14 de outubro de 2016

Capítulo 13

— Eu sei que não deveria ter escondido isso. — O peito de Kylie apertou. — E eu sei que Burnett ficou realmente desapontado comigo e você provavelmente está furiosa, também. E eu entendo por quê. Realmente entendo. Mas... — Ela respirou fundo, enquanto Holiday continuava a fitá-la com um ar de reprovação.
Abraçando o urso de pelúcia ainda mais, ela continuou:
— Você não consegue entender que eu prometi ao meu avô não expor Hayden? Eu não teria mantido essa promessa se achasse que ele era má pessoa ou quisesse causar algum mal. Ele não é uma pessoa má. Se não fosse por ele, eu não teria descoberto naquela noite que Collin Warren tinha sequestrado você. E se eu não tivesse encontrado você no momento certo, provavelmente não teria... conseguido salvá-la. Ele ajudou a salvar a sua vida.
Holiday franziu a testa.
— Eu não estou dizendo que ele seja uma pessoa má, Kylie. E não é que eu não entenda por que você se sentiu obrigada a manter sua promessa, mas Burnett está certo em querer protegê-la. Precisamos saber o que está acontecendo.
— Bem, agora você sabe de tudo. Quero dizer, se Burnett lhe contou.
— Ele contou — assegurou Holiday.
Kylie mordeu o lábio e, em seguida, empurrou o urso de pelúcia para o lado.
— Burnett e Hayden se falaram de novo? Ele contou que eles quase se pegaram na noite passada? Burnett disse que ia pensar se o deixaria ficar. Pensar! E então Hayden disse que ele iria pensar se queria ficar. — Ela deu um profundo suspiro. — Burnett agiu como um troglodita.
Holiday fez cara feia.
— Quando se trata de proteger as pessoas de quem ele gosta, Burnett sempre exagera um pouco.
— Um pouco? Está brincando? — Kylie revirou os olhos. — Ou está falando sério?
Um ligeiro sorriso apareceu nos lábios da líder do acampamento.
— Ok, talvez exagere muito, mas, na maioria das vezes, ele está certo. — Ela puxou o cabelo vermelho para o lado e começou a torcê-lo.
— Mas ele não está certo quando se trata disso. E esse é o xis da questão. Eu preferia que Burnett não mandasse Hayden embora. Eu sei que ele mentiu para ser contratado, mas significa muito para mim ter... ter alguém por perto que entenda o que significa ser um camaleão. Quero dizer, você é maravilhosa. Você ficou ao meu lado desde o início e o mesmo posso dizer de Burnett, mas é como você me disse muitas vezes: você não sabe nada sobre camaleões.
Holiday assentiu.
— Eu sei que seria bom ter Hayden aqui, e eu disse isso a Burnett, também. E prometo a você, ele está levando isso em consideração.
— Você vai deixá-lo decidir? — perguntou Kylie, não gostando nem um pouco daquilo. — O que aconteceu com a Holiday que era sempre a mandachuva aqui?
— Agora que estamos realmente juntos, decidimos que Burnett tem a palavra final sobre tudo o que afeta a segurança de Shadow Falls.
— Ah, mas que inferno! Você sabe que ele pode ser irracional às vezes. Você acabou de admitir isso — exclamou Kylie. Será que o fato de amar Burnett tinha mexido com a cabeça de Holiday?
Kylie tinha ouvido falar que o amor deixava a pessoa meio cega, mas agora ela sabia disso com certeza.
— É verdade, ele pode ser irracional. No entanto, eu posso ser mole demais — Holiday admitiu. — E quando se trata da segurança dos nossos alunos, eu prefiro exagerar na cautela. Mas não se preocupe. Eu realmente acredito que Burnett acha bom ter Hayden por perto. Não só por você, mas para nos ajudar a nos precaver contra... futuros ataques.
Kylie puxou os joelhos e os abraçou. Ela sabia que, quando dizia “futuros ataques”, Holiday se referia a Mario. Embora Helen ainda não conseguisse se lembrar de nada, Kylie sabia em seu coração que tinha sido Mario o autor do ataque. Uma onda de tristeza e melancolia invadiu-a e alguns acontecimentos da noite anterior pipocaram em sua cabeça. Ela ergueu os olhos.
