1 de julho de 2016

Capítulo 1 - Um sepulcro neste reino

— Simplesmente não está dando certo — disse Emma. — Essa relação, quero dizer.
Ruídos desconsolados vieram do outro lado da linha. Emma quase não conseguia decifrá-los; o sinal não era particularmente bom no telhado do Bar Sepulcro. Ela caminhou pela borda do telhado, espiando pelo jardim central.
Árvores de jacarandá eram iluminadas por luzes elétricas. Mesas e cadeiras ultramodernas e refinadas se espalhavam pelo espaço do jardim. Homens e mulheres jovens, igualmente refinados e ultramodernos lotavam o lugar, taças de vinho brilhando em suas mãos como bolhas límpidas, em vermelho, branco e rosa. Alguém tinha alugado o espaço para uma festa particular: uma faixa de lantejoulas de aniversário estava pendurada entre duas árvores, e garçons atravessavam a multidão com bandejas de aperitivos.
Algo naquela cena glamourosa despertava em Emma a vontade de interromper a festa, chutando algumas telhas ou saltando no meio da multidão.
Mas a Clave prenderia por um bom tempo quem tivesse esse tipo de comportamento.
Mundanos nunca deveriam enxergar Caçadores de Sombras. Mesmo que Emma de fato pulasse no pátio, nenhum dos mundanos a veria. Ela estava coberta por símbolos de disfarce, aplicados por Cristina, que a deixavam invisível a qualquer um que não tivesse a Visão.
A menina suspirou e levou o telefone de volta ao ouvido.
— Tudo bem, nossa relação — corrigiu. — Nossa relação não está dando certo.
— Emma! — Cristina sibilou alto atrás dela. A menina se virou, suas botas equilibradas na beira do telhado. Cristina estava sentada na telha inclinada atrás dela, polindo uma faca de arremesso com um tecido azul-claro. O tecido combinava com os elásticos que prendiam seus cabelos para não caírem no rosto. Tudo em Cristina era organizado e arrumado, ela conseguia ficar bonita e profissional com seu uniforme preto, do mesmo jeito que outras pessoas ficariam em um terninho. O medalhão dourado de boa sorte brilhava no pescoço, e o anel de família, com estampa de rosas, de Rosales, luzia em sua mão enquanto ela pousava a faca, envolvida pelo tecido, ao seu lado. — Emma, lembre-se. Utilize a primeira pessoa.
Cameron continuava tagarelando do outro lado da linha qualquer coisa sobre se encontrarem para conversar, mas Emma sabia que não adiantaria nada. Ela estava concentrada na cena abaixo – aquilo era uma sombra passando pela multidão ou ela estava imaginando coisas? Talvez fosse o seu desejo.
Johnny Rook costumava ser confiável e parecia muito seguro em relação àquela noite, mas Emma detestava se arrumar inteira e se concentrar para descobrir que não haveria luta para gastar toda a energia.
— O problema sou eu, e não você — disse ela ao telefone. Cristina fez sinal positivo com o polegar para encorajá-la. — Eu enjoei de você. — Ela sorriu alegremente quando Cristina escondeu o rosto nas mãos. — Então, de repente, será que podemos voltar a ser amigos?
Fez-se um clique quando Cameron desligou. Emma guardou o telefone no cinto e examinou a multidão outra vez. Nada. Irritada, ela escalou o telhado para sentar ao lado de Cristina.
— Bem, dava para ter sido melhor — argumentou.
— Você acha? — Cristina tirou as mãos do rosto. — O que aconteceu?
— Não sei. — Emma suspirou e alcançou a estela, o delicado instrumento de adamas que os Caçadores de Sombras utilizavam para marcar símbolos de proteção na pele. Tinha um cabo esculpido feito de osso de demônio e foi um presente de Jace Herondale, a primeira paixonite de Emma. A maioria dos Caçadores de Sombras gastava estelas como humanos gastavam lápis, mas essa era especial para Emma e ela a guardava tão cuidadosamente intacta quanto sua espada. — Sempre acontece. Tudo estava bem, e aí acordei um dia e o simples som da voz dele me enjoou. — Ela encarou Cristina com expressão culpada. — Eu tentei — acrescentou. — Esperei semanas! Torci para melhorar. Mas não melhorou.
Cristina a afagou no braço.
— Eu sei, cuata — falou. — Você só não é muito boa em ter...
— Tato? — sugeriu Emma.
O inglês de Cristina quase não tinha sotaque, e Emma frequentemente se esquecia de que não era sua língua nativa. Por outro lado, Cristina falava sete línguas além do espanhol, sua língua materna. Emma falava inglês e um pouco de espanhol, grego e latim, sabia ler três línguas demoníacas e falar palavrão em cinco.
— Eu ia dizer relacionamentos — respondeu Cristina. Seus olhos castanho-escuros brilharam. — Só estou aqui há dois meses e você se esqueceu de três encontros com Cameron, faltou no aniversário dele e agora o dispensou porque a patrulha noturna está lenta.
— Ele só queria jogar videogame — retrucou Emma. — Detesto videogame.
— Ninguém é perfeito, Emma.
— Mas algumas pessoas são perfeitas umas para as outras. Não acha que isso tem que ser verdade?
Um olhar estranho atravessou o rosto de Cristina e desapareceu tão depressa que Emma teve certeza de que o tinha imaginado. Às vezes, Emma se lembrava de que, por mais próxima que se sentisse de Cristina, ela não a conhecia; não a conhecia como conhecia Jules, do jeito que se conhece alguém com quem você compartilhou todos os seus momentos desde a infância. O que aconteceu com Cristina no México – o que quer que a tenha feito correr para Los Angeles, para longe da família e dos amigos – foi algo a respeito do qual ela jamais falou com Emma.
