12 de junho de 2016

Capítulo I - O desastre dos Campos de Lis

Depois da queda de Sauron, Isildur, o filho e herdeiro de Elendil, retornou a Gondor. Lá assumiu a Elendilmir como Rei de Arnor e proclamou seu domínio soberano sobre todos os dúnedain no norte e no sul; pois era homem de grande orgulho e vigor. Permaneceu em Gondor durante um ano, restaurando sua ordem e definindo seus limites; porém a maior parte do exército de Arnor retornou a Eriador pela estrada númenoriana desde os Vaus do Isen a Fornost.
Quando por fim se sentiu livre para voltar ao seu próprio reino, estava apressado, e desejava ir primeiro a Imladris, pois lá havia deixado sua esposa e seu filho mais jovem, e ademais tinha necessidade urgente de se aconselhar com Elrond. Portanto, decidiu seguir caminho para o norte partindo de Osgiliath, pelos Vales do Anduin acima até Cirith Forn en Andrath, a alta passagem do norte, que descia até Imladris. Isildur conhecia bem a região, pois muitas vezes viajara ali antes da Guerra da Aliança, e por essa via marchara à guerra, com homens de Arnor oriental, em companhia de Elrond.
Era uma viagem longa, mas o único caminho alternativo, para o oeste, depois para o norte até o encontro das estradas em Arnor, e em seguida para o leste até Imladris, era muito mais longo. Talvez fosse igualmente rápido para homens montados, mas ele não dispunha de cavalos em condições; talvez mais seguro em dias passados, mas Sauron fora derrotado, e os povos dos Vales haviam sido seus aliados na vitória. Nada temia, exceto as intempéries e a exaustão, mas essas têm de ser suportadas pelos homens a quem a necessidade envia a lugares longínquos da Terra Média.
Assim foi, como se conta nas lendas de dias posteriores, que estava terminando o segundo ano da Terceira Era quando Isildur partiu de Osgiliath no início de Ivanneth, esperando alcançar Imladris em quarenta dias, em meados de Narbeleth, antes que o inverno se aproximasse no norte. No Portão Leste da Ponte, numa clara manhã, Meneldil despediu-se dele.
— Vá agora e boa viagem! Que o Sol da sua partida nunca deixe de brilhar sobre sua estrada!
Com Isildur foram seus três filhos, Elendur, Aratan e Ciryon, e sua Guarda de duzentos cavaleiros e soldados, homens de Arnor severos e endurecidos pela guerra. Nada se relata de sua viagem até que tivessem passado sobre a Dagorlad, e prosseguido para o norte entrando nas terras amplas e desertas ao sul da Grande Floresta Verde. No vigésimo dia, quando já avistavam ao longe a floresta coroando o planalto diante deles com um distante brilho do vermelho e ouro de Ivanneth, toldou-se o céu e veio um vento escuro do Mar de Rhûn, carregado de chuva. A chuva durou quatro dias. Quando chegaram à entrada dos Vales, entre Lórien e Amon Lanc, Isildur desviou-se, portanto, do Anduin, inchado de águas velozes, e subiu as íngremes encostas em seu lado leste para alcançar as antigas trilhas dos elfos silvestres que passavam perto da borda da Floresta.
Assim ocorreu que, ao cair da tarde do trigésimo dia de sua viagem, passavam pela borda norte dos Campos de Lis, marchando por uma trilha que levava ao reino de Thranduil, tal como era então. O dia claro terminava. Acima das montanhas distantes, juntavam-se nuvens, tingidas de vermelho pelo sol enevoado, que descia em direção delas. O fundo do vale já estava em sombra cinzenta. Os dúnedain cantavam, pois a marcha do dia se aproximava do fim, e tinham deixado para trás três quartos da longa estrada até Imladris. À sua direita, a Floresta se erguia acima deles no alto das encostas íngremes que desciam até a sua trilha, abaixo da qual era mais suave a descida até o fundo do vale. De repente, quando o sol mergulhava nas nuvens, ouviram o horrendo clamor de orcs e os viram sair da Floresta e mover-se encostas abaixo, emitindo seus gritos de guerra. Naquela penumbra, podia-se apenas estimar quantos eram, mas evidentemente superavam em muito os dúnedain, até mesmo dez vezes. Isildur ordenou que se formasse um thangail um muro de escudos com duas fileiras compactas que podiam ser dobradas para trás em ambas as extremidades caso fossem flanqueadas, até formarem, se necessário, um anel fechado. Se o terreno fosse plano ou a encosta estivesse a seu favor, teria formado com sua companhia uma dírnaitb e acometido os orcs, esperando poder, pela grande força dos dúnedain e de suas armas, cortar caminho através deles e dispersá-los atarantados; mas agora não era possível fazê-lo. Uma sombra de presságio abateu-se sobre o seu coração.