— Não acho que possa aguentar ver Mario ferindo outra pessoa. — Ela torceu as mãos. — Primeiro Helen, e então eu quase vi Derek sendo morto ontem à noite. E Mario quase me fez matar Lucas.
— Eu sei — Holiday interrompeu, como se soubesse que apenas falar sobre aquilo já era difícil para Kylie. — Deve ter sido uma noite difícil. Mas isso só enfatiza o que Burnett diz sobre você ser cuidadosa. Ele tem se dedicado muito ao sistema de segurança desde que você se foi e realmente acha que ele é infalível.
Aquilo devia fazer Kylie se sentir segura, e ela se sentia, mas...
— Então, eu sou uma prisioneira aqui — disse ela, pensando que, se as coisas não mudassem, seria tão ruim viver ali quanto na casa do avô.
— Não, não por muito tempo — Holiday insistiu. — Eu sabia que você se sentiria assim, e Burnett e eu já discutimos isso. Você não está proibida de sair, mas, até as coisas se acalmarem, Burnett quer estar junto quando você for a algum lugar. Eu não sei se ele disse, mas Mario foi flagrado em Shadow Falls. Então Burnett está inflexível sobre acompanhá-la, se você sair do acampamento. Você acha que pode aceitar isso? Ele apenas quer ter certeza de que está segura, Kylie. Você é especial para ele.
Kylie assentiu.
— Eu sei, e eu o amo também. — Ela se lembrou da conversa com a mãe. — Mas e o fim de semana dos pais daqui a algumas semanas? Minha mãe já está fazendo planos. Ela quer que John e eu... que a gente se conheça melhor. — A mente de Kylie criou uma imagem dela sendo forçada a ser educada com o namorado de sua mãe durante todo um pavoroso fim de semana. Santo Deus!, a última vez em que ela vira o homem perdera totalmente a cabeça e lançara insultos contra ele a torto e a direito. Era como se ela não conseguisse se conter. Kylie tinha surtado completamente.
Holiday se sentou na beira da cama.
— Vamos resolver isso quando chegar a hora. — Mas Kylie viu preocupação nos olhos da amiga.
Kylie abraçou os joelhos com mais força.
— Para ser franca, eu não me importaria de não ir para casa nesse fim de semana dos pais. Então, se você puder encontrar uma maneira de cancelar, eu não ia me opor. Você tem a minha palavra.
Holiday suspirou, demonstrando que compreendia.
— Agora me diga... Quem é esse espírito que anda por aí carregando uma cabeça?
Kylie revirou os olhos.
— Você vai me dizer que os seus fantasmas não fazem esse tipo de coisa? — ela perguntou com sarcasmo.
Holiday riu, apesar de Kylie não ter feito o comentário com a intenção de ser engraçada.
— Eu tinha um que, durante algum tempo, andou por aí carregando seu próprio braço e sua perna. Ele os tinha perdido num acidente e não queria se separar deles. Era horrível.
— Que sorte a nossa! — exclamou Kylie, mas depois ela pensou nos espíritos do cemitério e se sentiu mal por ser tão cínica. A maioria deles era simplesmente almas perdidas à procura de ajuda.
Holiday estendeu o braço e pousou a mão no braço de Kylie.
— Que sorte a deles por terem a nós — disse ela, como se tivesse lido a mente de Kylie, ou pelo menos suas emoções. — Mas nem todos merecem a nossa ajuda. Eu já lhe disse isso antes; você pode mandá-los embora. Tem todo o direito de dizer não a alguns deles.
— Eu sei, e eu tentei, mas acho que não fiz isso direito. Ou talvez não tenha me esforçado o suficiente.
— Pelo que Burnett me disse, acho que mandar esse espírito embora é a atitude mais sensata. O que é isso de ela querer que você mate alguém? Ela lhe disse quem é?
— Não. Ela não é de falar muito, como todos os fantasmas. Eu nem tenho certeza se ela sabe as respostas.
— Ela parece perversa?
Kylie pensou um minuto.
— Sim e não. Quero dizer, ela não é um anjo. Já admitiu que matou um monte de gente. Na maioria das vezes em que a vejo ela tem sangue nas mãos, mas quase sempre parece que ela se sente culpada por isso. Pelo menos às vezes — Kylie emendou, lembrando-se de como o fantasma carregava a cabeça decepada sem o mínimo de sensibilidade. — Mas eu não acho que ela queira me causar algum mal. Eu até perguntei se ela estava tentando me levar para o inferno.
