1 de julho de 2016

Capítulo 25 - Túmulo perto do mar ressonante

Emma e Julian guiaram o caminho até a caverna, e Mark era o último da fila, deixando os outros no meio deles. Assim como da outra vez, o túnel era inicialmente estreito, o solo cheio de seixos irregulares. As pedras estavam bagunçadas agora, muitas delas chutadas de lado. Mesmo com a pouca luz – Emma não tinha ousado acender sua luz enfeitiçada – dava para ver onde o lodo que crescia pela caverna tinha sido arranhado por dedos humanos.
— Pessoas passaram por aqui mais cedo — murmurou ela. — Muitas pessoas.
— Seguidores? — A voz de Julian estava baixa.
Emma balançou a cabeça. Ela não sabia. Estava com frio, do tipo bom, o frio de batalha que saía do estômago e se espalhava. O frio que afiava seus olhos e parecia desacelerar o tempo ao seu redor, de modo que você tinha horas infinitas para corrigir um golpe de lâmina serafim, o ângulo de uma espada. Sentia Cortana entre as omoplatas, pesada e dourada, sussurrando com a voz da sua mãe. Aço e calma, filha.
Eles entraram na caverna de teto alto. Emma parou onde estava, e os outros se agruparam em volta dela. Ninguém disse nada.
A caverna não parecia como Emma se lembrava. Estava escura, dando a impressão de um imenso espaço se espalhando pela escuridão. Os portais tinham desaparecido. Marcadas na pedra da caverna, perto dela, viam-se as palavras do poema que tinha se tornado tão familiar a todos eles. Emma conseguia ver frases aqui e ali, brilhando para ela.

Eu era uma criança, e ela era uma criança.
Neste reino perto do mar,
Mas nos amávamos com um amor que era mais do que amor
Eu e minha Annabel Lee
Com um amor que os serafins alados do Paraíso
Cobiçavam nela e em mim.

Os serafins alados do Paraíso. Caçadores de Sombras.
A luz enfeitiçada de Julian brilhou em sua mão, iluminando o espaço, e Emma ficou sem ar.
Na frente deles, havia uma mesa de pedra. Batia na altura do peito, a superfície áspera e irregular. Parecia feita de lava negra. Um círculo amplo de giz branco, desenhado no chão, cercava a mesa.
Sobre ela, encontrava-se Tavvy. Ele parecia adormecido, o pequeno rosto suave e pálido, os olhos fechados. Estava com os pés descalços, e os pulsos e calcanhares presos em correntes fixadas por arcos de ferro aos pés da mesa de pedra.
Uma vasilha de metal, com respingos de manchas terríveis, tinha sido colocada ao lado de sua cabeça. Perto desta, uma faca de cobre com dentes irregulares. A luz enfeitiçada cortou as sombras que pareciam dominar o recinto, como uma coisa viva. Emma ficou imaginando qual o verdadeiro tamanho da caverna e quanto era apenas ilusão.
Livvy chamou o nome do irmão e correu para a frente. Julian a segurou, puxando-a para trás. Ela se debateu incrédula na mão dele.
— Precisamos salvá-lo — sibilou ela. — Temos que chegar a ele...
— Tem um círculo de proteção. — Julian sussurrou de volta. — Desenhado em volta dele no chão. Se você atravessá-lo, pode morrer.
Alguém estava murmurando suavemente. Cristina, rezando.
Mark tinha enrijecido.
— Quietos — disse ele. — Vem vindo alguém.
Fizeram o melhor que puderam para se esconder de volta nas sombras; até Livvy, que não tinha parado de se debater. A luz enfeitiçada de Julian apagou.
Um vulto tinha aparecido, vindo da escuridão. Alguém com uma longa túnica preta e um capuz escondendo o rosto. Uma pessoa alta com mãos cobertas por luvas pretas. Ele sempre apareceu de túnica, com luvas e capuz, entendeu? Completamente coberto.
O coração de Emma começou a acelerar.
Um vulto se aproximou da mesa, e o círculo de proteção se abriu como uma fechadura, símbolos sumindo e desbotando como se houvesse um espaço para atravessar. Com a cabeça baixa, a figura se aproximou de Tavvy.
E chegou bem perto. Emma sentiu os Blackthorn ao seu redor, o medo que os dominava parecia uma criatura viva. Ela sentiu o gosto de sangue na boca; estava mordendo o lábio, queria muito se jogar para a frente, riscar o círculo, pegar Tavvy e correr.
Livvy se libertou de Julian e correu para a caverna.
— Não! — gritou. — Fique longe do meu irmão, ou vou acabar com você, vou acabar...
O vulto congelou. Lentamente, levantou a cabeça. O capuz caiu para trás, e cabelos longos, cacheados e castanhos se soltaram. Uma tatuagem familiar de carpa brilhou contra a pele morena.
— Livvy?
— Diana? — falou Ty, verbalizando a incredulidade da irmã. O golpe silenciara Livvy.
Diana se afastou da mesa, encarando-os.
— Pelo Anjo! — Ela respirou. — Quantos de vocês estão aqui?
Fui Julian que falou. A voz dele estava normal, apesar de Emma conseguir sentir o esforço que ele fazia para mantê-la assim. Diego estava inclinado para a frente, com os olhos cerrados. Jace Herondale e os Lightwood foram traídos pelo próprio tutor.
— Todos nós — disse Julian.
— Até Dru? Você não sabe o quanto isso é perigoso... Julian, você tem que tirar todo mundo daqui.
— Não sem Tavvy. — Emma se irritou. — Diana, que diabos você está fazendo aqui? Você disse que estava na Tailândia.
— Se estava, ninguém do Instituto de Bangkok sabia — disse Diego. — Eu chequei.
— Você mentiu para nós — acusou Emma. Ela se lembrou de Iarlath dizendo: Caçadores de Sombras tolos, ingênuos demais até para saber em quem confiar. Será que ele estava se referindo a Malcolm ou Diana? — E você praticamente não ficou aqui durante toda essa investigação, como se estivesse escondendo alguma coisa de nós...
Diana se encolheu.
— Emma, não, não é isso.
— Então o que é? Porque não consigo imaginar que possível razão você teria para estar aqui...
Ouviu-se um barulho. Passos se aproximando, vindo das sombras. Diana esticou a mão.
— Para trás... fiquem longe...
Julian agarrou Livvy, puxando a irmã de volta para as sombras no mesmo instante que Malcolm apareceu.
Malcolm.
A aparência era a mesma de sempre. Um pouco desalinhado, com jeans e uma jaqueta branca de linho que combinava com o cabelo. Na mão, trazia um grande livro preto, amarrado com uma fita de couro.
— É você — sussurrou Diana.
Malcolm olhou calmamente para ela.
— Diana Wrayburn — falou. — Ora, ora. Eu não esperava vê-la aqui. Achei que tivesse fugido.
Diana o encarou.
— Eu não fujo.
Ele pareceu olhar novamente para ela, para ver o quão próxima de Tavvy ela estava. E franziu o rosto.
— Afaste-se do menino.
Diana não se mexeu.
— Afaste-se — repetiu o feiticeiro, guardando o Volume Negro no casaco. — Ele não é nada para você. Você não é uma Blackthorn.
— Sou tutora dele. Ele cresceu sob os meus cuidados.
