30 de setembro de 2016

Capítulo 24

A mãe olhou para baixo.
— Eu...
— Por favor, mãe — suplicou Kylie. — Se você sabe alguma coisa, me conte.
A mãe franziu a testa para o refrigerante, como se estivesse fascinada com a condensação na lata.
— Não tive coragem de jogar fora o obituário dele — ela disse finalmente. — Coloquei-o atrás da moldura da sua foto de bebê pendurada na parede. Ali tem o nome deles e o nome da cidade em que moravam.
A esperança voltou renovada no peito de Kylie.
— Quando chegar em casa, pode escanear pra mim e me mandar por e-mail? Por favor?
A mãe concordou.
— Se ainda estiverem vivos, vão me odiar.
— Acho que não, mãe. Eles provavelmente vão ficar felizes de me conhecer.
A mãe tocou o rosto de Kylie.
— Desculpe, meu bem. Fiz o que achava melhor na época, mas agora... parece que não tomei a decisão mais correta.
— Você agiu bem — disse Kylie. E sem pensar, deu outro abraço na mãe avessa a abraços.
Uma hora depois, Kylie observou o carro da mãe pegando a estrada, até se transformar num pontinho azul que finalmente desapareceu de vista. Tanto Burnett quanto Holiday estavam esperando por ela no portão quando voltou.
— Acho que minha mãe vai ficar bem — ela disse a eles, presumindo que era por isso que estavam ali.
Então ela se deu conta de que Burnett provavelmente tinha ouvido toda a conversa. Então não era só por causa da mãe dela que estavam ali.
— Estou em apuros por ter brigado com Selynn? — ela perguntou. O pensamento tinha lhe ocorrido durante a conversa com a mãe. Gostasse ou não, Selynn era da UPF.
Holiday balançou a cabeça.
— Não. Selynn teve o que mereceu. Ela lidou com a situação da maneira errada. Totalmente errada. — Holiday olhou de relance para Burnett, como se estivesse dizendo isso não só para Kylie, mas para ele também. — Se alguém disser alguma coisa sobre o que aconteceu no riacho, eu vou ser a primeira a mostrar com quantos paus se faz uma canoa.
Quando Kylie estava prestes a perguntar a Holiday o que ela queria dizer com aquilo, Burnett deu de ombros.
— Acho que ninguém vai dizer nada — disse ele, com humor nos olhos. — Nunca entendi bem esse ditado. Como é possível meter medo em alguém mostrando com quantos paus se faz uma canoa...?
— Não faço ideia — disse Holiday, voltando a fitar Kylie. O olhar de Burnett seguiu o dela e ambos voltaram a fitá-la de um jeito estranho. E Kylie voltou a se perguntar o que, afinal, estava acontecendo.
— Se não é por causa de Selynn, então por que estão aqui?
Burnett enfiou as mãos nos bolsos dos jeans.
— Acho que só queríamos ter certeza de que você estava bem.
Ela começou a responder, mas percebeu que ambos a encaravam novamente.
— Se é só por isso, por que vocês dois estão aí, me olhando desse jeito, como se tivesse crescido um rabo em mim?
— Você acha que poderia crescer um rabo em você? — A voz dele parecia preocupada.
Ah, merda! Ele estava falando sério.
Kylie passou a mão pelo traseiro só para ter certeza de que nada tinha aparecido ali. Quando não achou nada, ela olhou para eles com uma cara feia.
— O que vocês não estão querendo me dizer?
— Você demonstrou alguns talentos hoje — disse Burnett.
— Você está querendo dizer que corri rápido?
— E jogou Selynn pelos ares — completou Holiday. — Um lobisomem perto da lua cheia... é algo bem difícil de se jogar pelos ares...
— Então vocês voltaram a achar que eu sou um lobisomem?
Holiday olhou para Burnett e ambos voltaram a encarar Kylie.
— Ainda não temos certeza. — Ele começou a estudar Kylie novamente
— O que foi? — Kylie perguntou.
— É o seu padrão mental — Holiday disse, parecendo confusa.
— O que tem ele? — Ela tocou a própria testa. — Estou mais aberta. Vocês podem me dizer o que eu sou?
