24 de julho de 2016

Capítulo 6

Bitteroot Creek ficava na costa leste da ilha. Era um local abrigado por muitas árvores de crescimento direto para a beira da água o que criava um esconderijo até mesmo para um navio grande como um Wolfcloud. A água era profunda, fazendo um lugar ideal para os invasores aportarem. Will foi galopando em Puxão pela floresta sinuosa em direção ao riacho, quando ouviu o som de cascos galopando atrás dele.
Ele virou-se na sela verificando, e reconheceu Sir Norris em seu cavalo de batalha. O cavalo de batalha estava totalmente armado e blindado deixando uma nuvem de areia por trás deles. A cachorra que estava correndo ao lado da pista, mantendo o ritmo com Puxão, caiu de bruços enquanto observava o cavalo do arqueiro chegar a um impasse, e assistiu com curiosidade enquanto cavalo e cavaleiro se aproximavam.
Sir Norris freou bem ao lado de Will. O cavalo de batalho era pelo menos quatro palmos maior que Puxão. Cavalo e cavaleiro elevaram-se ao lado deles. Will inclinou a cabeça em comprimento.
 Sir Norris  disse Will.  O que trás você aqui?
Sir Norris hesitou. Will tinha alguma ideia do que ele estava para dizer. Após alguns segundos de hesitação, Sir Norris respondeu.
 Não posso deixar você fazer isso sozinho, meu arqueiro.  Ele disse, e era evidente a amargura e a auto recriminação em sua voz.  É minha culpa de estarmos despreparados para a situação. Eu deixei as coisas moles, sei disso. Não posso deixar você fazer isso por mim. Irei ficar com você.
Will assentiu pensativo. Ele havia tomado coragem para dizer aquilo, e havia tido muita coragem para tomar a decisão de acompanhá-lo até os escandinavos. Ele sentiu uma nova onde de respeito pelo mestre de batalha. Talvez se ele fizesse tudo certo, poderia ser uma benção. A chegada de um Wolfcloud havia certamente dado ao feudo de Seacliff a lição que eles precisavam. E deu essa lição melhor do que qualquer crítica.
 Eu aprecio a sua oferta  Will disse ao cavaleiro — mas talvez seja melhor eu fazer isso sozinho
Ele viu a rápida mudança de cor no rosto do cavaleiro e levantou a mão para acalmá-lo.
 Não é que eu duvide de sua coragem ou de sua capacidade  acrescentou.  Muito pelo contrário, na verdade. Mas acho que tenho uma chance melhor de resolver isso sozinho.
 Tem certeza que pode fazer um plano para combatê-los sozinho?  Perguntou Sir Norris.
Will balançou a cabeça com um pequeno sorriso nos lábios.
 Eu não pretendo combater todos eles  disse.  Mas sua presença montado em um cavalo completamente armado, poderia não me dar escolha, pense nisso.  Ele continuou de modo que Sir Norris não pudesse interromper.  A primeira vista você está obviamente pronto para batalha, e os escandinavos atacariam sem pensar duas vezes.
Sir Norris mordeu o lábio inferior. O que Will dizia fazia sentido. Em seguida o jovem arqueiro continuou.
 Por outro lado, se eles me verem sozinho, poderiam ficar dispostos a falar. Nós arqueiros, tendemos a ter um efeito perturbador sobre as pessoas. Elas nunca têm certeza do que podemos fazer até fazermos — acrescentou com um sorriso.
Sir Norris teve que admitir que aquilo era verdade. Entretanto estava relutante em deixar o garoto enfrentar as probabilidades de trinta para um, com apenas um arco. Will percebeu a hesitação e continuou com a voz mais nítida ao perceber que o tempo era curto.
 Além disso, se algo der errado, posso fugir em Puxão e levar alguns deles durante a minha fuga. Por favor, Sir Norris é a melhor maneira.
Ele olhou pista abaixo procurando pelos primeiros sinais dos escandinavos. Sabendo que estariam vindo para cá, já que não havia outro caminho a partir da praia. Abruptamente Sir Norris tomou sua decisão. Em seu ponto de vista, no ágil cavalo, o arqueiro poderia se abrigar na floresta se preciso, ou simplesmente fugir de volta para o castelo. Os lobos do mar raramente usavam arcos ou outros projéteis.
