30 de setembro de 2016

Capítulo 14

— Derek?! — Seu coração batia na boca. Ela seguiu a trilha de sangue através da sala, até o corredor. Ela levava a uma porta fechada. Kylie agarrou a maçaneta. Trancada.
De repente ouviu um barulho do outro lado da porta.
— Derek?! — gritou. Mais uma vez, nenhuma resposta.
Sem pensar, impulsionada unicamente pelo pânico, deu alguns passos para trás e arremeteu contra a porta. Uma parte foi arrancada das dobradiças e a outra se partiu em dois ou três pedaços, caindo contra o chão do banheiro. Ela se estatelou em cima delas. De cara no chão.
Só nesse momento percebeu que o barulho atrás da porta fechada era o chuveiro. E só então viu Derek, totalmente nu e molhado, puxar a cortina do boxe, quase arrancando-a do varão.
O corpo dele era firme; os músculos, bem definidos. Uma atitude de defesa brilhava em seus olhos e em sua postura. Parecia preparado para enfrentar o intruso.
Que, no caso, era ela.
Ele olhou para Kylie, caída sobre um pedaço da porta do banheiro. Ela olhou para ele... nu em pelo, segurando ainda a cortina do boxe.
— Eu... eu vi sangue e pensei... — O que ela tinha pensado? Vampiros sanguinários, um assassino com um machado, um serial killer à solta. Ela não tinha incluído um vilão em seus pensamentos. Sua única preocupação tinha sido a vida de Derek.
— Você derrubou a porta... — Ele falou com naturalidade, mas o tom de descrença era evidente.
— Eu sei — ela respondeu, incapaz de dizer mais alguma coisa. Incapaz de despregar os olhos do corpo dele.
— Mas é madeira maciça.
— Eu sei. — Ela sentiu a madeira maciça embaixo dela e também ficou um pouquinho chocada ao constatar o fato de tê-la derrubado. Se aquilo fazia alguma diferença, ela sentia o ombro meio dolorido. E foi a leve dor que a trouxe de volta à realidade do momento.
— Você está sem roupa... — Ai, meu Deus, ela tinha dito mesmo aquilo?
— Eu sei. Costumo tomar banho assim.
O rosto dela começou a arder.
Como ele não parecia nem um pouco preocupado com a falta de roupas, Kylie achou que talvez fosse dever dela se preocupar. Afinal de contas, ela é que tinha invadido o banheiro e derrubado a porta enquanto ele tomava banho.
Ela virou as costas para ele. Um movimento totalmente inútil e sem sentido, pois não a impedia de ver sua nudez. O espelho pendurado sobre a pia baixa, que agora ela encarava, lhe oferecia a mesma visão.
Uma visão realmente incrível, devia dizer. Ela já tinha visto homens nus em filmes. Bem, quase nus. E já tinha visto estátuas nuas também. Estátuas belas e detalhadamente esculpidas na pedra, que não deixavam nada para a imaginação. Mas ao vivo era definitivamente melhor. Ai, Jesus, ele estava muito sexy com a pele molhada e sem nada sobre ela.
Então ela percebeu que, enquanto admirava a vista, ele observava a admiração dela. Os olhos dele, através do espelho, estavam fixos nos dela.
O rubor voltou às suas faces. Ela desviou o olhar do reflexo dele no espelho e se voltou para o próprio tênis justamente quando ele estendeu o braço para pegar a toalha.
Nesse momento ela achou melhor explicar novamente.
— Eu... eu vi o sangue e entrei em pânico.
— É — ele começou a explicar. — Chris me deu uma cotovelada no nariz quando estávamos jogando basquete.
Ela olhou no espelho para verificar o rosto dele.
— Machucou muito?
— Só sangrou muito. — Com a toalha presa em volta da cintura, ele pegou o jeans no chão e depois a fitou através do espelho.
— Vou colocar o jeans. Então, talvez queira olhar pra baixo outra vez...
Ela fez exatamente isso, e enrubesceu novamente. Só quando ouviu o zíper subindo que olhou para cima. Ele estava mais perto dela agora, quase sobre ela, na verdade, com a mão estendida para ajudá-la a se levantar. Ela aceitou.
— Está tudo bem com você? — ele perguntou tão logo ela conseguiu ficar de pé.
Ela massageou o ombro.
— Só um pouco dolorida.
— Imagino.
Ela o viu olhar para a porta outra vez.
— Vou dizer a Holiday que a culpa foi minha — ela disse.
— Não se preocupe. — Ele pegou um pedaço de madeira e tentou curvá-la. Quando viu que a madeira não cedeu nem um milímetro, olhou para ela outra vez. Depois estendeu a mão e tocou no braço dela, e sua mão deslizou lentamente até o cotovelo.