— Ora, vamos — disse Malcolm. — Se você se importasse com essas crianças, teria assumido o posto de diretora do Instituto há muitos anos. Mas suponho que todos saibamos por que você não o fez.
Malcolm sorriu. E transformou todo o rosto. Se Emma ainda tinha dúvidas quanto a sua culpa, quanto ao que Kieran contou, elas desapareceram naquele instante. Suas feições inconstantes, divertidas, pareceram endurecer. Havia crueldade naquele sorriso, emoldurada por um fundo de perda ecoante e rasa.
Um brilho se ergueu da mesa, uma explosão de fogo. Diana gritou e cambaleou para trás, para fora do círculo de proteção. Ele se fechou atrás dela.
Ela se levantou e se jogou na direção de Tavvy, mas dessa vez o círculo se manteve; Diana bateu nele como se fosse uma parede de vidro, e a força a fez cambalear para trás.
— Coisas humanas não podem atravessar esta barreira — explicou Malcolm. — Suponho que você tivesse um amuleto para atravessar da primeira vez, mas não vai funcionar de novo. Deveria ter ficado longe.
— Você não espera realmente ser bem-sucedido nisso, Malcolm. — Diana arfou. Ela segurava o braço esquerdo com o direito; a pele parecia queimada. — Se matar um Caçador de Sombras, os Nephilim vão persegui-lo pelo resto de seus dias.
— Eles me caçaram há 200 anos. E foi ela que mataram — disse Malcolm, e a palpitação de emoção na voz dele foi algo que Emma nunca tinha ouvido antes. — E não tínhamos feito nada. Nada. Não os temo, nem sua justiça injusta ou as leis ilegais.
— Entendo sua dor, Malcolm — disse Diana cuidadosamente. — Mas...
— Entende? Entende, Diana Wrayburn? — Ele rosnou, em seguida a voz suavizou. — Talvez entenda. Você conheceu a injustiça e a intolerância da Clave. Se você, ao menos, não tivesse vindo para cá... São os Blackthorn que desprezo, não os Wrayburn. Sempre gostei de você.
— Você gostava de mim porque achava que meu medo da Clave me impediria de observá-lo — disse Diana, dando as costas para ele. — De desconfiar de você. — Por um instante ela olhou para Emma e os outros. Ela moveu os lábios e disse CORRAM silenciosamente, antes de virar-se novamente para Malcolm.
Emma não se mexeu, mas ouviu um movimento atrás de si. Foi baixo; se ela não estivesse com um símbolo que aguçava sua audição, teria sido inaudível.
Para sua surpresa, o movimento foi Julian, desaparecendo de seu lado. Mark foi em seguida. Silenciosamente, eles voltaram para o túnel.
Emma queria chamar Julian – o que ele estava fazendo? – mas não podia, não sem chamar a atenção de Malcolm. O feiticeiro continuava indo na direção de Diana; em um instante estaria onde podia vê-los. Ela colocou a mão no cabo de Cortana. Ty estava agarrando uma faca, com as juntas brancas; Livvy empunhava o sabre, o rosto firme e determinado.
— Quem lhe contou? — perguntou Malcolm. — Foi Rook? Não achei que ele fosse adivinhar. — Ele inclinou a cabeça para o lado. — Não. Você não tinha certeza quando chegou aqui. Você desconfiava... — A boca de Malcolm se curvou para baixo nos cantos. — Foi Catarina, não foi?
Diana estava com os pés separados, a cabeça para trás. Postura de guerreira.
— Quando a segunda linha do poema foi decifrada e ouvi “sangue Blackthorn”, percebi que não estávamos procurando um assassino de mundanos e fadas. Isso era com a família Blackthorn. E não tem ninguém mais propenso a saber sobre uma mágoa antiga do que Catarina. Eu a procurei.
— E você não podia contar aos Blackthorn onde tinha ido pois isso implicaria em por que conhece Catarina — disse Malcolm. — Ela é uma enfermeira, uma enfermeira de mundanos. Como você acha que descobri...?
— Ela não lhe contou sobre mim, Malcolm. — Diana se irritou. — Ela guarda segredos. O que me contou sobre você foi simplesmente o que sabia: que você amou uma garota Nephilim e que ela havia se tornado uma Irmã de Ferro. Ela jamais questionou a história, pois, até onde sabia, você nunca questionou a história. Mas uma vez que ela me revelou isso, eu pude verificar com as Irmãs de Ferro. Nenhuma garota Nephilim com essa história se tornou uma delas. E uma vez que descobri que isso era mentira, o restante começou a se encaixar. Eu me lembrei do que Emma dissera sobre o que descobriu: as roupas, o candelabro. Catarina foi ao Labirinto Espiral, e eu vim até aqui...
— Então Catarina lhe deu o amuleto para entrar no círculo de proteção — disse Malcolm. — É uma pena que o tenha desperdiçado. Você tinha algum plano, ou simplesmente correu em pânico para cá?
Diana não disse nada. Seu rosto parecia esculpido em pedra.
— Sempre tenha um plano — avisou Malcolm. — Eu, por exemplo, passei anos formulando meu plano atual. E agora você está aqui, a notória mosca no mel. Suponho que não possa fazer nada, além de matá-la, apesar de eu não ter planejado isso, e apesar de que expô-la à Clave seria muito mais divertido...
Algo prateado brotou da mão de Diana. Uma estrela de arremesso afiada. Voou para cima de Malcolm; em um momento, ele estava no caminho, no outro, do outro lado do recinto. A estrela de arremesso atingiu a parede da caverna e caiu no chão, onde ficou brilhando.
Malcolm emitiu um sibilo, como um gato raivoso. Faíscas voaram de seus dedos. Diana foi erguida para o ar e arremessada contra a parede, depois, para o chão, com os braços grudados nas laterais do corpo. Ela rolou e se sentou, mas, quando tentou levantar, os joelhos dobraram. Ela lutou contra as amarras invisíveis.
— Você não vai conseguir se mover — disse Malcolm, com a voz entediada. — Está paralisada. Eu poderia tê-la matado instantaneamente, é claro, mas, bem, esse é um truque e tanto que vou executar, e todo truque precisa de plateia. — De repente, ele sorriu. — Suponho que eu não deva me esquecer da plateia que tenho. E que eles não são muito vivazes.
No mesmo instante a caverna se encheu de luz. As sombras espessas atrás da mesa dissolveram, e Emma pôde ver que a caverna era muito ampla – havia assentos, como bancos de igreja, em fileiras ordenadas, e eles estavam cheios de pessoas.
— Seguidores. — Ty suspirou. Ele só os tinha visto antes pela janela do Instituto, Emma pensou, e ficou imaginando o que ele estaria achando deles de perto. Era estranho pensar que Malcolm liderara todas essas pessoas, que tinha tanto poder sobre elas que elas faziam qualquer coisa por ele; Malcolm, que todos eles consideravam meio bobão, uma pessoa que amarrava os próprios cadarços um no outro.
Os Seguidores estavam imóveis, os olhos arregalados, as mãos nos colos, como uma fileira de bonecas. Emma reconheceu Belinda e alguns dos outros que tinham ido buscar Sterling. As cabeças estavam inclinadas para o lado – um gesto de interesse, Emma pensou, até perceber a estranheza do ângulo e saber que não era o fascínio que os mantinha imóveis. Era que os pescoços estavam quebrados.
