24 de setembro de 2016

Capítulo 13

Antes que Kylie pudesse esboçar uma reação, Della se interpôs entre ela e o recém-chegado.
— O que está fazendo aqui? — perguntou. — Você não deveria... Não deveria estar aqui.
— Não se preocupe, priminha — disse ele. — Não podem me ouvir nem sentir meu cheiro a esta distância. Conheço suas limitações.
— Esqueça as limitações deles. Você não deveria estar aqui — rugiu ela.
— Então não posso visitar minha prima favorita?
— Aqui, não — fez um gesto com a mão. — Vá embora antes que me meta em encrenca.
— Não quer me apresentar a esta criaturinha apetitosa? — num movimento rápido, aproximou-se novamente de Kylie. Dessa vez, ainda mais. Ela percebeu uma feia cicatriz que lhe atravessava o queixo de lado a lado. O cheiro de seu hálito invadiu as narinas de Kylie. Lembrava o de um mercado quando se chega muito perto do açougue. Carne crua.
Uma palavra cruzou seu cérebro em pânico. Corra! Mas o medo a impediu de obedecer. Della emitiu um rosnado e, numa fração de segundo, meteu-se entre Kylie e o primo.
— Deixe ela em paz, Chan. Ela está ficando assustada.
Chan deu um passo para trás.
— Estou só brincando. Já jantei — passou a mão por baixo da camiseta... Uma camiseta clara que, Kylie notou, tinha manchas na frente. Manchas que bem podiam ser de...
O medo paralisou os pulmões de Kylie enquanto um cheiro acre de sangue lhe entrava pelo nariz. Um murmúrio escapou de seus lábios. Recuou um passo, quase tropeçando nos próprios pés.
Della lhe lançou um olhar rápido e se concentrou de novo em Chan.
— Vá embora. Verei você depois do acampamento.
— Então vai se juntar a nós depois que der o fora daqui?
— Não sei o que vou fazer depois. É por isso que estou no acampamento, para descobrir.
— Seus pais nunca aceitarão você. Não conseguirá mais viver no mundo deles — disse Chan.
— Como pode saber? — replicou Della. Havia uma ponta de angústia sua voz.
— Sei porque já tentei. Poupe-se, e a eles também, de um ataque cardíaco venha viver conosco. Somos sua nova família.
— Já disse que vou decidir quando sair daqui.
— Esta gente vai encher sua cabeça de mentiras. Querem nos mudar... Todos nós. É uma manobra do governo.
— Ninguém está pondo nada em minha cabeça. Deixaram bem claro que a escolha é minha. Agora, suma daqui antes que me expulsem do acampamento.
— Encrenca é meu nome, priminha.
— Chan! — rosnou Della de novo.
— Você não tem senso de humor — disse ele, afastando-se tão rápido que só restou atrás de si um rastro gélido de medo.
Kylie procurou uma árvore para se encostar. Della permaneceu onde estava, cabeça inclinada para ouvir e ver melhor e se certificar de que Chan tinha realmente ido embora. Devagar, virou-se para Kylie. Seus olhos tinham reassumido o mesmo tom escuro da sombra nas pálpebras. A lua emergiu das nuvens, deixando que Kylie visse as emoções no rosto de Della.
— Sinto muito — desculpou-se a vampira, com uma expressão sincera.
Kylie não conseguiu responder; não podia sequer controlar a respiração. Ainda encostada à árvore, abraçou o próprio corpo para combater a sensação de frio que nada tinha a ver com a temperatura ambiente.
— Ele não ia machucá-la — assegurou Della.
— Me chamou de petisco — disse Kylie, conseguindo com muito esforço arrancar do peito essas poucas palavras.
— Chan gosta de assustar as pessoas. Mas não ia fazer nada.
Kylie ergueu uma sobrancelha em sinal de incredulidade.
— Ele... É de uma daquelas gangues que atacam humanos? — perguntou.
— Não, apenas finge às vezes.
— Por que, então, você se colocou entre nós?
— Porque farejei seu medo.
Kylie não engoliu totalmente aquelas palavras, mas Della sem dúvida acreditava no que dizia. Ou, pelo menos, queria acreditar. Os sons naturais da floresta retornaram. Alguns insetos zumbiam a distância. Della, ainda parada ali, parecia inquieta.
— Posso te pedir um grande favor?
— O quê? — perguntou Kylie.
— Não fale sobre isso com ninguém. Sobrenaturais de fora não devem vir aqui — o pedido parecia custar muito a Della.
— E se ele voltar? — Kylie quase podia sentir o cheiro de carne crua que exalava do hálito de Chan.
