24 de julho de 2016

Capítulo 7

Depois de um almoço substancial na pousada, Will e Horace se prepararam para montar para cavalgarem de volta para Grimsdell. Antes que eles o fizessem, no entanto, Horace retirou o arco pendurado atrás da sela e passou-o à Will.
— Isso é seu — disse ele. — Halt achou que você poderia precisar dele.
Um sorriso feliz quebrou o rosto de Will quando ele deslizou o arco maciço da bainha e sentiu o seu peso e equilíbrio durante alguns segundos. Então, ele escorregou habilmente um fim em um laço de couro na parte traseira de sua bota direita e inclinou-se, dobrando o arco pesado sobre os ombros quando ele deslizou a corda para dentro do encaixe na ponta. Ele recuou a corda uma ou duas vezes, testando o peso familiar da pressão. Então rapidamente retirou o arco recurvo e o colocou na bainha.
— Agora me sinto muito melhor — disse ele.
Horace assentiu. Ele entendeu a satisfação e conforto que uma arma familiar trazia com ela. Montaram e cavalgaram para longe da pousada juntos.
Horace, em seu grande cavalo de batalha, se elevou sobre Will, que, naturalmente, estava montando Puxão. O cão caminhava junto à sua frente, farejando para frente e para trás em toda a trajetória enquanto ela encontrava novos aromas para perseguir e identificar. Ela se dignou a acompanhar na viagem para a Cracked Flagon, quando o gigante Trobar estava ocupado em alguma tarefa para Malcolm.
— Eu ouvi esses dias que você tinha um cão — disse Horace. — Qual é o nome dele?
— É ela — Will respondeu. — E eu não tive tempo para escolher um nome ainda.
Horace estudou cuidadosamente o cão. Ela era quase toda preta, além de um peito branco e um flash branco no rosto.
— Pretinha seria bom — ele ofereceu depois de um tempo.
Will ergueu uma sobrancelha.
— Esse é um pensamento original — disse ele. — Como no mundo você pensou nisso?
Horace ignorou o sarcasmo.
— É melhor do que chamá-lo de “o cão”.
— Ela — disse Will. — O cão é ela, lembra?
— Tanto faz — Horace continuou. — Um cão deve ter um nome. E você mal pode criticar-me por ser banal, se você nem pensou em um nome ainda, Pretinha é melhor que nada.
— Isso é discutível — respondeu Will.
Mas, secretamente, estava gostando desta briga amigável com Horace. Era como nos velhos tempos.
— Bem, eu vou chamar ele... Desculpe, ela... de Pretinha — Horace decidiu.
Will deu de ombros.
— Se você escolher. Mas ela é um animal inteligente. Duvido que vai responder a um nome tão mundano.
Horace olhou de soslaio para ele. Seu amigo parecia muito seguro de si. De repente, o guerreiro alto soltou um assobio cortante, então chamado:
— Pretinha! Fique, menina!
No mesmo instante, o cão parou de farejar e se virou para ele, uma pata levantada, com a cabeça inclinada inquietamente. Horace fez um gesto triunfante na direção de Will. Will bufou em desprezo.
— Isso não prova nada — protestou. — Ela ouviu o assobio, é tudo! Você poderia ter chamado... Pão com Manteiga, e ela teria parado!
— “Pão com Manteiga?” — Horace repetiu zombando com incredulidade. — Essa é a sua sugestão para um nome, é? Ah, sim, é muito melhor do que Pretinha.
— Eu simplesmente queria dizer que ela parou porque você assobiou — Will persistiu.
No passado, ele geralmente ganhava essas discussões verbais com Horace. Seu amigo agora sorria para ele de uma forma irritantemente superior.
Enquanto iam até o cão, que ainda estava esperando por eles, Will murmurou com o canto da boca “traidora”.
Mas, infelizmente, Horace o ouviu.
— Traidora? Bem, isso é uma ligeira melhoria no Pão com Manteiga, você não diria Pretinha? — disse.
E, para desgosto de Will, o cão latiu uma vez, como se de acordo, em seguida, disparou à frente novamente para retomar seu farejo. Horace soltou uma risada satisfeita. Então ele decidiu que deveria continuar a conversa séria.
— Assim, toda a história sobre o feiticeiro não era nada além de boatos? — perguntou.
Eles tinham conseguido discutir alguns dos eventos em Macindaw durante o almoço, mas ainda havia detalhes que Horace queria saber.
— Não é bem assim — disse ele. — As luzes e os sons estranhos e aparições na floresta eram bastante reais. Mas eram ilusões criadas por Malcolm. Alyss descobriu isso — acrescentou.
Horace assentiu.
— Ela sempre foi rápida na compreensão, não foi?
