30 de setembro de 2016

Capítulo 16

Kylie abriu a boca para gritar, mas nem ar nem palavras saíram de sua boca. O pânico contraiu sua garganta e bloqueou todo oxigênio e comunicação verbal. Ela se virou, sem saber direito se devia lutar ou correr.
Ele não estava mais lá. O olhar de Kylie se voltou para o espelho, como se só o reflexo dele fosse real. Ele não estava mais ali também.
Seu olhar se voltou para a porta aberta do provador, que antes estava fechada. Ele realmente estivera ali.
Ela bateu a porta com força. Sorveu um pouco de ar, tentou gritar novamente, mas parou quando a porta do provador se escancarou de repente, batendo contra a parede.
Todos os músculos do seu corpo se contraíram. Lute. A ordem de uma só palavra ecoou dentro dela. Então Della apareceu atrás da porta, que agora pendia parcialmente, arrancada das dobradiças.
— Tinha alguém aqui? — Della perguntou. Seus olhos tinham um brilho cor de âmbar. Os caninos, afiados e ameaçadores, estavam à mostra sob o lábio superior arreganhado.
Ainda incapaz de falar, Kylie assentiu com a cabeça.
Della se inclinou para a frente quando Miranda chocou-se contra as costas dela.
— O que aconteceu? — Miranda olhou por sobre o ombro de Della. — Por que você entrou aqui assim?
As lágrimas ardiam nos olhos de Kylie. Ela às vezes chorava quando estava assustada, e nesse momento estava muito assustada – mortificada, na verdade – mas essas não eram lágrimas de medo. Eram lágrimas de raiva. Não, de fúria. Fúria por se sentir desrespeitada. Eu gosto mais do preto.
As palavras ecoavam nos seus ouvidos. Quanto tempo aquele delinquente estava ali espiando, enquanto ela experimentava os sutiãs?
— Tem alguém aqui? — perguntou Miranda. — Fantasmas? Não fantasmas?
— Vampiro — Della respondeu com rispidez para Miranda e olhou de volta para Kylie. — Está tudo bem com você?
Kylie assentiu novamente.
— Ele foi embora?
— Por hora. — Della pegou a bolsa de Kylie e os sutiãs e passou-os para Miranda. — Vai pagar isso enquanto ela se veste.
Miranda foi para o caixa. Della olhou de volta para Kylie.
— Você está bem mesmo?
— Acho que estou com raiva suficiente para arrancar o coração de alguém e espancá-lo com ele. — Ela mordeu o lábio para não chorar. — Quanto tempo ele ficou aqui me espiando?
— Só alguns segundos. — Della de repente ficou pálida. — Não era Chan, era? Quer dizer, não senti o cheiro dele, mas... só consegui farejar o sangue.
— Não. — Kylie pegou a camiseta e vestiu-a. Ainda tinha na cabeça a imagem do sangue pingando do cabelo do vampiro.
— Então você viu quem era?
Kylie enfiou a cabeça pela gola da camiseta e olhou Della nos olhos.
— Era... era aquele merdinha que lutou comigo na reserva. Aquele que me agarrou.
Della farejou o ar.
— Ah, droga!
— Ele está voltando?
— Alguém está. — Ela agarrou Kylie pelo braço e as duas saíram correndo.
Quando saíram da seção dos provadores, Miranda estava pegando uma sacola da mão da moça do caixa. Della fez sinal para que ela as seguisse e Miranda não fez nenhuma pergunta. Obviamente, pôde ver o pânico nos olhos das duas.
— O que está acontecendo? — Miranda perguntou.
— Temos que voltar para o acampamento — explicou Della.
— Ele está aqui outra vez?
— Vamos sair daqui — disse simplesmente.
No momento em que puseram o pé na calçada, viram uma van preta dar uma brecada violenta e parar na frente da loja. Della grunhiu e então empurrou Kylie e Miranda para trás do corpo dela.
A janela desceu e Burnett olhou para fora. Seus olhos tinham um brilho dourado feroz.
— Entrem.
— E o carro em que viemos? — perguntou Kylie, embora ela não conseguisse nem coordenar os pensamentos, quanto mais dirigir de modo responsável com o pânico revirando suas entranhas.
— Entrem! — O tom de Burnett exigia obediência.
Elas obedeceram.
— O que está acontecendo? — Della perguntou a Burnett depois que se acomodaram no banco de trás.
