24 de setembro de 2016

Capítulo 26

— Ele estava perambulando pelo acampamento. Melhor eu ter encontrado do que qualquer um dos outros, não acha? — Della encarou Kylie. — Você quer falar com ele? — ela examinou Trey de alto a baixo. — É bonito. Se for seu tipo.
Kylie tentou falar, mas não conseguiu. Assim, ficou ali de boca aberta como uma tonta, olhando para Trey.
— Olá! — ele empurrou Della para o lado e entrou no quarto.
— Não tão rápido! — Della o puxou quase um metro para trás e olhou para Kylie. — Quer ficar com ele ou devo atirá-lo aos lobos? Ouvi dizer que estão famintos.
Trey, parecendo espantado pelo fato de Della, com seu pouco mais de um metro e meio, conseguir arrastá-lo com tanta facilidade, esfregou o braço no lugar onde ela o tinha agarrado e a encarou.
— Está tudo bem — disse Kylie finalmente.
— Obrigado — resmungou Trey, lançando um olhar curioso para Della. Kylie não soube dizer a quem ele estava agradecendo. Se a ela, por ter concordado em recebê-lo, ou a Della, por tê-lo trazido.
— Então até mais — Della inclinou-se para Kylie. — Ninguém sabe que ele está aqui, exceto eu. Portanto, não deixe ninguém saber — acenou para os dois, saiu e fechou a porta.
Trey esfregou de novo o braço, olhou para a porta e voltou-se para Kylie.
— Essa piranha, além de esquisita, é forte pra caramba!
Kylie olhou também para a porta, receando que Della entrasse como um furacão no quarto para tirar satisfações.
— Ela não é nenhuma piranha. É minha amiga. O que você está... Fazendo aqui?
— O que acha? Vim ver você.
Kylie balançou a cabeça.
— Você disse que seria na semana que vem.
— Mas tenho um primo que mora a alguns quilômetros daqui. Pedi à minha mãe pra vir antes, para poder te encontrar — viu então o celular na mão de Kylie. — Liguei pra você pelo menos duas vezes e deixei mensagens. Não recebeu?
Reconhecendo o esforço que ele tinha feito para ir vê-la, Kylie se sentiu culpada por ignorar suas chamadas e nem mesmo checar suas mensagens.
— Eu... Tudo tem sido uma loucura.
Algumas lágrimas ainda escorriam dos seus olhos. Kylie as enxugou e ficou olhando para ele. O cabelo castanho-claro de Trey só estava um pouco mais comprido do que antes, caindo sobre a testa. Vestia jeans e uma camiseta verde-escura. O olhar de Kylie passou para o peito de Trey, onde ela gostava de se aninhar. Por mais estranho que fosse, lembrava-se dele como um amigo. Ou lembrava-se de Derek?
— Você está chorando — Trey se aproximou, com um ar sincero de preocupação nos olhos verdes. — Você está bem?
A compaixão no olhar de Trey fez com que uma onda de emoção percorresse o corpo de Kylie. Ela parou de se preocupar com a aparência dele. Agora, só queria se sentir amada. Fez que sim com a cabeça, mas a verdade logo brotou dos seus lábios:
— Não. Tudo na minha vida está desmoronando.
Trey se aproximou e, antes que Kylie pudesse detê-lo, já estava fazendo que melhor sabia fazer: abraçá-la. Tinha se juntado a ela na cama de solteiro. O queixo de Kylie pousou em seu peito e ela ficou ouvindo as batidas seu coração. Aspirou seu perfume tão conhecido, fechou os olhos e se esqueceu de tudo por um momento. Apenas por um momento. Depois, o afastou.
— O problema é o divórcio de seus pais? — as mãos de Trey deslizaram carinhosamente pelas costas de Kylie. Era um toque agradável. Familiar. Normal. A vida como devia ser. A vida como costumava ser há menos de um mês.
— Não é só isso — disse ela, reconhecendo que não poderia falar nada sobre o acampamento e o que estava acontecendo com ela.
— Está se referindo à sua avó? — perguntou Trey. — Sei que vocês eram muito amigas.
