25 de outubro de 2016

21. O Pântano do Desespero

— O que é? — perguntou Asten ao me ajudar a levantar.
Ele não me soltou, mesmo depois de eu estar de pé, o que achei ao mesmo tempo perturbador e reconfortante.
— Amon foi capturado pela Devoradora. Ela... ela o está torturando.
Ahmose recebeu o anúncio sem se abalar, assentindo, como se esperasse isso.
— Nós sentimos. Ela não pode matá-lo, Lily. Pelo menos até que a energia dele, junto com a nossa, esteja totalmente drenada.
— Sim — ecoou Asten. — Ainda há tempo. Podemos salvá-lo.
Olhei para um e depois para outro.
— Vocês já sabiam?
Desconfortável, Ahmose me encarou.
— Desde o momento em que chegamos ao mundo dos mortos.
— Vocês sentem a dor dele. Como quando os olhos dele foram arrancados.
— É suportável — disse Asten. — Dividir a dor entre nós três diminui a dele.
— Mas... os ferimentos nas costas dele. — Soltei rapidamente a mão de Asten e fui para trás dele.
Antes que ele pudesse protestar, levantei sua túnica para avaliar os danos. Sangue seco e vergões cobriam a pele lisa e dourada, como se alguém tivesse usado sua carne para afiar uma tesoura. A visão me causou tanta angústia como quando eu vira Amon sendo torturado. A Devoradora pagaria pelo que tinha feito.
— Mas eu também senti os ferimentos dele. Por que os meus não são tão graves quanto os seus? — perguntei.
Ahmose suspirou, incomodado.
— Nós três estivemos agindo como um escudo para você. E Amon usa o Olho de Hórus para protegê-la da pior parte. À medida que ele for enfraquecendo, talvez você comece a sentir os efeitos. Primeiro vem a desorientação, em seguida a dor física em um grau cada vez maior, que pode até levar à sua morte. Isso não podemos permitir. Para você, morrer uma primeira morte no mundo dos mortos implicaria ficar presa aqui para sempre.
— Como assim, “primeira morte”?
— Todos os que vêm ao mundo dos mortos, exceto você, morreram como mortais ou como imortais que foram destituídos de seu poder. Quando encontramos esses seres, Ahmose e eu temos o poder de despachá-los, oferecendo-lhes uma segunda morte permanente, uma morte que manda sua essência ao lugar do qual nem nós temos conhecimento.
— Talvez de volta às Águas do Caos? — sugeri. — Amon-Rá me falou um pouco sobre isso.
Asten inclinou a cabeça.
— Os deuses não acharam adequado compartilhar tudo conosco. Aparentemente você sabe mais do que nós.
— Não estou dizendo que todos vamos para lá. Ele só falou sobre a energia retornar quando... — Sacudi a cabeça. — Agora não importa. O principal neste momento é que vocês me deixem compartilhar a carga...
Erguendo a mão, ele me interrompeu.
— Nós somos imortais, Lily. Podemos suportar a dor mais facilmente. Assim como não somos tão sensíveis ao toque, não somos tão sensíveis à dor. Para você, uma mortal, suportar isso... — ele balançou a cabeça — iria debilitá-la.
— Mas agora eu sou uma esfinge. Posso aguentar. Há coisas piores do que a dor.
— É verdade, mas você precisa entender, Lily, que sua ligação com Amon é muito mais poderosa do que a nossa. Você o sustenta. Precisamos mantê-la forte, se não para blindá-la, pelo menos para ajudá-lo. Você deve permitir que a protejamos assim — concluiu ele.
Ajeitei gentilmente a camisa de Asten e me virei para Ahmose. Seus lábios eram uma linha fina quando ele fez que sim com a cabeça, respondendo à minha pergunta não verbalizada.
— Vamos ficar bem, Lily — disse Asten, pegando minha mão de novo e apertando-a para me tranquilizar. — Os ferimentos no corpo são temporários. A preocupação maior é com a energia vital de Amon sendo drenada. Precisamos salvá-lo antes que o dano seja maior.
Confirmei com a cabeça e de repente percebi que minha mão estava presa na de Asten e que ele esfregava distraidamente o polegar, descrevendo pequenos círculos sobre a carne entre meu polegar e o indicador. Quando ergui os olhos para ele, soltou minha mão e se virou, um rubor subindo-lhe pelo pescoço. Franzi a testa e resolvi ignorar o formigamento na minha pele no ponto onde ele havia tocado.
Pela primeira vez desde que Amon e eu estávamos separados, desejei que os irmãos fossem mortais de novo para que também pudessem se ligar a mim e pegar um pouco da minha energia. A transformação em esfinge e o uso da Estela de Hórus pareciam ter me revigorado com energia de sobra. Mesmo não tendo dormido, meu corpo tinha força suficiente para funcionar durante horas. Eu abriria mão tranquilamente de parte dessa energia para que eles se curassem.
