24 de julho de 2016

Capítulo 39

A força de ajuda de Norgate ruidosamente atravessou toda a ponte levadiça abaixada de Macindaw se apresentado através do portão para o pátio.
Havia vinte cavaleiros e uma centena de soldados marchando, e todos eles olhavam ao redor curiosos para os escandinavos sorrindo que equipavam as ameias. Sir Doric, o Mestre de Guerra de Norgate, que estava liderando a força, viu o pequeno grupo de boas-vindas à espera na frente da torre de vigia e virou seu cavalo em direção a eles. Will notou que havia um arqueiro cavalgando ao lado dele. Ele seria Meralon, pensou ele, o arqueiro atribuído ao feudo de Norgate. Ele sabia muito pouco sobre o outro homem, mas tinha ouvido que ele estava inclinado a ser abafado e um pouco definido em seus caminhos.
Orman, vestindo uma pesada corrente de ouro do qual pendia o selo oficial que o marcava como castelão, avançou para encontrar os dois cavaleiros. Will, Horace e Malcolm ficaram atrás, em deferência à autoridade reintegrada de Orman.
Sir Doric levantou a mão e chamou a ordem para seus homens pararem e ficarem à vontade. Ele e Meralon continuaram a andar para frente com seus cavalos. Era um momento formal, mas a formalidade foi quebrada quando uma figura explodiu da segunda fileira de homens montados.
Ele estava montando um cavalo muito menor que os Cavalos de Batalha que o rodeavam, e até agora, ele não tinha estado visível. Agora, porém, ele deslizou para fora da sela e correu todo o espaço intermediário, caindo de joelhos diante Orman.
— Meu senhor! — disse Xander. — Nós estamos aqui afinal. Lamento que levou tanto tempo! Eu fiz tudo que eu podia!
Will, assistindo Sir Doric, viu uma careta de desaprovação cruzar suas feições. Havia certo protocolo que devia ser seguido em momentos como este, e o Mestre de Guerra parecia sentir que o secretário deveria saber disso.
Sir Doric, deve notar-se, era provavelmente um esnobe.
— Está tudo certo Xander — Orman disse a ele. Então, em um tom abaixado ele acrescentou — levante-se, aí há um bom companheiro. O líder da força de ajuda quer nos dizer que estamos seguros.
Xander assumiu a sua posição atrás de Orman. Doric e Meralon trouxeram seus cavalos para uma parada, e os dois homens desmontaram. Foi a vez de Will franzir. A política ditava que eles deveriam ter esperado até Orman os convidar a descer. Se Orman foi ofendido, no entanto, ele não mostrou nenhum sinal.
— Bem vindo ao Castelo Macindaw. Sir Doric do feudo Norgate, não é? — disse. — Eu sou Orman, senhor do castelo.
Sir Doric bateu as luvas na coxa uma vez ou duas. Ele olhou ao redor do pátio antes de responder bruscamente, e um pouco distraído:
— Hmmm? Sim. Sim. Que diabo todos esses escandinavos estão fazendo aqui?
Um pequeno franzir enrugou a testa de Orman. Nas semanas desde que ele tinha sido forçado a fugir de seu próprio castelo e se esconder na floresta, ele tinha perdido muito do comportamento e da atitude superior sardônica que Will primeiramente tinha notado nele. Era notável o que algumas semanas passando dentro da floresta poderiam fazer para um homem, Will pensou.
— Eles parecem estar defendendo o castelo — Orman disse calmamente. — Certamente Xander te disse que eles estavam nos ajudando?
Mas os olhos de Doric ainda estavam vagueando as ameias.
— Hmmm? Sim. Seu homem disse algo sobre mercenários. Mas eu pensei que você teria se livrado deles por agora. Não é seguro ter eles dentro do castelo, é?
— Alguns de seus amigos morreram ficando aqui — disse-lhe Orman. — Eu achei que seria indelicado lhes pedir para sair imediatamente.
Doric fez um gesto de xô com a palma da mão direita, um pouco como se estivesse expulsando moscas para longe.
— Não. Se livre deles. Meus homens estão aqui agora. Você não precisa desses malditos escandinavos!
— Eles não são confiáveis, mesmo após de tudo — esse era o arqueiro, Meralon, adicionando sua contribuição.
Will sentiu um calor subindo lentamente em seu rosto e se adiantou. Uma mão agarrou seu braço e ele parou. Ele olhou para Horace, que falou as palavras:
— Se acalme agora.
Ele assentiu. Seu amigo estava certo. Ele freou em seu temperamento, em seguida, entrou para o lado de Orman.
— Eu confio neles — disse ele.
Os dois pares de olhos viraram para ele, o avaliando. Doric franziu a testa. A capa era definitivamente do mesmo corte de uma capa de arqueiro, mas era padronizada em preto e branco. Will ignorou o Mestre de Guerra e endereçou a Meralon.
— Will. arqueiro cinquenta — ele disse.
O outro arqueiro assentiu.
