24 de julho de 2016

Capítulo 21

Alyss arrastava seu vestido pelo castelo do senhor, ignorando Will.
— Lorde Orman — disse ela — é tão bom você abrigar-me para essas próximas semanas!
Ela estendeu a mão, palma para baixo, para Orman, deixando-o em dúvida quanto a quem ela considerava ser mais alto na classificação.
Orman a contragosto dobrou sobre a mão e tocou os lábios nela.
— Semanas, minha senhora? — disse ele. — Pensei que era uma questão de poucos dias? Uma semana no máximo?
— Mas certamente não! — Alyss recuou um pouco em sua grosseria. — As estradas para o castelo de meu noivo estão cobertas por neve e ouvi dizer que há lobos e ursos neste campo! Não posso avançar até as estradas estarem limpas, ansiosa como estou para estar com meu amado lorde Farrell. Certamente, Senhor Orman, você não me negaria a hospitalidade prometida por seu pobre querido pai.
Orman estava preso. Foi interessante, Will pensou como a hierarquia nobre funcionava. Azedo e mal-educado como ele poderia ser, e um assassino em potencial também, Orman foi esmagado pela presunção da classificação superior de Alyss.
— Claro que não, Lady Gwendolyn! — Disse ele. — Foi uma mera pergunta, nada mais.
Mas Gwendolyn já tinha deixado de lado e estava olhando para Will, como se fosse algum tipo de inseto inferior.
— E quem é que temos aqui? — ela perguntou, arqueando uma sobrancelha.
— Um bardo, minha senhora, chegou apenas um dia atrás.
— Esse bardo tem um nome? — ela respondeu seu olhar fixado em Will.
Ele hesitou.
Era para Orman apresentá-lo. Alguém de posição comum não poderia iniciar uma conversa com uma mulher nobre como Gwendolyn. Enquanto observava a mímica entre os dois, Will estava extremamente impressionado com a capacidade dela de desempenhar o papel que havia tomado.
— Will Barton, minha senhora — disse Orman.
Por ele ter apresentado Will a ela, ela reforçou sua posição superior, mais uma vez. Will inclinou-se profundamente.
— Aos seus serviços, minha senhora — disse ele.
Alyss o estudou cuidadosamente, um cotovelo em concha na mão, enquanto seus dedos longos e elegantes acariciavam sua bochecha.
— Você é um artista hábil, Will Barton?
Will olhou de soslaio para Orman.
— Eu sou um artista simples, minha senhorita — disse ele.
Orman balançou a cabeça em desprezo.
— Músicas populares e cantigas do reino são os seus limites, receio, minha senhora. Dificilmente o que vocês chamariam de uma classificação mais elevada.
— Músicas populares? — Alyss disse, e quebrou em uma estridente risada. — Que divertido! Muito bem, bardo, você pode comparecer em minha suíte em uma hora. Talvez suas cantigas possam me ajudar a esquecer a dor da separação do meu amado. — Ela olhou para Orman. — Eu confio que você não tenha nenhuma objeção, Orman?
Orman encolheu os ombros.
— Nenhuma, minha senhorita — disse ele. — Por favor, se beneficie de todas as nossas instalações.
A sobrancelha de Will disparou. Então, Will era uma "instalação" para ele? Felizmente, ele manteve a sua expressão sob controle novamente antes que Orman notasse. A atenção do senhor do castelo estava totalmente ocupada por Alyss, conforme ela forjava sua impressão com a soberba de um nobre arrogante.
— Então talvez você possa fazer sua cozinha entregar uma refeição leve à minha suíte também, Orman? — disse ela. — Estou cansada e com fome depois das minhas viagens através deste seu campo sombrio. Você pode apresentar o seu agregado familiar para mim amanhã, mas para o resto do dia eu prefiro descansar.
Orman inclinou-se.
— Claro, minha senhora.
Realmente, pensava Will, havia pouco mais que ele pudesse dizer. Percebeu que Alyss estava olhando para ele mais uma vez.
— Mas antes de eu me retirar, há uma ou duas coisas que poderíamos discutir Orman... — ela disse de forma significativa, e Orman pegou sua sugestão.
Ele fez um gesto secreto a Will.
— Muito bem, Barton, você pode ir. Nós vamos continuar a nossa discussão outra hora.
Will inclinou-se profundamente.
— Lady Gwendolyn, meu senhor — disse ele, e moveu-se em direção à porta.
Eles o ignoraram como fosse só uma montagem, enquanto Orman levava Alyss a uma cadeira.
— Lembre-se, bardo — ela chamou imperiosamente quando Will chegou à porta — meu quarto em uma hora. Eu posso não estar pronta, então, você pode ter que esperar, mas esteja lá de qualquer maneira.
Will inclinou-se novamente.
— Claro, senhorita — disse ele.
Quando ele saiu, ouviu-a dizer, sem fôlego para Orman:
— Agora, Orman, você tem que me dizer o que aflige o seu pobre querido pai! Existe alguma coisa que eu posso fazer para ajudar?