Holiday ergueu uma sobrancelha.
— E você acha que ela iria admitir isso?
— Não, mas ela não hesitou em responder nem negou como se estivesse mentindo. Ela me disse com naturalidade que queria que eu mandasse alguém para o inferno. E eu acho que a coisa toda da cabeça foi porque eu comecei a ignorá-la. Ela só queria chamar a minha atenção.
— E eu aposto que isso funcionou — arrematou Holiday.
— Pode apostar — confirmou Kylie. — É meio difícil não prestar atenção nisso. — Ela estremeceu, lembrando-se da imagem da cabeça.
— Ainda acho que despachar esse fantasma pode ser a melhor coisa a fazer.
— Eu sei, e ontem à noite eu estava mesmo pensando em fazer isso, mas uma coisa me deteve.
— O quê? — perguntou Holiday, colocando uma das pernas sobre a cama.
Kylie suspirou. Ela não tinha se preocupado muito com isso antes, mas agora parecia algo que ela deveria considerar.
— Ela diz que, se eu não fizer isso, se eu não matar essa pessoa, sou eu quem vai morrer.
Holiday franziu a testa.
— Ok, isso muda um pouco as coisas. Você sente que ela está tentando proteger você ou apenas causar mal a outra pessoa?
Kylie refletiu sobre a pergunta.
— Acho que ela está fazendo as duas coisas. Não sei por que ela iria querer me proteger. Mas, ontem à noite, quando Derek e eu estávamos deixando o complexo, foi ela quem me disse para ir ao cemitério. Acho que ela estava me ajudando.
Holiday fez uma cara séria.
— Ok, mantenha esse espírito por perto por enquanto. Mas pelo amor de Deus, tenha cuidado. Você já tem alguém neste mundo tentando prejudicá-la, não precisa de um fantasma tentando fazer isso também. Você é especial demais para que qualquer um queira machucá-la.
As palavras de Holiday ficaram se repetindo na cabeça de Kylie e de repente ela se lembrou de alguém lhe dizendo palavras semelhantes. Alguém de olhos verdes e raias douradas, e lábios...  quentes. De repente, lembrou-se de parte do sonho lúcido, uma parte importante dele. A parte em que Derek a beijou.
— Ah, merda! — murmurou, segurando a cabeça entre as mãos. — O que eu fiz?
— O que foi? — perguntou Holiday.
Kylie olhou para ela.
— Nos sonhos lúcidos, a pessoa que inicia o sonho está no controle, mas a pessoa que é trazida pode impedir que as coisas aconteçam, certo?
— Certo. Contanto que ela esteja convicta de que aquilo não está acontecendo de verdade.
— Merda... — ela murmurou de novo, ao se lembrar de que tinha se sentido confusa sobre o que queria. Confusa sobre o que era certo e errado. E se ela estava confusa no sonho, então ela poderia ter deixado acontecer o que não deveria ter acontecido.
— Ah, droga! — lamentou, tentando se lembrar do resto do sonho. Então ela voltou a olhar para Holiday. — Eu não deveria conseguir me lembrar de tudo?
— Sim, exceto se... — Ela fez uma cara como se não achasse que Kylie ia querer ouvir o resto. — Exceto se você estivesse realmente exausta.
— E eu estava. Mas que ótimo! — Kylie murmurou.
— Acalme-se. Depois de comer alguma coisa e relaxar você provavelmente vai se lembrar de tudo.
— Não sei se quero me lembrar — ela murmurou. — Ah, mas que inferno, eu quero, sim!
Holiday franziu a testa.
— Você quer que eu fale com Derek a respeito?
Kylie franziu a testa.
— Eu não disse que era Derek.
Holiday olhou-a como se quisesse dizer, “Não seja boba”.
— Vocês dois e eu somos os únicos aqui que podem iniciar um sonho lúcido. Tinha de ser ele.
Kylie mordeu o lábio novamente.
— Ok, tem razão, mas não, eu não quero que você fale com ele. Preciso resolver isso sozinha. — Ela soltou um suspiro profundo. — Derek acha que ainda sou apaixonada por ele.
— E você não é? — perguntou Holiday.