— Bem — disse Cristina —, pelo menos você foi sábia o suficiente ao me trazer junto como apoio moral e para ajudá-la a superar esse momento difícil.
Emma cutucou Cristina com a estela.
— Eu não estava planejando dispensar Cameron. Estávamos aqui, e ele ligou, o rosto dele apareceu no meu telefone, bem, na verdade uma lhama apareceu no meu telefone, porque eu não tinha foto dele, então usei a de uma lhama, e a lhama me irritou tanto que não pude evitar.
— Que época ruim para ser uma lhama.
— E alguma época é boa? — Emma girou a estela e começou a desenhar um símbolo de Equilíbrio no braço. Tinha orgulho em ter ótimo equilíbrio sem precisar de Marcas, mas no alto de um telhado, provavelmente era uma boa ideia se manter segura.
Ela pensou em Julian, longe, na Inglaterra, com uma pontada no peito. Ele teria ficado feliz em ver que ela estava tomando cuidado. Ele teria dito algo engraçado, carinhoso e autodepreciativo a respeito. Ela sentia muito a falta dele, mas supunha que fosse assim que as coisas funcionassem com parabatai, ligados por magia, assim como por amizade.
Ela sentia falta de todos os Blackthorn. Tinha crescido entre Julian e os irmãos, viveu com eles desde os 12 anos — quando perdeu os pais, e Julian, cuja mãe já tinha morrido, perdeu o pai. De filha única, ela foi jogada em uma família grande, barulhenta e cheia de amor. Nem tudo foi fácil, mas ela os adorava, desde a tímida Drusilla a Tiberius, que adorava histórias de detetive.
Eles partiram no início do verão para visitar a tia-avó em Sussex — a família Blackthorn era originalmente britânica. Marjorie, Julian explicou, tinha quase cem anos de idade e poderia morrer a qualquer instante: tinham que visitá-la. Era uma obrigação moral.
E lá se foram por dois meses, todos exceto o tio, o diretor do Instituto. O choque no sistema de Emma foi severo. O Instituto passou de barulhento a quieto. E, pior de tudo, quando Julian partiu, ela sentiu, como um nervoso constante, uma dor fraca no peito.
Namorar Cameron não mudou nada, mas a chegada de Cristina ajudou incomensuravelmente. Era comum que Caçadores de Sombras que completassem 18 anos visitassem Institutos estrangeiros para aprender sobre diferentes costumes. Cristina veio da Cidade do México para Los Angeles – não havia nada de incomum nisso, mas ela sempre teve ares de quem fugia de alguma coisa. Emma, enquanto isso, fugia da solidão. Ela e Emma se esbarraram e se tornaram melhores amigas mais depressa do que Emma acreditaria ser possível.
— Diana ficará feliz por você dispensar Cameron, pelo menos — disse Cristina. — Acho que ela não gostava dele.
Diana Wrayburn era a tutora da família Blackthorn. Era extremamente inteligente, extremamente severa e estava extremamente cansada de ver Emma caindo no sono no meio da aula porque tinha saído na noite anterior.
— Diana só acha que todos os relacionamentos são distrações que atrapalham os estudos — retrucou Emma. — Por que namorar alguém quando você pode aprender mais uma língua demoníaca? Quero dizer, quem não gostaria de saber falar “você vem sempre aqui?” em purgatês?
Cristina riu.
— Você parece Jaime. Ele detestava estudar. — Emma aguçou os ouvidos: Cristina raramente falava sobre os amigos ou a família na Cidade do México. Ela sabia que o tio de Cristina dirigia o Instituto da Cidade do México até ter sido morto na Guerra Maligna, e mãe dela assumiu. Ela (Emma) sabia que o pai de Cristina tinha morrido quando a amiga era criança. Mas não muito mais que isso. — Mas não Diego. Ele adorava. Fazia trabalhos extra só por diversão.
— Diego? O cara perfeito? O que sua mãe ama? — Emma começou a passar a estela sobre a pele, o símbolo de Visão de Longo Alcance tomando forma em seu antebraço. As mangas do uniforme iam até o cotovelo, a pele abaixo inteiramente marcada por cicatrizes pálidas de símbolos havia muito gastos.
Cristina esticou o braço e pegou a estela de Emma.
— Aqui. Deixe que eu faço isso. — Ela continuou com o desenho do símbolo de Visão de Longo Alcance. Cristina tinha uma boa mão para símbolos, cuidadosa e precisa. — Não quero falar sobre o Diego Perfeito — avisou. — Minha mãe já fala sobre ele o bastante. Posso perguntar sobre outra coisa?
Emma assentiu. A pressão da estela em sua pele era familiar, quase agradável.
— Sei que você quis vir aqui porque Johnny Rook disse que foram encontrados corpos com marcas, e ele acha que vai aparecer mais um hoje.
— Certo.
— E você torce para que as marcas sejam as mesmas encontradas nos corpos dos seus pais.
Emma ficou tensa. Não podia evitar. Qualquer menção ao assassinato dos pais doía como se tivesse sido na véspera. Mesmo quando a pessoa perguntando fosse tão gentil quanto Cristina.
— Sim.
— A Clave diz que Sebastian Morgenstern assassinou seus pais — continuou Cristina. — Foi o que Diana me disse. É nisso que eles acreditam. Mas você não.
A Clave. Emma olhou para a noite de Los Angeles, para a explosão brilhante de eletricidade que era a paisagem urbana, para as fileiras intermináveis de outdoors que ladeavam o Sunset Boulevard. Era uma palavra inofensiva, “Clave”, quando ela a ouviu pela primeira vez. A Clave era simplesmente o governo dos Nephilim, composto por todos os Caçadores de Sombras ativos acima dos 18 anos.
