4 de outubro de 2016

Capítulo 12

Kylie viu quando Miranda deixou o garfo cair ruidosamente na bandeja, inclinou-se para a frente e, pela primeira vez, fez contato visual com Perry.
— O quê?
Perry sorriu. Só o fato de sentir o olhar de Miranda sobre ele fez o rosto do garoto ficar vermelho e seus olhos adquirirem um belo tom azulado. Por apenas um segundo, Kylie se perguntou qual seria a verdadeira cor dos seus olhos.
— Não é verdade que eu quase devorei meu primo — defendeu-se ele. — Só o mastiguei um pouco e depois cuspi. Eu era um gato e ele, um pássaro. E ele era mais velho e sempre roubava meus biscoitos com formato de bichinho.
Perry continuou falando e Miranda continuou ouvindo e, enquanto se olhavam nos olhos, ambos pareciam quase hipnotizados. Kylie, dando-se mentalmente os parabéns, recostou-se um pouco para não bloquear a visão dos dois pombinhos. Então o telefone de Miranda tocou. Ela desviou os olhos de Perry e pegou o celular, que estava ao lado da bandeja de comida.
Ao verificar o identificador de chamadas, soltou um gritinho de pura euforia.
— É Todd Freeman! Ai, meu Deus! Ele está mesmo me ligando! — O sorriso de Miranda brilhou em seus olhos, e ela sacudiu os quadris no banco, numa dancinha improvisada.
Demorou meio segundo para Kylie se lembrar de que Todd Freeman era o bruxo também conhecido como “o garoto mais bonito da antiga escola de Miranda”, que tinha pedido o telefone dela na competição entre os bruxos. Kylie precisou da outra metade do segundo para perceber que isso não podia ser boa coisa. Não para Perry, pelo menos.
O olhar de Miranda voltou a fitar o metamorfo loiro e, por uma fração de um segundo, ela pareceu se sentir culpada. Nada muito evidente, mas o bastante para dar a Kylie um pouco de esperança.
— Com licença — disse Miranda e, em seguida, levantou-se, com o telefone no ouvido, e saiu do refeitório.
Perry acompanhou Miranda com os olhos enquanto ela se afastava e então olhou para Kylie. Seus olhos estavam agora verdes brilhantes e ligeiramente apertados, deixando-a entrever um indício de raiva. A cor em suas faces, que demonstrava um contentamento evidente segundos antes, tinha desaparecido. Por completo.
— Devo perguntar quem é Todd Freeman ou é melhor eu não saber?
A mente de Kylie começou a dar voltas, enquanto ela tentava encontrar as palavras certas para responder.
— Ele é só... — Justamente quando achou que sabia o que dizer, que tinha encontrado algo para acalmá-lo e, quem sabe, não fazê-lo ficar com raiva, ela avistou Derek e Ellie saindo do refeitório. A mão de Derek, pousada na parte inferior das costas de Ellie. Um toque inocente, mas não tão inocente aos olhos de Kylie.
— Ele é só...? Continue! — pediu Perry.
Kylie voltou a olhar para Perry. Por que, ela se perguntou, estava tão preocupada em consertar a vida amorosa de outras pessoas se não conseguia nem mesmo consertar a própria?
— Eu não sei o que dizer, Perry. A vida é difícil. O amor é mais ainda.
Trinta minutos depois do almoço – com Perry ainda seguindo seus passos – Kylie estava na frente do refeitório outra vez, procurando por Helen. Ela suspeitava que a garota estivesse em meio à multidão de campistas que aguardava, batendo papo, o sorteio de nomes da Hora do Encontro.
Mas não estava.
Lucas se aproximou, seguido por Fredericka.
— Oi. — Ele chegou perto o suficiente para que seu ombro roçasse no dela e seu calor fez Kylie se lembrar do sonho da noite anterior, quando ele não tinha o mesmo calor. Ela o preferia quente. Com certeza preferia que ele fosse ele mesmo e não o vampiro assassino psicótico.
— Oi — cumprimentou ela, tentando não olhar para Fredericka, que se aproximava a passos lentos.
— Tudo bem? — Lucas perguntou, franzindo a testa ao ver Perry.
O metamorfo, que estava ao lado de Kylie, não pareceu nem um pouco preocupado. Só acenou com a cabeça.
Fredericka continuou diminuindo o passo e, incapaz de se conter, Kylie olhou para ela. A loba lançou um sorriso petulante para Kylie, sem dúvida gabando-se por estar na companhia de Lucas.
