24 de julho de 2016

Capítulo 38

Will bateu suavemente na porta da enfermaria, ouviu o chamar de Malcolm de “entre” e entrou.
O curandeiro estava sobre Trobar, que estava estendido em um conjunto de quatro colchões no chão em um canto. Não havia nenhuma cama suficientemente grande no castelo para acomodá-lo, então ele teve que ficar no chão até que estivesse forte o suficiente para fazer o seu caminho de volta a Clareira do Curandeiro.
Malcolm virou quando Will entrou e sorriu uma saudação.
— Bom dia — disse ele.
— Dia. Como é que o paciente está indo?
Malcolm pressionou os lábios antes de responder.
— Muito melhor do que ele deveria estar. Ele tinha perdido sangue suficiente para matar dois homens normais no tempo que eu cheguei até ele. Deus sabe como ele sobreviveu.
— Suponho que ele começou tendo bastante sangue nele por três homens — disse Will. — Ele certamente é grande o suficiente.
Ele sorriu para Trobar. O gigante parecia fraco e muito mais pálido que o normal. Mas estava sorrindo da piada de Will, e seus olhos estavam claros e em alerta, muito melhor do que o febril olhar que tinha quando estava derrubado na muralha depois da batalha.
Will ouviu um barulho familiar batendo no chão. Ele se virou para ver Sombra deitada de barriga, no canto distante. Seu queixo estava em suas patas dianteiras, mas seus olhos nunca pararam de se mover enquanto olhavam em tudo na sala.
— Dia, Sombra — disse ele.
Ela bateu a cauda. Ele olhou para Malcolm.
— É aceitável ter um cão na enfermaria? — Perguntou ele.
O curandeiro se permitiu um sorriso fino.
— Eu diria que é essencial — disse ele. — Ambos deixaram-me louco até eu deixá-la ficar aqui.
— Hmmm — disse Will sem compromisso.
Ele teria que resolver essa situação quando se dirigissem para o sul, ele pensou. E ia ser difícil. Então ele empurrou o pensamento inadequado de lado. Ele ficaria aqui por algum tempo ainda. Iria enfrentar isso mais tarde.
— Eu pensei em ir visitar Alyss, se você pensar que é uma boa ideia — disse ele. Malcolm balançou a cabeça.
— Eu acho que é uma excelente ideia. É hora de ela ter alguma companhia.
Passaram dois dias desde a batalha. Os homens de Keren, já derrotados, se renderam de imediato quando souberam da morte de seu líder. Eles estavam agora confinados nas masmorras do castelo.
Alyss passou o tempo em um perplexo estado de choque. Malcolm disse que isso era quase certamente o resultado de seu ser retirada do transe hipnótico de Keren e encontrar-se com uma espada levantada, apenas a um segundo de distância de assassinar Will. Era semelhante, disse ele, à maneira como sonâmbulos ficavam em choque se fossem repentinamente despertados do sono.
O curandeiro tinha lhe dado uma poção para dormir e a colocada na cama.
— Descansar será a melhor coisa para ela — disse ele. — Ela é uma menina com força de vontade, e vai se curar, eventualmente. Mas ela fará mais cedo se estiver descansada e forte.
Agora, aparentemente, ele pensou que esse processo estava longe o suficiente para permitir-lhe um visitante.
Will voltou a subir as escadas. Alyss tinha sido devolvida a sua confortável suíte no quarto andar. Ele tinha olhado para ela várias vezes, mas hesitou em acordá-la enquanto ela dormia. Ele hesitou sobre outra coisa também. Na torre, ele havia dito a Alyss que a amava, e ele percebeu que tinha falado a verdade. De certa forma, ele sempre amou, ele sabia.
Ela era sua amiga mais antiga e mais querida do mundo. Mas havia um vínculo ainda mais forte entre eles, agora que eles tinham crescido. Em algum lugar ao longo do caminho, essa amizade e a longa história de companheirismo tinha virado amor. Ou, pelo menos, tinha tanto quanto ele estava preocupado. Ele não tinha certeza se ela se sentia da mesma maneira.
Keren disse ela não iria lembrar-se de nada que foi dito ou feito enquanto sua mente estava sob seu controle. Mas a declaração de Will tinha quebrado esse controle, e ele suspeita que, uma vez que esse era o caso, ela poderia ter alguma memória do que ele tinha dito. Ele perguntou Malcolm sobre isso, não contando o curandeiro que ele tinha realmente dito a menina. Malcolm tinha sido incerto na sua resposta.
— Talvez ela vá se lembrar — respondeu ele. — Talvez não.
Ele viu a frustração no rosto do rapaz, e acrescentou, desculpando-se:
— Nós simplesmente não sabemos o suficiente sobre o funcionamento da mente para eu lhe dar uma resposta direta. O que poderia ser verdade para uma pessoa pode ser totalmente falso para outra.
