30 de setembro de 2016

Capítulo 15

A pergunta dele deixou todos os nervos dela à flor da pele.
— Que tipo de pergunta é essa?
— Obviamente uma bem difícil. — Ele dobrou os joelhos e olhou para os próprios pés.
Algo lhe dizia que ele estava sondando suas emoções naquele exato momento – tentando entendê-las. Mas como ele podia fazer isso se nem ela mesma conseguia entendê-las?
— Mas ele não está aqui — conseguiu dizer.
Ele olhou para ela de cima.
— Há boatos de que está pra voltar.
Ela sentiu o ar preso na garganta.
— Não importa — ela se forçou a dizer. — Ele está com Fredericka.
— Ele a trocaria por você assim — Derek estalou os dedos. — Não é cego nem burro.
Ela balançou a cabeça.
— Bem, talvez eu não queira ninguém que tenha fugido com outra pessoa.
Ele arqueou uma sobrancelha.
— O “talvez” na sua resposta me preocupa mais do que a confusão nos seus sentimentos neste instante.
Ele franziu a testa ao olhar para ela.
— Por favor, não me decepcione, Kylie.
O coração dela quase se partiu naquele momento.
— É a última coisa que eu quero fazer.
Ele a beijou suavemente e então se recostou novamente na parede.
— É melhor eu te levar de volta para a sua cabana antes que todo mundo volte pra cá.
Ela concordou com a cabeça e aceitou a mão que ele lhe oferecia para se levantar. Começaram a descer os degraus da varanda quando ele parou.
— Ah, eu me esqueci. Tenho uma coisa pra você.
Ele correu de volta para dentro e voltou em alguns segundos com um pedaço de papel.
— O que é isso? — ela perguntou quando ele o passou para ela.
— É o telefone de um investigador particular.
Como ele não disse mais nada, ela perguntou:
— E pra quê?
— Você disse que estava tentando encontrar seus avós verdadeiros. Esse cara é bom em achar pessoas. Se alguém pode encontrá-los, é ele.
Kylie ergueu os olhos do papel e olhou para Derek.
— Você acha mesmo que ele pode localizá-los depois de tanto tempo? Quer dizer, eu andei tentando encontrar os pais adotivos de Daniel e nem eles eu consegui.
— Ele é muito bom — insistiu Derek.
O coração dela se apertou.
— E provavelmente cobra caro. Não tenho como pagar. — Ela começou a devolver o papel, mas ele deteve a mão dela.
— Ele não vai cobrar de você, Kylie. Pode ligar.
— Por que não vai cobrar de mim? Você disse que ele era investigador particular.
— Porque é meu amigo. Além disso, eu costumava fazer uns trabalhos pra ele.
— Você trabalhou para um investigador?
— É, eu fui vê-lo algumas vezes... pra ver se conseguia localizar meu pai.
Aquela informação a surpreendeu. Ela não achava que Derek quisesse notícias do pai.
— E ele o encontrou?
— Encontrou... — ele confirmou. — Sabe, você perdeu uma ótima pizza hoje à noite — acrescentou, deixando claro que não queria falar a respeito do pai.
Mas Kylie não conseguiu parar de perguntar.
— E você o viu?
— Não. Só queria saber onde estava o cretino.
Kylie sentiu a dor que Derek guardava no peito.
— Então como você acabou trabalhando pra esse investigador?
— Ele achava que a minha habilidade de ler emoções podia ser muito útil.
Querendo ainda suavizar a dor nos olhos de Derek, ela ficou na ponta dos pés e deu um beijo nos lábios dele. Um beijo profundo. Ela o puxou para mais perto, tão perto, que sentiu os seios pressionados contra o peito dele. As mãos de Derek desceram pelas costas dela e envolveram sua cintura. Uma das palmas deslizou por dentro da camiseta dela e foi subindo lentamente. Ele acariciou suas costas, parando logo abaixo do sutiã, como se não quisesse ir além do limite. Um limite que ela quase queria que ele ultrapassasse.
Quando ela se afastou um pouco, sua respiração estava entrecortada.
— Obrigada por isto — ela disse, mostrando o papel.
— Uau! — ele exclamou, sorrindo, e tocou os lábios dela. — E se ele conseguir encontrá-los, o que eu ganho?
Ela lhe deu uma cotovelada de leve nas costelas. Ele riu e passou o braço pelos ombros de Kylie, enquanto iam para a cabana dela.


Exatamente às oito horas da manhã, Kylie já tinha uma colega de alojamento fora da cabana – Della tinha um ritual de vampiros – e estava tentando se livrar da outra. Disse a Miranda para ir tomar o café da manhã sem ela. Kylie a encontraria mais tarde. Miranda já tinha saído pela porta da frente, mas estava ali há uns cinco minutos realizando algum tipo de encantamento. Kylie por fim colocou a cabeça para fora da porta e perguntou:
— O que está fazendo aí?
— Eu já disse. Só estou tentando manter nossa cabana protegida.