— Absolutamente. Enfim, Malcolm usou suas ilusões para assustar as pessoas para longe e manter a sua pequena comunidade segura. Em pouco tempo as pessoas começaram a acreditar que Malkallam estava de volta.
— Então, Keren se aproveitou da situação para tomar o controle do castelo. Ele envenenou lentamente o lorde Syron até que o pobre homem estivesse impotente, quase morto. Keren sabia que Orman seria um senhor impopular no lugar de seu pai. E ele sabia que as pessoas estariam dispostas a acreditar quando Keren espalhasse rumores de que Orman estava mexendo com artes negras. Isso deu a Keren uma chance de assumir o controle.
— Mas você tirou Orman de lá? — Horace perguntou.
Will assentiu.
— No tempo certo. Keren tinha o envenenado também. Mas ele não terá chance de terminar o trabalho.
— O que aconteceu com Syron? — Horace perguntou. — Esse cara Buttle disse que ele pode já estar morto.
Will só poderia dar de ombros.
— Nós não sabemos. Ele pode estar. Agora que Keren já mostrou suas cartas, não há razão para ele manter Syron vivo.
Horace franziu a testa.
— Este Keren soa como uma peça completamente desagradável de trabalho — disse ele.
— Ele não parecia isso quando o conheci — Will admitiu um pouco cabisbaixo. — Ele tinha me enganado no início. Eu estava convencido de que Orman estava por trás de todas as trapaças e Keren que estava do lado dos anjos. Eu estava errado. Agora, a primeira prioridade é tirar Alyss de lá.
Horace concordou.
— Como é que você pretende fazer isso?
Will olhou de soslaio para ele.
— Eu pensei em invadir o castelo — respondeu ele, acrescentando casualmente — você entende sobre esse tipo de coisa, não é?
Horace pensou por um momento antes de responder. Ele franziu os lábios.
— Eu sei a teoria — disse ele. — Não posso dizer que nunca realmente fiz isso.
— Bem, claro que não — Will concordou. — Mas a teoria é bem simples, não é.
Ele trabalhou para tornar a frase como uma afirmação, não uma pergunta. Não queria que Horace soubesse que ele estava trabalhando totalmente no escuro. Mas Horace estava muito ocupado reunindo seus pensamentos para notar.
As pessoas muitas vezes assumiam que Horace não era um grande pensador, até mesmo que ele era um pouco lento. Estavam errados. Ele era metódico. Aonde Will tendia para momentos de brilhantismo e intuição, saltando de um fato ao outro e depois voltando como um gafanhoto, Horace iria pensar cuidadosamente o problema através de uma rigorosa em sequência, um conceito levando logicamente para outro.
Seus olhos se estreitaram ao lembrar as lições que ele aprendeu na Escola de Guerra sob a tutela de Sir Rodney. Mesmo depois de ter sido nomeado Cavaleiro do Castelo Araluen, Horace passou vários meses com o seu mentor original no Castelo Redmont, aprendendo os pontos mais delicados da arte de ser um guerreiro.
— Bem — disse ele durante um tempo — para invadir um castelo, você precisa de máquinas de cerco, é claro.
— Máquinas de cerco? — Will repetiu.
Ele sabia vagamente o que Horace estava falando. Ele sabia definitivamente que ele não possuía qualquer uma.
— Catapultas. Manganelas. Trabucos. O tipo de coisas que jogam pedras, lanças gigantes e vacas mortas nos defensores e demolem as paredes.
— Vacas mortas? — Will interrompeu. — Por que você jogaria vacas mortas nas paredes?
— Você as joga por cima das paredes. É suposto que propague doenças e diminua a moral dos defensores — disse Horace ele.
Will balançou a cabeça.
— Eu suponho que isso faz muito para a moral das vacas também.
Horace franziu para ele, sentindo que estava saindo do ponto.
— Esqueça as vacas mortas. Você atira pedras e cria brechas nas paredes. — Outro detalhe lhe ocorreu, e acrescentou — e torres de cerco são sempre úteis também.
— Mas não absolutamente necessário? — Will interveio.
Horace mordeu o lábio inferior por um momento.
— Não. Absolutamente não. Contanto que você tem uma abundância de escadas.
— Sim. Nós vamos tê-las — Will disse, fazendo uma nota mental: Construir muitas escadas.
— E em relação a números, Sir Rodney sempre sentia que precisava de pelo menos três para um em uma maioria.
— Três para um? Não é um pouco excessivo? — Will perguntou.
Ele não gostou da maneira que essa conversa estava progredindo, mas Horace não registrou sua crescente dúvida.