Xander facilitou a pesada porta para que se fechasse atrás de Will, antes que pudesse ouvir a resposta de Orman.
Como convinha à sua classificação assumida, Alyss estava viajando com uma comitiva de peso. Um camareiro, duas empregadas e uma meia dúzia de soldados formavam o grupo. Os soldados estavam acomodados no dormitório do castelo enquanto Alyss e os outros ocupavam um conjunto grande na torre de vigia. Will se apresentou em sua antessala no tempo determinado. Ele não estava certo do que esperar, sem saber quantos do grupo de Alyss estavam consciente de sua verdadeira identidade. O camareiro cumprimentou-o friamente e acenou-lhe um assento.
— A Senhorita Gwendolyn disse que você vai esperar — disse arrogantemente.
Olhou para o instrumento que Will estava abaixando.
— Então, trouxe seu alaúde?
Will respirou, preparando para falar, então decidiu desistir. Se toda a população do mundo quis assumir que ele tocava um alaúde, quem seria ele para desmentir? O camareiro tinha perdido o interesse nele, e desapareceu em um quarto interior, deixando-o sozinho.
Vários funcionários do castelo vieram e foram embora. Alyss o manteve esperando por pelo menos meia hora. Ele percebeu que o atraso foi totalmente de acordo com a personagem que ela estava atuando, lordes e senhoras raramente davam qualquer pensamento para seres inferiores que pudessem continuar esperando, mas ele sentia que ela estava exagerando um pouco. Finalmente, o camareiro reapareceu e chamou-o entrar.
— A Senhorita Gwendolyn está pronta para você agora — disse ele.
Will murmurou sob sua respiração. Um ouvinte interessado poderia ter ouvido as palavras “Antes tarde do que nunca”, mas o camareiro parecia não ouvir nada.
Ele seguiu o outro homem para o grande salão. Alyss estava parada perto da janela, seu rosto era uma máscara até que o camareiro fechasse a pesada porta atrás deles. Em seguida, ampliou a sua boca em um sorriso sincero e ela veio para frente para apertar as mãos dele, roçando os lábios macios contra a sua face.
— Will — ela disse suavemente — como é maravilhoso ver você de novo!
Seu aborrecimento evaporou instantaneamente e ele voltou à pressão em suas mãos.
— Eu não poderia estar mais de acordo — disse ele. — Mas o que na Terra a traz aqui?
Alyss olhou surpreso.
— Eu sou o seu contato — disse ela. — Halt não te disse?
Ele deu um passo para trás, confuso.
— Ele disse que seria alguém que eu reconheceria. Eu não tinha ideia que seria você. Eu não tinha ideia de que você... — Ele hesitou, sem saber como proceder.
Alyss riu baixinho. Era seu riso natural, não o relincho estridente que ela assumiu como Lady Gwendolyn.
— Você não tinha ideia que eu me envolveria neste tipo de negócios de capa-e-facas? — disse ela.
Quando ele acenou, ela sorriu e continuou.
— Bem, você viu meu punhal. Pensa que as mensageiras simplesmente levam mensagem ao redor do reino?
Ele sorriu de volta.
— Bem... sim, como uma questão de fato. Mas então, esta é a minha primeira missão como essa.
Ela soltou suas as mãos e se tornou metódica de repente.
— Estamos perdendo tempo. Explicarei mais tarde. Mas, primeiro, precisamos ouvi-lo tocar.
Isso assustou.
— Ouvir-me tocar? — disse ele, e ela balançou a cabeça rapidamente, apontando para a caixa do instrumento.
— Sua bandola. É uma bandola, não é? — acrescentou ela, e ele concordou.
De alguma forma, não estava surpreso que Alyss pudesse nomeá-la corretamente. Ele soltou os grampos, ainda perplexo. Ele percebeu que o mordomo tinha movido um pouco mais e estava observando cuidadosamente conforme Will ajustava a afinação. Ele desafinou uma corda.
— Apenas o instrumento. Não se incomode em cantar — disse Alyss.
Franzindo, Will começou a introdução de Montanha Wallerton. O camareiro aproximou, com a cabeça para um lado, ouvindo atentamente. Os olhos de Alyss estavam fixos no homem. Após dezesseis notas da velha canção popular, ele olhou para ela e acenou brevemente com a cabeça e ela fez um gesto para Will parar. Ainda confuso, ele tocou as últimas notas e franziu uma pergunta. Em voz baixa, ela apontou para o camareiro.
— Dê a bandola para Max — disse ela. — Ele vai tocar enquanto falamos.
O entendimento amanhecia conforme Will passava o instrumento para o homem mais velho. Max pegou e, sem nenhum dos habituais retoques ou ajustes que a maioria dos músicos faziam quando pegavam emprestado instrumento de outros, ele começou a tocar imediatamente. Will percebeu que o homem estava copiando igualmente o seu estilo. Havia a nota ocasional frustrado na faixa inferior, e a ligeira hesitação enquanto ele mudava até o pescoço para arpejos agudos falhos que Will estava sempre tinha o cuidado de corrigir.