 Muito bem  disse ele virando a sua montaria.
Acenou com gratidão, bateu com as esporas no cavalo e passou a galope para trás da maneira que ele tinha vindo.
Assim que Norris se afastou, Will tomou conhecimento do terreno ao seu redor. Neste ponto, o caminho era limpo, as árvores haviam ficado para trás e o terreno era aberto e plano. Isso fazia do terreno um bom lugar para falar com os escandinavos, pois poderia manter distância para alguma manobra se necessário.
Ele recuou uma dúzia de passos e parou no meio do terreno. A cachorra, que estava deitada na grama, voltou para o lado dele e sentou-se. Will olhou para o sol. Estava atrás dele e ficaria bem nos olhos dos escandinavos. As condições eram favoráveis, pensou Will.
Ele cobriu o rosto com o capuz sentindo o arco confortável atrás da curva da sela, preparado, mas sem parecer ameaçador ao inimigo.
As orelhas de Puxão contraíram por uma fração de segundo, logo depois a cachorra soltou um rosnado de advertência. Will podia ver o movimento por trás das sombras das árvores.
 Tudo bem  ele disse para os seus dois animais.
Calmo, ele sentou e se ajeitou na sela para esperar os escandinavos.
Gundar Harrdstriker, capitão do navio, saiu das sombras das árvores para a luz da tarde. Atrás dele, vinte e sete guerreiros escandinavos o seguiam em fila dupla. Com os olhos semicerrados por ter acabado de sair da escuridão da floresta, Gundar se surpreendeu ao ver à figura solitária a frente deles.
Não era um cavaleiro, um guerreiro ou nada do gênero, ele percebeu. Era uma figura franzina montada em um cavalo pequeno e peludo. Havia um arco apoiado de forma quase que ocasional em suas coxas, mas nenhum sinal de outras armas. Sem machado, sem espada, sem maça. Seus homens curiosos pela parada repentina moviam-se procurando o que estava causando o atraso.
 Arqueiro  disse Ulf Oakbender, e Gundar percebeu que ele estava certo.
O sol estava deslumbrante, praticamente atrás da figura que estava os esperando, com um manto camuflado que era o símbolo dos arqueiros. Agora com os olhos acostumados a claridade, ele podia ver o estranho.
 Boas horas após o meio-dia  disse uma voz clara.  O que posso fazer por vocês?
A voz do arqueiro era surpreendentemente jovem, bem como o fato de ele ter usado uma saudação escandinava causou hesitação em Gundar. Atrás dele, ele ouviu seus homens resmungando, tão confusos quanto ele com essa aparição. Eles haviam esperado alguma resistência ou fuga das pessoas que encontrassem e não um inquérito educado. Percebendo que tinha perdido a primeira iniciativa, Gundar gritou com raiva:
 Caia fora! Caia fora, corra ou lute! Nós não nos importamos com o que você escolher!
Ele começou a andar para frente, a figura se ajeitou na sela.
 Nem mais um passo.
Gundar sentiu uma ponta de autoridade. Ele hesitou, atrás dele ele ouviu a voz baixa de Ulf.
 Cuidado, Gundar. Esses arqueiros podem atirar como demônios.
Como se tivesse ouvido o que Ulf disse, o arqueiro continuou.
 Continue a andar e você vai morrer antes de dar dois passos.
Consciente do olhar de seus homens, Gundar bufou e começou com desdém para o arqueiro. Ele fez um breve borrão de movimento. Relembrando do incidente um pouco mais tarde, ele não tinha clara consciência de que movimento tinha feito. O estranho, ofuscado pela luz, em sua capa camuflada e o arco se movendo na velocidade da luz e um silvo selvagem. Uma flecha estava com a cabeça enterrada e tremendo bem a frente de seus pés. Ele se afastou rapidamente.
