12 de junho de 2016

Capítulo I - Os drúedain

O Povo de Haleth era estranho aos demais atani, pois falava um idioma alienígena; e, apesar de se unirem a eles em aliança com os eldar, permaneciam como um povo separado. Entre si mantinham-se fiéis ao seu próprio idioma, e, embora aprendessem por necessidade o sindarin para se comunicarem com os eldar e os demais atani, muitos falavam essa língua com hesitação, e alguns dentre os que raramente ultrapassavam os limites de suas próprias florestas não a usavam em absoluto. Não adotavam de bom grado objetos ou costumes novos e mantinham muitas práticas que pareciam estranhas aos eldar e aos demais atani, com quem pouco tratavam, salvo na guerra. No entanto, eram estimados como aliados leais e guerreiros temíveis, se bem que fossem pequenas as companhias que mandavam para combater fora de suas fronteiras. Pois eram, e permaneceram até seu fim, um povo diminuto, preocupado mormente em proteger suas próprias florestas, e destacavam-se no combate nos bosques. Na verdade, por muito tempo nem mesmo os orcs especialmente treinados para essa atividade ousavam aproximar-se de suas fronteiras. Uma das estranhas práticas mencionadas era que muitos de seus guerreiros eram mulheres, apesar de poucas irem a campo para lutar nas grandes batalhas. Esse costume era evidentemente antigo; pois sua chefe Haleth era uma renomada amazona com uma seleta escolta de mulheres.
O mais estranho de todos os costumes do Povo de Haleth era a presença entre eles de um povo de espécie totalmente diversa, tal como nem os eldar em Beleriand nem os demais atani jamais haviam visto. Não eram muitos, talvez algumas centenas, vivendo separados em famílias ou pequenas tribos, mas em amizade, como membros da mesma comunidade. O Povo de Haleth chamava-os pelo nome drûg, que era uma palavra de sua própria língua. Aos olhos dos elfos e dos outros homens tinham aspecto desgracioso: eram atarracados (com cerca de quatro pés de altura), mas muito espadaúdos, com nádegas pesadas e pernas curtas e grossas. Seus rostos largos tinham olhos profundos com sobrancelhas espessas e nariz chatos, e não apresentavam pelos abaixo das sobrancelhas, exceto no caso de alguns homens (que se orgulhavam da distinção), que tinham um pequeno tufo de pelos negros no meio do queixo. Suas feições eram em geral impassíveis, sendo a boca larga o que mais se movia; e o movimento de seus olhos alertas só podia ser observado de perto, pois eram tão negros que as pupilas não podiam ser distinguidas, mas na ira tinham um fulgor vermelho. A voz era grave e gutural, mas seu riso era uma surpresa: era cheio e retumbante, e fazia com que todos que o ouvissem, elfos ou homens, rissem também por seu puro regozijo sem contaminação de zombaria ou maldade. Na paz, frequentemente riam enquanto trabalhavam ou brincavam, quando outros homens talvez cantassem. Mas podiam ser inimigos inexoráveis. E sua ira rubra, uma vez inflamada, esfriava devagar, apesar de não demonstrar sinal, exceto a luz em seus olhos; pois lutavam em silêncio e não exultavam na vitória, nem mesmo contra os orcs, as únicas criaturas pelas quais tinham ódio implacável.
Os eldar os chamavam de drúedain, admitindo-os na classe dos atani, pois foram muito amados enquanto duraram. Ai deles! Não tinham vida longa e sempre foram poucos, tendo suas perdas sido pesadas na contenda com os orcs, que retribuíam seu ódio e se deleitavam em capturá-los e torturá-los. Quando as vitórias de Morgoth destruíram todos os reinos e baluartes dos elfos e dos homens em Beleriand, diz-se que haviam minguado, restando apenas algumas famílias, mormente de mulheres e crianças, algumas das quais foram ter com os últimos refugiados nas Fozes do Sirion.