Kylie lembrou-se da amiga insistindo em dizer que sentia uma presença indesejável espreitando por ali, embora Kylie não tivesse sentido nada. Exceto nos momentos em que andava sozinha pelos bosques ou pelas trilhas.
— Protegida do quê... exatamente?
Miranda espalhou algum tipo de erva no ar. Elas crepitaram e estalaram enquanto caíam numa espiral descendente, dando a Kylie a certeza de que não eram ervas comuns.
— Não sei... exatamente.
— Você já não tinha feito um feitiço para se livrar desse espião?
— Tinha, mas o bad boy ainda está por aqui. Simplesmente não foi embora ainda.
Kylie não queria perguntar, mas achou que tinha esse dever.
— Poderia ser um fantasma? — porque, se fosse, Kylie não tinha certeza se Miranda deveria tentar mantê-lo afastado. Gostando ou não, lidar com fantasmas era função de Kylie. Não que os rituais de Miranda tivessem evitado a visita de fantasmas. No entanto, se as ervas dela estavam, de algum modo, mantendo Daniel afastado, Kylie tinha de fazer alguma coisa. Ela precisava realmente falar com Daniel.
— Não, não é um dos seus fantasmas — respondeu Miranda.
— Então o que é? — Kylie ficou um pouco apreensiva ao se lembrar da visita indesejável do vampiro ao acampamento algumas noites antes. — Quer dizer, Della não saberia se fosse alguém mal-intencionado?
— Sim, mas isso não é... normal. Envolve mágica. Não usei meu dedinho ainda, mas já estou cuidando disso.
Cuidando disso assim como estava cuidando da transformação de Socks em sua antiga forma felina? Kylie não disse nada, porque magoaria Miranda, mas não pôde deixar de pensar.
— Você já falou com Holiday? — Kylie perguntou.
— Ainda não. Quero tentar resolver isso sozinha primeiro.
Kylie assentiu, mas não tinha certeza se essa era mesmo a melhor opção.
— Já está pronta pra ir? — Miranda perguntou, depois de espalhar mais um pouquinho de ervas.
— Não. — Kylie tirou algumas pequenas ervas crepitantes do cabelo. — Tenho que dar alguns telefonemas.
— Tudo bem, mas não chegue muito tarde. Depois da Hora do Encontro, vamos cozinhar juntas, e hoje combinamos de fazer brownie e é você quem vai fazer a cobertura. E não vão nos deixar comê-los antes que você acabe a sua parte. E eu adoro, adoro brownie. E não quero ter que esperar.
— Não vou me atrasar. — Kylie de fato estava gostando da ideia de ter aulas de culinária na última semana. Quem sabe ela não pegasse gosto por decoração de bolos e coisas assim? Lidar com lápis e papel nunca tinha sido seu forte, mas trabalhar com glacê parecia divertido. Ela sempre gostou de assistir a programas de decoração de bolos na televisão.
Miranda começou a se afastar, mas então se virou.
— Pra quem vai ligar?
Com o número do detetive particular na mão, ela quase contou à Miranda a verdade, mas achou que não estava pronta para dividir aquilo com alguém.
— Explico depois.
— Trey? — perguntou Miranda.
— Que nada! — Kylie respondeu.
— Sara? — apostou Miranda.
— Explico depois. — Kylie franziu a testa, lembrando-se que Sara ainda não tinha retornado sua ligação.
— Um admirador secreto? — Miranda continuou, como se aquilo fosse um jogo. — Um cara muito gato que beija como ninguém e sobre o qual você ainda não nos contou? Ah, eu quero conhecê-lo!
Kylie suspirou.
— Eu não tenho nenhum cara muito gato.
— Sério? Do jeito que você ficou vermelha quando contou sobre Derek nu, pensei que ele fosse o seu gato.
— Vá tomar o seu café. — Kylie acenou para ela.
— Tuuudo bem — disse Miranda, se afastando.
Kylie fechou a porta e olhou para o papel que tinha na mão. Ela finalmente tinha a sensação de que estava perto de conseguir algumas respostas. Não tinha tido a sorte de encontrar os pais adotivos de Daniel nem sabia se estavam vivos; e não tinha nem ideia de como começar a procurar os verdadeiros. Mas se Derek estivesse certo... se esse detetive era tão bom assim, então talvez pudesse encontrá-los. E como eles eram sobrenaturais, ou pelo menos um deles devia ser, e considerando que tivessem uma expectativa de vida maior, então havia uma boa chance de que estivessem vivos.
Se ela os encontrasse, teria algumas respostas. Finalmente descobriria o que era. Deus, ela realmente esperava que o cara fosse tão bom quanto Derek acreditava.
Só a menção do nome de Derek, ou talvez tenha sido aquela história de Miranda, sobre o cara muito gato, fez Kylie relembrar algumas cenas da noite anterior. Toda aquela cena do chuveiro e os beijos excitantes que tinham trocado.
Uau! E se ele conseguir encontrá-los, o que eu ganho?
A pergunta de Derek ficou dando voltas na sua cabeça. Ela sabia que ele estava brincando, não esperava nenhum tipo de pagamento por ajudá-la E talvez também fosse por isso que ela queria recompensá-lo. Ou não exatamente recompensá-lo. Ela só queria...
