1 de julho de 2016

Capítulo 18 - Toda a maré noturna

Após a escuridão, veio a luz. Branca, clara e prateada – brilho das estrelas na água e na areia. Emma estava voando. Sobre a superfície da água, agora rasa, ela conseguia ver a areia da praia abaixo, e uma piscina de fogo onde a lua refletia.
Sentia uma dor no peito. Ela girou para se livrar dela e percebeu que não estava voando; mas sendo carregada. Estava sendo segurada contra um peito e braços duros. Ela viu o brilho de olhos azul-esverdeados.
Julian. Julian a carregava. Cachos escuros e molhados coroavam sua cabeça. Ela tentou respirar fundo para falar, e engasgou. Seu peito sofreu um espasmo; água encheu sua boca, amarga e salgada como sangue. Ela viu o rosto de Julian contorcido de pânico, e então ele estava praticamente correndo para a praia, finalmente caindo de joelhos, colocando-a na areia. Ela continuava tossindo, engasgando, olhando para ele com olhos assustados. Viu o mesmo medo espelhado no rosto de Jules; queria falar para ele que ficaria tudo bem, tudo ia ficar bem, mas não conseguia falar com a água na garganta.
Ele catou uma estela do cinto, e ela sentiu a ponta queimar em sua pele. A cabeça dela caiu para trás enquanto o símbolo se formava. Ela viu a lua acima, atrás da cabeça de Julian, como uma auréola. Emma queria dizer para ele que ele tinha uma auréola. Talvez ele achasse engraçado. Mas as palavras se afogavam no peito. Ela estava se afogando. Morrendo na terra.
O símbolo ficou pronto. Julian recolheu a estela, e o peito de Emma pareceu ceder. Ela gritou, e água explodiu de seus pulmões. Ela se dobrou, tossindo profundamente. Doeu quando seu corpo expeliu água do mar, como se ela estivesse sendo virada do avesso. Emma sentiu a mão de Julian nas suas costas, os dedos entre as omoplatas, sustentando-a.
Finalmente a tosse diminuiu. Ela rolou de costas e ficou olhando para Julian e para o céu atrás dele. Dava para ver um milhão de estrelas, e ele continuava com a auréola, mas não tinha mais nenhuma graça naquilo. Ele estava tremendo, a camisa preta e a calça jeans grudadas ao corpo, o rosto mais branco que a lua.
— Emma? — sussurrou.
— Jules — disse ela. Sua voz soou fraca e áspera aos próprios ouvidos. — Eu... eu estou bem.
— Que diabos aconteceu? O que você estava fazendo na água?
— Fui para a convergência — sussurrou ela. — Tinha alguma espécie de feitiço... me sugou para o oceano...
— Você foi sozinha até a convergência? — A voz dele se elevou. — Como pode ser tão descuidada?
— Tinha que tentar...
— Não tinha que tentar sozinha! — A voz dele pareceu ecoar da água. Os punhos estavam cerrados nas laterais. Ela percebeu que ele não tremia de frio, afinal, era raiva. — De que adianta ser parabatai se você vai sair e se arriscar sem mim?
— Eu não queria colocá-lo em perigo...
— Quase me afoguei dentro do Instituto! Tossi água! Água que você inalou!
Emma o encarou chocada. Ela começou a se apoiar nos cotovelos. Os cabelos, pesados e ensopados, se penduravam como uma força nas costas.
— Como isso é possível?
— Claro que é possível! — A voz dele pareceu explodir do corpo. — Somos ligados um ao outro, Emma, conectados; respiro quando você respira, sangro quando você sangra, sou seu e você é minha, você sempre foi minha, e eu sempre, sempre pertenci a você!
Ela nunca o tinha ouvido dizer nada assim, nunca o ouviu falar desse jeito, jamais o viu tão próximo de perder o controle.
— Não quis te machucar — disse ela. Começou a sentar, alcançando-o. Ele a pegou pelo pulso.
— Está brincando? — Mesmo na escuridão, seus olhos azul-esverdeados tinham cor. — Isso é uma brincadeira para você, Emma? Não entende? — A voz dele se reduziu a um sussurro. — Eu não vivo se você morrer!
Os olhos dela analisaram o rosto dele.
— Jules, sinto muito, Jules...
A parede que normalmente escondia a verdade nas profundezas dos olhos dele tinha ruído; ela enxergou o pânico ali, o desespero, o alívio que perfurou suas defesas.
Ele ainda segurava o pulso dela. Ela não sabia dizer se, primeiro, ela se inclinou para ele, ou se ele a puxou. Talvez as duas coisas. Eles colidiram como estrelas, e então ele a estava beijando.
Jules. Julian. Beijando Emma.
A boca de Jules se moveu sobre a dela, quente e incansável, transformando seu corpo em fogo líquido. Ela arranhou as costas dele, puxando-o mais para perto. As roupas dele estavam molhadas, mas a pele por baixo parecia quente onde quer que ela tocasse. Quando ela pegou a cintura dele, ele engasgou em sua boca, um engasgo que era parte incredulidade, parte desejo.
— Emma — disse ele, uma palavra que soou como alguma coisa entre uma oração e um rosnado.
A boca de Julian era selvagem na dela; beijavam-se como se estivessem tentando arrancar as barras que os mantinham em uma prisão. Como se ambos estivessem se afogando e só conseguissem respirar um através do outro.
Os ossos dela pareciam ter se transformado em vidro. Pareciam estilhaçar por todo o corpo; ela caiu para trás, puxando Julian consigo, deixando que o peso do corpo dele empurrasse os dois para a areia. Ela agarrou os ombros dele, pensou no momento de desorientação quando Julian a puxou para fora da água, no instante em que ela não soube exatamente quem ele era. Era mais forte, maior do que Emma se lembrava. Mais adulto do que ela tinha se permitido saber, apesar de cada beijo destruir as lembranças do menino que ele outrora foi.
Quando ele se inclinou mais para perto dela, ela pulou, surpresa com o frio da camiseta. Ele esticou a mão e pegou o colarinho, puxando-o sobre a cabeça.
Quando ele se inclinou para trás por cima dela, a extensão da pele nua a espantou, e ela passou as mãos pelas laterais de seu corpo, sobre as omoplatas, como se estivesse articulando a forma dele, criando-o com o toque das palmas e dedos. As cicatrizes claras das velhas Marcas; o calor da pele, coberta por água salgada do mar; a sensação da pulseira de vidro do mar – ele a deixou sem fôlego com aquele tanto de Julian nela. Não havia mais ninguém que ele pudesse ser.
Ela o conhecia pelo toque, pela respiração, pela batida do coração contra o dela.
O toque das mãos de Emma o estava desmontando. Ela pôde vê-lo se desfazendo, peça a peça. Levantou os joelhos para o quadril do garoto; sua mão tocou a pele nua de Julian sobre o cós da calça, suave como a maré, e ele tremeu contra ela como se estivesse morrendo. Ela nunca o tinha visto assim, nem mesmo quando ele pintava.
Arfando, Julian afastou a boca, se forçando a parar, forçando o corpo a deixar de se mover. Ela pôde ver o quanto isso lhe custou em seus olhos, pretos de fome e impaciência. Na maneira que ele conteve as mãos e as enterrou na areia, uma em cada lado dela, dedos agarrando o chão.
— Emma — sussurrou ele. — Tem certeza?
Ela fez que sim com a cabeça e o alcançou. Ele emitiu um ruído de alívio e gratidão desesperados, e a pegou contra o próprio corpo; daquela vez não houve hesitação. Os braços de Emma estavam abertos; ele mergulhou neles e, a puxou para perto, tremendo até os ossos enquanto ela entrelaçava os tornozelos atrás das panturrilhas dele, prendendo-o contra ela. Ao se abrir, fez de seu corpo um berço para ele deitar.
Ele encontrou a boca de Emma com a própria mais uma vez, e, como se seus lábios estivessem conectados a cada terminação nervosa, Emma sentiu todo o corpo vibrar e dançar. Então assim que deveria ser, assim que beijos deveriam ser, assim que tudo deveria ser. Isso.
Ele se inclinou para contornar sua boca, a bochecha, a curva arenosa do queixo com beijos. Ele foi beijando a garganta dela, seu hálito quente na pele de Emma. Passando os dedos nos cachos molhados de Julian, ela olhou maravilhada para o céu acima, girando com as estrelas, brilhantes e frias, e pensou que isso não podia estar acontecendo, as pessoas não conseguiam o que queriam assim.
— Jules — sussurrou ela. — Meu Julian.
— Sempre — sussurrou ele, voltando para a boca de Emma. — Sempre. — E eles caíram um no outro com a inevitabilidade de uma onda na praia.