Alguém avançou e colocou a mão no ombro de Emma. Foi Cristina.
— Emma — murmurou ela. — Precisamos atacar. Diego acha que podemos cercar Malcolm, que uma quantidade suficiente de nós poderia derrubá-lo...
Emma ficou paralisada. Ela queria correr para a frente, atacar Malcolm. Mas estava sentindo algo no fundo da mente, uma voz insistente, mandando esperar.
Não era medo. Não era a própria hesitação. Se ela não tivesse alguma dúvida, se não achasse que isso significava que estava enlouquecendo, teria dito que se tratava da voz de Julian. Emma, espere. Por favor, espere.
— Espere — sussurrou ela.
— Esperar? — A ansiedade de Cristina era palpável. — Emma, precisamos...
Malcolm entrou no círculo. Ele estava perto dos pés de Tavvy, descalços e vulneráveis à luz. Ele esticou o braço para o objeto coberto ao pé da mesa e puxou o tecido de cima.
Era o candelabro do qual Emma se lembrava, o de bronze que estava sem velas. Tinha se tornado algo muito mais macabro. Em cada ponta havia uma mão cortada, na altura do pulso. Dedos rijos e mortos se esticando para o teto. Uma das mãos tinha um anel com uma pedra cor-de-rosa brilhante. A mão de Sterling.
— Sabe o que é isso? — perguntou Malcolm, com uma nota de arrogância na voz. — Sabe, Diana?
Diana olhou para cima. Seu rosto estava inchado e vermelho. Ela falou em um sussurro rouco:
— Mãos da Glória.
Malcolm pareceu satisfeito.
— Levei um bom tempo para entender que era disso que eu precisava — falou ele. — Por isso a minha tentativa com a família Carstairs não funcionou. O feitiço pedia mandrágora, e demorei um bom tempo para perceber que a palavra “mandrágora” se referia a main de gloire, uma Mão da Glória. — Ele sorriu, verdadeiramente contente. — A mais negra magia negra.
— Pela forma como são feitas — disse Diana. — São mãos de assassinos. Mãos de matadores. Só a mão que tirou uma vida humana pode se tornar uma Mão da Glória.
— Ah. — O pequeno engasgo na escuridão foi Ty, seus olhos arregalados e espantados. — Entendi agora. Entendi.
Emma se virou para ele. Estavam grudados na parede oposta do túnel, olhando um para o outro. Livvy estava ao lado de Ty, Diego do outro. Dru e Cristina estavam ao lado de Emma.
— Diego disse que era estranho — continuou Ty com um sussurro — que as vítimas fossem tão misturadas; humanos, fadas. É porque as vítimas não tinham a menor importância. Malcolm não queria vítimas, ele queria assassinos. Por isso os Seguidores precisavam de Sterling de volta, e por isso Belinda cortou as mãos dele e foi embora com elas. E por isso Malcolm a deixou. Ele precisava das mãos do assassino, as mãos com que mataram, para poder fazer isso. Belinda pegou as duas mãos porque não sabia qual ele usara para matar, e não podia perguntar.
Mas por quê? Emma queria perguntar. Por que a queimadura, o afogamento, as marcações, os rituais? Por quê? Mas temia que, se abrisse a boca, um grito de ódio sairia.
— Isso é errado, Malcolm. — A voz de Diana estava engasgada, porém, firme. — Passei dias falando com pessoas que o conhecem há anos. Catarina Loss. Magnus Bane. Eles disseram que você era um homem bom, carismático. Não pode ser tudo mentira.
— Mentira? — A voz de Malcolm se elevou. — Você quer falar sobre mentiras? Eles mentiram para mim sobre Annabel. Disseram que ela tinha se tornado uma Irmã de Ferro. Todos eles me contaram a mesma mentira: Magnus, Catarina, Tessa. Foi de uma fada que eu descobri que tinham mentido. Foi de uma fada que descobri o que realmente acontecera com Annabel. Àquela altura ela já tinha morrido há muito tempo. Os Blackthorn, matando um deles!
— Isso foi há muitas gerações. O menino que acorrentou a essa mesa nunca conheceu Annabel. Não são essas as pessoas que o machucaram, Malcolm. Não foram eles que tiraram Annabel de você. Eles são inocentes.
— Ninguém é inocente! — gritou Malcolm. — Ela era uma Blackthorn! Annabel Blackthorn! Ela me amava, e eles a levaram... levaram e emparedaram, e ela morreu lá no túmulo. Eles fizeram isso comigo, e eu não perdoo! Jamais perdoarei! — Ele respirou fundo, claramente se forçando a ficar calmo. — Treze Mãos da Glória — emendou. — E sangue Blackthorn. Isso vai trazê-la de volta, e ela ficará comigo outra vez.
Ele virou as costas para Diana, ficando de frente para Tavvy; pegou a faca sobre a mesa, perto da cabeça do menino.
A tensão no túnel foi súbita, silenciosa e explosiva. Mãos alcançaram armas. Garras cerraram sobre cabos. Diego ergueu seu machado. Cinco pares de olhos se viraram para Emma.
Diana se debateu ainda mais desesperadamente quando Malcolm levantou a faca. Luz faiscou dela, estranhamente linda, iluminando as linhas do poema na parede.
Mas nos amávamos com um amor que era mais do que amor...
Julian, pensou Emma. Julian, não tenho escolha. Não podemos esperar por você.
Vão — sussurrou ela, e eles explodiram do túnel: Ty e Livvy, Emma e Cristina, todos eles; Diego correndo direto para Malcolm.
Por uma fração de segundo Malcolm pareceu surpreso. Ele derrubou a faca; ela atingiu o chão e, por ser feita de cobre macio, a lâmina dobrou. Malcolm ficou olhando para ela, depois para os Blackthorn e seus amigos... e começou a rir. Ele estava, rindo, no meio do círculo de proteção, enquanto corriam para cima dele; e um por um foram derrubados pela força da parede protetora invisível. Diego manejou seu machado de batalha. O machado bateu no ar como se tivesse atingido aço e ricocheteou.
— Cerquem Malcolm! — gritou Emma. — Ele não pode ficar na área protegida para sempre! Cerquem-no!
Eles se espalharam, cercando os símbolos protetores no chão. Emma se viu diante de Ty, com a faca na mão; ele olhava para Malcolm com uma expressão peculiar no rosto: parte incompreensão, parte ódio.
Ty entendia o que era fingir, fazer de conta. Mas traição no grau praticado por Malcolm era outra coisa. A própria Emma não conseguia entender e ela tinha tido uma visão clara do tipo de traição que as pessoas eram capazes de cometer quando viu a Clave exilar Helen e abandonar Mark.
— Uma hora você terá que sair daí — disse Emma. — E quando o fizer...
Malcolm se abaixou e pegou a faca danificada do chão. Quando se esticou, Emma viu que seus olhos tinham cor de feridas.
— Quando eu sair, você estará morta! — disparou, e se virou para esticar a mão para a fileira de mortos. — Levantem-se! — ordenou Malcolm. — Meus Seguidores, levantem-se!