O vampiro não respondeu. Estava concentrado na direção. A van disparou antes que Kylie percebesse que havia alguém sentado no banco da frente com Burnett. Era uma mulher de cabelos pretos, mais ou menos da idade de Burnett. Ela parecia familiar e Kylie se lembrou de tê-la visto entre os membros da UPF na noite em que tinham lutado contra a gangue na reserva.
— Passe a elas os jalecos — Burnett disse à mulher.
Três sacolas de plástico com o que pareciam jalecos de médico foram atirados para o banco de trás.
— Pra que isso? — Kylie perguntou.
— Tirem as roupas — Burnett mandou. — Coloquem todas as suas roupas na sacola. Sapatos, meias, roupa de baixo. Tudo. Depois vistam os jalecos.
— Tirar o quê? — Kylie perguntou.
— Vocês me ouviram — ele disse rispidamente.
— Por quê? — Kylie e Della perguntaram ao mesmo tempo.
— Façam o que ele está mandando — a mulher ordenou.
Della e Miranda começaram a se despir, mas Kylie segurou as mãos delas e as deteve.
— Não. Não vamos tirar as roupas até que você explique por quê. E é melhor que tenha uma razão muito boa, porque não vou tirar a roupa só porque alguém está me mandando tirar. Pergunte para o meu ex-namorado!
A mulher se virou no banco e olhou para ela. Suas sobrancelhas se arquearam, como se ela tentasse ler Kylie. Pena que não ia funcionar.
Mas quem disse que a mulher ia desistir com facilidade? Ela continuou a encarar Kylie. Seus olhos cor de âmbar ficaram um pouco mais brilhantes e, por algum motivo, Kylie suspeitou que ela fosse um lobisomem. Um lobisomem muito zangado.
— Comece a tirar — a mulher insistiu.
— Não. — Surpreendentemente, Kylie não se sentia intimidada. Sustentou o olhar da mulher. Ela até franziu as sobrancelhas também e tentou ler o padrão mental da lobisomem. Não funcionou, mas a outra não sabia disso.
— Faça o que ele está falando! Ou eu farei por você — ela ordenou.
Burnett deteve a mulher, segurando-a pelo ombro.
— Selynn, deixe comigo. — Ele olhou pelo retrovisor e Kylie encarou o reflexo dourado dos olhos dele. — Kylie, por favor...
— Não! — Kylie sinceramente não sabia de onde vinha tanta ousa- dia, mas estava achando bom. Pelo menos lhe dava a sensação de estar um pouco mais no controle. Ela realmente precisava se sentir no controle para combater o sentimento de que era a vítima ali.
— Você percebe o que está pedindo? — Kylie continuou segurando as mãos de Della e Miranda. — Para que a gente tire a roupa dentro de um carro com um homem no banco da frente, com um espelho retrovisor. E não vai explicar por quê?
Burnett levantou o braço e arrancou o espelho, jogando-o pela janela do carro.
— Caramba! — exclamou Miranda.
— Duas garotas foram mortas na cidade — disse Burnett.
— Merda! — exclamou Della.
— Deus do Céu! — exclamou Miranda.
A única coisa que saiu pelos lábios de Kylie foi um suspiro de surpresa.
Burnett continuou.
— Preciso das roupas de vocês três para provar que não estavam envolvidas nos assassinatos. O FBI e a UPF vão exigir essas provas. Então, por gentileza, façam o que eu digo.
Kylie soltou as mãos das amigas e começou a se despir. Em poucos minutos, todas estavam vestindo jalecos verdes, como se fossem cirurgias. Ninguém disse uma palavra durante o processo.
Miranda pegou as três sacolas e passou-as para Selynn.
— Tome.
— Você acha mesmo que alguém vai pensar que temos alguma coisa a ver com esse crime? — Kylie perguntou, lembrando-se do sangue no cabelo e na camisa do vampiro.
— Não — disse Della. — Mas eles vão pensar que fui eu. — Sua voz expressava preocupação. — Foi um vampiro que matou as garotas, não foi?
— Foi — confirmou Burnett. — Mas eu não acredito que tenha sido você. Só estou tomando precauções até descobrirmos quem foi.
— Já sabemos quem foi — revelou Della. — Kylie viu.
— Viu quem? — perguntaram Burnett e Selynn ao mesmo tempo, virando-se para trás.
— Foi um vampiro da gangue — disse Kylie. — Aquele que me atacou na reserva.