— Não vai voltar. Vou dar um jeito para que isso não aconteça — fez uma pausa e examinou o rosto de Kylie. — Por favor, seja discreta. Se eles descobrirem, me mandam embora e eu realmente preciso continuar aqui.
Kylie lembrou-se de como Della a protegera e, por razões que não entendia muito bem, achava que a protegeria novamente. Mas confiaria naquela garota a ponto de pôr a vida em suas mãos? Talvez não, mas seu instinto decidiu por ela.
— Apenas faça com que ele não apareça mais aqui. Não quero me tornar outra mancha de sangue na camiseta dele — ao dizer isso, Kylie sentiu outro calafrio percorrer sua espinha.
Quando percebeu que o calafrio estava demorando demais para passar, ficou preocupada: o frio vinha do seu pânico ou de outra coisa? Será que havia mais alguém por perto? Alguém que não fosse...
— Obrigada — sorriu Della. — Eu sabia que gostava de você. Anda. Vamos para a fogueira antes que mandem nos procurar.
Recomeçaram a andar, mas Kylie, a cada passo, olhava por cima do que mais temia: se deparar com um fantasma ou com o primo de Della? Não tinha certeza. O cheiro de fumaça de madeira foi ficando mais forte à medida que avançavam no bosque. A meia-lua entrava e saía das nuvens, envolvendo-as numa claridade mortiça ou na escuridão completa. Os estranhos sons de animais ecoavam ao longe – leões, elefantes e até lobos. Mas, graças a Deus, a sensação de frio se diluíra na treva.
Della parecia conhecer bem o caminho, e Kylie a seguia de perto, ignorando os ramos e espinhos que se agarravam à sua calça. Finalmente, um clarão avermelhado surgiu entre as árvores. Agora já capaz de pensar com mais clareza, Kylie procurou aproveitar seus últimos momentos a sós com Della para fazer algumas perguntas.
— Foi... Foi o seu primo que fez isso com você?
Della olhou-a por cima do ombro.
— Fez o quê?
— Transformou você em vampira.
— Ah, não. Já nasci com o vírus. Mas, com certeza, o contato com ele ativou esse vírus.
— Pensei que tinha se transformado em vampira depois de ser mordida. Ou isso é apenas um mito? Quero dizer, existem muitos mitos a respeito de sobrenaturais. Vi que você pode comer pizza. E estava sob a luz do sol.
Della sorriu.
— O sol e eu não nos damos muito bem, mas para isso existem os filtros solares. Também me alimento, embora não da maneira como estava acostumada. Preciso mesmo é de sangue. E, sim, alguns humanos podem se transformar quando são... Mordidos. Existe alguma verdade nos mitos. Mas a maioria de nós nasce com o vírus, que só se ativa quando a pessoa fica em contato com outro vampiro.
Kylie se esforçava para entender.
— Então você sempre soube que era vampira?
Della sorriu de leve.
— Não é bem assim. O vírus está na nossa família, mas nunca sabemos nada sobre ele porque ele só afeta um em cada cinquenta membros e, mesmo assim, pode não ser o vírus ativo. Todos pensaram que Chan tinha morrido num acidente de carro quando estava na França. Então, uma noite, eu o vi numa festa. Fiquei aterrorizada.
— Posso imaginar — muita coisa do que estava sendo dita ali a assustava muito.
— Seja como for, Chan, é claro, podia perceber que eu tinha o gene e que, mantendo contato com ele, eu ficaria muito doente. Apareceu para me ajudar. Contou que eu era vampira. Foi um choque tremendo pra mim. Do tipo que você acaba de sentir.
— Mas eu não fiquei doente. Não sabemos nem mesmo o que sou.
— A negação faz parte do processo — disse Della. — Eu me lembro. Jurava que o meu era apenas um caso grave de gripe suína.
Kylie evitou continuar negando e deixou que Della continuasse.
— Passei uns maus bocados. Com os vampiros é pior, sem dúvida. A mudança é muito dolorosa — afastou alguns galhos do caminho e os segurou para que Kylie passasse.
— Então seus pais não sabem? — perguntou Kylie.
— Está brincando? Eles surtariam.
Continuaram andando e Della prosseguiu:
— No princípio, fiquei muito doente. Nem os médicos sabiam o que era. Mas Chan me explicou tudo. Escondeu-se no meu quarto e cuidou de mim por quase duas semanas. Devo muito a ele por isso.