Fogo correu pelas veias de Emma à medida que as barreiras entre eles desapareceram; ela tentou registrar cada momento, cada gesto na memória; a sensação das mãos de Julian fechando em seus ombros, o engasgo afogado que ele soltou, a forma como se dissolveu nela ao se perder. Até o último instante de sua vida, Emma pensou, ela se lembraria de como ele enterrou o rosto em seu pescoço e repetiu o nome dela sem parar, como se todas as outras palavras tivessem sido para sempre esquecidas nas profundezas do oceano.
Até a última hora.
Quando as estrelas pararam de girar, Emma deitou na curva do braço de Julian, olhando para cima. O casaco de flanela seco do garoto estava esticado em cima deles. Ele a encarava, com a cabeça apoiada em uma das mãos. Parecia entorpecido, com os olhos semifechados. Os dedos dele traçavam círculos lentos no ombro exposto de Emma. O coração continuava acelerado, batendo contra o dela. Ela o amava tanto que parecia que seu peito estava rachando.
Ela queria confessar, mas as palavras ficaram presas na garganta.
— Esse foi... — Ela começou. — Foi seu primeiro beijo?
— Não. Eu venho praticando em estranhas aleatórias. — Ele sorriu, um sorriso largo e lindo ao luar. — Sim. Foi meu primeiro beijo.
Um calafrio passou por Emma. Ela pensou, eu te amo, Julian Blackthorn. Eu te amo mais do que a luz das estrelas.
— Não foi tão ruim assim — falou então, e sorriu de volta para ele.
Julian riu e a puxou mais para perto de si. Ela relaxou na curva do corpo dele. O ar estava frio, mas Emma se sentia aquecida ali, naquele pequeno círculo com ele, escondida pelas pequenas plantas que cresciam das pedras, enrolada no casaco de flanela que cheirava a Julian. A mão dele era suave em seu cabelo.
— Shh, Emma. Durma.
Ela fechou os olhos.


Emma dormiu, ao lado do oceano. E não teve pesadelos.


— Emma. — A mão no ombro dela sacudia. — Emma, acorde.
Ela rolou para o lado e piscou os olhos, depois congelou em surpresa. Não havia teto sobre ela, apenas um claro céu azul. Estava se sentindo tensa e dolorida, com a pele arranhada de areia.
Julian estava por cima dela, totalmente vestido, com o rosto branco cinzento, como cinzas espalhadas. As mãos dele pairaram em torno dela, sem tocá-la, como as borboletas de Ty.
— Alguém esteve aqui.
Com isso, ela se sentou. Estava na praia, um pequeno semicírculo vazio na praia, contornado por dedos de pedras em ambos os lados, alcançando o mar. A areia em volta dela estava ligeiramente bagunçada, e ela enrubesceu, a memória atingindo-a como uma onda. Parecia que era pelo menos meio-dia, apesar de, por sorte, a praia estar vazia. Era familiar, também. Estavam perto do Instituto, mais perto do que ela imaginava. Não que ela tivesse pensado muito.
Ela respirou fundo.
— Ah — disse ela. — Meu Deus.
Julian não disse nada. Estava com as roupas molhadas, com areia grudada nas dobras. Ela própria estava vestida, Emma percebeu com atraso. Julian provavelmente o fizera. Só os pés estavam descalços.
A maré estava baixa, algas expostas na linha da água. As pegadas da noite anterior já tinham sido apagadas, mas havia outras pegadas marcadas na areia. Parecia que alguém tinha subido em uma das paredes de pedra, caminhado até eles, depois virado e voltado. Duas linhas de pegadas. Emma olhou horrorizada.
— Alguém nos viu? — perguntou ela.
— Enquanto a gente dormia — retrucou Julian. — Eu também não acordei — As mãos dele estavam fechadas nas laterais do corpo. — Algum mundano, eu espero, que concluiu que somos um casal adolescente idiota. — Ele suspirou. — Espero — repetiu.
Flashes de memória da noite anterior correram pela mente de Emma; a água fria, os demônios, Julian carregando-a, Julian beijando-a. Julian e ela, entrelaçados na areia.
Julian. Ela não conseguia mais pensar nele como Jules. Jules era o nome de infância que ela lhe deu. E eles tinham deixado a infância para trás.
Ele se virou para olhar para ela, e ela viu a angústia em seus olhos cor do mar.
— Sinto muito — sussurrou ele. — Emma, sinto muito, muito.
— Por quê? — perguntou ela.
— Eu não pensei. — Ele estava andando de um lado para o outro, com os pés chutando a areia. — Em... segurança. Proteção. Não pensei nisso.
— Eu sou protegida — disse ela.
Ele se virou para olhar para ela.
— Quê?
— Tenho o símbolo — disse ela. — E não tenho nenhuma doença, e nem você, certo?
— Eu... não. — O alívio no rosto dele foi palpável, e por algum motivo isso fez o estômago de Emma doer. — Foi a minha primeira vez, Emma.
— Eu sei. — Ela disse em um sussurro. — Enfim, você não precisa se desculpar.
— Preciso — falou ele. — Quero dizer, isso é bom. Somos sortudos. Mas eu devia ter pensado nisso. Não tenho desculpa. Eu estava fora de mim.
Ela abriu a boca, depois a fechou novamente.
— Só podia estar, para fazer isso — disse ele.
— Fazer o quê? — Ela ficou impressionada pela calma e pela clareza com que pronunciou cada palavra. Ansiedade pulsava por ela como um tambor.
— O que a gente fez. — Ele suspirou. — Você sabe o que quero dizer.
— Está dizendo que o que a gente fez é errado.
— Estou dizendo... — Era como se ele estivesse tentando segurar algo que queria à força sair dele. — Não tem nada de errado, moralmente — falou. — É uma Lei idiota. Mas é uma Lei. E não podemos transgredi-la. É uma das Leis mais antigas que existem.
— Mas não faz sentido.
Ele olhou para ela sem vê-la, cegamente.
— A Lei é dura, mas é a Lei.
Emma se levantou.
— Não — retrucou ela. — Nenhuma Lei pode controlar nossos sentimentos.
— Não falei nada sobre sentimentos — disse Julian.
A garganta dela estava seca.
— O que quer dizer?
— Não devíamos ter dormido juntos — disse ele. — Sei que significou algo para mim, eu estaria mentindo se dissesse que não, mas a Lei não proíbe sexo, proíbe amor. Estar apaixonado.
— Tenho quase certeza de que transar também é contra as regras.
— Sim, mas não é o motivo pelo qual exilam a pessoa! Não é o motivo pelo qual tiram suas Marcas! — Ele passou a mão pelo cabelo emaranhado, — É contra as regras porque... ter essa intimidade, essa intimidade física, abre caminho para uma intimidade emocional, e é com isso que eles se importam.
— Nós somos emocionalmente íntimos.
— Você sabe o que quero dizer. Não finja que não. Existem diferentes tipos proximidade, intimidade. Eles querem que sejamos próximos. Mas não querem isso. — Ele gesticulou para a praia, como se quisesse assinalar toda a véspera.
Emma estava tremendo.
— Eros — disse ela. — Em vez de Philia ou Ágape.
Ele pareceu aliviado, como se a explicação dela significasse que ela havia entendido, tinha concordado. Como se tivessem tomado uma decisão juntos.
Emma queria gritar.
Philia — repetiu ele. — Isso é o que temos, amor entre amigos, e sinto muito se fiz alguma coisa para estragar isso...
— Eu também estava presente — falou Emma, com a voz fria como a água.
Ele a olhou nos olhos.
— A gente se ama — disse ele. — Somos parabatai, amor é parte do laço. E eu tenho atração por você. Como poderia não ter? Você é linda. E não é como...
Ele se interrompeu, mas Emma completou o restante por ele, palavras tão dolorosas que quase pareciam cortar dentro da sua mente. Não é como se eu pudesse conhecer garotas, ter encontros, você é a opção, quem está por perto, Cristina provavelmente continua apaixonada por alguém no México, não tem ninguém para mim. Só tem você.
— Não é como se eu fosse cego — argumentou ele. — Eu vejo você e te quero, mas... não podemos. Se ficarmos juntos, vamos acabar nos apaixonando, e isso seria um desastre.
— Se apaixonando — repetiu Emma. Como ele podia não ver que ela já estava apaixonada, de todas as formas possíveis? — Eu não disse que te amava? Ontem à noite?
Ele balançou a cabeça.
— Nunca dissemos que nos amamos — disse ele. — Nenhuma vez.
Isso não podia ser verdade. Emma vasculhou suas memórias, como se estivesse revirando desesperadamente os bolsos em busca de uma chave perdida. Ela havia pensado. Julian Blackthorn, eu te amo mais que a luz das estrelas. Ela pensou, mas não falou. E nem ele. Somos ligados, ele disse. Mas não eu te amo.
Ela o esperou falar fiquei fora de mim porque você arriscou sua vida, ou você quase morreu e isso me deixou louco, ou qualquer variação de a culpa foi sua. Ela pensou que, se ele o fizesse, ela iria explodir como uma mina ativa.
Mas ele não disse. Julian ficou olhando para ela, o casaco de flanela até os cotovelos, a pele exposta vermelha por causa da água fria e arranhada pela areia.
Ela nunca o viu tão triste.
E levantou o queixo.
— Você está certo. É melhor esquecermos.
Ele franziu o rosto com aquilo
— Eu te amo, Emma.
Ela esfregou as mãos para se aquecer, pensou em como o mar desgastava até paredes de pedra ao longo dos anos, desmontando fragmentos do que um dia foi impregnado.
— Eu sei — disse ela. — Mas não desse jeito.