Houve uma série de resmungos e rangidos. Através da caverna os Seguidores mortos começaram a se levantar. Eles não se moveram nem estranhamente devagar, nem estranhamente rápido, mas com uma determinação firme. Não pareciam armados, mas ao se aproximarem da câmara principal, Belinda – com os olhos brancos e vazios, a cabeça inclinada para o lado – se jogou em cima de Cristina. Seus dedos estavam curvados feito garras, e, antes que Cristina pudesse reagir, Belinda já tinha aberto cortes ensanguentados em seu rosto.
Com um grito de nojo, Cristina empurrou o cadáver para longe, cortando a garganta de Belinda com seu canivete borboleta.
Não fez a menor diferença. Belinda se levantou de novo, o corte na garganta sem sangue e bem aberto, e avançou para cima de Cristina. Antes que ela pudesse dar mais um passo, viu-se um lampejo prateado. O machado de Diego cantou, atacando para a frente, cortando a cabeça de Belinda do pescoço. O corpo decapitado caiu no chão. O machucado continuava sem sangrar; parecia cauterizado.
— Atrás de você! — gritou Cristina.
Diego se virou. Atrás dele, mais dois seguidores esticavam os braços para alcançá-lo e arranhá-lo. Ele girou em um arco veloz, seu machado levando as duas cabeças de uma vez.
Houve um barulho atrás de Emma. No mesmo instante, ela calculou onde o Seguidor atrás dela estaria; então pulou, girou, chutou e o derrubou. Era o clarinetista de cabelos cacheados. Ela golpeou para baixo com Cortana, arrancando a cabeça do corpo.
Emma pensou nele dando uma piscadela para ela no Teatro da Meia-Noite. Nunca soube o nome dele, pensou, e depois girou novamente.
O recinto estava um caos. Do jeito que Malcolm devia querer, os Caçadores de Sombras abandonaram o perímetro de proteção do círculo para combater os Seguidores.
Malcolm ignorava tudo que estava acontecendo ao seu redor. Ele tinha pegado o candelabro com as Mãos da Glória e o havia carregado para a cabeceira da mesa. Pousou-o ao lado de Tavvy, que continuava dormindo, com um rubor rosado nas bochechas.
Dru tinha corrido para Diana e estava lutando para ajudá-la a se levantar. Quando uma Seguidora se aproximou delas, Dru girou e atravessou a mulher com sua lâmina. Emma a viu engolir em seco quando o corpo caiu, e percebeu que era a primeira vez que Dru matava alguém em batalha – mesmo que o alguém em questão já estivesse morto.
Livvy lutava gloriosamente, golpeando e combatendo com seu sabre, empurrando os Seguidores em direção a Ty. Ele empunhava uma lâmina serafim, ama que ardia brilhante em sua mão. Quando um Seguidor louro deu um encontrão nele, de enfiou a lâmina na nuca do morto.
Ouviu-se um ruído estalado quando a lâmina serafim tocou a carne e o Seguidor começou a queimar. Ele cambaleou para longe, arranhando a pele que ardia, antes de cair no chão.
— Lâminas serafim! — gritou Emma. — Todo mundo! Usem suas lâminas serafim!
Luzes brilharam pela caverna, e Emma ouviu o murmúrio de vozes chamando os nomes de anjos. Jophiel, Remiel, Duma. Pelo nevoeiro de luz, da viu Malcolm com a faca de cobre amassada. Ele passou a mão pela lâmina e ela se esticou sob seus dedos, tão afiada quanto originalmente fora. Ele colocou a ponta na garganta de Tavvy e cortou para baixo, rasgando a camiseta de Batman do garotinho. O algodão gasto enrolou ao se abrir, revelando o peito magro e vulnerável.
O mundo de Emma pareceu ruir. No caos do local, da continuava lutando, a lâmina serafim ardendo ao enfiá-la em um Seguidor, depois, dois, depois, três. Os corpos caíram ao seu redor.
Ela tentou passar por eles, em direção a Tavvy, ao mesmo tempo que ouviu a voz de Julian. Ela girou, mas não conseguiu vê-lo – e mesmo assim a voz dele estava clara em seus ouvidos, dizendo, Emma, Emma, para o lado, para longe do túnel.
Ela pulou para o lado, evitando o corpo de um Seguidor abatido, no instante que ouviu um novo barulho: o trovão de cascos. Um som perfurou a caverna, algo entre um uivo e o soar de um sino enorme. Ecoou brutalmente das paredes, e até Malcolm levantou o olhar.
Lança do Vento explodiu pela boca do túnel. Julian estava montado nele, com as mãos enterradas na crina do cavalo. Mark sentava atrás dele, agarrando o cinto do irmão. Pareceram o borrão de uma única pessoa quando Lança do Vento saltou.
Malcolm ficou boquiaberto quando o cavalo veio pelo ar, estilhaçando a barreira protetora. Enquanto Lança do Vento se lançava sobre a mesa, Julian saltou das costas do cavalo, caindo pesadamente na superfície lisa de pedra ao lado de Tavvy. Emma sentiu a dor do impacto terrível no próprio corpo. Mark continuou montado quando Lança do Vento passou pela mesa e aterrissou do outro lado do círculo. O círculo, agora rompido, começou a se contorcer como uma serpente iluminada, os símbolos brilhando um por um e, em seguida, se apagando.
Julian estava se ajoelhando. Malcolm rosnou e tentou alcançar Tavvy – exatamente quando uma figura caiu do teto e o derrubou no chão.
Era Kieran. Os cabelos brilhavam em azul-esverdeado, e ele ergueu uma lâmina que tinha a mesma cor marinha. Ele atacou para baixo, na direção do peito de Malcolm, mas o feiticeiro repeliu suas mãos. Luz roxo-escura explodiu de suas palmas, jogando Kieran para trás. Malcolm se levantou, o rosto retorcido em um rosnado de ódio. Ele esticou a mão para reduzir Kieran a pó.
Lança do Vento soltou um grito. O cavalo girou, com os cascos erguidos, e deu um coice nas costas de Malcolm; de algum jeito, Mark continuou montado.
O feiticeiro voou. O cavalo, de olhos vermelhos arregalados, recuou e bufou. Mark, agarrando um punhado da crina de Lança do Vento, se inclinou para baixo, com a outra mão esticada para Kieran.
— Segure. — Emma o ouviu dizer. — Kieran, segure a minha mão. — Kieran esticou o braço, e Mark o puxou para cima, trazendo-o para as costas de Lança do Vento. Eles viraram e avançaram para cima de um grupo de Seguidores; o cavalo os espalhou, Mark e Kieran se esticando para acabar com os mortos-vivos com golpes de espadas.
Malcolm se arrastava para ficar de pé. Seu casaco outrora branco agora estava inteiramente manchado de terra e sangue. Ele foi para cima da mesa, onde Julian estava ajoelhado sobre Tavvy, puxando as correntes que o prendiam. O círculo de proteção que os cercava continuava crepitando. Emma respirou fundo e correu para a mesa, saltando no ar.
Ela sentiu um estalo de eletricidade em ondas ao passar pelo círculo rompido, abaixou e pulou para cima. Emma aterrissou na mesa, ajoelhada, ao lado de Julian.
— Afaste-se! — Foi tudo que ela teve tempo de dizer, arfando. — Julian, afaste-se!