 Essa flecha poderia ter sido bem no meio dos seus olhos  disse a voz calma, e Gundar percebeu que era verdade. Ele abaixou o machado de batalha que estava descansando em seus ombros. Inclinou-se com a cabeça e tocou o chão.
 O que você quer?  Ele perguntou.
 Apenas palavras entre amigos. Eu não estava ciente de que o tratado de Hallasholm havia sido rescindido.
 O tratado não proíbe assaltos individuais  Gundar respondeu.
Ele pensou ter visto o arqueiro assentindo, apesar de ter sido difícil dizer por causa do capuz.
 Não em tantas palavras, talvez  ele disse — mas o Oberjarl Erak diz que desaprova fortemente em especial quando se trata dos seus amigos e seus bens.
Gundar riu com desdém.
 Amigos? O Oberjarl não vê os araluenses como amigos  ele disse, apesar do tom de dúvida aparecer em sua voz durante a sua fala. Houve uma pausa. O arqueiro não respondeu a pergunta diretamente. Em vez disso, ele olhou para o baixou sol de outono.
 É o final da temporada de invasão  Will disse finalmente.  Eu suponho que você estava invadindo a Gálica e a costa Ibérica.
Essa foi uma suposição fácil, não havia tido nenhuma invasão na costa sul araluense. Ele olhou para os homens atrás dele e imaginou que sabia por que eles desembarcaram aqui.
 Vai ser um longo e difícil caminho atravessar Stormwhite nesta época do ano disse Will, mantendo o tom calmo e amigável.  Os ventos do outono vão começar em breve. Você vai passar o inverno em Skorghijl, suponho?
Ele viu a onda de surpresa atravessar os escandinavos. O líder olhou para os seus homens para silenciá-los.
 Skorghijl? O que você sabe sobre Skorghijl?
 Eu sei que é uma rocha negra a centenas de quilômetros de qualquer lugar. É úmido, frio e desprovido de qualquer conforto, e não tem uma única lâmina de grama  Will lhe disse  mas ainda é melhor do que cruzar Stormwhite em más condições meteorológicas.  Ele fez uma pausa para sua fala fazer efeito.  Ou pelo menos foi quando eu estava lá no Wolfwind.
Agora isso teve efeito, pensou Will. Wolfwind tinha sido o barco de Erak antes de ele ter sido eleito o Oberjarl. No entanto, haveria poucos araluenses que saberiam disso.
Navios escandinavos não tinham seus nomes pintados neles. Ele ouviu o grupo resmungando em voz baixa, viu a incerteza do líder que percebeu que a única maneira do arqueiro saber do nome do navio de Erak seria ter conhecido o mesmo.
Isso foi precisamente o pensamento que estava passando na mente de Gundar. No entanto, ele não tinha feito à ligação óbvia. Ulf fez. Ulf agarrou o braço do seu líder.
 É ele!  Ele disse urgentemente.  O arqueiro que nos ajudou a derrotar os cavaleiros do leste!
Gundar olhou para a figura no cavalo. Ele tinha ouvido falar do jovem aprendiz de arqueiro que tinha lutado lado a lado com os escandinavos cinco anos atrás, mas Gundar não o tinha visto. Ele estava no interior e não participou da breve e sangrenta guerra contra os temujai. Mas Ulf havia participado. Ele havia tomando seu lugar protegendo os muros no combate final. Neste momento Will havia jogado o capuz para trás, e foi possível ver o choque no rosto de Ulf. Ele o reconheceu.
 É ele, Gundar!  Falou ao capitão, e depois adicionou com uma risada sinistra. Você fez bem em parar. Eu o vi esvaziar cinco selas temujai em apenas alguns segundos de guerra.
Isso não foi tudo. Se aquele era o lendário aprendiz que ele estava pensando, então era um amigo próximo do Oberjarl Erak – e incursões em seu território talvez não fossem o melhor movimento para um skirl fazer. Erak era conhecido pela lealdade a seus amigos e pelo pavio curto a quem os ofendia.