— Não! — admitiu Kylie. E ela estava falando sério. Ela estava. Sim, realmente estava. Então por que parecia que ela estava tentando convencer a si mesma? — Eu não quero falar sobre Derek.
Holiday examinou o rosto de Kylie por um instante.
— Você quer falar sobre Lucas?
— Não!
— Ok, mas, se você precisa falar sobre ele ou qualquer coisa assim, eu estou aqui para ouvi-la.
— Eu sei. — Então, só para provar que ela era uma mentirosa, as palavras deslizaram de seus lábios. — Eu percebi que o amava um pouco antes de tudo o que aconteceu. — Seu coração pareceu encolher. — Eu ia dizer isso a ele da próxima vez que o visse. Então, na próxima vez que o vi, ele estava prometendo sua alma a Monique.
Holiday franziu os lábios como se hesitasse em dizer o que estava em sua mente.
— Não acho que ele estivesse falando sério.
— Não me importo se estava ou não; ele não deveria ter feito aquilo.
— Isso é verdade. E eu não vou dizer a você o que fazer, mas acredito que ele estivesse dizendo a verdade sobre suas intenções. E eu só estou dizendo que, se você ainda gosta dele, não acho que ele seja um cara ruim.
Kylie respirou fundo.
— Eu perguntei a minha mãe uma vez se ela ainda amava meu pai. Ela me disse que não sabia. Que talvez, quando superasse a raiva que sentia dele, tivesse que pensar se realmente o amava ou não. Talvez seja isso que vá acontecer comigo e com o Lucas. Mas, por ora, fico muito irritada quando todo mundo fica dizendo que ele é um cara legal. Faz com que eu me sinta a única pessoa que fez alguma coisa errada. — As lágrimas apertaram a sua garganta, mas ela as engoliu e ficou mais ereta.
— Sinto muito. — Holiday levantou uma mão. — E você sabe que não fez nada errado. E não vou dizer nem mais uma palavra.
— Obrigada.
Sua barriga de repente roncou alto, avisando que estava tão infeliz quanto ela... e vazia. Ela olhou de volta para Holiday.
— Eu preciso comer alguma coisa. Acho que meu estômago está roendo minha espinha dorsal agora.
— Tome. — Holiday estendeu a mão para a mesinha de cabeceira, pegou um saco de papel e o entregou a Kylie. — Eu trouxe para você mais cedo, pois achei que precisaria comer alguma coisa.
Kylie tirou de dentro um saquinho plástico e viu metade de um sanduíche com o formato de uma mordida num dos lados.
— Desculpe, fiquei com fome enquanto esperava você acordar.
Quando Kylie desembrulhou o sanduíche e deu uma mordida, Holiday pegou novamente o saco de papel e tirou de dentro um saquinho aberto de batatas fritas.
— Ainda estou com fome. — Ela sorriu desculpando-se e colocou uma batata na boca.
Enquanto Kylie comia o sanduíche e via Holiday comer as batatas fritas, o peso do mundo que oprimia o seu peito ficou bem mais leve. Não chegou a desaparecer, mas diminuiu o suficiente para lhe causar um certo alívio. Ela ainda tinha toneladas de problemas para resolver. Mas estar de volta a Shadow Falls era bom.
E estar ali com Holiday contribuía para isso.
Kylie terminou o último pedaço de sanduíche e enfiou a mão no saco de batatas de Holiday. Seus dedos encontraram o fundo do saco.
Holiday fez uma cara engraçada.
— Desculpe, eu não sei o que se passa comigo. Meu apetite aumentou.
— É provavelmente o amor — disse Kylie. — Você está simplesmente iluminada. Cada vez que diz o nome de Burnett, seus olhos começam a brilhar.
— Na verdade, o amor faz exatamente o oposto com o apetite. Você acha que pode viver de amor. Nem precisa comer.
Kylie arqueou uma sobrancelha.
— Então... talvez você esteja grávida!
Holiday lambeu a gordura da batata e as migalhas dos dedos.
— Não é possível.
— Ah, por favor. Miranda me disse que foi à sua cabana e havia coisas de Burnett espalhadas por toda parte. Vocês dois estão planejando se casar. Miranda me contou também. O fato de vocês dois estarem dormindo juntos é... é normal. E, se você fingir o contrário, vai parecer uma idiota.