Pode parar, ela disse para si mesma. Era muito cedo para começar a pensar nesse tipo de coisa. Pense em decoração de bolos. Ou pense em fazer a ligação.
Com o fone do balcão da cozinha na mão, sentou-se na cadeira do computador. Respirou fundo e discou o número do investigador.
— Agência Brit Smith — ele respondeu.
— Oi. — Ela não sabia muito bem por onde começar. Meu nome é Kylie Galen.
— A garota do Derek? — o homem perguntou.
Kylie sentiu uma contração no estômago ao ser chamada de “garota do Derek”. De fato soou muito bem, embora não fosse oficialmente namorada dele. Então, mais uma vez lembrou-se dele nu... Pare com isso!
— Derek disse que você poderia me ajudar a encontrar uma pessoa.
— Eu me lembro, algo sobre o seu pai ter sido adotado. Me dê um minuto para me sentar na frente do computador; quero fazer algumas anotações.
— Claro. — Enquanto Kylie esperava, ela olhou a tela do computador e resolveu verificar seus e-mails. Moveu o mouse para reativar o computador.
Depois de alguns segundos, um artigo do jornal Springville Times apareceu na tela. Quando Kylie começou a ler, viu que não era um artigo qualquer. Eram os obituários do jornal. Springville? Della não era de Springville, no Texas? Mas por que ela tinha...
— Pronto — disse o detetive. — Qual é o nome do seu pai?
Kylie desviou os olhos do computador.
— Daniel Brighten.
— Nomes dos pais dele?
— Não sei o primeiro nome deles — Kylie explicou.
— Tudo bem. Em que estado ele nasceu?
— Eu... não sei.
— Mas era do Texas, não?
Kylie começou a ter cada vez menos esperança de que aquilo fosse levar a algum lugar.
— Não tenho certeza.
— Tudo bem — ele disse, mas desta vez parecia um pouco mais desanimado. — Talvez seja melhor começar me dizendo o que você sabe.
A mente de Kylie começou a reunir informações.
— Os pais dele moravam em Dallas quando minha mãe o conheceu... Eu estou... ligando para todos os Brightens da região de Dallas. Até agora não encontrei ninguém que dissesse conhecer meu pai. — Ela continuou contando que Daniel tinha morrido na Guerra do Golfo. E contou até um pouquinho do primeiro encontro entre Daniel e sua mãe. Não havia muito em que ele pudesse se basear, e ela sabia disso.
— Isso não é muita coisa — disse o sr. Smith, confirmando o que ela pensava e deixando-a ainda mais desanimada. — Mas eu vou ver o que consigo desenterrar. Estou trabalhando num grande caso agora e pode ser que demore um tempinho para eu começar a sua investigação, mas quando tiver alguma informação aviso você. Enquanto isso você continua fazendo as suas perguntas.
— Fazendo minhas perguntas pra quem? — Kylie perguntou.
— Pra sua mãe, é claro.
— Acho que ela já disse tudo que sabia.
— Talvez. Mas os pais são meio relutantes quando se trata de falar sobre seus relacionamentos e coisas do tipo.
Kylie mordeu o lábio e se perguntou se ele estaria certo. Com certeza a mãe dela não era uma pessoa muito aberta.
— Acho que tem razão.
— E mesmo que ela não esteja escondendo nada de você de propósito, pode não ter reparado em algo importante. Ela sabe que você está procurando pela família dele, não sabe?
— Humm, na verdade, não.
O investigador ficou em silêncio e ela presumiu que ele estava se perguntando se arranjaria alguma encrenca investigando o caso para uma menor de idade.
— Tenho a intenção de contar pra ela — Kylie esclareceu. — Só não tive chance ainda. — Ou não decidi como contar.
— Ótimo. Acredite quando eu digo que esse tipo de coisa funciona melhor quando a gente encara de frente.
— Eu sei — Kylie concordou, tentando imaginar como falaria sobre o assunto com a mãe. Como iria explicar que queria encontrar os pais verdadeiros de Daniel, não os pais adotivos, porque precisava saber que espécie de sobrenatural ela era?
Depois de desligar o telefone, Kylie continuou sentada ali, sem muito ânimo. O investigador não parecia mais a solução de que ela precisava. E se aquilo também não funcionasse? O que ela faria? Se pelo menos conseguisse obter mais informações acerca de Daniel. Ela olhou para o teto.
— Será que você não poderia vir me visitar?
O ar frio espiritual não invadiu o cômodo. Kylie estava prestes a se levantar quando seu olhar se desviou novamente para a tela do computador e os obituários. Ela notou que as datas das mortes eram de oito meses antes.
Um pensamento terrível a atingiu como um raio. Será que Della estava pesquisando os obituários porque achava que podia ter matado alguém durante os dias de que não tinha nenhuma lembrança, logo após a transformação?
