25 de outubro de 2016

4. Hassan

— Uma... o quê? — perguntei, sem saber se tinha ouvido direito.
— Uma esfinge.
— Como aquela que fica perto das pirâmides?
— Não. — Ele soltou um suspiro frustrado. — Há muita coisa que você não sabe.
— Não brinca!
— Vou mandá-la ao vizir. Ele vai ajudá-la.
— O vizir? Quer dizer, o Dr. Hassan?
— É. Hassan. Agora venha, Lilliana. Já perdemos tempo demais.
— Você quer que eu vá agora? Deixe ao menos que eu me vista e pense em alguma coisa para dizer à vovó.
— Não precisa incomodá-la. Se você tiver sucesso, será trazida de volta exatamente a esta hora, como se nada tivesse acontecido.
Quase não tive coragem de perguntar:
— E se eu fracassar?
— Se fracassar — murmurou ele —, sua avó e o resto da humanidade terão muito mais com que se preocupar do que com o seu desaparecimento.
— Certo — respondi com um nó no estômago.
— Agora, com relação à sua vestimenta...
Anúbis batia com a ponta do dedo no queixo enquanto me examinava. Minhas bochechas queimavam. Com um movimento rápido dos dedos, partículas minúsculas de areia e pó dispararam na direção dele e giraram, formando um caminho em torno de sua mão. Então se fundiram e se iluminaram, girando mais depressa, até que não pude mais distingui-las.
Anúbis direcionou a massa giratória para mim e a substância brilhante envolveu meus braços e pernas. Nervosa, saltei da cama no instante em que a luz explodiu. Então ela se liquefez, descendo pelo meu corpo, tornando-se um vestido esvoaçante de um verde exatamente do mesmo tom do escaravelho do coração de Amon. Escamas douradas, que pareciam as asas do escaravelho, se prendiam à parte de cima do vestido, formando uma espécie de gola preciosa que envolvia suavemente meus ombros, as costas e a parte de baixo dos braços, como um arnês de ombros. Os segmentos se alongavam e continuavam descendo pelas laterais do vestido, cruzando-se na minha barriga como o corpete alado de uma armadura reluzente. Um brilhante escaravelho de esmeralda estava no centro da cintura, no ponto onde as asas se encontravam. A parte de baixo do vestido se abria num tecido diáfano e delicado, terminando nos tornozelos. Nos pés eu tinha sandálias douradas que brilhavam como os cascos dos cavalos do deserto descendentes de Nebu, o famoso garanhão imortal.
— É lindo — admiti.
— É. Deve servir, por enquanto. — Ele me observou inspecionar a armadura e acrescentou: — Usei o escaravelho que você escondeu embaixo do travesseiro para criá-lo.
Espantada, olhei para ele.
— Você sabia?
— É claro que eu sabia. Afinal de contas, sou um deus. O fato de esse escaravelho ter sumido quando mumifiquei Amon não me passou despercebido. — Ele deu um passo adiante e estendeu um dedo para a esmeralda, mas parou antes de tocá-la. — A pedra não é nada, é um badulaque. O importante é o poder que Amon instilou nela. Um pedaço dele reside aí. Só você tem a capacidade de tirá-lo e devolvê-lo inteiro a ele mesmo.
— É normal que eu possa sentir os batimentos cardíacos dele quando toco o escaravelho? — perguntei, sem encará-lo.
Por alguns segundos Anúbis não respondeu, e com relutância voltei meus olhos para os dele.
Ele estava me fitando com uma expressão um tanto perplexa. Seu olhar desceu lentamente do meu rosto até a joia na cintura.
— Isso significa que a conexão entre vocês é mais forte do que todos pensávamos. Nem Ísis podia sentir o coração do marido depois que ele morreu. Isso não deveria ser possível para um mortal, no entanto... — Suas palavras ficaram no ar enquanto ele fechava os olhos e inalava profundamente. — É. Eu sinto. Ainda que, para mim, seja fraco. Se eu não soubesse, duvido que tivesse descoberto sozinho.