Seu toque era quente e úmido, muito semelhante ao ar no banheiro. Um formigamento subiu pelo braço dela e percorreu seu corpo. Seu olhar acariciou os ombros largos dele, e ela teve vontade de beijá-lo ali, no lugar onde tantas vezes descansava a cabeça.
— Você ainda está quente — ele disse. — Normalmente os vampiros só ganham força depois que se transformam.
A decepção quebrou um pouco o clima. Ele só a tocara para checar a temperatura, não porque... tivesse sentido vontade de tocá-la, do mesmo jeito que ela sentia.
— Acho que o problema é esse — ela disse. — Eu não sou normal. — Ela mordeu o lábio inferior e então decidiu falar de uma vez. — Holiday disse... ela disse que algumas fêmeas de lobisomem têm... — ela olhou para os próprios seios — um surto de crescimento por volta desta idade.
— Então ela acha que você é um lobisomem?
— Pra dizer a verdade, não. Ela disse que... não há mais nenhum indício de que se trata mesmo disso. Portanto, voltamos à estaca zero.
— Lamento — ele disse. — Sei o quanto você quer descobrir o que é. — Ele acariciou seu braço novamente e desta vez ela sabia que ele não estava simplesmente checando sua temperatura. O formigamento e o clima voltaram.
Deixando escapar um longo suspiro, ela encontrou os belos olhos verdes dele.
— Foi por isso que vim aqui.
— Por que você veio aqui? — ele perguntou, saindo do banheiro e entrando na primeira porta à direita. Ela o seguiu e estancou quando percebeu que era o quarto dele. Ela o observou tirando uma camisa do armário. Segurou-a em frente ao estômago chato, mas não a vestiu. Ela teve um pensamento maluco de que ele não se vestia porque sabia o quanto ela gostava de admirar seu corpo. Ele parou mais perto dela.
— Por que você veio aqui?
Concentre-se. Concentre-se. Pare de pensar no corpo dele.
— Para me desculpar. Por ter sido tão idiota hoje à tarde. Eu estava... confusa. Quer dizer, Trey... Ele me enganou e, quando você disse aquilo, eu simplesmente me lembrei do que ele tinha dito. O que ele fez me magoou muito e eu acho que simplesmente projetei tudo em você.
Sem aviso, ele a puxou para si e pressionou os lábios contra os dela. O beijo foi ardente, passional e ela não queria que terminasse. E, quando terminou, foi ele quem se afastou, não ela. Ela ficou feliz, no entanto, ao ver que ele estava tão ofegante quanto ela.
— A resposta é sim. — Os lábios de Derek estavam úmidos e ainda tão próximos que ela o sentiu sussurrar as palavras contra sua pele.
— Eu... eu não tenho muita certeza de qual foi a pergunta — Kylie conseguiu responder, achando que tinha perdido uma parte da conversa, tão inebriada estava com o beijo dele.
— A última coisa que você perguntou esta tarde foi se eu queria sexo. Quero deixar bem claro. Eu quero você. Quero tanto que às vezes não consigo pensar em outra coisa. Algumas noites eu acordo e estou tão... — ele deixou a frase incompleta e respirou fundo outra vez. — O que estou tentando dizer é que, embora eu te queira tanto, a última coisa que eu faria é pressionar você a fazer algo para o qual não se sente pronta.
— Estou pronta... — Ela pousou a mão no peito dele. E, ai Deus..., era tão bom tocar seu peito nu... A tentação de pedir que ele fosse em frente, que a levasse para a cama e lhe ensinasse tudo sobre sexo era quase irresistível. No entanto, alguma coisa ainda a detinha. — ... ou quase pronta. — Ela tirou a mão do peito dele. — Acho que antes só preciso descobrir o que sou. — Ela fitou o peito dele, com receio de que, se o olhasse nos olhos, ela ficasse outra vez mais corada que uma maçã do amor. Infelizmente, ele ergueu a mão e inclinou a cabeça dela para trás, forçando-a a olhar para ele.
— Eu sei o que você é, Kylie. Você é amorosa, divertida e linda. É generosa com todos, todo mundo gosta de você. E é muito corajosa. E eu admiro quem tem coragem.
— Quis dizer o que sou — ela corrigiu, sentindo os dedos dele roçando no pescoço dela.
— O que você é não é importante. Porque o que você é não vai mudar quem você é. — Ele tirou a mão do queixo dela. — E não estou dizendo isso só para convencê-la a fazer sexo. Só quero que... Gostaria que você pudesse se ver através dos meus olhos. Que pudesse ver o quanto é especial. E não me importo com o que você vai ser depois de se transformar.
As lágrimas arderam nos olhos de Kylie e ela passou os braços ao redor dele e pressionou o rosto contra seu peito quente, que exalava um aroma de limpeza, sabonete e umidade.