— É — afastou-se um pouco, enxugou os olhos e o observou ali ao seu lado na cama estreita. O silêncio e uma súbita consciência física vibraram no pequeno quarto. Estavam sozinhos. Estavam numa cama.
Não é que nunca tivessem ficado numa cama antes. Trey a visitara várias vezes na ausência dos pais dela. E se encontraram em pelo menos duas ocasiões na casa de Sara, quando os pais dela também estavam fora. Mas... era quando as coisas iam longe demais. Quando pedir para que ele parasse o deixava furioso.
— Meu acampamento é bem perto do seu — disse ele.
Kylie assentiu e pôs para fora tudo o que tinha a dizer antes de perder a coragem.
— Você não devia ter vindo aqui, Trey. Nem sei em que tipo de encrenca vou me meter caso eles te peguem aqui.
Sabia muito bem qual era a regra número um: nada de pessoas normais no acampamento sem permissão. E aqui estava ela com uma delas na sua cama. Parecia certo e errado ao mesmo tempo.
— Sinto sua falta, Kylie — confessou Trey, ignorando o que ela tinha dito. — Eu realmente sinto sua falta.
Ergueu a mão e ajeitou uma mecha do cabelo dela atrás da orelha.
Kylie engoliu em seco.
— Eu também sinto sua falta, mas...
Trey se inclinou e beijou de leve o canto da sua boca. O que quer que ela fosse dizer evaporou-se. Fechou os olhos e, embora uma voz interior recomendasse para parar, isso era justamente o que ela não queria. Espera que ele a beijasse e a fizesse esquecer tudo.
Sim, queria esquecer tudo.
Os lábios de Trey tocaram os dela, devagar a princípio, como que para ter certeza de que ela desejava aquilo; depois, sua língua invadiu sua boca. Ela adorava quando ele a beijava daquele jeito.
Quando voltou a si, a mão de Trey estava subindo pelas suas costas, por baixo da blusa; se não o detivesse, sabia muito bem o que iria acontecer. Ele desabotoaria seu sutiã. Acariciaria seus seios. E ela sempre achava aquela carícia deliciosa. Uma vez, tinha deixado até que ele tirasse sua blusa.
Sentiu as mãos de Trey no fecho do sutiã. Ele intensificou o beijo, como que para distraí-la. Kylie resolveu deixá-lo ir em frente. Mas, e depois? A pergunta ficou no ar. Iria detê-lo, certo? Sempre o detinha. Foi esse o motivo que o levou a deixá-la, a começar a sair com a outra garota... Partindo, assim, seu coração.
Kylie abriu os olhos e interrompeu o beijo.
Com os olhos bem abertos ela o fitou, tentando encontrar uma razão para não detê-lo dessa vez. Queria mergulhar naqueles olhos... No brilho daquelas raias douradas. Mas, que droga, Trey não tinha raias douradas nos olhos verdes. Derek, sim. Chocada, empurrou Trey e lembrou-se de como tinha sido bom se apoiar no peito de Derek ainda naquela manhã de como tinha se sentido segura e aceita.
— Eu... Acho que não devíamos...
— Shhhhh. Por favor, não diga isso — pousou um dedo sobre os lábios dela. — Está tão bom, Kylie! Quero te abraçar, te tocar. — A mão de Trey deslizou para frente e passou suavemente por cima de seu sutiã, deixando seus seios rígidos. — Que há de errado em ficarmos juntos se a gente se ama? Você sabe que eu te amo, não sabe? Eu te amo.
Eu te amo.
Essas três palavras ecoaram como uma canção suave em sua cabeça. Ele se aproximou para mais um beijo. Ela queria desesperadamente ser amada. Seria muito bom, Kylie admitiu para si mesma. Isso a ajudaria a se esquecer de tudo. Deixou-se levar novamente pelos beijos de Trey. Sentiu suas mãos avançarem pela pele nua das costas até o fecho do sutiã. Ao contrário de antes, o abriu em questão de segundos.
Sem dúvida porque já tinha praticado muito. Esse pensamento congelou as emoções que ferviam dentro dela. Ou seria o frio que de repente invadiu o quarto? Meu Deus o soldado Dude estava de volta! Aqui. Agora. Observando-a se agarrando com Trey.
