24 de julho de 2016

Capítulo 3

Malcolm, o curandeiro, mais conhecido como Malkallam, o feiticeiro negro, olhou rapidamente de seu trabalho quando Will entrou na pequena clareira na Floresta Grimsdell.
Cada manhã, às onze horas, Malcolm, providenciava tratamento médico a seu povo. Aqueles com lesões ou doenças faziam fila em linha pacientemente fora da confortável casa do curandeiro para que ele pudesse diagnosticar e tratar suas doenças, entorses, cortes, feridas e febres. Dado que muitas das pessoas que moravam no pequeno assentamento florestal haviam sido expulsas de suas casas anteriores por causa de deficiência física ou desfiguração, havia geralmente uma longa fila de pacientes. Muitos tinham problemas de saúde que requeriam cuidados constantes.
Seu último paciente foi um caso relativamente simples. Um jovem de onze anos tinha decidido utilizar a melhor capa de sua mãe como um par de asas, enquanto tentava voar de uma altura de quatro metros de uma árvore. Malcolm terminou a ligação resultante do tornozelo torcido, colocou um pouco de pomada nos cotovelos raspados e pulsos e agradou o suposto cabelo aventureiro.
— Pode ir — disse ele — e a partir de agora, deixe a mágica para mim.
— Sim, Malcolm — disse o rapaz, baixando a cabeça, envergonhado.
Então, quando ele estava mais distante, o curandeiro virou-se para onde Will estava tirando a sela de seu cavalo. O homem mais velho observava com aprovação, observando a ligação entre os dois quando o arqueiro falou suavemente para o animal enquanto esfregava-o. O cavalo quase parecia entender suas palavras, respondendo com um ronco bem-humorado e um lance de sua crina curta.
— Eu ouvi que você encontrou os escandinavos, então? — Malcolm disse finalmente.
Will assentiu.
— Vinte e cinco primorosos lutadores — disse ele. — Eles estavam exatamente onde o seu mensageiro nos disse que estariam, nas margens do rio Oosel.
O pessoal de Malcolm tinha um alcance muito amplo e através da vasta floresta. Pouca coisa acontecia dentro de seus limites e não era visto. Quando eles viam algo fora do comum, traziam a palavra para o curandeiro. Quando chegaram os relatórios de um grupo de náufragos escandinavo, Will tinha definido para encontrá-los.
— E eles foram felizes em oferecer a sua ajuda? — Malcolm perguntou.
Will encolheu os ombros quando se sentou na varanda ensolarada ao lado do velho curandeiro.
— Eles ficarão felizes em receber o dinheiro que eu lhes ofereci. Além disso, o capitão achou que me devia alguma coisa, porque ele deixou escapar Buttle.
Xander, o secretário e assistente de Macindaw Orman, saiu da casa.
— Como está Orman? — Malcolm perguntou.
O senhor do castelo havia sido envenenado por Keren em sua tentativa de ganhar controle de Macindaw. Will e Xander tinham chegado à clareira secreta do curandeiro a tempo para salvar sua vida.
— Ele está muito melhor. Mas ainda muito fraco. Ele está dormindo novamente — Xander respondeu.
Malcolm balançou a cabeça, pensativo.
— Esse é o melhor remédio para ele agora. O veneno está fora de seu sistema. Seu corpo pode curar-se a partir de agora. Deixe-o descansar.
Xander parecia duvidoso. Apesar do fato de que Malcolm tinha salvado a vida de seu mestre, ainda via o curandeiro com certa desconfiança. Ele sentiu que Malcolm devia fornecer o tratamento mais tangível do que o simples descanso. Mas havia algo mais irritante para ele no momento.
— Eu ouvi-o dizer que você se ofereceu para pagar esses Escandinavos? — Perguntou para Will.
Will sorriu para ele e balançou a cabeça.
