12 de junho de 2016

Capítulo III - A linhagem de Elros: Reis de Númenor da fundação da Cidade de Armenelos até a queda

Considera-se que o Reino de Númenor começou no trigésimo segundo ano da Segunda Era, quando Elros, filho de Earendil, ascendeu ao trono na Cidade de Armenelos, tendo então nov anos de idade. Daí em diante ficou conhecido no Pergaminho dos Reis pelo nome de Tar-Minyatur; pois era costume dos Reis assumirem seus títulos nas formas do idioma quenya ou alto-élfi-co, visto que esse era o idioma mais nobre do mundo, e esse costume perdurou até os dias de Ar-Adu-nakhôr (Tar-Herunúmen).
Elros Tar-Minyatur reinou sobre os númenorianos por 410 anos. Pois aos númenorianos fora concedida uma longa vida, e permaneciam infatigáveis pelo triplo da duração dos homens mortais na Terra Média. Ao filho de Earendil, porém, foi dada a vida mais longa de qualquer homem, e a seus descendentes uma duração menor, e, no entanto maior que a de outros mesmo dentre os númenorianos. Assim foi até a chegada da Sombra, quando os anos dos númenorianos começaram a minguar.

Elros Tar-Minyatur
Nasceu 58 anos antes de se iniciar a Segunda Era: permaneceu infatigável até a idade de quinhentos anos e então renunciou à vida, no ano de 442, tendo reinado por 410 anos.

II Vardamir Nólimon
Nasceu no ano de 61 da Segunda Era e morreu em 471. Era chamado Nólimon pelo fato de sua principal predileção serem as antigas tradições, que recolhia entre os elfos e os homens. Quando Elros partiu, tendo ele então 381 anos de idade, não ascendeu ao trono, mas deu o cetro ao filho. Não obstante, é contado como o segundo dos Reis, e considera-se que reinou por um ano. Depois disso tornou-se costumeiro, até os dias de Tar-Atanamir, que o Rei entregasse o cetro ao sucessor antes de morrer; e os Reis morriam de própria vontade enquanto ainda estavam no vigor da mente.

III Tar-Amandil
Era filho de Vardamir Nólimon e nasceu no ano de 192. Reinou por 148 anos, e entregou o cetro em 590; morreu em 603.

IV Tar-Elendil
Era filho de Tar-Amandil e nasceu no ano de 350. Reinou por 150 anos, e entregou o cetro em 740; morreu em 751. Também era chamado Parmaitê, pois com sua própria mão fez muitos livros e lendas da tradição recolhida por seu avô. Casou-se tarde na vida, e sua descendente mais velha foi uma filha, Silmarien, nascida no ano de 521, cujo filho foi Valandil. De Valandil vieram os Senhores de Andúnie, o último dos quais foi Amandil, pai de Elendil, o Alto, que chegou à Terra Média após a Queda. No reinado de Tar-Elendil os navios dos númenorianos retornaram pela primeira vez à Terra Média.

Tar-Meneldur
Era o único filho homem e terceiro descendente de Tar-Elendil, e nasceu no ano de 543. Reinou por 143 anos, e entregou o cetro em 883; morreu em 942. Seu “'nome próprio” era Írimon; assumiu o título de Meneldur por seu amor pelo estudo das estrelas. Casou-se com Almarian, filha de Veantur, Capitão dos Navios no reinado de Tar-Elendil. Era sábio, porém gentil e paciente. Renunciou em favor do filho, subitamente e muito antes do tempo devido, como ato político, em distúrbios que surgiram decorrentes da inquietação de Gil-galad em Lindon, quando este começou a se dar conta de que um espírito maligno, hostil aos eldar e aos dúnedain, se agitava na Terra Média.