Quando Anúbis abriu os olhos, deu um passo à frente e estendeu a mão, passando a ponta dos dedos pelo meu braço nu. Parei de respirar, confusa com o que estava acontecendo. Anúbis murmurou numa voz cheia de malícia:
— O desejo que vocês sentem um pelo outro é... — ele parou e inclinou a cabeça — ... é inebriante, viciante. Um elixir com força suficiente para tentar até mesmo um deus.
Seu olhar quente se fixou nos meus lábios e ele baixou a cabeça como se fosse me beijar. Mudei de posição ligeiramente, já que sua mão segurava meu braço com força suficiente para me impedir de fazer qualquer outra coisa, e ele se imobilizou, aparentemente chocado com as próprias ações. A intensidade de sua expressão, a emoção por trás dos olhos, bem rápido se dissipou.
Antes que eu pudesse perguntar o que ele estava fazendo, Anúbis se afastou e disse:
— Certamente vai ser uma tentação enorme para qualquer ser imortal e perigoso do mundo dos mortos.
— Então você está dizendo que o escaravelho vai fazer com que os imortais queiram... — Eu não consegui completar a frase.
Anúbis respondeu com franqueza:
— Eles vão querer devorar você. De um jeito ou de outro.
Toquei o escaravelho com a ponta dos dedos.
— Fantástico — murmurei com ironia, pensando nas ramificações da minha ligação com Amon.
— A força do encantamento cria uma aura à sua volta. Todos com quem você entrar em contato serão afetados por ela, em vários graus. O apelo se torna mais poderoso quanto mais tempo a pessoa é exposta a ele. Quanto mais forte for o imortal, mais ele conseguirá resistir à atração, mas os que têm a mente fraca mal poderão se conter. Vão ficar enfeitiçados. Tornar-se uma esfinge vai pelo menos permitir que você se proteja por inteiro.
Sem saber como processar tudo, me concentrei na questão da esfinge:
— Certo. Com relação a isso...
Ele levantou a mão.
— O vizir vai explicar. — Ignorando meu gemido de frustração, Anúbis coçou o queixo e disse, enquanto me olhava: — Que pena para você que Amon tenha lhe oferecido o coração. Não sei se ele entendia todas as consequências de lhe dar o escaravelho. Se eu soubesse de seu plano, teria impedido.
— Não é certo ele ter alguém para amar? — questionei com alguma irritação na voz.
— O amor é fugaz. É uma fagulha breve que explode no céu, derrama-se numa cascata de glória e logo é apagada na escuridão do espaço. Não é uma coisa pela qual valha a pena arriscar o Cosmo.
Cruzei os braços e franzi a testa. Ele estava errado. Havia alguns tipos de amor que continuavam, mesmo depois da morte. Como uma ondulação na água, o amor se movia. Muito depois do mergulho, seu efeito podia ser sentido. Só era necessário alguém para lembrar, para ver o que ficava para trás. Assim ele existia, vivia. Se alguém se oferecesse para cortar os laços entre mim e Amon, eu rejeitaria imediatamente.
— Guerras já foram travadas por causa do amor, você sabe — murmurei.
— Essa observação só serve para provar ainda mais meu argumento.
— Talvez você não devesse falar de uma coisa que não experimentou pessoalmente.
Anúbis me encarou.
— Você é bem ousada, para uma mortal.
— E você é bastante limitado, para um deus.
— Acho interessante você se sentir corajosa a ponto de falar o que pensa comigo e no entanto se encolher diante de seus pais mortais. Talvez a natureza rebelde de Amon tenha contaminado você. Ambos cortejam o perigo como dois macacos que se aproximam demais de um rio infestado de crocodilos.
— Meu relacionamento com meus pais, assim como meu relacionamento com Amon, não é da sua conta.
— Pelo contrário. Seus relacionamentos, quaisquer que sejam, são da minha conta, sim. Se houvesse um modo de eu mesmo salvar Amon, me permitindo destruir a conexão entre vocês, eu não hesitaria. E, apesar do que você está obviamente pensando, não digo isso para ser cruel ou castigá-la de modo injusto. Os benefícios de algo como se apaixonar por um imortal não são maiores do que o que você está perdendo.
