18 de setembro de 2016

Capítulo 26

— Vocês devem ser o Sr. e Sra. Maitland — disse o homem atrás da mesa, sorridente, quando entramos. — Eu já estava quase desistindo.
— Desculpe pela demora. — Sorri para ele. — Meu marido teve uma reunião de negócios. Posso colocar isto aqui? — Indiquei a bolsa de ginástica a tiracolo. — Está pesada.
— Ah, por favor, pode deixar comigo. — O homem, mais alto do que eu esperava, embora Becca tivesse me avisado, veio rapidamente do outro lado da mesa reluzente pintada de preto para me ajudar com a bolsa. Ele a colocou onde eu pretendia pousá-la, ao lado de uma estátua de gesso de uma jovem bailarina, parada na terceira posição. Seu tutu era de tule preto de verdade.
— Você deve fazer ginástica — disse o homem para mim, rindo; a bolsa pesava muito.
— Faço, sim. O senhor é o Sr. Delgado?
— Sou. — Ele esticou a mão direita. Tinha cabelos grisalhos curtos, que indicavam que ele devia ter sido louro no passado, e uma barriga considerável. — James Delgado. Prazer em conhecê-la, Sra. Maitland.
Tentei não demonstrar minha náusea quando envolvi meus dedos nos dele.
— Prazer. — A mão dele era como qualquer outra, embora tivesse matado Lucia, um cavalo e, até onde eu sabia, várias outras criaturas inocentes também.
Usava óculos de haste fina e tinha as mãos grandes e calejadas de uma pessoa que havia trabalhado, pelo menos por certo tempo, a céu aberto – talvez em estábulos. Parecia-se um pouco com Papai Noel, pois a barba, os óculos e a barriga o envelheciam. Segundo a licença de funcionamento que Cee Cee havia encontrado on-line para a loja dele – depois de muito reclamar – James Delgado tinha 35 anos.
Olhando para ele, seria impossível adivinhar que era um assassino de crianças.
Paul, claramente, não fazia ideia.
— Esse cara é o fotógrafo? — perguntou em um sussurro alto, diretamente em minha orelha. Embora eu tivesse soltado a gravata dele assim que entramos na loja, ele ainda estava grudado em mim feito cola. Parecia confuso, provavelmente por causa da ceninha antes de entrarmos na loja, quando falei que ele havia libertado alguma coisa dentro de mim. Ele ainda não havia entendido que não era nada de bom.
Dei o tipo de olhada irritada que uma esposa rica daria para o marido infeliz.
— Sim, querido. Lembra? Nós conversamos sobre isso.
— Conversamos? — Paul era muito mais lento para pegar minhas deixas que Jesse.
Ficou olhando para as paredes, que, assim como o exterior, eram pintadas de preto. Isso fazia com que as fotografias penduradas se destacassem mais. Até o chão e o teto eram pretos.
Muito ousado, foi o que o jovem Jimmy Delgado deve ter pensado quando criou o conceito.
Dei um sorriso sem graça para ele.
— Desculpe, Sr. Delgado. Meu marido, Victor, esteve em reuniões o dia inteiro. Não tive tempo de discutir o assunto com ele a fundo.
— Eu entendo. — Delgado deu um sorriso simpático para Paul. — Que pena que o senhor só veio para o fim de semana, Sr. Maitland. E para uma conferência! Carmel é simplesmente linda nesta época do ano. Mas não se preocupe porque já garanti a sua esposa que posso encaixar suas filhas na agenda. Coincidentemente, cancelaram um horário amanhã (a aniversariante pegou um resfriado), então não tem problema se vocês quiserem deixar suas lindas filhas aqui para as fotos de rosto. Você e sua esposa não precisam nem ficar se quiserem ter um tempinho a sós. Meu assistente e eu estamos acostumados com trigêmeas agitadinhas.
Depois desse discurso, tive de pegar o antiácido na bolsa, então não vi a expressão facial de Paul quando perguntou:
— Trigêmeas?