VI Tar-Aldarion
Era o descendente mais velho e único filho homem de Tar-Meneldur, e nasceu no ano de 700. Reinou por 192 anos e renunciou ao cetro em favor de sua filha em 1075; morreu em 1098. Seu “nome próprio” era Anardil; mas cedo, tornou-se conhecido como Aldarion, porque se ocupava muito de árvores e plantou grandes florestas para fornecerem madeira aos estaleiros. Foi um grande marinheiro e armador; e ele próprio muitas vezes navegou até a Terra Média, onde tornou-se amigo e conselheiro de Gilgalad. Em decorrência de suas longas ausências no estrangeiro, sua esposa Erendis encolerizou-se, e separaram-se no ano de 882. Seu único descendente direto foi uma filha, muito bela, Ancalime. Em seu favor Aldarion alterou a lei da sucessão, de modo que a filha (mais velha) do Rei haveria de lhe suceder caso ele não tivesse filhos homens. Essa mudança desagradou aos descendentes de Elros, em especial ao herdeiro pela antiga lei, Soronto, sobrinho de Aldarion, filho de sua irmã mais velha Ailinel.

VII Tar-Ancalime
Era a única descendente direta de Tar-Aldarion, e foi a primeira Rainha Governante de Númenor. Nasceu no ano de 873, e reinou por 205 anos, mais do qualquer monarca depois de Elros; renunciou ao cetro em 1280. e morreu em 1285. Por muito tempo permaneceu solteira; mas, quando foi pressionada a renunciar por Soronto, para afrontá-lo, no ano 1000 casou-se com Hallacar, filho de Hallatan, um descendente de Vardamir. Após o nascimento de seu filho, Anárion, houve discórdia entre Ancalime e Hallacar. Ela era altiva e voluntariosa. Após a morte de Aldarion, negligenciou todas as suas políticas e não deu mais auxílio a Gil-galad.

VIII Tar-Anárion
Era filho de Tar-Ancalime e nasceu no ano de 1003. Reinou por 114 anos, e renunciou ao cetro em 1394; morreu em 1404.

IX Tar-Súrion
Era o terceiro filho de Tar-Anárion; suas irmãs recusaram o cetro. Nasceu no ano de 1174, e reinou por 162 anos; renunciou ao cetro em 1556 e morreu em 1574.

Tar-Telperien
Foi a segunda Rainha Governante de Númenor. Foi longeva (pois as mulheres dos númenorianos tinham a vida mais longa, ou abriam mão dela com menos facilidade), e não se casou com nenhum homem. Portanto, depois dos seus dias, o cetro passou a Minastir; ele era filho de Isilmo, segundo descendente direto de Tar-Súrion. Tar-Telperien nasceu no ano de 1320; reinou por 175 anos, até 1731, e morreu nesse mesmo ano.

XI Tar-Minastir
Levava este nome porque construiu uma alta torre na colina de Oromet, perto de Andúnie e das costas ocidentais, e passava boa parte de seus dias olhando de lá para o oeste. Pois o anseio tornara-se forte no coração dos númenorianos. Amava os eldar, mas os invejava. Foi ele quem enviou uma grande frota em auxílio de Gil-galad na primeira guerra contra Sauron. Nasceu no ano de 1474, e reinou por 138 anos; renunciou ao cetro em 1869, e morreu em 1873.

XII Tar-Ciryatan
Nasceu no ano de 1634 e reinou por 160 anos; renunciou ao cetro em 2029 e morreu em 2035. Foi um Rei poderoso, mas ávido de riquezas. Construiu uma grande frota de navios reais, e seus servos trouxeram de volta grande quantidade de metais e pedras preciosas, e oprimiram os homens da Terra Média. Desprezava os anseios de seu pai, e aliviava a inquietude de seu coração viajando, para o leste, o norte e o sul, até assumir o cetro. Diz-se que constrangeu seu pai a lhe ceder o cetro antes que este o fizesse de livre vontade. Desse modo (afirma-se), pôde ser vista a primeira chegada da Sombra sobre a bem aventurança de Númenor.