O olhar de Kylie se voltou para a tela, agora para os rostos das pessoas que tinham morrido. Só alguns obituários citavam a causa da morte e nenhum deles dizia “exangue”. Embora, no fundo, ela soubesse que deveria estar se sentindo mal por todas aquelas pessoas mortas, não conseguia parar de pensar em Della. Devia ser muito ruim viver com a suspeita de que se matou alguém.


Alguns dias se passaram sem que nada diferente acontecesse. Kylie tinha tentado falar com Della a respeito do que descobrira no computador, mas a amiga se recusara a falar sobre o assunto. Ela tentou iniciar uma conversa sobre Daniel com a mãe, mas não conseguiu nenhuma informação importante.
Embora toda manhã Kylie acordasse ao raiar do dia com uma lufada de ar frio em seu quarto, o espírito partia sem fazer nenhum contato verbal ou visual. Nada de Daniel também. Kylie tinha a impressão de que todos os seres do mundo espiritual estavam fazendo greve.
Ela não tinha certeza do que isso significava. Entendia a ausência de Daniel. Ele tinha falado que seu tempo na Terra agora era muito limitado, mas e quanto ao espírito da mulher, que insistia em dizer que alguém que Kylie amava estava prestes a morrer?
Segundo Holiday, Kylie não devia se preocupar, pois, quando os espíritos precisavam dizer alguma coisa, eles sem dúvida apareciam. Ela até tentou garantir a Kylie que provavelmente a ausência do fantasma era um bom sinal. Ou o espírito tinha percebido que o perigo não era tão iminente ou a situação tinha se resolvido por si mesma. Kylie tinha esperança de que se tratasse da segunda opção. Mas sua intuição lhe dizia para não ter muitas esperanças.
Embora Holiday e Kylie tivessem se encontrado duas vezes depois que ela confessara o seu erro à amiga, Holiday manteve uma postura muito prática, quase distante. Kylie tinha tentado se desculpar novamente, mas Holiday não tinha deixado que ela continuasse e disse que já tinha esquecido o caso.
Esquecido talvez, mas não perdoado. Kylie sentiu isso quando olhou nos olhos da líder do acampamento. E a dor de saber que seu erro tinha afetado o relacionamento entre as duas deixou um vazio no peito de Kylie. Para deixar as coisas ainda piores, a tensão entre Holiday e Burnett parecia ainda maior. Obviamente, a interferência de Kylie não só não ajudara em nada, como tinha aumentado a distância entre eles.
— Está pronta? — Kylie ouviu Miranda chamar da sala.
Socks levantou sua carinha de gambá do colchão e sibilou. Não havia dúvida de que o gatinho/gambá estava cansado de ver Miranda andando atrás dele e tentando desfazer a confusão que criara. Kylie não se surpreenderia se ele acabasse soltando um jato de fedor sobre ela. Isto é, se ele pudesse fazer isso.
— Não. Eu nem penteei o cabelo — Kylie gritou de volta, olhando em volta à procura da escova de cabelos. — Por que não vai tomar o café com Della e nos encontramos daqui a pouco?
— Tudo bem — gritou Miranda. — Mas vá logo. Não vejo a hora de ir. Parece que faz anos que não faço compras. E, quando sair, abra a porta antes de sair, em vez de derrubá-la.
Kylie fez cara feia; preferia não ter contado a Miranda e a Della sobre toda a cena do chuveiro, na cabana de Derek. Mas, mesmo se tornando alvo de gozação das duas, não tinha achado certo não contar.
— Holiday disse se teríamos hora pra voltar? — Miranda gritou mais uma vez.
— Não — Kylie respondeu.
Holiday, apesar de parecer emocionalmente distante, tinha concordado em deixar Kylie, Della e Miranda irem à cidade comprar roupas com um dos veículos da escola. Ou ela concordava em deixar ou Kylie teria que emprestar sapatos e sutiãs de alguém. Graças a Deus, o surto de crescimento parecia ter parado. Mas quem disse que isso tinha feito Kylie parar de se preocupar? O que aquilo tudo significava? E quando ela saberia com certeza o que aconteceria depois? A lua cheia começaria na segunda-feira seguinte. Os lobisomens do grupo tinham planejado uma demonstração didática aquela noite, para que todos pudessem assistir a um deles se transformando.
Sempre que Kylie deixava a sua mente vagar, ela se preocupava com a possibilidade de ser um dos lobisomens a participar da demonstração. Se as mudanças no seu corpo deviam-se ao fato de ela ser um lobisomem, aquilo não significava que ela estava se transformando também, mesmo que num grau menor? Seu coração acelerou diante daquele pensamento. Ela saberia o que fazer? Se lembraria de quem era antes?
Kylie ouviu a porta da cabana se fechar e pegou o celular para ter certeza de que não tinha perdido nenhuma ligação do sr. Smith. Ao olhar o visor, viu que tinha algumas mensagens de voz. Teve esperança de que fossem boas notícias.
Mas não. Nenhuma ligação do investigador. Duas mensagens do padrasto e uma de Trey. Ótimo. Que maravilha! Ela deletou as três mensagens sem ouvir nenhuma delas.
