21 de outubro de 2016

11. Shabtis

Amon levantou a cabeça.
— Você se machucou, Lily?
— Acho que não... — respondi, e minha frase parou no meio quando a expressão preocupada dele foi substituída por outra.
Pude sentir um delicioso tormento brotar dentro dele, provocando-o.
Seus olhos baixaram até minha boca, e prendi a respiração. Eu estava dentro de uma tumba escura e poeirenta, com teias de aranha nos cabelos, areia dentro das botas, a pele queimada de sol e toda suada, mas nenhuma dessas coisas me afetava mais do que o deus do sol lindo de morrer que pairava sobre mim.
Não tive certeza se o que estava sentindo era real ou se era um efeito colateral da nossa conexão, mas soube, sem qualquer sombra de dúvida, que ele queria me beijar. E juro pelos céus do Egito que eu queria esse beijo. No entanto, apesar de estar imaginando vividamente a pressão dos seus lábios contra os meus, e apesar de Amon provavelmente saber que eu queria beijá-lo, ele fechou os olhos, murmurou algumas palavras suaves em seu idioma e mudou de posição, saindo rapidamente de cima de mim e se afastando.
Por algum motivo, ele estava mantendo distância de mim. Eu não era uma daquelas garotas desprovidas de autoestima, mas o comportamento dele era desconcertante o suficiente para me fazer questionar meus encantos femininos. Talvez houvesse mais coisas por trás da nossa conexão do que ele estava me contando.
Eu estava decidida a não deixar mais nenhuma insegurança ditar minhas reações emocionais, mas as repetidas rejeições de Amon faziam com que eu me sentisse vulnerável e exposta.
Quando ele virou as costas para mim e começou a estudar os símbolos nas paredes, dei um suspiro, peguei a bolsa e murmurei:
— Eu estava enganada. Acho que machuquei meu ego na queda.
Amon me olhou de esguelha e franziu o cenho, então virou-se de volta para os hieróglifos sem responder, isolando-se de mim por completo. Tornei a suspirar e escolhi um trecho o mais afastado que a luz que emanava de seu corpo permitia. Ao ver outras gravuras, eu o chamei:
— Acho que encontrei alguma coisa.
— O que você imagina que seja? — foi sua resposta. — Descreva o que está vendo.
Estreitando os olhos na iluminação fraca, estudei as inscrições e disse:
— A primeira parte é o sol, a lua e as estrelas, como você disse. Depois tem uma figura com uma cabeça de formato estranho. Nunca vi um animal com esse aspecto. Pode ser um cavalo? Enfim, ele parece estar empurrando uma pedra. Espere. Tem uns simbolozinhos na pedra.
Correr os dedos por cima dos símbolos gravados não bastou para me ajudar a decifrá-los. Inclinei-me mais para perto, soprei a pedra suavemente e uma leve poeira fina se ergueu no ar, deixando os símbolos mais nítidos.
— Espere um pouco — balbuciei comigo mesma enquanto dava alguns passos para trás.
Dito e feito: o grande bloco pelo qual eu havia passado pouco antes tinha exatamente as mesmas inscrições que o deus com cara de cavalo estava empurrando. Só para me certificar, limpei-as com a mão, peguei uma caneta na bolsa e copiei os símbolos na palma da mão.


Do outro lado, Amon perguntou:
— O que você encontrou, Lily? — Sua voz ecoou pelo espaço amplo.
— Pratique um pouco de paciência e eu já digo! — gritei por cima do ombro enquanto comparava os símbolos na mão com a caixa dourada do deus.
Eram os mesmos.
Satisfeita com a descoberta, caminhei de volta até o grande bloco de pedra e comecei a empurrar, cravando as botas nas reentrâncias do chão para me apoiar. Enquanto lutava com aquela pedra teimosa, comecei a descrever para Amon o que havia encontrado.
— Tem a forma de uma pedra mais ou menos do tamanho do seu peito e se projeta da parede. O deus da imagem está empurrando, então imagino que essa seja a coisa certa a fazer.
— Sim, mas que símbolos são esses que você está vendo? — gritou Amon do outro lado.
Ofegante, tentei empurrar a pedra grande para a direita, em seguida para a esquerda, mas ela não se moveu. Virei-me, apoiei as costas na pedra e empurrei com as pernas. Em meio aos arquejos, expliquei:
— São quatro imagens. No alto à esquerda tem uma lua cheia atravessada por linhas horizontais. Embaixo à esquerda tem um retângulo. No alto à direita tem um sol cortado ao meio pelo horizonte, e embaixo à direita... — Dei um grunhido e ri de alívio ao sentir a pedra se mover um pouco. — Um par de pernas caminhando.
— Pernas caminhando?
— Como as de um bonequinho palito com os dois pés apontados na mesma direção, sabe?