Gundar não era o mais rápido dos pensadores. Chegou à mesma conclusão que seu auxiliar após alguns segundos. Ele hesitou sem saber o que dizer ou fazer em seguida. Ele e seus homens tinham uma urgente necessidade que influenciou sua invasão a Seafcliff. Eles precisavam de provisões para os longos meses que iriam passar em Skorghijl. A ilha deserta gerava um porto seguro para os Wolfcloud, mas havia poucas maneiras de se conseguir comida por lá e o Wolfcloud foi tudo menos bem-sucedido quando veio capturar suprimentos. Caso eles viajassem até a Skorghijl muito provavelmente morreriam de fome.
Gundar e seus homens precisavam fazer um assalto. Eles precisavam de carne, farinha e grãos para passar o inverno. E de bebida se pudesse obtê-la, pensou ele, inconscientemente, sua língua lambia os lábios secos. Amigo ou não, o Oberjarl não podia culpá-lo por cuidar do bem estar da sua tripulação.
 Saia daqui, arqueiro  falou ele tomando sua decisão.  Prefiro não levantar armas contra um amigo da Escandinávia. Por isso vou lhe dar essa última chance.
Ele ergueu o machado enquanto falava. Ficou meio desconcertado ao ver o sorriso no rosto do jovem.
 Quão amáveis vocês são  disse Will agradavelmente — e se eu realmente for embora, o que vocês pretendem fazer?
Gundar apontou para a direção do castelo e das vilas que de alguma forma ele sabia que estavam além daquelas árvores.
 O que viemos fazer  declarou ele.  Vamos pegar o que queremos e ir embora.
 Você não vai ficar com mais de dez homens  disse Will em um tom razoável.
Gundar bufou irritado.
 Dez? Eu tenho vinte e sete homens atrás de mim.
Houve um grito furioso dos homens atrás dele em aprovação, apesar de Ulf não ter participado. Gundar percebeu isso. Desta vez quando o arqueiro falou não teve nada de agradável em seu tom, era frio e rígido.
 Você ainda não chegou ao castelo  disse Will.  Eu tenho vinte e três flechas em minha aljava, e mais uma dezena em minha sela. E você tem vários quilômetros a percorrer dentro do alcance de minhas flechas. Ruim de tiro como eu sou, devo ser capaz de levar mais da metade de seus homens. Então você estará enfrentando a guarnição com apenas dez homens.
Involuntariamente olhando para a linha das arvores Gundar percebeu que isso era verdade. O arqueiro poderia desaparecer no meio das árvores e manter fogo constante contra eles.
 Tente vir depois de mim e você só tornará isso mais fácil.  Adicionou Will e a respiração de Gundar explodiu.
Montado como estava, e com sua habilidade de arqueiro para não ser detectado no meio das árvores, Will escaparia da tropa com facilidade. O skirl sentiu a raiva estourar dentro dele. Ele havia sido preso aqui, sem opções de saída para ele. Se não invadisse a vila, ele e seus homens morreriam de fome. Por outro lado, se tentassem invadir, certamente muito deles morreriam. Will assistia cuidadosamente, esperando o momento certo, pouco antes da raiva transbordar em uma ação frustrada.
 Uma alternativa  Will disse calmamente.  Nós poderíamos ser capazes de chegar a um acordo.

8 comentários:

  1. Will colocando moral!

    'Brendhom

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  2. Quem diria que esse é o nosso Will! Estou de boquinha aberta ao ver essa cena.
    Ass: Bina.

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  3. Will mudou tanto... Quando era aprendiz, ele nunca teria pensado nessa trama...

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  4. nossa! will ta colocando moral mesmo. mais queria que ele tivesse ficado com Evallin

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    1. No, No, No.....Ainda existe a Allys..

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  5. Okaey, a cada capitulo dá para perceber que Will se tornou um ótimo arqueiro. Incrible!! *-*

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  6. Amor eterno por Will ♥♡
    Ass: Lua

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