— Você é que é especial — ela sussurrou.
— Nada disso — ele respondeu e riu. — Se eu fosse especial não estaria aqui pensando em como fazê-la mudar de ideia e transar comigo agora mesmo. Então vamos sair deste quarto antes que eu decida te arrastar pra minha cama.
Ela riu e olhou bem no fundo dos olhos dele.
Ele sorriu e deslizou a mão por baixo da camiseta dela, pelas costas nuas, e enlaçou-a pela cintura.
— Essa coisa toda de derrubar a porta foi bem excitante...
— E não o fato de você estar nu? — Ela tinha mesmo dito aquilo? Na mesma hora quis que o chão se abrisse e a engolisse.
— Não, definitivamente foi a cena da porta. Agora, se você estivesse nua... — Ele expirou com força. — 0k, é melhor a gente parar de falar nisso. — Ele se afastou dela, pegou a sua mão e puxou-a para fora do quarto.
Ela deixou que ele a levasse pela mão até a sala. Ele olhou o sofá e então de volta para ela. Seus olhos pareciam pesados, sonolentos e brilhantes de excitação.
— Quase tão arriscado quanto a cama...
Ela riu e ele a puxou para a varanda da frente. Vestiu a camisa, depois se sentou no chão e encostou as costas na parede de madeira, num lugar onde não havia sangue. Depois de se acomodar, ele olhou para cima e bateu com a mão no chão, ao lado dele. Ela se abaixou e sentou-se no chão bem perto, ajeitando-se para que seu braço encostasse no dele. Depois deitou a cabeça em seu ombro e disse:
— Obrigada.
Ele levantou o braço e passou-o pelos ombros dela, estreitando-a num abraço.
— De nada.
Nenhum deles disse nada por alguns minutos. Ela ficou simplesmente sentada ali, bem perto dele, absorvendo a sensação de tê-lo ao seu lado. As perguntas giravam na sua cabeça como um par de tênis dentro da secadora. Mas o constrangimento a impedia de formulá-las em voz alta.
— Vá em frente e pergunte — ele disse, quase como se lesse os pensamentos dela.
Ela levantou a cabeça do ombro dele.
— Perguntar o quê?
— Seja o que for que a deixa constrangida e curiosa ao mesmo tempo. Posso ler suas emoções, esqueceu?
Ela fez cara feia.
— E eu detesto isso também. Não quero que você me leia.
— Mas não tenho outra escolha. Não sei como não ler você. — Ele riu e olhou para ela. E como em todas as outras vezes em que estavam juntos, a noite parecia saída de um conto de fadas. As estrelas brilhavam como diamantes no céu. As árvores pareciam mais frondosas. A lua, quase cheia, deixava a noite tão clara que ela quase podia ver o rosto dele.
— Acho que seu nariz vai ficar um pouco inchado. — Ela tocou a lateral do nariz dele.
Ele envolveu a mão dela nas suas e beijou a palma.
— Então, o que está deixando você curiosa e constrangida?
— Eu só... — Se ela não dissesse a ele naquele instante, ele provavelmente iria pensar o pior. E, mais uma vez, o que a deixava curiosa de fato podia ser o pior.
— Pode perguntar. — Ele a cutucou com o ombro.
Ela hesitou e depois simplesmente despejou:
— Estou curiosa pra saber quantas garotas você já teve. Eu sei que tem quase 18 anos e... — As palavras lhe faltaram. Kylie tinha certeza de que ele não era virgem, e não só porque dissera algo que a fizera chegar a essa conclusão, mas também pelo modo como... ele beijava.
Ele franziu a testa e ela sentiu que ele preferia não ter insistido para que ela perguntasse.
— Bem...
— Bem...? — ela repetiu. E agora mais do que nunca queria uma resposta. — Você me fez perguntar, agora tem que responder.
Ele hesitou.
— Poucas.
— Isso é bem vago. — Ela tirou a mão de entre as dele.
Ele respirou fundo e depois expeliu o ar dos pulmões.
— Tudo bem... quatro.
— Não são tão poucas assim.
— Tem razão. — Ele não negou que não tinha falado bem a verdade. — É só que é meio estranho falar com você sobre isso.
— É, eu sei — ela disse, percebendo que preferia não ter perguntado. Não gostava de pensar nele com outra garota. — Desculpe por ter perguntado.
— Não precisa se desculpar. Ele se reclinou contra a parede da cabana e voltou a ouvir a noite. — Agora eu posso fazer uma pergunta?
— Claro. — Uma ponta de nervosismo agitou o seu estômago. Mas, considerando o quanto a sua pergunta tinha sido pessoal, ela não poderia lhe negar uma resposta.
— Se Lucas estivesse no acampamento, você ainda estaria sentada aqui comigo?