Nos tempos de outrora, haviam sido de grande valia àqueles entre quem viviam, e eram muito requisitados; porém poucos chegaram a abandonar a terra do Povo de Haleth. Tinham urna maravilhosa habilidade para seguir a pista de todas as criaturas viventes e ensinavam aos amigos o que pudessem de seu ofício: mas seus pupilos não os igualavam, pois os drúedain usavam o faro como cães, só que também tinham a visão aguçada. Gabavam-se de ser capazes de farejar um orc a favor do vento mais longe do que outros homens os conseguiam ver, e podiam seguir seu rastro por semanas, exceto através da água corrente. Seu conhecimento de todas as coisas que crescem era quase igual ao dos elfos (porém não ensinado por estes); e diz-se que, quando se mudavam para uma nova região, em pouco tempo conheciam todas as coisas que lá cresciam, grandes ou diminutas, e davam nomes àquelas que lhes eram novas, distinguindo as venenosas e as úteis para a alimentação.
Os drúedain, assim como os demais atani, não tinham forma de escrita até encontrarem os eldar; mas nunca aprenderam as runas e as escritas dos eldar. Não chegaram mais perto da escrita, pela sua própria invenção, do que o uso de uma série de sinais, simples na maior parte, para marcar trilhas ou dar informações e avisos. No passado remoto, parece que já possuíam pequenos implementos de sílex para raspar e cortar, e ainda os usavam, pois, embora os atani conhecessem metais e alguma arte da forja antes de chegarem a Beleriand, os metais eram difíceis de conseguir e as armas e ferramentas forjadas eram muito custosas. Mas quando, em Beleriand, pela associação com os eldar e o comércio com os anões de Ered Lindon, tais objetos se tornaram mais comuns, os drúedain demonstraram grande talento para o entalhe em madeira ou pedra. Já tinham conhecimento de pigmentos, principalmente derivados de plantas, e desenhavam figuras e motivos na madeira ou em superfícies planas de pedra; e às vezes raspavam nós de madeira para formar rostos que podiam ser pintados. Mas com ferramentas mais afiadas e mais fortes deleitavam-se em esculpir figuras de homens e animais, fossem brinquedos e ornamentos, fossem imagens grandes, às quais os mais habilidosos dentre eles conseguiam imprimir um vigoroso aspecto de vida. Às vezes essas imagens eram estranhas e fantásticas, ou mesmo terríveis: entre as brincadeiras cruéis em que empregavam sua habilidade estava a feitura de formas de orcs que punham nas fronteiras da região, com aspecto de quem está fugindo dali, uivando de terror. Também faziam imagens de si próprios e as colocavam nas entradas de trilhas ou nas curvas de caminhos da floresta. Chamavam-nas de “pedras de vigia”. As mais notáveis delas estavam dispostas perto das Travessias do Teiglin, cada uma representando um drúadan,  maior que o tamanho natural, agachado com todo o peso sobre um orc morto. Essas figuras não serviam meramente como insultos a seus inimigos; pois os orcs as temiam e criam que estavam cheias do rancor dos Oghor-hai (pois assim chamavam os drúedain), e que podiam se comunicar com eles. Portanto, raramente ousavam tocá-las ou tentar destruílas; e, exceto quando eram numerosos, davam a volta diante da “pedra de vigia” e não iam adiante.
No entanto, entre os poderes desse estranho povo talvez o mais notável fosse sua capacidade de total silêncio e imobilidade, que às vezes podiam suportar por muitos dias a fio, sentados de pernas cruzadas, mãos nos joelhos ou no colo, e olhos fechados ou fitando o chão. Acerca disso relatava-se um conto entre o Povo de Haleth:

Certa vez, um dos mais hábeis escultores de pedra entre os drûgs fez uma imagem de seu pai, que havia morrido; e colocou-a ao lado de um caminho próximo à sua morada.
Então sentou-se ao seu lado e caiu num profundo silêncio de recordação. Ocorreu que, pouco tempo depois, um homem da floresta passou por ali em viagem a uma aldeia distante; e, vendo dois drûgs, fez uma reverência e lhes desejou um bom dia. Mas não recebeu resposta e ficou parado por algum tempo, surpreso, olhando-os atentamente. Então seguiu caminho, dizendo consigo:
— Grande habilidade têm eles ao trabalhar a pedra, mas nunca vi estátua mais natural. — Três dias depois voltou e, como estava muito cansado, sentou-se e apoiou as costas em uma das figuras. Jogou-lhe o manto em torno dos ombros para secar, pois chovera, mas agora o sol brilhava forte. Ali caiu no sono; mas após algum tempo foi despertado por uma voz atrás dele.
 — Espero que tenha repousado — dizia —, porém, se deseja dormir mais, peço-lhe que se mude para o outro. Ele nunca mais vai precisar esticar as pernas; e seu manto ao sol está quente demais para mim.

Consta que os drúedain muitas vezes se sentavam assim, em tempos de pesar ou perda, mas às vezes pelo prazer de pensar, ou fazendo planos. Mas também podiam usar essa imobilidade quando estavam de guarda. E então sentavam-se ou ficavam em pé, ocultos na sombra. Apesar de seus olhos parecerem fechados ou fixos com um olhar vazio, nada passava ou se aproximava que não fosse notado e lembrado. Era tão intensa sua vigilância invisível que podia ser sentida como ameaça hostil pelos intrusos, que recuavam de temor antes que fosse dado qualquer alerta; mas, se passasse alguma criatura malévola, emitiam como sinal um assobio estridente, doloroso de suportar a curta distância e ouvido ao longe. O serviço dos drúedain como vigias era muito estimado pelo Povo de Haleth em tempos de perigo; e, se tais vigias não estivessem disponíveis, mandavam esculpir figuras à sua semelhança, para serem postas perto de suas casas, crendo que (como eram feitas pelos próprios drúedain com esse fim) continham parte da ameaça dos homens viventes.
De fato, apesar de terem pelos drúedain amor e confiança, muitos dentre o Povo de Haleth acreditavam que eles possuíam poderes misteriosos e mágicos; e entre suas histórias maravilhosas havia diversas que falavam desses aspectos. Uma delas está registrada aqui.


A pedra fiel

Era uma vez um drûg chamado Aghan, famoso como curandeiro. Tinha grande amizade com Barach, um homem da floresta pertencente ao Povo, que vivia em uma casa no bosque a duas milhas ou mais da aldeia mais próxima. Como as moradias da família de Aghan ficavam mais perto, ele passava a maior parte do seu tempo com Barach e sua esposa, e as crianças gostavam muito dele. Veio uma época de dificuldades, pois alguns orcs atrevidos haviam em segredo penetrado na floresta nas redondezas e se haviam dispersado em grupos de dois ou três, emboscando todos os que saíam sozinhos e atacando à noite casas afastadas dos vizinhos. A família de Barach não temia muito, pois Aghan passava a noite com eles e vigiava do lado de fora. Mas certa manhã Aghan veio ter com Barach e disse:
— Amigo, tenho más novas da minha família e lamento precisar deixá-lo por algum tempo. Meu irmão foi ferido. Agora jaz em grande sofrimento e chama por mim, pois sou habilidoso no tratamento de feridas infligidas pelos orcs. Voltarei assim que puder. — Barach ficou muito preocupado, e sua esposa e filhos choraram, mas Aghan disse: — Farei o que puder. Mandei trazer para cá uma pedra de vigia, que foi colocada perto de sua casa. — Barach saiu com Aghan e observou a pedra de vigia. Era grande e pesada, e estava debaixo de alguns arbustos, não longe das suas portas. Aghan apoiou a  mão nela, e após um instante de silêncio disse:
 — Veja, deixei nela alguns dos meus poderes. Que ela o proteja do mal! Nada desfavorável aconteceu por duas noites, mas na terceira noite Barach ouviu o estridente chamado de alerta dos drûgs — ou sonhou que o ouvira, pois ninguém mais despertou com ele. Saindo da cama, pegou o arco suspenso à parede e foi até uma janela estreita.
Dali viu dois orcs encostando à casa material combustível, e preparando-se para lhe atear fogo. Então Barach tremeu de medo, pois os orcs saqueadores levavam consigo enxofre ou outra substância diabólica que se inflamava depressa e não podia ser apagada com água. Recuperando-se, armou o arco, mas naquele momento, bem quando as chamas começavam a saltar, viu um drûg chegar correndo por trás dos orcs. O drûg abateu um deles com um soco, e o outro fugiu. Então lançou-se descalço no fogo, espalhando o combustível que ardia e pisoteando as chamas de orc que corriam pelo chão. Barach apressouse a abrir as portas, mas, quando havia tirado a trava e saltado para fora, o drûg desaparecera.
Não havia vestígio do orc derrubado. O fogo morrera, e restavam apenas fumaça e mau cheiro. Barach voltou para dentro para consolar a família, que fora despertada pelo barulho e pelo cheiro do incêndio; mas à luz do dia saiu de novo e olhou em volta. Descobriu que a pedra de vigia desaparecera, mas manteve o fato em segredo.
 — Hoje à noite eu terei de ser o vigia — pensou; porém mais tarde naquele dia Aghan retornou, e foi recebido com alegria. Calçava borzeguins altos, que os drûgs às vezes usavam em terrenos bravios, entre espinhos ou rochedos, e estava exausto. Mas sorria e parecia contente; e disse: — Trago boas novas. Meu irmão não sente mais dor e não morrerá, pois cheguei a tempo de neutralizar o veneno. E agora ouvi dizer que os saqueadores foram mortos, ou que fugiram. Como têm passado?
— Ainda estamos vivos — disse Barach. — Mas venha comigo, e vou mostrar-lhe e contar-lhe mais. — Então levou Aghan ao lugar do fogo, e lhe falou do ataque noturno. — A pedra de vigia sumiu — obra dos orcs, eu acho. O que você tem a dizer sobre isso?
— Falarei quando tiver observado e pensado por mais tempo — disse Aghan; e então andou para cá e para lá esquadrinhando o chão, seguido por Barach. Por fim. Aghan levou-o até uma moita à beira da clareira onde ficava a casa. Lá estava a pedra de vigia, sentada sobre um orc morto; mas suas pernas estavam todas enegrecidas e rachadas, e um dos pés se partira e estava jogado solto a seu lado. Aghan pareceu aflito; mas disse: — Ora, bem! Ele fez o que podia. E é melhor que as pernas dele pisoteiem o fogo dos orcs que as minhas.
Então sentou-se e desamarrou os borzeguins, e Barach viu q ue por baixo deles havia ataduras em suas pernas. Aghan soltou-as.
— Já estão sarando — disse. — Mantive vigília junto a meu irmão por duas noites, e na noite passada dormi. Acordei antes que raiasse a manhã, sentindo dor, e descobri que minhas pernas estavam cheias de bolhas. Então adivinhei o que ocorrera. Ai de mim! Quando se transmite algum poder para algum objeto que se fez, tem-se de compartilhar seu sofrimento.