— A vingança de Sauron continua viva, embora ele esteja morto — disse a Elendur, que estava a seu lado. — Aqui há astúcia e propósito! Não temos esperança de auxílio: Moria e Lórien agora ficaram muito para trás, e Thranduil está quatro dias de marcha à frente.
— E trazemos cargas de valor incalculável — disse Elendur, pois era confidente do pai. Agora os orcs se aproximavam. Isildur voltou-se para seu escudeiro: — Ohtar, agora confio isto à sua guarda — disse, entregando-lhe a grande bainha e os fragmentos de Narsil, a espada de Elendil. — Salve-o da captura por todos os meios que puder encontrar e a qualquer custo; até mesmo ao custo de ser considerado um covarde que me desertou. Leve seu companheiro consigo e fuja! Vá! Eu lhe ordeno! — Então Ohtar ajoelhou-se e lhe beijou a mão, e os dois jovens fugiram, descendo ao vale escuro.
Se os orcs de visão aguçada perceberam sua fuga, não lhe deram importância. Detiveram-se brevemente, preparando seu ataque. Primeiro soltaram uma saraivada de flechas, e então, de súbito, com um grande grito, fizeram o que Isildur teria feito, e pela última encosta lançaram uma grande massa dos seus principais guerreiros contra os dúnedain, esperando romper seu muro de escudos. Mas este permaneceu firme. As flechas não haviam sido de nenhuma valia contra as armaduras númenorianas. Os homens imponentes elevavam-se acima dos orcs mais altos, e suas espadas e lanças alcançavam muito mais longe que as armas de seus inimigos. O ataque vacilou, rompeu-se e recuou, tendo causado poucos danos aos defensores, inabalados, por trás de montes de orcs tombados.
Pareceu a Isildur que o inimigo se retirava em direção à Floresta. Olhou para trás. A borda vermelha do sol brilhou de dentro das nuvens, enquanto mergulhava por trás das montanhas; logo cairia a noite. Deu ordens para retomar a marcha imediatamente, mas para desviar o trajeto em direção ao terreno mais baixo e plano, onde os orcs teriam menor vantagem. Talvez acreditasse que, depois de serem rechaçados com danos, eles se retrairiam, apesar de seus batedores talvez o seguirem durante a noite e vigiarem seu acampamento. Essa era a maneira dos orcs, que geralmente ficavam intimidados quando sua presa dava a volta e mordia.
Mas enganava-se. Não somente havia astúcia no ataque, mas também ódio feroz e implacável. Os Orcs das Montanhas eram obstinados e comandados por cruéis servos de Barad-dûr, enviados havia muito tempo para vigiarem as passagens; e, apesar de não o saberem, o Anel, cortado dois anos antes de sua mão negra, ainda estava carregado da vontade malévola de Sauron, e clamava por ajuda a todos os seus servos. Os dúnedain mal haviam avançado uma milha quando os orcs se moveram novamente. Dessa vez não investiram, mas usaram todas as suas forças. Desceram em uma ampla frente, que se alinhou em meia-lua e logo fechou uma roda ininterrupta em volta dos dúnedain. Agora estavam em silêncio e se mantinham a uma distância fora do alcance dos temidos arcos de aço de Númenor, apesar de a luz estar diminuindo depressa e Isildur ter muito menos arqueiros do que precisava. Ele se deteve.
