24 de julho de 2016

Capítulo 27

Horace se esticou por cima do ombro de Will para olhar o esboço que seu amigo tinha terminado.
Ele franziu a testa. De onde ele estava, o dispositivo que Will tinha projetado parecia um carrinho de mão, exceto que a parte onde a carga seria transportada, parecia estar de cabeça para baixo.
— O que você acha? — Will perguntou.
— Eu acho que se você tentar carregar qualquer coisa nesse carro vai cair tudo fora imediatamente.
— Não vou colocar nenhuma coisa nele. Estou nos colocando nele — disse Will.
— Nesse caso, nós vamos cair fora — respondeu Horace.
Will lhe deu um olhar fulminante e bateu nos pontos mais importantes do desenho com o lápis de carvão conforme ele explicava.
— É muito simples, realmente. Existem duas rodas, eixos e um quadro baixo e um declive, assoalhando o telhado em cima. A coisa toda rola junto com a gente andando debaixo dela.
— Bem, isso vai nos impedir de cair para fora — disse Horace. — Mas por que estaremos embaixo dele em primeiro lugar? — Horace perguntou.
— Porque se não estivéssemos sob ela — Will disse, com uma pitada de ácido em sua voz — nós estaríamos fora, no campo aberto, onde poderíamos ser atingidos por pedras, dardos e lanças.
Ele olhou significativamente para Horace para ver se havia outra questão. Mas os olhos de Horace estavam fixos no desenho agora, e um pequeno sulco estava se formando entre as sobrancelhas.
— A beleza é — Will continuou — nós podemos desmontá-lo e remontá-lo em uma questão de minutos.
— Bem, isso é definitivamente uma vantagem — respondeu Horace.
Seu tom de voz disse que ele pensou que era tudo menos isso.
Will recostou-se na exasperação.
— Você gosta de ser negativo, né? — Perguntou.
Horace estendeu as mãos em um gesto largo desamparado.
— Will eu não tenho a menor ideia do que você tem em mente com essa... coisa. Tenha em mente, sou um guerreiro simples, o tipo de pessoa que você e Halt se referem como bate-e-rebate. Agora você me diz que quer que a gente ande por aí com um carrinho de mão que alguém construiu com a parte superior ficando onde o fundo deveria ser, e espera que eu fique animado com isso. E a propósito — acrescentou — eu já vi melhores desenhos de rodas.
Will estava olhando criticamente sobre o desenho agora, tentando ver através dos olhos de Horace. Ele pensou que talvez seu amigo estivesse certo. Isso parecia um pouco estranho. Mas ele também pensava que Horace era muito critico.
— As rodas não estão tão ruins — ele disse finalmente.
Horace tomou o lápis dele e bateu na roda esquerda no desenho.
— Esta é maior do que a outra, pelo menos um quarto — disse ele.
— Isso é perspectiva — Will respondeu teimosamente. — A esquerda está mais perto, de modo que parece ser maior.
— Se é perspectiva, e será tão grande assim, o carrinho de mão teria de ter cerca de cinco metros de largura — disse Horace ele. — É isso que você está planejando?
Mais uma vez, Will estudou o desenho criticamente.
— Não. Pensei em talvez dois metros. E três metros de comprimento. — Ele rapidamente esboçou uma versão menor da roda esquerda, esfregando sobre a primeira tentativa que ele fez. — Está melhor?
— Poderia ser mais redonda — disse Horace. — Você nunca conseguiria fazer uma roda dessa forma rolar. É uma espécie pontiaguda no final.
O temperamento de Will queimava conforme ele decidia que seu amigo estava simplesmente fingindo ser estúpido para importuná-lo. Ele bateu o carvão em cima da mesa.
— Bem, tente você desenhar um círculo perfeito à mão livre! — Disse ele, irritado. — Veja quão bom você faria! Este é um desenho de conceito, é tudo. Ele não tem que ser perfeito!
Malcolm escolheu esse momento para entrar na sala. Ele tinha estado fora, verificando MacHaddish, certificando-se o general estava ainda firmemente preso ao enorme tronco que o mantivera prisioneiro. Ele olhou agora para o desenho conforme ele passava pela mesa.
— O que é isso? — perguntou ele.
— É um carrinho de mão — disse Horace ele. — Você fica embaixo dele, assim as lanças não vão bater em você, e você pode ir para uma caminhada.
Will olhou para Horace e decidiu ignorá-lo. Ele voltou sua atenção para Malcolm.
— Você acha que uma parte de seu pessoal poderia construir para mim uma coisa como essa? — perguntou.
O curandeiro franziu a testa, pensativo.
— Pode ser complicado — disse ele. — Temos alguns carros, mas as rodas são todas do mesmo tamanho. Você queria essa muito maior que a outra?
Will agora mudou seu olhar para Malcolm. Horace pôs a mão no rosto para cobrir o sorriso que estava querendo sair.
— Isso é perspectiva. Os bons artistas desenham usando perspectiva — Will disse, enunciando muito claramente.
— Ah. É? Bem, se você diz... — Malcolm estudou o esboço por um segundo a mais. — E você quer que eles tenham essa forma pontuda? Nossas rodas tendem a ser redondas. Eu não acho que essas iriam rolar muita facilidade, se isso é tudo.
