30 de setembro de 2016

Capítulo 11

— Nada — Kylie respondeu, tentando desesperadamente não produzir nenhum hormônio ou emoção que pudesse se espalhar pelo ar quando seu olhar se encontrasse com o dele. O problema era que ela não sabia como impedir que isso acontecesse. Onde, afinal, era o sensor de hormônios?
Desligue! Desligue! Desligue! Ela tentava desligar o sensor em sua mente.
Derek contornou a cadeira e se sentou ao lado dela. Kylie não queria olhar para ele, com medo de que isso só contribuísse para aumentar a produção de hormônios, mas não olhar para uma pessoa era algo extremamente rude. Ou pelo menos era o que a sua mãe dizia.
— Está tudo bem? — Derek perguntou, provavelmente notando que ela não tinha olhado para ele.
“Não seja rude.” Ela quase podia ouvir a mãe dizendo.
— Está — disse ela, olhando para ele. E como tinha evitado fazer isso nos últimos dias, ela praticamente o devorou com os olhos. E perdeu o fôlego. Santo Deus, ele estava uma tentação...
Sem dúvida nenhuma, a culpa era da mãe dela!
Ele estava ligeiramente suado, não de um jeito nojento, mas de um jeito sexy. Sua pele brilhava um pouco e ele exalava o aroma de um dia ensolarado, como se tivesse absorvido na pele todos os aromas agradáveis da caminhada. Ela imaginou que, se pressionasse os lábios contra a pele dele, sentiria um gostinho de raio de sol salgado. Os cabelos castanhos estavam meio encaracolados nas pontas e pareciam despenteados pelo vento. Ele usava uma camiseta verde-musgo que moldava o peito. E o jeans era o favorito dele. Ou pelo menos o que mais usava. Ela sabia porque era o mais gasto nos joelhos e o que dava a impressão de ser mais confortável. E roupas confortáveis caíam maravilhosamente bem no corpo dele.
A risadinha de Della desviou a atenção de Kylie. A vampira riu e abanou uma mão na frente do nariz. Percebendo o que isso significava, Kylie sentiu seu rosto ficando vermelho.
Quando ela ousou dar mais uma olhadinha em Derek, viu que o olhar dele tinha se desviado do rosto dela e estava colado em seus seios. O que provavelmente significava que, nesse mesmo instante, ele também estava poluindo o ar com todo tipo de hormônio, enquanto tentava descobrir como os seios dela podiam ter crescido da noite para o dia.
— Eu... eu vou ver se encontro Miranda. — Kylie pulou da cadeira e correu para fora do refeitório como alguém que está de roupa branca e precisa desesperadamente de um absorvente.
— Miranda, você está aqui? — Kylie chamou, enquanto entrava na cabana, cinco minutos depois.
A amiga saiu apressada do quarto de Kylie. O pânico, estampado em seu rosto e os olhos, cheios de lágrimas. Ultimamente, lágrimas eram algo corriqueiro nos olhos lânguidos de Miranda, mas dessa vez alguma coisa parecia diferente. Kylie sentiu isso no mesmo instante. E, sim, tinha um pouco a ver com o fato de ela sair correndo do quarto de Kylie, imersa numa nuvem de culpa.
— Eu sinto muito — ela disse, soluçando. — Sinto muito, muito mesmo.
— Sente muito, muito mesmo o quê? — Será que Miranda tinha encontrado as cartas de Lucas e lido? Invadido deliberadamente a sua privacidade?
— Eu não fiz de propósito.
— Não fez de propósito o quê? — Kylie insistiu, sentindo sua paciência chegar ao limite, como um balão de gás prestes a explodir.
Aquelas cartas eram assunto particular. Além do mais, ela nem tinha lido a segunda ainda. Quando voltou da cachoeira, tinha enfiado o envelope na gaveta junto com o outro. Disse a si mesma que leria à noite, ou talvez no dia seguinte, ou quem sabe nunca. Ela não tinha certeza se seu coração ia aguentar qualquer coisa que Lucas pudesse dizer, com tudo o que já estava enfrentando na sua vida.