— Meralon. Vinte e sete.
Ele deu ênfase ao número, a entender que ele era superior à Will. Na verdade, não era. Além de Crowley e um grupo seleto de comando de arqueiros seniores, todos os membros do Corpo eram iguais na classificação. Seus números eram atribuídos conforme eles se tornavam disponíveis quando outros arqueiros aposentavam ou morriam. Era puro acaso que Will, como o mais novo recruta para o Corpo, tenha recebido o número cinquenta.
— Você é o aprendiz de Halt, não é? — Meralon adicionou depreciativamente.
— Eu era — respondeu Will.
Meralon assentiu uma ou duas vezes, em seguida, continuou em tom condescendente:
— Sim, bem, conforme você ficar um pouco mais velho, Will, você vai aprender que escandinavos não são confiáveis. Eles são uma raça traiçoeira.
Will se forçou a tomar uma respiração profunda antes de responder. Não havia muitos tolos no Corpo de Arqueiros, mas ele percebeu que acabara de encontrar um. Ele duvidava que o homem tivesse qualquer experiência pessoal com os escandinavos.
— Você está errado — disse ele com firmeza. — Eu confio neles, e nós precisamos de uma guarnição aqui.
Doric interrompeu, acenando para as fileiras dos homens no pátio.
— Nós podemos fornecer isso. Vou deixar cinquenta homens aqui.
— E deixará Norgate enfraquecido se o fizer. Você deve ter acabado com a guarnição para juntar essa força.
Doric hesitou. O jovem arqueiro estava certo. Foi tudo certo em montar uma força expedicionária para um socorro de emergência. Mas deixar um grande número deles aqui enfraqueceria Norgate seriamente.
Antes que o Mestre de Guerra pudesse responder, Will acrescentou:
— E há um exército scotti do outro lado da fronteira, que poderia muito bem decidir atacar Norgate se vissem que sua guarnição está com menos força.
Ele estava certo de novo, Doric percebeu. O fato não fez nada para suavizar suas maneiras. Ele virou para Orman.
— O que aconteceu com a sua guarnição normal? — perguntou ele, uma nota acusadora em sua voz.
— O usurpador, Keren, se livrou deles. Eles estão espalhados por todo o campo. Vai levar meses para a palavra chegar neles e trazê-los de volta para cá.
— Bem, você fez uma bela bagunça nas coisas, não é? — Doric explodiu.
Por um momento, Orman ardeu em raiva. Essa era uma situação delicada. Como castelão, ele era um igual na classificação com o Mestre de Guerra do feudo. Ambos responderiam ao Barão em Norgate, e era difícil saber quem teria a última palavra aqui. Era uma situação que exigia grandes quantidades de tato e diplomacia, qualidades que Sir Doric parecia ter deixado para trás no castelo Norgate.
— E nós sanamos a situação, graças aos escandinavos — Orman respondeu suavemente. — Sem a ajuda deles, o castelo estaria em mãos escocesas por agora. Então nós fizemos um acordo com eles para permanecerem como guarnição até que eu pudesse recrutar homens locais suficientes.
— Um acordo? — Meralon disse incrédulo. — Quem exatamente fez esse acordo?
— Eu fiz — respondeu Will.
Meralon assentiu novamente. Ele ainda estava fumegando sobre declaração brusca de Will que ele estava errado.
— Sim, eu poderia ter previsto. Todo mundo diz que você e Halt têm um ponto cego onde esses piratas estão concentrados.
Ainda controlando sua raiva, Will respondeu:
— Os escandinavos precisam de um lugar e materiais para construir um navio. Concordamos em dar-lhes isso. Em troca, eles guardarão o castelo enquanto for necessário. Precisamos deles. Eles precisam de nós. É um acordo bom para todos.
— Mas não é seu cargo fazer acordos aqui, é? Este não é o seu feudo. Eu sou o arqueiro aqui, não você. E eu não aprovo o negócio que fez com esses piratas.
Meralon era ligeiramente mais alto do que Will, e ele se inclinou para trazer o seu rosto nivelado. Will foi tentado a dar um passo para trás, mas ele percebeu isso seria um erro. Ele ficou parado. Respirou fundo para responder, mas Horace avançou e parou diante dele.
— Duas coisas — disse o jovem cavaleiro, decidindo que estava na hora dele tomar parte nessa discussão. — Primeiro, eu gostaria que todos parassem de se referir aos escandinavos como piratas traidores. Eles são meus amigos.
Sua voz era calma e tranquila. Ele falou deliberadamente. Mas não havia nenhuma confusão a ameaça subjacente em suas palavras. Ele estudou a arqueiro de Norgate. Como Will, Horace tinha sido informado por Halt e Crowley antes de vir para o norte. Ele havia feito a mesma pergunta: Por que o arqueiro local não poderia cuidar do problema? Disseram-lhe que a missão era secreta e o homem local seria reconhecido. Ele percebeu agora que suas razões eram mais profundas. O trabalho exigia energia e imaginação e a capacidade de improvisar. Meralon simplesmente não estava à altura da tarefa.