Como a pedra se deslocou vários centímetros, reposicionei os pés, mordi o lábio e tornei a empurrar bem na hora em que Amon gritou:
— Lily! Pare!
— Amon? O que houve? — respondi, mas a pedra então cedeu e se imobilizou rente à parede.
Quase na mesma hora, o chão começou a tremer. Uma boa parte dele se moveu, e o lado oposto ao que eu estava cedeu por completo, criando um escorrega em cujo topo eu me encontrava sem nada em que me segurar. Meu grito ecoou quando deslizei pela pedra. Agitei braços e pernas às cegas, à procura de apoio, e tentei em vão encontrar um ponto no qual me agarrar e evitar a descida.
Abaixo de mim, um abismo negro escancarado aguardava para me devorar, ávido, mas, quando passava pela borda, um puxão no meu braço torceu dolorosamente meu ombro. Meu corpo bateu na lateral do abismo e continuei procurando alguma coisa em que segurar.
— Lily! — gritou Amon. — Segure em mim!
— Estou escorregando! — Eu sabia que a qualquer momento iria cair. Enquanto me balançava loucamente, tornei a olhar para baixo mais uma vez. Agora que a luz de Amon estava tornando as coisas mais visíveis, dei um grito de desespero ao ver lanças afiadas e pedras pontudas à espera lá embaixo.
Se eu caísse, seria empalada, e provavelmente me transformaria na mais nova residente da tumba do Vale dos Reis. Tive um pensamento mórbido e me perguntei se teria minha própria câmara e meu próprio número. Eu seria VR64, ou quem sabe VR65, a menos, é claro, que ninguém me encontrasse por alguns milhares de anos. Até onde eu sabia, poderia acabar virando VR6565.
Os murmúrios frenéticos de Amon de nada serviam para me deixar mais confiante em relação às minhas chances, e então, para piorar as coisas, a parede de terra batida à qual eu estava tentando me segurar com a outra mão começou a vibrar. Nuvens de areia se precipitaram e começaram a rodopiar à minha volta.
— A tempestade de areia não está ajudando! — gritei, engasgando e tossindo, mas no instante seguinte a areia endureceu e formou blocos que se projetavam da parede como degraus.
— Suba! — berrou Amon, balançando meu corpo mais para perto dos degraus.
Felizmente, consegui pisar em uma das estreitas plataformas que ele havia criado e me senti segura o suficiente para lhe dizer que ele podia me soltar.
Ele chegou mais perto da borda.
— Não — afirmou. — Vou continuar segurando enquanto você sobe.
Com cuidado, fui subindo os degraus um a um, com as costas apoiadas na parede de terra se desintegrando. Por fim, quando cheguei perto do topo, Amon estendeu os braços, me segurou pelas axilas e me puxou o resto do caminho. Puxou-me com tanta força que perdi o equilíbrio e desabei em cima dele. Tentei recuar na mesma hora, mas ele não deixou. Seus braços se fecharam à minha volta, apertando com força.
— Eu quase perdi você — falou, junto ao meu ombro.
Entrelaçando os braços em volta do seu pescoço, minha expressão era metade sorriso, metade careta, a dor em meus braços me impedindo de aproveitar plenamente a experiência.
— Obrigada por me salvar — murmurei.
Amon levantou a cabeça.
— Pensou que eu não a salvaria?
— Não. Tinha quase certeza que sim. Afinal de contas, estas cavernas não estão lotadas de doadores de órgãos.
Amon franziu o cenho.
— Eu não salvei você só por causa dos órgãos, jovem Lily.
— Ah, não? — provoquei, empinando o queixo para desafiá-lo. — Então por acaso existe outro motivo para não querer que eu morra antes da hora?
— Vários.
— Por exemplo?
Ele se afastou um pouco enquanto pensava no que dizer. Por fim, falou:
— Você é... — Passou o polegar pela minha bochecha para retirar uma sujeirinha.
— O quê? — insisti.
— Você é... uma excelente escriba — disse ele por fim.
Deixei cair as mãos.
— Sério? É só isso? Bom saber que a minha caligrafia — falei, cuspindo a palavra — é tão importante para você.
Cruzei os braços, me encolhendo de dor com o movimento, e o encarei.
Amon subiu a mão pelo meu braço até o ombro machucado e sibilei quando ele o envolveu com a palma. Após um cântico rápido, ele injetou no músculo calor comparável ao de uma bolsa de água quente. Mesmo assim, evitava o contato visual.
— Lily, eu não quero falar nesse assunto.
— Não entendo. Uma hora você quer uma coisa, depois outra. Não entendo qual é o problema. Eu não sou bonita o suficiente?
Amon me encarou com um ar de assombro.
— Por que você acharia isso?
— Sei lá. Você vive me rejeitando. O que mais eu posso achar?
A outra mão dele subiu por meu braço e envolveu meu ombro ferido.
