18 de setembro de 2016

Capítulo 17

Joguei as mãos para o alto, sem conseguir suprimir um grito. Ouvi Jesse berrar ao meu lado, e Max latindo como um cão de guarda feroz, saído de um filme.
Quando o berro agudo do fantasma finalmente parou de ecoar em meus ouvidos, abaixei os braços e abri os olhos. A luz havia desaparecido. O jardim estava no escuro novamente, a não ser pela luz fraca da Lua que tinha acabado de aparecer, o brilho quente e vermelho da fogueira e os quadrados de luz amarela nas janelas da casa de Brad e Debbie. No reflexo das janelas, vi Max correndo pelo jardim, cheirando o chão freneticamente para localizar a presa que ele havia expulsado da casa de brinquedo.
Em ambos os lados da casa, vi vizinhos abrindo as cortinas e olhando pelas janelas, perguntando-se o que estava acontecendo logo ao lado. Não houve nenhum movimento dentro da casa de Brad e Debbie, o que era estranho. Como é que eles não escutaram aquilo que acordou o resto do quarteirão?
— O que foi aquilo? — sussurrei para Jesse, sabendo que estávamos sendo vigiados.
O feixe da lâmpada sem fio de Jesse ainda apontava para o que agora parecia um castelo de fadas cor-de-rosa e branco comum... com uma exceção.
— Acho que a gente sabe a resposta. — Ele se abaixou em um dos joelhos na frente da porta de 90 centímetros da casinha. Apontou para a grama. — Ela deixou uma coisa.
— O quê? — Meus ouvidos ainda estavam apitando devido ao volume do berro. Não sei se o de Lucia ou o meu. — Melhor não ser uma porra de uma cabeça de cavalo, ou eu vou surtar.
Jesse cutucou o chão.
— Uma cabeça de cavalo? Ah, por causa do Poderoso Chefão. — Foi um dos vários filmes que fiz Jesse assistir para se atualizar em cultura moderna dos Estados Unidos. — Não, é bem pequeno. Acho que é uma flor.
— Uma flor? — Eu me ajoelhei na grama ao lado dele. — Tem certeza? Isso é delicado demais para Lucia.
— Tenho. — Ele pegou uma coisinha roxa do chão. Era menor que meu tubo de brilho labial. — Uma flor. Buganvília, eu acho.
Buganvília? Por que isso me pareceu familiar?
Uma sensação estranha – eu vinha tendo muitas delas ultimamente – me tomou.
Cutuquei o ombro dele.
— Me dê a lâmpada sem fio. Quero ver uma coisa.
Ele me passou a lanterna, e eu me inclinei para a frente a fim de iluminar o interior da casinha.
Eu congelei, meu sangue de repente tão gelado quanto o ar da noite.
— Merda.
— Que foi? — Jesse também olhou para dentro do castelo, mas, quando viu o que eu tinha visto, falou palavrões em espanhol em vez de em inglês, então soou um pouco mais educado.
Flores. Somente isso. Não havia partes de corpos ensanguentados, símbolos satânicos rabiscados nas paredes, runas ritualísticas bizarras feitas de galhos. Somente flores. E não eram poucas, espalhadas pelo chão como as trigêmeas vinham praticando fazer para nosso casamento, mas sim centenas de flores mortas, jogadas ali como se alguém estivesse tentando se livrar de detritos no jardim, usando o castelinho das meninas como lata de lixo.
Só que eu sabia quem era esse alguém, e o lixo havia sido coletado com cuidado. Eram todas buganvílias, todas cor-de-rosa e roxas, como as que cresciam nos arbustos do gazebo ao lado do hospital, onde eu e Jesse nos sentamos naquela noite para conversar sobre o assassinato de Lucia Martinez.
E como se isso não fosse assustador o suficiente, quatro bonecas estavam sentadas em torno da mesinha que ficava ali dentro (a mesma onde eu havia fingido tomar chá com as meninas na semana anterior). Olhavam para nós, sem piscar, em meio às buganvílias que haviam sido jogadas em suas cabeças. As bonecas estavam vestidas com roupinhas que eu sabia serem as mais “chiques” – porque fui obrigada a comprá-las – os tecidos agora manchados de marrom e amarelo por causa das flores em decomposição.