— Maldito — Depois de quase sair da estrada, Burnett brecou o carro e parou no acostamento. Ele se virou para trás novamente e fitou os olhos de Kylie. — Você não está machucada, está? — perguntou, relanceando os olhos para o pescoço de Kylie como se...
— Não, não estou. — Uma grande vontade de chorar encheu seu peito.
— Ele não disse nada? — Burnett perguntou.
Eu gosto mais do preto.
— Não — ela respondeu.
Seu olhar sobre Kylie ficou mais profundo.
— Agora não é hora de mentir.
Kylie engoliu em seco.
— Ele não disse nada que ajudasse.
— Que tal deixar que a gente decida o que ajuda ou não? — disse a srta. Lobisomem Espertinha, sentada no banco da frente.
Kylie fez cara feia.
— Ele disse que gostava mais do sutiã preto. Eu estava no provador. — O sentimento de ter sido desrespeitada voltou com força total e a raiva que ele despertou brotou novamente em seu peito.
A expressão de Burnett mudou de autoritária para compreensiva numa fração de segundo.
— E você está mesmo bem? Ele não...
— Eu estou bem — ela conseguiu dizer, mas as lágrimas encheram seus olhos e ela desviou o rosto da expressão preocupada de Burnett.
— Ele apareceu e desapareceu tão rápido que, quando senti, já tinha ido embora — Della explicou.
A lembrança do seu reflexo no espelho voltou à mente de Kylie.
— Ele tinha sangue... nele todo. Na camisa. No cabelo.
Miranda pegou a mão de Kylie e a apertou gentilmente, oferecendo apoio moral.
A expressão preocupada de Burnett acentuou-se um pouco mais e ele se voltou para a frente e ligou o carro.
— Ligue e diga a eles que é Código Vermelho — disse ele, olhando para Selynn.
— Tem certeza de que quer tentar isso? — ela perguntou.
— O que é Código Vermelho? — Della perguntou antes de Kylie abrir a boca para fazer a mesma pergunta.
Burnett respondeu um pouco hesitante.
— Até o momento só a UPF sabe sobre essas mortes. Código Vermelho significa que vamos camuflar as coisas, simulando um acidente de carro.
— Vocês vão deixar ele se safar? — perguntou Kylie.
— Não. Mas não podemos deixar isso vazar. Qualquer boato vai causar um pandemônio e eles fecharão a escola.
Selynn ergueu a mão como que pedindo silêncio. Então começou a falar ao telefone:
— É Código Vermelho. — Ela fez uma pausa. — Eu sei — disse, olhando de relance para Burnett. — Ele deu a ordem, só estou comunicando.
Burnett franziu a testa e Kylie teve a impressão de que o que quer que ele estivesse fazendo era pela escola e talvez até por Holiday. Mas ela ficou imaginando que bem isso faria para o povo da cidade – os seres humanos que nunca saberiam do crime e das duas vidas sacrificadas.
Quando entraram no escritório de Holiday trinta minutos depois, ela praticamente pulou da cadeira e correu até eles.
— Graças a Deus! — ela gritou, envolvendo o grupo todo num abraço.
— Estamos bem — disse Della, que foi a primeira a se afastar.
Fale por si mesma, pensou Kylie. Ela poderia ter aproveitado o abraço mais alguns segundos. Desde toda a história com Burnett, não sentia Holiday tão próxima.
— Olhem! — Della apontou a tela da TV, sobre um suporte preso à parede.
Kylie olhou para a tela e prendeu a respiração. O noticiário mostrava um carro destruído e a foto de duas garotas. Não pode ser. De repente se sentiu enjoada.
Holiday pegou o controle da TV e aumentou o volume.
“Duas adolescentes morreram hoje num acidente automobilístico. Ao que parece...” — continuou o repórter.
— Nós encontramos essas meninas na cidade! — exclamou Kylie, sentindo um aperto no peito. — Conversamos com elas. — Por alguma estranha razão, aquele breve encontro tinha tornado as mortes ainda mais pessoais. — A ruiva se chamava Amber. Não sei o nome da loira.
— Elas não foram muito simpáticas — disse Della, com tensão. — Mas não mereciam morrer.
— Não mesmo — concordou Miranda, pondo as mãos na boca, com os olhos fixos na tela.
