16 de julho de 2016

Capítulo sete

CONTINUAMOS SEGUINDO EM FRENTE SEM MUITOS INCIDENTES, EMBORA A VIAGEM seja quase que um borrão para mim. O choque de tudo o que está acontecendo juntamente com a minha falta de sono resulta em nada além de adrenalina. Um esquadrão de mogs passa por nós em Humvees em certo momento, mas Briggs e eu ficamos no parque em meio às árvores, e de alguma forma isso consegue evitar a nossa detecção. Perguntas enchem minha mente. Quem está fornecendo transporte para os mogs? O que eles estão fazendo agora que têm rédea aparentemente livre para se mover sobre a cidade?
Ligo para Sam ao longo do caminho, mas não recebo resposta.
Dou o meu melhor para não pensar no que isso significa, mas a preocupação com sua segurança continua a bater de frente comigo.
Eventualmente Briggs e eu chegamos à Union Station, uma estrutura gigante cheia de lojas, restaurantes e linhas ferroviárias. Evitamos a entrada principal. Briggs me leva por uma porta lateral e puxa um fone de ouvido do bolso quando nós estamos em um corredor estreito e vazio.
— Major Briggs relatando entrada — sua voz é um sussurro. — Estou com o objeto. Vocês tem a visão?
Ele aponta para uma câmera montada na parede. Alguém deve respondê-lo.
— Negativo — diz ele. — Somos só nós dois. — Ele se vira para mim. — Todas as linhas de trens e ônibus estão suspensas. O local deve ser evacuado, mas suponho que ainda possa haver inimigos patrulhando aqui dentro. O nosso percurso não vai nos levar a qualquer lugar perto da entrada principal, no entanto.
— Com quem você está... — eu começo, mas Briggs põe um dedo sobre os lábios e balança a cabeça duas vezes. Em algum lugar do corredor posso ouvir o eco fraco de vozes mogadorianas. Eles estão aqui dentro.
Briggs manca através de um corredor e, eventualmente, de uma série de escadarias sinuosas, hesitando apenas algumas vezes até descobrir para onde ir em seguida, segurando o seu fone de ouvido com um dos dedos, ouvindo as direções, eu presumo. Não tenho a certeza se o nosso caminho é escolhido para evitar mogadorianos ou se é complicado por si só. Ele se comunica apenas em sinais com as mãos, os olhos constantemente à procura de sinais de movimento enquanto andamos através do labirinto dos corredores e salas dos fundos que a maioria das pessoas nunca verá.
Gamera nos segue, zumbindo ao longo do caminho como um inseto, pronto para mudar de forma a qualquer momento.
Finalmente chegamos a uma sala que se parece com algum tipo de suíte – embora me baseando no mobiliário e no carpete cor de abacate, parece não ter sido redecorado desde que eu era criança. Briggs encontra um teclado tátil na parede atrás de um pequeno quadro da Casa Branca. É a única coisa que parece nova na sala. Ele digita um código e abaixa a cabeça para olhar no teclado, que deve ter algum tipo de sensor de retina. A parede ao lado dele se move, e uma série de placas de aço grossas desliza, revelando uma pequena sala com um chão de metal texturizado.
Ele me empurra para dentro, finalmente deixando escapar um longo suspiro enquanto a parede volta ao lugar atrás de nós. Em seguida, ele aciona um interruptor e o chão começa a se mover.
Nós estamos em um elevador.
— Graças a Deus — diz ele, inclinando-se contra a parede e finalmente começa a fazer caretas e a agir como um homem que foi ferido.
— Isso é loucura — eu sussurro.
Não consigo imaginar quantos lances de escadas nós descemos, mas parece que definitivamente foi bem adentro do subterrâneo, mais longe do que qualquer estação de trem normal desceria.
— Há túneis escondidos e quartos seguros neste edifício desde o governo Truman. Quando a Guerra Fria realmente começou a crescer, foram adicionados todos os tipos de entradas e saídas secretas. E... bem, vamos apenas dizer que os arquitetos foram criativos.
Nós finalmente desaceleramos e paramos em um pequeno patamar. Há uma porta com uma placa que diz “Somente os funcionários”.
— Este deve ser o armário não utilizado de um zelador — diz ele, apontando para a porta. — O que significa...
Ele vai para uma parede vazia e começa a pressionar tijolos de forma aleatória, resmungando para si mesmo. Finalmente, um deles é empurrado, e um porção da parede desliza.
Ele se vira para mim e sorri.
— O que eu disse? Você ficaria surpreso com as porcarias que o governo concebeu nos anos 60 e 70. É como se eles estivessem tomando suas decisões baseando-se nos filmes do James Bond.
O painel se fecha atrás de nós enquanto entramos no que parece ser um museu de vagões antigos: dez deles mais ou menos estacionados lado a lado em uma fila apertada à nossa frente.
— Que lugar é esse? — eu sussurro para mim mesmo quando olho em volta. Não parece haver nenhuma outra entrada ou saída.
— Centro de transporte supersecreto da Union Station — Briggs acena para uma das câmeras na parede e, em seguida, manca para a frente. — Bom, parece que eles enviaram o nosso transporte de volta. Nós não teremos que esperar por ele.
— Como você conhece tudo isso? — pergunto. Mesmo ele sendo um major, isto parece ser de conhecimento muito acima do seu nível.
— Há uma pequena equipe de soldados posicionados fora de uma base secreta aqui na cidade. A nossa principal preocupação é a evacuação segura de alvos de alto perfil no caso de uma emergência.
Ele tecla um código na lateral de um dos vagões e uma porta se abre. O interior é tão grande quanto um único vagão do metrô, mas está mobiliado como um jato particular: tudo de pelúcia e couro.
— Incrível — murmuro enquanto Gamera pousa em um banco e toma a forma de uma tartaruga.
— Você ainda não viu nada. Observe.
Briggs caminha para a frente do vagão e puxa uma série de alavancas. O trem sacode, e de repente estamos afundando no cimento, até que todo o vagão está vários metros abaixo do chão. Um conjunto de luzes passa, e posso ver uma faixa desaparecendo em um túnel escuro à frente.
— Nós estaremos lá em uma hora. Por que você não dorme um pouco, se conseguir?
O vagão começa a ser impelido para frente, fazendo-me desequilibrar um pouco. Seguro o encosto de um assento antes de me afundar nele.
Meu corpo desiste quando me sento, pronto para desmaiar.
Enquanto Briggs se ocupa na frente do vagão, puxo o meu telefone via satélite. O que quer que Adam tenha feito com ele, deve ter funcionado, porque tenho sinal.
Mas Sam não atende.
Por favor, esteja seguro, onde quer que esteja.
Antes que eu possa começar a me preocupar ou a levantar hipóteses do que o meu filho poderia estar fazendo, um sono sem sonhos se instala em mim, e o resto do mundo desaparece como se fosse nada.

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