24 de julho de 2016

Capítulo 8

Alyss estava estudando a pequena e preta pedra estelita mais uma vez.
Quando a flecha de Will tinha disparado através de sua janela na noite anterior, ela havia ficado surpresa ao descobrir que continha o que parecia ser uma pedrinha. Então ela leu a breve explicação de Malcolm da sua finalidade, e sentiu uma onda de esperança.
Ela estava mais disposta a acreditar que a pedra poderia ajudá-la a reconcentrar sua mente do que Will estava. Afinal, ela tinha experimentado os efeitos da gema azul que Keren usava nela. Tinha visto a rapidez com que sua mente poderia ser escravizada por ele. Agora estava grata que poderia ter uma forma de resistir aos seus esforços. Alyss era uma garota com força de vontade e inteligente, e o pensamento que sua mente havia sido capturada tão facilmente por Keren a fez se sentir vulnerável e exposta.
Ela analisou a pedrinha, girando-a em seus dedos. Era definitivamente agradável ao toque, suave, brilhante e confortante. E o que era essa sugestão de calor que sentia irradiando a partir dela? Ou ela estava apenas imaginando isso? Não tinha certeza. Ela lia as últimas linhas de instruções de Malcolm, cuidadosamente transcritas por Will na folha fina de mensagem.

Toque na estelita quando Keren tentar utilizar a gema azul. Concentre-se em uma imagem positiva e agradável. Quando ele questionar você, fale normalmente. Não finja estar confusa ou hipnotizada, senão ele vai saber que você está enganando-o.