— Lily, posso dizer com toda a sinceridade que nunca em toda minha longa vida encontrei uma criatura tão encantadora assim. Você é bela como um botão de flor beijado pelo orvalho de uma manhã dourada. Quando sinto seu cheiro, o sabor do sol, da vida e da esperança me preenche. Você é muito mais do que bonita. Você é... a tentação em pessoa.
Uma expressão chocada surgiu na mesma hora em seu rosto e ele murmurou:
— Não foi o que eu quis dizer — falou. — Por favor, esqueça essas palavras.
— Hã, é improvável. A menos que elas tenham sido falsas.
Amon franziu os lábios perfeitos e deixou escapar um grunhido.
— As dádivas que recebi tornaram a mentira muito... difícil para mim. Eu disse a verdade.
— Aí é que eu não entendo mesmo. Se você gosta de mim tanto assim, por que não me beija?
Amon suspirou e afastou as mãos quando meneei a cabeça para indicar que meu ombro estava melhor. Então virou as costas para mim e apoiou as palmas das mãos na pedra que eu acabara de mover. Deu uma gargalhada triste e sardônica.
— Por causa disso — falou, indicando a pedra com a cabeça.
Dei um passo mais para perto e espiei a rocha culpada.
— O que está escrito aí? — perguntei baixinho.
Ele ignorou a pergunta, deu a volta na pedra com cuidado e estendeu o braço, gesticulando para que eu me segurasse nele. Depois de eu atravessar em segurança, continuou de mãos dadas comigo e, após conferir o mapa de hieróglifos que eu havia encontrado, prosseguiu pelo túnel me puxando atrás dele. Quando viramos uma esquina, falou sem olhar para trás:
— Morte. Os símbolos naquela pedra significam morte.
— Se alguém quisesse matar você, por que anunciaria isso?
— O desenho esculpido na parede mostrando o sol, a lua e as estrelas é muito antigo, mas a gravura na rocha e a pedra na escultura são recentes.
— Quer dizer que alguém estava mesmo protegendo você.
— Alguém estava nos avisando sobre uma armadilha. E outra pessoa criou essa armadilha. Não sei dizer há quanto tempo a imagem foi acrescentada. Pode ter sido bem recente, ou pode ter sido há cem anos.
Refletindo sobre essas palavras, segui atrás dele em silêncio enquanto adentrávamos ainda mais a misteriosa tumba egípcia. Infelizmente não consegui processar direito o que estava acontecendo entre mim e Amon, pois logo deparamos com uma nova parte do labirinto subterrâneo que precisava ser decifrada.
Perguntei a Amon se era provável toparmos com mais alguma arapuca e, depois de eu lhe explicar o que era uma arapuca, ele me disse que as tumbas egípcias em geral eram cheias de maldições, não de armadilhas para os desavisados.
Ainda assim, pareceu muito pouco à vontade com a ideia de prosseguir, embora acreditasse que o caminho que estávamos espreitando fosse de fato o correto.
Com cautela, ele me conduziu até mais adiante, insistindo em ir na frente, até que de repente estacou.
— Lily, não se mexa — sussurrou.
— O que foi? — perguntei em voz baixa.
Amon estendeu a mão adiante, levou o dedo ao espaço logo à sua frente e a ponta de seu dedo começou a sangrar na mesma hora.
— Um arame mortal, criado para cortar o pescoço de algum descuidado que entrar nestas tumbas. E desta vez não tinha aviso nenhum.
Recuamos lentamente enquanto ele sussurrava algumas palavras. A areia se ergueu do chão da tumba e girou em torno de suas mãos. Os grãos se uniram e se solidificaram até formarem uma arma de aspecto mortal: uma faca. A lâmina queimou com a luz branca de Amon.
— Para trás — alertou ele.
Usando a faca incandescente, ele cortou o arame. Quando o fez, este recuou com violência, feito um chicote, e abriu um lanho em sua bochecha.
Amon cortou outro arame, depois um terceiro, seu humor se tornando mais sombrio a cada descoberta. Quando finalmente chegamos à extremidade do túnel, consultamos alguns hieróglifos e viramos em outro corredor, Amon começou a relaxar.
Como ele baixou a guarda, fiz o mesmo, e foi um tremendo choque para nós dois quando tropecei em uma pedra levemente saliente e as paredes começaram a tremer.
— Amon? — chamei. — Isso é você?
— Não sou eu quem está causando essa perturbação — disse ele enquanto eu caía por cima de seu corpo.
As paredes se moveram e, antes de conseguirmos nos situar, já estávamos presos dentro de uma caixa de pedra. Fez-se um silêncio de morte. Amon tentou usar a faca para abrir os cantos lacrados, mas não conseguiu encontrar um lugar onde inserir a lâmina. Agitou a areia à nossa volta e a lançou na direção dos cantos em busca de frestas. A areia simplesmente ficou suspensa em pequenas nuvens, sem conseguir encontrar uma saída.
