14 de maio de 2016

Capítulo 19

Como assim eles sumiram?
Não, não, não, não, não, não, não
Eu já falei não?

OS ÚNICOS PERIGOS BIOLÓGICOS que encontramos foram cupcakes veganos.
Depois de seguirmos por vários corredores iluminados por tochas, saímos em uma confeitaria lotada que, de acordo com o cardápio na parede, tinha o nome duvidoso de DELÍCIA VEGANA. Nosso fedor de lixo e vapor vulcânico logo dispersou os clientes, levando a maioria em direção à saída e fazendo com que muitas guloseimas sem lactose e sem glúten fossem pisoteadas. Nós nos abaixamos para passar pelo balcão e fomos até a cozinha. Então nos vimos em um anfiteatro subterrâneo que parecia ter séculos de idade.
Uma arquibancada de pedra circundava uma arena de terra batida que poderia tranquilamente ser o palco de uma luta de gladiadores. No teto, havia dezenas de correntes grossas de ferro penduradas. Eu me perguntei que espetáculos horríveis deviam ter acontecido ali, mas logo fomos embora.
Seguimos para o lado oposto, de volta aos corredores sinuosos do Labirinto. A essa altura, já havíamos aperfeiçoado a arte de correr com três pernas. Sempre que começava a ficar cansado, eu imaginava Píton atrás de nós, cuspindo gás venenoso.
Finalmente, dobramos uma esquina.
— Ali! — gritou Meg.
No meio do corredor havia uma terceira maçã dourada.
Desta vez, eu estava exausto demais para me importar com armadilhas. Nós seguimos em frente até Meg pegar a fruta.
À nossa frente, o teto baixou, formando uma rampa, a qual subimos. Ar fresco encheu meus pulmões. Quando chegamos ao fim, em vez de me sentir eufórico, minhas entranhas ficaram tão geladas quanto o líquido que escorreu do lixo e grudou na minha pele. Estávamos de volta à floresta.
— Aqui, não — murmurei. — Deuses, não.
Meg olhou ao redor, fazendo com que eu desse um giro de trezentos e sessenta graus junto com ela.
— Talvez seja uma floresta diferente.
Mas não era. Eu sentia o olhar ressentido das árvores, o horizonte se esticando em todas as direções. Vozes começaram a sussurrar, despertadas pela nossa presença.
— Vamos logo — falei.
Como se aproveitando a deixa, os aros que prendiam nossas pernas se soltaram. Nós corremos.
Mesmo segurando as três maçãs, Meg foi mais rápida. Ela seguiu por entre as árvores, ziguezagueando para a esquerda e para a direita, percorrendo uma trilha que só ela conseguia ver.
Minhas pernas doíam e meu peito ardia, mas não ousei ficar para trás.
À frente, pontos cintilantes de luz se transformaram em tochas. Finalmente saímos da floresta, e deparamos com campistas e sátiros.
Quíron galopou até nós.
— Graças aos deuses!
— De nada — falei, ofegante, por força do hábito. — Quíron... nós temos que conversar.
À luz das tochas, o rosto do centauro pareceu entalhado na sombra.
— Temos sim, meu amigo. Mas, antes, precisamos cuidar de outro assunto. Receio que mais uma equipe tenha desaparecido... seus filhos, Kayla e Austin.