Eu me empertiguei, projetando o queixo no ar do modo mais altivo que me foi possível.
— Mas a escolha é minha, não é?
Anúbis levantou uma sobrancelha.
— Por enquanto, minha jovem. Por enquanto.
Minhas mãos se fecharam com força ao lado do corpo, a raiva fervendo nas veias. O que eu sentia pelo rapaz imbuído do poder celestial do sol era precioso para mim. Jamais abriria mão disso por vontade própria, com ou sem perigo. Ele não entendia que, diante de Amon, nada importava.
Antes era como se eu estivesse à deriva pela vida, deixando que outras pessoas decidissem meu caminho. Mas Amon acendera uma fagulha que eu vinha alimentando nos últimos meses. Talvez Anúbis estivesse certo com relação aos meus pais. Talvez eu tivesse escolhido o caminho covarde, a saída fácil. Talvez eu escondesse deles a chama, mas ela estava lá. Eu podia sentir. Minha alma havia acordado e eu não viraria as costas para o único ser responsável por encher meu mundo com objetivo e luz. Se eu tinha andado de um lado para outro, sem direção, desde a volta para casa, era só porque havia perdido de vista a única coisa que me importava. A única maneira de Anúbis destruir nossa ligação era passando por cima do meu cadáver.
— Quando se tornar necessário que você lute... veja que eu disse “quando”, e não “se”... o amuleto vai se tornar seu escudo, sua armadura e até sua arma.
Toquei a pedra verde.
— Então ele é mágico?
— De certa forma. Apesar do que eu penso sobre seus supostos benefícios, o amor é uma espécie de magia. Um truque de luz que nem os deuses podem reproduzir. O escaravelho do coração é alimentado pelo que Amon sente por você. Enquanto o amor de Amon por você existir, a proteção do coração dele é garantida. — Anúbis chamou o cachorro para seu lado. — Está pronta?
Respirei fundo e corri os olhos pelo quarto, convencida de que estava esquecendo alguma coisa ou alguma pergunta em que não tinha pensado.
— Acho que estou — respondi, reunindo coragem.
Anúbis confirmou com a cabeça.
— Abutiu — disse ao companheiro canino —, volte para casa e espere minha chegada. — Com um pequeno bufo, o cachorro desapareceu e nós ficamos sozinhos. O deus da mumificação franziu a testa, deu um passo à frente, aproximando-se de mim, e me puxou para seus braços. Ele era quente, e a sensação de seu abraço não era desagradável.
Encostei o rosto no tecido áspero da jaqueta jeans.
— Feche os olhos — disse ele, me segurando como se eu fosse extremamente frágil. Talvez para ele eu fosse mesmo. Obedeci, esperando ouvir o som familiar de areia no ar antes de sentir os grãos roçando em minha pele, mas então me lembrei de que a viagem pela areia não podia acontecer por cima de grandes extensões de água.
Por um momento imaginei se o Dr. Hassan não estaria fora do Egito, afinal de contas, e se Anúbis viajava de um modo diferente do de Amon. Justo quando ia perguntar, senti o chão desaparecer embaixo de nós e afundamos num negrume tão completo que tive certeza de que não restava nada de mim.
Mesmo estando alerta, senti que eu não tinha forma. Não podia sentir os membros. Não respirava. Só estava... consciente. Como um espírito sem corpo. Se pudesse gritar, teria gritado. Sentia uma espécie de asfixia interminável.
Entrei em pânico, mas não havia como expressá-lo fisicamente. Se era assim que Anúbis tinha me trazido de volta a Nova York depois de mumificar Amon, fiquei feliz por não lembrar.
Emergimos na luz como uma bolha se erguendo do oceano e experimentei um jorro de sensações simultâneas. Eu tinha forma e substância. Podia sentir. Podia ver e ouvir. Na verdade, me sentia tão agradecida por estar viva que, quando a viagem terminou, continuei me segurando com força em Anúbis, trêmula.