— O bastante para deixar sua família para ficar com ele? — indagou Kylie, lembrando-se da discussão entre Della e o primo. Lembrou-se também do drama de sua própria família, o que a levou a se identificar com os problemas de Della. Perder quem se ama doía demais. A imagem do pai cruzou sua mente e ela sentiu um aperto no peito.
A emoção punha um brilho intenso nos olhos de Della.
— Há uma comunidade de vampiros na Pensilvânia. Chan acha melhor que eu vá morar lá. Não é fácil viver com os pais sem poder contar nada. Mas... Não sei bem o que é melhor. Nós... Minha família e eu éramos muito unidas. Meu pai é um cara difícil, não nego, mas sei que me ama. Mamãe era minha melhor amiga e tenho uma irmã mais nova. Não consigo me imaginar longe dela.
— Sua mãe vai deixar você ir? — perguntou Kylie.
— Não. Vou ter que fugir e isso vai partir o coração deles. Por isso muitos vampiros simulam a própria morte; assim, a família se conforma. Não quero fazer isso, mas... De qualquer modo, já estou partindo o coração deles. Minha casa parece uma zona de guerra.
Um ligeiro tremor passou pela voz de Della. Kylie não quis olhar, mas supôs que talvez houvesse lágrimas nos olhos da colega. Ainda não estava certa de que vampiros choravam. Mas, com ou sem lágrimas, podia perceber a angústia na voz dela.
— É duro — continuou Della. — Preciso escapar à noite para beber sangue. Não posso ter um estoque de sangue na geladeira. Hoje, sou basicamente noturna, por isso ficar acordada na escola assistindo a uma aula chata é quase impossível. O diretor convenceu minha mãe de que eu estava deprimida ou usando drogas. Em casa, meus pais, e até minha mãe, pegavam no meu pé e me acusavam de todo tipo de coisa. Vivíamos brigando e eu não sabia como pôr um fim naquilo. Por isso, acho que Chan pode ter razão.
Kylie se esforçava para dizer alguma coisa. Olhando à frente, avistou as fagulhas vermelhas e laranjas da fogueira. As vozes dos campistas, em volta do fogo, enchiam a noite. Virou-se para Della e ofereceu a única coisa que podia:
— Se servir de consolo, na minha casa não era muito diferente.
Saíram da mata para a clareira e quase colidiram com uma figura negra que saltou de entre as árvores e pousou no chão quase sem fazer barulho. Della emitiu um grunhido. Kylie ia gritar quando reconheceu a criatura de olhos muito azuis.
Lucas Parker.
— Belo jeito de levar uma porrada — sibilou Della.
Os olhos do garoto estavam fixos nas duas – impiedosos, acusadores.
Kylie estremeceu diante daquele olhar implacável, mas Della, indiferente à presença agourenta de Lucas, apenas fez um sinal a Kylie para prosseguirem. Lucas postou-se ao lado da vampira e sua voz grave saiu quase como um sussurro:
— Se ele aparecer aqui de novo, não vou ficar parado sem fazer nada — e, com isso, afastou-se.
— Merda! — resmungou Della.
Idem.
Kylie viu Lucas se aproximar de um grupo de campistas, que o saudaram como se fosse um líder. E antes de desviar o olhar, a garota que parecia estar sempre grudada nele fulminou-a com olhos amarelo-esverdeados que pareciam soltar faíscas.
— Alguém está com ciúmes — brincou Della.
Embora a ideia parecesse absurda, Kylie juraria que havia traços de ciúmes no olhar da garota. Pouco depois, Kylie, agora sozinha, contemplava o fogo ouvindo os estranhos sons animais a distância. Seu olhar acompanhava a trilha de fumaça que parecia serpentear em direção à lua. Aspirando o cheiro de madeira queimada e dos marshmallows que alguns campistas tinham posto para assar, Kylie tentava se livrar do peso que oprimia seu peito. E ali, diante do bruxulear das chamas, sentiu a falta de Sara como nunca antes.
A princípio, Kylie não entendeu bem aquela saudade repentina da amiga, mas, ao olhar em volta, o motivo ficou claro. Claríssimo. Bem-vinda ao mundo das panelinhas. O que não faltava na escola eram panelinhas. Entre outras, a panelinha das líderes de torcida, a da banda da escola, a dos CDFs – completamente diferente da dos geeks – a do clube de arte e aquela a que Sara e Kylie pertenciam: a panelinha dos sem panelinha.
