28 de junho de 2016

Capítulo 17

Will encontrou Horace esperando por ele no túnel onde o tinha deixado. O aprendiz de guerreiro estava com a mão sobre o punho da espada.
— Conseguiu descobrir alguma coisa? — sussurrou com a voz rouca.
Will soltou a respiração ruidosamente, ao perceber que a estava prendendo há algum tempo.
— Sim ele disse. E só coisas ruins.
Ele levantou a mão para impedir o amigo de fazer mais perguntas.
— Vamos voltar e atravessar a ponte — ele pediu. — Vou contar tudo do outro lado.
Ele olhou para o túnel lateral onde tinham deixado o mineiro celta.
— Você ouviu mais alguma coisa de Glendyss? — ele quis saber, mas Horace apenas balançou os ombros com tristeza.
— Ele começou a gemer uma hora atrás e depois ficou quieto. Acho que está morto. Pelo menos morreu do jeito que queria — Horace concluiu seguindo Will pelo túnel mal iluminado até a ponte.
Eles atravessaram as tábuas outra vez, até onde Evanlyn os esperava com os cavalos, bem longe da ponte e fora de visão. Quando se aproximaram, Will chamou o nome dela baixinho para não assustá-la. Horace tinha deixado a adaga com Evanlyn, e Will pensou que não seria sensato se aproximar da moça armada sem avisar.
Enquanto descrevia a cena que tinha visto do outro lado do túnel, ele rabiscou um mapa apressadamente na areia.
— Nós vamos ter que encontrar um jeito de retardar as forças de Morgarath — ele disse.
Os outros dois olharam para ele curiosos.
— Retardá-las?
Como podiam dois aprendizes e uma garota retardar 500 escandinavos e vários milhares de Wargals implacáveis?
— Pensei que você tinha dito que devíamos levar as notícias para o rei — Evanlyn disse.
— Não temos mais tempo — Will retrucou simplesmente. — Vejam.
Eles se inclinaram para a frente enquanto ele apagava o desenho que tinha feito na areia e rapidamente fazia outro. Não tinha certeza de que o diagrama era preciso, mas incluía os pontos mais importantes do reino, além do Planalto do Sul, governado por Morgarath.
— Eles disseram que têm mais escandinavos subindo os penhascos da costa sul para se juntar aos Wargals que já vimos. Vão atravessar a fenda aqui, onde estamos e vão até o norte para atacar os barões pela retaguarda, enquanto esperam que Morgarath tente sair do Desfiladeiro dos Três Passos.
— Sim — Horace concordou. — Sabemos disso. Deduzimos isso assim que vimos a ponte.
Will olhou para Horace, que ficou em silêncio. Ele percebeu que o aprendiz de arqueiro tinha algo mais a dizer.
— Mas — Will continuou, enfatizando a palavra e parando um momento — eu também ouvi eles dizerem alguma coisa sobre Horth e seus homens marchando ao redor da Floresta Thorntree. Isso fica ao norte das Planícies de Uthal.
— O que levaria os escandinavos a noroeste do exército do rei — Evanlyn comentou, entendendo a ideia imediatamente. — Os barões ficariam encurralados entre os Wargals e os escandinavos que cruzaram a ponte e a outra força do norte.
— Exatamente — Will afirmou encontrando o olhar dela.
Os dois conseguiam avaliar o quanto a situação seria perigosa para os barões reunidos lá. Esperando um ataque escandinavo pelos pantanais, a leste, eles seriam pegos de surpresa não de uma, mas de duas direções diferentes, presos e esmagados entre os braços de uma tenaz.
— Então é melhor avisarmos o rei, com certeza! — Horace insistiu.
— Horace — Will começou paciente — a gente precisaria de quatro dias para chegar às Planícies.
— Mais um motivo para irmos andando. Não temos um minuto a perder! — disse o jovem guerreiro.
— E então — Evanlyn ajuntou, entendendo o que Will queria dizer — vai levar pelo menos outros quatro dias até que outra força volte e defenda a ponte. Talvez mais.
— São oito dias ao todo — Will continuou. — Você se lembra do que o pobre mineiro disse? A ponte vai estar pronta em quatro dias. Os Wargals e os escandinavos vão ter tempo suficiente para cruzar a fenda, se reunir em formação de batalha e atacar o exército do rei.
— Mas... — Horace começou, e Will o interrompeu.
— Horace, mesmo que a gente consiga avisar o rei e os barões, eles são em menor número e vão ser pegos, sem condições de recuar, entre duas forças. Os pântanos estarão atrás deles. Sei que temos de avisá-los, mas também podemos fazer algo aqui para equilibrar os números.
— Além disso — Evanlyn disse, e Horace se virou para olhá-la — se pudermos fazer alguma coisa para impedir que os Wargals e os escandinavos atravessem aqui, o rei vai ter vantagem sobre a força de escandinavos que está no norte.
— E acho que não vão estar em menor número — ele disse.
— Essa é uma parte da questão — Evanlyn acrescentou depois de concordar. — Mas esses escandinavos vão esperar reforços para atacar o rei pela retaguarda: reforços que nunca vão chegar.
A expressão de Horace mostrou que ele finalmente tinha entendido tudo. Ele assentiu com a cabeça várias vezes, mas então voltou a franzir a testa.
— Mas o que podemos fazer para parar os Wargals aqui? — perguntou.
Will e Evanlyn trocaram um olhar. Ele percebeu que tinham chegado à mesma conclusão. Ambos falaram ao mesmo tempo.
— Queimar a ponte.

6 comentários:

  1. Pelo anjo! Evanlyn e Will, em sintonia! Isso não é d +!
    Ass: Bina.

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  2. Como shipa will e evanlyn?? Evill?

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  3. Eu tinha chegado a essa conclusão de queimar a ponte desde o momento que falaram dela! Pelo amor de deus, que raciocinio lerdo voces tem 😳

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    1. é as vezes me acontece isso tambem mas agente n pode fazer nada afs isso é chato

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    2. Gente pelo nome do livro da pra saber queridos. Raciocinem pessoas. Mari

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  4. Tava tão na cara, mas vamos com calma , alguns ainda são lentos nesse tipo de coisa .

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