A primeira coisa que Emma viu quando voltou ao Instituto, depois de ter contado a Julian sobre a experiência na convergência no caminho de volta da praia, foi que o carro que ela deixara na entrada da caverna na noite anterior estava estacionado na frente dos degraus. A segunda foi que Diana estava sentada no capô do carro, parecendo mais furiosa que uma vespa.
— O que vocês estavam pensando? — perguntou ela, quando Emma e Julian pararam onde estavam. — Sério, Emma, você perdeu a cabeça?
Por um momento Emma, de fato, se sentiu tonta. Diana não poderia estar falando sobre ela e Julian, poderia? Não tinha sido ela que os viu na praia?
Olhou de lado para Julian, mas ele estava tão pálido quanto ela.
Os olhos escuros de Diana pareciam grudados nela.
— Estou esperando uma explicação — exigiu. — O que fez vocês acharem que seria uma boa ideia irem sozinhos até a convergência?
Emma estava surpresa demais para formular uma resposta.
— Quê?
Os olhos de Diana foram de Julian para Emma, e depois voltaram.
— Não recebi a mensagem sobre a convergência até hoje de manhã — disse ela. — Corri para lá e achei o carro, vazio. Abandonado. Pensei... não sei o que pensei, mas...
Emma sentiu uma pontada de culpa. Diana estava preocupada com ela. E com Julian, que sequer foi até a convergência.
— Desculpe — pediu Emma, com sinceridade. Sua convicção da noite passada, a certeza de que estava fazendo a coisa certa ao ir para a convergência, tinha evaporado. Estava esgotada agora, e nem um pouco mais próxima de uma resposta. — Recebi o recado e simplesmente fui... não quis esperar. E por favor, não brigue com Julian. Ele não estava comigo. Ele me encontrou mais tarde.
— Encontrou? — Diana parecia confusa. — Encontrou onde?
— Na praia — respondeu Emma. — Tem umas entradas na caverna... como se fossem Portais... e um deles dá aqui no mar.
Agora a expressão de Diana estava verdadeiramente preocupada.
— Emma, você foi parar na água? Mas você odeia o mar. Como...
— Julian veio e me salvou — retrucou a menina. — Ele me sentiu em pânico na água. Coisa de parabatai. — Ela olhou de lado para Julian cujo olhar estava claro e aberto. Confiável. Sem esconder nada. — Levamos um bom tempo para voltar.
— Bem, encontrar água do mar é interessante — disse Diana, saindo do capô. — Presumo que seja a mesma água encontrada com os corpos.
— Como trouxe o carro de volta? — perguntou Emma, enquanto subiam as escadas.
— O que você quer dizer, claro, é “obrigada, Diana, por ter trazido o carro de volta” — falou Diana ao entrarem novamente no Instituto. Ela olhou com ar crítico as roupas molhadas e sujas de areia de Julian e Emma, a pele arranhada e os cabelos grudados. — Que tal eu reunir todo mundo na biblioteca? Já passou da hora de termos uma troca de informações.
Julian limpou a garganta.
— Por que você não...?
Diana e Emma olharam confusas para ele.
— Por que quem o quê? — perguntou Diana, afinal — Por que não recebeu a mensagem sobre a convergência até hoje de manhã? Meu telefone estava descarregado, o que foi uma estupidez minha, mas, e você?
— Nada com que deva se preocupar — respondeu Diana secamente. — Enfim, vão para o banho. Entendo que tenham informações importantes, mas até limparem a areia, acho que não consigo me concentrar em nada além do quanto vocês devem estar se coçando.
Emma pretendia se trocar ao chegar no quarto. Realmente pretendia. Mas, apesar das horas de sono na praia, ela estava exausta o bastante para se sentar na cama e apagar.
Horas depois, após um rápido banho, ela vestiu uma calça jeans limpa e uma camiseta, e saiu correndo pelo corredor, se sentindo como uma adolescente mundana atrasada para a aula. Ela voou pelo corredor até a biblioteca e encontrou todos ali; aliás, eles pareciam estar esperando havia um tempo. Ty estava sentado em uma das pontas da mesa mais comprida da biblioteca, em uma piscina de sol da tarde, com uma pilha de papéis à sua frente. Mark estava ao lado dele; Livvy se equilibrava sobre a mesa, descalça, de um lado para o outro com seu sabre. Diana e Dru distraíam Ty com um livro.
— Diana disse que você foi até a convergência — falou Livvy, manejando o sabre quando Emma entrou.
Cristina, que estava perto de uma prateleira de livros, lançou a ela um olhar estranhamente frio.
— Combateu Mantis sem mim — reclamou Mark. — Não é justo.
— Não havia muitos Mantis — disse Emma.
Ela foi para a mesa, em frente a Ty, que continuava escrevendo, e embarcou na história do que encontrou na caverna. No meio do relato, Julian chegou, os cabelos tão molhados quanto os de Emma. Ele vestia uma camiseta cor de jade, que o deixava com olhos verde-escuros. Os olhares dos dois se encontraram, e Emma esqueceu o que estava falando.
— Emma? — Cristina chamou após uma longa pausa. — Você estava falando? Encontrou um vestido?
— Isso não parece muito razoável — argumentou Livvy. — Quem guarda um vestido em uma caverna?
— Pode ter sido uma roupa cerimonial — disse Emma. — Era uma túnica elaborada... e joias muito trabalhadas.
— Então talvez seja uma mulher necromante — falou Cristina. — Talvez, na verdade, seja Belinda.
— Ela não me pareceu tão poderosa assim — comentou Mark.
— Você consegue sentir poder? — perguntou Emma. — É uma coisa de fada? — Mark balançou a cabeça, mas o meio sorriso que lançou para Emma parecia um pedaço do Reino das Fadas.
— Só uma impressão.
— Por falar em coisas de fada, Mark nos deu uma chave para traduzir mais das marcações — revelou Livvy.
— Sério? — falou Emma. — O que elas dizem?
Ty levantou os olhos do papel.
— Ele nos deu uma segunda linha, e depois disso foi mais fácil. Eu e Livvy descobrimos quase toda a terceira. Olhando os padrões das marcações, pareciam ser cinco ou seis linhas, repetidas.
— É um feitiço? — indagou Emma. — Malcolm disse que provavelmente é um feitiço de invocação.
Ty esfregou o rosto, deixando uma linha de tinta em uma maçã do rosto.
— Não parece um feitiço de invocação. Talvez Malcolm tenha cometido um erro. Fomos muito melhores que ele na tradução — acrescentou orgulhosamente, quando Livvy repousou a arma e se abaixou ao lado dele. Ela esticou a mão para limpar a tinta da bochecha dele com a manga.
— Malcolm não tem Mark — lembrou Julian, e Mark deu a ele um rápido sorriso de gratidão.
— Nem Cristina — acrescentou Mark. — Eu jamais teria descoberto a relação se Cristina não tivesse percebido que era uma questão com a tradução.
Cristina enrubesceu.
— Como é a terceira linha, Tiberius?
Ty afastou a mão de Livvy e recitou:

“Primeiro, a chama, depois, a tempestade,
No fim, é sangue Blackthorn de verdade.
Buscai esquecer o que é passado..."

— É isso — concluiu. — É o que temos até agora.
— Sangue Blackthorn? — Diana ecoou. Ela havia subido em uma escada da biblioteca para pegar um livro para Tavvy.
Emma franziu o cenho.
— Não gostei de como isso soa.
— Não há nenhuma indicação de magia de sangue tradicional — contestou Julian. — Nenhum dos corpos tinha esses tipos de cortes ou ferimentos.
— Estou pensando na menção ao passado — explicou Mark. — Esses tipos de versos, no Reino das Fadas, normalmente guardam um feitiço, como a balada de “Thomas, o Poeta”. É ao mesmo tempo uma história e instruções sobre como escapar do Reino das Fadas.
Por um instante, o rosto de Diana ficou preso no meio de uma expressão, como se de repente tivesse percebido ou se lembrado de alguma coisa.
— Diana? — chamou Julian. — Você está bem?
— Estou. — Ela desceu da escada e sacudiu as roupas. — Preciso fazer uma ligação.
— Para quem? — perguntou Julian, mas Diana apenas balançou a cabeça, os cabelos roçando os ombros.
— Eu volto — declarou ela, e saiu pela porta da biblioteca.
— Mas o que isso significa? — perguntou Emma para a sala como um todo. — No fim, sangue Blackthorn o quê?
— E se for um verso de fadas, então elas não deveriam saber se ele continua? — Dru falou do canto onde estava ocupada distraindo Tavvy. — As fadas, quero dizer. Teoricamente estão do nosso lado nessa.
— Eu mandei um recado — avisou Mark reservadamente. — Mas digo a vocês que só ouvi essas duas primeiras linhas.
— A coisa mais importante é que significa que, de algum jeito, essa situação, os assassinatos, os corpos, os Seguidores, está tudo ligado a essa família. — Julian olhou em volta. — De algum jeito está ligado a nós. Aos Blackthorn.
— Explicaria por que tudo isso está acontecendo em Los Angeles — disse Mark. — É a nossa casa.
Emma viu a expressão de Julian vacilar de leve, e soube o que ele estava pensando: que Mark falou de Los Angeles como um local onde todos eles moravam, não um local onde todos, menos ele, moravam. Que tinha falado da cidade como sua casa.
Ouviram um alto ruído de tremor. O mapa de Los Angeles na mesa começou a vibrar. O que parecia um pequeno ponto vermelho se movia.
— Sterling saiu de casa — afirmou Cristina, indo para o mapa.
— Belinda Belle disse que ele tinha dois dias — lembrou Julian. — Isso pode significar que a caçada começa amanhã, ou hoje à noite, dependendo de como seja feita a contagem. Enfim, não podemos tirar conclusões.
— Eu e Cristina cuidaremos de segui-lo — acrescentou Emma. De repente ela se viu desesperada para sair de casa, para clarear as ideias, desesperada até mesmo para ficar longe de Julian.
Mark franziu o rosto.
— Deveríamos ir com vocês...
— Não! — exclamou Emma, levantando da mesa. Todos viraram para olhar surpresos para ela; havia falado com mais força do que pretendia. A verdade é que queria conversar a sós com Cristina. — Vamos ter que fazer isso em turnos — disse ela. — Vamos ter que seguir Sterling o tempo todo até que algo aconteça, e se todos nós estivermos presentes o tempo todo, vamos ficar todos exaustos. Eu e Cristina vamos um pouco, depois, podemos trocar com Julian e Mark, ou Diana.
— Ou eu e Ty — sugeriu Livvy docemente.
Os olhos de Julian estavam perturbados.
— Emma, tem certeza...
— Emma tem razão — concordou Cristina, inesperadamente. — Ir em turnos é a atitude cautelosa.
Cautelosa. Emma não conseguia se lembrar da palavra sendo aplicada a sua história recente. Julian desviou o olhar, escondendo a expressão. Finalmente, ele disse:
— Tudo bem. Você venceu. Podem ir as duas. Mas se precisarem de apoio, jurem que vão ligar imediatamente.
O olhar de Julian estava fixo no de Emma enquanto falava. Os outros estavam falando, discutindo como poderiam pesquisar na biblioteca, olhar livros que detalhassem diferentes tipos de feitiços, quanto tempo levariam para concluir o resto da tradução, se Malcolm viria ajudá-los, se deveriam pedir pizza vampira.
— Vamos, Emma — chamou Cristina, se levantando e dobrando o mapa no bolso do casaco. — Temos que ir. Precisamos vestir o uniforme e alcançar Sterling; ele está indo para a estrada.
Emma fez que sim com a cabeça e se virou para seguir Cristina. Ela sentiu o olhar de Julian nela, como uma ponta afiada entre suas omoplatas. Não vire para olhá-lo, disse a si mesma, mas não conseguiu se conter; na porta, virou, e a expressão no rosto dele quase a desmontou.
Equivalia ao que ela estava sentindo. Não era o fato de que estava se afastando do menino que amava com mil palavras não ditas entre os dois, pensou Emma, apesar de ser verdade que estava fazendo isso. Era o pavor que sentia de que um abismo tivesse se aberto entre ela e a pessoa que foi sua melhor amiga desde que se lembrava. E, pelo jeito, Julian tinha o mesmo medo.


