14 de outubro de 2016

Capítulo 11

Cinco minutos depois, o fantasma tinha desaparecido e Kylie subia os degraus da sua varanda e despedia-se de Burnett.
Ele a olhou com compaixão. Não tinha se desculpado por ser tão duro com ela e provavelmente não se desculparia. Sem dúvida, achava que ela merecia. E, de certa forma, ela achava que merecia mesmo.
Burnett a contornou e abriu a porta.
— Promete ir para a cama e não tentar fugir de novo?
— Prometo — disse Kylie.
— E tente confiar em mim — ele disse.
— Eu confio.
— Não, não confia — ele afirmou, derrotado. — Se confiasse em mim, eu não teria descoberto só agora o disfarce de Hayden.
— Alguém me fez prometer não contar — disse ela. — Se você tivesse prometido alguma coisa a alguém, não iria tentar cumprir essa promessa?
Ele suspirou, provavelmente oferecendo-lhe o seu melhor olhar de compreensão.
— Mas você precisa ter cuidado com o que promete às pessoas. — Ele olhou ao redor, procurando algo, um pouco desconfiado. — Ela ainda está aí fora?
Kylie sabia o que ele queria dizer com “ela”. Olhou para a esquerda e, em seguida, para a direita.
— Não estou vendo nada. — Mas, no fundo, ela se preocupava com a possibilidade de o espírito não ficar longe por muito tempo. No dia seguinte ela precisava consultar Holiday sobre como se livrar do fantasma permanentemente. A amiga estava certa. Kylie não tinha nenhuma razão para ajudar alguém tão ruim.
— Você sabe o que ela quer? A quem a cabeça pertencia? — perguntou Burnett.
— Não sei. Pode ter acontecido anos atrás. Mas, quanto ao que ela quer, sim, eu sei.
— E o que é? — ele perguntou.
— Ela quer que eu mate alguém para ela. — Kylie estava cansada demais para imprimir sarcasmo à voz.
Burnett fez uma careta.
— Quem?
— Ela não deixou isso muito claro ainda — disse Kylie.
— Eles nunca pedem muita coisa, não é? — disse ele, mas o sarcasmo era claro na voz dele.
Obviamente, ele não estava tão exausto quanto ela.
Kylie deu de ombros. Ela foi dar um passo para trás, mas desta vez foi Burnett quem a surpreendeu, ao se aproximar para um abraço. Foi curto, mas carinhoso, e ela percebeu que precisava mesmo de um abraço.
— Você quer que eu fique um pouco? — ele perguntou, parecendo pouco à vontade depois da demonstração de afeto.
— Não — disse Kylie, tirando-o do aperto.
— Quer que eu chame Holiday? — ele perguntou. — Eu posso chamar.
— Não, eu estou bem. Só quero ir para a cama. — Ela olhou para o céu; estava quase amanhecendo. Ela realmente precisava dormir um pouco. Estava fisicamente exausta, mas a caminhada de volta tinha acionado o seu cérebro novamente. Ao sentir o telefone de Hayden em seu bolso, ela se lembrou de que também queria ligar para a mãe. Entrou na varanda, olhando para trás uma vez para ver Burnett em pé nos degraus, olhando-a com um ar de preocupação paternal.
Lembrou-se de seu avô dizendo que Burnett tinha passado a representar um pai para ela e de certo modo ele tinha razão.
— Eu vou ficar bem — assegurou ela, embora não tivesse tanta certeza.
— Prometa que não vai sair da cabana — disse ele novamente.
— Eu prometo. — Ela lhe lançou um sorriso forçado e fechou a porta.
Quando ouviu os passos dele se afastando, Kylie encostou-se à porta e ficou ali. Então algo chamou sua atenção na porta do seu quarto. Seu coração afundou quando viu uma espiral de fumaça saindo da fresta da parte inferior, indicando que ela tinha companhia.
Ah, não. Será que ela trouxe mais alguma coisa para me mostrar? Que parte do corpo tinha arrastado consigo desta vez?
Mas que droga! Kylie não queria nenhuma companhia.
Ou pelo menos não esse tipo de companhia. Ela precisava de uma amiga. Precisava de uma de suas melhores amigas. Olhou por cima do ombro, para ver a porta de Miranda. Não havia nenhuma fumaça ondulando pelas frestas.