— Não — respondeu Holiday. — É só que... seu padrão está sofrendo alterações.
— Sofrendo alterações? Quer dizer, então, que ele está mudando?
Burnett e Holiday concordaram com a cabeça.
— O que isso significa?
A expressão de Holiday passou da curiosidade à solidariedade num segundo.
— É que...
— São só conjecturas, eu sei... Pode me dizer — pediu Kylie, fazendo um gesto com as mãos para que Holiday falasse logo.
— O único padrão mental que sofre alterações e muda o tempo todo é o dos metamorfos — esclareceu Holiday.
— Então agora você está me dizendo que sou uma metamorfa? — Kylie tentava absorver a ideia de ser uma metamorfa. Transformar-se em leões gigantescos e coisa e tal...
— Você não está mudando como um metamorfo — corrigiu Burnett. — O metamorfo só sofre mudanças quando está trocando de forma.
Kylie olhou para o próprio peito e mais para baixo, quase para ter certeza de que nada tinha mudado e de que ainda usava o mesmo número de sutiã. Então passou a mão outra vez pelo traseiro, rezando para não encontrar nenhum rabo ali.
— Eu não estou mudando.
— Nós sabemos disso — disse Burnett.
Então, como se sentisse que Kylie já tinha chegado ao seu limite por aquele dia, Holiday interveio e pegou no braço dela.
— Ei, por que não vamos dar um passeio até a cachoeira?
Kylie concordou. Ela estava pensando em voltar para a cabana e cair no choro, mas um passeio até a cachoeira parecia uma opção bem melhor.
— Vou com vocês — disse Burnett.
— Preferimos ir só nós duas — contestou Holiday.
— Não acho que vocês duas devam se embrenhar na floresta sozinhas — ele explicou. — Ainda não sabemos por que o portão de segurança não funcionou.
— Não acho que estejamos tão vulneráveis assim — disse Holiday, acenando com a cabeça para Kylie.
— Eu prefiro ir com vocês. — Ele franziu a testa. — Nem vão perceber que estou ali. Ficarei à distância.
Holiday revirou os olhos, como se fosse obrigada a concordar, então pegou Kylie pelo braço e elas tomaram a trilha que levava à cachoeira.
— Só ficaria satisfeita se ele ficasse a uns 80 quilômetros...
— Quando vai se lembrar de que posso ouvir você? — gritou Burnett, que tinha ficado para trás.
— Quando vai perceber que não me esqueci? — resmungou Holiday, em voz baixa.


Na segunda-feira de manhã, Kylie acordou com o calafrio fantasmagórico. Ela abriu os olhos, mas o espírito não tinha se materializado ainda.
— Você sabe que não vai adiantar nada vir aqui e simplesmente me acordar, não sabe? Você precisa me dar alguma informação. Encontrar um jeito de me mostrar quem eu preciso ajudar.
Como não ouviu nenhuma resposta, Kylie puxou as cobertas até o queixo e ficou simplesmente observando sua respiração provocar nuvenzinhas de fumaça acima do nariz. A visita à cachoeira com Holiday tinha sido surpreendente e ao mesmo tempo desanimadora. Ela e Holiday mal conversaram; só ficaram ali, lado a lado, observando a parede de água à sua frente. A atmosfera espiritual que Kylie tinha sentido da última vez parecia ainda mais forte nessa visita. Essa foi a parte impressionante.
E a parte desanimadora? A mensagem que lhe ficara da visita não foi algo como: tudo vai ficar bem. Nada disso. Foi mais como: mantenha a fé e a concentração.
E, se Kylie achasse que podia discutir com a presença na cachoeira, ela teria olhado para o teto de pedra e grunhido, “Não diga! Isso é tudo o tem pra me dizer?!”
Sinceramente, como ela poderia ter concentração se não sabia em que se concentrar? Era meio difícil se concentrar em fantasmas quando eles nem mesmo apareciam, não é?
A temperatura baixou mais alguns graus.
— É, isso mesmo, estou falando de você — rugiu Kylie para o espírito.