Ele rolou para longe do irmão, apesar de ela saber que deixar o irmão era a última coisa que ele queria fazer. Ele deslizou para a borda da mesa e se ajoelhou, inclinando-se para trás. Confiando em Emma. Dando espaço a ela.
Uma lâmina feita pelo Ferreiro Wayland pode cortar qualquer coisa.
Ela empunhou Cortana a alguns centímetros do pulso de Tavvy. A ponta da lâmina cortou a corrente, que caiu de lado, tilintando. Ela ouviu Malcolm gritar, e um clarão de fogo violeta dividiu o recinto.
Emma atacou novamente com Cortana, partindo as outras correntes que prendiam Tavvy à mesa.
— Vá! — gritou para Julian. — Tire-o daqui!
Julian pegou o irmão caçula no colo. Octavius estava flácido, com os olhos revirados. Julian saltou da mesa.
Emma não o viu desaparecer pelo túnel; ela já havia girado outra vez. Mark e Kieran estavam encurralados em uma ponta da sala por um grupo de Seguidores. Diego e Cristina em outro.
Malcolm ia para cima de Ty e Livvy. Ele ergueu a mão outra vez – e uma pequena figura voou para cima dele, segurando uma lâmina serafim que ardia.
Era Dru.
— Fique longe deles! — gritou a menina, a lâmina brilhando entre eles. — Fique longe do meu irmão e da minha irmã!
Malcolm rosnou, curvando o dedo em direção a ela. Uma corda de luz roxa se enrolou em volta das pernas de Dru, puxando-a para o chão. A lâmina serafim rolou para longe, batendo na pedra.
— Ainda preciso de sangue Blackthorn — disse Malcolm, tentando alcançá-la. — E o seu vai funcionar tão bem quanto o do seu irmão. Aliás, você parece ter mais sangue do que ele...
— Pare! — gritou Emma.
Malcolm olhou para ela... e congelou. Emma estava de pé sobre a mesa de pedra. Uma das mãos empunhava Cortana. A outra segurava o candelabro das Mãos da Glória.
— Você levou um bom tempo para juntar todas essas, não? — perguntou ela com a voz fria. — As mãos de treze assassinos. Nada fácil.
Malcolm soltou Dru, e ela foi para o lado oposto da caverna, mexendo no cinto para pegar outra arma. O rosto do feiticeiro se contorceu.
— Devolva — rosnou.
— Mande eles pararem — disse Emma. — Mande seus Seguidores pararem, e devolvo suas Mãos da Glória.
— Roube minha chance de recuperar Annabel e pagará com agonia — rosnou ele.
— Não pode ser pior do que a agonia de ouvir a sua voz — falou Emma. — Mande todos pararem ou cortarei essas coisas nojentas em pedacinhos. — Ela apertou o cabo de Cortana. — Vamos ver se você consegue fazer feitiços mágicos com restos.
O olhar de Malcolm varreu o recinto. Os corpos de seus Seguidores se espalhavam pela caverna, mas alguns continuavam de pé, prendendo Diego e Cristina no canto da sala. Mark e Kieran, montados em Lança do Vento, empunhavam suas lâminas. Os cascos do cavalo estavam manchados de vermelho-amarronzado por causa do sangue.
As mãos do feiticeiro estavam coladas nas laterais do corpo. Ele se virou e falou rápido algumas palavras em grego, e o restante dos Seguidores começou a cair, batendo no chão em seguida. Diego e Cristina correram para Dru; Kieran freou Lança do Vento, e a égua feda ficou parada enquanto os mortos caíam novamente.
Malcolm avançou para a mesa. Emma correu até a ponta, saltou e aterrissou com leveza no chão. Depois, continuou correndo.
Ela correu para as fileiras de assentos que tinham sido dispostas para os Seguidores, pelo corredor entre elas, e para as sombras. O brilho fraco de Cortana emitiu luz o suficiente para que ela conseguisse enxergar um caminho escuro entre as pedras, sinuoso, indo até a colina.
Ela foi para lá. Só o lodo brilhante nas paredes oferecia alguma luminosidade. Ela achou que estivesse enxergando um brilho ao longe e continuou, apesar do fato de que correr com um candelabro pesado fazia seu braço doer.
O corredor bifurcava. Ouvindo passos atrás de si, Emma foi para a esquerda. Ela só havia corrido uns poucos metros quando uma parede de vidro se ergueu diante dela.
O portal. Tinha se tornado maior, ocupando quase toda a parede. A enorme alavanca de que Emma se lembrava se projetava de uma pedra ao lado. O brilho do portal vinha de dentro dela, como um enorme aquário.
Por trás do vidro, dava para ver o mar – radiante, azul-esverdeado e escuro. Dava para ver os peixes, as algas e estranhas luzes e cores além do vidro.
— Ah, Emma, Emma — disse a voz de Malcolm atrás dela. — Você escolheu o caminho errado, não foi? Mas isso é uma afirmação que se pode fazer em relação a muitas coisas na sua vida.
Emma girou e ameaçou Malcolm com o candelabro.
— Fique longe de mim.
— Você faz alguma ideia do quanto essas mãos são preciosas? — Ele quis saber. — Para maior poder, elas tiveram que ser decepadas pouco depois dos assassinatos. Armar as mortes foi um feito de habilidade, ousadia e precisão. Você não pode acreditar no quanto me irritou quando você levou Sterling de mim antes que eu pudesse pegar a mão dele. Belinda teve que trazer as duas para que eu pudesse descobrir qual delas tinha sido o instrumento assassino. E depois Julian me pediu ajuda... um lance de sorte, devo dizer.
— Não foi sorte. Nós confiávamos em você.
— E um dia eu confiei em Caçadores de Sombras — disse Malcolm. — Todos cometemos erros.
Mantenha-o falando, pensou ela. Os outros vão vir atrás de mim.
— Johnny Rook disse que você o mandou me falar sobre a desova no Sepulcro — falou ela. — Por quê? Por que me colocar no seu rastro?
Ele deu um passo para a frente. Ela o ameaçou com o candelabro. Ele levantou as mãos, como se quisesse acalmá-la.
— Precisava distraí-los. Precisava que se concentrassem nas vítimas, não nos assassinos. Além disso, vocês tinham que saber da situação antes do comitê das fadas aparecer.
— Para pedir que investigássemos os assassinatos que você estava cometendo? O que você ganhava com isso?
— A certeza de que a Clave ficaria de fora — disse Malcolm. — Caçadores de Sombras sozinhos não me assustam, Emma. Mas um monte deles pode, de fato, virar bagunça. Conheço Iarlath há muito tempo. Sabia que ele tinha conexões na Caçada Selvagem e sabia que a Caçada Selvagem tinha algo que faria com que vocês movessem céus e terras para impedir que a informação chegasse à Clave e aos Irmãos do Silêncio. Nada contra o menino, em particular, pelo menos, o sangue Blackthorn dele é um pouco diluído pelo sangue de um bom e saudável integrante do Submundo. Mas eu conheço Julian. Eu sabia a quem ele daria prioridade, e não seria à Lei, nem à Clave.
— Você nos subestimou — disse Emma. — Nós descobrimos. Percebemos que era você.