Mas por ora não havia nada que eu pudesse fazer – pelo menos que eu soubesse – por isso decidi que o melhor caminho era me dedicar a salvar Amon.
— Há mais coisas que não contei a vocês — murmurei. — A Devoradora sabe que estou aqui. Se Amon não tivesse me alertado para acordar... — Fiz uma pausa. — Tive a sensação de que ela tem o poder de agir contra mim, mesmo num sonho acordado.
— É possível, Asten? — perguntou Ahmose. — A conexão de sonho dela pode ser tão poderosa assim?
Suspirando, Asten coçou a nuca.
— Não sei. Não existe precedente. A única ligação semelhante a essa é entre Ísis e Osíris. E a ligação deles é forte, mesmo nos sonhos. Ela permite que os dois se comuniquem mesmo através de distâncias enormes. Mas nenhum dos dois jamais ficou cara a cara com a Devoradora nem entrou no mundo dos mortos, até onde eu sei. Não temos informações suficientes para saber com certeza.
Ahmose grunhiu.
— Então vamos ter de presumir o pior e torcer pelo melhor.
Olhando por cima da minha cabeça, Ahmose franziu a testa ligeiramente para Asten e então ergueu uma sobrancelha.
— Não posso — disse Asten. — Não me peça isso.
Virei-me para ele e perguntei:
— Você não pode o quê?
Ele suspirou, olhando para o irmão em busca de ajuda, mas Ahmose apenas cruzou os braços e olhou fixamente para Asten.
Por fim, ele respondeu à minha pergunta:
— Eu posso monitorar seus sonhos.
— Parece uma boa solução. Então você poderia me ajudar a lutar com a Devoradora quando eu a vir de novo?
— Não. Não é assim que a coisa funciona. Você não pode lutar com a Devoradora nos sonhos. Na verdade, não.
— Eu tive a sensação de que podia.
— Bom, não pode. Ou pelo menos não deveria. O mundo dos sonhos é cheio de possibilidades vagas e sugestões do que poderia ser, mas também é alterado pelo que desejamos. E às vezes, quando ele fica sabendo do que mais desejamos, tira essa coisa de nós. É um negócio complicado, e nunca deveríamos confiar em nada enquanto estamos sonhando. Vezes sem conta vi pessoas se perderem, para jamais entrarem de novo no mundo desperto.
Depois de uma breve pausa, ele prosseguiu:
— Até eu, que recebi o poder sobre os sonhos, já fui suscetível a eles. Tenha em mente que, mesmo presumindo que seja possível, derrotar a Devoradora num estado de sonho não significa que isso aconteceria na realidade. E, com sua conexão com Amon, tudo que você poderia conseguir seria revelar a ela seus pontos fortes e suas habilidades de luta. Talvez ela até já tenha acesso ao seu paradeiro real, seguindo seu eu do sonho de volta ao acampamento.
— O que significa que devemos partir logo deste lugar — disse Ahmose.
— É, deveríamos — respondeu Asten, e fez menção de partir.
— Espere um momento. — Pus a mão em seu braço para impedi-lo. — Nada disso explica por que você não quer me ajudar. — Asten olhou para minha mão e lentamente, trêmulo, a cobriu com a dele. Quando seus olhos encontraram os meus, acionei instintivamente meu poder de descobrir a verdade, mas, antes que eu pudesse usar a magia, ele rompeu a conexão.
A ponta de seu dedo se colocou embaixo do meu queixo, erguendo meu rosto para ele.
— Não faça isso — disse ele simplesmente. — Sei que você quer respostas, mas, por favor, peço que não sonde mais fundo. Principalmente com relação a isso.
A dor que preenchia seus olhos me comoveu de tal modo que assenti, com vergonha de ter tentado ver o que ele obviamente não queria revelar. Baixei a cabeça, as lágrimas enchendo meus olhos.
Sua voz quente atravessou baixinho o espaço entre nós e, ainda que as palavras fossem simples, eu sabia que havia camadas de coisas não ditas semeadas entre as palavras.
— Por favor, não chore. Me desculpe, Lily.
Havia alguma coisa no modo como ele disse meu nome. Fez com que eu me sentisse inquieta, esperançosa e alerta, tudo ao mesmo tempo. Algo estava acontecendo. Fiquei confusa, mas minha sensibilidade estava estimulada. Meu coração saltava num ritmo staccato e uma suspensão discernível na minha respiração teve eco na dele. Ao mesmo tempo, a angústia cresceu entre nós, derramando-se e afogando as emoções como leite despejado em um copo cheio demais.
Asten piscou e se mexeu, rompendo o contato visual. Sem uma palavra, virou-se e se afastou, deixando-me sozinha com Ahmose, a marca de suas pegadas a única coisa que restava para indicar seu caminho.
— O que há de errado com ele? — perguntei a Ahmose, enxugando uma lágrima desgarrada.