Anúbis me envolveu com os braços de um modo que não era exatamente para me manter de pé, os lábios roçando minha têmpora, mas de repente soltou um grunhido e me largou. Apesar de eu cambalear, ele não tentou me segurar e me olhou irritado, como se eu o tivesse enganado de alguma forma. Tentando me recuperar um pouco, apoiei-me numa mesa próxima.
Tínhamos nos materializado numa sala cheia de artefatos cobertos de poeira. Era um lugar que não reconheci.
— Vizir! — chamou Anúbis, impaciente, enquanto se mantinha a uma distância cautelosa de mim. — Vizir, venha imediatamente!
Ouvi o som inconfundível de cerâmicas se despedaçando no chão de terra batida.
— Nossa! — exclamou uma voz familiar enquanto o som de passos arrastados se aproximava. Uma figura virou a esquina do corredor, levantou o chapéu de feltro branco e torceu as mãos enquanto fitava Anúbis com os olhos arregalados. O homem passou a língua pelos lábios. — Em... em que posso ajudá-los? — perguntou, cauteloso.
— Sabe quem eu sou?
O Dr. Hassan inclinou a cabeça, estreitando os olhos castanhos.
— Hesito em adivinhar — respondeu finalmente.
— Talvez precise de um curso de atualização, Doutor. — Anúbis estendeu o braço, apontando para mim, como se me acusasse. — Se não me conhece, então certamente se lembra dela.
Anúbis se moveu e o Dr. Hassan voltou o olhar espantado na minha direção e arquejou.
— Lily?
— Olá, Oscar — cumprimentei com um sorriso caloroso. — É bom revê-lo.
— Digo o mesmo. — Ele se aproximou alguns passos, involuntariamente se colocando entre mim e o homem alto e intimidante que nos olhava com irritação, talvez como um modo de me proteger, ainda que ambos soubéssemos que não havia como proteger nenhum de nós caso Anúbis quisesse fazer algum mal.
Tentando aplacar o deus irritadiço, decidi ajudar:
— Dr. Hassan, este é Anúbis. Anúbis, este é o Dr. Hassan, um dos seus seguidores mais devotados.
Anúbis cruzou os braços e soltou um resmungo.
— Seria de esperar que uma pessoa que afirma ser devota pelo menos reconhecesse aquele que ela afirma cultuar.
— Não ligue para ele — eu disse para o Dr. Hassan. — Hoje ele está meio rabugento. Além disso, late mas não morde. Igual ao seu cachorro.
O Dr. Hassan olhou para o deus, bastante preocupado com minha escolha de palavras.
— Lily, eu não acho...
— Tudo bem — interrompi. — Estamos fazendo um favor enorme para ele. Então ele está nos devendo. Não é, Anúbis?
O deus franziu a testa, mas seu lábio contorceu-se de um modo que me fez pensar que ele não estava de fato tão chateado quanto fingia.
— Você conhece o Templo Medinet Habu, em Luxor? — perguntou ao vizir.
— Claro. — Hassan deu um passo à frente e pôs o chapéu de novo na cabeça.
— No pátio que representa as Sete Cenas da Guerra com os Povos do Mar, logo depois do segundo portal, há uma passagem secreta. Procure a marca da esfinge e vire a pedra no sentido anti-horário. Siga pela passagem até a Sala dos Enigmas. Lá você vai encontrar inscritas nas paredes todas as informações de que devem precisar para fazer o ritual de transformação conhecido como Rito de Wasret.
— Wasret? O que vocês precisam dela? — perguntou Hassan.
Ao mesmo tempo sussurrei para ele:
— Quem é Wasret?
Falando mais alto para recuperar o controle da conversa, Anúbis explicou:
— Lilliana Young precisa fazer o ritual para receber o manto de Wasret com o objetivo de penetrar no mundo dos mortos e resgatar Amon. E você, meu bom doutor, servirá como o fio que a ligará à mortalidade, caso ela tenha sucesso.
— Penetrar no... — O Dr. Hassan fez uma pausa, a confusão evidente no rosto. — Não sei se consigo alcançar seu objetivo — disse respeitosamente.
