16 de julho de 2016

Capítulo três

AS ARMAS DOS ALIENÍGENAS VOAM DE SUAS MÃOS PELO DO AR, CAINDO NO CHÃO DA rua no fim do quarteirão.
Que diabos...?
Alguma coisa está diferente. Alguma coisa dentro de mim mudou. O zunido mudou. Agora posso senti-lo em minhas veias. Eu me sinto poderosa. Eu me sinto elétrica, e por um segundo eu me pergunto se realmente fui atingida pelo tiro de uma daquelas armas. Mas isso não pode ser verdade. Eu me sinto bem viva.
Que diabos está acontecendo?
Eu mal sei como começar a responder essa pergunta. Os alienígenas idiotas parecem tão confusos quanto eu – e estão muito irritados. O que tem tatuagens rosna e vem em minha direção. Eu empurro minha mão na minha frente, esperando pará-lo.
Seu corpo voa pelo ar, chocando-se contra o para-brisa de um táxi abandonado que está em chamas a alguns prédios de distância de nós.
Olho para as minhas mãos, e em seguida para os dois mogadorianos remanescentes. Eles dão alguns passos para trás.
Eles estão com medo de mim.
Apesar de tudo o que aconteceu, eu não consigo evitar um sorriso.
— Quem está rindo agora? — pergunto enquanto me levanto.
— Garde — um dos alienígenas diz. Eu não sei o que isso significa, e não me importo.
Eu me sinto como uma titereira, como se tudo tivesse cordas invisíveis e eu pudesse puxá-las e manipulá-las. Levanto minhas mãos e o alienígena à esquerda é levado para o alto. Ele deixa escapar um pequeno rosnado.
Eu não tenho ideia do que está acontecendo comigo. Tudo o que sei é que esses monstros atacaram minha cidade. Meu bairro. Minha família.
Estreito meus olhos e trago minha mão para baixo. O mogadoriano que está flutuando se choca contra seu amigo que está no chão. E então eu o puxo para o alto de novo e o trago para baixo mais uma vez, martelando-o, de novo e de novo, até ambos se tornarem dois montinhos de cinzas.
Minhas mãos tremem. Eu os encaro em descrença, mas não tenho tempo para tentar entender isso. Mais mogadorianos aparecem na rua a alguns quarteirões de distância, atirando em um grupo de pessoas que corre atrás deles. Os humanos têm suas próprias armas. Eles estão indo para cima dos invasores com armas, facas, tacos de hóquei e baseball – e são liderados por alguns caras da polícia. Alguém joga alguma coisa que solta fumaça; há o som de vidro quebrando, e então um dos alienígenas pega fogo.
As pessoas estão revidando.
Eu me pergunto se deveria ficar e tentar proteger a minha vizinhança, mas a única coisa no mundo que consigo me preocupar em pensar agora é chegar até minha mãe. E então começo a correr, dessa vez com menos medo, cheia dessa energia que está fluindo dentro de mim. Parece que meu cérebro está soltando faíscas, e tudo em que consigo pensar é se isso é real – se eu realmente ganhei superpoderes – e então ainda posso ter esperanças de que ela esteja bem. Que estaremos reunidas em breve. Que não é impossível. Nada é impossível.
O parque Morningside está escuro. Normalmente não é o lugar que eu escolheria para andar à noite, mas não hesito em adentrar. Tudo o que tenho que fazer é subir alguns lances de escada e atravessar algumas ruas, e então estarei na mesma estação em que me despedi de minha mãe algumas horas atrás. Assim que entro de fato no parque, entretanto, começo a repensar minha rota. Parece que todos os arbustos estão se mexendo, e posso ouvir sussurros no ar ao meu redor. Eu cerro minhas mãos e continuo andando.
Estou quase nas escadas quando de repente há uma luz em meu rosto e alguém puxando a parte de trás da minha camisa. Minhas mãos se levantam e eu estou pronta para transformar em cinzas mais alguns desses bastardos pálidos, quando eu ouço alguém dizer:
— Vai com calma, é só uma criança.
— Quem está aí? — pergunto, sem baixar a minha guarda.
A luz diminui, e depois de piscar algumas vezes, percebo que ela veio de um pequeno grupo de pessoas. Talvez quinze. E então a luz se apaga.
— Desculpe — a pessoa com a lanterna diz. — Pensamos que você poderia ser um deles.
— Eu pareço com um deles? — pergunto.