Houve uma pausa, embora os dúnedain de visão mais aguçada dissessem que os orcs estavam se aproximando sorrateiros, passo a passo. Elendur foi ter com seu pai, que estava de pé, soturno e sozinho, como que perdido em pensamentos.
— Atarinya — disse — e quanto ao poder que intimidaria essas criaturas imundas e lhes ordenaria que obedecessem a você? Então de nada serve?
— Infelizmente não, senya. Não posso usá-lo. Temo a dor de tocá-lo. E ainda não encontrei forças para dobrá-lo à minha vontade. Para isso é preciso alguém maior do que eu agora sei que sou. Meu orgulho foi-se. Ele deveria ir para os Guardiães dos Três.
Nesse momento soou um repentino toque de trompas, e os orcs se aproximaram por todos os lados, arremessando-se contra os dúnedain com ferocidade temerária. A noite caíra, e a esperança se apagava. Os homens tombavam; pois alguns dos orcs maiores saltavam, dois de cada vez, e, mortos ou vivos, derrubavam um dúnedan com seu peso, de forma que outras garras fortes o pudessem arrastar para fora e matar. Os orcs podiam perder cinco para um nessa permuta, mas ainda saía muito barato. Ciryon foi morto desse modo e Aratan mortalmente ferido em uma tentativa de resgatá-lo.
Elendur, ainda incólume, buscou Isildur. Ele reunia seus homens do lado leste, onde o ataque era mais intenso, pois os orcs ainda temiam a Elendilmir que trazia na fronte e o evitavam. Elendur tocou seu ombro e Isildur se virou feroz, pensando que um orc se esgueirara por trás dele.
— Meu Rei — disse Elendur —, Ciryon morreu e Aratan está morrendo. Seu último conselheiro tem de lhe recomendar, não ordenar, como você ordenou a Ohtar. Vá! Tome sua carga e a leve a qualquer custo até os Guardiães, até mesmo ao custo de abandonar seus homens e a mim!
— Filho do Rei — disse Isildur —, eu sabia que teria de fazer isso, mas temia a dor. Nem poderia partir sem sua permissão. Perdoe a mim e a meu orgulho que o trouxe a este destino.
— Elendur beijou-o. — Vá! Vá agora! — disse.
Isildur voltou-se para o oeste e, tirando o Anel de uma bolsinha que pendia de uma fina corrente em torno de seu pescoço, colocou-o no dedo com um grito de dor, e nunca mais foi visto por pessoa alguma na Terra Média. Mas a Elendilmir do Oeste não podia ser apagada e de repente resplandeceu vermelha e irada como uma estrela em chamas. Os homens e os orcs recuaram de pavor; e Isildur, puxando um capuz sobre a cabeça, desapareceu noite adentro.
Do que aconteceu aos dúnedain, só isto se soube depois: não demorou muito para que estivessem todos mortos, à exceção de um, um jovem escudeiro atordoado e sepultado sob homens tombados. Assim pereceu Elendur, que mais tarde deveria ter sido Rei, e, como predisseram todos os que o conheciam, em sua força e sabedoria, e sua majestade sem orgulho, um dos maiores, dos mais belos da estirpe de Elendil, o mais semelhante ao seu ancestral.
Já de Isildur conta-se que sofreu grande dor e angústia no coração, mas de início correu como um cervo perseguido pelos cães, até chegar ao fundo do vale. Lá parou para se assegurar de que não estava sendo perseguido; pois os orcs conseguiam rastrear um fugitivo no escuro pelo faro, e não precisavam dos olhos. Então prosseguiu com mais cautela, pois uma ampla baixada se estendia na escuridão diante dele, irregular e sem trilhas, com muitas armadilhas para pés errantes.
Assim foi que finalmente chegou à margem do Anduin no meio da noite, e estava exausto; pois fizera um trajeto que os dúnedain, em terreno semelhante, não fariam mais depressa, marchando sem parar e de dia. O rio turbilhonava, escuro e veloz, à sua frente.