Kylie teria concordado, mas não conseguiu dizer nada. Ela se lembrou nitidamente do sangue na camisa do vampiro e a emoção a impediu de falar. Era o sangue das adolescentes que ela tinha visto. Quando percebeu que ia começar a chorar, ela se sentiu como um bebê chorão, mas então notou que Della e Miranda também tinham lágrimas nos olhos.
— Eu sinto... — Kylie se forçou a falar. — Sinto como se fosse culpa minha.
Holiday pegou novamente o controle remoto e desligou a TV.
— Foi terrível! Mas se existe um responsável é o vampiro que as matou. — Então ela olhou para cada uma delas, como se precisasse memorizar o rosto de todas. — Quando ouvi sobre as adolescentes encontradas... pensei... — Os olhos de Holiday se encheram de lágrimas. E isso bastou para que o choro fosse geral. Nem mesmo Della conseguiu ficar de fora.
Nesse exato momento, Burnett entrou no escritório. Seu olhar passou de uma a uma. Kylie quase podia ouvi-lo rosnando interiormente ao vê-las chorando.
— Eu... eu vou... esperar aqui fora. — Obviamente nem um vampiro durão, treinado pela UPF, era capaz de lidar com quatro mulheres se debulhando em lágrimas.
Quinze minutos depois, Burnett colocou a cabeça para dentro do escritório e entrou ao ver que mais ninguém estava com lágrimas nos olhos. Em seus calcanhares, entrou Selynn, que parou ao lado dele, perto o bastante para que seus braços se tocassem. Burnett deu um passo para o lado, afastando-se um pouco da lobisomem, e começou a explicar que precisava interrogar a todas separadamente. Abriu a porta do escritório e pediu que Kylie e Miranda esperassem do lado de fora.
Quando as duas saíram, Selynn olhou para Holiday.
— Você precisa sair também. — A voz de Selynn tinha um tom condescendente que fez Kylie perceber, no mesmo instante, que ela realmente não gostava da investigadora. Nem um pouquinho.
Holiday lançou sobre a mulher um olhar que Kylie só podia descrever como ferozmente protetor.
— Desculpe, mas não recebo ordens de ninguém quando o assunto envolve o meu acampamento. Ou o senhor Burnett não a informou sobre isso?
— Ela pode ficar — intercedeu Burnett.
— Não acho que seja aconselhável — contestou Selynn, pousando a mão no braço de Burnett.
— As meninas vão se sentir mais à vontade com ela aqui — respondeu ele, afastando-se de modo quase imperceptível do seu toque. Mas Kylie notou o olhar de Holiday diante da familiaridade com que a mulher tratava Burnett.
O ciúme faiscou nos olhos de Holiday. Uma faísca que não durou mais do que um segundo. Num piscar de olhos, já tinha desaparecido. E provavelmente por uma única razão. Selynn olhou para Holiday como se esperasse uma reação. O que levou Kylie a deduzir que Selynn sentia alguma coisa por Burnett, embora ele não aparentasse corresponder a esses sentimentos.
Nada garantia, porém, que ele não estivesse simplesmente escondendo muito bem o que sentia. Será que essa era uma das razões que fazia Holiday se recusar a se aproximar de Burnett? Porque ela sabia que ele já estava envolvido com outra pessoa? Uma súbita desconfiança agitou-se dentro de Kylie.
Burnett fez um gesto na direção da porta, pedindo que Kylie e Miranda saíssem. Kylie não se moveu até que Holiday confirmasse a ordem.
— Quem elas acham que está no comando? — perguntou Selynn, contrariada com a demonstração de Kylie com respeito à autoridade de Holiday.
— Será que podemos simplesmente começar? — perguntou Burnett.
Kylie e Miranda saíram e aguardaram na antessala do escritório.
— Ele quer ter certeza de que não estamos mentindo. É por isso que quer falar com a gente separadamente — disse Miranda à meia voz.
— Não acho que ele pense que somos culpadas — respondeu Kylie, em defesa de Burnett, embora não pudesse dizer o mesmo de Selynn. Isso fez Kylie pensar novamente no relacionamento entre Burnett e a rude lobisomem.
— Deus, que coisa horrível! — A emoção imprimia à voz de Miranda um tom estridente. — Mal posso acreditar que conhecemos as garotas que foram assassinadas.