Eu já havia visto coisas bem bizarras feitas por almas de mortos, e coisas piores ainda feitas por pessoas vivas.
Mas os olhares vazios daquelas bonecas me encarando na escuridão em meio a um mar de flores mortas... isso eu sabia que me assombraria para sempre.
Larguei a lanterna no chão para tapar a boca, e saí da casinha.
Jesse me alcançou.
— O que foi? — perguntou ele, e me abraçou de maneira protetora. — As bonecas?
Balancei a cabeça.
— O cheiro. — Buganvílias podres fedem, ainda mais em grande quantidade.
Mas eu estava mentindo. Fiquei com vergonha de admitir o quanto as bonecas me impressionaram. Não foi apenas o olhar morto delas, mas o fato de que se pareciam muito com minhas sobrinhas – o  como elas achavam que eram. As meninas escolheram as bonecas no catálogo de Natal do ano anterior. Era uma linha onde você podia “criar suas próprias bonecas”, então cada sobrinha escolheu uma que a representava. Flux e Rabo de Algodão se decidiram por versões em miniaturas delas mesmas, com olhos azuis, longos cabelos castanhos e pele clara.
Mas Flocos, iconoclasta como sempre, escandalizou os avós maternos ultraconservadores escolhendo uma boneca com pele marrom e cabelos e olhos ainda mais escuros, algo que deixou Jesse tão maravilhado que tive de sussurrar para ele no brunch de Natal que se acalmasse, antes que a vovó Mancuso o escutasse falando:
— Ela pegou a boneca que se parece comigo! Eu sempre falei para você, Emily é a mais inteligente de todas. Ela quer seguir meus passos.
Eu gostaria muito que fosse o caso, visto que, se Paul conseguisse o que queria, Flocos seria o mais perto de uma filha que Jesse jamais teria.
A quarta boneca à mesinha era uma doação de uma das primas do lado Ackerman da família. Tinha cabelos louros, cortados toscamente na frente para dar a aparência de franjas.
Ela se parecia com Lucia o suficiente para fazer com que meu estômago doesse.
— O que você acha que ela está tentando fazer? — perguntei. — Mandar outra mensagem?
— Sim. — Jesse havia buscado a lanterna onde eu a deixei cair. Ele a desligou e colocou-a de volta no bolso. — Acho que sim.
— Mas o quê? O que ela está tentando dizer? — Eu mal conseguia acreditar no quão assustada sentia. Eram apenas bonecas, e não partes de corpos. — Se a mensagem for “não entre na casinha”, já entendi, bem claramente.
Ele passou o braço sobre meus ombros e me abraçou.
— Eu não acho que é isso que ela está falando. Não acho que ela quis assustar você.
— Me assustar? — Fiquei com o rosto enterrado na camurça macia da jaqueta dele. O cheiro era bom, uma combinação de camurça e baunilha e fumaça da madeira queimando na fogueira e sabão antisséptico do hospital. Em outras palavras, tinha o cheiro de Jesse. — Quem falou que fiquei assustada? Não estou assustada. — Eu estava morrendo de medo. — Enojada, talvez. Lembra aquele comercial que dizia “fale com flores”? Não era “fale com flores mortas em decomposição”. Que maneira mais estranha de se expressar, até mesmo para uma criança.
— Não para uma criança morta — disse Jesse, fazendo carinho em meus cabelos. Acho que ele não acreditou quando falei que não estava com medo. — Pense bem. Faz sentido.
— O que faz sentido?
— Flores mortas de uma menina morta. O que mais ela tem para dar? Quando você está morto, não tem muitas opções. Já ouviu falar de dinheiro caído do céu?
Levantei o rosto e olhei para ele.
— Claro que já. Tem gente que acha dinheiro em lugares estranhos e acha que o fantasma de uma pessoa amada o deixou para elas. Mas Jesse, isso não é verdade.
