11 de agosto de 2016

Capítulo onze


Se você, leitor, algum dia se fantasiou para o Halloween ou foi a um baile de máscaras, sabe que dá uma certa emoção usar um disfarce – um pouco por causa do divertimento, um pouco por causa do perigo. Uma vez fui a um dos famosos bailes de máscaras promovidos pela duquesa de Winnipeg, e foi um dos acontecimentos mais divertidos e mais perigosos de minha vida. Estava fantasiado de toureiro e entrei de penetra na festa, com os guardas do palácio me perseguindo, fantasiados de escorpião. No momento em que entrei no Grande Salão de Baile, parecia que Lemony Snicket havia desaparecido. Eu estava usando roupas que nunca vestira antes – uma capa de seda escarlate e um colete bordado com fios de ouro, no rosto uma máscara fininha preta –, e foi o bastante para que me sentisse outra pessoa. E, por estar me sentindo outra pessoa, ousei abordar uma mulher que eu estava proibido de abordar para o resto de minha vida. Ela estava sozinha numa bela varanda de mármore polido cinza, fantasiada de libélula, com uma máscara verde-cintilante e enormes asas prateadas. Enquanto meus perseguidores corriam por todos os cantos da festa tentando me encontrar entre os convidados, escapei para a varanda e passei-lhe a mensagem que tinha tentado transmitir durante quinze longos e solitários anos. “Beatrice”, exclamei, bem na hora em que os escorpiões me localizaram, “o conde Olaf é...”.
Não posso prosseguir. Sinto vontade de chorar quando penso naquela noite e nos sombrios e desesperados anos que se seguiram; entretanto, tenho certeza de que vocês, leitores, estão curiosos por saber o que aconteceu aos órfãos Baudelaire e aos trigêmeos Quagmire depois do jantar em Prep Prufrock.
“Isso é meio divertido”, disse Duncan, colocando no rosto os óculos de Klaus. “Sei que estamos fazendo isso por motivos sérios, mas, seja como for, estou me divertindo.”
Enquanto amarrava a fita de Violet no cabelo, Isadora recitou:

“Pode não ser o mais prudente,
Mas disfarçar-se mexe muito com a gente.”

“Não é um poema perfeito, porém, se considerarmos as circunstâncias, até que dá para o gasto. E, então, que tal estamos?”
Os órfãos Baudelaire recuaram um passo e olharam atentamente para os Quagmire. O jantar estava terminando, e os cinco amigos se encontravam parados do lado de fora do Barraco dos Órfãos, apressando-se em pôr em ação o arriscado plano. Tinham conseguido entrar às escondidas no refeitório e roubar da cozinha um saco de farinha do tamanho de Sunny, aproveitando um instante em que os empregados com máscara de ferro estavam de costas. Violet carregara também um garfo, algumas colheradas de creme de espinafre e uma pequena batata – componentes de que necessitava para sua invenção. Faltavam poucos momentos para os Baudelaire – ou, no caso, os Quagmire disfarçados – se apresentarem para o início da rotina de D.O.R. Duncan e Isadora entregaram os cadernos aos Baudelaire a fim de que eles pudessem estudar para os rigorosos exames, e trocaram os sapatos para que as voltas corridas pelos Quagmire soassem exatamente como as dos Baudelaire. E então, aproveitando os poucos segundos que lhes restavam, os Baudelaire deram uma olhada geral no disfarce dos Quagmire e na mesma hora tomaram consciência do quanto aquele plano era arriscado.
Na verdade, Isadora e Duncan Quagmire não se pareciam muito com Violet e Klaus Baudelaire. Os olhos de Duncan tinham uma cor diferente dos olhos de Klaus, e Isadora tinha o cabelo diferente do cabelo de Violet, ainda que preso de modo semelhante. Sendo trigêmeos, os Quagmire tinham exatamente a mesma estatura, ao passo que Violet era mais alta que Klaus por ser mais velha. E não havia tempo para providenciar minúsculas pernas de pau que permitissem a Isadora compensar a diferença de altura. Porém não eram detalhes físicos insignificantes que tornavam o disfarce tão pouco convincente. Era o simples fato de que os Baudelaire e os Quagmire eram pessoas diferentes, e uma fita de cabelo, óculos e sapatos não bastavam para torná-los parecidos, da mesma forma que não basta a uma mulher fantasiar-se de libélula para levantar voo e escapar da catástrofe que a espera.
