29 de junho de 2016

Capítulo 27

Unidos agora na sua preocupação com Evanlyn, os dois aprendizes procuraram por Halt. A todos os araluenses tinha sido atribuído quartos no salão principal. Como Halt era seu líder, tinha sido dada uma pequena suíte de três quartos. Na porta, Will bateu superficialmente e ouviu a resposta ríspida de Halt:
— Entre.
Quando entraram, ele pegou o fato de que Erak estava no quarto com Halt. Foi difícil perder o Escandinavo volumoso. Ele parecia preencher mais os espaços que ocupava. Estava esparramado em uma das confortáveis poltronas de madeira esculpida que decoravam a sala. Halt estava parado perto da janela, emoldurado contra a luz de baixo ângulo da tarde. Ele olhou interrogativamente para a porta, quando os dois rapazes entraram apressadamente.
 Halt — Will começou com urgência — Evanlyn desapareceu. Ela está...
 Segura e de volta a Hallasholm — uma voz familiar terminou a frase para ele. Ambos os meninos viraram para a voz. De pé um pouco atrás, nas sombras da sala, ela não estava evidente quando eles tinham entrado.
 Evanlyn! — Horace exclamou. — Você está bem!
A menina sorriu. Agora que seus olhos estavam se acostumando com a parte mais escura da sala, Will podia notar que seu rosto e roupas estavam sujos de graxa e sujeira. Seus olhos se encontraram e ela sorriu para ele, um pouco melancolicamente. Então, ela despejou o frasco de suco que tinha na mão e bebeu avidamente.
 Aparentemente — disse ela — Embora eu tenha uma sede que duvido que possa matar. Tudo que eu tinha para beber a dezoito horas atrás era um pouco de água da chuva que fez o seu caminho através da tela que cobria o... — Ela hesitou e olhou para Erak para suprir a palavra que lhe foi dita anteriormente.
O jarl completou.
 Pique — disse ele, e Evanlyn repetiu a palavra.
 Pique, exatamente, do navio de Slagor — ela disse.
Will e Horace trocaram olhares perplexos.
 O que em nome do diabo que você estava fazendo lá? — Will perguntou.
Halt respondeu por ela.
 O nome do diabo é certo — disse ele. — Parece que nosso amigo Slagor se vendeu aos Temujai e está planejando trair Hallasholm.
 quê? — Perguntou Will, a voz dele com surpresa. Ele olhou para Evanlyn. — Como você sabe?
A menina encolheu os ombros magros.
— Porque eu o ouvi discutir com o líder Temujai. Estavam apenas dois metros de mim.
— Parece — Halt falou, a título de explicação — que seu velho amigo Slagor navegou pela costa ontem para um encontro com o Shan-Temujai um Haz’kam. E como o nosso traidor, obviamente, não confia em seus novos aliados, insistiu que todas as negociações fossem realizadas a bordo do seu navio, apenas para manter retentores Haz’kam em uma distância.
— Que é a forma como cheguei a ouvi-lo — Evanlyn acabou.
Mas agora Horace estava coçando a cabeça em confusão.
 Mas... O que você estava fazendo no navio?
 Eu disse a você — respondeu Evanlyn. — Espionando Slagor e o Temujai.
Horace fez um gesto impaciente.
 Sim, sim, de modo que você disse. Mas por que você estava lá em primeiro lugar?
Evanlyn foi responder, hesitou, então parou completamente. Todos os olhos no quarto estavam nela agora e ela percebeu que realmente não tinha uma resposta lógica para essa pergunta.
 Eu não sei — disse ela finalmente. — Estava entediada, acho. E me sentia inútil. Eu estava procurando algo para fazer. E além disso, Slagor olhou como uma espécie de... Matreiro.
 Slagor sempre olha como uma espécie de matreiro — falou Erak, servindo-se de frutos de uma bacia em cima da mesa na frente dele. Evanlyn pensou sobre isso e, em seguida admitiu o ponto.
 Bem, isso é verdade, eu suponho. Mas ele parecia ainda mais matreiro do que o habitual. Então eu decidi que alguém tinha que ficar de olho nele e ver o que ele estava fazendo.
Verdade seja dita, Evanlyn estava se divertindo muito agora. Ela tinha ido se sentindo de inútil e desnecessária e tornou-se a portadora de uma importante, até mesmo vital notícia para Halt e Erak. Ela não podia deixar de se orgulhar, só um pouco. A reação de Horace foi exatamente a que ela esperava.
 Mas... Você poderia ter sido machucado! E se tivessem te encontrado lá? Eles teriam te matado — disse ele, sua preocupação evidente no tom da sua voz.
Esse pensamento tinha ocorrido a Evanlyn em mais de uma ocasião, e ela tinha se afundado mais no espaço úmido na proa do navio. Uma vez teve ideia da situação em que estava, seu medo ficava à flor da pele com a possibilidade da descoberta a cada segundo. Mas agora ela tinha um ar displicente sobre o episódio inteiro.
 Eu suponho que sim. Mas vamos enfrentá-lo, alguém tinha de fazê-lo.
Ela ficou encantada ao notar que Horace estava olhando para ela com algo próximo do temor. Ela olhou rapidamente à Will, na esperança de ver o mesmo olhar de admiração lá. Suas próximas palavras acabaram com a esperança.
