24 de julho de 2016

Capítulo 37

Alyss desviou o olhar da pedra azul por um segundo, olhando fixamente para Keren enquanto ela considerava o seu comando.
— Claro — ela disse simplesmente.
O tom era tão verdadeiro, tão impassível, que o coração de Will perdeu uma batida. Rapidamente, ela reverteu sua aderência à espada, girando-a num meio círculo de modo que a lâmina estava mais alta e ela segurava o punho em um aperto de duas mãos. Nessa posição, a pedra azul ainda estava bem dentro de seu campo de visão, embora ela estivesse voltada para Will.
Não havia nenhum sinal de reconhecimento nos olhos, nada mais que uma aceitação casual do comando de Keren. Ela tomou um passo em direção a Will, a espada ficando maior para um curso mais poderoso para baixo para ele.
Will trouxe o arco para cima, a flecha voltando a pressão total quase que instantaneamente, visando o coração de Alyss. Ele viu uma pequena cruz franzir o rosto dela quando ela reconheceu a ameaça.
— Isso é o suficiente, Alyss — disse Will.
Mesmo hipnotizada como ela estava, ela não obedeceria cegamente um comando que conduziria a sua própria morte. Será que ela iria? Ela parou, olhou para Keren por um conselho. Ele sorriu de forma encorajadora para ela.
— Ele está blefando — disse o renegado. — Ele nunca iria machucá-la. Vá em frente e o mate.
E Will percebeu que Keren estava falando a verdade. Ele não poderia machucá-la. Ele pensou por um momento que poderia disparar para desarmá-la, para colocar uma flecha através de seu punho ou braço e obrigá-la a deixar cair a espada. Mas ele imaginou a cruel flecha cortando sua carne, rasgando os tendões e músculos, talvez, deixando-a permanentemente incapacitada, e ele sabia que não podia lhe causar tal tipo de dor. Não Alyss, de todas as pessoas. Ele simplesmente não podia.
— Alyss... por favor — disse, esperando que ele pudesse alcançá-la de alguma forma.
— Vá em frente — Keren alertou ela. — Eu disse que ele não iria prejudicá-la.
— Sim. Você disse — Alyss respondeu.
Will ficou horrorizado com o fato de que seu comportamento continuava a parecer tão normal. Ela não parecia estar em transe, de qualquer tipo. Não estava falando devagar ou monótona. Realmente sorriu para Keren enquanto falava. Ela parecia interessada no fato de que Will a ameaçaria, mas se recusava a levar a cabo a ameaça. Mas era um interesse individual, mas como ela poderia comentar sobre uma mudança inesperada no tempo. Ela começou a ir em direção a ele mais uma vez.
Mas havia uma ameaça que Will estava mais do que disposto a levar a cabo. Ele balançou a flecha de volta para Keren, desta vez mirando na imagem da garganta do renegado acima da cota de malha, só para ter certeza que seria um tiro para matar.
— Se ela der mais um passo, Keren, você é um homem morto. Diga a ela.
Houve um flash momentâneo de preocupação nos olhos de Keren. Então, desapareceu conforme ele avaliava a ameaça representada pela flecha brilhando.
— Espere um momento, Alyss — disse ele.
Ela parou de novo. Ela olhou para Keren, na expectativa de mais instruções, as sobrancelhas levantadas em uma pergunta.
Will não poderia evitar um sorriso triste torcer seus lábios.
— Parece que temos um impasse — ele disse. — Agora a tire disso, e você pode ir.
Ele tomou a decisão enquanto falava. Ele sempre poderia caçar Keren mais tarde, se necessário, e, além disso, a saída do castelo estava provavelmente bem e verdadeiramente bloqueada por Horace e os escandinavos. Mas quanto mais tempo esta situação perigosa fosse mantida, maior a chance de que alguma coisa iria dar terrivelmente errado. Ele viu os ombros de Keren encolher um pouco quando percebeu que Will tinha vencido.
— Ir? — O renegado lhe perguntou. — Ir para onde?
Will deu de ombros.
— Em qualquer lugar que você escolher. Eu estou te dando uma chance.
— E você também está planejando vir atrás de mim — Keren disse.
Não era uma pergunta. Will sentiu que não tinha necessidade de resposta.
— Keren? — Alyss disse. — Eu estou ficando um pouco cansada aqui.
Ela ainda tinha a espada levantada acima da cabeça. Keren sorriu para ela.
— Não demorará muito mais, Alyss — então, ele virou-se para Will. — Você sabe, como eu disse, o interessante aqui é que quando Alyss sai do transe, ela não vai se lembrar de nada que ela tenha dito, ou ouvido, ou feito. Tudo isso será um espaço em branco para ela.
— Fascinante — disse Will, sua voz um pouco mais apertada do que ele queria que fosse. — Agora, traga-a de volta disso.
— Sim, talvez eu deva fazer alguma coisa — Keren concordou. — Alyss?
— Sim, Keren?
— Você sabe que você deve fazer tudo o que eu digo, não é?
— Bem, é claro que eu sei que, Keren.