Provavelmente eu deveria ter feito a mesma pergunta a mim mesma. Ao olhar para Asten ainda há pouco, eu sentira alguma coisa, e era muito mais do que o afeto por um irmão.
Estou ficando maluca?, perguntei a Tia. Você acha que estou começando a me apaixonar pelo Asten também?
Passou-se um longo momento até Tia responder:
Asten é uma boa escolha, não é?
Sim. Mas esse não é o ponto.
Você o culpa pelos erros do passado?
Não.
Eu queria que ela me dissesse que alguma coisa estranha, decorrente da esfinge, estava guiando meus atos, que eu não estava sendo desleal com o homem que eu amava. O homem que eu queria. O homem que eu tinha vindo salvar.
Ela sabia o que eu precisava escutar, mas em vez disso disse uma coisa que fez o sangue gelar nas minhas veias e meu coração murchar de tristeza.
Os sentimentos podem mudar.
Depois dessa resposta enigmática, Tia ficou quieta. Era a primeira vez que eu suspeitava que ela estivesse escondendo alguma coisa de mim. Não gostei dessa sensação. Nem um pouco. Ter outra pessoa na mente já era bastante ruim, mas suspeitar que ela estivesse sabotando seus pensamentos ou manipulando suas emoções...
Sacudindo-me de leve, Ahmose me trouxe do mundo dentro da minha cabeça.
— O que há de errado, Lily?
O que não há de errado?, pensei.
— O que Asten não quer me contar? Quero dizer, sobre os sonhos?
— Conectar-se aos sonhos de outra pessoa é uma experiência muito... íntima. — Ahmose pôs a mão nas minhas costas para me guiar na direção das pegadas de Asten. — Seus pensamentos e desejos se tornariam claros para ele, e os dele para você. Imagino que não seja muito diferente do seu relacionamento com Tia.
Fantástico. Já era suficientemente ruim ter uma leoa comigo. Como seria separar os pensamentos, sentimentos e sonhos de três indivíduos diferentes? Nesse momento percebi como eu estava suscetível a perder a identidade e me perder, não somente para Tia, mas também para a personalidade da esfinge. Se algum dia eu saísse dessa, precisaria de uma terapia de verdade.
— Então como essa conexão com Asten me ajudaria?
— A presença de Asten substituiria a de Amon. Em vez de ir para o mundo dos sonhos dele, você entraria no de Asten.
— Sei — falei, subitamente muito desconfortável com a ideia de compartilhar sonhos com Asten. — Ele está preocupado com a ideia de compartilhar meus pensamentos nesse nível?
Seus olhos prateados se viraram para os meus.
— Eu diria que ele está mais preocupado com a ideia de você conhecer os dele — respondeu Ahmose baixinho.
Isso era algo com que eu não estava nem um pouco preocupada. Se eu possuía um talento que era meu, algo que era puramente Lily, e não que tivesse adquirido ao me tornar esfinge, era ser uma excelente avaliadora de caráter.
— Ahmose? — Mordi o lábio.
— O que foi?
— Você está aborrecido com Asten por ele não ter contado quem era de verdade?
Dando ligeiramente de ombros, Ahmose respondeu:
— Asten sempre foi meu irmão. O outro, o filho biológico da rainha, nunca fez parte da minha vida. As circunstâncias do nascimento de Asten não me importam nem um pouco.
— Mas e aquela história de ele ter seduzido a garota de quem você gostava? Qual era mesmo o nome dela?
— Tiombe — respondeu Ahmose, a voz embargada.
— É. Você... você o perdoou, não foi?
Ahmose suspirou.
— Na verdade, eu o perdoei há décadas. Nunca disse isso a ele. Deixei que ele sofresse achando que eu ainda me ressentia pelo envolvimento dele, mas, se eu soubesse quanta dor ele estava guardando... bom, digamos apenas que eu me arrependo de não ter dado o perdão antes. Tive muitos séculos para pensar no que aconteceu. Se eu tivesse tido mais tempo com Tiombe, acabaria descobrindo sozinho a verdadeira natureza dela. O fato de isso ter sido revelado rapidamente quando Asten a cortejou tornou o afastamento bem mais fácil. Na ocasião, achei que nunca mais falaria com ele. Mas, mesmo naquela época, dava para ver que Asten não fez aquilo para me ferir. Ele achou que estava ajudando.
— Então você não o culpa? Nem por nenhuma das coisas que confessou?
— Todos nós temos segredos. O fato de os dele terem se tornado públicos não afeta minha opinião sobre Asten. Conheço e amo meu irmão. Além disso, saber que Anúbis tinha conhecimento de tudo e ainda assim lhe concedeu poderes torna Asten ainda mais excepcional aos meus olhos. O que me entristece é que ele não achou que poderia nos contar. Depois de nossa primeira morte, nossas posições como príncipes não tinham mais importância.
— Talvez Asten não quisesse que vocês o menosprezassem.