Quando enfiou a mão na gaveta para procurar a escova, seus olhos encontraram a carta de Lucas. A curiosidade aguçava a sua vontade de abri-la, mas outra emoção – que Kylie identificava como culpa – fez com que mantivesse a carta fechada e intacta.
Por favor não me decepcione, Kylie.
As palavras de Derek cruzaram sua mente. Ela não tinha nenhuma intenção de decepcionar Derek. Não tinha nenhuma intenção de se envolver com Lucas. Então alguém podia explicar por que ela sentia culpa ao pensar em ler a carta?
Talvez porque continuasse sonhando com ele. Quer dizer, quase sonhava com ele. Por mais estranho que fosse, os sonhos sempre acabavam antes de realmente começarem. No entanto, Kylie tinha a sensação de que era melhor assim. Ela de algum modo sentia que eles seriam parecidos com o sonho que tivera antes, em que se beijavam e se tocavam e as roupas eram consideradas opcionais...
Por que ela continuava quase sonhando com ele?
Porque você tem sentimentos não resolvidos em relação a ele, dizia uma voz interior.
Uma voz que Kylie gostaria de não ouvir. Ela não queria ter nenhum sentimento por Lucas. Ele tinha fugido com Fredericka. E Kylie agora estava com Derek... ou quase. Eles não tinham se beijado desde a noite em que ela o vira nu. Uma lembrança que nunca se afastava muito dos seus pensamentos.
No entanto, desde aquela noite, ele parecia manter uma certa distância dela. Kylie não sabia se era porque ele sentia que ela ainda ficava constrangida ao pensar que todos percebiam seus desejos incontroláveis por ele, ou se era outra coisa.
Talvez esse fosse o jeito dele de mostrar como uma pessoa se sentia quando outra a evitava. Embora Derek não fosse do tipo que fazia esse tipo de joguinho.
Talvez fosse simplesmente porque ela ainda não tinha assumido um compromisso verbal com ele, para que se tornassem um casal, namorados, enfim. Não que isso tivesse algo a ver com a carta de Lucas. Não tinha nada a ver. Nada mesmo. Lucas era passado. Mesmo que ele voltasse. Ele já tinha feito a sua escolha ao fugir com Fredericka.
Não que ela tivesse a intenção de ser rude com ele caso voltasse. Eles poderiam até ser... amigos. Se sua femeazinha de lobisomem deixasse.
A lembrança de Fredericka levou Kylie de volta à noite em que tinha ficado encurralada em seu quarto com o leão. A Confraria de Sangue, a gangue de vampiros perversos, tinha começado a aterrorizar e exterminar a vida selvagem na reserva animal vizinha, esperando que a UPF pusesse a culpa em alguém do acampamento e fechasse as portas. No entanto, Kylie não conseguia deixar de lado a suspeita de que alguém tinha feito o leão entrar em seu quarto. Alguém que podia ter sido Fredericka. Ela estava errada de suspeitar da garota? Kylie achava que não.
Ah, droga, ela não devia ter trazido à tona todas aquelas lembranças. Nem pensado no fato de não ter aberto a carta de Lucas. Ela agarrou o envelope, abriu o lacre e estava prestes a pegar a carta quando o telefone tocou.
Ela largou a carta sobre a cama, verificou o visor do celular e atendeu.
— Oi, mãe.
— Oi, querida — a mãe disse, com um suspiro. — Sinto trazer más notícias.
— O que foi? — No mesmo instante, a temperatura no quarto caia. Kylie sentiu o estômago se contrair num nó apertado. Será que alguém que ela amava estava em perigo, como o fantasma tinha avisado?
— Está tudo bem com você, mamãe? — perguntou Kylie, sentindo o pânico crescer dentro dela.
— Comigo está tudo bem.
Ai, Deus! A temperatura do quarto tinha caído mais uns dez graus.
— O que foi? Alguma coisa errada?
— Acabei de receber um e-mail da empresa em que eu trabalho, insistindo para que eu vá para Nova York hoje mesmo. É um ótimo cliente... então não vou poder ver você no dia dos pais. Pesquisei para ver se achava um voo noturno de volta para cá, mas está tudo lotado.
O calafrio continuou, embora o pânico de KyIie diminuísse.
— Tudo bem — Kylie olhou em volta para ver se o fantasma havia se materializado. Não viu nada. Kylie estendeu o braço e acariciou Socks, que olhava em volta, nervoso, com seus olhinhos brilhantes de gambá. Socks sempre sabia quando um fantasma estava presente.
— Quero ver você. Sinto como se não a visse há meses — disse a mãe.
— Não faz meses — Kylie respondeu. — Só duas semanas. — Mas lá no fundo, Kylie percebeu que sentia falta da mãe também. — De qualquer maneira, estarei em casa em algumas semanas para passar o final de semana. Teremos muito tempo pra ficar juntas.
— E iremos ao jantar no hotel mal-assombrado — a mãe acrescentou, com a voz cheia de entusiasmo.
— É, isso também — disse Kylie, tentando não deixar transparecer o seu pavor.