“Eu sei que não nos parecemos muito com vocês”, admitiu Duncan depois que os Baudelaire ficaram algum tempo em silêncio. “Mas, lembrem-se, vai estar bem escuro no gramado da frente. A única luz é a que vem do círculo fosforescente. Vamos tratar de baixar a cabeça enquanto corremos, assim nosso rosto não nos denunciará. Não diremos uma palavra ao instrutor Genghis para que não estranhe nossa voz. E a fita de cabelo, os óculos, e os sapatos são os de vocês, de modo que tampouco despertaremos suspeitas pelo que estamos usando.”
“Não precisamos levar adiante esse plano”, disse Violet com certa serenidade. “Agradecemos a ajuda, mas não precisamos tentar enganar Genghis. Meus irmãos e eu poderíamos simplesmente fugir agora, esta noite. Nós nos tornamos corredores de primeira, e estaremos partindo com uma boa vantagem em relação ao instrutor Genghis.”
“Poderíamos procurar uma cabine telefônica por aí e ligar a cobrar para o sr. Poe”, disse Klaus.
“Zubu”, disse Sunny, o que significava: “Ou frequentar outro colégio, trocando nosso nome”, ou algo do gênero.
“Esses planos não têm a menor chance de dar certo”, disse Isadora. “Pelo que vocês nos disseram do sr. Poe, ele nunca foi de grande ajuda. E o conde Olaf parece descobrir vocês em qualquer lugar, portanto um colégio diferente não adiantaria nada.”
“Esta é a nossa única chance”, concordou Duncan. “Se passarem nos exames sem despertar as suspeitas de Genghis, vocês estarão fora de perigo, e aí poderemos concentrar nossos esforços em desmascarar o instrutor revelando quem ele realmente é.”
“Acho que você tem razão”, disse Violet. “É que eu não gosto da ideia de vocês arriscarem assim a vida só para nos ajudar.”
“Para que servem os amigos?”, disse Isadora. “Não vamos ficar assistindo a um recital bobo enquanto vocês correm como uns desgraçados. Vocês três foram as primeiras pessoas na Prep Prufrock que não nos trataram mal por sermos órfãos. Nenhum de nós tem família, de modo que temos que dar apoio uns aos outros.”
“Ao menos deixem-nos acompanhá-los até o gramado da frente”, disse Klaus. “Assim vigiaremos vocês detrás do arco e poderemos saber se estão conseguindo enganar o instrutor Genghis.”
Duncan balançou a cabeça. “Vocês não têm tempo de nos vigiar”, disse. “Precisam fazer grampos com aqueles arames e precisam estudar para dois exames rigorosos.”
“Meu Deus!”, disse Isadora de repente. “Como iremos puxar esse saco de farinha ao longo da pista? Precisamos de uma corda ou algo parecido.”
“Poderíamos ir chutando o saco pelo caminho”, disse Duncan.
“Não, de jeito nenhum!”, disse Klaus. “Se o instrutor Genghis vir vocês chutando a irmã bebê, vai logo perceber que aí tem coisa.”
“Já sei!”, disse Violet. Inclinou-se para a frente e pôs a mão no peito de Duncan, correndo os dedos pelo suéter de lã grossa até que afinal encontrou o que buscava: um fio solto. Com cuidado puxou o fio desfazendo ligeiramente a trama do suéter até segurar nos dedos um bom comprimento da lã desgarrada. Com um puxão mais forte arrancou o fio e amarrou-o por uma ponta ao saco de farinha. A outra ponta ela entregou a Duncan. “Isso deve resolver”, disse ela. “Desculpe o estrago no suéter.”
“Tenho certeza de que você saberá inventar uma máquina de tricô”, disse ele, “quando todos estivermos fora de perigo. Bem, está na hora de irmos, Isadora. O instrutor Genghis nos espera. E, para vocês, boa sorte nos estudos.”