Holiday inclinou a cabeça para o lado, olhando para Kylie com uma cara meio séria.
— Eu não estou fingindo. E, embora eu não precise explicar nada — Ela parou. — Eu não disse que ele não estava hospedado na minha cabana, ou que não estávamos... dormindo juntos. Eu disse que não era possível. Estamos tomando cuidado. Usando proteção. Que é o melhor conselho que posso dar a qualquer adolescente. — Ela apontou para o saco de papel sobre a cama. — Tem uns biscoitos aí. Desculpe, mas eu... comi alguns, também.
Kylie agarrou o saco de papel e pegou outro saco plástico no fundo, que continha três biscoitos de chocolate. Ela pegou um e, por educação, ofereceu um a Holiday, que aceitou com entusiasmo.
— Eu adoro biscoitos de chocolate! — comentou Holiday, percebendo a surpresa de Kylie. Em seguida a fae colocou o biscoito inteiro na boca.
— Você sabe que os preservativos não são infalíveis — Kylie disse, abrindo o biscoito ao meio e lambendo o glacê branco entre as duas partes de chocolate. — Segundo estatísticas, são apenas de 85 a 90 por cento eficazes na prevenção da gravidez. Alguns afirmam que em dez por cento dos casos a falha é humana ou, no seu caso, do vampiro, e não falha do preservativo. Como no caso em que se retira o pênis rápido demais — ela fez uma careta —, causando vazamento, ou em que não se coloca o preservativo direito. E se uma mulher tem unhas compridas... — O olhar no rosto de Holiday fez com que Kylie fizesse uma pausa. — Não que você tenha unhas compridas ou que Burnett não saiba colocar uma camisinha... — Kylie sentiu seu rosto queimar.
Holiday corou junto com Kylie. Então, ainda com a boca cheia do biscoito, a fae ergueu a mão como se quisesse dizer que precisava de um minuto antes de falar.
Kylie, embora envergonhada, se sentia orgulhosa do conhecimento que tinha, e continuou falando enquanto lambia o recheio do biscoito.
— E se um cara carregar um na carteira por muito tempo, ele pode rasgar. E ainda existem as falhas no controle de qualidade. Por alguma razão o preservativo pode ter uma fenda ou um furinho. E você ficaria surpresa se soubesse a quantidade ínfima de esperma que é necessária para engravidar uma garota!
Depois de lamber todo o recheio, Kylie deu uma mordida no biscoito de chocolate e falou com a boca cheia.
— Para não correr riscos, vocês podem comprar preservativos com espermicida, que supostamente ajuda a matar qualquer um desses pequenos espermatozoides que escapar. Mas o uso de preservativos com espermicida o tempo todo pode causar problemas vaginais. Portanto, não se recomenda o uso prolongado.
Holiday engoliu em seco.
— Você... — Ela engoliu novamente, lambendo os dentes para tirar o chocolate — com certeza sabe muito sobre preservativos.
— Eu disse a você, minha mãe deixava panfletos na minha cama cerca de duas vezes por semana. Você não vai acreditar em todas as informações que tenho na cabeça. Eu poderia discorrer sobre todos os diferentes tipos de doenças sexualmente transmissíveis, mas não é algo muito agradável. Eu não quero pensar nisso.
Holiday riu.
— Eu acho que, quando eu tiver um filho, poderei perguntar à sua mãe onde ela consegue tantos panfletos.
— Ah, não faça isso. É algo que mexe com a mente de uma pessoa. Acho que é por isso que eu ainda sou virgem.
Holiday riu.
— É exatamente por isso que eu vou querer que o meu filho receba esses panfletos. — O sorriso dela desapareceu. — Sério, um adolescente não deve ter relações sexuais levianamente.
— É verdade — Kylie disse, pegando o último biscoito e partindo-o ao meio. — Mas ter muita informação não é muito bom, também. — Ela ofereceu uma metade a Holiday, que não hesitou em aceitá-la.
— Obrigada.
— Você tem certeza de que não está grávida? — perguntou Kylie, observando Holiday colocar a metade do biscoito na boca, como se estivesse morrendo de fome. Ou, como se comesse por dois.
— Positivo. — Holiday falou, mastigando o biscoito. — Faes, ou pelo menos as faes da minha família, sempre sabem quando estão grávidas.