Virando-se, ela abriu a porta da amiga. Era cedo, mas algo lhe dizia que Miranda não iria reclamar.
Um sorriso muito necessário borbulhou dentro de Kylie ao ver a bruxa adormecida vestindo seu pijama estampado e abraçando um enorme urso de pelúcia como se fosse seu namorado. Kylie tocou os cabelos loiros com mechas rosas, verdes e pretas da bruxa espalhados pelo travesseiro, e de repente sentiu seu coração mais leve diante da visão de sua boa amiga.
Quando ela deu outro passo, o assoalho de madeira rangeu como se anunciando a presença de Kylie.
Os ombros de Miranda se contraíram, mas ela não se mexeu.
— Pensei que íamos esperar para transar — ela murmurou.
O sorriso de Kylie se alargou.
— Acho que seria mais sensato. Não tenho certeza se o nosso relacionamento poderia suportar algo assim agora.
Miranda virou-se, levando o urso de pelúcia com ela. Seus olhos sonolentos agora estavam totalmente abertos.
— Além disso — Kylie acrescentou —, acho que você e o ursinho de pelúcia já são íntimos.
Miranda gritou, jogou o urso em Kylie e saiu correndo da cama.
— Eu pensei que você fosse Perry! — Rindo, a moça colocou os braços em torno de Kylie e lhe deu um abraço apertado. — Mal posso acreditar que você está em casa! Estou tão feliz que esteja de volta! — Ela soltou Kylie, deu um passo para trás e olhou para a amiga como se tivesse receio de que ela não fosse real. — Você está em casa, certo? Isto não é um sonho?
— Não é um sonho — assegurou Kylie, embora no fundo desejasse que grande parte daquela noite fosse de fato um sonho.
O sorriso da bruxa diminuiu e ela bateu o pé.
— Você faz ideia de quanto ando me sentindo infeliz? Primeiro você vai embora e me deixa aqui e depois Della sai por aí bancando a super-heroína! Eu devia estar furiosa com você em vez de me sentir feliz em te ver.
— Não, não fique brava. Vamos só ficar felizes por eu estar de volta. — Kylie pegou o urso de um metro de altura do chão e o recolocou na cama.
Miranda lançou um olhar malicioso para a amiga.
— Você voltou para ficar? Não vai mais fugir de mim?
— Não, chega de fugir — disse Kylie.
— Promessa de mindinho? — Miranda perguntou, estendendo o dedo mínimo.
Por que será que todo mundo agora queria que ela fizesse promessas? Kylie olhou para o dedinho da amiga, que era a arma das bruxas.
— Não sei se é seguro fazer promessas de mindinho com você, porque...
— É seguro. É uma promessa entre bruxas. E como você é meio bruxa, é a promessa mais inquebrável que você pode fazer.
— Tudo bem. Eu prometo.
Kylie estendeu o dedo mínimo para tornar válida a promessa. E, embora parecesse um gesto tolo, no momento em que seus dedos se entrelaçaram, uma onda de emoção invadiu seu peito. Talvez as promessas de mindinho entre as bruxas fossem mais do que um gesto infantil. Ou talvez ela só estivesse feliz demais por estar em casa.
— Senti tanto a sua falta! — Kylie estendeu as mãos e apertou os braços da garota.
— Eu também. — Miranda se reclinou na cama. — Agora, sente-se aqui e me conte tudo que aconteceu. — Ela apertou os olhos e verificou o padrão de Kylie. — Você voltou a exibir aquele padrão estranho outra vez.
— Eu acho que o padrão estranho é o de um camaleão. — Se Kylie fosse um pouquinho paranoica, como noventa por cento dos outros camaleões, devia estar tentando esconder esse padrão.
Mas era um pouco tarde para isso, não era? Tarde demais para começar a fingir ser algo que não era. Todo mundo ali já tinha visto o padrão dela. E ela conseguiria fingir?
Claro, ela tinha conseguido alterar o padrão algumas vezes, mas como conseguiria mantê-lo? De acordo com o que havia aprendido, a maioria dos camaleões não era capaz de fazer isso enquanto não atingisse seus 20 anos.