Lucas baixou um pouco a cabeça na direção de Kylie.
— Desculpe por perder o café da manhã. Eu tinha um assunto da alcateia pra tratar.
Um assunto da alcateia? Kylie não pôde deixar de imaginar se o assunto da alcateia era sobre como manter Lucas longe dela. A frustração cresceu em seu peito. Já era ruim o suficiente ter Fredericka tramando contra ela, mas pensar que a alcateia inteira também antipatizava com ela era muito para a sua cabeça. Ela olhou para Lucas.
— Eu... tenho que ir.
— Você está bem? — Ele se inclinou, com os olhos azuis cheios de preocupação. Ela não tinha certeza se ele tinha percebido o medo em seus olhos, devido ao sonho da noite anterior, ou seu ciúme pela loba que o seguia como um cachorrinho perdido.
— Estou — ela mentiu, e começou a se afastar.
— Aonde vamos? — Perry perguntou, os passos em sincronia com os dela.
— Encontrar Helen — Kylie respondeu, e olhou para a frente, mesmo sentindo que Lucas ainda a fitava. Ela podia não ser capaz de resolver seus problemas amorosos, mas talvez Helen pudesse lançar alguma luz sobre todo o processo de cura e o fato de Kylie ter trazido um pássaro morto de volta à vida. Com Holiday fora do acampamento, ela precisava de toda a ajuda que pudesse conseguir.
Um pássaro azul deu um rasante e ficou bem na frente dela por um milésimo de segundo antes de voar para longe. Será que as coisas podiam ficam ainda mais bizarras?
Kylie balançou a cabeça. Ah, droga, o que ela estava pensando? Estava em Shadow Falls; as coisas sempre podiam ficar mais bizarras.
Quando Kylie se aproximou da cabana da meio fae, virou-se e olhou para Perry direto nos olhos.
— Eu quero falar com Helen sozinha.
— Não dá — disse ele.
Kylie franziu a testa.
— Perry, estou falando sério.
— Eu também — disse ele, sem um toque de sarcasmo ou humor na voz, o que para Perry era uma raridade. — Olha, eu sei que você não me quer no seu pé o dia todo, mas Burnett me contou o que aconteceu com a águia e a cobra e, em seguida, com o cervo. E além de eu não querer que você seja atacada por um ser maligno da minha própria espécie, não posso falhar de novo. Eu já ferrei com tudo uma vez perdendo de vista o casal de velhos, e não vou fazer isso outra vez... E você vai ter que me engolir.
Kylie franziu a testa, mas compreendeu. Quem ali iria querer ferrar com tudo? E por mais que ela não quisesse aceitar que estava em perigo, não podia negar a possibilidade de Burnett estar certo. Ela também não queria ser atacada por um ser maligno da espécie de Perry.
Ela olhou o metamorfo nos olhos amarelos, e viu ali um toque de insegurança. Se sentiu mal por isso.
— Só que eu preciso fazer algumas perguntas a Helen e não tenho certeza se ela vai se sentir à vontade para responder com você ao lado.
— E se eu me transformar em outra coisa e não me aproximar muito?
Kylie de repente teve uma ideia. Não tinha certeza se ia dar certo, porque não sabia como funcionava toda aquela coisa de metamorfo de se transformar, mas valia a pena tentar.
— Que tal você se transformar num gato branco de olhos azuis brilhantes?
— A última vez em que me transformei num gato, você ficou louca da vida, torceu minhas orelhas e ameaçou me castrar.
— Bem, não espie mais pelas janelas da minha cabana e você não vai estar em perigo. Apenas não se esqueça de que tem de ser um gato branco de olhos azuis. Ah... e tem que ser macho.
— Como se algum dia eu fosse me transformar numa gata... — ironizou ele.
— Então se transforme já! — exigiu ela.
— Tudo bem. — Ele fez um aceno com a mão e as centelhas começaram a aparecer.
Em apenas alguns segundos, Perry desapareceu e um gato branco de pelos longos, focinho alongado e lindos olhos azuis apareceu em seu lugar, balançando o rabo.
O felino era tão adorável que ela teve que se refrear para não pegá-lo no colo e acariciar seu pelo macio.
— Que gracinha! — Kylie exclamou.
O gatinho, ou melhor, Perry, inclinou a cabeça para o lado como se estivesse intrigado. Depois esticou a pata e coçou a orelha direita.
Funcionou!, pensou Kylie, sorrindo, ao se lembrar da razão que a fizera insistir para que ele se transformasse num gato branco.
