14 de maio de 2016

Capítulo 7

Eles me perseguem
São espíritos do mal
Muito divertido, não?

— NOSOI? — PERCY posicionou os pés em postura de luta. — Sabe, eu vivo pensando: Agora já matei todas as coisas que existem na mitologia grega. Mas a lista parece não terminar nunca.
— Você ainda não me matou — observei.
— Não me provoque.
Os três nosoi estavam cada vez mais perto, as bocas cadavéricas escancaradas, as línguas para fora, os olhos brilhando com uma camada de muco amarelo.
— Essas criaturas não são mitos — falei. — Claro, a maioria dos mitos antigos não é mito. Exceto aquela história de como eu esfolei o sátiro Marsias vivo. Isso foi uma grande mentira.
Percy olhou para mim.
— Você fez o quê?
— Pessoal — disse Meg, pegando um galho seco no chão. — Podemos falar sobre isso depois?
O espírito do meio falou.
— Apolooooooo... — A voz dele gorgolejava como a de uma foca com bronquite. — Vieeeeeemos paaaaara...
— Vou ter que interromper você agora. — Cruzei os braços e fingi indiferença arrogante. (Foi difícil, mas consegui.) — Vocês vieram se vingar de mim, né? — Eu olhei para os meus amigos semideuses. — Os nosoi são os espíritos das chagas. Quando eu nasci, espalhar doenças se tornou parte do meu trabalho. Eu uso flechas com pragas como varíola, pé de atleta, esse tipo de coisa, para destruir populações malcomportadas.
— Que horror — disse Meg.
— Alguém tem que fazer isso! — expliquei. — Melhor um deus regulado pelo Conselho do Olimpo e com as autorizações de saúde adequadas do que uma horda de espíritos incontroláveis como esses.
O espírito da esquerda gorgolejou:
— Estamos tentando ter um momeeeento aqui. Pare de interromper! Queremos ser livres, independeeeentes...
— É, é, eu sei. Vocês vão me destruir. Aí, vão espalhar todas as doenças conhecidas pelo mundo. Estão querendo fazer isso desde que Pandora abriu aquela caixa e deixou vocês escaparem, mas podem ir perdendo as esperanças, porque vou destruir vocês!
Talvez você esteja se perguntando como pude agir com tanta confiança e calma. Na verdade, eu estava apavorado. Meus instintos mortais de dezesseis anos estavam gritando CORRA! Meus joelhos batiam um no outro e meu olho direito estava com um tremor horrível. Mas o segredo ao lidar com os espíritos das chagas era falar ininterruptamente, para mostrar que está no comando e não tem medo deles. Eu achei que isso daria o tempo necessário para meus amigos semideuses bolarem um plano inteligente para me salvar. Realmente esperava que Meg e Percy estivessem pensando em um algum plano.
O espírito da direita mostrou os dentes podres.
— Com o que você vai destruir a gente? Onde está seu aaaarco?
— Aparentemente não está aqui — falei. — Mas será que não está mesmo? E se estiver escondido inteligentemente embaixo dessa camiseta do Led Zeppelin e eu esteja prestes a pegá-lo e disparar em vocês?
Os nosoi se remexeram com nervosismo.
— Você meeeente — disse o do meio.
Percy pigarreou.
— Hã, ei, Apolo...
Finalmente!, pensei.
— Eu sei o que você vai dizer — falei. — Você e Meg bolaram um plano sagaz para afastar esses espíritos enquanto eu corro para o acampamento. Odeio ver vocês se sacrificarem, mas...
— Não era isso que eu ia dizer. — Percy levantou a espada. — Eu ia perguntar o que acontece se eu fizer picadinho desses bafentos com bronze celestial.
O espírito do meio riu, os olhos amarelos brilhando.
— Uma espada é uma arma tão pequena. Não tem a poesiiiia de uma boa epidemia.
— É melhor parar por aí! — gritei. — Você não pode querer minhas doenças e minha poesia ao mesmo tempo!
— Você está certo — disse o espírito. — Chega de palaaaavras.
Os três cadáveres voltaram a se locomover. Eu estiquei os braços, torcendo para que os espíritos explodissem e virassem poeira. Nada aconteceu.
— Mas não é possível! — reclamei. — Como os semideuses conseguem fazer isso sem um botão de vitória automática?
Meg enfiou o galho no peito do espírito mais próximo. O galho ficou preso, e uma fumaça cintilante começou a girar ao redor da madeira.
— Solte! — ordenei. — Não deixe o nosos tocar em você!
Meg largou o galho e se afastou.
Enquanto isso, Percy Jackson partiu para a batalha. Ele golpeou com a espada, desviou das tentativas dos espíritos de pegá-lo, mas seus esforços foram inúteis. Sempre que a lâmina tocava nos nosoi, eles simplesmente se dissolviam em névoa cintilante e voltavam a se solidificar em outro lugar.
Um espírito tentou segurá-lo. Meg pegou um pêssego preto congelado no chão e o jogou com tanta força que atravessou a testa do espírito e o derrubou.
— A gente tem que correr — concluiu Meg.
— É. — Percy recuou na nossa direção. — Gostei dessa ideia.
Eu sabia que correr não ia ajudar. Se fosse possível correr dos espíritos das chagas, os europeus medievais teriam colocado seus melhores tênis de corrida e fugido da Peste Negra. (E, para deixar bem claro, eu não tive nada a ver com a Peste Negra. Eu tirei um século de folga para ficar relaxando na praia em Cabo e, quando voltei, descobri que os nosoi tinham se libertado, e um terço do continente estava morto. Deuses, eu fiquei tão irritado.)
Mas eu estava apavorado demais para discutir. Meg e Percy correram pelo pomar e eu fui atrás. Percy apontou para uma série de colinas mais ou menos um quilômetro à frente.
— Ali é a fronteira ocidental do acampamento. Se a gente conseguir chegar lá...
Passamos por um tanque de irrigação preso a um trator. Com um movimento casual da mão, Percy fez a lateral do tanque rachar. Uma parede de água caiu em cima dos três nosoi que nos perseguiam.
— Isso foi bom. — Meg sorriu, saltitando com o vestido verde novo. — A gente vai conseguir!
Não, eu pensei, não vai.
Meu peito estava doendo. Minha respiração estava mais para um chiado áspero. Achei humilhante aqueles dois semideuses conseguirem bater papo enquanto corriam para salvar suas vidas, e eu, o imortal Apolo, só ofegava como um bagre.
— A gente não pode... — Eu engoli em seco. — Eles vão...
Antes que eu completasse a frase, três pilares cintilantes de fumaça surgiram do chão na nossa frente. Dois dos nosoi se solidificaram em cadáveres, um com um pêssego como se fosse um terceiro olho, o outro com um galho de árvore saindo do peito.
O terceiro espírito... Bem. Percy não o viu a tempo. Ele correu direto para a pluma de fumaça.
— Não respire! — alertei.
Os olhos de Percy saltaram como quem diz: É sério? Ele caiu de joelhos com as mãos no pescoço.
Como filho de Poseidon, provavelmente conseguia respirar debaixo da água, mas prender a respiração por tempo indeterminado era uma coisa totalmente diferente.
Meg pegou outro pêssego murcho no chão, mas aquilo não ia ser de grande serventia contra as forças das trevas.
Tentei pensar em algo para ajudar Percy, porque ajudar é meu nome do meio, mas o nossos empalado pelo galho de árvore partiu para cima de mim. Eu me virei e corri, e dei de cara com uma árvore. Gostaria de dizer que foi tudo parte do meu plano, mas mesmo eu, com toda a minha habilidade poética, não sou capaz de achar algo de positivo nisso.
Caí de costas e vi pontinhos pretos dançando ao meu redor, com a imagem cadavérica do espírito das chagas me encarando do alto.
— Que doença fatal devo usar para matar o grande Apooooolo? — gargarejou o espírito. — Antraz? Talvez ebooooola...
— Cutícula malfeita — sugeri, tentando me arrastar para longe do meu agressor. — Tenho horror àquelas pelezinhas se soltando.
— Eu tenho a resposta! — gritou o espírito, me ignorando com grosseria. — Vamos tentar isso!
Ele se dissolveu em fumaça e se deitou em cima de mim como um cobertor cintilante.