— Achei que pudessem enviar um Centurião, mas nunca imaginei que ele seria um conhecido seu. Confiável o suficiente para se associarem a ele, apesar de Mark. Quando vi o menino Rosales, percebi que não tinha muito tempo. Eu sabia que teria que levar Tavvy imediatamente. Por sorte, tive a ajuda de Iarlath, que foi muito preciosa. Ah — explicou ele. — Fiquei sabendo das chicotadas. Sinto muito por isso. Iarlath tem as próprias formas de entretenimento, e não são as minhas.
— Você sente muito? — Emma ficou olhando incrédula para ele. — Você matou meus pais e está se desculpando? Preferia ser chicoteada mil vezes e ter meus pais de volta.
— Sei o que está pensando. Vocês Caçadores de Sombras todos pensam igual. Mas preciso que entenda... — Malcolm se interrompeu, o rosto mudando de expressão. — Se você entendesse — falou —, não me culparia.
— Então me diga o que aconteceu — pediu Emma. Ela via o corredor atrás dele, por cima do ombro e achou que podia distinguir formas, sombras ao longe. Se conseguisse mantê-lo distraído e os outros atacassem de trás...
— Você foi ao Reino das Fadas — emendou. — Quando descobriu que Annabel não era uma Irmã de Ferro. Que ela tinha sido assassinada. Foi assim que conheceu Iarlath?
— Ele era o braço direito do Rei Unseelie na época — disse Malcolm. — Quando fui, sabia que o Rei podia mandar me matar. Eles não gostam muito de feiticeiros. Mas não me importava. E quando o Rei me pediu um favor, eu fiz. Em troca, ele me deu o verso. Um feitiço feito especialmente para ressuscitar minha Annabel. Sangue Blackthorn. Sangue por sangue, foi o que o Rei disse.
— Então por que não a ressuscitou na época? Por que esperar?
— Magia das fadas e magia de feiticeiros são muito diferentes — explicou Malcolm. — Foi como traduzir algo de outra língua. Levei anos para decifrar o poema. Então percebi que estava me mandando encontrar um livro. Quase enlouqueci. Anos traduzindo, e tudo que consegui foi um enigma sobre um livro... — Seus olhos se fixaram nos dela, como se quisessem que da entendesse. — Foi por acaso que escolhi seus pais — falou. — Eles voltaram para o Instituto quando eu estava lá. Mas não deu certo. Eu fiz tudo que o livro de feitiços mandou, e Annabel não se mexeu.
— Meus pais...
— Seu amor por eles não era maior que o meu por Annabel — falou Malcolm. — Eu estava tentando tornar as coisas justas. Nunca foi uma questão de machucar você. Eu não odeio os Carstairs. Seus pais foram sacrifícios.
— Malcolm...
— Eles teriam se sacrificado, não teriam? — perguntou calmamente. — Pela Clave? Por você?
Uma raiva tão grande que chegava a entorpecer recaiu sobre Emma. Precisou de todo o esforço do mundo para ficar parada.
— Então esperou cinco anos? — Ela engasgou com a pergunta. — Por que cinco anos?
— Esperei até achar que tinha acertado o feitiço — respondeu Malcolm. — Usei o tempo para aprender. Para construir. Tirei o corpo de Annabel do túmulo e o trouxe para a convergência. Criei os Seguidores do Guardião. Belinda foi a primeira assassina. Segui o ritual, queimei e ensopei o corpo, talhei as marcações... e senti Annabel se mexer. — Os olhos dele brilharam, um azul-violeta de outro mundo. — Eu sabia que a estava trazendo de volta. Depois disso nada poderia me deter.
— Mas por que aquelas marcações? — Emma grudou na parede atrás dela. O candelabro estava pesado; o braço latejando. — Por que o poema?
— Porque era um recado! — gritou Malcolm. — Emma, para alguém que tanto falou em vingança, que viveu e respirou vingança, você não parece saber muito a respeito. Eu precisava que os Caçadores de Sombras soubessem. Eu precisava que os Blackthorn soubessem, quando o mais jovem deles estivesse morto, de quem foi a mão que deu o golpe. Quando alguém lhe faz mal, não basta que sofram. Precisam olhar nos seus olhos e saber por que estão sofrendo. Eu precisava que a Clave decifrasse esse poema e soubesse exata mente quem traria a destruição deles.
— Destruição? — Emma não conseguiu conter seu eco incrédulo. — Você está louco. Matar Tavvy não destruiria os Nephilim; e nenhum dos vivos sequer sabe sobre Annabel...
— E como você acha que me sinto com isso? — gritou ele. — O nome dela esquecido? O destino enterrado? Os Caçadores de Sombras a transformaram em uma história. Acho que alguns dos parentes dela enlouqueceram; não suportavam o que tinham feito com ela. Não podiam suportar o peso daquele segredo.
Faça-o continuar falando, pensou Emma.
— Se era um segredo, como Poe sabia? O Poema, Annabel Lee...
Algo lampejou por trás dos olhos de Malcolm, algo secreto e sombrio.
— Quando ouvi o poema, pensei que fosse uma coincidência doentia — disse ele. — Mas fiquei obcecado. Fui procurar o poeta, mas ele já estava morto. Annabel foi seu último poema. — A voz dele estava fria pelas lembranças. — Os anos se passaram e eu acreditava que ela estivesse na Cidadela Adamant. Era o que me confortava. Que ela estivesse viva, em algum lugar. Quando descobri, tentei negar, mas foi o poema que provou os fatos – Poe tinha descoberto a verdade com membros do Submundo e soube antes de mim: como eu e Annabel nos amamos quando crianças, que ela teria deixado os Nephilim por mim. Mas a família dela ficou sabendo e decidiu que a morte era preferível a viver com um feiticeiro. Eles a prenderam em uma tumba próximo ao mar da Cornualha, a prenderam lá viva. Mais tarde, quando movi o corpo de lugar, a mantive perto do oceano. Ela sempre amou a água.
A respiração dele vinha em soluços agora. Emma, sem conseguir se mexer, encarou Malcolm. A dor dele era tão brutal e real quanto se ele estivesse falando de algo que aconteceu na véspera.
— Eles me disseram que ela tinha se tomado uma Irmã de Ferro. Todos mentiram para mim; Magnus, Catarina, Ragnor, Tessa; corrompidos por Caçadores de Sombras, atraídos por suas mentiras! E eu, sem saber, sofrendo por ela, até finalmente descobrir a verdade...
Vozes repentinas ecoaram no corredor; Emma ouviu o barulho de pés correndo. Malcolm estalou os dedos. Luz violeta brilhou no túnel atrás deles, o brilho desbotando até se apagar e ficar mais opaco, solidificando-se em uma parede.
O ruído de vozes e passos desapareceu. Emma estava dentro de uma caverna fechada com Malcolm.
Ela chegou para trás, agarrando o candelabro.
— Vou destruir as mãos — alertou ela, o coração acelerado. — Eu vou fazer isso.
Fogo escuro brilhou das pontas dos dedos dele.
— Eu poderia libertá-la — disse ele. — Permitir que viva. Que nade pelo oceano como fez antes. Você poderia levar o meu recado. Meu recado para a Clave.
— Não preciso que me liberte. — Ela estava arfando. — Prefiro lutar.
O sorriso dele se contorceu, quase triste.
— Você e sua espada, independentemente da história dela, não fazem frente a um feiticeiro, Emma.
