31 de outubro de 2016

Capítulo 14

A menina estava na mesma posição na mercearia, ainda lendo um livro.
— Nós estávamos caminhando no adro da igreja — Amy comentou em um tom casual. — E notamos uma rocha gigante lá.
— Um dos nossos pontos turísticos mais emocionantes aqui na vila — a garota explicou. Ela virou uma página do livro.
— Há um M traçado na superfície da rocha — Dan disse. — E parece muito antigo.
— É só uma rocha — a garota disse. — Duvido que haja algo traçado lá.
Dan sabia que a menina estava mentindo pela maneira como ela virou a página de seu livro. Ela não podia ter lido a anterior tão rápido. Ele mostrou a foto que tinha tirado em seu celular. Fotografara e e enviara para Nellie.
A menina deu uma olhada rápida.
— Não estou vendo nada. Deixe-me ajudar com suas compras. — Ela se virou e inclinou para pegar o saco.
Dan deu uma cutucada forte em Amy. Tatuado na parte inferior das costas da garota estava claramente um M de Madrigal.
Amy ergueu o saco.
— Se é só uma pedra — ela falou — por que o mesmo está tatuado em suas costas?
Pela primeira vez, eles viram emoção no rosto da menina quando sua pele pálida ficou salpicada com rosa.
— É um símbolo da aldeia — ela respondeu, levantando o queixo e tirando uma mecha de cabelo escuro de seus olhos. — Meenalappa.
— Então por que não explicou sobre a rocha?
— Devo ter conversas sobre rochas com cada turista eejit que vem em minha loja? — ela perguntou desafiadoramente. — Agora voltem para o seu ônibus de turismo e vão beijar minha Pedra Blarney.
— Nós não somos de um ônibus de turismo — Dan respondeu. — Estamos hospedados em uma casa de campo aqui perto. Bhaile Anois.
A garota olhou para eles. Seu olhar se desviou de Dan para Amy e depois para ele novamente. Em seguida, a tensão deixou o seu corpo, e ela sorriu.
— Esse Declan. Ele é grosso como uma prancha. É de se imaginar que o seu próprio irmão lhe apresentaria quem ele levou para a casa na noite anterior. Eu soube que havia um ônibus de turismo na aldeia aqui perto – eles têm uma bela igreja lá, a trilha é turística. Às vezes o pessoal desce até aqui para almoçar no pub. Desculpe a grosseria. Nós somos muito protetores com a nossa aldeia, especialmente quando há pessoas que ficam no Bhaile Anois.
— Tudo bem — Dan disse. Era incrível como um sorriso mudava o rosto da garota.
— Vocês são bem a cara dos Cahill — a garota comentou. — Eu devia ter percebido.
— Nós somos os netos da Grace — Amy revelou.
— Dan e Amy, é claro. De qualquer modo, nós temos um ditado em minha casa e na aldeia. Qualquer coisa pela Grace. Agora isso inclui vocês. Ah, onde está minha educação? Eu sou Fiona Kilhane. Minha avó era zeladora da casa – era uma boa amiga de Grace. Sinto muito por sua morte.
— Obrigada — Amy disse.
— Nos conte sobre a rocha — Dan pediu.
— É tão antiga quanto a própria aldeia. Ela vai além da memória, por volta dos folclores, eu acho. Crianças de todas as gerações contam histórias sobre a moradora que a rocha representa. Há centenas de anos, ela nasceu aqui. Partiu por um longo tempo, voltou e teve uma filha, só para ir embora novamente. As crianças a chamam de bruxa branca. Dizem que ela protegia a vila da praga, que ela era uma selkie de Atlantis, que transformava palha e outro. Seu nome era...
— Olivia — Amy ofegou o nome.
— Exatamente — Fiona disse. — Grace deve ter te contado a lenda. Anos depois, sua filha voltou para cá. Ela gravou um na rocha.
— Madrigal — Dan disse.
— Ah sim, nós conhecemos esse nome. Nós a chamamos de rocha dos Madrigal. É um símbolo da aldeia, eu acho, nosso Madrigal.
Dan sentiu a animação de Amy igualar a sua. Fiona estava falando sobre sua antepassada, Olivia Cahill. Sua filha Madeleine havia sido a primeira Madrigal.
Esta é a nossa aldeia ancestral, Dan pensou. Este é o lugar onde Olivia Cahill nasceu.