— É claro que é. — Ele apertou o abraço, e seus olhos escuros ficaram mais intensos. — Eu sei que é difícil para você entender. A comunicação sempre foi fácil para você. Nunca teve problemas para falar com ninguém, vivo ou... como é que você chama? Ah, sim. Nem com pessoas mortas não obedientes. E com certeza nunca esteve morta. Mas imagine se algum dia você tentar se comunicar com alguém que amou, e essa pessoa não puder mais te ver ou ouvir. Ser morto é assim, e sem conseguir passar para o outro mundo... dá para imaginar como é infernal?
Sim. Devia ser como andar no vale da sombra da morte.
Ouvi a dor na voz dele, e a senti na maneira como afundou os dedos na pele de meus braços. Meu coração se condoeu por de.
— É claro, Jesse. — Levantei a mão para acariciar seu rosto, mas ele se afastou. Estava rejeitando meu carinho. Nem sei se percebeu. Simplesmente queria terminar o que estava falando.
Mas elas haviam retomado. As sombras nos olhos dele. Dava para vê-las, até mesmo sob a iluminação fraca do jardim. Você pode tirar o garoto da escuridão.
Ele continuou a falar com uma voz baixa e rápida.
— É claro que você faz o que puder para sinalizar que você ainda esta lá, seja com dinheiro, com flores mortas, ou sacudindo a casa. Você fica tão sem esperança que não nota que esta sendo assustador. Você só quer que as pessoas saibam que você não foi embora. Você entende, não é, Suzannah?
Mas não tira a escuridão do garoto.
— Sim — falei. — Eu entendo, Jesse.
Percebi o quanto Jesse havia mudado em uma só noite. Passou de querer exorcizar Lucia a identificar-se, e talvez até simpatizar, com ela.
Também percebi que ele finalmente estava falando sobre como foi a experiência da própria morte.
Eu me perguntei se ele também percebeu. Não quis pressionar muito com perguntas. Em vez disso, falei:
— Então o que você acha que Lucia está tentando dizer com essas flores?
De olhou rapidamente para a casinha.
— Ela está pedindo desculpas.
— Desculpas? — Meu queixo caiu. — Pedindo desculpas?
— Por que não? São as mesmas flores da árvore de buganvílias no pátio do hospital. É provável que ela tenha a visto lá com suas sobrinhas.
— Você também estava lá. Foi você quem deu chicletes a elas.
Jesse sorriu. Toda vez que ele sorria era como um raio de sol depois de uma semana nublada. Ou como voltar para casa depois de passar muito tempo no vale da sombra da morte.
— É isso que estou falando. Acho que ela nos viu com as meninas e percebeu que somos amigos, não inimigos. As flores são sua maneira de tentar compensar o que fez.
— Se esse for o caso, ela as entregou no lugar errado. Deviam estar na UTI com o padre Dominic.
— Isso eu ia gostar de ver — disse Jesse com um olhar melancólico.
— Eu também.
Tentei usar o mesmo tom descontraído, mas por dentro não me sentia tão bem. Talvez porque eu soubesse que ele tinha razão... Lucia deixou flores para mim, sua primeira tentativa de fazer uma ponte com um adulto em quem achava que podia confiar, e como retribuímos isso? Permitindo – e até incentivando – que Max a assustasse para longe do jardim de minhas sobrinhas, provavelmente o único lugar no mundo onde ela se sentia livre para ser a criança que fora um dia, e deixando-a apavorada (a julgar por aquele berro agudo).
E pior: a confissão sincera do quão sozinho Jesse se sentia enquanto morto – como queria se comunicar com quem amava, mas não tinha como – me lembrou de outra pessoa do passado, uma que não tinha nem metade dos problemas de Jesse ou de Lucia, mas que era quase tão complicada quanto.
O que foi que minha mãe falou no telefone sobre Paul? Ah, sim: ele era um daqueles meninos que recebia bastante dinheiro da família, mas nada de atenção ou amor. Qual era a diferença entre isso e ser um fantasma, segundo a definição de Jesse – alguém que fica tentando falar com as pessoas quando elas não conseguem vê-lo ou escutá-lo?