— O que você quer de mim? — exigiu ela, sua voz se elevando, ecoando das paredes da caverna. — O que você quer, Malcolm?
— Quero que entenda — disse ele entre dentes. — Quero que alguém diga a Clave o que eles causaram, quero que saibam que têm sangue nas mãos, quero que saibam por quê.
Emma encarou Malcolm, uma figura magra, alta, com um casaco branco manchado, faíscas dançando das pontas de seus dedos. Ele a assustava e a entristecia, ao mesmo tempo.
— Seus motivos não importam — disse ela afinal. — Talvez tenha feito o que fez em nome do amor. Mas, se acha que isso faz alguma diferença, não é melhor do que a Clave.
Ele foi em direção a ela – e Emma jogou o candelabro para cima dele, Malcolm desviou, e ela errou, atingindo o chão de pedra com um barulho. Os dedos das mãos cortadas pareceram se encolher, como se quisessem se proteger.
Emma afastou os pés, lembrando-se de Jace Herondale, há anos em Idris, ensinando a ela como se colocar de modo a nunca ser derrubada. Ela agarrou o cabo de Cortana com as mãos e, daquela vez, se lembrou de Clary Fairchild, e das palavras que havia lhe dito em Idris, quando Emma tinha 12 anos.
Heróis nem sempre são os que vencem. Algumas vezes são os que perdem. Mas continuam lutando, continuam voltando. Não desistem. É isso que faz deles heróis.
Emma foi para cima de Malcolm, com Cortana erguida. Ele reagiu com um segundo de atraso – brandindo a mão para ela, luz explodindo dos dedos. Chiou na direção dela, um raio de luz dourada e violeta.
O atraso deu tempo para ela desviar. Emma girou e ergueu Cortana por cima da cabeça. Magia irradiou da lâmina. Ela foi para cima de Malcolm outra vez, e ele desviou, mas não antes de rasgar a manga dele, logo acima do cotovelo. Ele mal pareceu perceber.
— A morte dos seus pais foi necessária — falou. — Eu precisava ver se o livro funcionava.
— Não, não precisava. — Emma rosnou, brandindo Cortana. — Você deveria saber que não se deve tentar despertar os mortos.
— Se Julian morresse, você não tentaria despertá-lo? — perguntou Malcolm, erguendo delicadamente as sobrancelhas. Emma se encolheu como se ele a tivesse estapeado. — Não traria sua mãe ou pai de volta? Ah, para você é muito fácil, como para todos os Caçadores de Sombras, aí parados, fazendo seus discursos moralizantes, como se fossem melhores do que o restante de nós...
— Eu sou melhor — falou Emma. — Melhor do que você. Porque não sou uma assassina, Malcolm.
Para surpresa da Emma, Malcolm recuou – um verdadeiro recuo de surpresa, como se ele nunca tivesse imaginado ser chamado de assassino.
Emma avançou, Cortana em riste. A espada penetrou o peito de Malcolm, cortando o casaco... e parou, como se ela tivesse esfaqueado um pedregulho.
Ela gritou de dor quando o que pareceu um raio de eletricidade subiu por seu braço. Emma ouviu Malcom rir: uma onda de energia disparou dos dedos esticados do feiticeiro, atingindo-a. Ela foi erguida e jogada para trás, magia rasgando-a como uma bala que abre um buraco em uma tela de papel. Ela bateu com as costas na pedra irregular atrás de si, Cortana ainda em sua mão inerte.
Uma dor vermelha por trás dos seus olhos. Através da névoa, ela via Malcolm sobre ela.
— Ah, isso foi ótimo. — Ele sorriu. — Foi incrível. Isso foi a mão de Deus, Emma!
Ele abriu o blazer, e Emma viu o que Cortana tinha atingido: o Volume Negro, guardado no bolso do casaco.
Cortana caiu de sua mão, o metal batendo na pedra. Franzindo o rosto, Emma se levantou apoiando-se nos cotovelos, no mesmo instante em que Malcolm se abaixou para pegar o candelabro caído. Ele olhou para o objeto, depois para ela, seu sorriso ainda estampado no rosto.
— Obrigado — disse ele. — Estas Mãos da Glória teriam sido muito difíceis de substituir. Agora, sangue Blackthorn, isso vai ser fácil.
— Fique longe dos Blackthorn — falou Emma, e ficou horrorizada ao ouvir a fraqueza da própria voz. O que o Volume Negro tinha feito com ela? Parecia que seu peito tinha sido comprimido por alguma coisa muito pesada, e o braço ardia e doía.
— Você não sabe de nada. — Malcolm rosnou. — Você não sabe os monstros que eles são.
— Você — disse Emma, quase num sussurro —, você sempre os odiou? Julian e os outros?
— Sempre — respondeu. — Mesmo quando parecia que os amava.
O braço de Emma continuava ardendo, uma agonia que parecia penetrar na pele até o osso. A runa da Resistência parecia arder em chamas. Ela tentou não demonstrar no rosto.
— Que coisa horrível. Não é culpa deles. Você não pode culpá-los pelos pecados dos ancestrais.
— Sangue é sangue — disse Malcolm. — Todos somos o que nascemos para ser. Eu nasci para amar Annabel, e isso foi tirado de mim. Agora vivo apenas por vingança. Exatamente como você, Emma. Quantas vezes você me disse que tudo o que queria na vida era matar a pessoa que matou seus pais? O que você faria para ter isso? Será que abriria mão dos Blackthorn? Abriria mão do seu precioso parabatai? A pessoa por quem está apaixonada? — Os olhos dele brilharam quando ela balançou a cabeça em negação. — Por favor. Eu sempre vi o jeito como olhavam um para o outro. Depois Julian me disse que seu símbolo o curou do veneno beladona. Nenhum símbolo normal de Caçador de Sombras poderia ter feito isso.
— Não... prova nada... — Emma arfou.
— Prova? Você quer prova? Eu vi vocês dois. Na praia, dormindo nos braços um do outro. Fiquei parado, olhei para vocês e pensei em como seria fácil matá-los. Mas então percebi que seria misericordioso, não? Matar os dois enquanto estavam nos braços um do outro? Existe um motivo pelo qual não se pode se apaixonar por seu parabatai, Emma. E quando você descobrir qual é, sentirá a crueldade dos Caçadores de Sombras, exatamente como aconteceu comigo.
— Você é um mentiroso — disse ela com a voz mais fraca, suas palavras sumindo num sussurro. A dor em seu braço tinha desaparecido. Ela pensou em pessoas que sangravam quase até a morte, em como falavam que nos últimos momentos a dor desaparecia.
Sorrindo, Malcolm se ajoelhou ao lado dela. E lhe afagou a mão esquerda; os dedos de Emma tremeram.
— Deixe-me contar a verdade antes de você morrer, Emma — disse ele. — É um segredo sobre os Nephilim. Eles detestam o amor, o amor humano, porque nasceram dos anjos. E apesar de Deus ter encarregado seus anjos de cuidarem dos humanos, os anjos foram feitos antes e sempre detestaram a segunda criação de Deus. Por isso Lúcifer caiu. Ele era um anjo que não se curvava à Humanidade, o filho favorito de Deus. O amor é a fraqueza dos humanos, e os anjos os desprezam por isso; a Clave os despreza também, por isso, os punem. Você sabe o que acontece com dois parabatai que se apaixonam? Sabe por que é proibido?