— Sinto muito, não posso fazer isso — afastou-se e ficou de pé ao lado da cama, olhando apenas para Trey. Vá embora, ela ordenou à sensação de frio e fechou os olhos.
Ao abri-los, percebeu que o calafrio tinha passado. Fitou Trey novamente estirado na cama contemplando o teto com uma cara feia.
— De novo, não — murmurou ele, com raiva. Sempre ficava louco com ela quando o interrompia. Uma vez, na casa dela, ele tinha ido embora sem dizer uma palavra.
Kylie, sem querer, se pegou comparando Trey a Derek. Não apenas o corpo, quesito em que Derek vencia de longe, mas a atitude. Por alguma razão, concluiu que Derek jamais a pressionaria tanto. Nem ficaria tão fora de si se ela se recusasse.
Um assomo de raiva misturou-se às suas outras emoções, calando a paixão, o desejo e até o medo.
— Quem você pensa que é, Trey? Não pode simplesmente invadir o acampamento e esperar que eu transe com você, principalmente depois de tudo o que aconteceu.
Ele se sentou e passou a mão no rosto.
— Não vim aqui para transar — disse, expelindo com força o ar dos pulmões. — Vim aqui para conversar. Também quero, sim, transar. E não entendo por que você...
— Já não basta ter terminado comigo e encontrado alguém disposto a te dar o que você queria? — por que tinha perguntado aquilo ela não sabia, pois já tinha acontecido e nada poderia mudar.
Trey fechou a cara.
— Dormiu com ela? — prosseguiu Kylie, embora no fundo soubesse a resposta. Mas, de algum modo, queria uma confirmação.
Ele não disse uma palavra. Nem precisava. A confirmação estava estampada em seu rosto.
— Você também disse que a amava? — essa ideia feria seu coração.
A culpa transbordou dos olhos de Trey. Ainda assim, ele sacudiu a cabeça se dispôs a negar.
— Não, não dormi com ela. E por que diria que a amo se amo você?
Kylie não era um superdetector de mentiras como Della, mas mesmo assim percebeu que Trey não estava falando a verdade e sua vontade foi atirar alguma coisa nele.
— Não minta, Derek!
— Derek? — Trey se sentou na cama. — Quem é Derek?
— Trey — corrigiu ela.
— Quem é Derek? — insistiu Trey.
Kylie balançou a cabeça.
— Não importa. Nós... Você e eu já não estamos mais juntos, de qualquer maneira.
— Então vocês estão juntos?
Kylie negou com a cabeça. Mas, percebendo o equívoco que cometera, encarou o fato de que aquilo era em parte culpa sua.
— Sinto muito. Deveria ter dito “não” quando você me perguntou se poderia te encontrar. Não posso te encontrar agora nem na próxima semana.
Trey parecia profundamente magoado. Kylie, assim como sabia que ele tinha mentido sobre ter dormido com a garota, soube com certeza que a magoa em seu rosto era real. Sim, Trey se importava com ela. Não queria apenas transar.
— Está ficando com alguém? Com o tal Derek? — Trey saltou da cama e parou bem diante dela. — Sei que errei, Kylie, mas... Por favor, me dê outra chance. Eu realmente sinto falta de você — ergueu a mão para tocá-la.
Kylie afastou a mão dele.
— Acredito que sinta minha falta, Trey. Acredito mesmo. Mas não posso fazer isso agora.
— Não precisamos transar. Podemos só conversar, que tal? Vou esperar até que esteja pronta, eu juro. Vamos sair para comer uma pizza ou coisa parecida. Estou com a picape do meu pai e...
— Já jantei. Onde estacionou a picape?
— No portão da frente. Mas, por favor...
— Não posso — disse ela.
— Não me diga que não sente mais nada por mim. Namoramos por quase um ano.
— Nem sei mais o que sinto — enfiou a mão por baixo da blusa e fechou o sutiã. — No momento, estou confusa com relação a tudo. Só o que sei é que você me magoou, Trey. Quando as aulas recomeçarem talvez possamos... Conversar. Mas agora você tem que ir antes que alguma coisa muito ruim aconteça.