— Eu já fiz isso dezenas de vezes e nunca tive dificuldade nenhuma para desfazer. Até hoje. Por favor, por favor, não me mate.
Kylie de repente teve o pressentimento de que não se tratava da carta de Lucas.
— O que você fez?
O olhar de Miranda desviou-se por um segundo para o quarto de Kylie, mas quando ela deu um passo à frente a amiga impediu sua passagem.
— Eu vou consertar o que fiz. Juro que vou. Vou descobrir um jeito. Não vou dormir nem comer enquanto não desfizer o que fiz.
— Desfizer o quê?
— Por favor, não brigue comigo.
Kylie segurou Miranda pelos ombros e tirou-a do caminho. Depois entrou em seu quarto e descobriu o que Miranda não queria que ela visse e tinha jurado desfazer.
O olhar de Kylie fixou-se primeiro na mesinha de cabeceira, onde ela guardava suas coisas mais particulares. A gaveta estava fechada. Não havia nenhuma carta à mostra. Um movimento sobre a cama capturou o seu olhar. Ela fixou os olhos.
Piscou.
Gritou.
Depois saiu em disparada do quarto.
Correu na direção de Miranda, que a segurou pelos antebraços.
— Desculpe, desculpe.
Kylie prendeu a respiração.
— Por quê...? — ela inspirou o ar. — Por que tem um gambá na minha cama?
Kylie sentiu um roçar conhecido em seus calcanhares. Ela olhou para baixo, esperando ver Socks. Mas, não. Não era Socks.
Kylie gritou outra vez e deu um pulo para o outro lado do cômodo.
O gambá levantou a cabecinha pontuda, miou e foi correndo até ela.
— Eu sinto muito — chorou Miranda.
Kylie olhou para cima, na direção de Miranda, e depois para baixo, na direção do gambá, que corria pelo cômodo na direção dela. O movimento das suas patinhas era muito familiar e tinha o mesmo jeito elegante dos felinos.
Socks?
— Não — Kylie conseguiu falar. — Não me diga que... Ai, merda, você não fez isso!
— Eu vou dar um jeito. Juro — prometeu Miranda.


Kylie saiu da aula de arte com Helen e Jonathon e andou em ritmo acelerado até o escritório de Holiday, com quem tinha hora marcada às duas horas. Como ela iria contar à líder do acampamento que tinha revelado seu romance do passado com um vampiro?
A propósito, você sabia que Burnett não fazia ideia que você costumava sair com um vampiro? Não, aquilo não ia dar certo.
Oi, Burnett e eu estávamos conversando e por acaso mencionei como você sofreu na mão de alguém da espécie dele. Não, aquilo também não ia dar muito certo.
— Kylie? — Derek chamou por ela.
Mais essa!
Ela o viu sair de uma turma de campistas que se preparavam para uma aula de caiaque e não teve outro jeito senão olhar para ele. Mas, antes disso, tomou cuidado para se distanciar ao máximo de todo mundo.
— Oi. — Ele parou em frente a ela e estudou seu rosto atentamente.
— Oi — ela cumprimentou, dando alguns passos para trás para forçá-lo a se afastar mais alguns metros dos outros campistas.
Os olhos dele estavam fixos nos dela, enquanto ela continuava a andar para trás.
— Fiz alguma coisa errada?
— Não — disse ela, balançando a cabeça.
— Então por acaso andou fumando um baseado? Porque você está agindo de um jeito muito estranho.
Ela entendeu perfeitamente o que o levava a pensar que ela estava perdendo o contato com a realidade. No entanto, em sua própria defesa, podia dizer que sua realidade nas últimas seis semanas tinha se tornado completamente diferente daquela em que sempre acreditara.
— Não estou... é que... — Ela olhou em volta para ter certeza de que ninguém com uma superaudição pudesse ouvi-la. — Estou constrangida, ok?