Ela balançou a cabeça.
A boca de Malcolm formou em um sorriso. Havia algo naquele sorriso, tão fraco, e ao mesmo tempo tão carregado de ódio, que a gelou como nenhum de seus sorrisos jamais havia feito.
— Você não faz ideia do quanto seu amado Julian será poupado com a sua morte — disse ele. — Então, pense nisso quando a vida deixar seu corpo. De certa forma, sua morte é um ato de misericórdia. — Ele levantou a mão, fogo violeta começando a estalar entre os dedos.
Ele lançou sua magia contra ela. E Emma levantou o braço. O braço onde Julian tinha Marcado o símbolo de Resistência, o braço que ardia, doendo e gritando para ser usado desde que ela atingiu o Volume Negro.
Fogo bateu em seu braço. Ela sentiu como se fosse um golpe forte, mas nada mais. O símbolo de Resistência estava pulsando por seu corpo com seu poder, e junto com esse poder, cresceu a própria raiva.
Raiva por saber que Malcolm tinha matado seus pais, raiva pelos anos desperdiçados procurando o assassino quando ele sempre esteve na frente dela. Raiva por todas as vezes em que ele sorriu para Julian ou pegou Tavvy no colo enquanto o coração estava cheio de ódio. Raiva de mais uma coisa que tinha sido tirada dos Blackthorn.
Ela pegou Cortana e se ajoelhou, os cabelos voando ao enfiar a espada na barriga de Malcolm.
Daquela vez, não tinha o Volume Negro para bloquear seu golpe. Ela sentiu a lâmina entrar, sentiu rasgar a pele e atravessar o osso. Viu a ponta explodir pelas costas dele, o casaco branco manchado de sangue vermelho.
Emma se levantou, puxando a espada de volta. Ele fez um barulho engasgado. O sangue entornava no chão, escorrendo pela pedra, respingando nas Mãos da Glória.
— Isso é pelos meus pais — falou, empurrando o corpo de Malcolm com toda a força que podia contra a parede de vidro.
Ela sentiu as costelas dele estalarem quando o vidro atrás rachou. Água começou a vazar pelas fissuras. Ela sentiu respingar em seu rosto, salgada como lágrimas.
— Eu vou contar sobre a maldição dos parabatai. — Ele arfou. — A Clave nunca vai falar... é proibido. Mate-me e nunca saberá...
Com a mão esquerda, Emma puxou a alavanca.
Ela se jogou atrás da porta de vidro quando esta girou e a corrente invadiu. Movia-se como uma coisa viva – como um punho feito de água, formado pelo mar. Cercou Malcolm, e, por um instante congelado, Emma o viu ali com clareza, lutando com movimentos vãos, em um redemoinho de água; água que entornou pelo chão, água que o agarrou, cercando-o como uma rede inquebrável.
Levantou Malcolm do chão. Ele soltou um grito de pavor, e o oceano o levou, a corrente recuando com força e carregando-o junto. A porta se fechou com uma pancada.
O silêncio que a água deixou para trás era ensurdecedor. Exausta, Emma caiu contra o vidro do portal. Através dele dava para ver o oceano, da cor do céu noturno. O corpo de Malcolm era uma estrela branca pálida na escuridão, boiando entre as algas, e depois um tentáculo escuro e espinhoso subiu pelas ondulações e pegou Malcolm pelo calcanhar; seu corpo foi puxado para baixo e para fora de seu campo de visão.
Houve um lampejo brilhante. Emma virou e constatou que a parede de luz violeta atrás dela tinha desaparecido – feitiços desapareciam quando os feiticeiros que os realizavam morriam.
— Emma! — Ela ouviu passos no corredor. Das sombras, Julian apareceu. Viu a expressão de pavor dele quando a pegou, suas mãos fechando sobre o uniforme ensopado e manchado de sangue. — Emma, meu Deus, eu não conseguia chegar até você através da parede, eu sabia que estava aqui, mas não consegui salvá-la...
— Você me salvou — disse ela com a voz rouca, querendo mostrar para ele o símbolo de Resistência no braço, mas ela estava esmagada demais pelo abraço dele para conseguir se mexer. — Salvou. Você não sabe, mas me salvou.
E então ela ouviu as vozes deles. Os outros, vindo pelo corredor. Mark. Cristina. Diego. Diana.
— Tavvy — sussurrou ela. — Ele...
— Ele está bem. Está lá fora com Ty, Livvy e Dru. — Julian beijou sua têmpora. — Emma. — Seus lábios tocaram os dela, que sentiu um choque de amor e dor pelo corpo.
— Me solte — murmurou ela. — Você tem que me soltar, eles não podem nos ver assim. Julian, me solte.
Ele levantou a cabeça, com os olhos cheios de agonia e se afastou. Ela viu o quanto foi difícil para ele, viu o tremor em suas mãos quando Julian as abaixou para o lado. Sentiu o espaço entre eles como o espaço de um ferimento rasgado na pele.
Ela desgrudou os olhos dos dele e olhou para o chão. O soalho estava cheio de água do mar e sangue, batendo no calcanhar. Em algum lugar o candelabro de Malcolm flutuava sob a superfície.
Emma ficou satisfeita. O sal diluiria o monumento à morte nojento de Malcolm, dissolveria e limparia, e seriam ossos brancos, repousando como o corpo do feiticeiro repousou no leito do oceano. E, pela primeira vez, em um bom tempo, Emma se sentiu grata pelo mar.

7 comentários:

  1. Kieran e Mark OTP Supremo S2S2S2S2S2S2

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  2. qual será o segredo por trás das runas parabatai? Aparentemente elas são muito mais fortes se os dois estiverem apaixonados, mas por que? E por que meu Zeus eu tenho que esperar até 2018 pra ver eles juntos?! Lendo esse livro comecei a temer ainda mais o oceano.

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    1. O que?! Como vou sobreviver até 2018 sem saber o que acontece

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  3. — Sabe o que é isso? — perguntou Malcolm, com uma nota de arrogância na voz. — Sabe, Diana?
    Diana olhou para cima. Seu rosto estava inchado e vermelho. Ela falou em um sussurro rouco:
    — Mãos da Glória.

    Referências a HP <3

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    1. Onde fala em HP?
      Só me lembro da Mão da Glória em The Originals, e não deve ser a mesma coisa kk

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    2. Não sei... Talvez no cemitério em Calice de Fogo, ou no Ministério no quinto livro

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  4. Nossa. O Malcolm é muito problemático hein, culpando até o Tavvy só por ter sangue Blackthorn. Eles n tem nada a ver com os antepassados deles.
    E ai vc passa o livro inteiro achando q tinha uma razão pela morte dos pais da Emma e foi tudo pq ele queria saber se o feitiço funcionava. Um belo tapa na cara isso. A Emma deve tá se sentindo horrível.
    OTP supremo é Jemma.
    Será q a tia Cassie vai dar um jeito deles n serem mais parabatais e ai a Emma até acaba sendo parabatai da Cristina? Pq esse é o final q eu espero pro último livro u_u (seria demais esperar isso do segundo, infelizmente).

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