— Bem, pelo menos. Você vê, os defensores têm todas as vantagens. Eles têm o terreno elevado. Estão escondidos atrás de muros. Então, você precisa tirar o maior número possível deles para o lugar onde você faz seu ataque real. Para isso, você precisará de pelo menos três vezes mais homens do que eles têm. Quatro vezes é ainda melhor.
— Ah. — Isso era tudo que Will poderia falar.
Horace franziu a testa, lembrando-se que ele tinha sido dito sobre o Castelo Macindaw quando Crowley e Halt tinham lhe informado algumas semanas atrás.
— Acho que um lugar como Macindaw tem uma guarnição permanente, o que, trinta, trinta e cinco homens?
Will assentiu lentamente.
— Sim. Isso soa certo.
— Então, vamos precisar de cerca de cento e cinco, talvez de cento e dez homens para estar no lado seguro.
— Isso seria três para um, suponho — Will concordou.
— Dessa forma, podemos montar ataques falsos em dois lados e tirar a maior parte dos defensores do ponto que realmente queremos para o ataque.
— Mas eles não sabem que essa é a forma que é geralmente feito? — Will perguntou, tentando salvar alguma coisa a partir desta conversa.
— Claro que eles sabem.
— Então não poderíamos, por exemplo, apenas invadir em um lugar assim que eles pensam que é um ataque simulado para dividir seus números, mas, em seguida, continuar a atacar e fazer um assalto real?
Horace considerou isso.
— Nós poderíamos, suponho. Mas eles não podem correr o risco de que não vamos fazer exatamente isso. Eles teriam de combater a ameaça cada vez que surge, e assumir que é o assalto real. Então, quando nós os temos separados em todas as paredes, correndo de um lugar para outro e totalmente confusos e desorganizados, nós batemos neles com o ataque real.
— Sim. Isso faz sentido — disse Will.
Desapontado, percebeu que, de fato, fazia sentido.
— Claro — disse Horace, aquecendo-se ao seu tema agora quando ele se lembrava mais — a qualidade das suas tropas de ataque é um grande fator. E a qualidade dos defensores. Que tipo de homens Keren tem?
— Em geral, nós pensamos que eles são de qualidade muito baixa — disse Will. — Não são o tipo mais amigável, mas não são os mais brilhantes também.
— Isso corresponde ao que eu vi deles. Pareciam do tipo que entraria na casa de alguém a noite para enfiar um punhal nas costas dela. Eles não pareciam guerreiros de primeira.
Já haviam discutido o seu encontro com John Buttle no dia anterior.
— A maior parte da guarnição original sumiu — disse Will. — Eles não estavam muito apreciados ao recrutamento dos novos homens de Keren.
— Eles irão lutar por nós? — Horace perguntou.
Will balançou a cabeça.
— Não, infelizmente. Todos pensam que Malkallam é um feiticeiro. A maioria deles deixou o distrito de imediato, à procura de outro trabalho.
— Então quem nós temos? Eles são treinados? Sabem o fim de uma espada para outra, ou são todos os agricultores locais e rurais?
— Eles são escandinavos — disse Will.
Horace deu um pequeno grito de triunfo.
— Escandinavos! Isso é fantástico! Bem, se nós temos tropas assim, vamos com a regra de três para um, eu acho. Talvez até um pouco menos. — Fez uma pausa, perguntou então a pergunta que Will temia. — Quantos temos?
— Um pouco menos de três para um, por uma questão de fato — Will falou vagamente.
Horace encolheu os ombros.
— Não importa. Tenho certeza de que podemos controlar. Assim, quantos exatamente?
— Você diz, contando com você e comigo? — Will perguntou.
Pela primeira vez, ele viu um lampejo de desconfiança nos olhos de Horace.
— Sim. Acho que seria melhor contar você e eu. Quantos?
O tom de voz de Horace dizia a Will que ele não iria tolerar mais prevaricação. O arqueiro respirou fundo.
— Contando você e eu, vinte e sete.
— Vinte e sete — Horace repetiu, seu tom de voz desprovido de qualquer expressão. — Mas eles são Escandinavos, afinal — Will disse, esperançoso.
Seu amigo olhou para ele, uma sobrancelha levantada na descrença.
— É melhor serem mesmo — ele disse pesadamente.

2 comentários:

  1. kkkkkkkk, eu ri feito uma hiena, na parte das vacas mordas!
    Ass: Bina.

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  2. Vc diz, contando com vc e comigo?
    Sim. acho melhor que seria melhor contar vc e eu. Quantos?
    Kkkk fala logo will

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