— Constrangida por quê? — O olhar dele baixou para os seios dela. — Por causa disso?
Ela estendeu o braço, colocou um dedo sob o queixo dele e levantou seu rosto para que ele a olhasse nos olhos. Pelo menos ele teve a decência de corar.
— Desculpe... E só que eles...
— Estão maiores. Eu sei.
Ele levantou a mão e pegou numa mecha do cabelo dela.
— E o seu cabelo está mais comprido.
— E estou mais alta também.
Ele a mediu com os olhos e a olhou surpreso.
— O que aconteceu?
— Também gostaria de saber. — Ela tentou não externar sua frustração na voz. Não era culpa dele. — Acordei hoje e tudo no meu corpo estava maior.
Ele sorriu e seu olhar desceu por um milésimo de segundo antes de subir novamente.
— Está bom assim.
— E por que não estou surpresa de saber que pensa assim? — ela perguntou, franzindo a testa.
O sorriso dele diminuiu um pouco e ele simplesmente ficou ali, olhando para ela. Ela se perguntou se ele estava se esforçando para não olhar os seios dela ou tinha outra coisa em mente.
— Olha, se eu não fiz nada, então por que nos últimos dois dias você não faz outra coisa senão fugir de mim?
Ela mexeu os pés, dolorosamente consciente dos dedos espremidos dentro do tênis.
— Eu já disse. Estou constrangida.
— Constrangida... porque está maior?
— Não. Bem, é, isso é constrangedor também. Mas não é por isso que... que...
— Você está me evitando. Pode dizer. Porque é justamente o que você vem fazendo. — Ele agora parecia contrariado ou pelo menos meio chateado. Mas o que ela realmente ouviu em sua voz foi insegurança. E, sinceramente, não podia culpá-lo. Sentiria o mesmo se ele ficasse se esquivando dela como ela fazia.
Kylie mordeu o lábio inferior.
— Desculpe. Não é o que você está pensando.
— Então é o quê? Porque estou perdido. Quer dizer, na maioria das vezes as suas emoções parecem positivas quando estou por perto, na verdade às vezes parecem muito positivas quando estou por perto, mas aí você foge...
— E... é justamente por isso que eu fujo.
Ele franziu a testa.
— Ainda não estou entendendo.
Tudo bem, ela ia tentar explicar, então. Seu rosto queimou só de pensar em fazer isso.
— Quando estou perto de você, só consigo pensar em te beijar e te agarrar... — E ir muito além do que já fui com qualquer outro garoto.
Ele franziu ainda mais a testa, mas pelo menos a sua nova postura indicava que algumas preocupações tinham saído dos seus ombros.
— Tá legal — ele enfiou uma mão no bolso do jeans. — Agora pode me explicar por que isso é ruim?
— Não é ruim... é só muito íntimo. Não quero que você saiba o que está se passando na minha cabeça. Muito menos todos os vampiros e fadas que andam por aí, pelo acampamento.
Os ombros dele enrijeceram como se as preocupações tivessem voltado.
— Então você fica constrangida porque as outras pessoas sabem que você gosta de mim.
— Não. Quer dizer... gostar de você é uma coisa. Querer... agarrar você é outra.
— Você quer me agarrar? — Ele quase sorriu, e então correu os dedos pelo cabelo. — Sabe, não achei que fosse possível me sentir insultado e lisonjeado ao mesmo tempo. Mas você consegue me fazer sentir as duas coisas.
— Eu não insultei você.
— Insultou, sim, dizendo que fica constrangida porque as pessoas sabem que gosta de mim.
— Eu disse que o problema não é gostar de você.
— Tudo bem, você só não quer que pessoas saibam que se sente atraída por mim.
Ela abriu a boca para falar, mas não sabia direito o que dizer.
— É. Acho que sim. Quer dizer, é simplesmente uma coisa particular.
— Particular? — Ele hesitou como se tentando descobrir o que ela queria dizer. — Nunca é tão particular assim.