— Desculpe — disse Emma, quando o carro corrigiu a direção. Estavam dirigindo há horas enquanto Sterling percorria toda a cidade, e suas mãos estavam começando a doer de segurar o volante.
Cristina suspirou.
— Vai me contar o que a está incomodando?
Emma se mexeu. Ela vestia um casaco de uniforme, e estava quente no carro. Parecia que sua pele coçava.
— Mil desculpas, Tina — disse ela. — Eu não pensei... não devia ter pedido para você me dar cobertura enquanto eu ia até a convergência. Não foi justo.
Cristina ficou em silêncio por um instante.
— Eu teria feito — disse ela. — Se você tivesse me contado o que estava acontecendo.
A garganta de Emma se apertou.
— Não estou acostumada a confiar em pessoas. Mas deveria ter confiado em você. Quando você for embora, não sei o que vou fazer. Vou sentir tanto a sua falta.
Cristina sorriu para ela.
— Venha para a Cidade do México — pediu ela. — Ver como fazemos as coisas lá. Pode tirar seu ano de viagem na minha cidade. — Ela pausou. — Eu a perdoo, aliás.
Um pouco do peso deixou o peito de Emma.
— Eu adoraria ir ao México — disse ela. — E Julian...
Ela se conteve. Claro que a maioria das pessoas com parabatai acompanha os seus no ano de viagem. Mas pensar em Julian doeu, uma dor rápida e aguda como uma agulha.
— Vai me contar o que a está incomodando? — perguntou Cristina.
— Não — respondeu Emma.
— Tudo bem. Então vire à esquerda para Entrada — disse Cristina.
— É como ter um GPS sobrenatural — observou Emma. Deu para ver Cristina franzindo o rosto para o mapa que equilibrava sobre o joelho no banco do passageiro.
— Vamos na direção de Santa Monica — disse Cristina, traçando um dedo no mapa. — Vá pela Sétima.
— Sterling é um idiota — disse Emma. — Ele sabe que alguém está tentando matá-lo. Não deveria vagar pela cidade.
— Ele provavelmente acha que a própria casa não é segura — observou Cristina ponderadamente. — Quero dizer, eu o cerquei lá.
— Certo — disse Emma, sem conseguir conter uma onda de preocupação.
A lembrança de Julian na praia, as coisas que ele disse para ela, pressionadas contra suas pálpebras. Ela permitiu que esses pensamentos passassem por ela. Quando chegasse a hora, teria que deixá-los todos de lado e se concentrar na luta.
— E, é claro, tem os enormes coelhos — disse Cristina.
— Quê? — Emma voltou ao presente.
— Estou falando com você há três minutos! Onde está a sua cabeça, Emma?
— Transei com Julian — confessou Emma.
Cristina gritou. Depois, tapou a boca com a mão e ficou olhando para Emma como se a amiga tivesse acabado de anunciar que tinha uma granada no teto do carro, e que ia explodir.
— Você ouviu o que eu disse? — perguntou Emma.
— Ouvi — respondeu Cristina, tirando as mãos da boca. — Você transou com Julian Blackthorn.
A respiração de Emma escapou dela em uma onda. Alguma coisa em ouvir de outra boca o que tinha feito parecia um soco no estômago.
— Achei que não fosse me contar o que a estava incomodando! — disse Cristina.
— Mudei de ideia.
— Por quê?
Estavam virando esquinas cheias de palmeiras, casas nos fundos das ruas. Emma sabia que dirigia rápido demais; não se importava.
— Quero dizer... eu estava no mar, e ele me salvou, e as coisas saíram do controle...
— Não — disse Cristina. — Não por que você fez. Por que mudou de ideia em relação a me contar?
— Porque sou uma péssima mentirosa — revelou Emma. — Você teria adivinhado.
— Talvez. Talvez não. — Cristina respirou fundo. — Acho que eu deveria fazer a pergunta que importa. Você o ama?
Emma não disse nada. Manteve os olhos na linha amarela quebrada no meio da estrada. O sol era uma bola de fogo laranja descendo no oeste.
Cristina suspirou devagar.
— Ama.
— Não disse isso.
— Está escrito no seu rosto — falou Cristina. — Sei como é. — Ela soou triste.
— Não sinta pena de mim, Tina — pediu Emma. — Por favor, não.
— Estou com medo por você. A Lei é muito clara, e a punição é muito severa.
— Bem, não tem importância — disse Emma, a voz tingida com amargura. — Ele não me ama. E ter uma paixão não correspondida por seu parabatai não é ilegal, então não se preocupe.
— Ele o quê? — perguntou Cristina, soando chocada.
— Ele não me ama — repetiu Emma. — Foi bem claro em relação a isso.
Cristina abriu a boca, depois fechou de novo.
— Suponho que seja lisonjeiro que você esteja surpresa — falou Emma.
— Não sei o que dizer. — Cristina colocou a mão no coração. — Existem as coisas que você normalmente diria nessa situação. Se fosse qualquer pessoa em vez de Julian eu falaria sobre o quanto ele é sortudo por ter uma pessoa corajosa e inteligente como você apaixonada por ele. Estaria bolando planos com você sobre como poderíamos fazer um menino tão tolo perceber uma coisa tão óbvia. Mas é Julian, e é ilegal, e você não pode fazer mais nada, Emma. Prometa.
— Ele não me quer desse modo — contou Emma. — Então não tem importância. Eu só... — Ela se interrompeu. Não sabia mais o que dizer, nem como dizer. Nunca mais haveria outro Julian para ela.
Não pense assim. Só porque você não consegue se imaginar amando mais ninguém, não significa que não vai. Mas a voz interior suave de seu pai não a tranquilizou dessa vez.
— Só não sei por que é ilegal — concluiu ela, apesar de não ser o que queria dizer. — Não faz o menor sentido. Eu e Julian fizemos tudo juntos, durante anos, vivemos e quase morremos um para o outro, como pode existir alguém melhor do que ele para mim? Alguém melhor... — Ela se interrompeu.
— Emma, por favor, não pense assim. Não importa por que é ilegal. Só que é. A Lei é dura, mas é a Lei.
— Uma lei ruim não é uma lei — argumentou Emma, virando à direita na Pico Boulevard. A Pico percorria quase toda a Los Angeles metropolitana era pretensiosa, arenosa, perigosa, abandonada e industrial alternadamente Ali, entre a estrada e o oceano, era cheia de pequenos negócios e restaurantes.
— Esse lema não serviu muito bem aos Blackthorn — murmurou Cristina, e Emma estava prestes a perguntar a ela o que aquilo queria dizer quando Cristina se sentou reta. — Aqui — disse ela, apontando. — Sterling está aqui. Acabei de vê-lo entrando naquele prédio.
Na parte sul da estrada havia um prédio baixo, inclinado, pintado de marrom, sem janelas, com uma única porta e uma placa que dizia PROIBIDA A ENTRADA DE MENORES DE 21 ANOS.
— Parece amigável — murmurou Emma, e estacionou o carro.
Elas saltaram do carro e foram pegar as armas. Já estavam com símbolos de disfarce, e os poucos pedestres que passavam – quase ninguém andava em Los Angeles, e, apesar de haver muitos carros em volta, havia poucas pessoas – olhavam através delas como se não houvesse ninguém. Uma menina de cabelos verdes olhou para Emma ao passar, mas não parou.
— Você tem razão — concordou Emma, enquanto colocavam as lâminas serafim nos cintos. Cada lâmina tinha um pequeno gancho que permitia encaixe em um cinto de armas, removível com um pequeno puxão de mão. — Quanto a Julian. Sei que tem.
Cristina enlaçou-a rapidamente com um braço.
— E vai fazer a coisa certa. Sei que vai.
Emma já estava examinando o prédio, procurando entradas. Não havia janelas que ela pudesse ver, mas um pequeno beco se dobrava por trás do bar, parcialmente bloqueado por um pedaço de grama não cortada. Ela gesticulou para lá, e ela e Cristina foram silenciosamente para a vegetação baixa que pouco – crescia no ar poluído.
O sol se punha, e estava escuro no beco atrás do bar. Uma fila de lixeiras acorrentadas se encontrava apoiada sob uma janela de grades e coberta por tapumes.
— Posso arrancar as barras se subir ali — sussurrou Emma, apontando as latas de lixo.
— Tudo bem, espere. — Cristina pegou a estela. — Símbolos.
Os símbolos de Cristina eram cuidadosos, precisos, lindos. Emma sentiu o poder de um símbolo de força percorrer seu corpo como uma injeção de cafeína. Não era como ter símbolos aplicados por Julian – isso era como ter a força dele correndo por ela, dobrando a sua.
Cristina se virou, tirando o casaco do ombro e expondo-o para Emma. Entregou a estela a ela, que começou a desenhar – dois símbolos de Silêncio sobrepostos, Golpe-Certeiro, Flexibilidade.
— Por favor, não pense que estou irritada — disse Cristina, olhando para a parede oposta. — Estou preocupada com você, só isso. Você é forte, Emma. É muito forte. As pessoas superam corações partidos, e você é forte o bastante para superar isso mil vezes. Mas Julian não é uma pessoa que pode tocar seu coração. Pode tocar a sua alma. E existe uma diferença entre ter o coração partido e a alma estilhaçada.
A estela tremeu na mão de Emma.
— Achei que o Anjo tivesse um plano.
— Ele tem. Mas, por favor, não o ame, Emma. — A voz de Cristina falhou. — Por favor.
Emma tinha um nó na garganta ao falar.
— Quem partiu seu coração?
Cristina virou, vestindo de volta o casaco. Os olhos castanhos estavam sérios.
— Você me contou um segredo, então contarei um também. Eu estava apaixonada por Diego e achei que ele estivesse apaixonado por mim. Mas foi tudo uma mentira. Pensei que o irmão dele fosse o meu melhor amigo, mas isso também era uma mentira. Por isso, fugi. Por isso, vim pra cá. — Ela desviou o olhar. — Perdi os dois, meu melhor amigo e meu maior amor, no mesmo dia. Foi difícil acreditar que Raziel tinha um plano naquele momento. Meu melhor amigo e meu maior amor.
Cristina pegou a estela e guardou de volta no cinto.
— Não sou eu que sou forte, Tina. É você.
Cristina deu um breve sorriso para ela e estendeu a mão.
— Vá.