Sentei-me no chão e limpei as mãos na calça jeans.
— Sua teoria de “os egípcios não usam arapucas” acaba de ir por água abaixo.
Amon franziu o cenho.
— Não faz sentido. As tumbas nunca foram protegidas dessa forma antes.
— Talvez os seus supostos guardiões, que estão desaparecidos, tenham armado as arapucas para proteger você e seus irmãos, a fim de que ninguém os descobrisse.
— Pode ser.
— Nesse caso, deveriam ter armado mais algumas, pois você foi descoberto mesmo assim. — Dei um suspiro. — Consegue nos tirar daqui com uma tempestade de areia?
Amon fez que não com a cabeça e explicou:
— Se a areia não consegue encontrar uma fresta nesta prisão, nós também não podemos fugir dessa forma.
Ele sentou-se ao meu lado, limpou as mãos, ergueu-as no ar e pôs-se a entoar diferentes encantamentos. Ao ver que um não funcionava, tentava outro, em seguida mais outro. Foi por volta do terceiro ou quarto encantamento que reparei: a luz que emanava de sua pele estava diminuindo. Na realidade, passou a tremeluzir.
— O que houve com a sua luz? — perguntei.
— Não sei muito bem — respondeu ele, erguendo uma das mãos para examiná-la. — Vou tentar uma coisa.
Uma bola de fogo se materializou na palma da mão de Amon, mas logo rateou e se apagou.
— Não entendo por que isso está acontecendo — disse ele.
— Espere um instante. Você consegue criar fogo com as mãos?
Ele fez que sim.
— Você é cheio de surpresas — comentei, assombrada.
Inspirei fundo algumas vezes e senti uma dorzinha insistente na base dos pulmões.
— Eu acho... que a gente está ficando sem oxigênio — falei, percebendo a dor no peito se tornar mais difusa. — Você precisa de oxigênio para conservar sua chama, e a falta dele também está afetando a luz do seu corpo.
Amon segurou minha mão e apagou sua luz. Uma escuridão mais profunda que a de um túmulo nos rodeou.
Desesperada para encontrar uma saída, passei a mão livre pela parede mais próxima.
— Tente ver se tem alguma saliência ou alavanca — sugeri. — Nos filmes de múmia sempre existe uma saída, é só encontrar. — Amon examinou a parede em frente à minha, em seguida passamos às outras duas. Quando estava fazendo a mesma coisa com o chão, encontrei uma reentrância na pedra. — O que você acha que é isso? — perguntei.
Amon veio até mim e pôs a mão por cima da minha até sentir a pedra que eu tinha encontrado.
— Não sei — disse ele.
Parecia um buraco curvo, como se fosse o molde de uma esfera, mas, por mais que empurrássemos ou batêssemos, nada acontecia. Sentei-me pesadamente e apoiei as costas em uma parede. Amon escorregou e sentou-se ao meu lado.
— Então é isso? — falei, mais para a tumba do que para Amon ou para mim mesma. — Vamos sufocar aqui dentro e pronto? E depois? As paredes vão nos esmagar?
Menos de um minuto mais tarde, ouvimos o barulho horrível de um mecanismo. Amon se levantou para investigar.
— Só pode ser brincadeira! — exclamei.
— O teto está baixando, Lily — disse Amon. — Fique o mais perto possível do chão.
— O que você vai fazer? — perguntei, e minha voz tremeu com a firme convicção de que o que quer que nós tentássemos não bastaria para nos salvar.
— Vou tentar segurar — disse ele, ofegante.
— Você vai ser esmagado — retruquei, minha voz saindo com um chiado.
— Não sei mais o que fazer.
Aos poucos, o teto foi baixando, e, por mais forte que Amon fosse, não havia como deter seu avanço.
Sentada ali encolhida, torcendo para Amon sacar da cartola algum de seus poderes secretos de deus do sol para nos salvar, pensei na minha morte iminente. Nesse instante, eu me dei conta de que a minha vida inteira havia se resumido essencialmente a ficar presa dentro de uma caixa. Muito adequado eu agora morrer dentro de uma.
Apesar de gostar de acreditar que era uma garota normal, que ansiava por uma aventura com um homem misterioso, a verdade é que eu não poderia estar mais longe de ser uma garota normal. Como um poodle mimado, fora condicionada a uma obediência cega e a só ir até onde minha coleira cravejada de diamantes permitisse. Quando o mundo se tornava louco demais, eu ficava tremendo aos pés dos meus pais e deixava que eles resolvessem tudo. Era uma covarde.
Aquela pequena aventura com Amon estava tão fora da minha zona de conforto que eu não sabia nem mais quem eu era. Minha carapaça externa tinha sido arrancada, e o que havia sobrado era uma garota exposta e assustada. Minha confiança em mim mesma, o cerne de quem eu era, e minha compreensão do que era real e do que era imaginário tinham sido dilaceradas. A base que constituía o âmago de Lilliana Young tinha ruído, e restava apenas um monte de entulho.