— Nós poderíamos ter compartilhado o fardo. Asten deixou que seus erros exaurissem seu coração, e teme que nosso afeto por ele mude tão facilmente quanto a areia se move. Amon e eu somos feitos de material mais sólido.
Meneei a cabeça, concordando, depois perguntei:
— Se você sabe que ele é um homem bom e eu sei que ele é um homem bom, por que o coração dele foi banido?
— É uma pergunta muito boa. Suspeito que isso tenha menos a ver com as escolhas de Asten durante a mortalidade e mais com a necessidade de nos mandarem para cá. Esse é um assunto que pretendo abordar seriamente com os deuses assim que retornarmos.
Contornamos uma grande colina até uma planície ampla. Asten estava parado, olhando-a do alto. Embora não tenha se virado para acusar nossa presença, falou conosco no instante em que nos aproximamos por trás.
— Este é o Campo dos Medos.
— Vão embora! — disse uma voz chiada.
Um homenzinho corcunda espiava por trás de uma pedra grande. Bolhas infectadas sobressaíam em seu nariz e nos braços. Uma delas estourou, vertendo pus amarelo. Notei um macaco em suas costas, guinchando e segurando um globo reluzente semelhante ao coração de Asten.
Asten levantou seu arco.
— Quem é você? — perguntou.
— Só um fantasma em dificuldades, fraco, que não vale o tempo que você levaria para lutar comigo.
Apesar de ele declarar fraqueza, não deixei de perceber seus dentes rilhando e a expressão decidida. Sem dúvida, ele saberia se defender muito bem.
— Estamos procurando um amigo.
Com expressão calculada, o homenzinho disse:
— Sei onde ele está. Posso levá-los até ele. Se me derem alguma coisa em troca. — Ele cutucou minha mochila. — Você tem coisas poderosas aí dentro.
— Eu... eu acho que poderíamos dividi-las — gaguejei.
O fantasma soltou uma risada aguda e nos guiou pelo Campo dos Medos.
Na metade do caminho, Asten diminuiu o passo.
— Ele pisou num medo — queixou-se nosso guia. — Corações sangrentos com seus medos idiotas. De todos os lugares, ele vai ficar parado justo aqui? Ridículo.
— Do que ele está com medo? — perguntei.
— Esse é o medo “Ninguém me ama e estou totalmente sozinho” — respondeu o guia num tom de voz zombeteiro e cantarolado. — Quem se importa com a porcaria do amor? Para que ele serve? Eu estou sozinho o tempo todo. Isso não me dói nem um pouco.
— Ele se sente sozinho? — perguntei, a voz mais rouca do que o normal.
— Como podemos tirar esse sentimento? — perguntou Ahmose.
— Fácil. Dê a ele alguma coisa mais temível para pensar. — O homenzinho agarrou meu braço.
Seu macaco guinchou e me mordeu com força. Uma pústula gigante surgiu na minha pele. Asten se moveu de repente, livrando-se do medo, e agarrou o pequeno fantasma com uma das mãos.
— O que você fez com ela? — perguntou, os olhos queimando.
— O que precisava fazer — respondeu o fantasma, esperneando inutilmente.
— Asten, vou ficar bem. Está vendo? — Canalizei o poder da estela curativa e a bolha inflamada do meu braço encolheu até desparecer.
— Meu preço acaba de subir — disse o fantasma. — Quero esse negócio que cura.
— Não — respondeu Asten bruscamente. — Não funcionaria, de qualquer modo. Seus ferimentos são seu castigo.
O fantasma tentou intimidar os irmãos com o olhar, mas eles não se deixaram influenciar.
— Tudo bem — disse ele, cedendo. — Só não vão ficar presos no medo de gatinhos ou cachorrinhos. Se ficarem, deixo vocês lá.
Quando finalmente terminamos de atravessar o campo, deixei escapar um suspiro de alívio. Tínhamos conseguido.
— Vocês vão encontrar o que procuram naquela direção. Agora me dê o que prometeu.
Ofereci ao fantasma carrancudo meu punhado de passas e ele desapareceu.
Tínhamos dado apenas quinze passos quando Asten disse:
— Acho que fomos enganados.
— Mas o escaravelho diz que Amon está mesmo naquela direção — observei.
— Talvez o caminho que vai até ele esteja além — respondeu Asten.
— Além de quê?
— Daquilo. — Ele moveu a cabeça indicando o caminho à nossa frente. — O pior lugar em que você pode ir parar no mundo dos mortos: o Pântano do Desespero. É grande demais para contornarmos. Infelizmente o caminho mais rápido é atravessá-lo.
— Se sobrevivermos — murmurou Ahmose.
— Maravilha. Outra experiência de quase morte... — Fiz uma pausa, enfiando a mão na sacola para oferecer a Asten um gole da garrafa de sidra. Ele estava suando. Era a primeira vez que eu o via suar no mundo dos mortos, o que era perturbador. Imaginei se, naquele momento, Amon estaria sofrendo abusos e se eles estavam sentindo os efeitos e não queriam me contar.