Emma esticou o braço e pegou a mão de Cristina para se levantar. Suas botas tocaram os topos das latas de lixo, fazendo a corrente bater. Ela agarrou as barras da janela e puxou, gostando da mordida do metal em suas palmas.
As barras soltaram do estuque com um banho de pedrinhas. Ela passou as barras de metal para Cristina, que as jogou na grama. Emma esticou a mão para baixo, e, um segundo depois, Cristina estava ao lado dela, e ambas estavam espiando por uma janela suja, uma cozinha de fundos suja. Água corria por uma enorme pia de metal cheia de copos.
Emma chegou o pé para trás, pronta para quebrar o vidro com a ponta da bota.
Cristina a pegou pelo ombro.
— Espere. — Ela se abaixou e pegou a janela pela moldura. O símbolo de Força no pescoço dela se ativou e brilhou quando ela arrancou a moldura apodrecida e a derrubou nas latas de lixo de plástico abaixo. — Assim é mais quieto — falou.
Emma sorriu e entrou pela janela, aterrissando em um engradado cheio de garrafas de vodca. Ela desceu, e Cristina a seguiu. As botas de Cristina atingiram o chão no instante em que a porta da cozinha se abriu e um homem baixo com avental de barman e cabelos pretos espetados entrou. Assim que viu Emma e Cristina, soltou um grito espantado.
Ótimo, Emma pensou. Ele tinha a Visão.
— Olá — disse ela. — Somos do Departamento de Saúde. Você sabia que esses recipientes estão sem o gel antibacteriano de limpar as mãos?
Isso não pareceu impressionar o barman. O olhar dele foi de Emma para Cristina e para a janela aberta.
— O que as duas vacas estão fazendo, invadindo o local? Eu vou chamar...
Emma pegou uma colher de madeira do escorredor e arremessou. Bateu na lateral da cabeça do barman. Ele caiu com um barulho. Ela foi até lá e checou o pulso dele. Estava normal. Ela olhou para Cristina.
— Detesto ser chamada de vaca.
Cristina passou por ela e abriu a porta, espiando para fora, enquanto Emma arrastava o barman para o canto do salão e o empurrava gentilmente para trás de engradados de garrafas empilhados.
Cristina enrugou o nariz.
— Eca.
Emma soltou os pés do barman. Eles caíram ruidosamente no chão.
— O que é? Tem alguma coisa horrível acontecendo aqui?
— Não, é só um bar muito nojento — explicou Cristina. — Por que alguém quereria beber aqui?
Emma se juntou a ela na porta, e as duas espiaram para fora.
— Os bares na minha cidade são muito mais arrumados — declarou Cristina. — Acho que alguém vomitou naquele canto.
Ela apontou. Emma não olhou, mas acreditou. O bar não era apenas pouco iluminado, praticamente não havia iluminação. O piso era de concreto, cheio de guimbas de cigarro. Havia um bar com bancada de zinco, e um espelho atrás dele no qual preços de bebida tinham sido escritos com pilot. Homens com camisa de flanela e calças jeans se encontravam agrupados em volta de uma mesa de sinuca esfarrapada. Outros estavam bebendo silenciosamente no bar.
O lugar tinha um cheiro amargo, de cerveja velha e fumaça de cigarro. Encolhido na extremidade oposta do bar, havia um homem com um paletó familiar. Sterling.
— Lá está ele — disse Emma.
— O símbolo de Rastreamento não mente. — Cristina passou por baixo do braço de Emma e entrou no recinto. Emma foi atrás. Sentiu uma ligeira pressão na pele que vinha com o olhar de muitos olhos mundanos, mas seus símbolos de disfarce aguentaram firmes. O único barman levantou o olhar quando a porta da cozinha se fechou, provavelmente procurando por seu colega de trabalho, mas virou as costas e voltou a lustrar os copos quando não viu nada.
Conforme Emma e Cristina se aproximaram, uma expressão extraordinária passou pelo rosto de Sterling. Uma mistura de choque, seguido por desespero, seguido por uma espécie de alegria. Tinha um copo no bar na frente dele, cheio pela metade com um líquido dourado; ele pegou e virou o conteúdo. Quando bateu com o copo de volta no bar, seus olhos brilhavam.
— Nephilim — rosnou.
O barman olhou surpreso para ele. Vários dos outros clientes se mexeram em seus bancos.
— É isso mesmo — disse Sterling. — Eles acham que eu sou louco. — Esticou o braço para indicar as outras pessoas. — Não estou falando com ninguém. Com o ar. Mas vocês. Vocês não se importam. Estão aqui para me torturar.
Ele se levantou cambaleando.
— Uau! — exclamou Emma. — Você está bêbado.
Sterling apontou dois dedos como se fossem armas na direção dela.
— Muito observadora, lourinha.
— Cara! — O barman bateu com um copo na bancada. — Se você vai ficar falando sozinho, faça isso lá fora. Está interferindo no clima do bar.
— Esse lugar tem clima? — perguntou Emma.
— Emma, concentre-se — repreendeu Cristina. Ela se virou para Sterling. — Não estamos aqui para torturá-lo. Estamos aqui para ajudar. Já falamos isso várias vezes.
— Continuem repetindo isso para si mesmas — sibilou ele, e tirou várias notas do bolso, jogando-as no bar. — Tchau, Jimmy — falou para o barman. — Até nunca mais.
Ele foi para a porta e esticou bem os braços para abri-la. Emma e Cristina correram atrás dele.
Emma ficou feliz em voltar lá para fora. Sterling já estava correndo pela rua, a cabeça abaixada. O sol tinha se posto totalmente, e as luzes da rua estavam acesas, preenchendo o ar com um brilho amarelo. Carros passavam acelerados pela Pico.
Sterling estava andando rápido. Cristina o chamou, mas ele não virou, apenas se encolheu no paletó e andou mais depressa ainda. De repente, foi para a esquerda, entre dois prédios, e desapareceu.
Emma praguejou baixinho e saiu correndo. Sentiu uma onda de empolgação tomando suas veias. Ela adorava correr, o jeito como isso esvaziava a cabeça, como fazia com que se esquecesse de tudo, exceto do oxigênio entrando e saindo dos pulmões.
A entrada de um beco surgiu à esquerda. Não era um lixão – esse era quase tão amplo quanto uma rua e se estendia pelos fundos de uma rua de prédios residenciais, com varandas baratas de estuque e vista para a rua dos fundos. Um ralo cinza de concreto ia até o centro.
Na metade da rua o jipe prata de Sterling estava estacionado. Ele se apoiava na porta do motorista, tentando abri-la. Emma pulou nas costas dele, puxando-o para longe do carro. Ele se virou, cambaleou e caiu.
— Maldição! — gritou, se ajoelhando. — Pensei que tivesse dito que estava aqui para me ajudar!
— Em um senso mais amplo, sim — disse Emma. — Porque é nosso dever. Mas ninguém me chama de “lourinha” e sai ileso.
— Emma — avisou Cristina em tom de alerta.
— Levante-se — pediu Emma, estendendo a mão para Sterling. — Venha conosco. Mas, se me chamar de “lourinha” outra vez, arranco seus joelhos e os transformo em pequenas calotas, tudo bem?
— Pare de gritar com ele, Emma — disse Cristina. — Casper... Sr. Sterling... precisamos ficar com você, tudo bem? Sabemos que está correndo perigo, e queremos ajudar.
— Se querem me ajudar, fiquem longe de mim — gritou Sterling. — Preciso ficar sozinho!
— Para acabar afogado e queimado, coberto por marcas, com as digitais raspadas? — falou Emma. — É isso que você quer?
Sterling a encarou.
— Quê?
— Emma! — Emma percebeu que Cristina estava olhando para cima. Uma forma escorregava pelo telhado; um homem com roupas escuras, uma sombra perigosa e familiar. O coração de Emma acelerou no peito.
Levante-se! — Ela pegou a mão de Sterling, puxando-o para que ficasse de pé. Ele se debateu, em seguida, caiu em cima dela, com a boca aberta, enquanto a forma escura no telhado saltava para baixo, aterrissando em uma varanda, Emma conseguiu vê-lo mais claramente agora: um homem de preto, com um capuz escuro levantado para esconder seu rosto.
Tinha uma besta na mão direita. Ele a levantou. Emma deu um empurrão em Sterling que quase o derrubou.
Corra! — gritou ela.
Sterling não se moveu. Estava olhando para a figura de preto, um olhar de total incredulidade no rosto.
Alguma coisa chiou perto da orelha de Emma – uma flecha de besta. Com os sentidos aguçados, ela ouviu um estalo alto quando o canivete borboleta de Cristina se abriu, e o chiado quando voou pelo ar. Ela ouviu o homem de preto gritar, e a besta caiu de sua mão. Bateu no chão do beco, e um instante mais tarde o homem de preto também, aterrissando com um baque alto nas costas de Sterling.
Sterling caiu espalhado. O homem de preto, agachado por cima dele, levantou a mão; alguma coisa prateada brilhou entre seus dedos. Uma faca. Ele a desceu...
Então Cristina foi para cima dele, derrubando-o de lado. Ele caiu espalhado, e Sterling se levantou cambaleando e correu para o carro. Ele caiu com metade do corpo para dentro, arfando. Emma correu atrás dele, mas o carro já ganhava velocidade, acelerando pelo beco.
Ela se virou novamente quando o homem de preto levantou. Emma o alcançou em segundos. Prendendo-o contra a parede manchada do prédio.
Ele tentou se soltar, mas Emma estava lhe segurando a frente do moletom.
— Você atirou em Julian — falou ela. — Eu deveria matá-lo aqui mesmo.
— Emma. — Cristina estava de pé. Estava com o olhar fixo no homem de preto. — Primeiro descubra quem ele é.
Emma pegou o capuz com a mão livre e puxou para baixo, revelando...
Um menino. Não um homem, pensou ela, espantada, definitivamente um jovem – talvez um ano mais velho do que ela – com cabelos pretos emaranhados. Estava com o queixo travado, e os olhos pretos estalaram de raiva.
Cristina engasgou.
Dios mío, ¡no puedo creer que seas tú!
— Quê? — perguntou Emma, olhando do menino para Cristina, para ele outra vez. — O que está acontecendo?
— Emma. — Cristina parecia chocada, como se tivesse tido o ar arrancado de seu corpo. — Esse é Diego. Diego Rocio Rosales, essa é Emma Carstairs.