— Para os humanos, é. E posso não ser cem por cento humana, mas... convenhamos. Eu passei 16 anos vivendo como humana e menos de dois meses tentando lidar com o fato de que sou... Ah, nem sei o que eu sou ainda. — Ela balançou a cabeça, sentindo o nível de frustração aumentar. — Mas, é isso mesmo, eu gosto do jeito como os humanos lidam com isso.
— E como os humanos lidam com isso? — ele perguntou, como se não estivesse conseguindo seguir o raciocínio dela.
Mas quem disse que ela o culpava por isso, visto que nem ela mesma sabia se estava entendendo seu próprio raciocínio?
— Eu gosto do jeito como os humanos mantêm seus sentimentos e pensamentos só pra si.
Ele ficou ali parado, ruminando o que ela tinha dito. Kylie podia ver que seu argumento não fazia sentido para ele.
— Não — ele rebateu. — Você está errada.
— Errada por quê? — Agora era ela que estava confusa.
— Não é particular para os humanos, também. Eles não mantêm tudo para si.
— Só se quiserem contar a alguém.
— Ah, qual é! Olhe ali para Helen e Jonathon. Vai me dizer que você, a sua parte humana, não pode ver que esses dois se sentem atraídos um pelo outro? E o que me diz de Burnett? Você sabia que ele era apaixonado por Holiday antes mesmo que eu percebesse. Dá pra ver.
Tudo bem, Derek tinha razão. Mas ela não gostava de vê-lo levando a melhor sobre ela.
— Dá pra ver, é verdade. Mas eu não posso sentir as emoções deles ou farejar os feromônios que exalam porque querem... bater o martelo... transar. E saber que outras pessoas podem... fazer isso comigo, bom, isso me assusta um pouco, entende?
Ele balançou a cabeça.
— Tem certeza de que fica assustada porque as outras pessoas sabem? Ou o que a assusta é saber o que sente por mim.
Ela ficou olhando para ele.
— Eu não sei o que está querendo dizer.
— Quero dizer que não tenho certeza se você quer mesmo isto — ele disse, agitando a mão entre eles.
— Isto o quê? — Nesse instante, ela teve um flashback. Um flashback de uma conversa parecida com Trey. Ah, pelo amor de Deus, de novo não.
— Você e eu. Nós. Você não quer que a gente seja um casal. Toda vez que eu sinto que estamos um pouco mais próximos, você acaba se afastando. Eu já perguntei se quer ser minha namorada pelo menos umas seis vezes e você nunca me respondeu. Qual é o problema?
Definitivamente, era quase a mesma conversa que ela tivera com Trey.
— É tudo uma questão de sexo, né?
— Como é que é?! — Ele pareceu realmente surpreso. — Não. Não é disso que estou falando.
— Então vai me dizer que não quer sexo? — ela perguntou, cada vez mais irritada.
Ele ficou ali, olhando para Kylie, como se ela tivesse duas cabeças e um rabo. E, que Deus a ajudasse porque, considerando tudo o que andava acontecendo ultimamente, ela quase queria ver seu reflexo no espelho para ter certeza de que não tinha mesmo duas cabeças. E o mesmo podia-se dizer do rabo.
— De onde, pelo amor de Deus, você tirou essa ideia? — ele perguntou.
De repente, ela ficou consciente de que o aglomerado de pessoas tinha se aproximado mais deles e várias delas pareciam curiosas para ouvir o que estavam conversando. Ela consultou o relógio e já era mais de duas horas.
— Desculpe. Estou atrasada.
Kylie entrou bufando no escritório de Holiday. Desabou numa cadeira, em frente à escrivaninha, e olhou nos olhos a amiga e líder do acampamento.
— Odeio os homens. Estou pensando seriamente em me tornar lésbica.
A expressão de Holiday era em parte risonha e em parte cansada.
— Se fosse tão fácil, noventa por cento das mulheres do mundo seriam homossexuais. — Ela fez uma careta engraçada e depois perguntou: — Então... problemas com os garotos? — Ela pegou uma lata de soda e tomou um gole.