Kylie sorriu.
— Não me diga, um dos sinais é que elas ficam famintas e comem a comida das amigas, enquanto estão esperando que elas acordem.
— Não. — Ela fez uma pausa e franziu a testa. — Bem, ficar com fome é um sintoma, mas o mais comum são soluços e arrotos. Tenho uma prima que ficou grávida e soluçou sem parar durante oito meses. Foi triste.
Holiday olhou para o saco de papel, como se desejasse que não estivesse vazio.
— Por que você não põe os sapatos e vamos para o refeitório, afanar mais alguns biscoitos? Depois vamos procurar Burnett e ir à cachoeira. Algo me diz que você talvez precise de um ambiente relaxante.
A ideia de ir à cachoeira provocou uma sensação de calor no corpo de Kylie.
— É, parece muito bom. — Talvez quando ela estivesse lá conseguisse se lembrar do resto do sonho. Deus, ela realmente esperava que não tivesse feito nenhuma besteira com Derek... Não que ela tivesse medo de ter... ido longe demais – até o fim, queria dizer. Era preciso admitir, como ela dissera para Holiday, os panfletos tinham feito um estrago na cabeça dela. Informação demais de fato poderia não ser uma boa. Ou neste caso particular, poderia ser uma boa.
Então ela percebeu que, se não tivesse sido tão cautelosa com relação a sexo, já podia ter dormido com Lucas. Estava contente por não ter feito isso. A dor encheu seu peito novamente, e ela não pôde deixar de perguntar até que ponto tinha dito a verdade à amiga. Quando a raiva que ela sentia de Lucas passasse, ela conseguiria perdoá-lo?
Será que ele merecia uma segunda chance?
Afastando Lucas da mente, percebeu que ainda não tinha se esquecido de Derek, que voltou a dominar seus pensamentos. Ela se lembrou do beijo do sonho. Será que ela tinha conseguido detê-lo? Ou tinha se deixado levar pelo momento? Droga! Droga! Dar esperança a Derek era uma péssima ideia.
E se ela tinha dado a ele esperança, precisava cortar o mal pela raiz, antes que aquilo causasse danos irreparáveis. O tipo de dano que deixa as pessoas magoadas. E o fato de ela não querer ferir os sentimentos de Derek poderia ter lhe proporcionado um alívio, mas ela não iria deixar sua mente divagar sobre o assunto. Não mesmo!
Kylie pegou os sapatos, calçou-os, e saiu com Holiday. Lembrando-se do celular de Hayden, enfiou-o no bolso.
Na noite anterior, ela tinha pensado em ligar para o avô, mas sem saber o que dizer, ou como dizer, ela desistiu. E, se ligasse, Burnett veria isso como outra traição?
Ela olhou para Holiday.
— Podemos dar uma passada na cabana de Hayden? Preciso devolver o telefone dele. — Quando Holiday olhou para ela com uma expressão confusa, Kylie explicou. — Deixei o meu celular na casa do meu avô. E eu queria ligar para a minha mãe.
— Claro! — disse Holiday.
Elas ainda não tinham cruzado a porta do quarto de Kylie quando Holiday soltou um leve soluço. Em seguida, outro escapou de seus lábios.
Kylie olhou para ela. Holiday colocou a mão sobre os lábios e o pânico transpareceu em seus olhos verdes.
— Isso é o que eu acho que é? — perguntou Kylie. — Foi um soluço?
— Ah, merda! — murmurou Holiday, e soluçou novamente.
Kylie gritou com entusiasmo.
— Será que o bebê será parecido com você ou com Burnett?

6 comentários:

  1. Kkkkk_Holiday_gravida_Kylie_pareceu_uma_medica_explicado_sobre_relacao_sexual_kkkkk

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    1. Kkkkkkk também, né, depois de tantos panfletos que a mãe deu pra ela, Kylie já é especialista

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  2. (Será que ele merecia uma segunda chance?)
    SSSIIIMMM

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    1. Verdade MUITO SIIIIIIIIIIIIIIIIIM!!!!!!

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    2. Não... não merece.
      Deeeeeerek!!! 💅🏻 Por outro lado...

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  3. E quando eu tiver dúvidas sobre sexo e qualquer coisa, podem ter certeza... eu vou visitar esse capítulo! 😂😂😂

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