Teoricamente todos os Caçadores de Sombras tinham direito a voto e uma voz igual. Inclusive, alguns Caçadores de Sombras eram mais influentes que outros: como qualquer partido político, a Clave sofria de corrupção e preconceitos. Para os Nephilim isso significava um código rígido de honra e regras que todos os Caçadores de Sombras deveriam seguir ou enfrentariam severas consequências.
A Clave tinha um lema: a Lei é dura, mas é a Lei. Todos os Caçadores de Sombras sabiam o que isso significava. As regras da Lei da Clave tinham que ser obedecidas, por mais duras ou dolorosas que fossem. A Lei se sobrepunha a todo o restante – necessidades pessoais, dor, perda, injustiça, deslealdade.
Era a Lei. Quando a Clave disse a Emma que ela precisava aceitar o fato de que seus pais tinham sido mortos como parte da Guerra Maligna, ela tinha a obrigação de aceitar.
Ela não aceitou.
— Não — concordou Emma lentamente. — Eu não acredito.
Cristina sentou com a estela parada na mão, o símbolo não concluído. O adamas brilhava ao luar.
— Poderia me dizer por quê?
— Sebastian Morgenstern estava formando um exército — disse Emma, ainda olhando para o mar de luzes. — Ele pegou Caçadores de Sombras e os transformou em monstros que lhe serviam. Ele não os marcou com linguagem demoníaca no corpo e depois os jogou no mar. Quando os Nephilim tentaram mover os corpos dos meus pais, eles se dissolveram. Isso não aconteceu com nenhuma das vítimas de Sebastian. — Ela passou o dedo por uma telha. — E... tenho uma sensação. Não é passageiro. É algo em que sempre acreditei. E acredito cada dia mais. Acredito que a morte dos meus pais foi diferente. E colocá-los na conta de Sebastian significa... — Ela se interrompeu com um suspiro. — Desculpe. Estou tagarelando. Olha, isso provavelmente não dará em nada. Você não deve se preocupar.
— Eu me preocupo com você — disse Cristina, mas ela colocou a estela de volta na pele de Emma e terminou o desenho sem dizer mais nada. Era algo que Emma gostava em Cristina desde que a conheceu; ela não a apertava ou pressionava.
Emma olhou para baixo, apreciando enquanto Cristina se recostou, após o trabalho. O símbolo da Visão de Longo Alcance brilhou claro e limpo no braço de Emma.
— A única pessoa que conheço que desenha símbolos melhor do que você é Julian — disse ela. — Mas ele é um artista...
— Julian, Julian, Julian — ecoou Cristina, com a voz provocadora. — Julian é pintor, Julian é um gênio, Julian saberia como resolver isso, Julian saberia construir aquilo. Sabe, ao longo das últimas sete semanas ouvi tantas maravilhas a respeito de Julian que estou começando a temer que vá me apaixonar por ele instantaneamente quando o conhecer.
Emma esfregou as mãos sujas cuidadosamente nas pernas. Estava se sentindo rija, inquieta e tensa. Tanta preparação para a batalha e não lutar, ela disse a si mesma. Não era à toa que não queria ficar na própria pele.
— Acho que ele não faz o seu tipo — rebateu. — Mas ele é meu parabatai, então não sou imparcial.
Cristina devolveu a estela a Emma.
— Sempre quis um parabatai — falou melancolicamente. — Alguém que jurasse me proteger e me acompanhar. Um melhor amigo para sempre, por toda a vida.
Um melhor amigo para sempre, por toda a vida. Quando os pais de Emma morreram, ela lutou para ficar com os Blackthorn. Em parte, porque tinha perdido tudo que tinha de familiar e não podia suportar a ideia de recomeçar, e, em parte, porque queria ficar em Los Angeles para poder investigar as mortes deles.
Poderia ter sido desconfortável; ela poderia ter se sentido deslocada, na condição de única Carstairs na família Blackthorn. Mas nunca foi assim, por causa de Jules. Parabatai era mais que amizade, mais que família; era um laço que prendia os dois, ferozmente, de um jeito que todo Caçador de Sombras respeitava e reconhecia, do mesmo jeito que se respeitava um laço entre duas pessoas casadas.
Ninguém separaria parabatai. Ninguém ousaria tentar: parabatai eram mais fortes unidos. Lutavam juntos como se pudessem ler as mentes um do outro. Um único símbolo aplicado em você por seu parabatai lhe dava mais força do que dez símbolos aplicados por qualquer outra pessoa. Frequentemente parabatai tinham as cinzas enterradas no mesmo túmulo para que não fossem separados nem após a morte.
Nem todos tinham um parabatai; na verdade, eles eram raros. Era um compromisso vitalício. Você jurava permanecer ao lado da outra pessoa, jurava protegê-la sempre, ir aonde ela fosse, considerar a família dela como sua.
As palavras do juramento vinham da Bíblia: onde fores, irei; os seus serão os meus; onde morreres, morrerei, e lá serei enterrado.
Se houvesse um termo em linguagem mundana, Emma achava, seria “alma gêmea”. Alma gêmea platônica. Você não podia ter envolvimento romântico com seu parabatai. Como tantas coisas, era contra a Lei. Emma nunca soube o motivo – não fazia o menor sentido – mas boa parte da Lei não fazia. Não fazia o menor sentido que a Clave exilasse os meios-irmãos de Julian, Helen e Mark, simplesmente porque a mãe deles era fada, mas também fizeram isso quando selaram a Paz Fria.