Verdade seja dita, Malcolm estava ouvindo fora de casa por vários minutos e sabia o que os dois amigos estavam discutindo. Horace deu vazão a um ronco enorme e indelicado que definia o nariz em execução. Seus ombros estavam tremendo e Malcolm não poderia manter o seu próprio rosto em linha reta por mais tempo. Ele se juntou, e os dois riam incontrolavelmente.
Will os olhava friamente.
— Oh, sim. Extremamente divertido — disse ele. — Muito divertido. Por que eu treinei para ser um bardo, eu me pergunto, quando tivemos dois comediantes como vocês disponíveis? Agora eu sei — acrescentou ele, com muita ênfase: — Por que as pessoas chamam comediantes de loucos.
Horace e Malcolm, com um esforço supremo, conseguiram trazer o seu ronco e riso sob controle.
Malcolm enxugou os olhos.
— Aaah — disse a Horace — é bom começar o dia com uma risada.
— Já estamos no fim da manhã — Will ressaltou.
— Antes tarde do que nunca — Malcolm respondeu.
Will parecia prestes a dizer algo, mas Horace pensou que poderia ser tempo para voltar aos negócios.
— Will — disse ele mais sério — porque você não nos diz o que você supõe fazer com essa coisa?
Horace percebeu que a ideia seria boa, não importava o quão ruim o desenho poderia ser. Ele nunca tinha conhecido uma má ideia vinda de seu amigo.
— É para nos levar mais perto da muralha oeste — disse Will. — Com a nossa escada.
Horace olhou para o esboço de novo.
— Você pretende empurrar esse direto até a muralha? — perguntou. — E esta seção sobre teto é para nos proteger dos defensores acima, certo? — Ele balançou a cabeça. — Vai demorar muito, Will. Eles terão tempo de aviso, e assim que sairmos debaixo do telhado aqui, eles estarão prontos e esperando por nós.
— Eu sei disso — disse Will. — Mas como você apontou, se tentarmos correr a partir da linha das árvores para a muralha carregando uma escada, vai demorar muito tempo e eles vão ter tempo de voltar para essa muralha de novo e lutar conosco.
— Então? Correndo com essa... coisa... nos levará o dobro do tempo. Claro, nós vamos estar protegidos enquanto estivermos a caminho. Mas eu ainda não vejo...
Will o interrompeu.
— Eu pretendo nos levar a meio caminho da muralha — disse ele. — Então vamos providenciar um modo que uma das rodas quebre.
— Qual o sentido disso? — Malcolm perguntou.
— Deixe-me explicar desde o início — disse Will. — Montamos o carro na linha de árvore. Nós amarramos nossa escada em cima.
Rapidamente, ele desenhou em uma escada em cima do telhado.
— Então, no meio da tarde, Horace e eu e, digamos, quatro dos escandinavos ficaremos sob ela e começaremos a empurrá-lo para a muralha.
— No meio da tarde? — Horace. — É certo que eles vão nos ver! Eles vão atirar lanças e pedras em nós...
Will ergueu a mão por silêncio.
— Nós vamos continuar até estivermos a vinte metros do muro, então vamos quebrar a roda aqui. A coisa toda cederá para o lado. Os defensores vão pensar que eles atingiram algo crucial, ou que a coisa foi mal construída. Em qualquer caso, eles vão ver que estamos parados. Em seguida, as outras quatro pessoas correão como nunca de volta para as árvores. Nós vamos equipar algum tipo de armadura para protegê-los.
Malcolm balançou a cabeça.
— Isso parece justo — disse ele.
Mas Horace tinha notado uma omissão no plano de Will.
— Você disse que os outros quatro correm de volta. E nós?
Will sorriu para ele.
— Ficamos lá dentro, sob o carro. Eles não saberão que estamos lá porque não sabem quantas pessoas estavam escondidos sob ele em primeiro lugar.
O entendimento começou a despontar nos olhos de Horace agora.
— Então nós vamos estar a vinte metros do muro... com uma escada para escalar — disse ele suavemente.
Will assentiu, sua excitação evidente.
— Tudo o que temos a fazer é sentar calmamente por algumas horas. Por esse tempo, os destroços do carro e da escada vão se tornar parte da paisagem. Eles vão se acostumar a isso, então começarão a ignorá-lo. Então, quando Malcolm começar seu show ao sul a atenção de todos estiver distraída, partimos para fora e correremos para a muralha com a escada.
— Nós poderíamos fazer isso antes que alguém perceba — disse Horace.
— Essa é a intenção geral — Will disse, sorrindo.

5 comentários:

  1. Está é muito divertido, como as amizades devem ser...

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  2. Só sei que é a melhor série do mundo 🙏🏼🙈❤️

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  3. Que criatividade. Se dependesse de mim o país estaria ferrado kkkkkkkk. Estou amando a série ♥♡
    Ass:Lua

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  4. Na verdade eles copiaram o famoso Cacalo de Troia.
    Mas é interessante

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