O ar do lado de fora do Instituto era forte e acolhedor, cheirava a sálvia e sal. Julian podia ouvir o murmúrio baixo de cigarras preenchendo o ambiente, abafando o barulho de Diana fechando a porta da caminhonete. Ela circulou pela lateral do veículo e parou ao ver Julian na escada da frente.
— Jules — disse Diana. — O que está fazendo aqui?
— Eu poderia perguntar o mesmo — respondeu ele. — Está saindo? De novo?
Ela colocou o cabelo atrás da orelha, mas diversos cachos escaparam, soprados pelo vento. Usava roupas escuras, não era uniforme, mas jeans preto, luvas e botas.
— Tenho que ir.
Ele desceu um degrau.
— Quanto tempo vai ficar fora?
— Não sei.
— Então não devemos contar com você. — O peso no peito de Julian parecia maior do que ele era capaz de tolerar. Ele queria extravasar, chutar alguma coisa. Queria Emma, para conversar com ele, sossegá-lo. Mas não podia pensar em Emma.
— Acredite ou não — declarou Diana —, estou fazendo o melhor que posso por vocês.
Julian olhou para as próprias mãos. A pulseira de vidros do mar brilhava no pulso. Ele se lembrou do brilho dela sob a água na noite anterior enquanto nadava em direção a Emma.
— O que espera que eu diga para eles? — falou Julian. — Se me perguntarem onde você está?
— Invente alguma coisa — retrucou Diana. — Você é bom nisso.
Raiva inflou dentro dele, se ele era um mentiroso, e era bom nisso, é porque nunca teve escolha.
— Eu sei coisas sobre você — disse Julian. — Sei que em seu ano de viagem foi para a Tailândia e não voltou até depois da morte do seu pai.
Diana parou, com a mão na porta da caminhonete.
— Você andou me investigando, Julian?
— Sei coisas porque tenho que saber — argumentou Julian. — Preciso ser cuidadoso.
Diana abriu a porta.
— Eu vim para cá — disse ela, suavemente —, sabendo que era má ideia. Sabendo que cuidar de vocês seria me amarrar a um destino que não poderia controlar. Fiz isso porque vi o quanto gostavam um do outro, você, seus irmãos e irmãs, e isso significou alguma coisa para mim. Tente acreditar nisso, Julian.
— Sei que entende de irmãos e irmãs — disse Julian. — Você tinha um irmão. Ele morreu na Tailândia. Você nunca fala nele.
Ela entrou na caminhonete e fechou a porta, a janela ainda aberta.
— Não lhe devo respostas, Julian — falou. — Volto assim que puder.
— Tudo bem — disse ele. De repente, sentiu-se imensamente cansado. — Não vão perguntar onde você está, de qualquer jeito. Não esperam que você esteja por aqui.
Ele viu Diana cobrir o rosto com as mãos. Um instante mais tarde, a caminhonete foi ligada. Luzes iluminaram a frente do Instituto, varrendo a grama arenosa quando a caminhonete desceu pela colina.
Julian ficou onde estava por um bom tempo. Não sabia ao certo quanto tempo. O bastante para que o sol se pusesse por completo, para que o brilho desbotasse das colinas. O bastante para virar e voltar para dentro, esticando os ombros, se preparando.
Foi quando ouviu o barulho. Ele girou e os viu: uma grande multidão, vindo pela estrada em direção ao Instituto.

