram mais que poetas. Eles fundaram escolas, geralmente tinham patronos nobres. Eles eram reverenciados na Irlanda. Mas...
— Eram todos homens — concluiu Amy. — Típico.
— Isso simplesmente não se acrescenta — disse Jake, franzindo a testa. — E este código na parte de trás...
— Isso é incomum, também? — perguntou Dan.
— Sim e não — disse Jake. — Na verdade, a criptografia foi amplamente utilizada na Europa do século XVI. A Rainha Elizabeth tinha uma escola de espionagem. Foi um pouco mais tarde, mas ainda assim, não estou surpreso com o código. Mas por que ela o usaria em um livro de contas domésticas? E é tão estranho ver... lembra-me de algo que eu não posso colocar.
— Você sabe o que o pai diz — Atticus lembrou. — Quando está perdido, volte ao início — ele se virou para Amy — posso ver o quarto secreto?
— Claro. Eu vou te mostrar.
Eles subiram as escadas até o segundo andar. Amy puxou a arandela para baixo, e entrou na sala secreta.
— Isso é simplesmente fantástico — exclamou Atticus, saltando para o espaço revelado. Ele olhou para ela, os olhos arregalados e curiosos por trás dos óculos. — Você acha que Grace poderia ter deixado uma pista? Sobre o código no livro, quero dizer. Dan me falou que ela deixou uma pista sobre a fechadura com as letras.
— Se ela deixou, eu não encontrei — Amy se jogou cansada na cadeira branca, as mãos entrelaçadas. — A carta dizia que a luta nunca está terminada, é apenas abandonada. Ela sabia que, mesmo que destruísse o soro, nunca poderia ser livre.
— Isso é o que assusta Dan — Atticus falou, andando ao redor da sala. — Ele continua à espera de uma vida normal. Isso nunca acontece. Ele está superassustado pensando que esse dia nunca chegará.
Ela sorriu fracamente.
— Como é que você conhece o meu irmão melhor do que eu?
— Ah. Com Dan você tem que ouvir o seu interior, sabe? Não tanto o que ele diz. De qualquer forma, eu sei como ele se sente. Desde que minha mãe morreu, meu pai acha que é Indiana Jones. Continuo esperando que ele se acalme, mas em vez disso, Jake e eu apenas somos empurrados ao redor o mundo.
— Eu sinto muito, Atticus — disse Amy. — Pensei que você gostasse de viver em Roma.
Ele sorriu.
— Eu gosto. Agora. Apenas tive que deixar de esperar algo diferente, isso é tudo. E perceber que a minha vida é muito legal. E ter um irmão como Jake me apoiando é incrivelmente legal, também. 
— Eu sempre soube que você era inteligente, mas não sabia que você era tão sábio.
— Não sou tão inteligente se não posso ajudá-la — devolveu Atticus, corando furiosamente. — Então, há alguma coisa aqui que lhe parece uma dica? Há algo estranho, algo que simplesmente não parece ser de Grace?
— É tudo de Grace, na verdade. Ela amava branco e azul. A mesa antiga, a cadeira Windsor... — ela olhou através da sala e viu-se refletida no espelho, uma menina sem pistas. — Tudo além desse espelho... eu acho. Quer dizer, ela não gostava de coisas ornamentadas, e é ouro... e se você se sentar nesta cadeira, você olha direto para o seu reflexo... 
Atticus olhou para o espelho. Ele ajeitou os óculos no nariz, gesto característico que significava que ele estava pensando muito.
Então ele se virou e riu.
— Meu cérebro está explodindo! Amy, é o código mais fácil do mundo! Não é código, é escrita espelhada!
— Escrita espelhada? Você tem certeza? 
— Elementar! Venha!
Eles desceram correndo para o térreo, onde Atticus contou aos outros sobre sua descoberta.
— É claro! — exclamou Jake. Ele bateu levemente na lateral da cabeça. — Às vezes, as coisas são muito óbvias.
— Isso não deve ser tão difícil — apontou Atticus.
— Olivia está escrevendo uma instrução para Madeleine, certo? “Minha Alegria, minha Canção, o meu dever é seu”. Se ela tornasse tudo muito difícil, Madeleine não teria sido capaz de descobrir.
— É por isso que as referências poderiam ter sido coisas que ambas conheciam — disse Jake, batendo com o lápis contra a mesa. — Um vocabulário familiar. Como o modo como Grace falou com Amy e Dan. Usando o familiar.
— Talvez tenha algo a ver com o que a professora Olivia fala no poema? —perguntou Amy. — “Mio maestro.”
— É mais do que uma professora, na verdade — apontou Jake. —“... mio maestro di vita”. Mestre de vida. Implica alguém que ensina mais do que fatos – todos os aspectos da vida, uma maneira de viver... Como um mentor.
Dan recitou de memória.