— Eu não estou ouvindo nada! — disse Perry. — Como você fez isso?
Kylie teve que morder o lábio inferior para não soltar uma risada.
— Não é culpa minha. Muitos gatos machos brancos e de olhos azuis são surdos. — ela explicou, pronunciando as palavras bem devagar para que ele pudesse fazer leitura labial. — Você pode ver tudo. — Ela apontou para seus olhos. — Mas não pode ouvir.
— Que sacanagem! — reclamou Perry, obviamente capaz de ler os lábios dela.
Kylie sorriu.
— Não, foi genial! Agora fique para trás.
— Mas vou ficar onde eu possa ver você.
— Tudo bem. — Ela foi até a cabana de Helen e manteve-se atenta a qualquer metamorfo indesejado.
Helen atendeu à porta quase imediatamente.
— Ei, você veio me ver! — Ela deu em Kylie um abraço tão apertado e exibiu um sorriso tão grande no rosto que Kylie sentiu um pouco de culpa por não tê-la visitado antes. Helen era... bem, um pouco tímida e não tinha muitos amigos.
No entanto, um pouco da culpa se desvaneceu quando ela se lembrou de que tinha convidado Helen para ir à sua cabana várias vezes. A meio fae sempre recusava o convite, porque estava passando todo o seu tempo livre com Jonathon, seu novo amor.
— Vamos entrando — convidou Helen.
Kylie começou a entrar na cabana, mas se lembrou de Perry.
— Eu não posso.
— Por quê? — Helen perguntou, alisando o cabelo castanho-claro.
— Eu estou com a minha sombra.
— Ah, certo. — Os olhos castanhos de Helen se arregalaram um pouco de preocupação. — Jonathon estava me contando sobre o que aconteceu. Acham que alguns metamorfos burlaram o sistema de segurança. Você está bem? Quer dizer, primeiro aquele fim de semana e agora isso... — Helen saiu e fechou a porta da cabana. Foi até a borda da varanda e sentou-se no assoalho de madeira.
— Estou bem — Kylie respondeu, o que não era bem verdade, mas ela não precisava despejar seus problemas sobre Helen.
— Você realmente viu o intruso? — Helen perguntou.
Kylie se sentou ao lado da garota, deixando os pés penderem para fora da borda da varanda.
— Era uma águia e uma cobra e, em seguida, um cervo. E nós não temos nem certeza de que era alguma coisa de fato. Podem nem ser metamorfos. — Ou pelo menos era isso que Kylie dizia a si mesma. E visto que nada mais tinha acontecido, estava ficando mais fácil acreditar (se ela não se lembrasse do olhar cruel que tinha visto nos olhos da águia e do cervo).
Kylie de repente percebeu dois pássaros planando sobre elas. Um arrepio de medo percorreu sua espinha e ela olhou em direção ao bosque, para ver se conseguia localizar Perry.
Ele não parecia muito preocupado. Tinha encontrado um local em que batia sol, em meio às árvores, e estava estendido no chão, como se apreciasse o calor.
— Quem é a sua sombra? — Helen perguntou, seguindo o olhar de Kylie, mas obviamente sem notar o gato.
— É Perry. Eu o fiz se transformar num gato branco de olhos azuis.
Helen arqueou uma sobrancelha como se compreendesse.
— Assim, ele não pode nos ouvir. Boa ideia! — exclamou, tirando uma formiga do seu joelho.
Elas ficaram sentadas ali por alguns segundos em silêncio, ambas balançando as pernas para trás e para a frente.
Finalmente, Kylie falou.
— Você se importaria de me responder algumas perguntas sobre cura?
— Tudo bem, ouvi dizer que você curou sua amiga — disse Helen. — E depois Lucas, também. Que legal!
Kylie mordeu o lábio.
— É. É legal. Quer dizer, eu ainda estou tentando entender essa coisa de cura, mas gosto da ideia de poder fazer isso. É por isso que eu queria saber mais a respeito. Não sei como tudo funciona.
De repente, milhares de perguntas começaram a pipocar na sua cabeça. Ela podia curar qualquer pessoa? Podia ir a um hospital e simplesmente curar todo mundo?
— Holiday não falou com você sobre isso? — Helen puxou uma perna para cima.
— Ela tentou. Eu simplesmente não estava pronta para ouvir. Então ela teve que deixar o acampamento. A tia dela morreu, mas ela deve estar de volta esta tarde.