Elas conversaram durante alguns minutos sobre os horários da mãe e sobre a prima dela, que queria lhe fazer uma visita. Kylie quase mencionou Daniel outra vez, mas não conseguiu pensar numa maneira de introduzi-lo na conversa.
Enquanto conversavam, Kylie puxou o cobertor mais para cima. O frio do espírito continuou e ficou até mais intenso, mas ele ainda não tinha se materializado.
— Ah, adivinha quem eu encontrei no supermercado — a mãe contou.
— Quem? — Deus, está ficando cada vez mais frio!
— Sara.
Kylie sentiu um sobressalto de emoção.
— Como ela está?
— Na verdade, não estava com uma aparência muito boa.
— O que ela fez? Tingiu o cabelo ou colocou uma argola no nariz? — Kylie perguntou, conhecendo a opinião da mãe sobre essas coisas. O relacionamento entre elas podia ter melhorado, mas isso não tornava a mãe perfeita nem mudava o criticismo dela.
— Nada disso — a mãe explicou. — Sara não é esse tipo de menina.
A mãe se surpreenderia se soubesse de alguns detalhes sobre a vida de Sara, com relação a bebidas e garotos – não que isso fizesse dela má pessoa. Ela estava apenas... passando por uma fase.
— Ela só não parecia bem — a mãe continuou. — Está mais magra do que deveria. Não gosto nada de ver vocês, meninas, achando que precisam vestir manequim número 36 para parecerem bem. Espero que você não esteja perdendo peso.
— Não, acho que estou até maior. — Franzindo a testa, Kylie olhou para baixo e fitou os próprios seios, pensando em que a mãe diria quando a visse.
— Ah, isso me fez lembrar: você já foi fazer compras? — a mãe perguntou. — A líder do acampamento me telefonou perguntando se vocês poderiam ir de carro até a cidade. Eu disse que já tinha dado permissão.
— Na verdade, estamos indo hoje. — Kylie estremeceu novamente com o frio fantasmagórico.
— Bem, então divirtam-se. E tenha juízo. — O tom maternal encheu sua voz.
— Terei — Kylie prometeu. — Menos de cem dólares. Me lembro do que você disse.
— Tudo bem, até cento e cinquenta. Mas não mais do que isso.
— Mãe, não estou pedindo...
— Eu sei. — A mãe riu. — Mas eu estou oferecendo. — Ela ficou em silêncio por um segundo. — Ah... meu bebê está crescendo. — A mãe deu um suspiro longo e sincero. — Ah, me esqueci de mencionar que contei a Sara que você viria para casa. Ela disse que você já tinha mandado uma mensagem, avisando, e ela tinha recebido. Provavelmente vai entrar em contato com você nos próximos dias.
Sara tinha recebido em torno de quatro mensagens, sem falar nos telefonemas e nos e-mails, Kylie pensou.
Ela e a mãe bateram papo por mais alguns minutos. Falaram principalmente da venda da casa – outro assunto sobre o qual Kylie tinha que morder a língua para não falar o que pensava.
— Ainda vou ver se consigo ver você no sábado. Talvez eu consiga pegar o primeiro voo da manhã. Se eu embarcar até as dez, talvez consiga vê-la. Mesmo que chegue um pouquinho atrasada.
— Mãe, tudo bem. Não se preocupe. E eles são bem severos com o horário de visitas aqui. — E se você vier fora do horário talvez eles a confundam com um vampiro. — Então, por favor, não se preocupe, ok?
— É que sinto saudade — a mãe choramingou.
— Eu também sinto.
Quando Kylie desligou, o ar ainda estava gélido. Kylie teve a bizarra sensação de que o espírito da mulher estava ali, ouvindo a conversa. Mas pôr quê?
— Tem alguma coisa a dizer? — perguntou Kylie ao fantasma. — Algo a me mostrar? — murmurou com menos entusiasmo. Kylie na verdade não gostava nada de visões ou sonhos aterrorizantes, mas estava disposta a enfrentá-los, caso fossem a solução para proteger alguém que ela amava.
Nenhuma resposta surgiu em meio ao ar frio e, passados alguns segundos, o calafrio passou. Ela consultou o relógio na mesinha de cabeceira e gemeu. Estava atrasada, o que significava que Della e Miranda provavelmente já estavam impacientes.
Ela agarrou a escova de cabelo, o celular e a bolsa e dirigiu-se para a porta. Só quando estava prestes a fechá-la é que olhou para trás e viu a carta de Lucas sobre a cama.
— Agora não dá mais tempo — murmurou para si mesma e fechou a porta, mas quando pegou a trilha quase pôde ouvir Holiday dizendo: a fuga não é um método muito bom para se lidar com as coisas.
É, eu sei, pensou Kylie. Mas uma coisa de cada vez.


— Ei! — gritou Miranda, de dentro do provador, três horas depois. — Vocês duas ainda estão aí?
Kylie e Della, ambas vendo alguns sutiãs numa arara ali perto, voltaram-se para o local dos provadores.