 Tudo bem — disse com desdém. — Mas o importante é que Slagor está planejando a trair-nos. Como ele planeja fazê-lo?
 Esse é o ponto, é claro — Halt concordou. Ele indicou um gráfico da costa Escandinavo que ele e Erak tinha espalhado sobre a mesa entre eles. — Aparentemente, Slagor tem planos de colocar seu barco no mar calmo depois de amanhã e fazer o ponto de encontro mesmo ao longo da costa. Só que desta vez, haverá duzentos e cinquenta guerreiros Temujai a espera. Ele vai levá-los a bordo e trazê-los de volta aqui para Hallasholm.
 Nunca vão caber duzentos e cinquenta homens em um navio! — Will interrompeu.
Halt assentiu.
 Aparentemente, ele tem mais dois navios esperando por ele por trás desta ilha, a meio caminho para o encontro.
 Eles deixaram lá uma semana atrás — Erak falou. — Supostamente, estavam indo atacar por trás das linhas Temujai. Parece que os capitães estão em conluio com Slagor e estão esperando neste ponto combinado. — Ele bateu o mapa com o punhal, com a qual tinha descascado frutas. Algumas manchas de suco de maçã caíram sobre o pergaminho.
Halt levantou uma sobrancelha para ele e enxugou as gotas quando o jarl continuou.
— Com três navios, eles carregam cento e cinquenta homens facilmente.
 Então o quê? — Horace perguntou.
Evanlyn, que tinha sido desviada do centro da discussão, pulou de volta para a conversa.
 Eles serão capazes de atacar as nossas forças por trás — explicou. — Pense nisso, cento e cinquenta homens, com o elemento surpresa, aparecendo de repente atrás de nossas linhas!
 Isso poderia ser muito desagradável mesmo — disse Horace pensativo. — Então o que vamos fazer?
 Nós já demos o primeiro passo — Erak disse a ele. — Mandei Svengal com dois dos meus navios para Fallkork Island aqui — novamente ele bateu a faca manchada de suco no mapa e novamente Halt ergueu os olhos para ele — para se certificar de que os outros dois navios de Slagor não vão a qualquer encontro.
 Dois contra dois? — Will perguntou. — Isso é suficiente?
O jarl inclinou a cabeça para um lado e sorriu para ele.
— Considere-se sortudo que Svengal não esteja aqui para ouvir você dizer isso — respondeu ele. — Ele considera sua equipe sozinha apenas um jogo para os dois barcos cheios de seguidores de Slagor. Mas, na verdade, os navios de Slagor terão só equipes de remo. Eles precisam de todo o espaço que têm para levar os Temujai a bordo.
— Mas o que vamos fazer sobre Slagor? — Will perguntou, e desta vez foi Halt que respondeu.
 Esse é o problema. Se ele ficar sabendo que nós sabemos o que ele está fazendo, vai simplesmente abandonar o plano. Não vamos ser capazes de provar nada. Vai ser sua palavra contra a palavra de um ex-escravo. — Ele sorriu para Evanlyn para mostrar que não pretendia insultar, mas eram apenas os fatos. Ela acenou com a compreensão.
 Mas se Slagor encontrar os outros dois navios na ilha, isso certamente não prova? — Horace interveio.
Halt balançou a cabeça.
 Prova o quê? As tripulações dificilmente irão admitir que estavam esperando para ir buscar os Temujai — disse ele.
Horace sentou, franzindo a testa. Isso estava ficando complicado demais para ele.
 Então o que podemos fazer? — Will perguntou.
Mas, naquele momento, houve uma batida forte na porta. Todos olharam com surpresa. A natureza clandestina da sua discussão tinha feito eles falarem em tom baixo e a interrupção repentina fez todos eles se sentirem culpados, como se tivessem sido descobertos.
 Alguém espera visitas? — Halt perguntou e como os outros balançaram a cabeça, ele chamou — Entre.
A porta abriu-se para admitir Hodak, um dos seguidores de Erak. Ele olhou pela sala, observando as identidades de todos os presentes. Ele parecia desconfortável quando notou Evanlyn.
— Pensei que poderia encontrá-lo aqui — disse a Erak. — Ragnak está chamando um conselho especial no Grande Hall. Ele quer que você esteja lá, jarl — então indicou Evanlyn. — E é melhor levar a menina com você.
 Evanlyn? Por que ela deveria ir? — Halt perguntou.
Ele viu a garota recuar do jovem escandinavo. Talvez ela tivesse alguma premonição do que estava por vir.
 O conselho é sobre ela — disse Hodak desajeitadamente. — Slagor invocou o Vallasvow de Ragnak. Diz que a menina é na verdade a princesa Cassandra, filha do rei Duncan.

6 comentários:

  1. UHHH
    Prevejo tretas

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    1. e das grandes a guerra chego mais sedo

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  2. Já estava na hora! Agora a ação vai começar!
    Ass: Bina.

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  3. Nãããããooo!!! Agora não!

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