12 de junho de 2016

Apêndice B - Os príncipes sindarin dos elfos silvestres

No Apêndice B do Senhor dos Anéis, na nota inicial do Conto dos Anos da Segunda Era, consta que “antes da construção de Barad-dûr muitos dos sindar foram para o leste, e alguns estabeleceram reinos nas florestas distantes, onde a maior parte do povo se compunha de elfos da Floresta. Thranduil, rei no norte da Grande Floresta Verde, era um destes”.
Algo mais sobre a história desses príncipes sindarin dos elfos silvestres encontra-se nos escritos filológicos tardios de meu pai. Assim, em um ensaio, diz-se que o reino de Thranduil

estendia-se às florestas que circundavam a Montanha Solitária e cresciam ao longo das costas ocidentais do Lago Comprido, antes da chegada dos Anões exilados de Moria e da invasão do Dragão. O povo élfico desse reino migrara do sul, pois eram parentes e vizinhos dos elfos de Lórien; mas haviam habitado na Grande Floresta Verde a leste do Anduin. Na Segunda Era seu rei. Oropher [pai de Thranduil, pai de Legolas], retirara-se para o norte, além dos Campos de Lis. Fez isso para livrar-se do poder e das transgressões dos anões de Moria, que se tornara a maior das mansões dos anões registrada na história; e também se ressentia das intrusões de Celeborn e Galadriel em Lórien. Mas na época pouco havia a temer entre a Floresta Verde e as Montanhas, e havia constante intercâmbio entre sua gente e seus parentes do outro lado do Rio, até a Guerra da Última Aliança.
A despeito do desejo dos elfos silvestres de se intrometerem o mínimo possível nos assuntos dos noldor e sindar, ou de quaisquer outros povos, anões, homens ou orcs, Oropher teve a sabedoria de prever que a paz somente voltaria se Sauron fosse derrotado.
Reuniu, portanto, um grande exército do seu povo, agora numeroso, e, unindo-se ao exército menor de Malgalad de Lórien, liderou a hoste dos elfos silvestres à batalha. Os elfos silvestres eram vigorosos e valentes, mas mal equipados com couraças ou armas, em comparação com os eldar do oeste. Eram também independentes e não estavam dispostos a se submeter ao comando supremo de Gil-galad. Assim, suas perdas foram mais sérias do que precisavam ser, mesmo naquela guerra terrível. Malgalad e mais da metade de seus seguidores pereceram na grande batalha de Dagorlad, pois foram apartados da hoste principal e expulsos para os Pântanos Mortos. Oropher foi morto no primeiro ataque a Mordor, precipitando-se à frente de seus guerreiros mais audazes antes que Gil-galad tivesse dado o sinal para avançar. Seu filho Thranduil sobreviveu; mas, quando a guerra terminou e Sauron foi morto (ao que parecia), ele levou de volta para casa menos de um terço do exército que marchara para a guerra.

Malgalad de Lórien não ocorre em nenhum outro lugar, e aqui não se diz que tenha sido o pai de Amroth. Por outro lado, há duas menções de que Amdír, pai de Amroth, teria sido morto na Batalha de Dagorlad. Parece, portanto, que Malgalad pode ser simplesmente identificado com Amdír. Mas sou incapaz de dizer qual nome substituiu o outro. Esse ensaio continua:

Seguiu-se uma longa paz, em que os elfos silvestres mais uma vez se multiplicaram; mas estavam inquietos e ansiosos, sentindo a mudança do mundo que a Terceira Era traria consigo. Também os homens se multiplicavam, e seu poder crescia. O domínio dos reis númenorianos de Gondor estendia-se para o norte, em direção dos limites de Lórien e da Floresta Verde. Os Homens Livres do Norte (assim chamados pelos elfos porque não estavam sob a dominação dos dúnedain e, na maior parte, não tinham sido subjugados por Sauron ou seus servos) espalhavam-se para o sul: mormente a leste da Floresta Verde, apesar de alguns estarem se estabelecendo nas bordas da floresta e nas pastagens dos Vales do Anduin. O mais ameaçador eram os rumores do leste mais distante: os Homens Selvagens estavam inquietos. Antigos servos e adoradores de Sauron, eles agora haviam sido libertados de sua tirania, mas não do mal e das trevas que ele colocara em seus corações.
Guerras cruéis grassavam entre eles, e alguns se retiravam delas para o oeste, com a mente cheia de ódio, considerando todos os que habitavam no oeste como seus inimigos, para serem mortos e saqueados. Mas havia no coração de Thranduil uma sombra ainda mais profunda. Ele vira o horror de Mordor e não podia esquecê-lo. Todas as vezes que olhava para o sul, essa lembrança obscurecia a luz do Sol, e apesar de ele saber que agora estava destruída e deserta, sob a vigilância dos Reis dos Homens, o temor dizia em seu coração que não estava derrotada para sempre: erguer-se-ia de novo.

Em outro trecho escrito na mesma época que o anterior, consta que, quando haviam passado mil anos da Terceira Era e a Sombra recaiu sobre a Grande Floresta Verde, os elfos silvestres governados por Thranduil

recuaram diante dela à medida que se alastrava cada vez mais para o norte, até que por fim Thranduil estabeleceu seu reino no nordeste da floresta, e lá escavou uma fortaleza e grandes salões subterrâneos. Oropher era de origem sindarin, e sem dúvida seu filho Thranduil estava seguindo o exemplo do Rei Thingol de outrora, em Doriath; apesar de seus salões não se compararem com Menegroth. Thranduil não tinha as artes, nem a riqueza nem o auxílio dos anões; e em comparação com os elfos de Doriath sua gente silvestre era rude e rústica. Oropher viera ter com eles, apenas com um punhado de sindar, que logo se misturaram aos elfos silvestres, adotando sua língua e assumindo nomes de forma e estilo silvestres. Fizeram isso deliberadamente, pois eles (e outros aventureiros semelhantes esquecidos nas lendas ou mencionados apenas brevemente) vinham de Doriath após sua ruína e não tinham o desejo de abandonar a Terra Média, nem de se misturarem aos demais sindar de Beleriand, dominados pelos Exilados Noldorin pelos quais a gente de Doriath não sentia grande apreço. Desejavam na verdade tornar-se gente silvestre e voltar, conforme diziam, à vida simples, natural aos elfos antes que o convite dos Valar a tivesse perturbado.

Em nenhum lugar (segundo creio) está esclarecido como a adoção da fala silvestre pelos governantes sindarin dos elfos silvestres da Floresta das Trevas, conforme descrito aqui, deve ser relacionada com a afirmativa citada, de que ao final da Terceira Era o élfico silvestre não era mais falado no reino de Thranduil. Vide ademais a nota de “O desastre dos campos de Lis”.

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