Emma se levantou, deslizando a estela para o cinto de armas.
— Bem, os Blackthorn chegam depois de amanhã. Você vai conhecer Jules. — Ela se moveu para a beira do telhado; desta vez ouviu as botas arranhando o tijolo e informando que Cristina estava atrás dela. — Está vendo alguma coisa?
— Talvez não esteja acontecendo nada. — Cristina deu de ombros. — Talvez seja só uma festa.
— Johnny Rook falou com tanta certeza — murmurou Emma.
— Diana não a proibiu especificamente de vê-lo?
— Ela talvez tenha me dito para parar de encontrá-lo — reconheceu Emma. — Talvez até tenha dito que ele é “um criminoso que comete crimes”, o que devo dizer que achei excessivo, mas ela não me proibiu de ir ao Mercado das Sombras.
— Porque todo mundo sabe que Caçadores de Sombras não devem ir ao Mercado das Sombras.
Emma ignorou.
— E se eu encontrei por acaso com Rook, digamos, no Mercado, e ele passou informações enquanto conversávamos, e eu, acidentalmente, deixei cair algumas notas? Quem pode chamar isso de “comprar informações”? Apenas dois amigos, um, descuidado com fofocas, e a outra, descuidada com finanças...
— Não é esse o espírito da Lei, Emma. Lembra? A Lei é dura, mas é a Lei.
— Pensei que fosse “a Lei é irritante, mas também é flexível”.
— Esse não é o lema. E Diana vai matá-la.
— Não se resolvermos os assassinatos. O fim justifica os meios. E se nada acontecer, ela nunca terá que saber. Certo?
Cristina não disse nada.
— Certo...? — Emma repetiu.
Cristina respirou fundo.
— Está vendo? — perguntou ela, apontando.
Emma viu. Um homem alto, bonito e com cabelos bem cuidados, pele clara e roupas feitas sob medida, se movendo entre a multidão. Enquanto seguia caminho, homens e mulheres viraram para olhá-lo, com rostos petrificados e fascinados.
— Tem um feitiço de disfarce nele — disse Cristina. Emma ergueu uma sobrancelha.
O disfarce era uma magia de ilusão, frequentemente utilizada por integrantes do Submundo para se esconder dos olhares mundanos. Caçadores de Sombras também tinham acesso a Marcas que produziam o mesmo efeito, apesar de os Nephilim não considerarem isso magia. Magia era assunto de feiticeiros; símbolos eram um presente do Anjo.
— A questão é: vampiro ou fada?
Emma hesitou. O homem se aproximava de uma jovem com saltos muito altos e uma taça de champanhe na mão. O rosto dela ficou relaxado e inexpressivo quando ele falou com ela. Ela fez que sim com a cabeça, esticou a mão e soltou o colar espesso de ouro que estava usando. Colocou-o na mão dele, com um sorriso no rosto enquanto ele guardava a joia no bolso.
— Fada — concluiu Emma, alcançando o cinto de armas.
Fadas complicam tudo. De acordo com a Lei da Paz Fria, um Caçador de Sombras menor de idade não deveria ter qualquer relação com fadas. As fadas estavam fora do alcance; eram a ramificação maldita e proibida entre os do Submundo desde a Paz Fria, que havia tomado seus direitos, seus exércitos e suas posses. As terras ancestrais das fadas não eram mais consideradas como suas e outros membros do Submundo brigavam entre si para reivindicá-las. Tentar apaziguar essas batalhas era grande parte do trabalho do Instituto de Los Angeles, mas era coisa de adulto. Caçadores de Sombras da idade de Emma não deveriam lidar diretamente com fadas.
Na teoria.
A Lei é irritante, mas é flexível. Emma pegou um saquinho de tecido, amarrado em cima, de uma bolsa presa ao cinto. Começou a abri-lo enquanto a fada ia da mulher sorridente para um homem esguio de paletó preto, que lhe entregou espontaneamente as abotoaduras brilhantes. A fada agora estava quase diretamente abaixo de Emma e Cristina.
— Vampiros não ligam para ouro, mas o Povo das Fadas paga tributo ao Rei e à Rainha em ouro, pedras preciosas e outros tesouros.
— Ouvi dizer que a Corte Unseelie paga em sangue humano — observou Cristina sombriamente.
— Hoje não — disse Emma, dando um peteleco na bolsa que estava segurando e despejando o conteúdo na cabeça da fada.
Cristina ficou horrorizada quando a fada abaixo delas soltou um grito rouco, o feitiço de disfarce desaparecendo como uma cobra trocando de pele.
Um coro de gritos emergiu da multidão quando a verdadeira aparência da fada foi revelada. Havia galhos que cresciam como chifres curvos de sua cabeça, e a pele era verde-escura como lodo, inteiramente rachada como um tronco. As mãos eram garras espatuladas, com três dedos.
— Emma — alertou Cristina. — Temos que conter isso agora... chame os Irmãos do Silêncio...
Mas Emma já tinha pulado.
Por um momento, ela pareceu uma pluma, caindo pelo ar. Então atingiu o chão, com os joelhos dobrados, como tinham lhe ensinado. Como ela se lembrava daqueles primeiros saltos de grandes alturas, os estalos, as quedas desajeitadas, os dias que tinha que esperar até se curar para poder tentar outra vez.
Não mais. Emma se levantou, encarando a fada através da multidão. Brilhando no rosto envelhecido e parecido com um tronco, os olhos eram amarelos como os de um gato.
— Caçadora de Sombras — sibilou o fada.
Os convidados da festa continuaram fugindo do pátio pelos portões que levavam ao estacionamento. Nenhum deles viu Emma, apesar de o instinto de cada um ter funcionado, fazendo com que passassem em torno dela como água em volta dos pilares de uma ponte.