Enquanto meus olhos se ajustam, começo a enxergar o garoto segurando a lanterna. Ele é apenas alguns anos mais velho que eu, se for, e ele não consegue ficar parado, seus olhos e sua cabeça virando para todos os lados do parque.
— Eu preciso ir — falo, começando a subir as escadas novamente.
O garoto segura meu braço.
— A coisa está feia lá pra cima — ele diz. — Eles estão por toda parte.
— A coisa está feia aqui embaixo — alguém do grupo aponta.
— Não estou com medo — respondo, me libertando dele.
— Eles invadiram o nosso prédio — o garoto diz. — Meus pais e alguns outros moradores tentaram impedi-los na entrada enquanto todos nós saíamos pelos fundos. Eu não sei... — ele não consegue terminar.
Olho para o resto do grupo. É só então que percebo que a maioria deles é de crianças e velhos. São pessoas que não teriam chance nenhuma contra os mogadorianos.
— Estaremos seguros aqui — uma garotinha diz. — Até a ajuda chegar.
Eu me pergunto se isso me inclui. Se eu sou a ajuda.
Antes que eu possa responder essa pergunta, alguém acende outra luz sobre mim. Sobre todos nós. Dessa vez vem do céu, vinda de uma daquelas malditas naves espaciais. Silhuetas pretas pulam de lá – mais alienígenas.
— Corram! — alguém grita.
E então corremos.
Nós tropeçamos nas escadas. Atrás de mim, posso ouvir os ruídos elétricos das armas deles. Um homem mais velho é atingido e cai. O garoto da lanterna o segura, e começa a arrastá-lo. Nós continuamos.
Corremos tão rápido quando começamos a subir as escadas que quando vejo, estamos quase no topo dos degraus sem fim enquanto eles nos alcançam.
— Vão! Vão! — eu grito, mas não há como nos movermos mais rápido. Não esse grupo.
Então tento comprar um pouco de tempo para eles escaparem. Eu mudo minha atenção para os mogadorianos.
Eles estão a alguns metros atrás de mim, suas botas fazendo barulho enquanto eles pisam no chão de pedra.
— O que você está fazendo? — o garoto da lanterna grita para mim.
— Salvando vocês! — eu grito de volta. Ou me matando. — Oi, otários! — cerro o punho. — Vocês nunca deveriam ter mexido com o Harlem!
Eles levantam suas armas, porém eu sou mais rápida. Empurro minhas mãos para frente. Os alienígenas voam para trás. Um deles cai perto da lagoa. Dois deles caem pela escada. Eles devem ter ossos, porque posso ouvi-los quebrando. Um deles se desintegra no meio das escadas, o outro some apenas no fim dela, quando cai, batendo a cabeça com força.
Mas eu não acabei com todos eles. Um grandão de alguma forma conseguiu escapar da minha mágica Jedi e está vindo na minha direção, seu canhão apontado e pronto para disparar. Ergo minhas mãos e cerro os punhos. O alienígena para, levitado do chão por uma mão invisível gigante.
— Toma aí bonitão! — eu digo. — O que vai fazer agora?!
Ele se contorce em minha pegada, dizendo coisas num idioma que nunca ouvi antes – embora seja bem óbvio que ele está me xingando.
Por alguma razão, penso nas orações silenciosas de Benny enquanto assistíamos o noticiário.
E então penso em minha mãe, que deve estar bem e me esperando no restaurante.
Ela tem que estar bem.
— Esse planeta já foi conquistado — ele diz em inglês. Eu não sei se ele tem um sotaque estranho, ou se sua voz normalmente soa como se alguém estivesse tentando fazer alguma coisa num liquidificador. — Vocês não podem vencer. Seu povo se curvará diante de nós quando...
Balanço a mão para a esquerda. O alienígena voa, se chocando contra a parede lateral da escadaria. Ele se desintegra em cinzas antes mesmo de o seu corpo atingir o chão.
É só então que percebo que o silêncio caiu atrás de mim.
Viro para trás, e encontro uma dúzia de olhos me encarando.
Alguns deles estão acima de bocas abertas, outros estão cheios de medo.
— Hã... — eu não tenho ideia do que dizer.
— Você — o garoto da lanterna diz. — Você é como o cara dos vídeos. John Smith.
— Oh, não. Não sou como ele.
— Você é tipo, uma alienígena do bem? — alguém pergunta.
— O quê? Eu moro na rua 120.