Distraída, enfiei a mão na boca aberta da minha sacola e a tirei sem nada.
— Ele roubou tudo! — gritei. — Aquele macaco traiçoeiro nas costas dele roubou a sidra e os bolos. Agora ele está com tudo!
Olhei para Ahmose; o suor brotava em sua testa também. Ambos tinham a boca contraída em uma linha fina.
— Ela está machucando Amon agora, não é? — perguntei.
Asten assentiu rigidamente.
— Cada momento que Amon fica nas mãos da Devoradora é demasiado — murmurei baixinho.
Logo um peso insuportável caiu sobre meus ombros também. A Devoradora estava drenando Amon, e agora isso afetava nós três. Relaxei o corpo, apoiando-me em Asten. Eu tremia, mas me senti reconfortada pela ideia de que a energia que ela tirava era compartilhada entre todos nós e que, enquanto estivéssemos vivos, podíamos ter certeza de que Amon também estava. Um tremor me atravessou; embora eu quisesse saber o que havia acontecido com ele, ao mesmo tempo não queria. Passou-se pelo menos uma hora antes de nos sentirmos suficientemente recuperados para retomar a viagem.
— Está preparada? — perguntou Ahmose. Confirmei com a cabeça. Ele esfregou a mão no maxilar. — Atravessar pode levar pelo menos um dia.
— Você pode encontrar o caminho mais rápido — Asten encorajou o irmão.
Aliviada por saber que a tortura de Amon havia passado, olhei para além das pedras perigosas e cheias de pontas que desciam até o vale lá embaixo, até as incontáveis ondas de capim branco. Um gemido fantasmagórico lançou um eco etéreo e olhei o movimento do capim alto, intrigada. As plantas se moviam aleatoriamente, não como o trigo numa fazenda.
— O que é aquilo? — perguntei.
Não é algo natural, sussurrou Tia na minha mente. Não é da Terra.
— Aquilo, não. Eles — respondeu Ahmose.
— Eles?
— Sim. São os mortos-vivos. Os que foram banidos e que, ao contrário de Asten, não conseguiram derrotar seus demônios — explicou Ahmose.
— São como o nosso guia fantasma — acrescentou Asten. — Só que foram descobertos e trazidos para cá. Alguns acham que não têm motivo para lutar contra os próprios demônios. Outros tentam, mas são derrotados rapidamente e ficam fracos demais para afastar aquilo que os atormenta. Aqui, no pântano, são torturados durante a eternidade, tendo seus corações balançados diante deles como pão diante de uma pessoa faminta.
— Então são como os fantasmas que eu vi a Devoradora consumir? Eles não eram tão sólidos quanto nosso guia.
Os punhos de Asten se apertaram, mas não tive certeza se ele tinha consciência disso.
— Sim. Esta é a horta dela. Onde ela colhe sua... comida.
— Isso é horrível! — exclamei.
— Não há opção a não ser atravessar — disse Asten. — Se formos depressa, podemos cruzá-la antes que os ceifadores cheguem.
— Ceifadores? Por que isso parece ainda pior do que a existência de uma fazenda de mortos-vivos?
— Não é possível brincar com os ceifadores. Qualquer alma apanhada em seu caminho será colhida. Confie em mim quando digo que não devemos nos demorar por aqui.
— E como vamos descer até lá? — perguntei. — Você consegue achar um caminho, Ahmose?
— Só há um caminho seguro para descer. Vamos ter de carregar você.
— Me carregar? Vocês vão pular?
— Não exatamente — disse Ahmose, esquivando-se. — Venha. Você vai comigo.
— Eu a levo — disse Asten, e se adiantou, pondo uma das mãos no meu braço. Ahmose lançou um demorado olhar para o irmão, mas depois assentiu e recuou. Pelo jeito, nesse momento Ahmose não estava sentindo os efeitos do escaravelho do coração com tanta intensidade quanto seu irmão.
Ahmose levantou os braços e levitou, indo para a lateral do penhasco e descendo rapidamente. Asten colocou-se diante de mim e me deu um sorrisinho com um ligeiro brilho nos olhos que me fez lembrar de sua versão petulante com que eu estava mais familiarizada. Pegando meus braços, colocou-os em torno do pescoço e se inclinou para sussurrar no meu ouvido:
— Agora segure-se em mim com força.
Assenti e ele se inclinou e me pegou no colo. Num piscar de olhos ele havia se alçado no ar e começamos a flutuar lentamente, descendo na direção do vale. De novo percebi meus sentidos mais aguçados se afinando com o homem que me carregava. A sensação de seus ombros fortes sob minhas mãos, o cabelo roçando na ponta dos meus dedos e o modo como ele me segurava me encantavam.
