4 de maio de 2016

Capítulo 31

ELOISE ME AJUDOU a me recompor, e eu parecia nada menos do que magnífica quando fui para o quarto de Henri. Assim como eu tinha feito quando pensei que ficaria com Kile, eu me lembrei que esta não era uma má escolha. Henri seria dedicado e gentil, e mesmo os nossos meios de comunicação poderiam ser pouco convencionais por um tempo, isso não significava que a nossa vida juntos não seria feliz.
Seu mordomo abriu a porta e gentilmente me deixou entrar. Henri estava em sua mesa com livros abertos e uma jarra de chá à sua disposição.
Ele se levantou quando me viu, curvando-se de uma forma que só poderia ser descrita como alegre.
— Olá, hoje!
Eu ri, caminhando com a grande caixa de madeira em meus braços.
— Olá, Henri — sentei em sua mesa e o abracei, e ele se iluminou com o meu carinho. — O que é tudo isso?
Toquei seus livros, vendo as páginas. Claro que, mesmo tivesse ajuda, estava estudando inglês. Ele pegou um caderno e o ergueu, apontando.
— Eu escrevo para você. Posso ler, sim?
— Oh sim, por favor.
— Ok, ok — ele respirou fundo e sorriu enquanto levantou seus papéis. — “Querida Eadlyn. Eu sei que posso não dizer, mas estou pensando em você a cada dia. Minhas palavras não são boas ainda, mas meu coração” — leu ele, tocando seu peito — “sente o que eu não posso dizer. Mesmo em finlandês, eu as diria mal.”
Ele riu de si mesmo e deu de ombros, e eu sorri.
— “A senhorita tem beleza, talento, inteligência e é agradável. Espero que mostre o quanto eu penso em você. Além disso, mais beijos.”
Eu não podia deixar de rir, e ele estava tão feliz de me ver de bom humor, parecia que explodiria com isso.
— Ainda trabalhando — disse ele, baixando o bloco de notas. — Hum, chamo Erik?
— Não — eu disse. — Só você.
Ele parecia nervoso na tentativa de se comunicar comigo por conta própria. Mas mesmo isso foi melhor do que nunca tinha feito antes. Ele balançou a cabeça, esfregando as mãos para tirar um pouco da sua energia nervosa.
— Henri, você gosta de mim?
Ele assentiu.
— Sim. Gosto de você.
— Eu também gosto de você.
Ele sorriu.
— Bom!
E mais uma vez eu me encontrei rindo. Veja, Eadlyn, isso seria ótimo.
— Henri... Henri, gostaria de se casar comigo?
Ele apertou os olhos por um momento antes de eles se arregalaram de surpresa.
— Eu caso com você?
— Sim, se você quiser fazer isso.
Ele deu um passo para trás, sorrindo como sempre, mas havia algo em sua expressão que eu não podia nomear. Descrença? Dúvida? Mas depois de um lampejo de um segundo, isso desapareceu.
— Espere, espere — ele caiu de joelhos, segurando minhas duas mãos. — Você casar comigo?
— Sim.
Ele riu e passou a beijar minhas mãos mais e mais, finalmente, parando e olhando para elas por um tempo, como se não pudesse acreditar que ficaria para o resto de sua vida.
— Venha aqui — eu disse, instigando-o a ficar de pé.
Ele me abraçou, me segurando apertado. E enquanto tudo isso estava sendo tão doce, eu lutava contra a vontade de chorar novamente.
— Você tem que me dar um anel — falei, e abri a caixa sobre a mesa, percebendo um suspiro audível de Henri.
Posicionados no veludo azul estavam vinte e cinco anéis diferentes de noivado, variando em tamanho e cor, mas todos condizente com uma rainha. Ele olhou para eles um segundo antes de virar para mim.
— Eu escolho para você?
— Sim.
Ele fez uma cara, um pouco sobrecarregado com as suas opções. Henri passou o dedo sobre as combinações de granada e ametista e sobre os diamantes, tão planas e largos que se poderia patinar como no gelo sobre eles. Mas então ele encontrou uma grande pérola envolta por rosas de ouro e cercada por uma série de diamantes.
Ele observou-a mais de perto e assentiu.
— Para você.
Estendi minha mão esquerda, e ele escorregou o enorme e lindo anel.
— Bom, bom? — perguntou.
Isso era com o que eu teria que ficar satisfeita. Não perfeito. Não feliz. Mas bom. E, para mim, depois de cada erro que cometi ao longo do caminho, isso certamente deveria ser suficiente.
Eu sorri.
— Bom, bom.