Havia algumas linhas finais escritas em código. Ela tinha as decodificado para encontrar que eles definiram um cronograma de sinalização. Will que queria evitar a sinalização regular, sabendo que Keren acabaria por se tornar consciente disso. As luzes coloridas nas árvores apareceriam em intervalos irregulares, não no mesmo tempo e no mesmo local a cada noite. E, às vezes, não haveria nenhuma mensagem e os movimentos a luz branca se alteraria do padrão estritamente necessário para o código.
— Esperto, Will — ela disse suavemente.
Ela sabia que Keren não era bobo. Will também lhe disse que iria manter alguém assistindo a torre toda noite, caso ela tivesse alguma coisa urgente para comunicar.
Ela queimou o papel fino na chama da lamparina. Quando foi reduzido a cinzas, ela recolheu a poeira e a espalhou para fora da janela.
Ela já sabia a imagem positiva que iria usar quando Keren tentasse a hipnotizar. Menos de uma hora depois, ela ouviu a voz de Keren na antecâmara de fora e o barulho das sentinelas.
Alyss estava disposta a apostar que ele tinha ouvido sobre as luzes na floresta, talvez tenha visto ele mesmo. Agora, percebeu, ele estava aqui para se certificar de que não havia significado para elas. Quando a chave girou na fechadura da porta, enfiou a pedra sob o punho apertado de sua manga esquerda, onde ela estava escondida, mas acessível. Keren assentiu vivamente quando entrou na sala. Ele sacudiu a cabeça em direção à mesa.
— Sente-se, Alyss — disse ele. — Eu tenho algumas perguntas para você.
Hoje, ele estava focado no negócio. Obviamente, não tinha tempo a perder e não haveria nenhuma das fingidas formalidades amigáveis anteriores. Ela estava grata por isso. Seu bom humor e satisfação tinham começado a irritá-la. Eles eram inimigos, apesar de tudo, e ela preferia que ele a tratasse como tal, sem o ar de pretensão e de graça e encanto cavalheiresco.
Ele enfiou a mão na carteira de couro na cintura e pegou a pedra azul, deixando-a rolar sobre a mesa entre os dedos. Não havia necessidade de preâmbulo agora. A pedra tornou-se o gatilho para sua sugestão pós-hipnótica. Tudo o que ele tinha a fazer era ordenar ela olhar para a pedra e, em poucos segundos, ela estaria novamente hipnotizada.
Ele se inclinou para frente.
— Olhe para a pedra, Alyss — disse ele suavemente.
Seus olhos caíram para a bonita esfera quando ele rolou suavemente para trás e para frente sobre a mesa. Como sempre, ela podia sentir puxando-a, enchendo sua consciência.
Abaixo da mesa, ela deslizou o dedo indicador da mão direita sob o punho de sua manga esquerda, para tocar o pequeno seixo. Instantaneamente, ela viu um preto brilhante sobrepondo o azul do fundo da gema e sua mente afastou-se do abismo de controle de Keren.
Pense em uma imagem agradável e positiva, como Malcolm tinha instruído. O rosto de Will, olhos castanhos profundos sorrindo, trouxe a vida antes dela.
E sua mente estava livre.
— Continue olhando para o azul — Keren disse suavemente. — Você está pronta para responder às minhas perguntas?
Ela continuou a olhar para a gema. Mas agora a profundidade tinha ido com ele, e era um fundo escuro para a imagem do rosto de Will. Ela sempre amou aquele insolente sorriso dele, percebeu.
— Sim — ela respondeu simplesmente.
Estava feliz que Malcolm tinha instruído para ela não tentar parecer como se estivesse em transe. Ela não tinha nenhuma maneira de saber como ela se comportou nas ocasiões anteriores, quando Keren tinha controlado sua mente, mas tinha assumido que devia ter estado em algum tipo de estado de transe. Aparentemente não.
— Bom. Havia luzes na floresta a noite passada — disse ele.
Ela tinha razão. Ele sabia sobre as luzes.
— Havia — repetiu, nem questionar o fato nem confirmar.
Até agora, não tinha havido nenhuma pergunta direta, por isso não houve resposta específica exigida.
— Você as viu? — Perguntou ele.
De repente, sentiu o desejo de responder a verdade. De dizer: Sim. Eu os vi. Eram sinais. Ela acariciou a estelita, sentiu a compulsão recuar enquanto sua determinação fortalecia.
— Não — disse ela, e seu coração pulou.
Ela havia quebrado o seu domínio sobre ela. Ela poderia lhe dizer qualquer coisa, responder qualquer coisa, enquanto mantinha seu juízo. Lá dentro, ela estava exultante e sentiu seu coração batendo. Mas sua formação diplomática a ajudou a manter uma expressão totalmente neutra em seu rosto.
Keren franziu a testa. Ele tinha certeza de que as luzes tinham sido algum tipo de sinal sendo enviado para ela. Mas sabia que ela não podia mentir para uma pergunta direta. Ele tentou novamente.
— Você tem certeza? — Disse. — Luzes. Havia vermelho, azul, amarelo e branco que se deslocavam nas árvores. Você as viu?
Alyss, a ponto de dizer: Já era tarde. Eu estava dormindo, mas ela parou a tempo. Se não tivesse visto as luzes, não teria como saber quando elas apareceram. Ela percebeu que se manter no controle era uma séria tênue. O esforço de luta contra a agressão insistente de Keren na sua mente era muito perturbador, e ela não deveria deixar que ela deslizasse a guarda.
— Eu não as vi — respondeu ela. Então, ela acrescentou, em tom de conversa — mas eu vi isso antes.
Os olhos dela sobre a pedra, ela sentiu um pouco quando viu a cabeça de Keren estalar para a revelação.
— Quando? — Perguntou-lhe imediatamente. — Quando você as viu?
— Há dez dias. Will e eu fomos para a floresta. Havia luzes.
Ela sabia que ele tinha uma boa ideia que ela tinha ido na Floresta Grimsdell com Will. Seus homens a tinham seguido na ocasião. Ao mesmo tempo, é claro, ela e Will tinham assumido que era Orman que havia os seguido. E, enquanto eles realmente não tinham a visto entrar ou sair da floresta, Keren deveria suspeitar que era o lugar onde eles tinham ido embora. Não faria mal nenhum agora admitir. Pode até desviá-lo da linha de perguntas que ele estava seguindo.
Ele batia os dedos de uma mão sobre a mesa. Como se tornou mais distraído, Alyss notou que se tornou mais fácil para que ela controlasse suas palavras e seus pensamentos.
Ele tentou mais uma vez. Mas ela podia sentir a sua convicção estava diminuindo.
— O que as luzes significavam?
Ela deu de ombros.
— Eu acho que Malkallam as usava — disse ela. — Elas assustam as pessoas para fora da floresta.
Os dedos batiam novamente.
— Sim. Elas fazem isso bem. Meus homens não vão chegar perto do local.
Isso era definitivamente algo valioso para saber. Desde que Will havia fugido para a floresta com Orman, ela tinha pensado que Keren poderia ir atrás de Malkallam e convencer os seus homens a segui-lo na caça para pegá-los.
Keren soltou uma longa e reprimida respiração. Ela percebeu que ele estava esperando alguma coisa, algum evento a ter lugar. Suas próximas palavras confirmaram suas suspeitas.
— Bem, eu não posso perder mais tempo com isto. General MacHaddish é esperado em um ou dois dias.
Ele estava falando para si mesmo, na certeza de que suas palavras não se registrariam com ela em seu estado hipnotizado. Ele rolou a pedra azul de volta em sua direção e retirou-a da mesa.
— Tudo bem, Alyss. Até a próxima. Você pode acordar agora.
Ela assumiu que não deveria fazer nenhuma pretensão de sair de um transe, mas simplesmente continuar com a conversa normal. Mas sua mente estava correndo. MacHaddish era um nome scotti. Havia um general scotti chegando aqui nos próximos dias. Will teria que saber disso.
— Então — ela disse calmamente: — O que você deseja falar?
Keren sorriu para ela.
— Nós já conversamos — disse ele. — Mas é claro, você não se lembra disso.
Isso é o que você pensa, Alyss pensou.

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