A única maneira, Will decidiu, seria para ver se Alyss levantaria a questão sozinha. Se ela não fizesse, isso significaria que ela estava embaraçada e desagradável porque não sentia a mesma maneira por ele, ou que suas palavras não tiveram impacto suficiente para permanecer em sua memória, o que, a seu modo de pensar, dava no mesmo.
Will passou nos últimos cinco anos quase que exclusivamente na companhia de Halt, e ele não estava equipado para lidar com uma situação social como essa. Agora que ele havia admitido a profundidade de seus sentimentos por Alyss, temia o pensamento de que ela não os retornaria, e que ela poderia responder com a afirmação de que, ao longo dos anos, revelou-se a sentença de morte para tantos relacionamentos: Podemos continuar sendo amigos?
Ele discutiu o assunto, com a maior confidencialidade, com Horace. Horace, afinal, era um cavaleiro que movia nos altos círculos sociais no Castelo de Araluen e estava muito mais acostumado em passar o tempo em companhia feminina.
O alto guerreiro havia afirmado estar totalmente não-surpreso quando Will confessou como se sentia.
— Claro que você a ama! — Ele respondeu. — Ela tem sido a sua melhor amiga desde que ambos podiam andar, e agora ela cresceu até ser bonita, talentosa, inteligente e espirituosa. O que não era amável sobre tudo isso?
A solução de Horace para o problema era típica. Basta chegar e dizer a ela. Mas então, como um guerreiro, ele sempre favorecia a abordagem direta. arqueiros, Will lhe disse, eram mais inclinados a procurar as nuances sutis de comportamento de uma pessoa para determinar os seus verdadeiros sentimentos.
— Você está mais inclinado a ser desonesto, você quer dizer — disse Horace, rejeitando a declaração como uma bobagem pretensiosa.
Will não poderia encontrar uma resposta adequada para isso, então eles deixaram o assunto acabar.
Tudo junto era uma situação confusa e embaraçosa para o jovem arqueiro. Ele fez uma pausa agora fora da porta de Alyss, perguntando se ele deveria esperar mais um dia. Então decidiu que estava apenas tentando adiar o inevitável, e ele bateu na porta, um pouco mais bruscamente do que pretendia.
— Entre.
Ele sentiu uma onda de nervosismo ao som da sua voz, em seguida ele abriu a porta e entrou.
Alyss estava sentada em sua cama, perto da janela, onde ela poderia olhar para fora sobre o campo circundante. Os últimos restos de neve teimosamente estavam agarrados à copa das árvores e brilhavam ao sol. Ela virou-se da vista e sorriu para ele.
— Will — disse ela. — Como é bom ver você.
Ela usava o cabelo louro solto, escovado até parecia brilhar. Ela parecia cansada, mas satisfeita em vê-lo. Ele se moveu para o lado da cama. Havia uma cadeira de coluna reta lá, e ele sentou-se.
Ela estendeu a mão e pegou suas mãos. Foi um movimento natural e sem afeto. Um gesto entre amigos, ele pensou.
— Como você está se sentindo? — Ele perguntou a ela.
Sua garganta estava seca, e as palavras banais pareciam colar nele enquanto ele as falava.
— Estou bem. Um pouco cansada.
Ele balançou a cabeça. Ele não conseguia pensar no que dizer em seguida.
— Eu tenho um milhão de perguntas a fazer — disse ela. — Eu tenho tido os sonhos. — Ela revirou os olhos dramaticamente. — Eu venho tendo vontade de lhe perguntar sobre tudo que aconteceu na torre a outra noite.
Ele a olhava com cuidado.
— Você não se lembra de nada?
E ele pensou ter visto um lampejo momentâneo de hesitação em seus olhos. Estava lá só por uma fração de segundo, mas tinha certeza que estava ali.
— Não realmente — ela disse, e ele sabia que ele estava certo sobre a hesitação.
Ela se lembrava, mas não queria admitir isso.
Verdade seja dita, Alyss estava se sentindo tão confusa quanto Will. Ela estava de fato tendo sonhos. Ela sonhou que eles estavam de volta na torre e ela estava a ponto de machucá-lo de alguma maneira terrível quando, de repente, do nada, ele estava dizendo a ela que ele a amava, palavras que ela tinha esperado ouvir dele por mais tempo do que poderia se lembrar. Mas ela não sabia se o sonho refletia o que realmente aconteceu ou algo que ela queria que tivesse acontecido. Eles olharam uns para os outros, ambos incertos, ambos não querendo se declarar.
Ele deu de ombros.
— Talvez devêssemos deixar isso até que você esteja mais forte — disse ele.
Ela estudou-o cuidadosamente.
— Isso foi realmente tão horrível — ela falou.