Ela virou-se para enfrentá-lo.
— Bom. Então me escute com cuidado. Se o arqueiro me machucar de qualquer maneira, mate-o.
Alyss assentiu com a cabeça, em seguida, virou-se para Will. Ela podia ver a flecha que agora estava destinada a Keren, e ela sabia que, se a figura esbelta lançasse a flecha, ela ainda teria que ir em frente e matá-lo. No entanto, parecia uma pena. Ele parecia um homem bastante jovem e bonito, o tipo de pessoa que ela poderia realmente gostar.
Ela hesitou, um pequeno franzido vincando a testa. Em algum lugar, no fundo de sua mente, uma memória estava se mexendo. Apenas o fantasma de uma memória. Uma consciência fraca que talvez ela soubesse quem essa pessoa. No entanto, se ela o conhecia, por que Keren queria que ela o matasse? Era tentador deixar de ir ao pensamento e só voltar para afundar o esquecimento que a pedra azul proporcionaria. Mas os anos de treinamento e disciplina afirmaram-se. Alyss sempre se orgulhava de sua habilidade para resolver problemas, e lá estava um a ser resolvido.
— Qual é o seu nome? — Perguntou ela.
Os olhos de Keren, até o momento estabelecidos em Will, giraram na direção dela quando ele sentiu uma mudança em sua atitude. Ela não deveria estar fazendo perguntas. Ela deveria obedecer sem qualquer hesitação.
— Seu nome não importa — ele agarrou a ela. — Faça o que eu digo!
Alyss balançou a cabeça como se quisesse limpar seus pensamentos.
— Sim. É claro. Desculpe.
No entanto, mesmo enquanto ela concordava havia uma nota de incerteza na voz.
Will olhou para ela, vendo o sofrimento em seus olhos. Ele estava resignado com o fato de que ele deveria matar Keren e que, se ele fizesse, Alyss iria matá-lo. E ele sabia que se isso acontecesse, Alyss seria torturada pelo fato por todo o resto de sua vida. Como Keren havia dito, ela recobraria a consciência e se encontraria em pé sobre o cadáver de seu amigo com uma espada ensanguentada na mão. E não haveria ninguém vivo para contar a ela como tudo tinha acontecido.
Ele simplesmente não podia deixá-la com esse fardo. Keren, percebendo que o seu domínio sobre Alyss estava de algum modo escorregando, decidiu não esperar mais.
— Mate ele! Mate-o agora! — Sua voz rachava conforme ele gritava a ordem para ela.
— Claro — disse Alyss.
Havia uma pequena pitada de relutância, mas ela adiantou-se, a espada levantando até esticar toda conforme ela media a distância para Will. E nesse instante, ele teve que deixar algum vestígio seu de memória ou perdão para o que estava prestes a fazer.
— Alyss — disse calmamente: — eu te amo. Eu sempre te amei.
Ele viu nos olhos dela. Um momento de confusão. Um flash de emoções conflitantes. Em seguida, uma súbita clareza ofuscante e um enorme sentimento de horror. Ela olhou para a espada, muito acima de sua cabeça, e um grito foi arrancado quando ela percebeu que ela estava prestes a fazer.
Ela jogou a espada longe dela e desabou no chão, chorando incontrolavelmente. Seus ombros pesavam enquanto os soluços submetiam seu corpo inteiro.
Will abaixou o arco, todos os pensamentos de Keren esquecidos quando ele movia-se para ela.
Oh, Deus, pensava ele, deixe-a ficar bem!
Ele não tinha ideia de qual dano o súbito choque de percepção poderia ter feito a sua mente. Ele caiu de joelhos ao lado dela, tentando alcançar e abraçá-la, tentando levantá-la do chão.
Qualquer coisa para acabar com os soluços, esse terrível som de uma mente torturada. Mas ela estava amontoada como uma bola, desafiando seus esforços para obter os braços em volta dela e levantá-la.
— Alyss, está tudo bem! Está tudo bem! Você está bem agora — ele murmurava para ela. Mas estava tudo muito claro que ela não estava bem, e ela manteve-se alheio às suas palavras e seu toque.
— Maldito vá para o canto mais profundo do inferno.
Ele olhou para cima. Era Keren, movendo-se em direção a ele, a espada rejeitada por Alyss na mão.
— Talvez ela não pudesse matá-lo. Mas eu posso!
Galvanizado em movimento, Will saltou longe da forma amontoada de Alyss. Keren seguia, varrendo a espada no ar em uma sucessão de cortes selvagens. Foi isso que salvou a vida de Will, para o momento. Não havia nenhuma ciência ou habilidade nas estocadas de Keren, apenas a emoção crua de ódio e vingança selvagem irracional orientando a espada.
Will ficou de pé, a faca de caça deslizando da bainha a tempo de desviar um corte lateral. Ele tentou colocar o braço atrás de seu pescoço buscando a faca de arremesso escondida, mas mais uma vez ele foi impedido pela capa e pelo colarinho da jaqueta. Esta bainha escondida realmente foi uma má ideia, pensou amargamente.