— Por exemplo? — perguntou Trey e uma sombra de algo bem próximo da repugnância cobriu o seu rosto. — É verdade o que contam deste lugar?
— Quem conta?
— Meu primo e os outros campistas do ano passado. Dizem que todos os frequentadores daqui são delinquentes juvenis da pesada. Gente muito esquisita.
Poucos dias antes, ela concordaria inteiramente com Trey, mas agora...
— Não acredite em tudo o que ouve — apanhou o celular da cama. — Apenas acredite em mim, está bem? Agora, precisa ir — e apontou para a porta.
Ela o guiou pelo bosque, parando a poucos passos da trilha que conduzia ao refeitório. Quando chegaram ali, olhou em volta para ver se a barra estava limpa. Sentiu um grande alivio ao perceber que não havia ninguém à vista. Empurrou Trey pelo portão e suspirou aliviada quando se aproximaram da picape.
Trey virou-se para ela.
— Eu te amo de verdade — disse.
Kylie fez apenas um sinal de cabeça, apressando-o.
Ele se aproximou e Kylie deixou que ele a abraçasse. Até correspondeu. Suas emoções afloravam de novo. Bem no fundo, admitia que, e embora nunca fosse perdoá-lo por tê-la abandonado, uma pequena parte dela o queria. Talvez, quando as aulas recomeçassem, seus sentimentos seriam outros. Mas, por enquanto...
Kylie continuou parada no estacionamento vendo a picape se afastar, até que os faróis traseiros desapareceram na noite. Naquele momento testou estar sozinha. Ao voltar-se, porém, descobriu que tinha se enganado. Não estava sozinha: alguém, no portão, a observava. Não podia ver quem era, mas rezou para que não fosse Holiday nem Sky. Aproximando-se, reconheceu seu espião solitário. Não era nem Holiday nem Sky. Era pior.
Fredericka.
Decidida a não demonstrar seu medo, Kylie passou por ela. E quase nas imediações do refeitório quando Fredericka se adiantou e postou-se à sua frente. Kylie conseguiu parar antes de se chocar com ela.
— Então a Garota Fantasma teve companhia, hein? — disse Fredericka num tom de falsa condescendência. — O que fizeram? Treparam na sua cabana?
Kylie bem que gostaria de saber se o fato de ter começado a se transformar numa loba explicava tamanha maldade naquela garota ou se ela sempre fora assim.
— Se fiz isso, pelo menos foi numa cama e não no mato como certas pessoas que conheço.
Os olhos de Fredericka passaram de negros a vermelho escuro numa fração de segundo. Kylie não entendia nada de cores de olhos de lobisomens, mas adivinhou que aquilo significava raiva. Concluiu então que não tinha sido nada bom irritar a loba. Sabia que pessoas como Fredericka gostam de se aproveitar dos mais fracos. Não podia permitir que ela soubesse o quanto a intimidava.
Fredericka rosnou:
— Holiday e Sky sabem que você andou recebendo visitas? Acho que devo contar a elas — sua voz estava rouca e mais grave.
Justo nesse momento Kylie viu Holiday saindo do refeitório. Por mais que a aborrecesse a ideia de Holiday saber de seu encontro com Trey, não permitiria que aquela garota a chantageasse. Passou rapidamente por Fredericka e parou diante de Holiday.
— Oi. Um amigo meu apareceu por aqui sem ser convidado. Sei que é contra as regras do acampamento. Não sabia que ele iria vir, então o mandei embora. Não acontecerá de novo.
Holiday ficou séria, parecendo que ia lhe passar um sermão. Em seguida, olhou por cima do ombro de Kylie e, quando a fitou novamente, a raiva havia passado.
— Obrigada por me contar. Cuide para que não aconteça de novo. Só permitimos visitas aos domingos. Não podemos tolerar que gente normal fique farejando por aí sem ser convidada.
Kylie baixou a cabeça, concordando.
— Entendo — disse ela. Virou-se e foi para sua cabana, rezando para que Fredericka não a seguisse.