Ele viu que tinha a atenção de todos, por isso se dirigiu a Meralon diretamente.
— E se você está no comando aqui, como diz, onde diabos estava quando era necessário?
Meralon abriu a boca para responder, mas Horace acenou suas palavras de lado.
— Não me lembro de vê-lo chegando com um plano para tomar o castelo. Tenho certeza de que não providenciou uma força para fazê-lo. E eu certamente não o vi atacando as ameias comigo.
Houve um momento de silêncio. Horace refletiu que ele nunca tinha tido a coragem de falar com um arqueiro desta forma. Ele respeitava e admirava o Corpo demais para isso. E conforme ele tinha esse pensamento, outra realização chegou.
— Na verdade, se você é o arqueiro local, como é que deixou essa situação se desenvolver em primeiro lugar? Pensei que pessoas como você devessem manter um ouvido no chão? — Ele acenou com o braço ao redor do pátio do castelo. — Tudo isso nunca deveria ter acontecido. E é o que vou dizer em meu relatório.
Meralon balbuciou, muito furioso para falar. Sir Doric aceitou o desafio para ele.
— E quem diabos você deveria ser?
Horace olhou para ele e sorriu, mas sem o menor traço de humor. Ele era uma pessoa autodepreciativa e normalmente ele evitava títulos. Mas sentiu que era hora para uma pequena apresentação formal. Ele cruzou os braços sobre o peito.
— Eu sou Sir Horace, Cavaleiro da Folha de Carvalho, comandante B da companhia da Guarda Real de Araluen e Campeão Nomeado de Cassandra, a Princesa Real.
Agora, isso realmente fez parar a conversa. Palavras como Guarda Real e Princesa Cassandra davam a Horace um prestígio considerável. Ele era um homem que teve acesso a mais alta autoridade na terra, e estava planejando um relatório, um relatório que diria ter encontrado aqui mecanismos insatisfatórios.
Doric permitiu-se um olhar amargo de soslaio para Meralon. Por que você deixou isso acontecer?, o olhar dizia. Então ele se dirigiu a Orman em um tom mais conciliador.
— Senhor Orman, talvez eu tenha falado com certa pressa. Perdoe-me se eu tiver causado ofensa. Afinal, foi uma cavalgada longa e muito dura para chegar aqui...
— E, claro, você e seus homens estão cansados e precisam descansar — Orman tomou o ramo de azeite oferecido suavemente.
Will ficou impressionado com o tato do castelão. Orman não tinha vontade de marcar pontos ou se vangloriar. Tudo o que ele queria era uma solução amigável para a situação.
— Talvez o meu povo pudesse mostrar seus homens para seus quartos?
— Eu ficaria grato, sir — Doric disse, com uma ligeira curvatura.
Orman virou-se para seu secretário.
— Xander, cuide dele, por favor — então, voltando a Doric, ele disse: — E talvez possamos continuar essa discussão depois do almoço, depois que você tiver uma chance de descansar e tomar banho e se mudar?
A reverência de Doric era mais evidente neste momento.
— Mais uma vez, senhor, você é muito gentil. Nós poderíamos usar um descanso, não é Meralon?
Meralon, apertando os lábios murmurou concordando. Arqueiros, é claro, gozavam do mais alto nível de independência, sendo responsáveis perante o rei. Mas as conexões reais Horace tinham forjado esse ponto muito ordenadamente. Além disso, Meralon sabia que as ações de Will, embora pouco ortodoxas, haviam sido bem sucedidas. E o sucesso tende a tornar aceitável o não-ortodoxo. Passando por Will, ele seguiu Doric e Orman para a torre, deixando Will, Horace e Malcolm para cobrir a traseira.
— Desde quando você tem sido o campeão de Evanlyn? — Will perguntou de lado.
Horace sorriu para ele.
— Bem, eu não sou, realmente. Mas tenho certeza que é só uma questão de tempo.

5 comentários:

  1. Eu sabia disso faz tempo!! Virei um Oraculo. Agora prevejo eles dois tendo uma filha.
    E estou certa.
    -Sinead

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  2. Horace sambou na cara deles!!! Aplausos. Em todo lugar tem que ter um chato, quem deixou esse tal de Meralon ser arqueiro?

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    1. Nao tenho certeza mas talvez ele seja da antiga geração de arqueiros,antes de crowlei (ler livro 11,acho)
      Ass.kami

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  3. Antes do Crowlei? Achei que ele tinha uns sessenta anos, quantos anos esse cara tem?

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