— Isso mesmo, querido. — Peguei o celular, além das pastilhas, e achei a foto que as trigêmeas haviam tirado de si mesmas e definido como fundo de tela no dia anterior. — Marquei um horário para o Sr. Delgado fazer uns retratos de suas filhas.
Paul parecia mais confuso que nunca.
— Mandei umas fotos delas para o Sr. Delgado mais cedo — continuei — e ele respondeu rapidamente. Acha que elas têm potencial de verdade como modelos. Eu também acho. Você não?
Mostrei a foto de Flux, Flocos e Rabo de Algodão. Ele pegou o celular e olhou para as fotos sem mostrar nenhum sinal de reconhecimento.
— Hum, claro, querida — disse ele. — O que você quiser.
A julgar por sua expressão, ficou óbvio não apenas que ele jamais tinha visto uma foto das trigêmeas na vida, mas também que estava magoado – magoado porque a única razão de estarmos no estúdio era para enganar Delgado, e não para que eu tirasse as roupas e fizesse um pôster profissional e brilhoso de mim em toda a minha glória nua, talvez posando graciosamente com um leque de penas.
Se Paul vinha lendo os e-mails de Cee Cee, devia estar pulando os textos de Debbie, porque eles sempre incluíam uma foto das trigêmeas.
Mesmo assim, vendo o rosto delas tão perto do dele, fiquei mais que convencida de que tinham laço sanguíneo. Elas podiam ser clones dele, exceto pelo fato de as meninas terem tranças e sardas.
Paul me devolveu o celular e sussurrou:
— Isso tem a ver com alguma merda de fantasma?
— E você só se ligou nisso agora? — sussurrei de volta.
— Juro por Deus, Simon, se isso nos atrasar para o jantar...
— Ninguém falou nada sobre atraso para o jantar.
A mandíbula dele se tencionou. Os olhos azuis se estreitaram para mim.
— O acordo foi que a gente ia...
—... jantar às 8 da noite. Com sobremesa depois. Não se preocupe, não vamos nos atrasar. — Apertei um botão do celular e falei com a voz mais alta: — Victor disse que amanhã está ótimo, Sr. Delgado.
— Ótimo, ótimo! — Delgado bateu palmas e voltou para o outro lado da mesa. — Espero que vocês não achem presunçoso demais, mas, se não se importam, imprimi um contrato curto, e seria muito bom se vocês pudessem assiná-lo; assim deixamos tudo adiantado para amanhã e estaremos preparados quando deixarem as meninas. Não é nada complicado, acho que vocês vão concordar, é apenas um acordo de cancelamento, instruções sobre direitos de reprodução, esse tipo de coisa. Detalhes, na verdade.
— Ah, Victor assina com prazer — falei, dando um tapinha no ombro do Paul. — Não é, Victor?
Não dava para acreditar que havia pais no mundo que seriam idiotas o suficiente para cair no papinho daquele cara. Alguém realmente deixaria a filha sozinha com aquele doente?
— Claro — disse Paul, com um suspiro, e foi até a mesa. — Eu assino.
Bem, isso respondia minha pergunta.
Enquanto Delgado explicava o “contrato curto” para Paul, fui caminhando pelo estúdio, fingindo admirar as fotos horrendas. Algumas não eram fotos de crianças, mas paisagens ou close-ups exagerados de rostos cansados de mendigos, que Delgado imprimiu cinco vezes maior que o tamanho normal. Ele devia achar que isso o tornava extremamente sensível e artístico.
Vários criminosos que mediei antes se entendiam dessa forma: deslocados que ninguém no mundo era capaz de entender. A sociedade simplesmente não era sensível o suficiente para compreender o sofrimento deles. Era por isso – na opinião deles – que não estavam de fato descumprindo a lei: a lei não se aplicava a eles porque eram tão especiais.
Sem brincadeira. Já ouvi isso mil vezes.
Havia outra sala conectada à galeria principal. Parecia o escritório do Delgado. A fim de manter o tema preto e branco, tudo na sala era branco. Ninguém estava à mesa. Havia outra porta partindo dessa sala. Eu a abri e vi que levava a um banheiro bastante espaçoso e arrumado, sem janela, também branco.