Por volta de nove horas da noite, Kylie manteve a promessa que havia feito a mãe e ligou para o pai. Foi uma conversa rápida, mas que doeu tanto quanto uma dor de dente. Não se queixou pelo fato de ele não ter ido vê-la antes da viagem para o acampamento. Também não mencionou que ele não foi buscá-la na delegacia.
Nem ele tocou no assunto.
Só disse que a amava, que sentia saudade dela e que a veria no domingo, no dia da visita dos pais, pontualmente às dez horas. Ah, mas agora tinha que desligar porque estava com um cliente.
Finalizando a chamada de sessenta segundos, Kylie lembrou-se de que a mãe sempre acusava o pai de colocar o trabalho à frente da família. Na época, achava mais fácil o serviço de meteorologia prever neve no inferno do que acreditar em sua mãe. Agora, porém, se perguntava quantos centímetros de neve tinham sido previstos. Entrando no quarto, estirou-se na cama e agarrou o travesseiro malcheiroso. Mas, dessa vez, não chorou.
Talvez estivesse apenas com raiva demais de Fredericka. Ou talvez ainda não tivesse se recuperado da sessão de carícias com Trey – a quem acidentalmente, chamou de Derek. Tinha medo de estar gostando de Derek só porque ele se parecia com Trey. Com Trey, a lembrança de Derek a perturbava. Isso sem falar na atração/medo que sentia por um certo lobisomem de olhos azuis. Seria possível confusão maior?
A porta da cabana se abriu e fechou com estrondo. Kylie já saía da cama para receber Della e Miranda quando percebeu, pelo tom de voz, que elas estavam brigando de novo.
— Fui eu que liguei o computador! — gritou Miranda.
— Vou chutar esse seu traseirinho sem dó! — replicou Della.
— Escute aqui, sua vampirinha de merda!
Kylie irrompeu no quarto. Della estava sentada diante do computador rosnando e mostrando os dentes afiados. Miranda, de pé e com o queixo levantado, agitava o dedo mínimo no ar enquanto proferia ameaças.
— Parem! Estou farta disso! — gritou Kylie. — Vocês não podem brigar como pessoas normais?
Miranda virou-se para ela.
— E por que brigaríamos como pessoas normais?
— Não somos normais — ponderou Della. — Você também não é. Quanto mais cedo aceitar isso, melhor.
— Isso não é de sua conta — sibilou Kylie. — Ótimo, vão em frente e se matem. Só não deixem sujeira no chão, porque não vou ficar recolhendo pedaços de corpos — virou-se para voltar ao seu quarto, mas lembrou-se do motivo por que estava ali. — Ah, e se vocês me ouvirem gritando no meio da noite, não se preocupem. São apenas terrores noturnos — e deu- lhes as costas.
— Espere um pouco, senhorita Espertinha — gritou Della. — Acha que vai se fechar naquele quarto sem dar nenhuma explicação?
— Já expliquei. São apenas terrores noturnos.
— Não estou falando disso. Quero saber do carinha que apareceu no acampamento atrás de você. Ou se esqueceu do presentinho que eu te trouxe?
Kylie gostaria de ter esquecido. Vendo a curiosidade nos olhos das duas amigas e sabendo que Della poderia ter se metido numa bela encrenca por ter trazido Trey, reconheceu que elas mereciam uma satisfação. Entrou na cozinha e puxou uma cadeira.
— O nome dele é Trey. Já é passado.
— Era gostoso? — perguntou Miranda, sentando-se ao lado de Kylie.
— Numa escala de um a dez, oito — encarregou-se Della de responder. Depois, virando-se para Kylie: — Por que ele já é passado? — afastou-se do computador e sentou-se na frente delas.
— Porque me deixou por causa de uma cadela — explicou Kylie.
— Babaca — murmurou Miranda.
— Aquele merdinha — disse Della. — Se você tivesse me contado, eu teria dado uma lição nele.
As três ficaram em silêncio, olhando uma para a outra. Miranda estendeu as mãos sobre a mesa.
— Então, se ele a deixou por uma cadela... Isso significa que vocês nunca... Bem, você sabe.
— Ela sabe o quê? — interveio Della. — O que está perguntando?
— Quero saber se ela já transou — disse Miranda. — Você é virgem, Kylie?

7 comentários:

  1. Que amiga direta essa..!!

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  2. unicornio malandrão4 de outubro de 2016 17:06

    vai Lucas arrasa uuuhhhuuulll

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  3. mano eu tava torcendo para Lucas entrar no quarto

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  4. ai quando ela e lucas vao começar a ficar ...poxa que ansiedade

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