— Estamos aqui — Kylie respondeu.
Elas estavam há duas horas fazendo compras e até o momento estavam se divertindo. A única contrariedade tinha sido ver a calçada onde Kylie vira o pai passeando de mãos dadas com a secretária piranha.
Miranda saiu do vestiário vestindo uma calça jeans que moldava os seus quadris.
— Tudo bem, digam a verdade. Esse jeans deixa o meu bumbum empinado?
— Vire-se — falou Kylie.
— Você disse empinado ou avantajado? — Della perguntou, com uma risadinha.
Kylie admitia que as poucas lojas no centro da cidade não ofereciam a mesma variedade que o shopping perto de sua casa, mas isso não as impedia de se divertir. Kylie até achava que a cidadezinha tinha um certo charme. Obviamente, ela precisava de um tempo longe do acampamento.
— Está me zoando porque eu não tenho um bumbum muito grande? — perguntou Miranda, olhando por sobre o ombro para ver o traseiro.
— Esse jeans está ótimo! — exclamou Kylie.
— Ei — Della interrompeu. — Considerando que não tenho muito peito — disse, olhando para os próprios seios —, não fico olhando partes do corpo de ninguém... a não ser que sejam realmente apetitosas e cheias de sangue...
— Psiu! — Kylie disse, percebendo alguns adolescentes espreitando ali por perto.
Della, que não gostava de ser repreendida, fechou a cara. A carranca foi só um complemento ao ar intimidador de “não mexa comigo” que ela mantinha o dia todo. Não que ela fizesse isso intencionalmente com Kylie e Miranda. De jeito nenhum. Mas corriam boatos de que os adolescentes da região e os frequentadores de outros acampamentos da região achavam que todos os campistas de Shadow Falls tinham a mesma postura. Kylie não tinha reparado nisso nas poucas vezes em que fora à cidade, mas Holiday tinha comentado a respeito numa das últimas reuniões do acampamento e por isso Kylie sabia que essas histórias tinham um fundo de verdade.
— Por que me mandou calar a boca? — Della perguntou.
Kylie desviou os olhos para as duas garotas. Della franziu um pouco mais a testa e ficou ainda mais carrancuda.
Kylie se perguntou se Della adotara seu visual preto total de propósito, como se uma roupa intimidadora fosse o suficiente para evitar encrencas. Na verdade, Kylie achava que seu jeito de se vestir talvez piorasse as coisas em vez de ajudar, mas discutir com Della sobre isso era inútil, por isso Kylie não disse nada.
Uma das garotas começou a se aproximar e Kylie fez uma pequena prece pedindo que isso não estragasse o dia das três.
— Oi, meu nome é Amber Logan — disse a ruiva bonita, olhando para Kylie. — Você é nova na cidade ou está num dos... acampamentos?
O jeito como ela disse “acampamento” fez Kylie pressentir que aquilo não ia acabar bem.
— Num acampamento — disse Kylie carregando a voz de simpatia, para evitar criar problema.
— Qual deles? — a loira alta atrás de Amber perguntou, lançando um olhar frio para Della.
Não, aquilo não ia acabar bem.
— Shadow Falls — respondeu Della com atitude, seus olhos escuros ficando um pouquinho mais dourados. Kylie só esperava que as garotas não tivessem notado.
— Os Ossos Duros de Roer... — a loira cochichou no ouvido da outra.
— O que você disse? — perguntou Della, pondo os ombros para trás, enquanto dava um passo à frente, numa postura defensiva.
A loira deu uma risadinha.
— O acampamento costumava se chamar Riacho dos Ossos. Por isso chamam vocês de Ossos Duros de Roer. Nada pessoal...
— Parece pessoal, sim — rosnou Della.
Tanto Amber quanto a loira deram um passo para trás.
Kylie viu Miranda esticando seu dedinho cor-de-rosa, como se estivesse pronta para lançar um feitiço. Kylie lhe lançou um olhar de advertência, mas não era com Miranda que Kylie estava preocupada.
— Foi bom conhecê-las — disse Kylie às garotas, segurando Della pelo cotovelo e esperando que o toque a ajudasse a voltar à razão. Ela não podia bancar a vampira briguenta com essas meninas. Não podia nem ameaçar matá-las sem colocar todo mundo numa grande encrenca.
— Até mais — Kylie acrescentou, acenando para elas com a mão livre.
Amber lançou para Della outro olhar inquiridor. Pelo brilho de medo em seus olhos, Kylie percebeu que a garota não era nem um pouco idiota. Ela se virou, fez um gesto chamando a amiga loira e as duas se afastaram.
— É melhor que coloquem o rabinho entre as pernas e deem o fora daqui — Della resmungou, empurrando Kylie.
— Eu poderia provocar nessas duas o pior caso de acne que elas já viram — Miranda ameaçou.
— Eu podia ter feito algo muito pior — rosnou Della.
— Mas não fez — disse Kylie, pegando as duas amigas pelo braço só para o caso de mudarem de ideia. — Vocês duas demonstraram uma capacidade incrível de autocontrole. Estou muito orgulhosa de vocês.