Não havia outras portas.
— Então seu assistente não está aqui agora, Sr. Delgado? — perguntei, quando voltei à galeria principal.
— Não — disse ele com um sorriso cheio de pesar. — Deixei-o ir para casa mais cedo hoje. É sexta-feira, e com esse tempo maravilhoso que está fazendo ultimamente, ele queria ir à praia. Como eu ia dizer não?
— Como? — Olhei para a vitrine, por entre os retratos gigantes que estavam presos ali, e vi algumas pessoas caminhando lá fora. Era hora do jantar, e estava ficando frio. Todas as pessoas sãs já estavam em algum lugar fechado. — Nós fomos seus últimos clientes?
— Sim, mas valeu a espera. Fico feliz que o Sr. Maitland tenha concordado. — Abriu um sorriso para Paul. — Não é todo dia que fotografo trigêmeas.
Levantei a mão e peguei o cordão que fechava as persianas da vitrine. Puxei com tanta força que as palhetas de metal se fecharam com um barulho alto.
— Opa! — exclamei. — Que desastrada.
— Ah. — Delgado estava sentado à mesa. O sorriso desapareceu, mas ele não pareceu preocupado. — Tudo bem, Sra. Maitland. Isso acontece, hum, o tempo todo.
— Acontece? — perguntei. — E isso? — Fui até a porta de entrada e a tranquei.
Agora ele começou a parecer preocupado. Olhou para Paul como se buscasse apoio. Isso pareceu fazer com que ele se sentisse melhor, visto que Paul olhava para mim. Mas não parecia preocupado. Parecia exasperado.
— Suze — disse ele —, pare com isso. Achei que a gente tivesse vindo aqui para...
— Para quê, Paul? — Eu me abaixei e abri a bolsa de ginástica. — Para fazer umas coisinhas ousadas? Ah, não se preocupe. A gente vai fazer. Só que não do jeito que você achou.
— Pensei que seu nome fosse Victor. — Delgado olhou para Paul, confuso.
— Achou? — Paul olhou para ele com raiva. — Victor Maitland? O vilão do filme dos anos oitenta, Beverly Hills Cop? Então você deve ser mais otário que eu, porque podia ter pesquisado o nome quando ela ligou para marcar a visita, seu idiota, mas não pesquisou. Eu percebi na hora, mas não saí logo, como devia ter feito. Agora ela pegou nós dois. — Paul se virou para me olhar e suspirou quando viu o que eu tinha tirado de dentro da bolsa. — Ah, que ótimo. Não tem fantasia de coelhinha nessa bolsa, tem?
— Infelizmente para você, não. — Apontei o rifle para os dois. — Jimmy, tire a mão desse telefone ou coloco uma bala em seu peito.
— Faça isso, e os vizinhos vão ouvir e chamar a polícia.
Delgado não soava mais como um fotógrafo bajulador. Soava mais como um homem que pode ter matado uma menininha assustada um dia. Porque ela não entendia o sofrimento dele, é claro. Tinha certeza agora de que ele deve ter racionalizado as coisas para si mesmo dessa forma.
— Não me importo — falei, e mirei com cuidado. Ele estava usando uma camiseta preta, para acompanhar o tema do local, com um sorriso amarelo no meio. Era um alvo fácil. — Vai valer a pena acabar na prisão se for para matar você.
— Suze — disse Paul. Ele, assim como Delgado, estava com as mãos para o alto. — Pense bem. A Califórnia tem pena de morte. Você realmente quer parar na cadeira por matar um cara cujo único crime é tirar fotos muito ruins?
— Ei — disse Delgado, ofendido. — Já ganhei vários prêmios.
— Sério, cara? — Paul parecia enjoado. — De quem, de sua mãe?
— Paul. — Chutei a bolsa. — Pare. Tem algemas aí dentro. Pegue-as e as coloque nele.
Paul abaixou as mãos, aliviado.