— ... e virar a batalha  não com armas, mas com sabedoria adquirida da antiga região / mantida próxima e passada de mão em mão / por mio maestro di vita, a ti, mulher atemporal, homem universal.
Atticus sentou-se, seus dreads balançando. 
— O que Grace diz em sua carta? — ele indagou à Amy com urgência repentina — sobre a luta?
Amy pegou a carta de Grace. 
— “Me desculpem por dizer que nossa luta nunca está terminada, é apenas abandonada”. — Ela olhou para cima. Os dois irmãos estavam levantando de suas cadeiras, seus rostos cheios de descrença, descoberta, revelação... Ela levantou-se também. — O quê?
— “A arte nunca está terminada, é apenas abandonada”! — Atticus exclamou. — É uma citação. Muito famosa, na verdade.
— Não para nós, cara — disse Dan.
— É uma velha brincadeira que Jake e eu costumávamos fazer. Você sabe, memorizar citações de pessoas famosas na história.
— Sempre — concordou Dan.
— E o espelho — disse Jake. — E o homem universal, é claro! O Homem Vitruviano!
Amy fez uma careta.
— Aquele famoso desenho do homem com os braços aberto? Mas isso é por...
— E mulher atemporal! — Atticus falou. — A Mona Lisa!
Amy sentiu o rugido do conhecimento através de seu corpo.
— Vocês estão falando sobre Leonardo da Vinci?
— Meu Deus — disse Dan. — Até mesmo eu já ouvi falar dele.
— Leonardo foi o professor de Olivia — Atticus percebeu. — É por isso que ela sabia italiano.
Jake animadamente voltou para o livro.
— É disso que trata as páginas codificadas. Um relato de suas viagens, mas no meio deve haver algo que Leonardo deu a ela. “Então ele me legou, e a sabedoria ofereceu / e eu, através de seus próprios métodos, escondi”. Agora que sabemos disso, podemos decifrar o código, eu sei que sim.
— Isso é tão incrível — Atticus tomava fôlego. Ele olhou para Dan e Amy maravilhado, como se de repente fossem obras de arte de valor inestimável. — O homem mais famoso do Renascimento, e ele ensinou sua tatara-tatara...
— ... tatara-tatara-etc-avó — Dan terminou.
— O antídoto está naquelas páginas codificadas — Amy falou. — Eu simplesmente sei disso.
O que torna o livro tão perigoso quanto o soro. Porque se nós o possuímos, alguém vai querê-lo. Sim, Grace. A luta nunca está terminada. Você sabia disso.
Jake sentou-se, tomando notas em um pedaço de papel. Atticus batia sua escova de dentes em cima da mesa enquanto olhava por sobre o ombro de Jake. Ele balançava suas longas pernas magras, e os seus pés cobertos por meias vermelhas brilhantes pareciam grandes demais para seu corpo.
Ele era apenas um garoto.
E Jake... o jeito como abriu espaço para Atticus, a maneira como casualmente colocou a mão na escova de dentes para impedir o movimento... Jake era quem zelava por Atticus, era seu protetor.
Eles tinham um pai distante, a mãe morta.
Os dois estariam perdidos sem o outro.
Lá estavam eles, vivos no momento, vida preciosa correndo por eles. Se ela permitisse que ajudassem, eles poderiam morrer.
E ela estaria de pé sobre outro túmulo aberto.
Tanta emoção brotou em seu peito que ela temia irromper em soluços.
Amy limpou a garganta. Ela olhou para os dois irmãos.
— Vocês vão ter que ir embora.

7 comentários:

  1. Pare de bancar a mãe de todos Amy, essa garota não serve pra líder da família, o Phoenix Wizard nem é Cahill e tem mais chances que ela

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    1. Concordo plenamente, uma hora ela vai matar todo mundo

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    2. E voçe , pare de ser machista. a Amy so está preocupada com os outros . e é a lider de familia ideal,pois se preocupa com todos. finalmente uma serie incrivel com a garota mais velha q o garoto aparece ,vc vem humilha ela .sacanagem.vc ta é com inveja

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    3. Concordo com o segundo anônimo

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  2. A Amy quer resolver tudo sozinha, mas não da conta. Dai qndo ajudam ela fica de mimimi, minha filha, todo mundo morre e não e vc q decide.

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  3. eu sou a unica pessoa que sente pena da Amy?
    -Ariel

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  4. O Ian sumiu nesse capitulo? Pra mim, o autor( ou autora) desse livro pode estar querendo afastar Jake da historia pra finalmente ter Amyan! Eu ja escrevi uma fic, entao sei o que eh isso. Acho que o autor eh Amyan, pq desde o comeco do livro jake so demonstrou ciumes

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