28 de junho de 2016

Capítulo 13

— Seguir eles? Você ficou louco?
Horace, incapaz de acreditar no que estava ouvindo, olhou para a figura pequena e determinada do colega. Will não disse nada, e Horace tentou de novo.
— Will, nós acabamos de passar meia hora escondidos atrás de um arbusto esperando que aquelas coisas não nos vissem. Agora você quer seguir elas e lhes dar outra chance?
Will olhou ao redor para se certificar de que Evanlyn ainda não podia escutá-los. Ele não queria assustar a garota desnecessariamente.
— Fale baixo — ele avisou Horace, e o amigo falou com mais suavidade, mas não com menos veemência.
— Por quê? — ele quis saber. — O que podemos ganhar seguindo os Wargals?
Inquieto, Will apoiou o peso do corpo primeiro num pé e depois no outro. Francamente, a ideia de seguir os Wargals já o estava assustando. Ele podia sentir o coração batendo mais forte do que o normal. Eles eram criaturas apavorantes e, evidentemente, destituídas de sentimentos de compaixão ou pena, como o destino do prisioneiro tinha mostrado. Mesmo assim, ele achava que aquela era uma oportunidade que não podia ser perdida.
— Olhe — ele disse devagar. — Halt sempre me disse que saber por que seu inimigo está fazendo uma coisa é tão importante quanto saber o que ele está fazendo. Na verdade, às vezes é até mais importante.
Horace balançou a cabeça teimoso.
— Não entendo ele replicou.
Para ele, a ideia de Will era um impulso louco, irresponsável e assustadoramente perigoso.
Para falar a verdade, Will não tinha certeza absoluta de que estava com a razão. Mas as palavras de Gilan sobre não mostrar insegurança soaram em seus ouvidos, e seus instintos, aguçados pelo treinamento recebido de Halt, lhe diziam que não devia perder essa oportunidade.
— Sabemos que os Wargals estão capturando mineiros celtas e levando eles embora. E sabemos que Morgarath não faz nada sem motivo. Esta pode ser a chance de descobrir o que ele pretende.
— Ele quer escravos — Horace retrucou dando de ombros.
— Mas por quê? E por que apenas mineiros? Evanlyn disse que eles só estavam interessados nos mineiros. Por quê? Você não percebe? Isso pode ser importante. Halt diz que guerras muitas vezes sofrem uma virada por causa de uma pequena informação.
Horace apertou os lábios pensando no que Will tinha dito.
— Está certo — ele concordou finalmente. — Talvez você esteja certo.
Horace não pensava depressa nem tinha ideias originais, mas era metódico e, à sua maneira, lógico. Will tinha visto instintivamente a necessidade de seguir os Wargals. Horace teve que refletir a respeito. Agora, depois de ter pensado, ele conseguia ver que Will não estava apenas seguindo um impulso descontrolado e arriscado. Ele confiava na linha de raciocínio do aprendiz de arqueiro.
— Bom, se vamos segui-los, é melhor nós irmos andando — ele acrescentou, e Will o olhou surpreso.
— Nós? — ele repetiu. — Quem falou em nós? Pretendo seguir eles sozinho. Sua função é levar Evanlyn de volta em segurança.
— Quem disse? — o garoto maior perguntou um tanto agressivo — eu tenho ordens, dadas por Gilan, de ficar com você e manter você longe de problemas.
— Bem, eu estou mudando suas ordens — Will retrucou, mas desta vez Horace riu.
— Então, quem morreu e pôs você no lugar do chefe? — ele zombou. — Você não pode mudar minhas ordens. Gilan é seu superior.
— E a garota? — Will desafiou.
Por um momento, Horace não soube o que responder.
— Vamos dar o cavalo de carga, comida e suprimentos para ela — ele sugeriu. — Ela pode voltar sozinha.
— Isso é muito nobre de sua parte — Will retrucou sarcástico.
— Foi você quem disse que é tremendamente importante seguir os Wargals — Horace argumentou. — Bom, acho que você tem razão. Portanto, Evanlyn simplesmente vai ter que assumir esse risco, assim como nós. De qualquer jeito, agora estamos mais perto da fronteira e mais uma noite de cavalgada vai ser suficiente para tirá-la de Céltica.
Na verdade, Horace não gostava da ideia de deixar Evanlyn à própria sorte. Ele tinha começado a gostar muito da garota. Ela era inteligente, divertida e boa companhia. Mas o tempo passado na Escola de Guerra tinha lhe dado um forte senso de dever, e sentimentos pessoais vinham em segundo lugar.
— Posso viajar muito mais depressa sem você — ele ressaltou, mas Horace o interrompeu no mesmo instante.
— E daí? Não precisamos de velocidade para seguir os Wargals. Nós temos cavalos. Não vamos ter problemas para alcançar eles, principalmente porque eles têm de arrastar aqueles prisioneiros.
Horace concluiu que estava gostando da experiência de discutir com Will e ganhar alguns pontos. Talvez passar algum tempo com os arqueiros tivesse feito mais bem a ele do que tinha imaginado.