Todo mundo começa a sussurrar. Os murmúrios rapidamente se tornam mais altos, até todo mundo estar tentando falar comigo, me agradecendo ou perguntando o que mais consigo fazer, ou me dizendo para voltar para o meu próprio planeta.
— E agora? — uma garotinha pergunta. Seus olhos estão cheios de lágrimas.
Há uma explosão em algum lugar próximo, vinda da direção de onde meu apartamento fica. Ou talvez, ficava. Os degraus fazem barulho sob nossos pés.
Eu não sei o que dizer para essas pessoas fazerem, mas minha missão é clara. Eu tenho que ir para o centro.
E se mais algum desses estúpidos caras-de-tubarão entrar no meu caminho, eu vou destruí-los, deixando montanhas de cinzas por onde eu passar.
Corro até os últimos degraus da escada e para fora do parque. Os outros me seguem.
— Você é como um mutante ou algo parecido — diz o garoto com lanterna atrás de mim. — Você foi exposta a alguma radiação ou resíduos tóxicos ou algo parecido?
— Você tem uma nave espacial? — uma menina pergunta, ignorando totalmente o fato de que eu já disse que não sou uma alienígena.
— Porque isso está acontecendo? — uma outra garota pergunta. Ela só fica repetindo a pergunta de novo e de novo.
Eu não digo nada – não saberia como até mesmo tentar responder a essas perguntas que não fazem qualquer sentido para mim. Mas que não parece importar para nenhum deles. Eles apenas continuam me perseguindo, os mais jovens, algumas vezes, se movendo mais devagar de modo que os mais velhos ficam na frente. Eu sei que se este grupo permanece em meus calcanhares, eu nunca vou conseguir chegar até a Wall Street e minha mãe, porque não há chances de eu evitar os bastardos alienígenas com quinze pessoas tropeçando atrás de mim.
Tenho de despistá-los.
Então percebo que se eu conseguir encontrar um bom esconderijo seguro ou algo assim, talvez possa escapar e não me sentir mal por abandoná-los. O único problema é que o lugar mais seguro agora é, provavelmente, Montana ou Wisconsin ou, eu não sei, Antártida ou qualquer lugar longe o suficiente de Nova York ou outras grandes cidades. Eu conheço este bairro como a palma da minha mão. E minha mente corre tentando pensar em algum tipo de lugar que possa ter um buraco em que se enfiar onde se possa esperar por ajuda de verdade do exército ou seja de quem for. Penso em Columbia, já que a universidade fica a apenas um quarteirão de distância e tem grandes portas de metal em suas entradas que pelo menos parecem ser fortes.
Mas eu nem sequer consigo chegar perto do campus antes de ver uma pequena nave espacial no ar sobre ela e ouvir os gritos e os sons daqueles disparos de armas elétricas. Alguns edifícios estão em chamas. Parece que toda a escola está sob cerco. Imagino que alguns dos nerds não gostam da ideia de invasão e decidiram se fortalecer o suficiente para começar uma guerra que os alienígenas estão tomando conhecimento. Ou talvez eles estivessem no meio de um daqueles protestos que estão sempre fazendo, e os alienígenas pálidos devem ter pensado que eles fossem uma ameaça. O que quer que tenha acontecido, a confusão definitivamente está reinando no campus.
Normalmente eu cortaria caminho pela universidade na rua 116 para chegar ao metrô, mas isso obviamente não vai acontecer. Acabar com alguns dos caras pálidas no parque é uma coisa, mas não vou testar a minha sorte tentando enfrentar uma nave espacial. Duvido que eu seja tão forte. Além disso, nem sei como eu tenho esses poderes, muito menos quanto tempo eles vão durar, e não quero acabar com eles sendo que ainda tenho que atravessar a porcaria da cidade inteira. Então dou a volta rapidamente e sigo para baixo em direção à Amsterdam.
Existem pessoas em toda parte, correndo em sua maioria, e alguns olham para os feridos. Ninguém parece saber para onde ir ou o que fazer.
Minhas pernas se mantêm em movimento, e demoram mais algumas quadras antes de eu perceber para onde estou nos levando.
Para o Grande Caranguejo.
Ou, mais especificamente, para a Catedral de Saint John, o Divino.
