24 de julho de 2016

Capítulo 22

— Trobar seu idiota! — Rangeu Malkallam para seu assistente encolhido. — Eu disse para você estar aqui antes de anoitecer, antes que ele acordasse!
Ele apontou para o círculo escuro de árvores ao seu redor enquanto falava, e o pequeno grupo ouviu a profunda risada má novamente. Trobar abaixou a cabeça com vergonha e medo.
— De’cul’a, Se’or — disse ele miseravelmente.
Mas não havia perdão nos olhos brilhantes do feiticeiro.
— Desculpa? De nada adianta estar arrependido... Você o acordou, e agora eu devo proteger a todos nós.
O escandinavos ouviram de olhos arregalados para este intercâmbio. Talvez mais aterrorizante do que os acontecimentos na floresta, e do que aparência arcana de Malkallam foi seu tratamento insensível e implacável com Trobar. Os escandinavos tinham ficado na clareira tempo suficiente para saber que Malcolm tratava geralmente o gigante deformado com bondade e palavras suaves. Esta era uma pessoa completamente diferente.
Will, depois de ter recuperado um pouco de tranquilidade, agora que eles estavam fora das árvores, assistia com os olhos estreitados. Ele percebeu que Malcolm e Trobar estavam atuando para a causa de MacHaddish. Ele inclinou-se para Horace e sussurrou:
— Junte-se a ele.
Horace assentiu com a cabeça, mas ao som leve, Malkallam virou para eles, um braço estendido, o indicador adornado com uma unha longa apontando-os como uma seta.
— Silêncio, seus idiotas! Não é hora para conversa fiada! Serthrek’nish isawake!
E no nome, houve uma reação vinda de MacHaddish. O scotti deixou sair um grito involuntário de terror e caiu de joelhos, se debruçando sobre o tronco pesado que Trobar havia deixado cair. Malkallam pisou em direção a ele, de pé sobre a figura agachada enquanto falava.
— Sim, MacHaddish. O demônio escuro Serthrek’nish está nessa floresta, nos observando enquanto estamos aqui. Você sabe dele, eu acho? O triturador de corpos e arrancador de membros? A presa vermelha destruidora dos homens?
Ele fez uma pausa. Houve um soluço estrangulado do medo do scotti. Ele permaneceu curvado sobre o tronco pesado que segurava sua corrente, recusando-se a olhar para cima, como se estivesse com medo de que ele pudesse ver.
Malkallam continuou inexoravelmente.
— Só a luz do meu fogo está mantendo-o longe desta clareira. Mas Serthrek’nish não será afastado por muito tempo. Ele está reunindo a sua coragem agora, e ele sabe que o fogo vai morrer em breve.
Como que em resposta, uma gargalhada do fundo da garganta soou da escuridão de fora da clareira.
A cabeça de MacHaddish olhou para cima. Mesmo a vários metros de distância, Will podia ver o homem ficar pálido, os olhos aterrorizados contra a tinta azul que cobria seu rosto.
— Nós não temos tempo a perder. Eu tenho que construir o nosso perímetro defensivo — disse Malkallam.
Ele ignorou o olhar do general, apontando para seu assistente.
— Trobar! Leve aqueles homens lá!
Trobar levou os escandinavos a um ponto próximo à borda da clareira indicada por seu mestre.
Os lobos do mar pareciam aterrorizados na parede escura das árvores à medida que se aproximava. Eles teriam preferido ficar bem no meio da clareira, perto do fogo.
— Sentem-se — Malkallam lhes ordenou e, seguindo Trobar, sentaram-se de pernas cruzadas sobre o chão úmido.
O feiticeiro, em seguida, moveu-se em torno deles, murmurando encantamentos incompreensíveis conforme ele derramava pólvora negra de um saco em um grande círculo em torno deles.
— Não toque o círculo — ele os advertiu. — O ladrão de alma não pode tocá-los se o círculo é ininterrupto.
Ele foi até Will e Horace no outro ponto da clareira. Apontando-lhes para se sentar no chão, derramou mais pó preto dentro de um círculo em torno deles. Ele começou a resmungar novamente encantamentos conforme ele movia-se em torno de Will e Horace, em seguida, no meio de tudo isso, sem mudar a entonação ou volume, disse ele calmamente, em sua voz normal:
— Não tente adivinhar o que estou fazendo. Não discuta isso. Basta olhar assustado como a morte.
Will entendeu e fez um aceno quase imperceptível no retorno. Fazia sentido, ele percebeu. Se ele e Horace ficassem sentados com calma e analiticamente tentando adivinhar suas ações, iriam destruir o ambiente que ele estava trabalhando para criar.
Malkallam (era quase impossível pensar nele como Malcolm neste contexto) afastou-se deles agora e formou um outro círculo preto ao redor de MacHaddish. O scotti se recuperou um pouco agora e assistia o pó preto caindo em torno dele. Malkallam encontrou seu olhar quando ele completou o círculo.
— Você estará seguro se o círculo negr o estiver completo — disse ele. — Você entende?
MacHaddish assentiu com a cabeça, engolindo pesadamente. O rosto de Malkallam escureceu.
— Diga isso! — Ordenou. — Diga que você entendeu!
— Eu... entendo — disse o scotti.
Havia um forte sotaque em seu discurso que fez as palavras ficarem quase irreconhecíveis.
As sobrancelhas de Will dispararam. Foi a primeira vez que o scotti falou uma vez que havia sido capturado, o primeiro sinal de que ele entendia a língua de Araluen. Embora, ele pensou imediatamente, não faria sentido mandar alguém que não falava a língua para negociar com Keren.
Agora, não só MacHaddish tinha falado, ele tinha feito em resposta a uma ordem de Malkallam. Parecia que o feiticeiro estava começando a fazer valer o domínio sobre o duro scotti. Will olhou rapidamente para Horace, viu que os olhos do jovem guerreiro estavam abaixados, de cabeça baixa, e percebeu que ele estava olhando por demais interessados no processo. Ele copiou o exemplo de seu amigo e abaixou a cabeça, puxando o capuz de seu manto mais para frente. De dentro da sombra do capuz, ele poderia assistir Malkallam no trabalho sem arriscar ser visto.
A figura alta atravessou a clareira agora, reflexos do chapéu de prata cintilando através das árvores, e pegou um longo cajado de espinheiro-negro. A madeira estava retorcida e altamente polida pela movimentação constante ao longo dos anos. Ele segurou acima de sua cabeça.
— Os três círculos pretos estão completos — ele chamou para a floresta. — Eu tenho o cetro sagrado de madeira negra. Estamos protegidos contra você, Serthrek’nish!
Um rosnar irritado ressoou por entre as árvores na resposta. No lado sul da clareira, o lado que tinha abordado a partir de, houve um súbito clarão de luz vermelha quando algo brilhou entre as árvores. Então ele veio novamente, desta vez mais perto, circundando a clareira enquanto se movia para o oeste.
Malkallam se afastou das árvores em direção ao fogo no centro da clareira. Will olhou ao redor para os outros. Em seu círculo, Trobar e os escandinavos estavam com os olhos arregalados e fixos, seus olhos buscando as árvores para o próximo sinal de luz ou movimento. MacHaddish estava fazendo o mesmo. Will olhou para Malkallam e viu que ele estava assistindo MacHaddish cuidadosamente. Uma vez ele estava certo de que a atenção do scotti estava distraída, ele chegou em sua capa e pegou um pequeno pacote de um bolso interno. Aproximando-se do fogo, ele deixou cair o pacote na beirada das brasas.
Houve outro flash de vermelho nas árvores, movendo-se para o lado noroeste da clareira agora.
Em seguida, no local onde desapareceu, uma cortina fina de nevoeiro começou a se levantar do chão, apenas dentro da linha das árvores.
Malkallam começou a se afastar novamente, se movendo em direção a amontoada figura de MacHaddish.
— Fique para trás, Serthrek’nish! — Chamou. — As chamas do fogo e dos círculos de poder o proíbem de entrar nessa clareira!