Alyss arrastava-o para um lado, mais perto da janela, mas não tão perto que se podia ser vista de fora.
— Agora nós podemos conversar — disse ela — enquanto quaisquer bisbilhoteiros vão ouvir a serenata barda para alegrar aquela Lady Gwendolyn.
— Quem inventou Lady Gwendolyn, a propósito? — ele a perguntou.
Alyss balançou a cabeça.
— Ah, ela é bastante real. Um pouco de uma intelectual pouco habilidosa, mas terrivelmente leal. Quando descobrimos que ela tinha arranjado para viajar aqui este mês, ela concordou em permitir-me para tomar seu lugar. Era a situação ideal, na verdade. Ela havia sido convidada para passar o inverno aqui pelo lorde Syron antes de todo este negócio começar. Orman dificilmente poderia ir contra a oferta de hospitalidade do pai. Sabe, passei dias praticando o riso estridente dela— acrescentou.
Will sorriu.
— Tudo isto é realmente necessário? — disse ele, indicando Max, agora tropeçando um pouco mais para a introdução do Coração da Floresta Selvagem.
Alyss encolheu os ombros.
— Talvez não. Mas não podemos ter certeza de que poderiam estar ouvindo ou vendo e é melhor supor que alguém está. É por isso que eu senti que eu deveria deixar você esperando, Desculpe-me sobre isso.
Ele deu de ombros pela desculpa. O que ela disse fazia sentido. Lembrou-se dos servos do castelo que tinha visto ele na antecâmara. Qualquer um deles poderia estar falando com Orman agora. Ele olhou para Max.
— Ele é muito bom — disse ele, em seguida emendou a afirmação: — Quero dizer, ele é muito bom em ser ruim. — Ele sorriu. — Eu realmente toco tão mal como isso?
Alyss tocou-lhe a mão.
— Ah, vamos lá. Você não é tão ruim. Mas nós não poderíamos tê-lo tocando maravilhosamente e esperar que as pessoas acreditassem que era você. Agora me diga o que descobriu até agora.
Will balançou a cabeça.
— Não muito do que nós já sabemos. O campo inteiro está apavorado. Ninguém vai falar. Eu não vi Syron, mas Orman parece ser uma má peça para trabalhar em conjunto.
Alyss assentiu.
— Eu concordo. Reparou os livros em sua mesa? — disse ela.
Will balançou a cabeça e ela continuou.
— Feitiços e encantamentos era um deles. Bruxaria e magia negra era outro. Havia mais, mas esses eram os únicos dois títulos que eu podia ver.
Will assentiu, compreendendo.
— Isso explica os buracos nas prateleiras da biblioteca — disse ele.
Alyss sentou-se num sofá de dos lugares, dobrando seus pés para cima.
Will achou um movimento particularmente atraente.
— E o primo? Keren? — ela perguntou. — Você o encontrou?
— Apenas uma vez. Ele parece ser um bom homem para se ter ao redor. Simples. Sem loucuras. E não há amor entre ele e Orman. Orman praticamente me avisava para ficar longe dele pouco antes de você chegar — acrescentou ele.
O rosto de Alyss assumiu uma expressão pensativa.
— Portanto, pode ser difícil para você fazer mais contato com ele? — disse ela.
Will assentiu com a cabeça e ela continuou.
— Talvez eu pudesse fazê-lo. Suponho que seria do caráter de Lady Gwendolyn flertar com ele, especialmente porque ele está abaixo dela na hierarquia. Dessa forma, ela poderia ter certeza que nada viria dele.
Will estava um pouco surpreso ao descobrir que ele não gostava muito da ideia. Keren era bonito, simpático, e ele assumiu, seria atraente para as mulheres com seus modos abertos e descontraídos. Ele percebeu que Alyss estava sorrindo para ele, como se ela pudesse ler seus pensamentos.
— Só seria a Lady Gwendolyn fazendo o flerte, Will — disse ela. — E ela está para se casar, por isso equivaleria a nada, como eu disse.
Ela pode estar noiva, mas você não está, Will pensou. Então ele jogou o pensamento azedo longe. Alyss estava apenas fazendo seu trabalho.
Alyss continuou.
— Eu deixei um homem fora da vila para você ir atrás dele em caso de precisarmos entrar em contato com Halt e Crowley. Ele está acampado na mata com uma meia dúzia de pombos mensageiros se tivermos algo a reportar.
Will pigarreou nervosamente.
— Realmente, há algo que eu acho que devemos deixa-los saber — disse ele.
Alyss pausou e o olhou com curiosidade. Ele hesitou, sabendo que o que ele iria dizer soaria ridículo, em seguida, continuou de qualquer maneira.
— Na noite passada, eu vi o Guerreiro da Noite na Floresta Grimsdell.

Um comentário:

  1. Will com ciúmes.. Kkkk
    Orman, com certeza não é o vilão. Na minha opnião.

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