— Com garotos, Gambás e fantasmas.
Holiday quase engasgou com o refrigerante.
— Gambás?
Kylie afundou na cadeira, sentindo-se derrotada e extenuada por causa da briga com Derek.
— Miranda transformou Socks num gambá. E não sabe como desfazer o feitiço. — Tão logo as palavras saíram dos seus lábios Kylie se sentiu um dedo-duro. — Não que eu queira que você diga alguma coisa.
Holiday tentou não sorrir, mas os cantos da sua boca se curvaram para cima.
— Ela provavelmente está praticando para o espetáculo que a mãe vai querer ver quando Miranda chegar em casa.
— Ela explicou por que fez aquilo. E eu não quero que arranje encrenca... mas e se não descobrir como desfazer o feitiço? Vou ficar com um gambá como animal de estimação.
Outro sorriso ameaçou aparecer nos lábios de Holiday.
— Tenho certeza de que ela vai descobrir.
Kylie balançou a cabeça e depois largou as mãos no colo.
— Você tem ideia de como eu queria que a minha vida simplesmente voltasse ao normal? Como a de um ser humano normal? Ninguém tentando ler meus pensamentos, influenciando meus sentimentos ou me incumbindo de salvar a vida de alguém?
Holiday reclinou-se na cadeira e esticou os braços sobre a cabeça, como se estivesse há muito tempo na mesma posição. Ainda com os braços esticados, ela franziu a testa para os papéis sobre sua escrivaninha.
— Não sei se humana, mas normal seria bom às vezes, não é?
Algo na disposição de Holiday fez com que Kylie esquecesse por um instante suas próprias preocupações.
— Está tudo bem?
— Comigo? Ah, está, sim. — Ela baixou os braços e se sentou um pouco mais reta, como que para demonstrar mais coragem. — É com você que estou preocupada, Kylie. Você parecia muito aborrecida esta manhã.
Kylie se lembrou do modo tempestuoso como saiu do escritório.
— Desculpe. É que às vezes... sinto que é muita coisa...
— Sei que se sente assim. Mas tudo vai acabar se resolvendo.
Kylie fez cara feia.
— Você parece a minha mãe falando... Ela sempre diz, “Deus dá o frio conforme o cobertor”.
Holiday deu uma risada.
— E nós preferíamos que Ele não soubesse a grossura do nosso cobertor, não é?
— É. — Kylie viu um brilho de preocupação nos olhos de Holiday. — E quanto aos seus problemas? — Ela se mexeu na cadeira, sentindo que Holiday estava aborrecida.
— Eu estou bem... só tenho uma pilha de problemas financeiros para resolver em período integral, aqui no acampamento. E preciso contratar professores. Trocar o aquecedor de algumas cabanas. E não faço ideia de como vou fazer isso.
— Pensei que o governo, quer dizer, a UPF, cobrisse as despesas do acampamento.
— Em parte eles cobrem, mas, quando concordaram que eu transformasse o acampamento numa escola, diminuíram a verba. Ultimamente até os programas do governo estão sendo cortados. — Ela olhou para a escrivaninha outra vez. — Mas provavelmente a situação não é tão ruim assim. É só que... Sky costumava fazer toda a parte financeira e agora eu é que preciso dar conta disso.
— Burnett não é bom nisso? — Kylie perguntou, esperando facilitar o início da conversa sobre Burnett.
— Não sei. Mas ele não deve ficar mais de um mês aqui, então não vejo por que teria de envolvê-lo na administração do acampamento.
Nas entrelinhas, o que Holiday quis dizer é que não confiava em Burnett. Será que era porque ele era um vampiro ou porque tinha confiado em Sky, a última colíder do acampamento, que traíra a confiança dela? Holiday nunca falava muito de Sky, mas Kylie sentia que a traição da amiga a tinha magoado muito mais do que ela queria admitir.
— Eles contrataram um novo colíder para o acampamento? — Kylie perguntou.
Agora a expressão de Holiday era de profundo desgosto.
