31 de outubro de 2016

Capítulo 10

O Instituto Callender ficava em Upper East Side de Manhattan, perto do rio, em um bairro tranquilo de moradias familiares e postes de luz âmbar. Foi como voltar no tempo. Nellie dobrava pelas ruas, à procura de uma vaga para estacionar, mas não conseguiu encontrar uma. Finalmente, ela achou em uma calçada, em frente a uma placa de NEM PENSE EM ESTACIONAR AQUI.
— Aposto que James Bond nunca se preocupa com estacionamento — comentou ela.
Eles entraram no instituto. Ele fora criado como uma casa particular, com grossos tapetes coloridos sobre o piso de madeira polida e paisagens marinhas nas paredes. Lâmpadas acesas discretamente lançavam sombras em uma mesa de mogno polido, atrás da qual estava uma mulher mais velha em um vestido azul-marinho.
— Nós gostaríamos de ver o nosso tio, Fiske Cahill — solicitou Amy.
— Como a senhorita sabe, nós não temos pernoite para quem visita o instituto — respondeu a mulher educadamente. — E não permitimos visitantes após às dez.
— É muito importante para nós vê-lo — disse Nellie. — E sabemos que ele é uma coruja noturna.
A mulher sorriu para eles de uma forma paternalista.
— Tenho certeza de que o que precisam falar com seu tio pode esperar até de manhã.
— Na verdade, não pode — disse Dan. Ele atirou um olhar não temos tempo para isso para Amy e simplesmente passou pela mulher. Amy seguiu-o. A mulher fez o movimento de pegar o telefone. Nellie colocou a mão sobre ele, impedindo-a de puxá-lo.
— Acho que deve ter muito cuidado com isso — ela falou docemente. — Você tem uma escolha aqui. Pode comprometer seriamente os planos para a ala Grace Cahill que está programada para abrir em dois anos. Ou pode olhar para o outro lado em exatamente cinco minutos.
Ela fechou os olhos.
— Acho que vou ler minha revista — disse a mulher.
— Isso é exatamente o que eu estava pensando — concordou Nellie. Com um floreio, ela sentou-se em uma poltrona estofada para esperar.