— Ah, porra. Achei que você também estivesse irritada comigo.
— Eu estou irritada com você, Paul — falei, mantendo a espingarda virada para os dois. — Mas agora preciso de sua ajuda. Então pegue essas algemas.
— Ok. — Paul se abaixou para vasculhar a bolsa de má vontade. — Mas, se você acha que é assim que vai ser quando a gente se casar, Suze, eu te ajudando com suas missões loucas de boa ação com fantasmas, você está chapada. — Revirei os olhos.
— Paul — falei —, eu ainda posso atirar em você, considerando meu humor no momento, e não posso prometer que será apenas para ferir. Então tente ficar bonzinho, ok?
Ele vasculhou com mais empenho.
— Já entendi. Você está chateada por causa do negócio do Jesse. Talvez eu tenha ido longe demais. Posso suspender a demolição. Vai me custar dinheiro, mas posso fazer. Mas armas, Suze? E — ele pegou a arma de choque da bolsa e ficou pálido — essas coisas? Sério?
Enquanto isso, Delgado tinha suas próprias preocupações.
— Quem mandou você? — falou ele, mal-humorado. — Se é por causa do dinheiro, pode falar para Ricky que já arrumei.
— Não foi Ricky. Não conheço nenhum Ricky. Foi Lucia Martinez. — Mantive a mira da espingarda no centro da camiseta sorridente. — Lembra-se dela, Jimmy? Estudou na Sagrada Trindade.
Delgado pareceu um pouco aliviado. Quem quer que Ricky fosse, ele o assustava mais que a memória do que havia feito com Lucia. Baixou as mãos ligeiramente.
— Mas aquilo foi um acidente. Todo mundo sabe que foi só um acidente.
Rangi os dentes.
— Se eu ouvir a palavra acidente mais uma vez... Tem uma testemunha que diz o contrário.
Delgado pareceu confuso.
— Testemunha? Que testemunha?
— Uma testemunha que me contou exatamente como você a matou. Como assustou o cavalo da Lucia de propósito, depois foi atrás dela pela floresta Del Monte e, quando a alcançou, como a puxou do cavalo e a jogou de cabeça no riacho.
— Não. — A cor do rosto de Delgado mudou sob a luz clara do estúdio. Estava agora tão vermelha quanto os calos das mãos. — Nada disso é verdade.
— É tudo verdade — respondi. — Já falei, existe uma testemunha.
— Não! — gritou ele, se levantando bem na hora que Paul se aproximou com as algemas. — Não tinha testemunha nenhuma! Não tinha mais ninguém lá!
Dei uma risadinha para ele.
— Exceto você, não é? Por isso tem tanta certeza.
Delgado, percebendo que havia acabado de confessar um assassinato, disparou para longe da mesa. Eu já sabia que ele ia tentar alguma coisa – os ratos, quando cercados, sempre acabam tentando. Até mesmo os domesticados, como Romeo, atacam caso se sintam ameaçados.
Mas o erro de Delgado foi partir para cima de Paul, e não para mim. Ele pulou de trás da mesa e deu uma chave de braço no outro.
— Para trás! — berrou ele. — Para trás, ou juro por Deus que quebro o pescoço dele.
Paul pareceu bastante descontente com o rumo da cena.
— Hum, Suze... — disse, engasgado. — Acho que ele está falando sério.
— Não se mexa, Paul. — Fui andando calmamente até eles, espingarda empunhada.
— O q-que você está fazendo? — exclamou Delgado. — Eu falei para ficar longe!
— É — reforçou Paul. — Ele mandou ficar longe, Suze.
— Se abaixe, Paul — falei, e, quando cheguei perto o suficiente, girei a espingarda como um taco de beisebol, batendo na lateral da cabeça do fotógrafo. Ele cambaleou e caiu lentamente, mas precisei dar mais umas duas pauladas para convencê-lo a ficar ali.
— Porra, Suze! — exclamou Paul, quando Delgado caiu por cima dele, prendendo-o no chão sob seu peso. — Tire ele de cima de mim. Tire ele de cima de mim!
