24 de julho de 2016

Capítulo 37

Oitenta quilômetros ao sul, um cavaleiro de armadura estava cavalgando no cortante vento frio do norte.
O sol já havia descido a linha do horizonte e a escuridão se espalhou depressa pela terra. Qualquer pessoa sensata teria parado para acampar e se proteger da neve e granizo trazidos pelo vento. Mas o cavaleiro ainda forçava seu caminho para o norte.
Sua túnica era branca e seu escudo tinha o desenho de um punho azul, símbolo de um cavaleiro andante – um cavaleiro procurando por emprego em qualquer lugar. Seu equipamento era padrão – uma lança pesada estava presa no estribo a sua direita e uma longa espada de cavaleiro podia ser vista sob sua capa. Somente o escudo era diferente. Em um tempo onde cavaleiros preferiam escudos com pontas afiadas em baixo – ótima arma em momento cruciais – este carregava um simples escudo redondo.
O cavalo de batalha andou alguns passos de lado, tentando escapar das rajadas de vento e do doloroso granizo que ele recebia. Gentilmente, ele voltou o seu curso para o norte.
— Só mais um pouco, Kicker — falou o cavaleiro, suas palavras grossas e arrastadas vindo pelos lábios quase congelados.
O cavalo estava certo, pensou. Era loucura continuar viajando nesse tempo. Mas ele sabia que havia uma pequena aldeia a alguns quilômetros depois da estrada, e a proteção de um celeiro seria melhor e mais confortável que qualquer proteção que ele conseguisse entre as árvores. Ele quase lamentou não ter parado no final da tarde, quando passou por uma vila com uma pousada aparentemente muito confortável. Seria um bom lugar para estar agora, pensou.
Então ele pensou em seus amigos e no possível perigo que estão passando e não lamentou sua decisão de continuar a moldar seu caminho através da noite fria e escura.
Ele duvidou que Kicker concordasse. Ele tentou sorrir, mas seus lábios estavam muito duros e gelados no momento. Ele se mexeu desconfortável na sela, sentindo uma gota d’água gelada descendo pelas suas costas, enquanto pensava no encontro com Halt e Crowley, há alguns dias atrás.
— Então vocês querem que eu vá para Macindaw? — Ele disse, a cabeça cheia de pensamentos. — O que vocês acham que eu posso fazer que Will e Alyss não possam?
Eles estavam no escritório de Crowley na alta torre do Castelo Araluen. Era um quarto pequeno, mas confortavelmente mobiliado e mantido quente pelo fogo aceso na lareira. Halt e Crowley trocaram olhares e o Comandante dos arqueiros gesticulou para Halt responder.
— Nós nos sentiríamos melhor se Will e Alyss tivesse um pouco mais de músculos a sua disposição.
Horace sorriu.
— Sou apenas um homem.
Halt o considerou intensamente.
— Você é muito mais que isso Horace — ele disse — eu tenho visto seu trabalho, lembra? Eu me sentiria aliviado se soubesse que você está cobrindo as costas de Will. E precisamos mandar alguém que ambos conheçam e confiem.
Horace sorriu com a possibilidade.
— Seria legal vê-los de novo — disse.
A vida no castelo Araluen no inverno tende a ser um pouco chata. A ideia de ser mandado em missão sozinho tinha uma aparência ótima. Ele e Alyss eram amigos desde crianças e ele não tem visto Will, seu melhor amigo, há meses.
Halt levantou-se e foi à janela, olhando para a paisagem cinza de inverno que cercava o castelo. Na parte sul do país não havia neve, mas o frio deixava as árvores de uma forma como se tivesse nevado, de uma forma desolada que combinava com o humor de Halt.
— É a incerteza que está nos matando, Horace — disse. — Até agora tínhamos uma mensagem rotineira dos soldados de Alyss. Ou uma resposta do pombo que mandamos ontem. Afinal, eles não tem que esperar o pássaro descansar. Eles tem outros seis pombos prontos para mandar mensagens.
— Claro, um falcão pode ter capturado o pombo que mandamos — Crowley disse. — Isso acontece.
Halt mostrou um flash de aborrecimento e Horace percebeu que os dois já haviam tido essa conversa – possivelmente mais de uma vez.
— Eu sei disso, Crowley! — Ele disse aborrecido. Ele olhou Horace de novo. — Pode não ser nada, Crowley pode estar certo. Mas eu não quero arriscar. Gostaria de saber que você está indo ajudá-los. Se nós recebermos uma mensagem nesse meio tempo, sempre podemos mandar uma ordem para você poder voltar.
Horace fitou o pequeno arqueiro grisalho com cordialidade. Halt estava mais preocupado do que gostaria, provavelmente porque Will estava lá em cima, nos campos do norte coberto de neve, Horace percebeu. Não importa quantos anos passem, parte de Halt sempre vai ver Will como seu jovem aprendiz. Ele foi em direção ao arqueiro.
— Não se preocupe, Halt — ele disse calmamente — eu vou ver se ele está bem.
Os olhos de Halt mostravam sua gratidão.
— Obrigado, Horace.
— O nome dele é Hawken — Crowley disse, decidindo que era hora de Horace se preparar para missão. — Melhor se acostumar a isso.
Horace franziu para ele, sem entender.
— É sua nova identidade — Crowley disse a ele — é uma missão secreta e nós, dificilmente poderemos mandar o jovem cavaleiro mais famoso de Araluen para os campos de Norgate. Você irá como Sir Hawken e será um cavaleiro andante. Melhor pegar um escudo pintado de acordo.
Horace assentiu.
— Então vou providenciar o músculo, e, deixar Will e Alyss fazerem todo trabalho mental? — ele disse alegremente.
Halt o considerou sério, balançando a cabeça devagar.
— Não se rebaixe, Horace — ele disse. — Você é um bom pensador. Você é firme e prático. Às vezes nós nos desviamos, quando isso ocorre até os arqueiros e diplomatas precisam desse tipo de pensamento para se manter no caminho.
Horace ficou surpreso com a declaração. Ninguém nunca o chamou de bom pensador antes.
— Obrigado por isso, Halt — ele disse. Então seu sorriso quebrou de novo — não posso te convencer a vir comigo? Como nos velhos tempos na Gálica?
Dessa vez, Halt sorriu enquanto balançou a cabeça.
— Já tem um arqueiro em Macindaw. Para qualquer coisa além de uma invasão em longa escala, um arqueiro já é o suficiente.
O vento aumentou e o granizo soprava forte em seu rosto. Kicker resmungou, balançando a cabeça, e Horace inclinou-se para frente e alisou o pescoço do cavalo de batalha.
— Não vou exigir tanto de você agora Kicker — ele disse. — Só me leve por mais alguns quilômetros. Will precisa de nós.

7 comentários:

  1. Alguém precisa inventar um relógio mais preciso, é capaz dele chegar lá e tudo estar resolvido.

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  2. Poseidon! Vai acabar o livro e Horace não ira chegar!
    Ass:Bina.

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    1. Poseidon? Disseste Poseidon? Semideusa em todos os lugares. Hehehe

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  3. Cara, já tive 9 filhos e o Horace não chegou!!! Putzis!!!

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  4. Odeio quando agente quer saber o q acontece em um ponto de vista e do nada muda pra outro >:( Pensei q tava livre assim q terminei o livro anterior da serie

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