12 comentários:

  1. Laura do Bom Senso 42 #Zueira1 de julho de 2016 17:38

    ACHEI PESSOAL. FINALMENTE. PASSEI O LIVRO INTEIRO ESPERANDO POR ISSO (a parte inicial) E ACONTECEU.
    Mano, passamos da pagina 244 e 245? Acho que sim, fui conferir, passamos sim. Então vou falar só isso, mano, qual a chance de irmão e irmã gêmeos serem ambos homosexuais e qual a chance de serem tão fofos quanto esses? A chance é pouca, bem pouca, mas mesmo assim É MUITO FOFO MANO AAAAAAAHHHHHHHHHH.
    Acho triste pra gente gay que eles não podem simplesmente achar alguém pra eles, tem de ser alguém gay também, isso me deixa pra baixo, mas isso não tem muito a ver.
    Cara, quero mais Magnus nesses livros, necessito lindos feiticeiros com olhos de gato, e necessito AGORA, ou lindos Caçadores de Sombras com cabelos pretos e olhos azuis, serve qualquer um. Fui........... 42

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    1. Eu achei apressado demais. Quer dizer, aconteceu tudo no mesmo dia!
      E realmente, fiquei pensando nisso. Helen E Mark? Poxa vida... ehauehauehaueh

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    2. Mark e Helen são parte fada,e como a maioria das fadas,eles são bissexuais. Não homossexuais.

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    3. Aii meu rim...morri de ansiedade para ver eles se beijando, mas isso eu não esperava tô realmente mas que amando o casal agr.eles são perfeitos (pena que parabatai)que bom que a Cristina sabe do "que" ACONTECEU entre o Jules e a Emma então ela nunca vai olhar pra ele daquele outro jeito (tipo quando ela chegou,na vdd quando ela chegou e eu percebi um certo clima entre ela e o Jules, comecei a meio qq ODIAR elá mas agr já estou bem melhor )bjoss bjooos
      Ps:eu queri tanto que mais pessoas do elenco dos instrumentos mortais aparece😢😊😊😝😟😙😍😍😍

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    4. P*ta merda! Quando vc falou de gêmeos achei q tava falando do Ty e da Livvy e pensei ''quando q falaram q a LIvvy é lésbica?'' ai depois continuei o comentário e entendi.

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  2. Aaah! Achei muito fofo o momento da Emma e do Julian, e eles foram os que chegaram mais rápido na hora H hahha

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  3. O site que a Cassadra postou para os fãs pq nao podia editar por causa da idade pq as cenas de emma e julles e tal(muito foda mds q julles safadinho kkk morri de rir) nao sei pq excluiram do livro kkk

    http://idris.com.br/livros/outros/cacadores-de-sombras-e-seres-do-submundo/extras-e-cenas-excluidas/cena-emma-e-julian-estendida-lady-midnight/

    -Morgana

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  4. Desta vez não foi numa caverna. Embora a caverna também não tenha deixado de aparecer como sempre, né.

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  5. Caçadora de sombras16 de julho de 2016 00:21

    AKLHFLRLGNKLEGNJLNGKLHNTÇLKHMJÇL
    TYKSNHLKNVJLBENTGÇLKBÇEMTYLJMROR --> Esses são os meus sentimentos
    () --> Essa sou eu
    Como podem ver meus sentimentos são todos bagunçados e não cabem em mim, por que esse capítulo me deixou muito, mas muito confusa em relação ao que sentir!!
    Eu simplesmente amei essa primeira vez Jemma, li acena completa num blog, e foi muito perfeito, mas a coisas aconteceram tão rápido, os desentendimentos, as descobertas, as confissões, e, enfim, tudo dá a mesma coisa: Me deixa extremamente embasbacada e confusa. Mas mesmo assim amei <3

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  6. Gente. Um tiro após o outro! Finalmente Emma e Julian estão juntos e de repente tudo ruiu!
    E Diego!! Quem diria?!
    Ja é de madrugada. Mas eu simplesmente não posso dormir sem contiuar lendo

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  7. Jemma acontece e Julian vem e fala que é Philia o amor deles PELO AMOR DE TODOS OS DEUSES NÃO FAÇA ISSO COM MEUS SENTIMENTOS POR FAVOR EU TENHO ATAQUE POR CONTA DE JEMMA E ISSO ACONTECE
    E gente acho que Cristina podia ser psicóloga cada frase que ela solta no livro mds "E existe uma diferença entre ter o coração partido e a alma estilhaçada." vai ser poetisa menina
    Eu queria que ela fosse parabatai da Emma descomplicaria muito as coisas mas também adoro o Julian como parabatai dela SOCORRO <3 estou morta com esse livro bagunçando meus sentimentos legal...

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  8. Como assim o Julian não "ama" a Emma? Quem é que ele ta tentando enganar? Socorr que confusão.

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