Enquanto eu olhava seu rosto, uma parte de mim tentou se lembrar de Amon, mas os detalhes que eu tanto amava pareciam empalidecer em comparação, e descobri que eu não conseguia manter sua imagem na mente, não quando Asten estava tão perto. Um minúsculo murmúrio de consternação escapou dos meus lábios e ele olhou para mim.
— Você está bem, Lily? — perguntou, me apertando com mais força.
— Estou — consegui falar com uma voz esganiçada.
Asten me examinou e pareceu ver na minha expressão algo que eu vinha tentando esconder. Um calor cresceu entre nós e os olhos dele se dissolveram em poços líquidos. Com minha visão aguçada, pude perceber a fagulha de pequenas estrelas brilhando dentro deles. O canto de sua boca subiu, não num risinho irônico, mas numa promessa tórrida, e, ao que quer que ele estivesse me prometendo em silêncio, eu queria, precisava dizer sim.
Ele aproximou-se mais, encostando o nariz no meu e depois roçando nossas faces centímetro a centímetro, numa experiência hipnótica, até que seus lábios encontraram minha orelha. Enrolando os dedos em seus cabelos e acariciando-lhe a nuca, concentrei-me naquela sensação, imbuindo o toque com meu poder, querendo que ele sentisse a carícia e o contato de sua pele na minha. Ouvi quando ele arquejou e depois seu murmúrio provocou arrepios no meu pescoço.
— Cuidado, leoazinha — disse Asten com voz rouca. — Um homem não consegue resistir por muito tempo a uma mulher como você.
Engoli em seco.
— Mas eu não estou...
Não consegui terminar o pensamento. Minha pulsação martelava na garganta e o perfume quente dele – cedro, âmbar, especiarias, com uma leve sugestão de chocolate – me envolveu. Seu cheiro era delicioso. Como algo que eu queria provar. Havia alguma coisa muito errada no que estava acontecendo, mas outra parte de mim achava que aquilo era muito certo. Nós queremos isso, sussurrou uma voz na minha mente. Nós o queremos.
Asten ergueu a cabeça, chamas brilhando em seus olhos. Ele também queria, eu podia sentir. O espaço à nossa volta parecia febril e frenético. Inclinei a cabeça e o puxei para mais perto, seus lábios a apenas centímetros dos meus.
— Asten — comecei com uma voz sedutora e suplicante.
— Lily — respondeu ele, ecoando a mesma avidez.
Inclinei a cabeça para cima e esperei, prendendo o fôlego, com uma expectativa quase dolorida, o seu beijo. Que não veio. Abri os olhos e encontrei os dele fechados.
— Asten? — sussurrei, a confusão dissipando a névoa passional em que eu mergulhara.
— Não podemos fazer isso, Lily. — Seus olhos finalmente se abriram, mas o que vi não era o desejo que eu esperava, e sim o arrependimento e a recriminação a si mesmo. — Apesar de você ser tão pura e adorável para mim quanto a estrela mais brilhante do céu, não farei isso com meu irmão.
— Mas... Asten, eu...
— Desculpe. Não vou acrescentar você à minha lista de erros.
— É só isso que eu seria para você? — acusei. — Um erro?
— Não. Não foi isso... — Ele sacudiu a cabeça. — Não me entenda mal.
Nossos pés tocaram o chão e Ahmose se aproximou.
— Entender mal o quê? — perguntou ele.
— Nada — respondeu Asten.
Pus as mãos nos quadris, sentindo a fisgada dolorida da rejeição misturando-se à náusea da culpa.
— Isso mesmo. Não é nada — falei bruscamente e ajeitei o arco nas costas, ao mesmo tempo verificando as facas. Quando me virei para seguir na direção do campo de fantasmas ondulando ao vento invisível do mundo dos mortos, como se fossem milhares de bonecos infláveis cinzentos, empurrei para o fundo da mente o pensamento de que não tinha sentido nem um pouco de medo de voar quando estava nos braços de Asten.
Ahmose segurou meu braço.
— Espere, Lily — disse ele. — Primeiro deixe-me encontrar o caminho.
Assenti e cruzei os braços. Quando Ahmose se agachou e abriu a palma da mão sobre a areia, fiz um breve contato visual com Asten, cuja expressão era um misto de confusão e culpa e fazia eco à minha.
Enquanto atravessávamos o campo, tentando em vão evitar o contato com os fantasmas, eu ponderava sobre o porquê de estar tão perturbada. Asten tinha feito a coisa certa. Não sabia o que tinha me dado nem por que estar perto dele me inspirava o desejo de rasgar sua camisa com minhas garras.
Agora não havia como negar que eu estava agindo de modo horrivelmente desleal em relação a Amon, e a ideia da dor que ele sentiria com minha traição me fazia ter vontade de chorar. Não apenas derramar uma ou duas lágrimas, e sim soluçar com o mais absoluto desgosto, como quando Anúbis me fez matá-lo. Era essa a sensação. Como se eu estivesse matando Amon lenta mas inevitavelmente. Eu não podia suportar.