No momento em que ele disse isso, houve um súbito surto de vermelho do fogo em si. Um flash vermelho saltou das chamas, seguido por uma espessa neblina vermelha que floresceu a partir do lado direito do fogo, no ponto, que Will percebeu, onde Malkallam tinha jogado o pequeno pacote apenas alguns segundos antes.
Os escandinavos, Trobar e MacHaddish gritaram em choque. Um pouco tardiamente, Will e Horace acrescentaram suas vozes para a reação. Então, conforme a propagação estranha nevoava vermelha sobre o fogo, as chamas começaram a diminuir como se estivesse sendo sufocadas. A clareira ficava mais escura enquanto as chamas morreram para baixo. A figura alta de Malkallam lançou uma distorcida sombra alongada em toda a terra e as árvores pareciam chegar mais perto deles.
— Pelas garras de Gorlog! — gritou um dos escandinavos. — Que diabo é isso?
Todos seguiram a orientação de seu braço apontando. Na borda do nevoeiro que estava nascendo entre as árvores para o norte, viram um súbito surto vermelho de luz. Mas isso era mais do que apenas luz. Esta era a forma de um rosto terrível, que aparecia em meio à neblina. Estava lá por um instante e, em seguida não, mas foi indelevelmente estava em suas memórias.
Um rosto triangular, com buracos ocos de olhos inclinados e uma boca preta em conjunto com longos dentes caninos. Gavinhas selvagens de barba cobriam o queixo, e o cabelo era uma massa vermelha de emaranhados, com dois chifres curvados visíveis através deles.
Em seguida, ele tinha ido embora e um riso dividia a noite. O riso correu ao redor do círculo de árvores que cercavam, e seus olhos seguiram o seu movimento involuntariamente.
Então, alto no céu acima da clareira, a face reapareceu, desta vez brilhando como se estivesse iluminada por uma luz interior. Ele voou baixo, em seguida, disparou pela clareira, subindo de volta para as árvores e parecendo explodir e desaparecer em uma chuva de faíscas que deixou a escuridão ainda mais negra conforme elas morriam.
Malkallam recuara quando a aparição mergulhou sobre a cabeça, em seguida, tentou em vão atingi-la com o seu próprio cajado. Ele cambaleou e caiu de joelhos. Então, mantendo seu domínio com o cajado, ele apontou para a borda do nevoeiro novamente, onde o horrível rosto sorrindo tinha aparecido mais uma vez.
— Vá, Serthrek’nish! Eu proíbo sua entrada! Vá!
O rosto desapareceu novamente, e os observadores gritaram de terror quando uma nova aparição formou-se. Preto e brilhante no nevoeiro, ou melhor, Will entendeu, o nevoeiro, uma enorme figura tomou forma: Absurdamente grande, usando um capacete enorme com chifres e segurando um machado de dois gumes, ele elevou-se acima deles por um segundo, e depois desapareceu para o nada.
O Guerreiro de Noite, percebeu. Ele tinha visto a figura terrível na primeira vez que ele se aventurou na Floresta Grimsdell, e tinha ficado horrorizado com ele. Poucos dias depois, Alyss tinha descoberto que era nada mais do que uma ilusão, usando luzes falsas e um projetor de lanterna mágica, criada por Malcolm para afastar intrusos.
O fogo era nada além de uma pequena pilha de carvões agora. Malkallam levantou instável em seus pés. Ele apontou com o cajado negro, ameaçando as árvores que os rodeavam.
— Fique fora, estou avisando! — Ele chamou.
Mas agora, uma série de flashes vermelhos e chamas corriam por entre as árvores que circundavam a clareira, atirando enormes sombras torcidas em todo o pequeno espaço aberto, sombras que estavam lá e em seguida sumiam em um instante. E conforme isso acontecia, eles ouviram Serthrek’nish falar pela primeira vez, sua voz profunda, ressonante e de congelar o sangue.
— As chamas já morreram. O poder dos círculos é fraco. Vou ter o sangue de um de vocês.
Um dos escandinavos tentou levantar, o machado de batalha pronto em sua mão, mas a mão estendida de Malkallam parou antes que ele tivesse ido além de ficar de joelhos.