Emma dobrou o braço por cima do ombro e fechou a mão em volta do cabo da espada. Cortana. A lâmina causou um borrão dourado no ar quando ela a sacou e apontou a ponta para a fada.
— Não — zombou a garota. — Sou uma jujuba. Essa é minha fantasia.
O ladrão fada pareceu confuso.
Emma suspirou.
— É tão difícil fazer piada com o Povo das Fadas. Vocês nunca entendem.
— Somos famosos por nossas brincadeiras, artimanhas e canções — disse o fada, claramente ofendido. — Algumas de nossas canções duram semanas.
— Não tenho esse tempo todo — respondeu Emma. — Sou Caçadora de Sombras. Responda rápido, morra jovem. — Ela balançou a ponta de Cortana impacientemente. — Agora revire os bolsos.
— Não fiz nada para violar a Paz Fria — disse ele.
— Tecnicamente é verdade, mas condenamos roubos a mundanos — disse Emma. — Vire os bolsos ou vou arrancar um de seus chifres e enfiá-lo onde o sol não bate.
O homem fada pareceu confuso.
— Onde o sol não bate? É um enigma?
Emma soltou um suspiro martirizado e ergueu Cortana.
— Vire os bolsos ou vou começar a descascar seu tronco. Acabei de terminar com meu namorado, e meu humor não está dos melhores.
A fada começou a esvaziar lentamente os bolsos, encarando Emma durante todo o processo.
— Então você é solteira — disse ele. — Eu nunca imaginaria.
Um engasgo soou do alto.
— Isso é grosseria — disse Cristina, inclinando-se sobre a beira do telhado.
— Obrigada, Cristina — disse Emma. — Golpe baixo. E, para sua informação, garoto fada, eu terminei com ele.
A criatura deu de ombros. Foi um gesto bastante expressivo, que conseguia transmitir diversas formas de não dar a mínima ao mesmo tempo.
— Apesar de eu não saber por quê — disse Cristina. — Ele era muito legal.
Emma revirou os olhos. O ladrão fada continuava descarregando o que roubou – brincos, carteiras caras de couro, anéis de diamante caíam no chão em uma cacofonia brilhante. Emma se preparou. Ela não se importava com as joias ou com o roubo. Estava procurando por armas, livros de feitiços, qualquer sinal de magia negra que associasse às marcas nos pais.
— Os Ashdown e os Carstairs não se entendem — disse ela. — É um fato conhecido.
Com isso o homem fada pareceu congelar onde estava.
— Carstairs. — Ele cuspiu, os olhos amarelos fixos em Emma. — Você é Emma Carstairs?
Emma piscou os olhos, espantada. Ela olhou para cima; Cristina tinha desaparecido da beira do telhado.
— Eu realmente duvido que já nos conheçamos. Eu me lembraria de uma árvore falante.
— Lembraria? — Mãos espatuladas tremeram na lateral do corpo da fada. — Eu esperaria um tratamento mais cortês. Ou você e seus amigos do Instituto se esqueceram de Mark Blackthorn tão rápido assim?
— Mark? — Emma congelou, sem conseguir controlar a própria reação.
Naquele momento, algo brilhante veio em direção ao seu rosto. O ladrão tinha atirado um colar de diamantes nela. Ela desviou, mas a ponta do cordão a atingiu na bochecha. Ela sentiu uma dor ardida e o calor do sangue.
Emma se esticou, mas a criatura tinha desaparecido. Ela xingou, limpando o sangue do rosto.
— Emma! — gritou Cristina, que tinha descido do telhado e estava perto de um portão no muro. Uma saída de emergência. — Ele foi por aqui!
Emma correu naquela direção, e juntas elas arrombaram a porta e dispararam para um beco atrás do bar. Estava surpreendentemente escuro; alguém tinha quebrado as luzes próximas. Lixo jogado contra o muro fedia a comida estragada e álcool. Emma sentiu o símbolo da Visão de Longo Alcance arder; no final do beco viu o homem virar para a esquerda.
Ela partiu atrás dele, com Cristina ao seu lado. Tinha passado tanto tempo da vida correndo com Julian, que tinha dificuldades em ajustar seu ritmo ao de outra pessoa; seguiu em frente, correndo. Fadas eram velozes, eram conhecidas por isso. Ela e Cristina dobraram a esquina seguinte, onde o beco estreitava. A fada em fuga tinha juntado duas latas de lixo para bloquear a passagem. Emma pulou por cima, utilizando as lixeiras para tomar impulso, as botas batendo no metal.
Ela caiu para a frente e aterrissou em algo macio. Tecido rasgou sob suas unhas. Roupas. Roupas em um corpo humano. Roupas molhadas. O cheiro de água do mar e podridão estava por todos os lados. Ela estava olhando para um rosto inchado e morto.
Emma conteve um berro. Um instante mais tarde ela ouviu uma nova batida, e Cristina caiu ao seu lado. Emma ouviu a amiga soltar uma exclamação de espanto em espanhol. Em seguida, os braços de Cristina a envolveram, afastando-a do corpo. Ela aterrissou no asfalto, desconfortável, sem conseguir parar de olhar.
O corpo era inegavelmente humano. Um homem de meia-idade, ombros arredondados, os cabelos grisalhos volumosos como uma juba de leão. Partes da pele estavam queimadas, em preto e vermelho, bolhas se erguiam nos pontos onde as queimaduras eram piores, tal espuma em uma barra de sabão.
A camisa cinza estava rasgada; no peito e nos braços havia linhas de símbolos pretos, não marcas de Caçadores de Sombras, mas uma letra demoníaca contorcida. Eram símbolos que Emma conhecia tão bem quanto conhecia as cicatrizes nas próprias mãos. Ela encarou obsessivamente fotos daquelas marcas durante cinco anos. Eram as marcas que a Clave encontrou nos corpos de seus pais quando foram assassinados.