Ele rebateu outro corte de Keren, mas sem o efeito de alavanca adicional padrão de duas facas de defesa, ele estava em desvantagem contra a arma maior. Tudo o que ele poderia esperar era esquivar da espada o maior tempo possível.
Gradualmente, ele viu a fúria diminuindo nos olhos de Keren. Ele buscou o colarinho de novo, para tentar pegar a faca de arremesso. Mas Keren viu o movimento e pulou para frente, estocando e Will mal evitou a espada, depois Keren girou a espada na mão para entregar uma sobrecarga alta cortando para trás, quase como parte do mesmo movimento.
Will sentiu uma mão fria em torno de seu coração quando percebeu que Keren era um espadachim perito e sua formação estava começando a reafirmar-se sobre a sua fúria inicial cego. Will não podia esperar ganhar essa frente de batalha. Ele retirou-se antes de outro impulso, sentiu a parede nas suas costas e sabia que ele tinha cometido um erro. Ele deslizou lateralmente a partir do próximo corte, a espada faiscando marcas nas pedras da parede. Keren o perseguia enquanto ele deslizava ao longo da parede, uma série de derrames e empurra frenético dando-lhe nenhuma possibilidade de retaliação.
Foi o som que despertou Alyss. O guincho grave da espada saltando fora de pedra. Ela olhou para cima para ver Will recuando desesperadamente antes do ataque clínico de Keren, afastando a espada com uma faca totalmente inadequada.
Ela levantou-se de joelhos, em seguida, aos pés, sacudindo a cabeça para clarear. De alguma forma, ela sabia, isto era tudo culpa dela. Ela havia colocado Will nesse perigo. Agora ela deveria salvá-lo. Ela precisava de uma arma... qualquer arma.
Ela balançava em seus pés, então limpou seus sentidos e ela sabia onde encontrar uma. Dois passos rápidos a levaram para a janela. Ela apanhou a arma e se moveu para onde Keren tinha prendido Will em um canto. A ponta da espada estava agora nivelada na garganta de Will. A faca de caça deitada no chão entre eles, finalmente tirada das mãos de Will com a força maciça de uma estocada de duas mãos por cima da cabeça.
Will encarava Keren com calma, esperando a morte. Então ele viu Alyss movendo por trás do renegado.
— Alyss! Corra! — Gritou. — Procure o Horace!
Era natural que Keren, pronto para lançar a espada na garganta de Will, viraria quando o arqueiro chamou por ela. Quando ele fez, ela jogou o conteúdo da garrafa de couro em seu rosto.
Seu grito era terrível conforme o ácido queimava em sua pele e olhos. A dor era insuportável, e ele deixou cair a espada, arranhando seu rosto, tentando aliviar a queimadura terrível. Ele tropeçou em círculos selvagens ao redor da sala, gritando o tempo todo. Alyss assistiu em horror enquanto Keren cambaleava cegamente, tentando em vão encontrar algum alívio da agonia. Ela se afastou, sentiu o braço de Will ir ao seu redor.
Ambos tomaram conhecimento de um cheiro de carne queimada.
Os movimentos de Keren tornaram-se mais selvagens e mais irregulares. Sua garganta estava rouca de gritar sem parar, e ele tropeçou e girava em círculos descontrolados, um momento, jogando os braços para fora para recuperar o equilíbrio, o próximo apertando as mãos ao rosto destruído mais uma vez. Ele cambaleou em uma parede, se recuperou, cambaleou alguns passos, em seguida, perdeu o equilíbrio e cambaleou para trás.
Em direção à janela.
Suas costas e ombros atingiram as barras, e por um momento elas o apoiaram. Em seguida, os fios finos de metal que seguravam as duas barras no centro cederam, abrindo uma grande lacuna atrás de si. Ele balançou para trás por um segundo, mas o patamar baixo da janela pegou apenas atrás dos joelhos.
Seu grito era longo e elaborado com uma mistura de dor e medo cego. Ele deslizou na noite caindo sobre seu corpo, como uma longa fita arrastando atrás de si.
Então, de repente, acabou.
Alyss virou-se para Will, seu rosto conturbado.
— Will, o que aconteceu aqui? — Perguntou ela.
Ela examinou os destroços de jantar, cadeiras e mesa jogadas durante a luta desesperada de Will com Keren, a espada novamente descartada no chão, a garrafa vazia deitada ao lado dela quando ela tinha deixado cair. Sua mente fervilhava com imagens, mas elas pareciam tão bizarras e improváveis que ela sabia que não podia ser verdade.
Will sorriu, seu braço ainda ao redor do ombro dela. Ele puxou-a para ele e a deixou descansar a cabeça em seu ombro.
— O que aconteceu — ele disse a ela — é que você acabou de salvar minha vida, duas vezes.
Ele beijou sua testa suavemente para acalmá-la. Ele sentiu o emaranhado confuso de pensamentos em sua mente. Mas ela empurrou um pouco para trás dele, buscando seu rosto com os olhos.
— Duas vezes? — Perguntou ela. — Quando foi a primeira vez?
Will sorriu para ela.
— Esqueça isso.