“Boa sorte na corrida”, disse Klaus.
Os Baudelaire lançaram um longo olhar para os amigos. A ocasião fez lembrar-lhes a última vez em que viram seus pais, quando acenaram um até-logo antes de partir para a praia. Não sabiam, é claro, que aquele seria o último momento que veriam a mãe e o pai, e estavam sempre, cada um deles, revivendo aquele dia, desejando haver dito algo mais que um mero até-logo. Violet, Klaus e Sunny, ao olhar para os dois trigêmeos, esperavam que agora não acontecesse nada parecido, pessoas que eles amavam desaparecendo para sempre da vida deles. Mas... e se acontecesse?
“Se não nos virmos nunca m...”, Violet cortou o que estava dizendo, engoliu em seco e tentou um novo começo. “Se algo der errado...”
Duncan tomou as mãos de Violet e olhou-a nos olhos. Violet viu, atrás dos óculos de Klaus, a expressão compenetrada nos grandes olhos de Duncan. “Nada vai dar errado”, ele disse com firmeza, embora naquele momento estivesse completamente enganado. “Nada vai dar errado de jeito algum. De manhã a gente se vê.”
Isadora despediu-se com um gesto solene e, afastando-se do Barraco dos Órfãos, seguiu o irmão e o saco de farinha. Os órfãos Baudelaire ficaram observando-os caminhar para o gramado da frente até os trigêmeos ficarem reduzidos a nada mais que dois traços que arrastavam outro traço.
“Sabem de uma coisa?”, disse Klaus enquanto estavam os três a olhar para os amigos. “Assim de longe, com essa luz, até que eles se parecem um bocado conosco.”
“Abax”, concordou Sunny.
“Assim espero”, murmurou Violet. “Assim espero. Mas, por ora, é melhor pararmos de pensar neles e tocarmos para a frente a nossa parte do plano. Vamos calçar nossos sapatos barulhentos e entrar no barraco.”
“Não consigo imaginar como você vai fazer grampos”, disse Klaus, “usando apenas um garfo, algumas colheradas de creme de espinafre e uma pequena batata. Parecem mais ingredientes para preparar um prato de comida do que um aparelho de produzir grampos. Só espero que seus talentos de inventora não tenham sido lesados por dormir pouco.”
“Não, acho que não”, disse Violet. “É impressionante quanta energia se consegue armazenar quando se tem um plano. Além do mais, meu plano não envolve apenas as coisas que roubei. Envolve um dos caranguejos do Barraco dos Órfãos e os nossos sapatos barulhentos. Muito bem, assim que todos estiverem calçados, por favor sigam as minhas instruções.”
Os dois Baudelaire mais novos ficaram bastante intrigados ao ouvir a irmã, contudo tinham aprendido havia muito tempo que, quando se tratava de invenções, Violet era de absoluta confiança. Num passado recente ela inventara um arpéu (gancho de apoio para escaladas ou abordagens), uma gazua para arrombar cadeado, um sinalizador de pedido de socorro, e agora, desafiando o impossível – expressão que aqui significa “usando um garfo, algumas colheradas de creme de espinafre, uma pequena batata, um caranguejo vivo e sapatos barulhentos” –, ia inventar um aparelho para produzir grampos.
Os três irmãos calçaram os sapatos e, seguindo as instruções de Violet, entraram no barraco. Como de costume, os minúsculos caranguejos perambulavam à toa pela habitação, aproveitando a oportunidade de estarem sozinhos no terreno, sem risco de se assustar com barulhos fortes. Na maioria das vezes, os Baudelaire pisavam estrondosamente no chão assim que entravam, e os caranguejos corriam em disparada para ocultar-se debaixo dos montes de feno ou noutros esconderijos do aposento. Desta vez, entretanto, Violet instruiu os irmãos a pisar no chão de tal maneira que obrigassem um dos caranguejos mais agressivos e com pinças maiores a conduzir-se para um canto do barraco. Enquanto os outros caranguejos se dispersavam, esse caranguejo viu-se encurralado, morrendo de medo dos sapatos barulhentos mas sem ter para onde fugir.