E, por Deus, ela não ia deixar ninguém afastá-la de todos até seu padrão parar de se comportar mal. Seu coração voltou para Jenny e os outros adolescentes da propriedade de seu avô. De repente, Kylie teve o pressentimento de que ajudar os jovens camaleões era parte do seu destino. Mas, como Hayden tinha falado, convencer os camaleões mais velhos parecia impossível.
— Mas você pode se transformar em quase qualquer coisa, não é? — A pergunta de Miranda tirou Kylie de seus devaneios.
— Mais ou menos — Kylie respondeu, tentando manter a mente concentrada em Miranda. — Mas ainda é meio complicado.
— Que maluquices você pode fazer agora? — perguntou Miranda. Seus olhos verdes brilharam de entusiasmo.
Kylie deu de ombros e jogou-se na cama, ao lado de Miranda.
— Nada de novo, apenas um pouco mais de controle sobre o que eu posso fazer. Ah, espere, tem uma coisa. Eu posso fazer as outras pessoas ficarem invisíveis.
— Sério? Me faça ficar invisível agora! Faça! Faça!
— Pelo amor de Deus, agora não. Estou exausta. Além disso, eu não tenho certeza... Quero dizer, é ainda um pouco assustador fazer isso. — Ela se lembrou de como ficara assustada só de pensar que poderia ter perdido Derek no reino do invisível aquela noite.
Então, quase querendo uma distração que lhe permitisse parar de falar sobre si mesma, ela estendeu a mão para o urso e o abraçou.
— Então, está rolando alguma coisa entre você e este urso, hein? Parecia algo muito sério quando cheguei aqui.
Miranda sorriu.
— Perry me deu esse urso para me fazer companhia quando ele não estivesse aqui. No entanto, este cara aqui nem de longe beija tão bem quanto Perry.
Kylie sorriu. Era disso que ela sentira tanta falta. Simplesmente ter alguém com quem conversar, com quem rir.
— Que amor... — disse Kylie.
— É mesmo... — disse Miranda, e então perguntou: — Você pode brilhar a hora que quiser, agora? — Ela abraçou os joelhos e apertou-os contra o peito.
— Não — disse Kylie. — Isso só acontece quando eu curo as pessoas. — Ou as trago de volta da morte, pensou. Perceber os poderes malucos que iam e vinham a deixava assustada. Ela realmente esperava que Hayden e Burnett pudessem resolver as suas diferenças. Seria muito bom se Hayden estivesse ali para ajudá-la, caso as coisas ficassem instáveis novamente.
— É uma pena, aquela coisa de brilhar era demais! Quero dizer, eu posso brilhar também, mas não é tão legal como quando você faz isso. Eu não sei por quê, mas é diferente.
Kylie balançou a cabeça.
— Não foi tão legal, acredite.
— Foi, sim. — Miranda fez uma cara engraçada. — Todos concordaram que você parecia um anjo. Eles até ficaram se perguntando se você não teria um anjinho dentro de você.
— Não sou nenhum anjo. — Basta perguntar a Burnett.
— Todo mundo ainda está falando disso.
Que ótimo! Mas, mesmo correndo o risco de ser tema de conversa de todo mundo e alvo dos olhares surpresos de alguns alunos, ela já não temia isso tanto quanto antes. Precisava admitir, estava emocionada por estar de volta, mesmo que isso significasse que ela ainda era considerada uma aberração.
Deixando tudo isso de lado, ela se concentrou em Miranda novamente.
— Então, o que eu perdi desde que fui embora?
— Tudo. Tem sido uma loucura. Ah... — Uma ruga apareceu na testa da bruxa. — Você ouviu falar de Helen?
— Sim — Kylie assentiu. — Holiday me jurou que ela está bem.
Miranda novamente fez cara de preocupação.
— Você sabe quem eles acham que fez isso? Aquele maluco do Mario foi visto...
Kylie acenou com a cabeça novamente.
— Eu sei.
Miranda fez uma careta.
— Eu também acho que foi ele. Eu tinha começado a sentir aquela presença estranha de novo. Como se alguém estivesse por perto. Me dava arrepios. E eu estava totalmente sozinha, também.
— Eu sei o que você quer dizer. — Um forte arrepio percorreu a espinha de Kylie ao se lembrar do seu confronto com Mario naquele mesmo dia. Então Kylie olhou para Miranda. — E eu sinto muito. É minha culpa que ele esteja aqui.