Não era a pior delas. Na verdade, nem sequer era uma panelinha, mas um bando de “desgarrados”. Uniam-se – sem pertencer – a um grupinho por algum tempo e depois se juntavam a outro. Felizmente, as pessoas não os hostilizavam nem ridicularizavam como faziam a outros grupos impopulares. E como iriam ridicularizá-los se mal sabiam de sua existência? Pelo menos, foi assim que Kylie sempre se sentiu na escola. Eles não eram odiados nem maltratados, apenas invisíveis.
O motivo de estar com saudade de Sara não era, naquele momento racional. Kylie podia ser uma desgarrada, mas nunca precisou se desgarrar sozinha. Desde o quinto ano, ela e Sara formavam uma equipe. E Sara foi sem discussão, a desgarrada número um – papel assumido naturalmente, pois era a que mais fazia questão de se enturmar.
Inalando outra golfada de fumaça, Kylie procurou se proteger do vento. Enquanto seu olhar passeava pelos grupos, lembrou-se de um ditado que sua avó sempre citava: “Cada qual com seu igual”. Ali as panelinhas não se pareciam em nada com as do colégio. Observou o sujeito dos piercings, Jonathon, em meio a um grupo formado sem duvida apenas de vampiros.
Perto da fogueira, assando marshmallows, estava o metamorfo Perry; acompanhado por dois garotos e uma garota. Será que todos eles podiam se transformar em unicórnios? Derek estava a uma certa distância de outro grupo, como se não estivesse certo de querer se misturar. Kylie supôs que deveriam ser fadas, ou como dizia Derek. Não o censurava por usar uma palavra diferente; nenhum garoto que se prezasse gostaria de ser chamado de fada. Não que alguém pudesse achar que ele fosse gay. Algo em sua postura e maneira de caminhar mostrava claramente que Derek gostava de mulheres – como Trey.
Apertando as pálpebras, pôs-se a admirar o corpo musculoso de Derek. Os ombros largos, o queixo quadrado, a massa muscular delineando seu jeans. Mas logo se deu conta de que estava de novo comparando Derek a Trey. Não queria de forma alguma se envolver naquela tempestade emocional e por isso desviou os olhos.
Quis o acaso que seu olhar fosse pousar diretamente em outro corpo sarado no meio de um bando diferente de campistas. Lucas. Sua advertência a respeito do primo de Della ecoou no cérebro de Kylie, enquanto ela admirava o físico atlético do garoto. Não que ela planejasse levar muito longe essa admiração. O simples fato de admirá-lo a aborrecia. Afinal, devia mostrar um pouco mais de lealdade para com o seu gato. Certo?
Antes que conseguisse desviar os olhos daquele peito sólido, sob uma camiseta preta, percebeu ao lado dele a namorada gótica. Apertava o corpo contra o de Lucas a tal ponto que ninguém conseguiria se meter entre eles.
Lucas se virou, como se percebesse que Kylie o observava. Ela tentou disfarçar, mas os olhos dele encontraram os seus. Ela se sentiu pega no flagra. E então algo estranho aconteceu. Uma lembrança esquecida veio a tona. Estava voltando da escola para casa e alguns garotos mais velhos começaram a infernizá-la. Um deles apanhou uma pedra e atirou em Kylie, mas Lucas apareceu do nada e interceptou a pedra. Como um jogador profissional de basquete, devolveu o arremesso e atingiu o valentão bem entre as pernas.
O garoto desabou no chão gemendo e Lucas acompanhou Kylie pelo resto do trajeto, como para protegê-la. Os encrenqueiros nunca mais a incomodaram. Percebendo que continuava observando Lucas enquanto se recordava do incidente, ela desviou o olhar. Viu Miranda conversando com um grupo vestindo roupas de estilo pouco convencional – bruxas, sem dúvida. Ainda sentindo sobre si os olhos de Lucas e achando que deveria fazer alguma coisa para não pensar mais nele nem em Derek, quase uma cópia do seu ex-namorado, caminhou na direção de Miranda.
Por sorte, Kylie tinha aprendido com Sara técnicas suficientes da “arte se ser uma desgarrada” para passar os próximos dois meses. Afinal, pensando bem, por que o acampamento seria diferente do colégio? Não estava em seus planos se enturmar e fazer parte de uma panelinha.