“Bom trabalho!”, exclamou Violet. “Mantenha-o nesse canto, Sunny, enquanto eu providencio a batata.”
“Para que serve a batata?”, perguntou Klaus.
“Como é sabido”, explicou Violet enquanto Sunny sapateava com os pezinhos no chão ora aqui ora ali para manter o caranguejo no canto, “os caranguejos adoram cravar a pinça em nossos dedos do pé. Peguei de propósito no refeitório uma batata com a forma de um dedo do pé. Vocês veem como ela tem um lado meio oval e essa partezinha um pouco saltada que faz lembrar uma unha do pé?”
“Tem razão”, disse Klaus. “A semelhança é visível. Mas o que isso tem a ver com grampos?”
“Bem, os pedaços de arame que Nero nos deu são muito compridos, e precisam ser cortados com precisão em pedaços pequenos do tamanho de grampos. Enquanto Sunny mantém o caranguejo naquele canto, vou provocá-lo com a batata. Ele – ou ela, pensando bem não sei distinguir um caranguejo macho de um caranguejo fêmea...”
“É macho”, disse Klaus. “Pode ter certeza.”
“Bem, ele vai pensar que é um dedo do pé”, prosseguiu Violet, “e avançar com a pinça sobre a batata. Nesse instante, tiro de cena a batata e coloco um arame no lugar. Se eu souber calcular a operação com cuidado, o caranguejo cortará o arame com precisão impecável.”
“E depois?”, perguntou Klaus.
“Primeiro o começo”, Violet respondeu com firmeza. “Muito bem, Sunny, continue sapateando com esses sapatos barulhentos. Já tenho aqui a batata e o arame número 1.”
“E eu faço o quê?”, perguntou Klaus.
“Você pode começar a estudar para os exames rigorosos, é claro”, disse Violet. “Eu não teria como ler todas as anotações de Duncan numa só noite. Enquanto Sunny e eu fazemos os grampos, você precisa ler os cadernos de Duncan e Isadora, decorar as medidas da sra. Bass e ensinar-me todas as histórias do sr. Remora.”
“Falou”, disse Klaus. Com essa breve resposta, ele indicava que entendera o plano de Violet e que seguiria à risca as instruções – e nas duas horas seguintes foi exatamente o que fez. Enquanto Sunny usava os sapatos barulhentos para manter o caranguejo encurralado, e Violet usava a batata como dedo do pé e a pinça do caranguejo como alicate, Klaus usou os cadernos dos Quagmire como fonte de estudo para os exames rigorosos, e tudo funcionou como era esperado. Sunny fez tanto barulho com os sapatos que o caranguejo não se atreveu a sair de onde estava. Violet foi tão ágil manobrando a batata e os arames que em pouco tempo todos estavam cortados em pedaços do tamanho de grampos. E Klaus – apesar de ser obrigado a manter as pálpebras quase cerradas para enxergar algo, pois os óculos haviam ficado com Duncan – leu com tamanho empenho as anotações que Isadora havia tomado das aulas da sra. Bass que não demorou muito para saber de cor o comprimento, a largura e a altura de quase todos os objetos.
“Violet, pergunte-me quais as medidas do lenço azul-marinho”, disse Klaus, virando o caderno para não  “colar”.
Violet tirou a batata no momento exato, e o caranguejo cortou mais um pedaço do arame. “Quais são as medidas do lenço azul-marinho?”, ela perguntou.
“Dois decímetros de comprimento”, recitou Klaus, “nove centímetros de largura e quatro milímetros de espessura. É tedioso, mas está correto. Sunny, pergunte-me quais as medidas da barra de sabonete.”
O caranguejo viu uma oportunidade de escapar do encurralamento, porém Sunny foi tão rápida que não deu chance. “Sabão?”, Sunny testou Klaus, ao mesmo tempo que soava os sapatinhos barulhentos para fazer o caranguejo recuar.
“Oito centímetros por oito centímetros por oito centímetros”, disse Klaus sem pestanejar. “Essa é fácil. Vocês estão se saindo bem, todas as duas. Aposto como aquele caranguejo vai acabar quase tão cansado como nós.”