A ironia era que, enquanto aguardava a morte, percebi que agora estava finalmente vivendo. Eu estava experimentando o mundo. Tinha fugido de casa, ficado a fim de um cara que não sentia o mesmo por mim e viajado até o deserto. Precisava muito de um banho, fazia qualquer comentário incisivo que me passasse pela cabeça e pouco me importavam as consequências dos meus atos.
E agora ali estava eu, à beira da morte, me sentindo... feliz.
Estar com Amon era a coisa mais revigorante que já havia me acontecido, e, se fosse para minha vida acabar ali, pelo menos eu poderia dizer que a havia vivido em toda sua glória: suada, desconfortável, angustiante, assustadora e às vezes mortal, mas sempre emocionante.
Se era para deixar este mundo, eu o faria com um sorriso no rosto, e consideraria esse um fim condizente com a maior de todas as aventuras.
— Pensando bem, acho que prefiro morrer sufocada a ser esmagada — disse eu, chiando. — E você?
Amon ofegava.
— Por que está falando assim?
— Não sei. Acho que estou só aceitando o inevitável. Por favor, pare de gastar energia à toa — pedi, enquanto ele grunhia e cambaleava debaixo do teto.
O barulho de um sapato no chão de terra me informou que Amon tinha me dado ouvidos. Logo ele estava ao meu lado, tentando recuperar o fôlego em um espaço onde quase não havia mais oxigênio.
— Você também vai morrer? — perguntei.
— Talvez não de imediato, mas perder você vai me enfraquecer a tal ponto que provavelmente a minha morte seja inevitável. Pela primeira vez em milênios, terei falhado no meu dever.
— É. Eu sinto muito por isso.
Amon me abraçou e me puxou mais para perto.
— Não. Quem sente muito sou eu, jovem Lily. Não queria ter posto a sua vida em risco.
— É, bom, eu deveria ter sabido que andar com uma múmia não era uma aposta muito segura.
Estiquei as mãos acima da cabeça; agora era fácil encostar as palmas no teto. Amon e eu escorregamos um pouco mais para baixo, adiando o inevitável. Virei o rosto na sua direção, decidi jogar a cautela para o alto de uma vez e perguntei:
— Então, por acaso o peso da nossa situação não inspira você a repensar a ideia de me dar um beijo? Enfim, se eu vou morrer, gostaria muito de saber antes como é ser beijada.
— O peso da nossa situação... — murmurou ele. — Peso. Seria tão simples assim?
Com cuidado, Amon passou por mim até encontrar de novo a depressão circular. Começou a entoar um cântico, e senti as pontadas da areia quando esta passou silvando por mim.
— O que está fazendo? — sussurrei no escuro.
Sem me dar atenção, ele continuou, então deu um grito de alegria quando as paredes começaram a se mover e a estalar.
O teto subiu e o chão se deslocou. O movimento me fez perder o equilíbrio e rolar de lado. Uma rajada de ar frio varreu o recinto, e Amon segurou minha mão e me ajudou a levantar.
Uma suave luz dourada encheu meus olhos quando a pele dele recomeçou a brilhar, e ele apontou para o objeto que havia criado: uma bola de pedra que se encaixava como uma luva no buraco do chão.
— O que é isso? — perguntei.
— Certa vez escutei uma história sobre bolas usadas nas pirâmides. Uma bola de pedra com um peso exato era usada para abrir passagens e portas secretas. Nós estávamos indo na direção certa, mas não tínhamos a bola necessária para entrar.
— Quer dizer que a depressão que a gente encontrou era como uma fechadura e a bola era a chave?
— Isso. Exatamente.
A caixa mortal havia se aberto e revelado outra passagem. Quando atravessamos a porta, Amon se abaixou, pegou a bola que havia criado e jogou o pesado objeto – mais ou menos do tamanho de um grapefruit, mas com o peso de uma bola de boliche – dentro da minha bolsa antes de passar a alça pela frente do peito.
Então eu não iria morrer, afinal. A gratidão me invadiu e sorri, jurando lembrar que, mesmo nas mais árduas das circunstâncias, era melhor viver, explorar e enfrentar possíveis perigos do que passar o resto da vida acovardada dentro de uma linda caixa. Dali em diante, ousadia seria o meu nome.
— Acho que devíamos partir do princípio de que vai haver outras armadilhas pela frente — falei, ainda sorrindo.
— Sim. É preciso avançar com cuidado — disse Amon enquanto me encarava, intrigado, certamente tentando entender por que eu estava com um humor tão bom.