— Estou tentando. Pare de ser um bebezão. — O homem pesava uma tonelada. Felizmente, não estava morto. Eu não quis matá-lo, é claro. Foi por isso que tentei evitar a têmpora. Jesse havia me explicado certa vez que, na emergência do São Francisco, vê mais ferimentos cerebrais severos causados por socos em lutas de bar que por tiros. Um soco bem dado podia matar com a mesma certeza que uma bala.
— Graças a Deus — disse Paul, se levantando desajeitadamente e ajustando o terno quando finalmente conseguiu rolar Delgado para longe de si. — E você chamou quem de bebezão? Acho que tenho o direito de reclamar. Virei cúmplice de sequestro e tentativa de assassinato. Esse cara matou mesmo uma menininha?
Fiz que sim.
— Ela estava no primeiro ano do fundamental naquela época.
— Eca. — Ele fez uma careta. — E eu achando que essa arte horrenda era seu único crime. Ai, não. — Notou uma mancha na manga. — Suze, este terno vale 6 mil dólares. Quem vai pagar por isso?
— Você que é o multimilionário. Se vire. Vem, vamos algemá-lo antes que acorde. Quero dar uma olhada no computador e ver se acho alguma coisa que possa usar para conectá-lo ao assassinato ou a qualquer atividade criminosa. Você ainda anda com uma mordaça?
— Ah, Suze. — Ele apontou para o bolso externo. — Sempre.
— Então faça bom uso dela. Não quero os berros do Sr. Delgado incomodando os cidadãos que passeiam pelas lojas do centro de Carmel.
Paul fez o que mandei enquanto eu apagava todas as gravações do sistema de segurança da loja (que consistia em um conjunto de sete câmeras de vídeo – Delgado era obviamente um fã do “Em Casa com Andy” e seus métodos de faça você mesmo – em dois cantos do estúdio) e vasculhava o computador em busca de provas incriminadoras. O computador não tinha senha, o que me fez acreditar que não encontraria nada de interessante ali.
No entanto, depois de abrir uma gaveta trancada na base da mesa preta – o que foi fácil com uma das chaves que encontrei no bolso de Delgado – descobri o verdadeiro computador – um laptop protegido não apenas por uma senha, mas também por uma Magnum .44. Carregada.
Nossa. Sorte minha que a gaveta estava trancada. Não tanta sorte para Jimmy.
Embaixo do laptop havia um porta-valores. Nenhuma das chaves no chaveiro de Delgado o abria, então Paul e eu nos revezamos para bater com o objeto no chão de cimento até que a tampa de metal finalmente se abrisse.
Descobri que porta-valores em geral não são tão bem-feitos assim. Ou talvez as pessoas que os faziam não imaginavam que alguém iria jogá-los várias vezes em um chão de cimento. Amadores.
Dentro havia uma quantidade surpreendente de dinheiro – 50 mil em notas de cem e de vinte, tudo preso em um elástico – assim como o passaporte de Delgado, o passaporte de um homem que presumi ser seu assistente e uma dúzia de pendrives. Cometi o erro de colocar os pendrives no computador para ver o que guardavam.
Na mesma hora, desejei jamais tê-lo feito.
— Então? — perguntou Paul. Havia encontrado garrafas de cerveja em um frigobar no escritório dos fundos, depois de comentar porque Delgado era tão acima do peso: tinha uma “quantidade boçal” de doces nos armários. Agora andava de um lado para o outro, bebendo, nervoso que nem Romeo depois de comer muitas uvas. — O que o velho Jimmy tem feito no tempo livre?
— Exatamente o que eu esperava. — Desliguei a tela, mas infelizmente não antes de Paul parar atrás de mim e dar uma olhada.
— Mas que porra...
Paul deixou a garrafa cair. Ela quebrou, se partindo em centenas de pedaços. O vidro era de cor âmbar, flutuando em uma poça da cor dos cabelos de Lucia e que se alastrava rapidamente pelo chão negro em direção ao corpo do homem que a havia assassinado.

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