15 comentários:

  1. vishh!!!!! não sei porque mas prefiro Lucas!! mas adoro Derek. difícil...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ah, eu prefiro o Derek! 💕

      Excluir
    2. Amo os dois!
      Mas acho q gosto mais do Lucas, ou vou gostar quando saber seu segredo

      Excluir
    3. Tbm prefiro o Derek *-*

      Excluir
  2. Kkkkkkkkkkkkkk! Morri. Santo Zeus, o que ela é afinal?

    ResponderExcluir
  3. Por favooor,eu não posso ser a única pessoa que não gosta do Derek. Eu até pulo um pouco essas partes dos dois pq elas me irritam.

    ResponderExcluir
  4. Eu prefiro todo mundo!!! Poliamor minha gente ♥♡♥♡♥

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Hahahaha, melhor resposta! Quero todos ❤️

      Excluir
    2. Kkkkk, melhor resposta mesmo !
      Maas o beijo do Lucas e ela no riacho me deixou sem fôlego
      #teamLucas

      Excluir
  5. Dereck é um fofo. Mas sem dúvidas, #TeamLucas.

    E que pergunta em? KKKKKKKKK

    ResponderExcluir
  6. Fernanda: A bruxa filha de Hades5 de novembro de 2016 20:50

    My Gods de novo!!! Vou morrer aqui!! Amo mt os dois mas n sei quem eu quero mais!!<3

    ResponderExcluir
  7. Lucas e Derek são dois lindos
    torço para que ela fique com qualquer um deles.
    Não tem como escolher

    ResponderExcluir
  8. gente mais que encanação dessa do Derek com o Lucas nossa irrita e o Lucas quando é que esse lobinho vai voltar para apimentar essa história
    as: Mary mediadora😏

    ResponderExcluir

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!