Ele não encontrou nada durante nosso cuidadoso avanço, e passamos ilesos por vários corredores. Depois de subir uma escadaria comprida, deparamos com outro conjunto de hieróglifos. Dessa vez havia uma indicação clara de que a tumba secreta que escondia o paradeiro do deus do sol estava próxima. Amon decidiu que, por estarmos tão perto de seu último lugar de descanso, deveríamos abandonar temporariamente a busca por seu irmão e verificar primeiro sua própria tumba, para ver se conseguíamos encontrar seus vasos canópicos.
Chegamos a uma parede de pedra com o símbolo do sol esculpido nela. Amon empurrou uma alavanca, que provocou um silvo seguido por uma explosão de poeira, que caiu sobre nós dois.
Uma fresta de luz surgiu. Destemido, ele empurrou a parede para aumentar a fresta e entramos na tumba. O recinto vazio estava iluminado por uma luz artificial. Abaixamo-nos para entrar na câmara seguinte, e a encontramos igualmente vazia.
Enquanto Amon estudava os hieróglifos que cobriam as paredes, fiquei onde estava e peguei o mapa que havia recebido na entrada.
— Amon, você sabe onde a gente está?
— Perto da minha câmara funerária.
— Sim, mas esta não é uma tumba qualquer. Esta aqui é a VR63. A tumba do rei Tut! — Amon me encarou como se estivesse esperando o fim da piada. — O que eu quero dizer é que esta é a tumba mais famosa deste complexo, e provavelmente não vamos ficar sozinhos por muito tempo. Temos que andar depressa.
Ele aquiesceu e tornou a se virar para as inscrições enquanto eu examinava o mapa.
— A gente entrou pela sala do tesouro, então isto aqui deve ser a câmara mortuária — murmurei comigo mesma. — À esquerda fica a antecâmara e logo depois dela o anexo. A passagem para sair fica por ali. — Apontei na direção vaga da saída.
Amon se virou para mim, abaixou a cabeça e sussurrou:
— Se eu estava mesmo enterrado aqui, não seria encontrado perto do faraó, nem no anexo ou na antecâmara. Minha tumba ficaria perto da sala do tesouro. Nós éramos sempre escondidos atrás dos objetos mais preciosos, assim os saqueadores paravam e não procuravam mais nada.
— Bom, pelo visto alguém achou você.
— É. Mas onde? Não há indicação nenhuma de que outra múmia tenha sido descoberta nesta área.
— Talvez você tenha sido transferido — sugeri.
— Quem sabe.
— Então talvez os seus vasos canópicos ainda estejam aqui.
— Pode ser.
Examinamos todas as paredes, mas não encontramos nada que indicasse uma câmara escondida ou vasos canópicos.
Faminta, peguei a maçã na bolsa e fiquei grata por Amon ter me forçado a levar alguma comida. Enquanto procurava outra garrafa d’água, uma laranja caiu no chão e foi quicando até parar em um canto. Quando a peguei, vi que ela havia rolado para uma depressão esférica parecida com a que encontráramos antes.
— Amon! Aqui!
Ele se agachou ao meu lado e sorriu.
— Você achou.
A esfera côncava tinha um sol gravado. Amon tirou da minha bolsa a pedra esférica de areia, sussurrou algumas palavras e a superfície se moveu até criar uma impressão exata do sol para se encaixar no molde no chão. Ele então encaixou a bola de pedra na depressão, girou-a devagar e um silvo audível ecoou quando o chão começou a se mover.
Uma parede se ergueu e bloqueou o acesso à sala do tesouro, e então o piso inteiro afundou como se estivéssemos dentro de um grande elevador. Quando parou, encontrávamo-nos vários níveis abaixo da tumba do rei Tut. Amon desceu, removeu a bola de pedra e o piso da sala do tesouro subiu até voltar à posição original. Como a luz foi embora também, ele acendeu a própria pele. À nossa frente estava uma câmara espaçosa sustentada por colunas de pedra. Inscrições gravadas profundamente e desenhos que representavam acontecimentos diversos, muito diferentes dos que víramos nas outras tumbas, cobriam as paredes. Vi o sol, a lua e as estrelas, as grandes pirâmides, imagens do deus com cabeça de girafa e uma figura que reconheci como Anúbis apontando para três homens que estavam sendo mumificados.
— O que significa isso tudo?
— Esta é a minha história. A minha tumba — respondeu Amon em voz baixa enquanto avançava pela câmara.
Ele parou diante de um grande sarcófago esculpido em madeira. O acabamento da peça era lindo, e soltei um arquejo ao me dar conta da semelhança com Amon. Delicadamente, acompanhei com o dedo as curvas de seu rosto na imagem na madeira.
— É você — sussurrei.
— Sim.
— Mas quando você acordou lá no museu tinha um sarcófago dourado. O desenho nele também se parecia com você.
— Não sei por que nem como fui parar naquele sarcófago. Talvez aqueles que nos protegem tenham feito um segundo sarcófago, ou talvez eu tenha sido trocado de lugar para proteger minha identidade, mas este é o sarcófago criado para mim por Anúbis.