Ficou parado por algum tempo, em solidão e desespero. Então, apressado, lançou fora toda a sua couraça e suas armas, exceto uma espada curta presa ao cinto, e mergulhou na água. Era um homem de força e resistência que, mesmo entre os dúnedain daquela época, poucos conseguiam igualar, mas tinha pouca esperança de atingir a margem oposta. Antes de avançar muito, foi forçado a se virar quase para o norte, contra a corrente; e, por mais que se esforçasse, sempre era arrastado para baixo, em direção aos emaranhados dos Campos de Lis. Estavam mais perto do que ele pensara; e, no mesmo instante em que sentiu a correnteza enfraquecer, e quase havia atravessado, estava se debatendo em meio a grandes juncos e plantas pegajosas. Ali deu-se conta subitamente de que o Anel se fora.
Por azar, ou por um acaso feliz, o anel saíra de sua mão e fora aonde Isildur jamais poderia esperar reencontrá-lo. Inicialmente seu sentimento de perda foi tão avassalador que ele não se debateu mais, e teria submergido e se afogado. Mas, ligeiro como havia chegado, esse humor passou. A dor o abandonara. Uma grande carga fora removida. Seus pés encontraram o leito do rio, e ele, erguendo-se da lama, atravessou trôpego o juncal até uma ilhota pantanosa próxima da margem oeste. Ali levantou-se da água: apenas um homem mortal, uma pequena criatura perdida e abandonada nos ermos da Terra Média.
Mas para os orcs de visão noturna que se escondiam à espreita, ele se erguia como uma monstruosa sombra de pavor, com um olho penetrante como uma estrela. Atiraram nele suas flechas envenenadas e fugiram. Desnecessariamente, pois Isildur, desarmado, foi trespassado no coração e na garganta, e sem um grito caiu para trás na água. Nenhum vestígio de seu corpo jamais foi encontrado por elfos ou homens. Assim terminou a primeira vítima da malícia do Anel sem dono: Isildur, segundo Rei de todos os dúnedain, senhor de Arnor e Gondor, e o último naquela era do Mundo.


As fontes da lenda da morte de Isildur

Houve testemunhas oculares do ocorrido. Ohtar e seu companheiro escaparam, levando consigo os fragmentos de Narsil. A história menciona um jovem que sobreviveu à carnificina: era o escudeiro de Elendur, chamado Estelmo, e ele foi um dos últimos a tombar, mas foi atordoado por uma maça e não morreu, tendo sido encontrado vivo sob o corpo de Elendur. Ouviu as palavras de Isildur e Elendur quando se separaram. Houve um grupo de socorro que chegou à cena tarde demais, mas a tempo de perturbar os orcs e evitar que mutilassem os corpos: pois havia certos homens da floresta que levaram notícias a Thranduil através de mensageiros, e eles próprios reuniram uma tropa para emboscar os orcs — do que estes ficaram sabendo e se dispersaram, pois, apesar da vitória, suas perdas haviam sido grandes, e quase todos os grandes orcs haviam tombado. Por muitos anos eles não voltaram a tentar nenhum ataque semelhante.
A história das últimas horas de Isildur e de sua morte baseou-se em suposições, mas bem fundadas. A lenda em sua forma plena somente foi composta no reinado de Elessar na Quarta Era, quando se descobriram outras evidências. Até então sabia-se, primeiro, que Isildur tinha o Anel, e que fugira para o Rio; segundo, que sua cota de malha, seu elmo, seu escudo e sua grande espada (mas nada mais) haviam sido encontrados na margem pouco acima dos Campos de Lis; terceiro, que os orcs haviam deixado vigias na margem oeste, armados com arcos, para interceptarem quem quer que escapasse da batalha e fugisse para o Rio (pois encontraram-se vestígios dos seus acampamentos, um próximo aos limites dos Campos de Lis); e quarto, que Isildur e o Anel, separados ou juntos, deviam ter se perdido no Rio, pois, se Isildur tivesse atingido a margem oeste usando o Anel, ele teria iludido os vigias, e um homem tão intrépido e de tão grande resistência não poderia então deixar de chegar a Lórien ou Moria antes de sucumbir. Apesar de ser uma longa viagem, cada um dos dúnedain levava, em uma bolsa selada suspensa ao cinto, um pequeno frasco de licor e fatias de um pão-de-viagem que lhes sustentaria a vida por muitos dias — na verdade nem o miruvor nem o lembas dos eldar, mas algo semelhante, pois a medicina e outras artes de Númenor eram poderosas e ainda não haviam sido esquecidas. Não havia nenhum cinto ou bolsa entre os equipamentos descartados por Isildur.