Paro no início dos degraus que levam até a igreja e viro para o grupo atrás de mim, as crianças, as pessoas idosas e um casal de adolescentes de olhos arregalados que parece ter a minha idade. Há uma pequena pontada na minha lateral por causa da corrida, mas estou em forma em comparação aos outros, que estão ofegando.
— Para dentro — ordeno, acenando para a igreja. — Vocês estarão muito mais seguros lá do que na rua. Basta esperar até que o exército ou fuzileiros navais ou a guarda costeira ou quem aparecer acabe com todos esses bastardos. Eles provavelmente estão marchando através das pontes nesse momento.
— O que devemos fazer lá dentro? — o garoto da lanterna pergunta.
— Eu não sei. Este lugar é gigantesco e centenário. Deve haver muitos lugares para se esconder. Além disso, é uma igreja, então... você sabe. É provavelmente mais protegida ou algo assim.
Um casal de idosos que está sentado sobre um banco, tentando recuperar o fôlego, parece tão aliviado por termos parados que acho que eles podem começar a chorar. Ou talvez eles estejam à beira das lágrimas por causa de tudo o que está acontecendo ao nosso redor. Eu não sei.
Seja qual for o caso, eles começam a subir os degraus, olhando em volta e procurando por mais extraterrestes no quarteirão. Três dos adolescentes ficam parados, no entanto. O menino da lanterna infla o peito.
— Para onde você está indo? — ele pergunta.
— Para o centro. É lá que a minha mãe está.
— Você vai precisar de ajuda — diz o menino lanterna. — Eu sou rápido. E posso lutar.
Eu o pego flexionando seus braços um pouco, e em outras circunstâncias eu provavelmente riria do idiota. Os outros assentem em acordo. Uma menina começa a dizer como seria muito mais seguro se eles ficassem comigo para eu protegê-los, enquanto o menino da lanterna diz que não quer apenas ficar sentado esperando para que os demônios do outro planeta apareçam, e tudo o que posso pensar é em cada segundo que estou perdendo aqui, e que minha mãe pode estar cada vez em mais perigo.
— Você quer ver um demônio? — pergunto, balançando a cabeça para eles. — Fique mais de cinco segundos de pé aqui fora falando em vez de entrar na igreja.
O garoto da lanterna parece surpreso. Ele inclina a cabeça para um lado.
— Você não pode nos impedir de ir.
Minhas narinas se alargam enquanto empurro a mão para um lado. No topo das escadas, um grande conjunto de portas se abre com um estrondo, quase arrancadas de suas dobradiças.
Tenho que ter mais cuidado com essa coisa toda de poder mental.
No entanto, consegui o que queria. Eles olham de um lado para o outro, entre mim e as portas por alguns segundos, as expressões em uma mistura de confusão, medo e algo como reverência.
— Vão — eu digo. Soa mais como eu se eu estivesse implorando do que comandando. Eu tenho que ir. Perdi tempo demais com eles.
Felizmente, eles marcham até as escadas. No topo, menino da lanterna lança um olhar para trás.
— Bem, é melhor você destroçar todos aqueles alienígenas — ele diz. — Qualquer deles que entrar aqui não será poupado.
Concordo com a cabeça e dou as costas, atravessando a rua. Poucos carros e um táxi passam por mim, mas à distância, mais abaixo na Amsterdam, posso ver outra nave alienígena. Os carros tão indo para ela, diretamente para os braços dos alienígenas. Meu sangue bombeia mais rápido. Quantos obstáculos se interpõem entre minha mãe e eu? Afasto o pensamento da minha cabeça e me concentro em continuar a caminho.
É só então que percebo quão confuso isso deve ser para o garoto da lanterna e os outros. Se suas famílias fizeram algum tipo de resistência ou distração nos apartamentos, há uma boa chance de que eles tenham tido o mesmo destino que Benny. Ou foram capturados, o que, diabos, pode até ser pior, pelo o que sei. Estou feliz que eu tenha minha mãe para encontrar. Caso contrário, o que diabos eu estaria fazendo agora mesmo?
Saio da Amsterdam antes de chegar a um cruzamento maior. Há apenas uma dúzia de pessoas na rua, mas vejo um monte de rostos nas janelas assistindo tudo com os olhos arregalados. Tento pensar sobre o que isso significa. Se os mogadorianos estão na universidade e atingiram meu quarteirão no Harlem, talvez estejam seguindo para baixo a partir do Bronx. Eles estavam em Midtown nos jornais, e sei que eles estavam na ONU. Talvez não tenham ido até o distrito financeiro.