Notas adicionais sobre os drúedain

Meu pai esforçou-se para ressaltar a diferença radical entre os drúedain e os hobbits. Tinham forma física e aparência bem diferentes. Os drúedain eram mais altos e de constituição mais pesada e mais forte. Seus traços faciais eram desgraciosos (julgados pelos padrões humanos gerais); e, enquanto os cabelos da cabeça dos hobbits eram abundantes (mas densos e encaracolados), os drúedain tinham apenas cabelos esparsos e lisos na cabeça, e nenhum pelo nas pernas e nos pés. Eram às vezes risonhos e alegres, como os hobbits, mas sua natureza possuía um lado mais sinistro, e eles podiam ser sardônicos e cruéis; e tinham, ou se lhes creditavam, poderes estranhos ou mágicos. Eram ademais um povo frugal, que se alimentava parcamente mesmo em épocas de abundância e nada bebia além de água. Sob alguns aspectos pareciam-se mais com os anões: na constituição, na estatura e na resistência; na habilidade de esculpir a pedra; no lado ríspido de seu caráter; e em seus estranhos poderes. Mas as habilidades “mágicas” atribuídas aos anões eram bem diferentes; e os anões eram muito mais ríspidos, além de também viver mais tempo, enquanto os drúedain tinham vida curta em comparação com outras espécies de homens. Apenas uma vez, em uma nota isolada, há menção explícita ao relacionamento entre os drúedain de Beleriand na Primeira Era, que vigiavam as casas do Povo de Haleth na Floresta de Brethil, e os ancestrais remotos de Ghân-buri-Ghân, que guiou os rohirrim pelo Vale das Carroças de Pedra a caminho de Minas Tirith (O Retorno do Rei, V, V), ou os criadores das imagens na estrada para o Templo da Colina (ibid., V, III). Essa nota afirma: Um ramo emigrante dos drúedain acompanhou o Povo de Haleth ao final da Primeira Era, e habitou na Floresta [de Brethil] com eles. Mas a maioria havia permanecido nas Montanhas Brancas, a despeito da perseguição pelos homens que chegaram depois, que haviam recaído no serviço das Trevas.
Também se diz aqui que a identidade das estátuas do Templo da Colina com os remanescentes dos drúath (percebida por Meriadoc Brandebuque quando pôs os olhos pela primeira vez em Ghân-buri-Ghân) era reconhecida originalmente em Gondor, embora à época do estabelecimento do reino númenoriano por Isildur eles sobrevivessem somente na Floresta de Drúadan e em Drúwaith Iaur (vide abaixo).
Assim, se quisermos, podemos elaborar a antiga lenda da chegada dos edain em O Silmarillion (pp. 175-80) com a adição dos drúedain, descendo de Ered Lindon para Ossiriand com os haladin (o Povo de Haleth). Outra nota diz que os historiadores de Gondor acreditavam que os primeiros homens a atravessar o Anduin foram de fato os drúedain. Vieram (cria-se) de terras ao sul de Mordor, mas, antes de alcançarem as costas de Harad-waith, voltaram-se rumo ao norte para Ithilien, e por fim, encontrando um caminho para atravessar o Anduin (provavelmente perto de Cair Andros), estabeleceram-se nos vales das Montanhas Brancas e nas terras arborizadas em seus sopés setentrionais.
“Eram um povo reservado, que suspeitava das outras espécies de homens, pelas quais haviam sido oprimidos e perseguidos desde suas lembranças mais antigas, e haviam vagueado para o oeste em busca de uma terra onde pudessem esconder-se e ter paz”. Mas nada mais se diz. aqui ou em outro lugar, acerca da história de sua associação com o Povo de Haleth.
Em um ensaio, previamente mencionado, sobre os nomes dos rios na Terra Média, vislumbram-se os drúedain na Segunda Era. Lá se diz que o povo nativo de Enedwaith, fugindo das devastações dos númenorianos ao longo do curso do Gwathló, não atravessaram o Isen nem se refugiaram no grande promontório entre o Isen e o Lefnui, que formava a margem norte da Baía de Belfalas, por causa dos “Homens-Púkel”, que eram um povo reservado e cruel, caçadores incansáveis e silenciosos, que usavam dardos envenenados. Diziam que sempre haviam estado ali, e outrora haviam vivido também nas Montanhas Brancas. Em eras passadas, não haviam dado atenção ao Grande Escuro (Morgoth), nem mais tarde se aliaram a Sauron, pois odiavam todos os invasores do leste. Do leste, diziam, haviam vindo os homens altos que os expulsaram das Montanhas Brancas, homens que tinham maldade no coração. Talvez até mesmo nos dias da Guerra do Anel alguns dentre o povo drû restassem nas montanhas de Andrast, a extensão ocidental das Montanhas Brancas, mas apenas o remanescente nos bosques de Anórien era conhecido pelo povo de Gondor.
Essa região entre o Isen e o Lefnui era Drúwaith Iaur; e, em mais outro fragmento de escrita sobre esse assunto, afirma-se que a palavra Iaur, “velho”, nesse nome não significa “original”, e sim “anterior”:
Os “Homens-Púkel” ocuparam as Montanhas Brancas (de ambos os lados) na Primeira Era. Quando começou a ocupação das terras costeiras pelos númenorianos, na Segunda Era, sobreviveram nas montanhas do promontório [de Andrast], que jamais foi ocupado pelos númenorianos. Outro remanescente sobreviveu na extremidade leste da cadeia de montanhas [em Anórien]. Ao fim da Terceira Era acreditava-se que estes últimos, muito reduzidos em número, fossem os únicos sobreviventes; por isso a outra região foi chamada “o Antigo Ermo dos Púkel” (Drúwaith Iaur). Permanecia como “ermo”, e não era habitada por homens de Gondor ou de Rohan, e raramente algum deles lá entrava; mas os homens do Anfalas acreditam que alguns dos antigos “homens selvagens” ainda vivessem lá em segredo.
Mas em Rohan a identidade das estátuas do Templo da Colina, chamadas de “Homens-Púkel”, com os “homens selvagens” da Floresta de Drúadan não era reconhecida, nem sua “humanidade”; vem daí a referência de Ghân-buri-Ghân à perseguição dos "homens selvagens" pelos rohirrim, no passado [“deixar homens selvagens em paz na floresta e nunca mais caçar eles como bichos”]. Visto que Ghân-buri-Ghân estava tentando usar a Língua Geral, ele chamava sua gente de “homens selvagens” (não sem ironia); mas este evidentemente não era o nome que usavam para si mesmos.

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