14 comentários:

  1. Emylle, a fanatica por Larry e Wico22 de maio de 2016 21:25

    Cuticula malfeita kkkk ate li com voz fina e arrastada, qnem de gay!

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  2. cuticula malfeita kkkkkkkkkkkkkkkkkk

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  3. Meg, sua vez! Morrendo de rir com Apolo.

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  4. kkkkkkkk!

    cutícula mal feita

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  5. criança de Zeus3 de junho de 2016 10:04

    Meg pegou outro pêssego murcho no chão, mas aquilo não ia ser de grande serventia contra as forças das trevas.


    Apollo já quis ser um Jedi

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  6. Não sabia que meu pai odeia cutícula mal feita kkkkkkkkkkkk

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  7. Prih... Filha de poseidon (foda-sua opiniao)4 de junho de 2016 21:55

    — NOSOI? — PERCY posicionou os pés em postura de luta. — Sabe, eu vivo pensando: Agora já matei todas as coisas que existem na mitologia grega. Mas a lista parece não terminar nunca.
    — Você ainda não me matou — observei.
    — Não me provoque.


    Morri😂😂😂😂
    Sdds percy❤😭💘

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  8. Nossa, eu lembro que vinha aqui o tempo todo há MUITO tempo, que nostalgia ter reencontrado vocês ❤ E MUITO MUITO OBRIGADA POR TER POSTADO ESSE LIVRO, DE VERDADE

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  9. Apollo me irritando com o egoismo dele
    Percy mais rispido
    Sem Nico
    Sem Leo
    Sem Annie (MDT)
    Sem Magnus
    Ta estranho.

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  10. O magnus e da mitologia nordica esse novo lívro do rick do e sobre mitologia grega duvido muito q ele vai aparecer. Amei percy e apolo

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  11. Melhor cap kkk
    — Essas criaturas não são mitos — falei. — Claro, a maioria dos mitos antigos não é mito. Exceto aquela história de como eu esfolei o sátiro Marsias vivo. Isso foi uma grande mentira.
    Percy olhou para mim.
    — Você fez o quê?
    Os sátiros não sabem disso kkkkkk

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  12. Tio Rick sempre me fazendo rir 💓

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