— Têm mais coisas: e se descobrirmos alguma coisa realmente importante? E se você quiser continuar seguindo eles e precisar enviar uma mensagem para o barão? Se formos dois, poderemos nos separar. Posso levar a mensagem enquanto você continua a seguir os Wargals.
Will pensou na ideia e teve que admitir que Horace tinha razão. Fazia sentido ter alguém em sua companhia.
— Tudo bem — ele concordou finalmente. — Mas nós vamos ter que contar a Evanlyn.
— Contar o quê? — a garota perguntou.
Sem ser vista por nenhum dos rapazes, ela tinha se aproximado até poucos metros de onde os garotos estavam discutindo em voz baixa Os dois meninos se entreolharam com ar de culpa.
— Hum... Will teve uma ideia, entende... — Horace começou e parou, olhando para Will para ver se o amigo iria continuar.
Mas, como se viu a seguir, não houve necessidade.
— Vocês estão planejando seguir os Wargals — a menina disse secamente, e os dois aprendizes trocaram olhares antes de Will responder.
— Você estava escutando a nossa conversa? — ele acusou.
Ela balançou a cabeça.
— Não. É a coisa óbvia a fazer, não é? Esta é nossa chance de descobrir o que eles pretendem fazer e por que estão raptando mineiros.
Pela segunda vez em alguns minutos, Will ouviu o uso do plural.
— Nossa chance? — ele repetiu. — O que exatamente você quer dizer com “nossa chance”?
— É óbvio que, se vocês dois forem segui-los, eu vou junto — ela retrucou dando de ombros. — Vocês não vão me deixar aqui sozinha no meio do nada.
— Mas... — Horace começou, e ela se virou e olhou para ele com calma. — Eles são os Wargals — ele completou.
— Eu sei — ela respondeu.
Horace lançou um olhar desanimado para Will. O aprendiz de arqueiro deu de ombros, e Horace tentou outra vez:
— Vai ser perigoso. E você...
Ele hesitou, pois não queria lembrá-la do medo que tinha das criaturas e dos motivos para isso. Evanlyn percebeu o que ele ia dizer e sorriu levemente.
— Olhe, tenho medo daquelas coisas — ela confessou. — Mas suponho que vocês queiram segui-las, não se juntar a elas.
— Foi essa a ideia — Will concordou.
— Bom, com aquele barulho que fazem, não precisamos chegar muito perto — ela argumentou virando-se para olha-lo. — Além disso, esta pode ser a oportunidade de estragar os planos que possam ter. Acho que vou gostar disso.
Will a observou com novo respeito. Ela tinha todos os motivos para ter medo dos Wargals, mais do que ele ou Horace. No entanto, estava disposta a ignorar esse medo para dar um golpe em Morgarath.
— Tem certeza? — ele perguntou finalmente.
— Não. Não tenho certeza de nada. Estou me sentindo realmente nauseada diante da possibilidade de chegar perto daquelas coisas outra vez. Mas também não gosto da ideia de ser abandonada aqui sozinha.
— Não íamos abandonar você... — Horace começou, e ela se virou para ele.
— Então como chama o que iam fazer? — a garota perguntou sorrindo levemente para não soar muito agressiva.
— Abandonar você, eu acho — ele admitiu depois de hesitar um pouco.
— Exatamente — ela respondeu. — Assim, diante das opções de me defrontar com outro grupo de Wargals, ou outros bandidos, ou seguir alguns Wargals com vocês dois, prefiro a última.
— Estamos somente a um dia da fronteira — Will informou. — Depois que você passar por ela, vai estar relativamente segura.
Determinada, ela sacudiu a cabeça.
— Eu me sinto mais segura com vocês. Além disso, talvez eu seja útil. Serei mais uma para montar guarda à noite. Isso significa que vocês vão dormir mais.
— Até agora, essa é a primeira razão sensata que ouvi para que ela nos acompanhe — Horace disse.
Como Will, ele compreendeu que ela já tinha tomado uma decisão. E, de alguma forma, os dois garotos sabiam que quando Evanlyn fazia isso não havia nada no mundo que a convencesse a mudar de ideia. Ela sorriu para ele.
— Bom, vamos ficar parados aqui o dia todo, jogando conversa fora? — ela perguntou. — Os Wargals estão se afastando cada vez mais.
E foi até onde os cavalos estavam amarrados.

6 comentários:

  1. Ainda não gosto dessa menina, confio mais na Allys e na Jenny, a ideia de um peso morto que esconde coisas do Will não é muito atrativa, mais infelizmente como leitora eu só posso observar isso 😳

    ResponderExcluir
  2. Estou desconfiada dessa garota.
    Ass: Lua

    ResponderExcluir
  3. Continuo não gostando dela, assim como não gosto do Gilan '-'

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Como assim não gosta do Gilan? To passada. Continue lendo, duvido que isso dure, não tem como não gostar do Gilan.

      Excluir

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!