Eu tinha fantasmas demais em minha vida agora, clamando por atenção. Pela primeira vez, não tive certeza se conseguiria lidar com todos eles sozinha. Uma das coisas que ficou clara em minhas sessões com a Dra. Jo era que eu “compartimentava” muito e “não era aberta” sobre qualquer “trauma” que eu tenha vivenciado no passado.
Isso, ela sentia, me travava e provavelmente era a causa de minha insônia.
É claro que eu tinha bons motivos para não revelar meu passado para a Dra. Jo, no entanto.
Mas, se Jesse ia se abrir comigo sobre o passado, talvez eu devesse ser mais honesta com ele sobre o meu. Não apenas sobre meu passado, mas sobre o perigo que ele corria... que nós dois estávamos correndo, caso Paul tivesse sucesso.
— Jesse — falei, segurando sua mão. — Acho que tem uma coisa que preciso falar para você.
Ele pareceu preocupado.
— O que é, mi amada?
— Eu ia contar antes, mas achei que fosse te irritar.
— Eu jamais ficaria irritado com você.
Eu ri.
— Essa foi muito boa.
Obviamente, ele ficou irritado.
— Suzannah, você nunca me deixa com raiva. Às vezes as coisas que você faz me deixam com raiva, ou melhor, aborrecido, porque tem horas que você parece que não pensa antes de...
— Viu, é exatamente disso que eu estava falando. Nem contei o que é, e você já está irritado.
As sobrancelhas escuras dele se uniram.
— Eu não falei que estava irritado. Falei que estava aborrecido. Você me aborrece quando fala o que vou sentir. Você é uma mulher bastante perceptiva, Suzannah, mas não mora em minha cabeça, então não tem como saber como vou me sentir.
Não gostei do rumo que aquela conversa estava tomando. E, especialmente, não gostei do músculo que tinha começado a saltar na mandíbula dele, visível mesmo na escuridão do jardim.
— Vamos deixar para lá, ok?
— Suzannah, você não pode simplesmente...
Ouvi o ranger de uma porta de tela.
— Suze? Jesse? — A voz da Debbie veio da varanda dos fundos. Ela ajeitava a camiseta, e foi então que entendi por que ela e Brad demoraram tanto para vir checar o que estava acontecendo: deviam estar fazendo as pazes, provavelmente no chão da cozinha. — O que vocês estão fazendo aqui fora? Por que Max estava latindo?
Larguei a mão de Jesse, e uma onda de alívio me inundou. Acho que nunca fiquei tão feliz em ver Debbie na vida.
Dane-se a Dra. Jo. Dane-se Paul. Danem-se as maldições do Egito Antigo e os blogueiros que não me ligavam. Eu lidaria com aquilo sozinha. Alguns segredos eram melhores se permanecessem secretos.
— Não tem nada acontecendo, Debbie — respondi. — Só tinha um... um guaxinim na casinha. Max o espantou.
— Um guaxinim? — Brad se juntou à esposa na varanda, todo animado. — Para onde ele foi? Peraí, vou pegar a espingarda.
Meu Deus.
— Suzannah — disse Jesse, segurando meu braço quando comecei a ir em direção à casa. — O que é? O que você ia me falar?
— Sério, esquece. Não era nada.
— Não pareceu que era nada.
— Mas era.
Felizmente, uma voz infantil veio de uma das janelas abertas do segundo andar.
— Mamãe? O que tá acontecendo?
— Ah, ótimo. — Debbie parecia irritada. — Agora as crianças acordaram. Nada, meu amor. Era só um guaxinim. Max já o espantou. Volte a dormir.
— Mamãe. — Flocos estava sonolenta, porém chateada. —Não era um guaxinim, era Lucy. Max assustou ela. Não deixa o papai atirar nela.
Olhei para cima e vi três silhuetas escuras em uma das janelas do segundo andar. Dava para ver um pouco dos rostos das meninas nos encarando, as três com expressões de preocupação sob a luz do luar.