Anúbis suspirou, com óbvia impaciência. Tentei esclarecer:
— Anúbis quer que eu vire uma esfinge para salvar Amon, que fugiu de seu dever indo para o mundo dos mortos. É um lugar perigoso, onde ele está sofrendo, e, se ele não voltar, Seth pode romper a barreira e destruir o mundo.
Virei-me para Anúbis, as sobrancelhas levantadas, para ver se ele queria acrescentar alguma coisa. Ele estava sorrindo para mim como um pai orgulhoso.
— Pronto, está vendo? — disse. — Não sou mais necessário.
— Antes de partir, grandioso, será que poderia me conceder um momento para eu fazer duas perguntas?
— Muito bem. Mas que as indagações sejam breves.
Assentindo com vigor, o Dr. Hassan fez a primeira pergunta:
— Quer dizer que o senhor deseja que Lilliana se torne a matriarca da Ordem da Esfinge, como a faraó Hatshepsut? — Um brilho havia iluminado os seus olhos e pude ver que estava empolgado com essa perspectiva.
— Não, embora esse título vá naturalmente para ela assim que concluir o ritual. Na verdade Lilliana vai se tornar uma esfinge, algo que poucos mortais já tentaram. — Olhando para a ponta dos dedos e passando o polegar sobre elas, Anúbis acrescentou em voz mais baixa: — E nenhum sobreviveu ao processo.
Não gostei dessa parte. Mas a ideia de minha morte extremamente precoce não pareceu abalar o Dr. Hassan, que deu um passo ansioso à frente.
Anúbis cruzou os braços e franziu a testa ao ver minha expressão de espanto.
— Naturalmente, essas pessoas não tiveram a ajuda dos deuses — acrescentou. — Bom, qual é a segunda pergunta?
— Ah. Sim. Por que Wasret? É uma deusa tão pouco notável que posso contar nos dedos de uma das mãos o número de estelas recuperadas que apresentam sua figura. Não existe nenhum templo dedicado a ela. A maioria dos egiptólogos acredita que ela teve tão pouca importância que seu nome foi totalmente apagado dos anais da história, e que qualquer feito que possa ter sido realizado em seu nome foi atribuído a outras divindades.
— O motivo por que todos os seus colegas que passam a vida escavando pedras e poeira do passado descobriram tão pouco sobre Wasret é que ela não existe. Ainda.
— Como assim?
— Essa é a sua terceira pergunta, Doutor. Infelizmente terei de deixá-lo descobrir sozinho o resto da história. É hora de me despedir, Lilliana Young. — Anúbis estalou os dedos e meu equilíbrio se alterou. Antes que eu pudesse fazer alguma coisa além de ofegar, chocada, meu corpo levantou do chão e foi rapidamente até ele.
Quando fiquei estável, ele passou a ponta dos dedos pelo meu rosto e alertou:
— Não confie em ninguém no mundo dos mortos, nem nos que você possa considerar amigos. — Seu olhar examinou meu rosto e ele se inclinou, aproximando-se, os lábios roçando minha orelha. — Espero muito vê-la de novo. Boa sorte.
Em seguida deu um passo para trás e um vórtice negro se abriu sob seus pés, sugando-o para baixo até uma superfície sólida voltar a se formar.
Tudo ficou silencioso por um momento até que ouvi o Dr. Hassan exclamar:
— Que extraordinário!
Girando, fui até ele e o abracei.
— Senti sua falta.
Ele deu um tapinha nas minhas costas e ajeitou o chapéu para que não caísse.
— Senti sua falta também, mocinha.
— Então o senhor entendeu o que ele quer que eu faça? — perguntei, me afastando.
Os olhos dele perderam o brilho e ele desviou o olhar, esfregando a testa.
— Só vou mesmo saber de todos os detalhes quando encontrarmos essa sala escondida. Mas posso dizer honestamente que nunca, em minha longa vida estudando as histórias dos deuses e servindo como grão-vizir, me senti tão apavorado.

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