9 comentários:

  1. Aaaa q fofo! Clichê, mas fofo. Me lembrou um pouco Tris e Tobias, quando ele tava sob efeito do soro e tals.

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  2. Ela se esqueceu que o Will disse que a amava? A não não acredito, 6 livros pra ver uma cena de romance e a garota fica em transe e não sabe que o mocinho gosta dela!
    Ass: Bina.

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  3. Ao menos um carinho. ..

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  4. Keren, maldito!! Que o Inferno te carregue!! Cara, na hora que ele falou que amava ela e que sempre tinha amdo ela, eu comecei a chorar, e pensei, tipo: pronto, ele vai morrer. Obrigada, deuses que iluminam a mente perversa dos escritores!!!

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  5. — Alyss — disse calmamente: — eu te amo. Eu sempre te amei.
    Q lindo, finalmente. Mas a garota nem se lembra disso! Tb me lembrou de Tris e Tobias, só q dessa vez foi a garota q ficou em transe

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  6. Gente, seis livros esperando por essa declaracao e um beijao, mas isso nao aconteceu. E pra piorar ainda foii na testa. Maldito seja , esse escritor devia passar algumas semanas no tartaro para aprende a dar valor nesses momentos!!!
    -Sinead

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  7. eu acho q fui a única q gostei do fato d eles nn se beijaram, na boa, aventura e romace nn combinam, na minha opinião Will nn deveria se apaixonar, no primeiro livro, quando ela beijou ele, quase joguei o livro fora

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    1. É a ordem natural das coisas, Mia.. as pessoas se apaixonam heuaheuahe todos querem um shipp... mas se vc pensar, nem tem muito romance nesses livros, vai

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