Lágrimas escorreram de meus olhos e senti vontade de gritar e arrancar os cabelos, assim como os fantasmas que estendiam inutilmente as mãos para mim tentando me agarrar enquanto eu passava. Com os olhos lacrimosos, notei que as fileiras de almas perto de nós tinham acesso a seus corações. Os globos reluzentes estavam tão perto delas que quase podiam ser tocados, mas nenhuma delas se dava ao trabalho de tentar. Se ajudassem umas às outras talvez pudessem ter os corações de volta.
Parando diante de uma mulher triste e desolada, curvei-me para pegar seu coração e entregar a ela, mas Ahmose segurou meu pulso antes que eu o tocasse.
— Não faça isso — disse ele. — São pesados demais. O desespero só vai fazer seus pés afundarem no pântano.
Lembrando-me da incapacidade de arrancar o coração de Asten do Lago de Fogo, assenti e seguimos em frente. Parecia que os únicos fantasmas prestando atenção em nós eram aqueles com os quais fazíamos contato, e à medida que as horas passavam comecei a ver uma mudança nas fileiras. Mais adiante os espectros eram mais... animados.
Metade deles parecia afetada pelo amor que sentiam por mim, e a outra metade tentava me agarrar, faminta, como a Devoradora havia feito. A maior parte parecia ter um ou dois atormentadores girando em volta das pernas, mordiscando-os de vez em quando. Cada alma tinha o próprio tipo de perseguidor. Vi uma variedade de insetos, cobras, vermes, morcegos, pequenos lagartos, e até uma coisa que parecia um cruzamento entre uma miniatura de anão de jardim e uma gárgula, atormentando-os. O número de demônios que atacavam os fantasmas aumentava a cada hora.
Além dessa visão perturbadora, Asten parecia decidido a não fazer contato visual comigo, o que, para mim, estava ótimo. Quanto mais distância houvesse entre nós, mais no controle eu ficava.
O que havia de errado comigo?
Tentei perguntar a Tia, mas ela havia se trancado longe da minha consciência. Estava lá. Eu podia senti-la, mas tinha se enrolado feito uma bola e, por mais que eu cutucasse suas costas mentalmente, ela não se virava para me encarar. Não que eu a culpasse. Pensei que ela deveria estar com vergonha de mim, considerando o modo como eu tinha agido.
À medida que prosseguíamos, o caminho ia ficando mais estreito. Ahmose pediu desculpas e procurou uma direção melhor, mas não encontrou. Precisaríamos ficar muito perto dos alimentos da Devoradora. Mãos e braços tentando nos agarrar chegavam cada vez mais perto. Então um espectro que parecia mais sólido do que os que estavam ao seu redor, com pelo menos uma dúzia de criaturas que pareciam abelhas do tamanho de punhos enxameando em torno de sua cabeça e picando-o repetidamente, estendeu a mão para mim e conseguiu agarrar a manga da minha blusa. Puxou-me desesperadamente, gritando para eu salvá-lo. Suas pernas pareciam enraizadas, como se tivessem sido plantadas na areia. Ainda que a maioria de seus companheiros fosse insubstancial, ele tinha matéria – por falta de uma palavra melhor – suficiente para que seu aperto fosse bastante forte.
Quando eu lhe disse que sentia muito, mas não podia fazer nada, que ele precisava lutar contra seus próprios demônios, suas súplicas se transformaram em fúria.
— Você vai me ajudar — vociferou, com o rosto inchado, cheio de picadas horríveis. — Ou vai morrer ao meu lado. Já matei um número suficiente de coisinhas bonitas como você. Eu nem piscaria.
— Você já está morto — respondi, imaginando se teria de invocar minhas garras e se elas conseguiriam se cravar na forma dele.
— Sei disso, garota bonita mas idiota — sibilou. — Estou falando da segunda morte. A primeira para você, a última para mim. Vamos afundar juntos. É quase romântico. Talvez, se eu oferecesse a ela uma garota bonita como você, viva, ela levasse tanto tempo para digeri-la que eu conseguiria escapar. — Ele começou a bater na própria cabeça. — Não. Não. Não. Nós gostamos dela. Não. Nós mesmos vamos comê-la.
— Acho que não — declarei. — Além disso, você não pode escapar da Devoradora. Eu já a vi em ação e ela não liberta ninguém. Mas anime-se. Nós vamos tentar matá-la, então talvez você consiga se livrar, no fim das contas.
— Rá! — gritou ele. — Ela não pode ser derrotada. Todo mundo sabe disso.
— Bom, nós vamos tentar.
— Vai morrer fazendo isso.
— É melhor morrer lutando do que ser colhida como trigo.
O rosto cinza ficou mais escuro e uma espécie de cuspe preto escorreu do canto de sua boca.
— Você vai pagar por isso.