— Você está bem? — perguntou Cristina.
Emma estava apoiada em uma parede de tijolos no beco (que tinha um cheiro muito questionável e estava coberta de spray), encarando o cadáver do mundano e os Irmãos do Silêncio que o cercavam.
A primeira coisa que Emma fez assim que conseguiu pensar com clareza foi chamar os Irmãos e Diana. Agora ela questionava a própria decisão. Os Irmãos do Silêncio chegaram imediatamente e se espalharam em torno do corpo; às vezes, se viravam para falar uns com os outros com suas vozes silenciosas enquanto investigavam, analisavam e faziam anotações. Tinham levantado barreiras de proteção mágica para terem tempo de trabalhar antes da chegada da polícia mundana, mas – com educação e firmeza, usando apenas um pouquinho de força telepática – eles impediram Emma de se aproximar do corpo.
— Estou furiosa — disse ela. — Tenho que ver essas marcas. Tenho que tirar fotos delas. Foram meus pais que eles mataram. Não que os Irmãos do Silêncio se importem. Só conheci um Irmão do Silêncio decente, e ele deixou de ser um deles.
Os olhos de Cristina se arregalaram. De algum jeito, ela havia conseguido manter seu uniforme limpo durante toda a confusão, parecia guardar energia, e suas bochechas estavam rosadas. Emma ficou imaginando que ela própria, com cabelos arrepiados e cheia de sujeira do beco nas roupas, lembrava uma alma penada.
— Não achei que fosse algo que a pessoa pudesse deixar de ser.
Os Irmãos do Silêncio eram Caçadores de Sombras que tinham escolhido se isolar do mundo, como monges, e dedicar suas vidas a estudar e curar. Eles ocupavam a Cidade do Silêncio, as grandes cavernas subterrâneas em que quase todos os Caçadores de Sombras eram enterrados quando morriam. As terríveis cicatrizes eram o resultado de símbolos fortes demais para a maioria das peles humanas, mesmo as de Caçadores de Sombras, mas eram também os símbolos que os faziam praticamente imortais. Eles atuavam como conselheiros, arquivistas e curandeiros – e também podiam brandir o poder da Espada Mortal.
Foram eles que realizaram a cerimônia parabatai de Emma e Julian. Compareciam aos casamentos, aos nascimentos de crianças Nephilim e a morte delas também. Todo evento importante da vida de um Caçador de Sombras era marcado pela aparição de um Irmão do Silêncio.
Emma pensou no único Irmão do Silêncio de quem já havia gostado. Ela ainda sentia a falta dele, às vezes.
De repente, o beco se acendeu como a luz do dia. Piscando, Emma virou para ver uma picape familiar que encostou na entrada do beco, parando com os faróis ainda acesos; Diana Wrayburn saltou do banco do motorista.
Quando Diana teve que vir trabalhar como tutora das crianças do Instituto de Los Angeles há cinco anos, Emma achou que ela fosse a mulher mais linda que já vira. Era alta, magra e elegante, com a tatuagem prateada de uma carpa se destacando contra a pele escura de uma maçã do rosto curvilínea. Tinha olhos castanhos respingados de verde, que no momento brilhavam como chamas em fúria. Ela estava com um vestido preto na altura do tornozelo, que caía pelo seu corpo em dobras elegantes. Se parecia com a deusa romana da caça, em homenagem à qual foi batizada.
— Emma! Cristina! — Diana correu em direção a elas. — O que aconteceu? Vocês estão bem?
Por um instante, Emma parou de encarar e se permitiu aproveitar o abraço apertado. Diana sempre foi nova demais para Emma pensar nela como mãe, mas uma irmã mais velha, talvez. Uma pessoa protetora. Diana a soltou e abraçou Cristina também.
— O que aconteceu? Por que você está tentando abrir um buraco no Irmão Enoch com o seu olhar?
— Estávamos patrulhando... — começou Emma.
— Vimos um homem fada roubando de humanos — acrescentou Cristina rapidamente.
— Sim, e eu o contive e mandei que esvaziasse os bolsos...
— Uma fada? — Um ar de inquietação passou pelo rosto de Diana. — Emma, você sabe que não deve confrontar nenhum integrante do Povo das Fadas, mesmo quando Cristina estiver com você...
— Já os combati antes — retrucou Emma.
E era verdade. Tanto ela quanto Diana tinham lutado em Alicante quando o exército de Crepusculares de Sebastian atacou. As ruas estavam cheias de guerreiros fada. Os adultos levaram as crianças e as prenderam no Salão dos Acordos, onde deveriam permanecer seguras. Mas as fadas violaram as trancas... Diana esteve lá, atacando para a esquerda e para a direita com sua espada mortal, salvando dezenas de crianças. Emma foi uma das que foram salvas.
Desde então ela amava Diana.
— Eu tive uma sensação — continuou Emma —, de que algo maior e pior estava acontecendo. Segui a criatura quando ela correu. Sei que não devia ter feito isso, mas... encontrei esse corpo. E está coberto com as mesmas marcas pretas nos corpos dos meus pais. As mesmas marcas, Diana.
Diana voltou-se para Cristina.
— Pode nos dar um momento a sós por favor, Tina?