Della olhou para Kylie com uma cara feia.
— Você nunca perde o controle? Nunca tem vontade de arrancar o coração de uma pessoa e depois bater com ele na cabeça dela?
— Eu perco as estribeiras, sim — disse Kylie, rindo. — Não sei se já tive vontade de espancar alguém com o seu próprio coração, mas já tive meus momentos.
— E o que você faz quando está realmente fula da vida? Faz cara feia pra pessoa? — perguntou Della, dando risada.
— É — atiçou Miranda. — Mas você já viu Kylie de cara feia? É bem eficaz.
As três caíram na risada.
Uma hora depois, após comprarem sapatos e experimentarem mais algumas calças jeans, elas foram para a seção de lingeries. Como já estava quase na casa dos cem dólares, Kylie foi direto para a arara de liquidação. Todas puseram suas sacolas no chão para olhar as peças íntimas.
— Qual de vocês duas usa tanga? — perguntou Miranda, segurando uma calcinha fio dental vermelha.
— Eu não — disse Kylie. — Gosto dos biquínis normais.
— Para mim, usar tanga é como passar fio dental na bunda — disse Della, fazendo todas as três explodirem numa gargalhada.
Quando as risadas acabaram, passaram para a seção de sutiãs.
A atendente da loja veio ajudá-las.
— Vocês querem que eu meça seus seios ou já sabem de que tamanho são? — ela perguntou a Kylie.
Kylie olhou para a vendedora e depois para os quatro sutiãs que tinha nas mãos.
— Humm, não... obrigada. Acho que posso me virar sozinha.
— Tudo bem, mas é importante usar o tamanho certo.
— Tudo bem — disse Kylie, concordando com a cabeça.
— Só vai levar um minuto — continuou a atendente, um pouco mais insistente dessa vez.
— Eu sei... mas não precisa. Obrigada — Kylie acrescentou.
A expressão da mulher dava a entender que Kylie estava cometendo um erro, mas ela se afastou.
— Eu, hein? Nunca deixaria uma estranha medir meus peitos... —sussurrou Miranda. — Eles são virgens! — disse, rindo.
— Acho que a coroa só queria ver seus peitos — Della grunhiu às costas da vendedora.
Kylie deu uma cotovelada de leve em Della e tentou não rir.
— Ela só está fazendo o trabalho dela.
— Que nada, ficou encarando seus peitos, enquanto eu estava aqui, segurando um sutiã na mão. Nem perguntou se eu queria que ela me medisse.
— Pode haver uma razão para isso... — disse Miranda com um sorriso malicioso nos lábios.
— Que maliciosa! — exclamou Della com um sorriso.
Kylie relaxou aliviada quando viu o sorriso de Della. A última coisa que ela queria agora era ver Della e Miranda começarem a se agredir verbalmente.
Della segurou nas mãos seus peitos de tamanho médio.
— Pelo menos estas gracinhas não são virgens. E, acredite, Lee não reclamou.
Miranda riu.
— Estou surpresa por você não ter me dito que eu não tenho bunda.
— Estava guardando esse insulto para a próxima — respondeu Della.
— Vou provar este — disse Kylie, contemplando um sutiã. — Pode segurar estas sacolas para mim? — Kylie passou para Miranda suas sacolas contendo duas calças jeans e dois pares de tênis.
— Aqui, prove este também — disse Della, estendendo para Kylie outro sutiã.
— Não gosto de sutiã preto — respondeu Kylie.
— É, mas aposto que Derek gosta. — Ela sorriu, arqueando as sobrancelhas.
Kylie revirou os olhos. Mas pegou o sutiã que Della lhe estendia e foi procurar um provador vazio. Atrás dela, ouviu Della e Miranda rindo.
Enquanto provava os sutiãs, lembrou-se da história de Cachinhos Dourados. Um estava muito grande. Um estava um pouco folgado e o preto estava um pouco... sexy demais.
Agora tinha que decidir qual dos três iria levar. Kylie relanceou os olhos para a pilha de sutiãs e estava prestes a colocar a alça do seu sutiã velho sobre o ombro quando ouviu:
— Eu gosto mais do preto.
A voz grave de homem, vinda de trás, fez seu coração bater na garganta.
Seus olhos encararam o espelho.
Antes de ver seu rosto, ela viu o sangue.
Ele estava bem atrás dela. Havia grandes manchas vermelhas na frente da sua camisa. Até o cabelo ruivo estava empapado de sangue.
Os olhos tinham um brilho vermelho. Ele encarava Kylie com um sorriso cruel e seus longos caninos eram visíveis nos cantos da boca. Ela o reconheceu no mesmo instante – a Confraria do Sangue.

3 comentários:

  1. So digo uma coisa:Fudeu !!

    ~ManuZ

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  2. Fernanda: A bruxa filha de Hades5 de novembro de 2016 21:43

    Cadê a opção "Fudeu"??

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  3. a kylie podia deixar de ser criança o que qui tem um sutiã preto 👌😑
    ass: Mary maga

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