Outros fantasmas ali perto começaram a reagir ao que estava me segurando. Apesar de estarem presos em montes de areia, estenderam as mãos para cima, como zumbis finalmente captando o cheiro de miolos frescos, as expressões quase igualmente vazias. Mas nenhum deles estava suficientemente perto para fazer muito mais do que roçar em minhas pernas e meus braços, seus membros atravessando minha pele e deixando um arrepio na carne.
O fantasma que me segurava puxou e se debateu, tentando me levar mais para perto dele, mas consegui firmar os calcanhares o suficiente para impedi-lo de fazer algum avanço. Ainda assim, ele não parecia disposto a me soltar. Foi somente quando Asten e Ahmose me ladearam e lançaram um olhar feroz para ele que sua atitude mudou.
— Guardiões! — gritou ele em voz esganiçada, balançando-se para trás e para a frente. Em seguida me soltou e voltou a bater com os punhos na própria cabeça. — Idiota. Idiota. Idiota! — gritou enquanto se golpeava. — Eu deveria ter visto que estavam aí. Por que estão aqui? — O fantasma olhou para nós de um modo esperançoso, desesperado. — Foi um engano, não foi? Vocês vieram aqui para me levar de volta?
— De volta! — ecoou outro fantasma.
— Foi um engano — gritou mais outro.
— É! Um engano.
— Engano.
— Levem a gente de volta.
Asten segurou meus ombros e me puxou contra seu peito enquanto Ahmose se aproximava do fantasma palpável.
— Sinto muito — disse ele. — Estamos aqui para um assunto nosso.
— Assunto de vocês? Que assunto vocês poderiam ter aqui? Este não é o domínio de vocês! Aqui não é o lugar de vocês. Saiam! Saiam!
Os outros fantasmas começaram a gemer, a intensidade aumentando e se espalhando até que todo o campo gritava numa cacofonia alarmada.
— Saiam! — gritavam. — Vocês não são daqui!
Enterrei a cabeça no peito de Asten, inalando seu cheiro quente enquanto ele acariciava meus cabelos.
— Só estamos na metade do caminho, e vai ficar mais difícil daqui em diante — disse Ahmose. — Os fantasmas mais para a frente estão aqui há mais tempo. São menos... bem, menos. Os que estão aqui atrás foram plantados mais recentemente. Os de lá serão mais fortes. E terão a capacidade de atrapalhar nossa passagem.
— Podemos voar por cima deles, não é? — perguntei, secretamente encantada com a perspectiva de ficar de novo no colo de Asten.
Ele balançou a cabeça.
— Aqui nós ficamos pesados. Sentimos o efeito do desespero deles. Só poderemos levitar de novo quanto estivermos longe.
— Ah, por isso o nome de Pântano do Desespero.
— Sim.
— Certo, então só precisamos que Ahmose encontre o melhor caminho e...
Minhas palavras foram interrompidas quando o choro e os gemidos dos mortos se tornaram gritos. Um novo tipo de pânico foi passado de fantasma em fantasma até chegar às massas onde estávamos.
Mais que depressa, Asten e Ahmose seguraram minhas mãos e começaram a correr. Não tínhamos mais tempo. A única palavra que não queríamos ouvir estava sendo repetida por absolutamente todos os fantasmas num campo onde havia milhares deles.
Ceifadores.

4 comentários:

  1. Nao comentei nenhuma vez durante o livro , mas só a Lily para nao perceber que a Tia esta apaixonada pelo Asten e quanto mais ela se fundem os sentimentos de ambas se misturam deixando a Lily confusa,e pelo visto a Tia nao está fazendo esforço pra alerta a Lily que quem esta apaixonada por Asten é ela ou seja ela meio que esta dominando o corpo e os sentimentos da Lily

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    1. justamente...mas convenhamos, essa Lilly é meio burrinha se tratando de sentimentos...ela não percebeu os sentimentos do Amon no primeiro livro ( o que era óbvio), não percebeu os de Asten ( q já dava pra perceber no 1º livro)...enfim, uma típica protagonista da Collee, a diferença é que a Kells ainda tinha baixa autoestima e a síndrome do patinho feio ¬¬

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  2. Quando terminei o primeiro livro ,fiquei sedenta pelo segundo não tinha achado aqui no blog e fui pesquisar, o que vi ,foi gente reclamando do quarteto e dizendo que Lilly "tava muito periguete"lendo agora e levando em consideração o que falaram da historia em si ,realmente não entenderam ou pularam capítulos importantes pq ta nítido que todos que se encantam por Lilly é pq agora é uma esfinge ,mais o que me consola é que ela ainda é do AMON e vice versa ....

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  3. É óbvio que os sentimentos pelo Asten são causados pela Tia, que está se fundindo cada vez mais, tanto que nem fala mais. Porém eu achei meio chato, pq eu gosto do Amon e isso com certeza vai magoar ele.

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