Cristina hesitou. Mas como hóspede do Instituto de Los Angeles, uma jovem Caçadora de Sombras de Licença, ela tinha que obedecer ao que os mais velhos do Instituto pediam. Com um olhar para Emma, ela se afastou, indo até onde o corpo se encontrava. Ele estava cercado por um círculo de Irmãos do Silêncio, como um bando de pássaros claros em suas túnicas. Eles jogavam uma espécie de pó brilhante sobre as marcações, ou, pelo menos, era o que parecia. Emma gostaria de poder chegar mais perto para ver.
Diana exalou.
— Emma, tem certeza?
Emma se segurou para não responder com irritação. Ela entendia por que Diana estava perguntando. Ao longo dos anos foram tantas pistas falsas; tantas ocasiões em que a menina achou que tivesse encontrado uma pista ou uma tradução para as marcas, ou uma história em um jornal mundano – e em todas as vezes ela se enganou.
— Só não quero que você cultive falsas esperanças — disse Diana.
— Eu sei — respondeu a menina. — Mas não devo ignorar. Não posso ignorar. Você acredita em mim. Sempre acreditou em mim, certo?
— Que Sebastian Morgenstern não matou seus pais? Ah, querida, você sabe que sim. — Diana afagou gentilmente o ombro de Emma. — Só não quero que se machuque, e sem Julian aqui...
Emma esperou que ela continuasse.
— Bem, sem Julian aqui, você sofre mais facilmente. Parabatai amortecem as coisas um para o outro. Sei que é forte, você é, mas isso é uma coisa que a feriu muito profundamente quando era apenas uma criança. É a Emma de 12 anos que reage a qualquer coisa que se relacione aos seus pais, e não a Emma quase adulta. — Diana estremeceu e a tocou no lado da cabeça. — O Irmão Enoch está me chamando — avisou. Irmãos do Silêncio conseguiam se comunicar com Caçadores de Sombras de forma telepática, de um jeito que só eles pudessem ouvir, apesar de eles também serem capazes de falar a grupos caso necessário. — Você pode voltar para o Instituto?
— Sim, mas se eu pudesse ver o corpo outra vez...
— Os Irmãos do Silêncio não permitem. — respondeu Diana com firmeza. — Vou descobrir o que for possível e conto para você? Combinado?
Emma assentiu, relutante.
— Combinado.
Diana foi para perto dos Irmãos do Silêncio, parando a fim de falar rapidamente com Cristina. Quando Emma alcançou o carro que estacionara, Cristina já tinha chegado junto dela, e ambas entraram no veículo em silêncio.
Emma ficou imóvel por um instante, esgotada, com as chaves do carro penduradas na mão. No espelho retrovisor, pôde ver o beco atrás delas, aceso como um estádio de beisebol pelos faróis poderosos da picape. Diana se movia entre os Irmãos do Silêncio vestidos com suas túnicas cor de pergaminho. O pó no chão parecia branco com a luz.
— Você está bem? — perguntou Cristina.
Emma virou para ela.
— Você tem que me falar o que viu — implorou. — Você chegou perto do corpo. Ouviu Diana falar alguma coisa para os Irmãos? São de fato as mesmas marcas?
— Não preciso responder isso — disse Cristina.
— Eu... — Emma se interrompeu. Sentia-se esgotada. Tinha estragado todo o plano da noite, perdeu o homem fada criminoso, perdeu a chance de examinar o corpo e provavelmente feriu os sentimentos de Cristina. — Sei que não. Sinto muito, Cristina. Não tive a intenção de metê-la em encrenca. É que...
— Eu não disse isso. — Cristina procurou no bolso do uniforme. — Eu disse que não precisava responder porque posso mostrar. Aqui. Olhe só. — Ela estendeu o telefone, e o coração de Emma acelerou: Cristina estava passando fotos que havia tirado do corpo, dos Irmãos, do beco, do sangue. Tudo.
— Cristina, eu te amo — disse Emma. — Eu me caso com você. Caso com você.
Cristina riu.
— Minha mãe já escolheu quem vai se casar comigo, lembra? Imagine o que ela diria se eu levasse você para casa.
— Não acha que ela gostaria mais de mim do que do Diego Perfeito?
— Acho que daria para ouvir os gritos de Idris.
Idris era a terra Natal dos Caçadores de Sombras, onde tinham sido criados pela primeira vez e onde a Clave se reunia. Ficava entre a interseção da França com a Alemanha e a Suíça, escondida dos mundanos por feitiços. A Guerra Maligna havia devastado sua capital, Alicante, que ainda estava sendo reconstruída.
Emma riu. Alívio corria por seu corpo. Tinham alguma coisa, afinal. Uma pista, como Tiberius diria, com a cabeça grudada em um romance policial.
De repente, sentindo saudade de Ty, ela esticou o braço para ligar o carro.
— Você realmente disse para aquele homem fada que terminou com Cameron, e não o contrário? — comentou Cristina.
— Por favor, não toque nesse assunto — retrucou Emma. — Não me orgulho disso.
Cristina riu com desdém. Não foi nada delicado.
— Pode ir para o meu quarto quando chegarmos? — perguntou Emma, piscando os faróis. — Quero mostrar uma coisa.
Cristina franziu o rosto.
— Não é uma estranha marca de nascimento ou uma verruga, é? Minha abuela uma vez disse que queria mostrar alguma coisa, e acabou sendo uma verruga na...
— Não é uma verruga! — Enquanto Emma saía com o carro e se juntava ao trânsito, ela sentiu ansiedade correndo pelas veias. Normalmente ficava exausta após uma luta, quando a adrenalina escoava.
Mas agora ela estava prestes a mostrar para Cristina algo que ninguém, além de Julian, jamais tinha visto. Algo de que ela própria não se orgulhava.
Não podia deixar de imaginar como Cristina reagiria.