— Não. Mas prometeram que fariam isso até o final do verão. E eu não vejo a hora.
— É assim tão difícil trabalhar com ele? — Kylie sentiu que toda frustração de Holiday era causada por Burnett, o que a deixou ainda mais preocupada com a maneira como a amiga encararia sua confissão.
— É só porque somos muito diferentes. — Holiday baixou os olhos para o peito de Kylie e se fixou ali por alguns instantes a mais. O que significava que ela tinha notado o surto de crescimento.
Os pensamentos de Kylie se desviaram da sua confissão e voltaram a se concentrar nos próprios problemas.
— Como você explica isso?
— Explica o quê? — Holiday perguntou com um ar de inocência que não convenceu Kylie.
Kylie cobriu os seios com as mãos.
Holiday apertou os olhos.
— Eu tinha esperança de que você só estivesse usando um sutiã novo.
— Receio que não. O meu cabelo também está mais comprido. — Kylie puxou algumas mechas do cabelo para a frente. — Além disso, o meu tênis está apertado e tenho quase certeza de que estou alguns centímetros mais alta.
— Mmm... — Kylie teve a impressão de que Holiday estava tentando manter sua expressão impassível.
— Mmm... o quê? — Kylie se inclinou para a frente, pressionando as mãos contra a escrivaninha.
— Mmm... é estranho — disse Holiday, mas alguma coisa no jeito como a líder do acampamento relanceou os olhos para os papéis sobre a escrivaninha deu a Kylie a impressão de que ela não estava sendo totalmente sincera.
— Por favor, não faça isso comigo — pediu Kylie.
— Isso o quê? — perguntou Holiday, olhando para ela.
— Não me esconda nada. Sou eu que estou passando por isso. Tenho o direito de saber o que está acontecendo.
— Não estou escondendo... — Holiday parou de falar e suspirou. — Não acho que esteja escondendo algo se estou apenas presumindo, fazendo conjecturas. Não acho justo dar a você uma informação sem ter certeza absoluta do que estou dizendo.
— O que não é justo é me deixar totalmente no escuro. Porque, pode acreditar, o que quer que você tenha a me dizer não vai ser, nem de longe, tão ruim quanto o que eu estou imaginando.
Holiday concordou com a cabeça.
— Tudo bem, mas lembre-se apenas... de que é só especulação. Até mesmo Burnett disse que não considera isso uma prova definitiva.
Kylie já suspeitava de que Burnett tinha reparado nos seus seios maiores. A favor dele, ela precisava dizer que ele tinha lidado com o fato muito bem, mas pensar que ele e outras pessoas estavam discutindo sobre o assunto a deixava... envergonhada. Mortificada.
— Vocês dois discutiram sobre os meus peitos?
— Não, quer dizer, sim, mas não... Olhe, ele disse que tinha notado algumas mudanças em você quando se encontraram na cachoeira. Eu insisti para que me dissesse que mudanças eram essas.
A mera menção do encontro com Burnett na cachoeira fez com que Kylie se lembrasse de que precisava ser sincera com a amiga, mas primeiro ela tinha que saber.
— E quanto às suas conjecturas?
— Algumas fêmeas de lobisomem...
— Lobisomem? Ah, não! Lobisomem, não. Qualquer coisa menos isso.

4 comentários:

  1. hum , ela consegue ler um pouco as emoçoes dos outros , gosta de sangue e esta mais rapida , e agora tem caracteristicas de lobisomen , parece que ela é todos os seres em uma só

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  2. gentem tadinho do Derek ele não tem culpa dela ficar sentindo tesão neele e ele nunk disse que queria sexo... morri de rir na parte em que a Miranda transformou socks em um gambá tadinho
    Ass: Mary filha de Eva

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  3. Eu acho que ela tem um pouquinho de cada ser. Tipo, vários cruzamentos na família, até chegar a ela, que ficou com várias características. É possível?

    Bella.

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  4. Ela pode ser uma híbrida de todos os sobrenaturais.

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