— Fique onde você está seu tolo! — Sua voz rachava como um chicote. — Ele diz que quer um só. Ele pode ter o scotti.
— Nãooooo! — O grito de MacHaddish era muito alto e agonizante.
Para os escandinavos, o rosto vermelho demoníaco foi uma aparição terrível. Mas, para MacHaddish, ele estava no coração de terror. Era a base de todo o medo dos scottis, instalado quando eles eram crianças. O comedor de carne, o processador, o arrancador de membros Serthrek’nish, todas estas coisas e muito mais. Era o demônio, o mal supremo na superstição escocesa. Serthrek’nish não apenas matava suas vítimas. Ele roubava sua alma e seu próprio ser, alimentando-o para tornar-se mais forte. Se Serthrek’nish tivesse sua alma, não haveria futuro, não haveria paz no final da estrada na longa montanha.
E não haveria memória da vítima também, pois se uma pessoa fosse tomada por Serthrek’nish, sua família seria obrigada a apagar toda a memória dele em suas mentes.
Com as palavras de Malkallam, MacHaddish sabia que ele não estava enfrentando apenas uma morte terrível. Ele estava enfrentando uma morte eterna. Ele agora olhava para o rosto implacável quando o feiticeiro caminhava na direção dele.
— Não — ele implorou. — Por favor. Poupem-me disso.
Mas o cajado de espinheiro-negro estava se movendo e começou a esfregar uma abertura no círculo de pólvora negra que circundava MacHaddish.
Freneticamente, MacHaddish tentou restaurá-lo, empurrando o pó de volta para o local com a mão, mas seus esforços só conseguiram alargar o espaço. Sua respiração soluçava na garganta, e lágrimas de terror percorriam um caminho através da pintura azul no rosto.
Então o rosto reapareceu na névoa, parecendo estar claramente mais definido agora. Ele cintilou, desvaneceu e desapareceu novamente.
MacHaddish olhou para o rosto pintado do feiticeiro. Todos os vestígios do orgulhoso e inflexível general scotti se foram agora.
— Por favor? — Disse.
E o cajado parou seu trabalho.
Malkallam pausou.
— Não — disse ele, impassível.
MacHaddish, já de joelhos, agora dobrando para frente até a testa tocar o chão, certificando-se que ele permanecia dentro do círculo, Will notou.
— Vou dar-lhe qualquer coisa — disse ele. — Qualquer coisa que você pedir. Basta manter o demônio longe.
O cajado de Malkallam moveu em direção à linha preta fina, uma vez mais, tocando-o, agitando os grãos de pó preto, que o marcava para fora lentamente separando-os, deliberadamente trabalhando para formar uma quebra no círculo. O general assistiu a ponta do cajado no trabalho, viu o seu refúgio seguro sendo lentamente retirado.
— Por favor — disse, numa voz que estava rachada com o medo.
O cajado parou de se mover.
— Diga-me — Malkallam disse em voz deliberada — o que você estava planejando com Keren?

6 comentários:

  1. kkkkkkkk. Se você uma eu sairia gritando! kkkkkk, eu ri de + da cara do pessoal, foi tipo "Sorria você está sendo filmado!"
    Ass: Bina.

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  2. Se fosse eu ali, no lugar do scotti, eu teria infartado, sangrado pelos olhos, gritado, esperneado, chorado, choramingado, e desmaiado, não necessariamente nessa ordem. Kkkkk

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  3. vc é muito esagerada nao acha, eu teria so desmaiado ou sairia correndo
    ass: rosangela

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    1. Eu realmente sou eXagerada, Rosangela. Mais sou eu mesma, de toda forma. Me processe. :) O:-) B-)

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    2. Exagero original? Entendo. "Me processe" kkkkkkkk

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  4. Kkkkkkkkkkkkk, morri quando o escandinavo queria fzr algo kkkkk
    Ass: Hudson

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