14 comentários:

  1. Laura do Bom Senso 42 #Zueira1 de julho de 2016 15:52

    PRIMEIRA A COMENTAR HAHAHHAHA QUE ESTORVO

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  2. Cristina, eu te amo — disse Emma. — Eu me caso com você. Caso com você.

    Me lembrei quando o Will disse que se casaria com a sophie... kkkk

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  3. Meu Deus, como eu amo essa série! Já amei a Emma. @ei que vai ter uma treta sobre parabatai não se apaixonarem que me faz lembrar o drama de Clary e Jace como irmãos, só que dessa vez não engano e eles escolheram isso. Como essa Lei é inconveniente. Ah, faz meses que li Cidade do Fogo Celestial, mas lembro da Diana, ela vendeu a espada da Clary!!

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  4. se não é uma verruga então eu estou sem ideias...

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  5. A Emma me lembre muito o Jace! E essas referências ao Jem? Sdd

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  6. Caçadora se Sombras4 de julho de 2016 23:54

    — Não — zombou a garota. — Sou uma jujuba. Essa é minha fantasia.
    Kkkkkk ri mt
    Sobre a Emma falamdo do Jem: <3 amo mt
    Tbm ja amo a Cristina, sla, agr eu so consigo pensar nela como a Christina de Divergente...

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  7. "Emma pensou no único Irmão do Silêncio de quem já havia gostado. Ela ainda sentia a falta dele, às vezes."
    Com certeza isso se refere ao Jem. Mas é claro que eles iam ter afinidade, os dois são Carstairs!
    Sds do Will e do Jem... e realmente ela me lembra o Will, mas do que o Jace me lembrou dele...

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  8. Primeiramente, não gosto como tudo tá sendo explicado do começo... Como se a gente não soubesse das coisas, eu sei que tem gente que não leu os outros e tal, mas por favor, a autora não precisava disso...

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  9. Letícia ♡♡♡25 de outubro de 2016 11:26

    A Emma não para de falar do Julian...Julian, Julian, Julian...É um pintor,é um gênio, ele saberia resolver isso, ele saberia construir aquilo...e a Cristina já se ver gostando dele😍😍😍eu também Cristina eu também♡♡♡

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  10. — Você realmente disse para aquele homem fada que terminou com Cameron, e não o contrário? — comentou Cristina.
    — Por favor, não toque nesse assunto — retrucou Emma. — Não me orgulho disso.

    será que alguem pode me explicar a primeira frase? eu n entendi foi a Emma que terminou c ele então Whatt? (gis_loveVA)

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  11. Ué '-' Achei que a Emma trocava olhares com o Mark O.o Julian até tinha pego no pé dela .___." Como a primeira paixonite dela seria o Jace 😨? E bom... Se for dps dos 12 anos ela já conhecia a Claire @____@"

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