Um olhar escuro entrou seus olhos quando ele lembrava aqueles momentos desagradáveis.
— Sim, foi, Alyss. Mas como eu disse a você na noite, você salvou minha vida. E isso é o que é importante.
Houve um longo silêncio.
— Qualquer sinal de ajuda do feudo Norgate? — Perguntou ela.
Ela sentiu que ele ficou aliviado ao ouvir a conversa jogada em um tópico mais seguro, mais geral.
— Nossos olheiros dizem que estão a dez dias daqui.
— E sobre os scottis? — Perguntou ela.
Afinal, eles eram uma ameaça imediata, e estavam mais próximos do que as forças de Norgate. Mas Will encolheu os ombros.
— Duvido que eles vão vir. Você sabia que nós deixamos MacHaddish ir, não é?
Ela endireitou-se com essa notícia.
— O deixou ir? De quem foi essa ideia?
— Minha, na verdade. E todos reagiram da mesma maneira que você acabou de fazer quando eu sugeri a ideia.
— Bem, então... — ela começou, mas ele a cortou.
— Nós trouxemos ele aqui primeiro e lhe mostramos que o castelo estava totalmente guarnecido por escandinavos selvagens. Além do que, alguns dos homens originais de Orman começaram a voltar. Então mostramos a ele tudo, dizendo-lhe a força de ajuda de Norgate devia estar a um dia daqui, em seguida, o soltamos para apresentar um relatório ao seu comandante.
Ele não mencionou que ele também tinha tomado MacHaddish para um lado e feito uma promessa pessoal: Se o seu exército voltar aqui, você será o primeiro que eu procurarei. O general scotti não tinha ficado assustado com a ameaça. Mas ele sabia que era verdadeira, e ele respeitava isso.
— Então — disse ponderadamente Alyss — ele vai informar que Macindaw está de volta nas mãos do inimigo e, provavelmente, uma noz mais resistente de rachar do que era antes.
— Exatamente. Escandinavos serão um adversário muito mais difícil do que o soldado médio provincial. Eles são profissionais, depois de tudo.
Havia uma nota de orgulho em sua voz, e ela não pôde deixar de sorrir para ele.
— Você realmente gosta deles, não é?
— Escandinavos? — ele disse. — Sim, eu gosto. Uma vez que eles lhe dão a sua palavra, nunca vão voltar atrás. Eles são inimigos terríveis, mas viram os melhores aliados que você poderia pedir. Horace diz que se ele tivesse um exército deles, ele poderia conquistar o mundo.
— Ele quer conquistar o mundo?
Ele sorriu.
— Não realmente. É exatamente o tipo de coisa guerreiros dizem.
— E quanto a você? Qualquer sonho de dominação do mundo para você?
Ele balançou a cabeça.
— Eu só quero voltar para minha cabana pacífica no feudo Seacliff.
— Eu me lembro que havia uma filha da taberneira bonita lá? — Disse ela.
O tom era de leve e provocativo, mas havia um propósito por trás da questão. Will deu de ombros.
— Ah, eu tenho certeza que ela esqueceu sobre mim agora.
— Eu duvido. Você não é uma pessoa fácil de esquecer.
Ele não disse nada. Ele não sabia como responder a isso, e o silêncio entre eles cresceu mais.
De repente, ele percebeu que ele ainda estava segurando suas duas mãos. Ele as soltou e levantou, enviando a cadeira patinando para trás no assoalho.
— Eu gostaria...  melhor ir embora — disse ele. — Malcolm me disse para não cansá-la.
Ela forçou um bocejar em resposta para facilitar as coisas para ele. Ela era, afinal de contas, uma diplomata treinada.
— Estou um pouco sonolenta — disse ela. — Você vem me ver de novo amanhã?
— Claro.
Ele fez o seu caminho até a porta, indisposto a virar as costas para ela, e se esgueirou para fora, meio acenando, meio saudando conforme ele ia.
— Bem, vejo você depois então.
Ele percebeu quão estúpida a frase soou.
Ela acenou, apenas agitando os dedos para ele, e sorriu um adeus. Ele procurou a maçaneta da porta, conseguindo abrir de alguma maneira e saiu, fechando a porta atrás dele.
Na antessala, ele fez uma pausa, apoiando a testa contra a pedra bruta da parede.
— Ah, dane-se tudo — disse ele calmamente.
No quarto de dormir, Alyss estava dizendo exatamente a mesma coisa.

5 comentários:

  1. Não acredito! Pelo anjo! E só dizer que ama ela e problema resolvido!
    Ass: Bina.

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  2. As pessoas tendem a complicar às coisas mais do que realmente o são

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  3. Will!! Volte e diga a ela!! Alyss, diga a ele!! Deuses, não aguento tabta frescura! Eles não perceben que isso ppde mudar totalmente o rumo da vida deles? Argh!!!

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