31 de outubro de 2016

Capítulo 18

Em algum lugar a oeste da Irlanda

Abaixo deles, paredes de pedra, campos verdes, manchas de amarelo, manchas de ferrugem. Nuvens cheias e brancas em um céu azul. Era um belo dia para voar. As mãos de Pierce descansavam levemente sobre os controles. Ele adorava aviões de pequeno porte. Não gostava de rodovias. Estava sempre com pressa, agora que tinha um destino em mente. Ele olhou para suas mãos. Um dia, em breve, elas segurariam todo o poder do mundo.
Muito em breve.
Cada passo que ele dera havia sido planejado tão meticulosamente.
Magnata da mídia. Confere.
Milhões de seguidores. Confere.
Financiamento de bilionários secretos. Confere.
Exército secreto. No caminho.
Estoques de armas. Confere.
Seguinte: a presidência dos Estados Unidos.
E agora, o empurrão final. Anunciar sua candidatura. Contratar Atlas para iniciar algum tipo de guerra em algum lugar. Detonar um par de ogivas. Em seguida, culpar o atual presidente dos EUA por isso. 
Galt e Cara sentaram nas cadeiras atrás dele. Eles pareciam entediados. Não estariam em breve.
Cada um filho de político perfeito – ele tinha certeza disso. Menino jogador, menina musicista. Loiros e até mesmo de classe como a mãe. Cara era bonitinha – um pouco do tipo meigo, como Debi Ann – mas isso funcionava a seu favor. Políticos com filhos lindos tem o tipo errado de atenção da mídia. O foco precisava estar nele. Galt era bonito, com apenas treze anos e já parecia com Pierce. Nariz reto, queixo bom, olhos cinzentos. Instinto assassino.
Graças ao seu novo regime para as crianças, eles deixaram de lado dúvida, desafio, peso e ética... todas aquelas coisas irritantes que ele costumava desprezar neles.
— Hey, crianças — ele chamou por causa do barulho do motor. — Como vocês estão se sentindo desde que comecei a lhes dar as vitaminas? Mais fortes, estou certo? Talvez até mesmo mais inteligentes? Mais rápidos?
— Eu me sinto incrível — disse Galt.
— Super, papai — concordou Cara.
Por que ela sempre soava como se estivesse zombando dele? Pierce olhou para ela rapidamente, mas devolveu-lhe o olhar de forma pacífica.
— O que você está pensando agora? — Ele disparou contra ela.
— Eu gosto do melhor sabor de manga — ela respondeu prontamente.
— Não é um pensamento muito interessante — comentou Pierce — mas é aceitável.
Começou como um jogo, quando eles eram jovens. Como os dois costumavam gritar de prazer quando ele lhes perguntava isso! Ele havia inventado o jogo. As crianças tinham que responder dentro de um segundo, para que ele pudesse ter certeza de que eles não estavam mentindo. Mal sabiam eles, aos três, aos quatro, aos cinco anos, que ele os estava treinando. Qual é a utilidade dos filhos a menos que você possa contar com sua lealdade?
Todas as manhãs ele se levantava cedo para digitalizar os jornais. Cortava os artigos que queria que eles lessem e colocava em seus pratos. As noites eram para impressões e artigos de revistas. Estava formando suas mentes para que eles pudessem ser como ele. 
Ultimamente imaginava que a web era grande demais para controlar. Assim, elaborou um plano para eliminar certas partes da história, de modo que seus filhos não conseguiam acessar a menos que ele aprovasse.
Cara estava pegando seus fones de ouvido. Ele ia perdê-la para uma sinfonia em um segundo. Ele precisava de sua atenção.
— Ah crianças, lembrem-se, é o nosso segredo, certo? Sua mãe, vocês sabem como ela é. Ela quer proteger seus bebês. Ela ainda os manteria com compota de maçã e purê de cenouras, se pudesse. 
Galt riu.
— Vocês estão prontos para um último teste? Estão prontos para isso? 
— Sim! — Disse Galt, erguendo um punho. — Vamos lá!
— Eu sei que vocês são leais — disse Pierce — sei que são inteligente. E sei que estão em excelente condição física. O que eu não sei – e preciso saber – é se vocês podem operar de forma independente.
Cara olhou cautelosamente para ele.
— O que você quer dizer?
— Eu preciso saber se vocês podem ser deixados em uma situação – qualquer situação – e atravessá-la, entregar resultados. Vocês estão prontos para a sua tarefa?
— Pronto — respondeu Galt.
— Eu tenho jornalistas de todo o mundo à procura de Amy e Dan Cahill. Aqueles dois são procurados na web como ninguém. E tenho o local onde eles estavam, mas não sei onde estão agora.
— Estamos indo para Londres? — perguntou Cara.
— Ainda não. Estamos ao longo da costa oeste da Irlanda agora. Sua tarefa é encontrar Amy e Dan Cahill e passar suas coordenadas para mim a tempo de enviar alguns paparazzi atrás deles.
As duas crianças pareceram duvidosas. Pierce precisava deles nesse negócio. Ele dificilmente conseguiria enviar seus guarda-costas para bater perna ao longo do interior da Irlanda. Galt e Cara seriam perfeitos. Ninguém prestaria atenção m crianças.
— Basta fingir que são estudantes fazendo mochilão pela Europa — disse-lhes.
— Isso não soa muito desafiador — Galt disse de mau humor.
— Eu acho que soa divertido — respondeu Cara, olhando para fora da janela. — É um país lindo. E enquanto eu não tiver que dormir ao ar livre, estou bem com isso.
“O que é bom, porque vocês não têm escolha’’ Pierce pensou, mas sabia que não devia dizer em voz alta.
— Onde estão as mochilas? — perguntou Cara.
— Logo atrás de seus assentos. Com os paraquedas. Tony vai ajudá-los com o equipamento.
O homem que as crianças tinham presumido se tratar de um comissário de bordo se aproximou de onde estava nos fundos do avisão, fora do alcance de voz.
— P-paraquedas? — Cara gaguejou. — Mas nós nunca saltamos de paraquedas!
— Não se preocupe. Eu não falei que vocês estavam em condição física superior?
Tony começou a deslizar algumas alças sobre os ombros de Galt.
— Pai? Eu não tenho tanta certeza sobre isso! — exclamou Galt. — Não foi possível encontrar um aeroporto bom para pousar?
— Não quero deixar uma trilha de papel — disse Pierce — Além do mais, será divertido. Estarei de olho em vocês.
— Eu não quero f-fazer isso — disse Cara quando Tony conduziu-a para a parte traseira do avião.
— Pare de choramingar — ordenou Pierce, e Tony abriu a porta da cabine.

5 comentários:

  1. Todo vilão aqui tenta matar os filhos?

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    1. Provavelmente deve ser coisa de família, coisa de Cahill
      ~Tephi

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    2. Mas ele não é Cahill

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  2. Com um pai desses ....

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