— Não é culpa sua. Ele é perverso.
— É, sim. — E ele era. Logo Kylie percebeu que teria que contar a Miranda sobre o que tinha acontecido naquela noite, mas não tinha energia para tanto naquele momento. — Você não está sentindo a presença dele agora, está?
Miranda inclinou a cabeça para o lado como se consultasse seus instintos.
— Não.
— Ótimo! — Kylie afastou a sensação de que ele poderia voltar a qualquer hora. Ela realmente queria acreditar que Shadow Falls era seguro, mas será que estava apenas enganando a si mesma?
— Você está bem? — perguntou Miranda, observando-a.
— Tudo bem. Como é que vai indo a escola?
— Temos um novo professor de História. Para substituir aquele maluco, Collin Warren. Um cara legal. Um lobisomem. Ele é jovem. Só tem uns vinte e poucos anos. Ele era uma criança prodígio, mas ninguém diria disso agora. Você devia ver Fredericka! Ela está caidinha por ele!
Kylie balançou a cabeça em desaprovação, mas não queria falar mal de Fredericka. Elas tinham feito uma espécie de trégua.
— E que outra loucura aconteceu?
Miranda arqueou a sobrancelha direita.
— Nikki aconteceu, e se ela não parar de “acontecer” eu vou encher a cara dela de espinhas!
Miranda ergueu a mão, balançou o dedo mindinho e fez uma careta.
Demorou um instante para Kylie se lembrar de que Nikki era a nova metamorfa que tinha uma quedinha por Perry. Kylie franziu a testa, pensando na Hora do Encontro que ela tinha passado com a garota. Nikki com certeza estava apaixonada por Perry.
— Caramba! Como as coisas vão indo?
— É melhor que as coisas não estejam indo a lugar nenhum! Eu fico tão furiosa com Perry! Quer dizer, ele jura que nunca a tocaria, mas eu acho que ele está adorando saber que uma garota está atrás dele. E tenho certeza de que ele gosta de ver que estou com ciúmes. Ele fala dela em conversas sem importância. Como se gostasse de me ver irritada.
Kylie mordeu o lábio e se perguntou se Lucas não teria ficado um pouco envaidecido ao ver que Monique gostava dele. Mas será que Monique algum dia gostou dele? Será que Lucas tinha realmente falado a verdade quando afirmou que eles não tinham feito nada além de trocar alguns beijos? Seria Monique a garota que Kylie tinha visto na propriedade do avô?
As perguntas vieram tão rápido que ela não teve tempo de se desviar mentalmente. A amiga se deitou de costas na cama fazendo um pouco de drama, e Kylie percebeu que sua mente a tinha levado de volta aos seus problemas, quando ela devia estar concentrada em Miranda.
— Você confia nele? — perguntou Kylie. — Se confia, então tem que parar de ficar pensando nisso.
Miranda apertou os lábios como se estivesse pensando.
— Foi isso que você fez com Lucas?
— É diferente — defendeu-se Kylie.
Miranda se apoiou sobre um cotovelo.
— Você está bem? Deus, eu sei que deve ter doído.
— Eu vou ficar bem — disse Kylie. — Um dia. — Ela olhou para o teto e tentou não pensar no desgosto que sentia. Não era como se ela não tivesse milhares de outras questões com que se preocupar. Como o fantasma carregando por aí cabeças decapitadas, e que provavelmente estava esperando por ela em seu quarto.
Um arrepio percorreu a sua espinha ao se lembrar disso.
Miranda se virou e se reclinou na cama novamente.
— Sabe que depois que você foi embora ele veio falar com Della e comigo?
Kylie se virou e olhou para Miranda.
— Ele veio?
— Sim, senhora. Acho que esperava que a gente pudesse tentar falar com você sobre ele. Convencê-la a perdoá-lo.
Kylie voltou a fitar o teto e estendeu a mão para o ursinho de pelúcia, abraçando-o.
— Eu sinto muito que ele tenha incomodado vocês.
— Ele não nos incomodou — disse Miranda. — Não sei se você quer ouvir isso, mas... ele estava realmente sofrendo. Não estou dizendo que você deva perdoá-lo, mas ele jurou que só tinha concordado com o noivado para entrar naquele Conselho idiota.