* * *

Amy e Dan pedalaram de volta para Bhaile Anois. Agora, a paisagem parecia fresca e significativa para eles. Este era o lugar de onde eles vieram.
— Por que um M, afinal? — Dan perguntou Amy.
— Porque ela não podia colocar uma pedra com o nome de sua mãe — Amy adivinhou. — Seria muito perigoso. Talvez a palavra Madrigal tivesse algum significado secreto para elas.
Eles ultrapassaram a cerca alta, e a casa da fazenda parecia confortável e brilhante em seu côncavo. Dan percebeu Amy ao lado dele, as mãos descansando levemente no guidão. Ela também estava olhando para a casa. Ele sabia que ela pensava a mesma coisa. Era aquele elo mental que acontecia com eles tantas vezes.
— Grace tinha um motivo, ela queria que nós viéssemos aqui — ele falou. — E não é só pela proteção.
— Eu sei.
Eles guardaram as bicicletas na garagem e levaram suas compras para dentro de casa.
— Sempre que nós precisávamos dela, ela estava lá — Amy disse. — Mesmo depois que ela se foi. Ela nos deu McIntyre e Fiske e Nellie. E agora nos trouxe até aqui.
— Está aqui — Dan disse. — Seja lá o que for. Tem algo na casa.
Eles trocaram um breve olhar, em seguida, entraram em ação. Amy se dirigiu à cozinha. Ela procurou no balcão e nas prateleiras. Pressionou o rosto contra o assoalho e bateu contra as paredes.
Dan subiu as escadas. Procurou em todos os quartos, movendo aparadores e procurando pelo chão por uma tábua solta. Analisou a lareira de pedra cinzenta no quarto principal, onde Amy havia dormido. Se arrastou ao longo dos pisos dos quartos pequenos restantes. Bateu com os nós dedos nas paredes dos quartos.
Finalmente, ele subiu a escada de madeira em espiral até o quarto do sótão, tão reduzido que tinha espaço apenas para uma cama e uma mesa pequena. Uma janela circular no alto dava um leve vislumbre do céu azul. Não havia armário, apenas uma fileira de estacas ao longo de uma parede.
Frustrado, ele começou a descer as escadas novamente. Chegou ao patamar e fez a curva, pisando duro nos degraus restantes.
Ele parou.
Subiu as escadas de novo.
Então desceu.
Dan caiu de joelhos. Examinou cada centímetro da escada, subindo e descendo. Quando chegou ao final, viu Amy de pé no corredor, observando-o.
— É — ele disse. — Eu provavelmente estou maluco. Mas há algo diferente no som dos últimos degraus de cima. É apenas uma coisinha, mas...
Ele parou. Amy tinha se inclinado ao lado de um candeeiro de vela. O candeeiro tinha um pequeno espelho na parte de trás, para que a luz da vela fosse refletida e iluminasse melhor. No reflexo turvo, ele tinha visto. O par do candeeiro na parede oposta era um pouco diferente. Os arabescos de metal na borda tinha um padrão diferente. Mas em todos os outros aspectos, os candeeiros eram completamente iguais.
Ele correu os dedos ao longo dos arabescos. Cuidadosamente, puxou o candeeiro. Ele se moveu sob sua mão, e Dan rapidamente tentou pegá-lo. O candeeiro ficou pendurado, ainda ancorado à parede, mas a poucos centímetros de distância. Dan puxou-o por inteiro, e a escada começou a subir.
Além dela, havia uma sala secreta.
Dan deu alguns passos e olhou lá dentro. Então, virou-se para Amy.
— Depois de você — ele disse.

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