— Meninas. — Debbie veio para o jardim e se posicionou embaixo da janela das filhas. Ela voltara à forma de maneira impressionante depois do parto, com Pilates e lipoaspiração (paga pelo pai, o Rei das Mercedes), e sabia disso. Gostava de mostrar o corpo usando muitas roupas elásticas. Ela olhou para cima, uma taça cheia de vinho nas mãos. — Vocês sabem muito bem que Lucy não existe. Já pedi várias vezes que parassem de inventar histórias sobre ela. Agora voltem para cama, todas vocês.
Flocos ignorou a mãe e se virou para mim.
— Tia Suze, não deixa Max pegar Lucy. Ela é nossa amiga. — Dei uma olhada para Jesse. Não precisei responder nada.
Ele fez que sim e disse:
— Eu pego o cachorro. — Então foi atrás de Max, que tinha voltado para a casinha e estava cavando as buganvílias, onde pelo visto sentiu cheiro de alguma coisa comestível. Jesse o puxou pela coleira, mas o cachorro resistiu. — Já chega por hoje, Max. — Ouvi Jesse falando. — Muito bem!
— Não se preocupem, meninas — falei, me posicionando ao lado da mãe delas. Olhei para os três rostinhos preocupados, que mal se discerniam no escuro. — Max não pode machucar Lucy, e nem seu pai. Lucy é um fantasma, e cachorros e armas não machucam fantasmas. Agora façam o que sua mãe pediu, e vão dormir.
— Tá bom, tia Suzy — responderam as meninas com tom de decepção; não por causa da amiga fantasma, mas por terem de voltar a dormir. Um por um, os três rostinhos desapareceram da janela.
Quando me virei para Debbie, ela me encarava com uma expressão incrédula.
— Que foi? — perguntei.
— Suze — disse Debbie —, Lucy é a amiga imaginária delas.
— E daí?
— É uma criação da mente delas. Você acabou de dizer que ela é um fantasma. Eu sei que aquele jogo idiota Médium é muito famoso, e tenho certeza de que alguns dos pais dos outros alunos deixam que eles joguem, mesmo que seja inadequado para essa idade e violento demais. Mas Brad e eu estamos tentando incentivar as meninas a não acreditarem em fenômenos sobrenaturais.
Fiquei olhando para ela.
— Ah... tá.
— Deborah. — Jesse se aproximou, trazendo Max pela coleira. — As meninas frequentam uma escola católica. Parte da educação religiosa delas envolve a Sagrada Trindade, que inclui o Espírito Santo.
— Ah, é diferente — disse Debbie, com o tom charmoso que sempre usava quando se dirigia a meu noivo. Era como se Jesse soltasse feromônios aos quais algumas mulheres não conseguiam resistir. Eu obviamente era uma delas, mas pelo menos tentava não demonstrar... em público. — É claro que queremos que elas tenham crenças morais fortes. Mas, com a exceção do Espírito Santo, fantasmas não são reais.
Foi a gota d'água para mim.
— Como você sabe? — Passei por ela e fui até minha espreguiçadeira pegar meu vinho. — Eles podem ser reais.
— Ah, é? — Debbie parou de talar com o tom charmoso, visto que estava se dirigindo a mim. — Podem mesmo, Suze? Do mesmo jeito que você falou para Emma que vinho tem vitaminas quando ela perguntou por que você toma tanto? Isso é real? Muito obrigada, aliás, porque ela perguntou se podia tomar vinho amanhã no café da manhã.
— É, bem, existem vitaminas no vinho, Debbie. — Peguei a garrafa que havíamos levado e enchi minha taça e a de Debbie. — Mas, só para você saber, eu também falei a ela que os benefícios só funcionam nas pessoas com mais de 21 anos. E também tem um bando de merda em que você acredita que não é real, Debbie, mas a gente aceita para manter a paz na família. Então sugiro que você faça o mesmo no caso de Lucy. Saúde. — Brindei com minha taça.
Debbie ficou me olhando, chocada, e Brad saiu em disparada da porta de trás, espingarda em punho e carregada.
— Para onde ele foi?
— Hoje não, amigo — disse Jesse, tirando a espingarda da mão dele com cuidado. — Hoje não.

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