O travesseiro de Kylie não cheirava muito bem. E era duro também. Ela tinha sido a primeira a se afastar da fogueira e, quando Holiday se aproximou para perguntar como estava indo, sentiu-se tentada a inundá-la com um dilúvio de perguntas.
Será que não sou apenas meio tantã, em vez de sobrenatural? E se realmente tiver dons, como conseguirei descobrir o que sou? E... O acampamento pode mesmo ser fechado por aqueles caras de terno preto? Posso fazer alguma coisa para que isso realmente aconteça?
Tudo bem, não teria feito as duas últimas perguntas, mas não por falta de vontade. Mais que qualquer outra coisa, Kylie desejava voltar para casa – para sua própria vida miserável, para seu próprio mundo conturbado. No entanto, ali diante de Holiday, Kylie se lembrou da audição supersônica de alguns presentes e preferiu ficar de boca fechada. Segundo sua agenda, comunicada ao pé do fogo, ela teria uma sessão de uma hora de aconselhamento com Holiday no dia seguinte, antes do almoço.
Antes disso, logo depois do café da manhã, precisaria se apresentar para a atividade diária: a Hora de Encontro com os Colegas de Acampamento. Cada campista teria a companhia de um colega por uma hora para conhecerem melhor os dons, a cultura e a espécie um do outro. Não seria divertido? Não.
Estava curiosa, é claro, mas preferia descobrir quem era ou, melhor ainda, quem “não” era, antes de investigar o que os outros eram. E se pudesse provar que era apenas humana, talvez a deixassem ir para casa. Rolou pela centésima vez na cama, sabendo que o motivo da insônia devir ser em parte, o medo de mais uma noite de terror. Deus, não queria ter que explicar aquilo às suas colegas de cabana!
O ruído de seu estômago quebrou o silêncio noturno. Será que tinha algo para comer na geladeira? Deslizando da cama, apenas com um short azul marinho com coraçõezinhos e uma camiseta cor-de-rosa, foi até a porta. A porta rangeu quando ela saiu do quarto. Uma atmosfera sinistra parecia emanar das paredes de madeira. Kylie olhou de relance as portas dos outros dois quartos. Tinha ouvido Della e Miranda entrando e prestou atenção para descobrir se as duas ainda estavam planejando se matar. Caso tivesse de acordar para ver uma cena sangrenta, o melhor era estar preparada. Felizmente, a conversa das duas parecia amistosa. Tudo o que Miranda queria era falar sobre garotos. Inclusive Derek. Kylie não se importava, é claro.
Mais alguns passos e Kylie espiou de novo pelas portas dos quartos. Grande alívio: as duas estavam mergulhadas num sono profundo, como o da morte. Bem, talvez como o da morte não fosse a comparação adequada, principalmente porque Kylie não sabia ao certo se vampiros estavam mortos ou não. Será que chegavam mesmo a dormir? E, em caso positivo, eram realmente imortais, conforme afirmavam os livros?
Os pés descalços de Kylie, pressionando o assoalho, faziam as tábuas de madeira velha gemerem. Lembrou-se da visita do primo de Della. E depois, da história das gangues de vampiros. Agarrando a camiseta com as mãos crispadas, refletiu se não seria melhor desistir do lanchinho no meio da noite, para não correr o risco de se tornar um também.
Então, as tábuas estalaram outra vez.

10 comentários:

  1. unicornio malandrão4 de outubro de 2016 11:00

    não entendo porque ela não quer ser um x men...
    ela devia estar achando incrível tudo aquilo

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    1. vd eu trocaria de lugar com el da boa



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    2. KKKKKKKKKK MELHOR COMENTÁRIO!!!

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    3. Acho q é pq n vai poder morar numa mansão com um careca telepata ricaço

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    4. Exatamente! Se eu fosse ela, estaria pirando para descobrir do que é capaz!

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  2. Não sei porque, não gostei desse Lucas...vamos ver se me surpreende!!!!

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  3. alguem me explica por favor pq estou sem entender! afinal ela dividi ou nao a cabana cm a miranda e a della?

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    1. Sim, divide! Mas cada uma tem um quarto, ela divide cozinha, sala e banheiro

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