— Não. Eu ofereci para deixar vocês pagarem eles — respondeu ele. — Setenta moedas de ouro por seus serviços.
Xander irritou com ele, indignado.
— Isso é escandaloso! — Disse. — Você não tinha direito de fazer uma coisa dessas! Orman é o senhor de Macindaw. Tais negociações devem acontecer apenas com ele, ou comigo, na sua ausência!
O secretário tinha provado ser um homem valente e muito leal ao seu senhor. Mas que poderia fazê-lo agir um pouco pretensioso, às vezes. Will olhou-o de forma significativa. Ele ouviu o bufar desdenhoso de Malcolm.
— No momento — Will disse, com uma nota de advertência em sua voz — Orman é senhor de nada, nem mesmo a cama emprestada que ele está dormindo. Então, atualmente estou acima dele. Você parece esquecer que eu ajo com a autoridade do rei.
Xander percebeu que era verdade. Will era um arqueiro, afinal, a despeito do fato de que ele tinha vindo para Macindaw disfarçado como um bardo. Era difícil para Xander a aceitar que tal autoridade poderia ser investida em alguém tão jovem como Will. Ele recuou agora, mas com relutância.
— Mesmo assim — disse ele — setenta moedas de ouro? Certamente você poderia ter feito melhor do que isso!
Will balançou a cabeça com a atitude do secretário.
— Você pode renegociar, se quiser. Tenho certeza que os escandinavos terão o prazer de negociar com alguém que vai ficar assistindo enquanto eles arriscam suas vidas.
Xander viu que ele estava em terreno movediço. Mas ele era teimoso demais para simplesmente admiti-lo.
— Bem, talvez. Mas depois de tudo, é comércio deles, não é? Eles lutam por dinheiro, não?
— Está certo — Will concordou, pensando que Xander poderia ser um homem muito chato. — E isso lhes dá uma boa ideia do que suas vidas valem. Além disso, olhe para o lado positivo. Talvez nós vamos perder, e então você não vai dever-lhes um centavo.
Houve uma aresta dura em sua voz e ele finalmente penetrou na atitude arrogante de Xander. O secretário percebeu que poderia ser melhor não prosseguir este assunto. Ele suspirou e foi embora, fazendo com que Will e Malcolm pudessem apenas ouvir a sua observação de despedida.
— Setenta moedas de ouro, de fato! Eu nunca vi tanta extravagância!
Malcolm olhou para Will e encolheu os ombros com simpatia.
— Espero que você possa levar esse homem de volta a seu castelo em pouco tempo — disse ele. — Estou cansando dele muito rapidamente.
Will sorriu.
— Ainda assim, ele é muito leal. E pode ser um pequeno anão corajoso, como você observou.
Malcolm considerou o fato de alguns segundos.
— É estranho, não é? — Observou longamente.
— Você esperaria qualidades como essa para fazer uma pessoa muito simpática. Mas de alguma forma ele consegue irritar o diabo fora de mim. — Ele fez um gesto breve dispensando Xander como um assunto de conversa. — Então, venha para dentro e me conte mais sobre esses escandinavos.
Ele abriu caminho para dentro da casa, onde havia um pote de café preparando. No pouco tempo que tinha conhecido o jovem arqueiro, ele tinha consciência de sua quase-dependência pela bebida.
Serviu-lhe um copo e sorriu quando Will provou, estalou os lábios e soltou um suspiro sensibilizado. Os dois sentaram em cadeiras confortáveis na mesa de cozinha de Malcolm.
— Eles estarão aqui ao longo de um dia ou dois — Will continuou. — Eu os deixei para arrumar seu acampamento e seguir em diante. Um pessoal dos seus irá orientá-los aqui. Devo dizer que tivemos sorte de encontrá-los. Eu vou precisar de guerreiros, e eles estão em oferta bastante escassa.