Muito tempo depois, ao terminar a Terceira Era do Mundo Élfico e aproximar-se a Guerra do Anel, foi revelado ao Conselho de Elrond que o Anel fora encontrado, submerso perto da beira dos Campos de Lis e próximo à margem oeste; apesar de jamais ter sido descoberto vestígio do corpo de Isildur. Então, deram-se conta também de que Saruman secretamente estivera fazendo buscas na mesma região; mas embora ele não tivesse encontrado o Anel (que muito antes havia sido levado para longe), ainda não sabiam o que mais ele poderia ter descoberto.
O Rei Elessar, no entanto, ao ser coroado em Gondor, começou a reordenar seu reino, e uma de suas primeiras tarefas foi a restauração de Orthanc, onde pretendia instalar novamente o palantír recuperado de Saruman. Foram então vasculhados todos os segredos da torre. Muitas coisas de valor foram encontradas, joias e relíquias de Eorl, furtadas de Edoras por intermédio de Língua de Cobra durante o declínio do Rei Théoden, e outras coisas semelhantes, mais antigas e belas, de morros e túmulos em toda a volta. Saruman, em sua degradação, tornara-se não um dragão, mas uma gralha gatuna.
Por fim, atrás de uma porta oculta que não poderiam ter encontrado ou aberto se Elessar não tivesse o auxílio do anão Gimli, foi revelado um armário de aço. Talvez tivesse sido planejado para receber o Anel; mas estava quase vazio. Em uma arca numa prateleira alta estavam guardados dois objetos. Um era um pequeno estojo de ouro, preso a uma corrente fina; estava vazio e não trazia letra nem sinal, mas fora de qualquer dúvida contivera outrora o Anel suspenso ao pescoço de Isildur. Ao lado estava um tesouro sem preço, pranteado por muito tempo como algo perdido para sempre: a própria Elendilmir, a estrela branca de cristal élfico sobre um filete de mithril, que chegara de Silmarien a Elendil e fora tomada por ele como sinal de realeza no Reino do Norte. Todos os reis e líderes que se seguiram a eles em Arnor haviam usado a Elendilmir, até o próprio Elessar; mas apesar de ser uma pedra de grande beleza, feita por artesãos élficos em Imladris para Valandil, filho de Isildur, não tinha a antiguidade nem a potência daquela que fora perdida quando Isildur fugiu para as trevas e não mais voltou.
Elessar tomou-a para si com reverência, e, quando retornou ao norte e reassumiu a monarquia plena de Arnor, Arwen cingiu-lhe a fronte com a pedra, e os homens silenciavam de espanto ao ver seu esplendor. Mas Elessar não a pôs de novo em risco e somente a usava em dias festivos no Reino do Norte. Em outras ocasiões, quando envergava vestes reais usava a Elendilmir que lhe fora legada. — E também esta é objeto de reverência — dizia — e acima do meu valor; quarenta cabeças a usaram antes.
Quando ponderaram mais detidamente sobre aquele tesouro secreto, os homens ficaram consternados. Pois parecia-lhes que aquelas coisas, e certamente a Elendilmir, não poderiam ter sido encontradas, a não ser que estivessem no corpo de Isildur quando este afundou. No entanto, se isso tivesse ocorrido em água profunda, de forte correnteza, com o tempo elas teriam sido arrastadas para bem longe. Portanto, Isildur não teria caído no rio profundo, mas sim em água rasa. não acima da altura dos ombros. Então por que, apesar de ter se passado uma Era, não havia vestígios dos seus ossos? Saruman os encontrara e os aviltara — queimando-os com desonra em uma das suas fornalhas? Se assim fosse, seria um feito vergonhoso, mas não o pior dele.

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