Manter a fé também era impossível. Ter fé seria acreditar que nada de ruim ia acontecer. Duas meninas assassinadas por um vampiro delinquente por acaso não era algo ruim? E ter a memória da mãe apagada, por acaso era boa coisa? Sem falar do seu padrão cerebral mutante, que só fazia todo mundo encará-la como se ela fosse uma aberração – e não se pode esquecer do seu desejo incontrolável de entrar no sonho de outras pessoas – e sua fé talvez precisasse de um frasco de anabolizantes para conseguir fortalecer novamente.
Kylie deixou escapar um longo suspiro de frustração quando o frio causado pelo espírito começou a diminuir. Ótimo! Só outro dia acordando inutilmente ao amanhecer, com o coração na boca... Rolando na cama, ela socou o travesseiro e sentiu seu humor ficando mais sombrio a cada segundo.
Mas não se tratava apenas da melancolia típica das segundas-feiras Não, era muito mais do que isso. Era noite de lua cheia. Quem sabia o que ia acontecer? Mas o fato de ela ter acordado com tanto mau humor era um sinal de que poderia ser um lobisomem.
E quem disse que se transformar num lobisomem era a única coisa que provocava seu mau humor? Afinal, depois de finalmente decidir namorar com Derek, ela não tinha tido chance de vê-lo a sós e lhe dizer isso. Também havia um tal lobisomem voltando para o acampamento naquele mesmo dia ou no dia seguinte. Aliás, dois lobisomens. E ela não estava exatamente ansiosa para rever Fredericka. E como iria encarar Lucas depois daquele sonho absurdo? Ai, Deus, não ia ser muito divertido...
Kylie soltou um gemido, socou o travesseiro e cobriu a cabeça com o cobertor.
Cinco minutos depois, ela já estava de pé e, dois minutos depois de verificar e constatar que a mãe ainda não tinha enviado o obituário de Daniel por e-mail, ela já tinha conseguido tirar Della e Miranda do sério. Depois que as duas tinham conseguido tirá-la do sério. Então Kylie decidiu: ia tirar um dia de folga. Um dia longe de todo mundo. E isso incluía as variantes sobrenaturais também.
Esse seria um dia só dela e do seu gambá.
Depois de pegar uma garrafa de refrigerante na geladeira, pegou Socks no colo, pediu às colegas de alojamento para avisar Holiday que ela ia tirar um dia de folga e voltou para o seu quarto, batendo a porta só pelo prazer de bater.
Às nove horas da manhã, Holiday bateu na porta do seu quarto.
— Só vim checar se está tudo bem.
— Só quero ficar sozinha — respondeu Kylie, ouvindo a porta se abrir, mas sem sair da posição de bruços em que tinha aterrissado na cama uma hora antes.
— Mau humor? — O tom de voz com que Holiday fez a pergunta tinha implicações nas quais Kylie não queria nem pensar.
— É, muito mau humor — respondeu Kylie, deitando-se de costas.
— Tudo bem. — Holiday mordeu o lábio inferior. — Só se lembre de que estou aqui se precisar.
— Eu sei.
Às dez horas da manhã, outra batida na porta. Desta vez, na porta da frente da cabana.
— Vai embora! — ela gritou.
Um minuto depois, Derek entrou no quarto dela sem ser convidado. Isso a deixou mais mal-humorada ainda. Então ela se lembrou de outra coisa que a tinha aborrecido e da qual não falara com ele ainda.
— Por que você não me contou sobre aquela história toda de poder apagar a memória das pessoas? — perguntou com rispidez.
Ele se sentou na cama dela.
— Burnett disse que eu não devia contar pra todo mundo.
— Eu, por acaso, sou todo mundo? — ela perguntou, sentando-se com os joelhos junto ao peito.
Se foi o tom com que ela fez a pergunta, a pergunta em si ou seu mau humor talvez contagioso, ela não sabia; o fato é que ela sabia muito bem quando uma pessoa estava contrariada. E Derek estava.
— Talvez se você fosse mais acessível, em vez de ficar se preocupando que alguém possa desconfiar de que gosta de mim, pudéssemos passar mais tempo conversando.
— Pelo que me lembro, eu já me desculpei por isso — ela disse, afagando o queixo. — Não que você pareça ter me desculpado... — completo com um toque de sarcasmo.
Ele balançou a cabeça.