XIII Tar-Atanamir, o Grande
Nasceu no ano de 1800 e reinou por 192 anos, até 2221, que foi o ano de sua morte. Muito se diz deste Rei nos Anais que sobreviveram à Queda. Pois era, assim como seu pai, orgulhoso e ávido de riquezas, e os númenorianos a seu serviço exigiam pesados tributos dos homens das costas da Terra Média. No seu reinado, a Sombra caiu sobre Númenor; e o Rei e aqueles que seguiam seu saber falavam abertamente contra a interdição dos Valar; e seus corações voltaram-se contra os Valar e os eldar; mas ainda conservavam sabedoria, pois temiam os Senhores do Oeste e não os desafiavam. Atanamir também é chamado de o Relutante, pois foi o primeiro dos Reis a recusar-se a abandonar a vida, ou a renunciar ao cetro; e viveu até que a morte o levasse à força, senil.

XIV Tar-Ancalimon
Nasceu no ano de 1986 e reinou por 165 anos, até sua morte em 2386. No seu tempo, ampliou-se a cisão entre os Homens do Rei (a maioria) e aqueles que mantinham sua antiga amizade com os eldar. Muitos dos Homens do Rei começaram a abandonar o uso dos idiomas élficos, e a não ensiná-los mais a seus filhos. Mas os títulos reais ainda eram dados em Quenya, mais por antigo costume que por amor, por temerem que o abandono de um velho uso trouxesse má sorte.

XV Tar-Telemmaitê
Nasceu no ano de 2136 e reinou por 140 anos, até sua morte em 2526. A partir dele, cada Rei passou a reinar em termos nominais desde a morte de seu pai até sua própria morte, embora o poder efetivo muitas vezes passasse a seus filhos ou conselheiros, e os dias dos descendentes de Elros minguaram sob a Sombra. Este Rei era assim chamado em virtude de seu amor pela prata, e mandava seus servos procurarem sempre por mithril.

XVI Tar-Vanimeldê
Foi a terceira Rainha Governante; nasceu no ano de 2277 e reinou por 111 anos até sua morte em 2637. Pouco se importava com o governo, apreciando mais a música e a dança; e o poder era exercido por seu marido Herucalmo, mais jovem que ela, porém descendente de Tar-Atanamir no mesmo grau. Herucalmo assumiu o cetro após a morte da esposa, chamando-se Tar-Anducal, e recusando o reinado a seu filho Alcarin. Há, porém, quem não o conte na Linhagem dos Reis como o décimo sétimo, e passe a Alcarin. Tar-Anducal nasceu no ano de 2286 e morreu em 2657.

XVII Tar-Alcarin
Nasceu no ano de 2406, e reinou por 80 anos até sua morte em 2737, tendo sido rei de direito por cem anos.

XVIII Tar-Calmacil
Nasceu no ano de 2516 e reinou por 88 anos até sua morte em 2825. Tomou esse nome porque na juventude foi um grande capitão e conquistou vastas regiões ao longo do litoral da Terra Média. Assim insuflou o ódio de Sauron, que, não obstante, se retirou para construir seu poderio no leste, longe da costa, à espera do momento propício. Nos dias de Tar-Calmacil o nome do Rei foi pela primeira vez pronunciada em adûnaico, e pelos Homens do Rei ele era chamado Ar-Belzagar.

XIX Tar-Ardamin
Nasceu no ano de 2618 e reinou por 74 anos até sua morte em 2899. Seu nome em adûnaico era Ar-Abattârik.

XX Ar-Adûnakhôr (Tar-Herunúmen)
Nasceu no ano de 2709 e reinou por 63 anos até sua morte em 2962. Foi o primeiro Rei a assumir o cetro com um título em língua adûnaica; porém, por medo (como se disse acima), um nome em quenya foi inscrito nos Pergaminhos. Mas esses títulos eram considerados blasfemos pelos Fiéis, pois significavam “Senhor do Oeste”, título pelo qual costumavam nomear somente um dos grandes Valar, Manwe em especial. Nesse reinado, os idiomas élficos não foram mais usados, nem se permitiu que fossem ensinados, mas foram mantidos em segredo pelos Fiéis. E daí em diante os navios de Eressea passaram a vir às praias ocidentais de Númenor raramente e em segredo.