— Nem eu — concordou Kylie, mas, na verdade, ela não queria pensar naquilo agora. Ainda tinha uma forte sensação de que ela era culpada de tudo. Desabou sobre uma das cadeiras das escrivaninhas que atulhavam a sala de espera e olhou para as próprias mãos. Será que era disso que os fantasmas estavam falando? Não, o espírito da mulher tinha insistido em dizer que se tratava de alguém que Kylie amava. Esse pensamento fez com que uma onda de tristeza a percorresse. Ela não amava essas duas garotas, mas alguém amava. Elas tinham mãe, pai... Cerrando as pálpebras, Kylie tentou entrar em contato com a mesma calma que tinha sentido na cachoeira. Mas como ela conseguiria conservar a calma se não paravam de acontecer coisas ruins?
— Poderia ter sido a gente... — disse Miranda, puxando uma linha presa ao jaleco verde que ainda vestia.
— Eu sei — concordou Kylie, torcendo as mãos.
Haviam-se passado poucos minutos quando Selynn e Della saíram do escritório. Kylie se levantou. Selynn fez um sinal para que Miranda a acompanhasse. Então se virou para Kylie e Della.
— Preferimos que vocês não conversem. E não se esqueçam de que Burnett vai ouvi-las se falarem — avisou-as Selynn, com o ensaio de um sorriso nos lábios, antes de entrar atrás de Miranda.
Della mostrou os dentes às costas da lobisomem.
— Piranha... — xingou baixinho.
Mas, quando a mulher fechou a porta atrás dela, Della repetiu em voz alta:
— Piranha! Não estou nem aí que você possa me ouvir, Burnett — disse Della, olhando para a porta do escritório. — Ela é uma piranha. E você sabe disso. Eu sei. E Holiday sabe.
Passos soaram na varanda da cabana. Kylie olhou na direção da porta justo quando ela se abriu e Derek irrompeu na sala.
— Graças a Deus! — Ele parou e ficou ali, olhando para ela, como se nem tivesse reparado nos jalecos de hospital. Logo atrás dele vinha Perry, com o mesmo olhar preocupado.
— Onde está Miranda? — Perry perguntou, olhando ao redor da sala. Medo e outras emoções profundas eram visíveis nos seus olhos, agora cor de cobre.
Kylie não teve chance de responder, porque Derek a puxou de encontro ao seu peito, num abraço apertado. Ela deixou que ele a envolvesse nos braços e encostou a cabeça em seu peito, suspirando ao sentir o quanto era bom ficar tão próximo a ele.
— Por que você quer saber? — Della perguntou com rispidez. — Não gosta dela, lembra?
— Está tudo bem com ela? — Perry perguntou com urgência, a voz carregada de emoção.
Kylie não se deu ao trabalho de se afastar para ver, mas imaginou os olhos de Perry mudando de cor enquanto falava. Ela já tinha percebido que a cor dos olhos do metamorfo mudava com suas emoções.
— Ei, não vem dar uma de Tiranossauro rex pra cima de mim. — A voz de Della tinha perdido o tom de cinismo. Se era por medo de Perry ou por ter sentido a emoção na voz dele, Kylie não sabia.
— Você está bem? — Derek perguntou no ouvido de Kylie.
— Estou. — Droga, Não! Kylie se afastou um pouco para olhar nos olhos dele e viu o mesmo brilho de preocupação que havia nos olhos de Perry. Uma torrente de calma fluiu de Derek para ela. Mas ela não contestou desta vez. Realmente precisava daquilo.
A porta do escritório de Holiday se abriu e Miranda apareceu. Perry encontrou seus olhos, depois desviou o olhar e saiu da cabana. Miranda ficou observando-o se afastar.
— O que ele queria? — perguntou.
— Ter certeza de que você estava bem — respondeu Derek, passando o braço pela cintura de Kylie. — Encontrei com ele logo depois de saber o que tinha acontecido e contei de vocês. Ele estava preocupado com você.
— Mas não o suficiente para falar comigo, né? — O olhar no rosto de Miranda era uma mistura de raiva e tristeza. — Sua vez — disse, voltando-se para Kylie e apontando a porta. — Cuidado, a lobisomem morde.
Kylie apertou levemente a mão de Derek e entrou na sala, para enfrentar Burnett e a colega de trabalho. Já não se sentia mais intimidada por Burnett como se sentira da primeira vez em que ele a interrogara; mesmo assim, persistia uma ponta de nervosismo.

Um comentário:

  1. esse Perry devia assumir logo o amor pela Miranda... acho que esse vampiro do mau ficou afim da Kylie 😂😂
    ass: Mary seguidora do camiho de Ísis

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