— Poxa, que chato! — disse Helen com sinceridade, e em seguida acrescentou: — Holiday disse que nós duas íamos começar a nos reunir com ela de vez em quando para discutir a cura em grupo. Eu li muito a respeito, mas ainda há muito mais para saber sobre esse dom.
— Existem livros sobre a cura sobrenatural? — Kylie perguntou, surpresa.
— Sim, há uma biblioteca inteira sobre todos os assuntos sobrenaturais.
— Sério? Eu nunca ouvi falar dela.
— Mas ela existe. São toneladas de livros sobre praticamente qualquer assunto.
Qualquer assunto? Se fosse verdade, Kylie não conseguia deixar de pensar se poderia haver alguma informação em algum lugar sobre anomalias como ela mesma.
— Quem...? Quer dizer, como se consegue esses livros?
— Na biblioteca da UPF. Se é que você pode chamá-la de biblioteca. É mais como um cofre cheio de livros. Demorou quase um mês para eu ser aprovada e me deixassem verificar os livros que pedi. Burnett finalmente intercedeu e conseguiu que me aprovassem.
— Por que eles não querem que você leia sobre cura ou... qualquer outro assunto sobre seres sobrenaturais?
— Sei lá.
Kylie refletiu sobre aquilo por alguns minutos e então perguntou:
— O que você aprendeu sobre cura?
— Muitos livros são sobre homeopatia. Mas alguns falam sobre o básico, como os diferentes tipos de curadores.
— Existem tipos diferentes?
Helen fez que sim com a cabeça.
— E níveis diferentes.
— E isso depende da espécie que você é?
— É, digamos que sim. Esse dom é mais comum em fadas e bruxas. Mas é encontrado em todos os tipos de meio-sangue, também. Cheguei a ler um livro que dizia que alguns meio-sangue podem ter mais poderes de cura do que os puro-sangue.
Kylie tentou absorver tudo o que Helen estava dizendo.
— Quais são os diferentes tipos?
— Bem, alguns de nós podem apenas aliviar a dor, mas não realmente curar. Algumas bruxas podem curar misturando poções e realizando certos rituais. E existem aqueles que curam doenças internas, como o câncer, por meio do toque. E também há alguns que são como você.
— Como eu? — Kylie perguntou, confusa.
— Que podem curar problemas internos, como o câncer, e também ferimentos, como você fez com sua amiga Sara e Lucas.
— Você não pode curar ferimentos? — Kylie perguntou.
— Não. Mas bem que eu gostaria. Jonathon caiu um tempo atrás e cortou a mão. Tentei várias vezes curá-lo, mas não deu em nada.
Kylie tentou absorver a nova informação. Mas principalmente o que ela absorveu foi o fato de que, mais de uma vez, se comprovava que ela era uma anomalia. Será que, pelo menos uma vez, ela não poderia se encaixar numa categoria?
— Você parece preocupada — percebeu Helen, olhando para ela.
— Estou um pouco — Kylie admitiu. — E acho que tudo isso ainda é demais pra mim.
— Ei, no seu lugar eu ficaria feliz de não ser do tipo realmente estranho.
— De que tipo você está falando?
— O tipo que pode ressuscitar os mortos. Porque cada vez que fazem isso, abrem mão de uma parte da sua alma. Isso, sim, é realmente estranho, não acha?
Um arrepio de medo envolveu o coração de Kylie.
— É. Superestranho.
Kylie recebeu uma mensagem de Holiday no celular quando voltava para a sua cabana. ProblemasSó vou poder voltar amanhã. Você está bem?
Se eu estou bem? Kylie quase riu alto. Claro que não, ela não estava bem! Ela tinha doado uma parte da sua alma para uma gralha azul e não sabia o que isso significava.
Assim que os deveres de Perry como sombra chegaram ao fim e ele foi substituído por Della, Kylie pegou o telefone e começou a sair da cabana, sentindo-se totalmente em desespero. Holiday não estava ali, mas Burnett estava. Ele poderia não ter nenhuma resposta, mas pelo menos ela poderia dizer pessoalmente a ele que queria um cartão da biblioteca da UPF para poder emprestar os livros. Se houvesse de fato a menor chance de a biblioteca ter algo que a ajudasse a descobrir o que ela era, então, Kylie passaria anos, se preciso, com o nariz enfiado nos livros.
— Aonde vamos? — Della perguntou, seguindo Kylie para fora.
— Falar com Burnett sobre o meu problema.
— Que problema?