— Tudo bem, talvez eu não tenha o direito de me zangar com isso.
A inflexão que ele deu à palavra “isso” levou-a à próxima pergunta.
— Mas está zangado com alguma coisa, não está?
Ele franziu a testa.
— Não deveria... — Então ele correu os dedos pelo cabelo e olhou ela. A dor profunda que Kylie viu nos olhos dele dissipou todo o seu humor e ela começou a se preocupar com ele.
— Com o que você não deveria ficar zangado?
Ele se levantou da cama e começou a andar pelo quarto.
— Você nunca mente pra mim. Não mesmo. E eu posso ver que ainda sente alguma coisa por ele. Você se sente culpada e eu sei que provavelmente está pensando nele. Eu sei, porque sinto. E, como um idiota, eu ainda fico atrás de você, mesmo quando se recusa a ser minha namorada.
Ela balançou a cabeça.
— O que você está dizendo não faz sentido.
Ele parou de andar e deixou escapar um longo suspiro. Então seus olhos... lindos, calorosos e ainda cheios de mágoa, olharam para ela outra vez.
— Eu só posso ficar com raiva de mim mesmo.
— Pelo quê? — ela perguntou novamente, sentindo o mau humor tentando voltar novamente.
— Porque não consigo entender por que você não me diz.
— Não digo o quê? — Ela se sentia confusa e ao mesmo tempo... entendia. Ela sabia que ele estava falando de Lucas. Não que isso importasse, porque Lucas era passado. Ela já tinha tomado sua decisão. Sim, ainda havia os sonhos. E só de pensar neles lá vinha a culpa outra vez.
Ele fez um gesto com a mão na direção dela.
— Taí. É assim que você fica quase sempre que está comigo. Se sentindo culpada. — Ele balançou a cabeça. — Me diga que não é verdade. Me diga que não ficou recebendo cartas dele esse tempo todo.
A pergunta dele ficou dando voltas na cabeça dela.
— Eu... eu nunca escrevi de volta. — Ela queria que ele acreditasse que ela não tinha feito nada errado. Mas a verdade a atingiu em cheio e ficou ali pendurada, como um osso da boca de um cachorro feroz e possessivo. Se ele tivesse recebido cartas de alguma garota que ele beijara, ela também ficaria com ciúme. Não teria gostado nada. E muito menos se ele tivesse sonhos eróticos com ela também.
— Derek — ela disse com suavidade. — Eu juro por Deus que eu não queria...
— Me magoar — ele terminou a sentença. — Eu acredito em você. Sei que não fez isso para me magoar. Você não é cruel nem sacana. Não tem nenhuma maldade dentro de você. Só está... confusa.
Ela se levantou, andou até Derek e tentou pegar sua mão, mas ele se retraiu. A reação dele doeu. Fitando seus olhos, ela tentou encontrar uma maneira de explicar.
— Você tem razão. Estou confusa com relação a um monte de coisas. Mas não estou confusa sobre o que eu sinto por você. Eu gosto de você. Muito. Quando estamos juntos, eu me sinto segura e, quando você me beija, é maravilhoso. Tudo parece lindo e... eu nem ligo mais se é você que está fazendo isso ou não. Eu só quero sentir, entendeu? Quero ser sua namorada.
— Se você queria mesmo, devia ter dito antes.
— Eu queria, só estava... confusa. Eu já disse.
— Por causa de Lucas?
— Não. — Ela deu a ele a mesma justificativa que dava a si mesma. — Porque ainda estou tentando descobrir de que espécie eu sou.
— Mas eu disse que isso não era importante.
— Mas é para mim. — Lá no fundo, bem mais no fundo do que ela queria ver, ela sabia que o que ele dizia era verdade. Não saber o que ela era fazia só parte do motivo que a impedira de concordar em namorar com ele antes. A outra parte era Lucas.
Mas isso não mudava o que ela sentia por Derek, insistia em dizer a si mesma. Era como a tia Stella, de Holiday. Ela podia sentir atração por Lucas, mas isso não mudava nada. Ela tentou pegar a mão dele outra vez, mas ele não deixou.
— Você tem que decidir, Kylie, porque eu não consigo conviver com essa indefinição. Já vivi indefinição demais na minha vida, por causa do meu pai, e simplesmente não consigo mais lidar com isso.