Na metade do quarteirão, ouço uma enorme explosão em algum lugar atrás de mim. Olho por cima do ombro para ver fumaça subindo da área da igreja. Eu paro. Meu estômago revira. Por um segundo penso em correr de volta, mas tiro essa ideia da cabeça e volto para o metrô novamente, dizendo a mim mesma que deve ter sido um carro sendo bombardeado ou uma dessas naves alienígenas descendo. A igreja provavelmente está segura. Eu tenho que manter o foco. Não posso parar e ajudar cada pessoa que vejo.
Ainda assim, meu coração está na garganta. Mas ele não fica lá. Em vez disso, cai para minhas entranhas quando chego a uma esquina e vejo dezenas de mogadorianos a quatro ou cinco quarteirões enchendo a rua. Há toneladas de carros da polícia também, suas luzes piscando refletidas nos cascos das duas naves que pairam sobre a rua.
Eu não posso dizer se houve algum tipo de resistência da polícia que recuou para o campus ou se algum tipo de rebelião estudantil foi para a Broadway. O que quer que esteja acontecendo, os mogadorianos estão revidando com tudo o que têm. As naves atiram nas multidões. Há garrafas explodindo sendo jogadas pelos alunos e tiroteios. É o caos.
É difícil até mesmo tirar os olhos dos prédios em ruínas e os rostos das pessoas que lutam de volta. Mas eu o faço. Há uns cem metros de distância na outra direção há uma entrada do metrô na rua 110. Meu objetivo. O metrô ainda tem que estar funcionando, ajudando as pessoas saírem da cidade.
Certo?
Eu praticamente deslizo para baixo nas escadas quando finalmente chego até a entrada. Por um segundo, realmente me preocupo se trouxe o meu cartão do metrô, como se com tudo o que está acontecendo alguém fosse tentar me impedir de pular a catraca. Somente, isso não é um problema, porque a estação de metrô está repleta de pessoas. É uma loucura. Se eu fosse claustrofóbica, a cena seria o meu pior pesadelo.
Tem de haver uma centena de homens, mulheres e crianças entre mim e as catracas. Um fluxo constante de pessoas em pânico pulando sobre elas, uma por uma, e pulando sobre os trilhos. Eles mantêm seus telefones celulares ligados, usando-os como lanternas. Alguém abriu a porta de emergência, e os gritos agudos de alarme soa enquanto as pessoas se empurram.
— Que diabos? — eu me pergunto em voz alta. — Eles vão ser atropelados se continuarem a andar por lá.
— Ah, querida — uma mulher ao meu lado diz. Ela tem um punhado de fotos e um cão pequeno com aparência de rato que segura contra o peito. — Os trens não estão funcionando faz horas.
— Do que você está falando? — pergunto. O metrô tem que estar funcionando. Droga.
— As linhas acima do solo estão paradas na 125 — diz ela. O cão late. — Os filhos da mãe as destruíram. Não que eu suponha que qualquer um dos outros trens estejam funcionando. Senhor, espero que não, se há outras pessoas nos túneis.
Meu coração está batendo tão forte que não consigo pensar em nada.
Antes que eu possa até mesmo formular outra pergunta, alguém corre na minha direção, me empurrando contra mulher, fazendo com que suas fotos caiam no chão.
— Eles estão vindo! — é um rapaz da faculdade, com sangue escorrendo pelo rosto. — Eles estão vindo para cá! Vão! Mais rápido! Corram!

4 comentários:

  1. Oi Karina,
    É "Amsterdam" ou "Amsterdã"?
    Tá escrito dos dois jeitos ali.

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    1. Nossa, nem vi. Vou deixar Amsterdam, já que é o original em inglês. Vou corrigir, obrigada :)

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  2. O mais incrível e que, john custou a matar seu primeiro mog, e ela matou facilmente.

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  3. "Bem, é melhor você destroçar todos aqueles alienígenas — ele diz. — Qualquer deles que entrar aqui não será poupado."

    Karina, aqui não seria "Qualquer um deles..."?!

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