Nos primeiros dias depois de ter deixado Alyss presa na torre de Macindaw, Will tinha procurado arduamente para encontrar um caminho para sua libertação. Gradualmente, seu desespero diminuiu quando percebeu que precisaria de reforços e um plano antes que pudesse montar um ataque. A notícia dos escandinavos foi como um presente dos céus.
Malcolm suspirou.
— Verdade — disse ele. — Minha gente não é lutadora. Não são treinados e equipados para o trabalho.
— E as pessoas das aldeias por aqui dificilmente se juntariam a nós. Estão todos aterrorizados com Malkallam o feiticeiro negro — disse Will.
Ele sorriu para mostrar não houve ofensa pretendida. Malcolm balançou a cabeça, reconhecendo a verdade.
— Isso é um fato. Então o que você pretende fazer quando os escandinavos chegarem aqui?
O arqueiro hesitou antes de responder.
— Então... vamos ver. Vou ter de descobrir uma maneira de tomar o castelo e tirar Alyss sair de lá.
— Você já fez esse tipo de coisa antes? — Malcolm perguntou.
Will sorriu tristemente.
— Não realmente — admitiu. — Isso nunca veio na minha formação de arqueiro.
Ele não quis se alongar sobre o assunto. Esperava que os escandinavos pudessem ter algumas ideias sobre o assunto, mas ele cruzaria essa ponte quando chegasse a ela.
Malcolm coçou o queixo, pensativo.
— Você já pensou em enviar um pedido de ajuda para o Castelo Norgate?
Will deslocou-se desconfortavelmente em sua cadeira.
— Pensei — respondeu ele. — Mas, Keren tem a estrada isolada. Nenhum cavaleiro está conseguindo passar.
Os observadores de Malcolm tinham relatado que os cavaleiros rumo ao oeste estavam sendo parados e voltavam.
— Exceto os seus próprios — Malcolm respondeu. — Um cavaleiro deixou Macindaw enquanto você estava fora.
Will assentiu com a cabeça melancolicamente.
— Keren não é tolo. Aposto que ele relatou que Orman é um traidor e fugiu, deixando-o para manter Macindaw segura. Isso é o que eu faria no seu lugar. O problema é que ele é muito querido e respeitado. Eles vão estar inclinados a acreditar nele. Considerando que eu sou um estranho. Além do mais, estou aliado a um acusado de traidor e a um feiticeiro conhecido.
— Mas você é um arqueiro do Rei — disse Malcolm.
— Eles não sabem disso. Minha presença aqui era um segredo — Will riu com o pensamento. — Vamos supor que eu conseguisse passar uma mensagem, e vamos assumir que eles não a rejeitassem. O que acha que eles podem fazer?
Malcolm considerou por um momento.
— Enviar soldados para nos ajudar? — ele sugeriu, mas Will balançou a cabeça.
— É inverno. Seu exército esta dispensado para suas casas. Seria preciso um par de semanas para montá-los. É uma campanha grande, e eles não vão fazer isso apenas porque um estranho mandou. O melhor que poderíamos esperar é que eles pudessem enviar alguém para investigar, para descobrir quem está dizendo a verdade. E mesmo isso iria demorar pelo menos duas semanas, uma semana de ida e mais uma semana de volta, depois de tudo.
Malcolm fez uma careta.
— Não há muito que podemos fazer, não é?
— Nós não estamos exatamente indefesos — Will disse ele. — Com vinte e cinco escandinavos, podemos causar a Keren um pouco de dificuldade. Então, uma vez eu tenha algumas provas concretas, enviaremos a palavra a Norgate.
Ele fez uma pausa, franzindo pesadamente. Ele desejava que fosse um pouco mais experiente em questões como esta. Ele era o arqueiro mais novo no Corpo e, verdade seja dita, ele não tinha certeza de que estava tomando o caminho certo. Mas Halt sempre lhe ensinou para reunir o máximo de informação possível antes de agir.