— Eu já decidi — ela insistiu. — É você. Eu ia te dizer isso ontem, mas aí... aconteceu tudo aquilo.
Ele deu um passo na direção dela e seu coração suspirou de alívio. Ela inclinou a cabeça para beijá-lo. Ela queria tanto que ele a beijasse! Queria que ele soubesse o quanto ele significava para ela.
Ele tocou sua face.
— Até que você tenha certeza do que sente por ele, não pode ter certeza do que sente por mim.
— Não é verdade. — Ela tentou beijá-lo, mas ele colocou o dedo sob os lábios dela, detendo-a.
— Não. Não mais. Até que tenha decidido, somos apenas amigos. Só amigos. — Dor e mágoa ecoaram na voz dele e voaram até ela, atingindo seu coração.
Ela não queria que fossem só amigos. Ela queria mais.
— Por favor, não faz isso, Derek. Eu não quis...
Ele colocou o dedo sobre os lábios dela de novo.
— Sei que não quer me ferir, Kylie. Mas me fere. Eu sinto... tudo. É isso o que torna tudo tão difícil. — Ele deu um passo para trás. — É melhor eu ir embora.
A dor a envolveu. Lágrimas se acumularam em seus olhos. Ela ia perdê-lo. Sabia disso com tanta certeza quanto sabia o próprio nome. Ele abriu a porta do quarto e se virou para ela.
— E, como seu amigo, quero te avisar uma coisa. Fredericka está volta. E ela quer ferir você. E não acho que ela vá parar só porque me contou sobre as cartas. Tenha cuidado. Especialmente depois desta noite. Os lobisomens ficam hiperagressivos antes da transformação.
Kylie sentiu seu próprio instinto de agressividade fervendo dentro de e secou as lágrimas que escorriam pelo rosto. Até ele mencionar, ela não tinha parado para pensar em como ele sabia das cartas de Lucas. E agora que sabia, não tinha gostado nem um pouco. Fredericka tinha contado a Derek sobre as cartas.
E, ao fazer isso, não tinha só ferido Kylie, tinha ferido Derek também.
Kylie fechou os punhos.
— Não se preocupe. Não sou tão inofensiva quanto costumava ser.
— Inofensiva, talvez não seja — ele disse. — Mas em maldade ela ganha longe de você. É melhor não se meter com ela.


Uma hora depois, com o coração em pedaços, Kylie checou seus e-mails e descobriu que a mãe tinha finalmente enviado o obituário de Daniel. Ela achou que já estivesse emocionalmente preparada para lidar com aquilo, depois do dia horrível que vinha tendo, mas quando leu sobre a morte do pai, pousou a cabeça na escrivaninha e chorou. Chorou por Derek e por Daniel.
Ela se lembrou do sonho/visão que teve sobre a morte dele. Ele tinha deixado um vilarejo arrasado pela guerra, mas voltara para salvar uma mulher de alguns desertores. Ele não só tinha dado a vida pelo seu país, mas também para salvar uma estranha:
— Amo você, Daniel. — Ela queria muito que ele aparecesse para uma visita. Reparou no nome dos pais dele e que moravam num lugar chamado Gladlock, no Texas. Uma busca na Internet revelou que se tratava de uma cidadezinha a 120 quilômetros de Dallas. Com o coração ainda doendo, fez uma pesquisa e encontrou o telefone de Kent B. Brighten. O computador não tinha completado a pesquisa quando a porta da cabana se escancarou.
Kylie relanceou os olhos para a porta, esperando ver Miranda e Della. Mas estava enganada. Fredericka tinha vindo fazer uma visitinha. E não tinha se importado em seguir uma regra básica de etiqueta: bater antes de entrar.

2 comentários:

  1. Parece que o jogo virou não é? Assim é melhor, agora que o Lucas voltou. Essa menina só pode ser uma experiência de laboratório vampira/ lobisomem/fada/metamorfa. Só faltam as características de bruxa.

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  2. ta parecendo mais é um camaleão muda de personalidade como o bicho mudar de cor.
    p.s.: vou ver se tem algum deus com esse animal sagrado.

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