* * *

— Não existe um arquivo Madrigal — disse Fiske. — Eu nunca conheci Sammy Mourad. Nem nunca fui ao campus de Columbia.
Eles tinham encontrado o tio lendo na cama sob uma piscina de luz amarela, seus óculos apoiados no nariz. Ele franziu a testa profundamente enquanto os irmãos lhe contavam a história, e Amy ficara chocada com o quanto mais velho ele parecia. Sua pele estava pálida, e as linhas ao redor da boca pareciam mais profundas. Fiske sempre foi magro e forte, mas depois de passar pela fisioterapia por causa do quadril ruim, ficara levemente debilitado. Em seguida, o inverno lhe devolveu uma saúde robusta. Tinha descruzado os dedos quando ele retornou às suas aulas de tae kwon do e começou a pintar e cozinhar novamente. Mas então ele ficara doente novamente em março. Agora ele parecia cansado e velho. Amy sentiu medo em seu coração. Ela colocou a mão sobre a dele, onde ela repousava sobre o cobertor.
— Está se sentindo bem, tio Fiske? — perguntou Amy.
— Muito bem — Seu sorriso era reconfortante, mas Amy percebeu como sua mão tremia quando ele pegou seu copo de água. — O Dr. Callendar diz que a fisioterapia tem sido muito benéfica. Acho que estarei em casa na próxima semana — ele tomou um gole de água. — Nós precisamos chegar ao fundo disto. Devemos informar todos os Madrigal, chamar uma equipe...
Amy balançou a cabeça.
— Ainda não.
— Senão agora, quando? — Fiske franziu a testa. — Você acha que essa pessoa tomou o soro. Isso poderia ter consequências desastrosas para o mundo, Amy. Sem mencionar que você e Dan são agora um alvo — Amy olhou para ele, surpresa. Ele levantou uma mão. — Sim, Nellie me contou. Como ela deveria ter feito. Não me trate como um inválido. Se o que Sammy disse é verdade, isso significa que Pierce poderia tomar uma dose diária, mais fraca do soro, mas com um efeito cumulativo. Todos os dias, ele fica mais forte. Temos que encontrar uma maneira de recuperar o soro... sem que ninguém saiba o que é e o que significa. Esta é a pior coisa que poderia ter acontecido.
Dan deu alguns passos para trás, o rosto na sombra. Fiske olhou para ele.
— E isso não é culpa de ninguém — falou ele com firmeza. — Nem de Sammy, nem de Dan, nem de ninguém. Temos um adversário muito inteligente. Temos que parar J. Rutherford Pierce.
— Nós não seremos capazes de detê-lo a menos que descubramos mais sobre ele — disse Amy. — Se nós nos cercamos de pessoas, elas apenas se tornarão alvos, também. Agora ele acha que só eu e Dan sabemos, e ele quer nos parar.
Fiske olhou para Amy sobre seus óculos.
— Ele quer matá-los.
— É o risco que teremos que tomar — disse Amy. — Não posso pedir a outros que sacrifiquem sua segurança. Não depois... depois... — sua voz engrossou, e ela parou.
Fiske olhou para a mão de Amy em seu braço. Houve um longo silêncio.
— Amy — ele falou com grande delicadeza — é uma fonte de dor terrível para mim, assim como foi para sua avó, que vocês tenham sido arrastados para isso tudo. Se eu pudesse voltar atrás e dar a você e Dan uma vida normal, se pudesse dar minha vida para isso, eu o faria. Mas você é o que é. Você é uma Cahill, a líder dos Cahill. E você não alcançará a paz quanto a isso até entender algo. — Ele apertou sua mão e olhou para ela com força. — Esta é a sua vida agora. Você pode fazer o seu melhor, mas não pode proteger a todos que ama. Você não é responsável por todas as vidas ao seu redor. Só é responsável por seus próprios atos.
— Eu tenho que protegê-los — disse Amy. — Como chefe da família, eu devo.
— O melhor que você puder, sim. Mas não significa que excluí-los irá ajudá-los!
Amy tensionou a mandíbula teimosamente.
— Ainda não — ela insistiu.
O olhar de Dan ia e voltava entre Fiske e Amy, a batalha de duas fortes vontades.
— Tudo bem — concordou Fiske. — Então vocês têm que deixar o país. Hoje à noite.
— O quê? — perguntou Dan. — Isso parece extremo.
— Não. É o único caminho — Fiske endireitou-se. — Há algo que estive esperando para lhes contar. O Sr. McIntyre tinha um testamento.
— Eu sei — disse Amy. — Ele deixou tudo para Henry Smood.
— Nem tudo. Grace deixou uma casa na Irlanda. Ela queria que ele a mantivesse pronta para vocês. É chamado Bhaile Anois, e agora é sua. É para onde vocês devem ir.
Amy fez uma careta.
— Como poderemos lutar contra Pierce se estivermos na Irlanda?
— Vocês ainda não sabem contra o que estão lutando — apontou Fiske urgentemente. — Vocês precisam de tempo para procurar, investigar... planejar. O sistema de computador caiu. Vocês não podem fazer muito daqui de qualquer maneira. E vocês devem confiar em Grace. Suas instruções eram muito claras. Quando não se tem a quem recorrer, você deve ir para lá.
— Mas...
Fiske interrompeu a objeção de Amy. Por um momento, ele se pareceu com o velho Fiske – feroz, forte, pronto para saltar.
— Assim que tivemos certeza de que o sistema está livre de intrusos, você terá novamente acesso à rede. Poderão usá-la facilmente da Irlanda assim como em Attleboro — Amy balançou a cabeça lentamente. Ela tinha que admitir que era verdade. Fiske se inclinou para frente. — Estou feliz que concorde. Há um avião privado esperando por vocês no aeroporto de Teterboro, em Nova Jersey.
Lentamente, Amy sorriu.
— Como de costume, você está muito à frente de mim.
— Apenas um pequeno passo.
— Mas e você? — perguntou Dan, avançando para fora da sombra. — Nós não queremos deixá-lo aqui.
— Este é o lugar mais seguro em que posso estar — respondeu Fiske. — É um centro médico de renome mundial. De qualquer forma, ninguém está atrás de mim. Eles estão atrás de vocês — ele virou-se para Amy. — Dan é a única pessoa que conhece a fórmula do soro. E onde Dan estiver, você estará.
Amy e Dan trocaram um olhar.
— Tudo bem — disse ela. — Nós odiamos deixá-lo...
— Nós estaremos juntos novamente — Fiske prometeu. — Até lá, fiquem em segurança.

* * *

Quando eles voltaram à sala de recepção, Nellie já tinha ido. A mulher de vestido azul olhou para cima.
— Ela correu para fora — a recepcionista falou com um ar de satisfação. — Acho que o seu carro está sendo rebocado.
Amy e Dan lançaram-se pela porta da frente. Nellie corria pela rua atrás de um caminhão de reboque.
— Nellie! — Dan chamou.
Mas sua voz foi abafada quando um carro preto parou no meio-fio. Dois homens saíram. Um deles mostrou um crachá.
— Agentes federais. Vocês estão sendo detidos.

6 comentários:

  1. Caro leitor , respire ,relaxe, não prenda o fôlego , continue lendo, pois a melhor parte do livro está por vir.

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    1. Quem e este energumeno que so fica repetindo isto? ???

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  2. na frase "O Sr. McIntyre tinha uma vontade." eu acho q a tradução está incorreta, will tbm pode ser traduzido para testamento

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    1. Ahh, faz mais sentido agora. Obrigada pelo esclarecimento!

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  3. Esse negócio de respire, respire ta parecendo mulher em trabalho de parto. Affs.

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  4. Kkkkk gente cade os kabra? Eram meus personagens preferidos vcs nao tao sentindo falta?

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