“Não”, disse Violet. “Ele já terminou. Pode deixá-lo ir, Sunny. Já temos todos os pedaços de que precisamos. Ainda bem que essa parte do processo de produzir grampos está concluída. Não há nervos que aguentem isso de seduzir e provocar um caranguejo!”
“Qual é a próxima?”, disse Klaus, enquanto o caranguejo tomava distância dos momentos mais apavorantes de sua vida de crustáceo.
“A próxima é você me ensinar as histórias do sr. Remora”, disse Violet, “enquanto Sunny e eu dobramos esses pedacinhos de metal para que fiquem com a forma adequada.”
“Shablo”, disse Sunny, o que significava: “E como vamos fazer isso?”, ou algo do gênero.
“Olhe”, disse Violet, e Sunny olhou. Enquanto Klaus fechava o caderno preto de Isadora e começava a folhear o caderno verde de Duncan, Violet pegou um punhado de creme de espinafre e juntou-o com porções de feno e terra, o que resultou numa mistura pegajosa e grudenta. Em seguida pôs essa mistura na pontinha do garfo, que ela havia espetado num dos fardos de feno, deixando de fora o cabo. Soprou na mistura creme de espinafre + feno + terra até endurecê-la. “Sempre achei o creme de espinafre da Prep Prufrock muito grudento”, explicou Violet, “daí tive a ideia de usá-lo como cola. E pronto, temos aqui um método perfeito de fazer grampos com pedacinhos de arame. Reparem, se eu colocar os arames sobre o cabo, fica sobrando um pouquinho em cada lado. São essas partes que vão furar o papel quando o grampo estiver pronto. Se eu descalçar meus sapatos barulhentos” – e aqui Violet fez uma pausa para tirar os sapatos – “e usar as tampinhas metálicas da sola para martelar nos arames, eles se curvarão acompanhando o contorno do cabo do garfo e se transformarão em grampos. Viram só?”
“Guiba!”, gritou Sunny. Algo assim como: “Você é um gênio! Mas o que eu posso fazer para ajudar?”.
“Você pode conservar nos pés os sapatos barulhentos”, respondeu Violet, “e manter os caranguejos afastados da gente. E você, Klaus, comece a resumir para mim as histórias.”
“Falou”, disse Sunny.
“Falou e disse”, completou Klaus.
E os três Baudelaire seguiram o combinado pelo resto da noite. Violet martelou os arames, Klaus leu em voz alta as anotações do caderno de Duncan, e Sunny não deu trégua na atividade de bater os sapatos barulhentos. Logo os Baudelaire juntaram no chão uma pilha de grampos de fabricação caseira, memorizaram os detalhes das histórias do sr. Remora e não tiveram nem um caranguejo sequer a incomodá-los no barraco. E, mesmo com a ameaça do instrutor Genghis pairando sobre eles, começaram a sentir um certo bem-estar no decorrer da noite. Lembraram-se de outras noites, quando os pais ainda estavam vivos e os cinco ficavam juntos numa das salas de estar da mansão dos Baudelaire. Violet absorvida em contar os detalhes da última invenção, Klaus lendo e partilhando a informação obtida, e Sunny produzindo barulhos fortíssimos. Claro que em nenhuma daquelas noites Violet precisou “queimar os miolos” para entregar-se freneticamente a uma invenção que salvaria a vida deles, claro que Klaus nunca estaria lendo algo tão chato, e claro que não haveria hipótese de Sunny ter de fazer barulho para assustar caranguejos. De qualquer maneira, à medida que a noite avançava, os Baudelaire quase se sentiram em casa no Barraco dos Órfãos. E quando o céu começou a clarear e despontaram os primeiros raios do dia, começaram a sentir uma emoção que era muito diferente daquela de estar usando um disfarce. Era uma emoção que eu nunca senti em minha vida, e uma emoção que os Baudelaire não sentiam com muita frequência. Mas quando o sol matinal começou a brilhar, os órfãos Baudelaire sentiram a emoção de pensar que afinal de contas o plano deles talvez desse certo, e que talvez eles fossem enfim viver seguros e felizes como naquelas noites de que se lembravam.

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