XXI Ar-Zimrathôn (Tar-Hostamir)
Nasceu no ano de 2798 e reinou por 71 anos até sua morte em 3033.

XXII Ar-Sakalthôr (Tar-Falassion)
Nasceu no ano de 2876 e reinou por 69 anos até sua morte em 3102.

XXIII Ar-Gimilzôr (Tar-Telemnar)
Nasceu no ano de 2960 e reinou por 75 anos até sua morte em 3177. Foi o maior inimigo dos Fiéis que já surgira. Proibiu totalmente o uso dos idiomas eldarin, não permitia que nenhum dos eldar viesse ao país e punia aqueles que os recebiam. Não reverenciava nada e nunca ia ao Local Sagrado de Eru. Casou-se com Inzilbêth, uma senhora descendente de Tar-Calmacil; mas ela pertencia secretamente aos Fiéis, pois sua mãe era Lindóriê da Casa dos Senhores de Andúnie. Havia pouco amor entre eles, e discórdia entre seus filhos. Pois Inziladûn, o mais velho, era amado por sua mãe e compartilhava suas ideias; mas Gimilkhâd, o mais novo, saíra ao pai, e a ele Ar-Gimilzôr de bom grado teria nomeado seu Herdeiro, caso as leis o permitissem. Gimilkhâd nasceu no ano de 3044 e morreu em 3243.

XXIV Tar-Palantir (Ar-Inziladûn)
Nasceu no ano de 3035 e reinou por 78 anos até sua morte em 3255. Tar-Palantir arrependeu-se dos costumes dos Reis que o precederam, e de bom grado teria retornado à amizade dos eldar e dos Senhores do Oeste. Inziladûn assumiu esse nome porque tinha visão longínqua, tanto nos olhos como na mente, e até mesmo aqueles que o odiavam temiam suas palavras como as de um vidente. Também passava boa parte de seus dias em Andúnie, visto que Lindóriê, mãe de sua mãe, era aparentada dos Senhores, por ser de fato irmã de Earendur, o décimo quinto Senhor e avô de Númendil, que era Senhor de Andúnie nos dias de seu primo Tar-Palantir; e Tar-Palantir costumava subir à antiga torre do Rei Minastir, e fitava o oeste ansioso, talvez na esperança de ver alguma vela chegando de Eressea. Mas nenhum navio jamais voltou a chegar do oeste, em decorrência da insolência dos Reis, e porque o coração da maioria dos númenorianos ainda estava endurecido. Pois Gimilkhâd seguia os costumes de Ar-Gimilzôr, e tornou-se líder do Partido do Rei, e resistia à vontade de Tar-Palantir de modo tão explícito quanto ousava, e mais ainda em segredo. Mas por algum tempo os Fiéis tiveram paz; e o Rei sempre ia, nas épocas devidas, ao Local Sagrado na Meneltarma, e a Árvore Branca voltou a receber cuidados e honras. Pois Tar-Palantir fez uma profecia de que, quando a Árvore morresse, a linhagem dos Reis pereceria também. Tar-Palantir casou-se tarde, não teve filho homem e chamou sua filha Míriel no idioma élfico. Mas, quando o Rei morreu, ela foi desposada por Pharazôn, filho de Gimilkhâd (que também morrera), contra sua vontade e contra a lei de Númenor, visto que ela era filha do irmão do pai de Pharazôn. E ele então tomou o cetro em suas próprias mãos, assumindo o título de Ar-Pharazôn (Tar-Calion); e Míriel foi chamada de Ar-Zimraphel.

XXV Ar-Pharazôn (Tar-Calion)
O mais poderoso, e o último Rei de Númenor. Nasceu no ano de 3118, reinou por 64 anos e morreu na Queda no ano de 3319, usurpando o cetro de Tar-Míriel (Ar-Zimraphel) Nasceu no ano de 3117 e morreu na Queda. Dos feitos de Ar-Pharazôn, de sua glória e sua loucura, conta-se mais na história da Queda de Númenor, que foi escrita por Elendil, e que foi preservada em Gondor.

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