Pela vigésima vez nos últimos dias, ele desejou poder contatar Halt. Mas o criador de pombos de Alyss parecia ter desaparecido do distrito. Expulso por Buttle e seus homens, o mais provável, pensou tristemente, em seguida, sacudiu os pensamentos negativos, com um esforço.
— Então, o que mais vem acontecendo enquanto eu estive fora? — Perguntou ele.
Esvaziou o café e olhando esperançosamente para o pote. Malcolm, que estava consciente de que sua oferta de grãos de café estava acabando, cuidadosamente ignorou a sugestão, e o suspiro calmo que se seguiu. Ele vasculhou algumas notas que tinha tomado quando seus espiões tinham relatado.
— Há duas coisas — disse ele. — Sua amiga Alyss vem mostrando uma luz em sua janela nas últimas duas noites.
Essa notícia tirou o pensamento sobre café de Will. O jovem sentou-se para cima na cadeira.
— Uma luz? — Disse ele ansiosamente. — Que tipo de luz?
Malcolm deu de ombros.
— Parece que apenas uma lanterna simples. Mas ela se move em torno da janela.
— De esquina a esquina? — Will perguntou.
Malcolm ergueu os olhos de suas anotações, surpreso.
— Sim — disse ele. — Como você soube disso?
Will estava sorrindo largamente agora.
— Ela está usando o código de sinal dos diplomatas — disse ele. — Acho que ela sabe que, mais cedo ou mais tarde, eu vou ver. Quando ela faz isso?
Malcolm não precisou consultar as notas neste momento.
— Normalmente, após ter passado da meia-noite, por volta das três da manhã. A lua está baixa essa hora, então a é mais fácil para mostrar a luz.
— Bom! — Disse Will. — Isso me dá tempo para preparar uma mensagem. Estou um pouco enferrujado no código — acrescentou ele, desculpando-se. — Não tivemos que utilizá-lo desde a minha avaliação do quarto ano. Você disse que havia um par de itens? — Lembrou.
Malcolm embaralhou as páginas novamente.
— Ah, sim. Um dos meus vigias viu Buttle e seus homens falando com um guerreiro perto da enseada outro dia. Ele pensou que eles poderiam estar o contratando, mas o guerreiro parecia os mandar parar. Então ele afastou-se. Creio que pegou um quarto na estalagem.
Esta notícia foi menos arrebatadora, Malcolm viu.
Will, seus pensamentos já compondo uma mensagem para Alyss, perguntou distraidamente:
— Seus homens puderam ver o brasão do guerreiro?
— Um punho azul. Ele era um cavaleiro andante. Tinha um punho azul sobre um escudo branco. Um escudo redondo.
Essa notícia definitivamente chamou atenção do arqueiro. Ele olhou para cima rapidamente.
— Mais alguma coisa? Ele era jovem ou velho?
— Muito jovem, aparentemente. Surpreendentemente, assim, na verdade. Um sujeito grande, montando uma grande baio. Meu rapaz estava perto o bastante para ouvi-lo falar com o cavalo. Chamou Nicker ou Whicker ou algo parecido.
— Kicker? — Disse Will, um raio de esperança gigante surgindo dentro dele.
Malcolm balançou a cabeça.
— Sim. Podia ser isso. Faz mais sentido do que Nicker, não é mesmo? Você o conhece? — Acrescentou.
Pela reação de satisfação de Will, era óbvio que sim.
— Ah, eu acho que eu poderia — disse ele. — E se ele é quem eu penso que é, as coisas estão muito melhores para nós.

4 comentários:

  1. "Abra a janela e veja eu sou o sol" kkkk

    ResponderExcluir
  2. "Abra a janela e veja eu sou o sol..." kkk

    ResponderExcluir
  3. "Eu sou céu e mar
    Céu e fim
    E o meu amor é imensidão"
    Will, admite de uma vez, vc tem uma paixao platonica pela Alyss.
    -Sinead

    ResponderExcluir

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!