— A senhorita tem uma entrega — Eloise anunciou.
Olhei para o pacote. Não tinha certeza do que era, pois não estava esperando nada. Deixei a caixa de anéis ao seu lado, agitando os meus dedos.
— O que você acha? — perguntei.
Os olhos de Eloise se arregalaram.
— Eu nunca vi nada parecido.
— Bem, fizeram vinte e cinco anéis diferentes, cada um de um tipo. Um pouco acima do esperado, mas estou feliz que este estivesse lá dentro. Facilmente um dos meus favoritos.
— Ficou bonito na senhorita — ela sorriu para mim. — Há algo que precise ou prefere ficar sozinha?
— Sozinha, por agora, acho.
— Excelente. Chame quando estiver pronta para o jantar, e eu subirei na hora.
Balancei a cabeça e ela desapareceu na porta, a bainha de seu vestido de se arrastando atrás dela.
Eu nunca deveria ter duvidado de Neena.
Segurei o encosto da cadeira da minha mesa, tentando assimilar as coisas de uma só vez. Eu quase perdi tanto, mas deveria lembrar o quanto ganhara. Eu era a rainha, e estava noiva. Finalmente aprendi o que era preciso para ver as outras pessoas e o que significava deixar outras pessoas me verem. Eu ainda tinha muito a realizar, tantas coisas que queria fazer para a minha família e para o meu povo. Eu esperava me estabelecer firmemente para poder fazer isso.
Suspirando, abri curiosamente a caixa fina na minha frente. Deslizei a tampa para o lado e engasguei.
Na minha frente estava uma bela foto da minha família no dia da coroação. Osten parecia tramar alguma coisa maliciosa como sempre, e Ahren estava muito bonito. Tudo o que Kaden precisava era uma espada na mão, e a imagem de um príncipe perfeitamente galante ficaria completa. Passei para a fotografia seguinte, e nós estávamos lá novamente em uma pose um pouco diferente. Eu mergulhei na caixa, puxando foto após foto, radiante de felicidade. Lady Brice me apertava em um abraço, Kile ria enquanto me girava nos braços, e os Leger com uma mão em cada um dos meus ombros como se eu realmente fosse filha deles.
Esses momentos me pareciam tão longe agora. Era quase como se eu estivesse olhando para outra menina em todas estas fotos. Um pouco de tempo e esperança eram o suficiente para mudar uma pessoa.
Quando cheguei às minhas fotos com Eikko, elas eram um contraste com todas as outras. Eu tirara meu manto e ele estava de colete, e percebi que eu tinha inconscientemente nos posicionado como duas pessoas apaixonadas. Minha mão repousava sobre seu peito enquanto ele segurava minha cintura, e minha cabeça estava ligeiramente inclinada na direção dele, como se seu coração tivesse uma força gravitacional.
Olhei para a minha foto favorita por um tempo muito longo, pensando o quão incrível era o fato de o fotógrafo ter capturado a luz em seus olhos. Apenas algumas horas após esta foto, eu observava para aqueles olhos, mergulhada naqueles braços. Quão extraordinário era o fato de eu ter essa foto de qualquer modo? Se não fosse pelos outros, ele poderia não ter se aproximado de mim, sussurrado em finlandês em meu ouvido. Falei a mim mesma que havia sido sorte nós nos conhecermos. Se eu tivesse discutido com meus pais, se Henri não tivesse sido tão corajoso para se candidatar, se eu tivesse movido minha mão alguns centímetros para o lado quando retirei o envelope...
Peguei a foto e fui até a gaveta onde eu guardava meus tesouros. Sorri, olhando para a minha pequena coleção e lembrando dos últimos dois meses com um sentimento de gratidão.
A camisa de Henri de que ele fez um avental. A gravata horrível de Kile que impedia a paz mundial. O alfinete de Hale, preso um pedaço de um tecido, lembrando-me de ficar bem. O desenho embaraçoso que Fox fez de mim. O poema de Gunner que eu realmente não precisava mais no papel, porque eu não poderia esquecê-lo nem se tentasse. Estas eram as coisas que eu havia guardado.
Fiquei ali, a foto pairando acima da gaveta. Um tesouro como esta imagem era, eu não podia deixá-la cair. Não havia como colocar meu Eikko em uma caixa.

27 comentários:

  1. Ah, o Henri é tão fofo ♡ vai acabar magoado...
    Essa cena de América me deu uma vontade de ler tudo outra vez!

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  2. Vou chorar desculpe mas eu vou chorar🎵😢, sem palavras para esse capitulo

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  3. tomara q na hora do casamento o eikko aparece para dizer q é contra e q ama...seria muito fofo serio

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  4. Tem um olho na minha lágrima 💔

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  5. Fala sério Eadlyn! o Henri viu foi anel do Erik nos dedos dela- observem o trecho. A Kiara escreveu de forma tão sutil.
    "Ele riu e passou a beijar minhas mãos mais e mais, finalmente, parando e olhando para elas por um tempo, como se não pudesse acreditar que ficaria para o resto de sua vida".

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    1. Verdade nem tinha reparado

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    2. Eu tinha percebido tb, mas ele acabou aceitando. Será que na hora do sim ele vai trocar com Eikko?! Kkkk. Ou será que ela vai abdicar em nome do irmão mais novo para poder ficar com ele??

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  6. Eu não sei o que falar so sentir !vou ali chorar e já volto 😓

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  7. tô chorando muito memo

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  8. Afz -_- agora que eu tava começando a gostar do Eikko da tudo errado
    Espero que eles fiquem juntos :3
    P.s: Odiando amargamente o Marid ><

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  9. kiera por favorrrr!!!reescreva tudo!!!!!, faça que ela case com kile,por favor!!! EU TE AMO KILE

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  10. Poxxa vida tia kiera vc é mal em 😭😭😭 mais eu sou te am eikko então vamo chora

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    1. vamo chora
      mds 😭😭😭😭😭😭😭

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  11. Se ela pudesse ficar com os três ♡♡♡
    Henri Eikko e Kile
    Vou choraa :(

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  12. Pois é andei pesnando nisso como seria?Eadrik Eakile Eadnri

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  13. vocês viram a parte que ela fala que se tivesse mexido a maio um pouco mais na hora de pegar o envelope será que tinha um explosivo ou algo do tipo lá ?

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    1. Ela falou que se tivesse pego um papel um pouco mais para o lado, ou algo assim...eu entendi que ela não teria tirado o nome de Henri e aí não teria conhecido o Erik

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  14. Respostas
    1. Pois é! Espero que a escritora não tenha feito essa burrada!

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  15. Nãaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaao!!!!!!

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  16. Ler esse capítulo escutando Yoü and I, da Lady Gaga, foi difícil!

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  17. Não havia como cocar meu Eikko em uma caixa.
    Colocar* não?
    Ass: Isa

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  18. Eu nunca mais vou acreditar no amor se a Eadlyn nao ficar com o Eikko.

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