— Por que ele não é dourado como o do rei Tut?
— Nem eu nem meus irmãos temos necessidade de colecionar riquezas ou de ostentar nosso poder com grandes tesouros. Nosso objetivo é apenas servir. Se houvesse boatos de ouro ou de um tesouro associados a nós, os ladrões e saqueadores não parariam de nos procurar.
— Eu gosto mais deste — falei, correndo a mão pela madeira encerada que fora gravada com grande habilidade e pintada com todo o cuidado.
O sorriso de Amon deu a entender que meu comentário havia lhe agradado, mas os seus pensamentos e emoções eram difíceis de interpretar.
— Amon?
— Sim?
— Por que o seu sarcófago está brilhando? Parece que alguém acabou de passar óleo nele.
Amon deu a volta até o outro lado.
— Não sei. Talvez os que cuidam de nós tenham passado por aqui. Acho que precisamos abrir. Para trás, Lily.
Ele levantou os braços devagar e iniciou um cântico. A tampa do imenso sarcófago estremeceu e se afastou da base. Era pesada, e os braços de Amon tremeram quando ele a empurrou para o lado. Abaixando os braços, ele pousou a tampa no chão com cuidado e esta se acomodou na areia antes de se apoiar na lateral do sarcófago com um baque forte. Fui até ele e propus compartilhar minha energia, mas ele me dispensou com um aceno e se encostou no sarcófago até recuperar o fôlego.
Eu não sabia exatamente o que ele ou eu esperávamos encontrar, mas não havia nada lá dentro. O imenso sarcófago estava vazio.
— Não entendo — disse Amon, espiando lá dentro. — Eu deveria ter despertado aqui. Como fui levado até a sua cidade?
— Alguém deve ter tê-lo transportado.
— Mas quem? Por quê?
— Talvez alguém que não quisesse que você despertasse no Egito. Você tem algum inimigo?
— A maioria das pessoas não sabe nem que eu existo.
— Mas algumas sabem. Quem poderia não querer que você realizasse a sua cerimônia?
— A cerimônia beneficia a humanidade inteira. O único que ela prejudica é Seth, deus do caos, mas ele não tem poder suficiente no mundo moderno para nos fazer mal.
— Tem certeza disso?
— Tanta quanto posso ter em relação a essas coisas.
— Hum... Bom, vamos por partes. Está vendo seus vasos canópicos em algum lugar?
Procuramos por vários minutos, mas não encontramos nada a não ser pó. Foi só quando eu estava voltando ao lugar por onde tínhamos entrado que reparei nos cones funerários que margeavam a entrada da tumba. De fato, perto do topo do arco faltava um cone. Chamei Amon. Ele me suspendeu nos ombros para eu poder olhar de perto.
Embora estivesse escuro no buraco onde o cone deveria estar, era inegável que havia algo lá dentro. Deixando de lado o temor, estendi a mão e toquei o que veio a ser uma estatueta. Na realidade, no vão em que deveria estar o cone funerário havia duas estatuetas aninhadas, ambas mais ou menos do mesmo comprimento de uma caneta. Peguei uma, depois a outra, e as passei para Amon.
Ele me segurou pelas mãos para me ajudar a descer de seus ombros, em seguida pegou as duas estatuetas e as examinou.
— O que são? — perguntei, observando-as.
Uma delas parecia um faraó antigo, com pequenas inscrições no tronco e os braços cruzados diante do peito. Era de um lindo tom verde-jade. Uma peça muito bonita, que devia valer uma fortuna.
A outra, menor, tinha quase metade da altura da primeira e era feita de pedra escura. A figura estava segurando um pergaminho grande rasgado ao meio. Seu formato lembrava o de um coração, e o rosto feio exibia uma expressão de deleite.
— São shabtis. Antigamente, os criados humanos eram enterrados junto com seus senhores, pois acreditava-se que fariam junto com eles a viagem até o além e continuariam servindo aos reis e faraós mortos.
— Que coisa mais bárbara! — A cara de incompreensão de Amon me fez explicar: — Que crueldade. Que horror.
— Pois é. Depois de algum tempo, essa prática se modificou, e os criados passaram a ser enterrados apenas simbolicamente. Essas estatuetas representam os indivíduos que serviam à pessoa que está enterrada aqui.
— Ou seja, esses caras deviam servir a você?
— Em teoria.
— E serviram? Você os encontrou no além?
— Não. Mas estou pensando...
— O quê?
Amon desviou o olhar das estatuetas para mim.
— Existe um encantamento.
— Não sei se estou gostando dessa conversa. Seus encantamentos não dão muito certo para mim.
Começando a ficar animado, Amon continuou:
— Mas, se eu as fizer despertar, elas podem usar seu poder para nos ajudar. Entendeu? Anúbis deve ter posto estas estatuetas aqui. Elas podem procurar meus vasos canópicos, e aí eu não vou mais precisar pegar sua energia emprestada. Nossa conexão pode ser desfeita sem pôr em risco...