— Não sei se o motivo é o mais importante — disse Kylie. — Acho que é mais o fato de ele ter feito isso. E nas minhas costas. Não que eu teria aceitado se ele tivesse me contado, mas... — Sua garganta apertou. Ela abraçou ainda mais o ursinho de Miranda.
— Eu sei. — Miranda fez uma pausa. — Della disse praticamente a mesma coisa. E ela acabou com ele. Disse coisas que só Della pode dizer. Disse que ele era um merdinha e que deveria ser castrado. — Miranda soltou um suspiro profundo. — Quando Della começou a descarregar o verbo sobre ele, pensei que eu ia ter que apartar uma briga entre os dois. Quer dizer, eu pensei que ele ia perder a cabeça. Os lobisomens não costumam aceitar desaforos de um vampiro. Mas ele nem sequer reagiu. Ficou ali firme e ouviu tudo o que ela disse. Mais tarde, até Della admitiu que não poderia deixar de admirá-lo por enfrentar sua punição como um homem.
O nó na garganta de Kylie dobrou de tamanho.
— Não quero falar sobre isso.
— Tudo bem. — O silêncio encheu o quarto. Miranda finalmente falou: — Então vamos falar de outra coisa. Alguma coisa boa. Você sabia que Holiday e Burnett estão pensando em se casar aqui em Shadow Falls?
— Não, eu não sabia! — A notícia fez Kylie se sentir melhor. — Quando eles planejam se casar?
— Ainda não marcaram a data. Eu sinto que ela estava esperando você voltar. Mas provavelmente será em breve. Fui ver Holiday outra noite e havia coisas de Burnett espalhadas por toda a cabana. Eu acho que ele está morando lá agora. Eles se amam tanto! Aposto que transam três vezes por noite.
Kylie fez uma cara de espanto.
— As pessoas realmente transam tanto assim?
— Eu não sei — Miranda confessou —, mas espero que sim.
As duas começaram a rir. Um calor encheu o peito de Kylie.
— Burnett e Holiday merecem ser felizes.
— E todos nós não merecemos? — Miranda perguntou, e então suspirou novamente. — Eu vou dizer isso e então calar a boca. Eu sei que você está realmente com raiva de Lucas e eu não te culpo por isso, mas... Talvez você não devesse desistir completamente dele. Você não me deixou desistir de Perry.
Kylie balançou a cabeça e fez uma careta.
— Duas semanas atrás você estava me dizendo que eu deveria dar um chute nele e voltar para Derek.
— Isso foi antes de eu ver como Lucas está sofrendo. Eu acho que ele te ama mesmo.
Kylie balançou a cabeça.
— Realmente não quero falar sobre isso. Não quero pensar sobre isso. Eu apenas quero... Eu apenas quero... Preciso ligar pra minha mãe e então quero ir dormir. Você vai me odiar se eu sair agora?
— Você não vai à aula hoje? — perguntou Miranda.
Kylie refletiu um pouco.
— Não, acho que eu vou cabular aula. Não fui para a cama ainda.
— Ah, então vá dormir. — Miranda olhou para ela. — Por que tenho a sensação de que você não está me contando tudo o que aconteceu?
Kylie fez uma careta.
— Porque eu não estou, mas estou cansada demais pra contar tudo agora. Vou te contar cada detalhe sórdido depois.
Miranda assentiu.
— Foi muito horrível?
— Realmente horrível.
— Ok. — Miranda franziu a testa. — Talvez eu apareça só para dar uma olhada em você de vez em quando. Eu realmente senti sua falta.
Kylie sorriu.
— Eu senti a sua, também.
— Você pode pegar o Teddy emprestado, se quiser. — Miranda sorriu.
— Eu acho que vou pegar. — Kylie estendeu o braço e apertou a mão de Miranda.
— Obrigada. — Ela se levantou e saiu do quarto, segurando o enorme bicho de pelúcia como se ele fosse a sua tábua de salvação.
No mínimo, ela poderia usá-lo para esconder o rosto, para que não tivesse que olhar para cabeças decepadas.

Um comentário:

  1. Kkkk_as_conversas_com_a_Miranda_e_com_a_Della_sao_as_mais_engracadas

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