— Você tem um problema? — Miranda perguntou ao se juntar a elas na varanda da cabana.
— É só uma neura — respondeu Kylie, sem saber se queria explicar do que se tratava e recomeçando a andar.
— Que tipo de neura? — Miranda perguntou. — Tem alguma coisa a ver com Perry estar apaixonado por você?
— O quê? — Kylie perguntou, sem muita paciência.
— Eu vi o jeito como ele ficou colado em você o dia todo.
— Ah, pelo amor de Deus! Ele ficou colado em mim porque foi incumbido de ser a minha sombra. — Ela encontrou o olhar de Miranda. — Ok, olha aqui. Eu vou dizer só uma vez. Perry está apaixonado por você. Mas, se você não parar de bancar a difícil, vai acabar de mãos vazias.
— Amém, irmã! — apoiou Della.
O rosto de Miranda ficou sério e ela olhou primeiro para Della e, em seguida, para Kylie.
— Desde quando vocês duas passaram para o lado dele?
Kylie fechou os olhos de tanta frustração.
— Tudo bem, ele estava errado quando fez aquilo, mas você admitiu que também estava errada em beijar Kevin. É hora de superar tudo isso ou desistir de Perry.
— Você faz isso parecer fácil. — A mágoa era perceptível na voz de Miranda.
— É fácil — disse Della. — É só se beijarem e fazerem as pazes.
Miranda ignorou Della e olhou para Kylie.
— Como se você não tivesse problemas com Derek. — Ela virou-se para Della. — E você com Lee.
— É diferente! — Della protestou, com os olhos mais brilhantes, ao ficar imediatamente na defensiva.
Não, não era diferente, Kylie percebeu.
— A verdade é que nos três estamos no mesmo barco. Na droga do barco do amor. E Della e eu fizemos um pacto ontem. — Ela olhou para Della, esperando que ela não ficasse chateada por ela estar contando a Miranda. Mas elas eram uma equipe, não eram?
Felizmente, a vampira não pareceu chateada, então Kylie continuou.
— A gente está seguindo em frente. Eu vou superar o fato de Ellie e Derek estarem juntos, e dar uma chance a Lucas. Della vai tentar ser simpática com Steve e ver o que acontece. Você quer se juntar ao pacto?
Miranda fez uma careta.
— Mas Todd Freeman me ligou esta manhã. Ele disse que pode vir aqui neste fim de semana para uma visita.
— Quem é Todd? — Della perguntou.
— O bruxo todo gato da antiga escola dela — Kylie esclareceu, e olhou de volta para Miranda. — Olha, se você não quer ou não consegue perdoar Perry, tudo bem. Só não pode ficar em cima do muro.
— Isso mesmo. Ou faz ou sai da moita — Della despejou.
— Não estou em cima do muro — insistiu Miranda. — Nem na moita.
— Sim, você está — discordou Kylie. — Você ainda se importa ou não estaria com ciúme.
Então o que dizer sobre ela mesma e Derek? Kylie tentou afastar a pergunta da cabeça.
— Mas e se eu dispensar Todd e depois Perry voltar a ser um babaca?
— Não há garantias — rebateu Kylie. — Nem no amor nem na vida. Mas não podemos viver sem nunca assumir riscos. E é isso o que todas nós estamos concordando em fazer. Nos arriscando. Dando uma chance para os garotos. Podemos acabar nos magoando, mas talvez não.
Miranda ficou parada ali, a expressão reflexiva, como se considerasse a oferta.
— Ok, que tal eu fazer um pacto para conversar com Perry e tentar cumpri-lo?
— Conversar é um bom começo — disse Kylie.
— Beijar seria melhor. — Della sorriu.
Kylie voltou a andar. Miranda e Della a seguiram.
— Então, qual é a neura que você precisa discutir com Burnett? — Miranda perguntou.
Kylie suspirou.
— Eu entreguei uma parte da minha alma e acho que a quero de volta.

2 comentários:

  1. Nao_sei_se_sou_a_unica_mas_acho_que_a_Kylie_fica_melhor_com_o_Lucas
    Derek_é_legal_e_tal_mas_pessoalmente_acho_ele_tao_clichê_nao_sei_quem_Kylie_vai_escolher_mais_ela_fica_perfeita_com_Lucas

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    1. Eu to mais confusa que a Kylie, normalmente eu ficaria com o fofo (Derek no caso), mas lucas me deixa pirada! (sim to falando dos sonho lúcitos) sei não, qualquer um pra mim eras.

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