Ele interrompeu a frase de modo abrupto, e estreitei os olhos.
— Sem pôr em risco o quê?
Ele fez um gesto no ar.
— Não importa. Os benefícios valem os riscos. Vou despertar as estatuetas — declarou.
— Espere aí, Houdini. Não acha que seria bom a gente conversar sobre isso? Enfim, precisamos mesmo de ajuda sobrenatural? Acho que estamos nos virando bastante bem sozinhos.
Amon segurou meu braço e deu um leve apertão. Um medo gelado que se esticava como finos dedos se movia dentro da sua consciência, sentimento que, percebi, ele havia tentado esconder de mim. Só consegui vê-lo por um instante antes que desaparecesse. Embora eu não conhecesse o motivo, o que o incomodava, fosse o que fosse, era terrivelmente real.
— Você precisa confiar em mim — disse ele, buscando desesperadamente meus olhos com os seus.
Na verdade, seu aperto estava machucando o meu braço.
— Está bem — falei baixinho. — Vamos fazer do jeito do deus do sol.
Amon deixou escapar um suspiro, soltou meu braço e fez uma careta ao me ver esfregá-lo. Estendeu a mão, tocou minha bochecha, então deixou os dedos escorregarem pela minha nuca e baixou a cabeça até fazê-la encostar na minha.
— Desculpe ter machucado você, Lily. Não foi minha intenção.
— Não faz mal — respondi.
Após alguns instantes, ele recuou um passo, pôs as duas estatuetas no chão e começou a entoar seu encantamento.

Criados shabti a mim atribuídos,
Vocês, que a putrefação desintegra,
Eu os convoco do reino dos mortos.
Nenhum obstáculo deverá detê-los em seu caminho até mim.
Venham! Venham para aquele que os chama.
Tornem aráveis os campos que me alimentam.
Represem as enchentes furiosas que me ameaçam.
Movam as pesadas pedras que me abrigam.
Quando a morte me procurar,
Levem-me embora em asas velozes,
Vocês, que me foram presenteados pelo grande deus Anúbis,
Seu dever é me servir, e a mim apenas.
A morte não é o seu fim, pois eu sou o seu início.
Quando eu os chamar do leste, do oeste, do norte ou do sul,
Vocês deverão dizer: “Eis-me aqui. Eis aqui o seu criado.”
Venham, shabtis, e abracem seu mestre!

Quando terminou, as estatuetas se mexeram e puseram-se a dançar sobre a terra batida como fogos de artifício. Os movimentos violentos foram ficando cada vez mais pronunciados, até elas levantarem voo e começarem a girar a uma velocidade estonteante.
Com um gesto, Amon indicou que eu deveria me aproximar. Então dei a volta nas estatuetas, passando bem ao largo delas, e segurei a mão que ele me estendia. A tumba cavernosa estremeceu, e me perguntei se, vários níveis acima de nós, os visitantes da tumba do rei Tut estariam sentindo o tremor da terra.
Uma explosão de fumaça negra que cintilava com pontinhos de luz envolveu as estatuetas e as cercou com grossos fios pretos. Em pouco tempo, não consegui mais ver as figuras. As nuvens de fumaça foram ficando cada vez maiores e então pareceram se recolher dentro de si mesmas e se solidificar em formatos semelhantes a homens.
Por fim, as silhuetas escuras acabaram de se formar, e dois homens vestidos da mesma forma que Amon quando eu o havia encontrado se materializaram diante de nós. O último lugar do qual a fumaça se dissipou foi ao redor de suas órbitas, e então ambos respiraram. Quando abriram os olhos, ainda tinham as íris cercadas de fumaça.
O mais alto dos dois tinha cabelos curtos, ondulados e grisalhos, um rosto bondoso e franco, e sobrancelhas marcantes. Imediatamente adotou uma atitude subserviente. O mais baixo tinha cabelos pretos encaracolados que se misturavam a uma barba cerrada. Seus olhos atentos absorviam tudo ao redor. Não foi o fato de ele se parecer com um pirata que me causou desconfiança, mas sim o jeito frio e calculista como nos encarou.
Na mesma hora, os dois se jogaram no chão e estenderam os braços.
Amon ergueu a mão e agitou os dedos, como tinha feito quando nos conhecêramos e ele não conseguia se comunicar. Então se dirigiu aos homens:
Shabtis, estão prontos para servir?
— Nada neste reino ou em qualquer outro poderia nos impedir — responderam os dois homens em uníssono.
— Nesse caso, tenho uma tarefa para vocês — disse Amon com um sorriso satisfeito.

Um comentário:

  1. Nada melhor nesse Halloween do que ler uma bela historia sobre múmias kkkkkkkkkkkkkkkk

    ResponderExcluir

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!