* * *

Quíron nos obrigou a tomar banho e trocar de roupa. Senão, eu teria voltado na mesma hora para a floresta.
Quando terminei, Kayla e Austin ainda não tinham voltado.
Quíron enviou grupos de busca formados por dríades para a floresta, supondo que elas estariam em segurança em seu hábitat natural, mas se recusou veementemente a deixar semideuses se juntarem à tarefa.
— Não podemos arriscar perder mais ninguém — disse ele. — Kayla, Austin e... e os outros desaparecidos... Eles não iam querer isso.
Cinco campistas haviam desaparecido até agora. Eu não era ingênuo de achar que Austin e Kayla voltariam por conta própria. As palavras de Besta ainda ecoavam em meus ouvidos: Estou aumentando nossa jogada. Apolo não vai ter escolha.
Ele mirou nos meus filhos, e estava me convidando a ir procurá-los e encontrar o portão desse oráculo oculto. Havia tantas coisas que eu não entendia: como o Bosque de Dodona fora parar na floresta próxima ao acampamento? Que tipo de “portão” ele podia ter? Por que Besta achava que eu poderia abri-lo? E como ele capturou Austin e Kayla? Mas de uma coisa eu tinha certeza: Besta tinha razão. Não havia outra escolha. Eu precisava encontrar meus filhos... meus amigos.
Eu teria ignorado o aviso de Quíron e corrido para a floresta se não fosse o grito de pânico de Will.
— Apolo, preciso de você!
Em uma das extremidades do campo, ele montara um hospital improvisado para cuidar de seis campistas feridos, que estavam deitados em macas. No momento, todas as suas forças estavam direcionadas a Paulo. Nico segurava o brasileiro, que estava aos berros.
Eu corri até Will e, quando deparei com aquela cena, fiz uma careta.
Uma das pernas do garoto fora serrada.
— Eu a prendi de volta — disse Will, com a voz trêmula de exaustão. Sua roupa de médico estava manchada de sangue. — Preciso que alguém o mantenha estável.
Apontei para a floresta.
— Mas...
— Eu sei! — cortou Will. — Você acha que também não quero sair para procurá-los? Mas estamos com poucos curandeiros. Tem unguento e néctar naquela bolsa. Vá!
O tom de sua voz me deixou atordoado. Percebi que ele estava tão preocupado com Kayla e Austin quanto eu. A única diferença era que Will sabia qual era seu dever. Ele tinha que curar os feridos primeiro. E precisava da minha ajuda.
— S-sim — falei. — Sim, claro.
Peguei a bolsa de suprimentos e fui cuidar de Paulo, que havia convenientemente desmaiado de dor. Will trocou as luvas cirúrgicas e observou a floresta com um olhar furioso.
— Nós vamos encontrá-los. Temos que encontrar.
Nico di Angelo deu um cantil para ele.
— Beba. É aqui que você precisa estar agora.
Percebi que o filho de Hades também estava com raiva. Ao redor dos pés dele, a grama soltou fumaça e murchou.
Will suspirou.
— Você está certo. Mas isso não faz com que eu me sinta melhor. Tenho que cuidar do braço quebrado da Valentina. Quer ajudar?
— Parece nojento — disse Nico. — Vamos nessa.
Eu cuidei de Paulo Montes até ter certeza de que ele estava fora de perigo, depois pedi a dois sátiros para carregarem a maca dele até o chalé de Hebe.
Fiz o que pude para ajudar os outros. Chiara teve uma concussão leve. Billie Ng não conseguia parar de dançar sapateado irlandês. Holly e Laurel precisavam que estilhaços fossem retirados de suas costas graças a um encontro com um frisbee explosivo em forma de serra elétrica.
Como era de se esperar, as gêmeas Victor chegaram em primeiro, mas também fizeram questão de saber qual delas teve mais estilhaços removidos, para que pudessem se gabar à vontade. Mandei que ficassem quietas, ou nunca mais as deixaria usar coroas de louro novamente. (Eu havia patenteado as coroas de louro, então isso era prerrogativa minha.)
Concluí que meu poder de cura como mortal era razoável. Will Solace era muito melhor do que eu, mas isso não me incomodava tanto quanto meu fracasso com arqueria e música. Acho que eu estava acostumado a ficar em segundo lugar quando o assunto era cuidar de pessoas. Meu filho Asclépio se tornou o deus da medicina quando tinha quinze anos, e eu não poderia ter ficado mais feliz por ele. Isso permitiu que eu tivesse tempo para me dedicar a meus outros interesses. Além do mais, todo deus sonha em ter um filho médico.
Após a extração dos estilhaços, quando estava lavando as mãos, Harley se aproximou, mexendo no sinalizador, os olhos inchados de tanto chorar.
— É culpa minha — murmurou ele. — Eu fiz com que se perdessem. Eu... me desculpe.
Ele estava tremendo. Percebi que o garotinho estava morrendo de medo do que eu poderia fazer.
Nos últimos dois dias, eu desejara causar medo em mortais novamente. Meu estômago fervia de ressentimento e amargura. Eu queria achar um culpado pelos meus problemas, pelos desaparecimentos, pela minha incapacidade de resolver as coisas.
Ao olhar para Harley, minha raiva evaporou. Eu me senti vazio, idiota; tive vergonha de mim mesmo. Sim, eu, Apolo... com vergonha. Verdade, era um evento tão sem precedentes que deveria ter destruído o cosmos.
— Tudo bem — falei.
Ele fungou.
— A pista de corrida foi parar na floresta. Eu não devia ter feito isso. Eles se perderam e... e...
— Harley — coloquei as mãos sobre as dele —, posso ver seu sinalizador?
Ele piscou para afastar as lágrimas. Acho que o garoto estava com medo de eu quebrar o dispositivo, mas me deixou pegá-lo.
— Não sou um inventor — falei, virando as engrenagens o mais delicadamente possível. — Não tenho as habilidades do seu pai. Mas entendo de música. Acredito que autômatos preferem a frequência mi a 329,6 hertz. Ressoa melhor com bronze celestial. Se você ajustar seu sinal...
— Festus talvez ouça? — Harley arregalou os olhos. — Tem certeza?
— Não — admiti. — Assim como você não tinha como saber o que o Labirinto faria hoje. Mas isso não significa que a gente deva parar de tentar. Nunca pare de inventar, filho de Hefesto.
Devolvi a ele o sinalizador. Durante três segundos, Harley ficou me olhando, desconfiado. Em seguida, me deu um abraço tão forte que quase quebrou minhas costelas, e saiu correndo.
Cuidei dos últimos feridos enquanto as harpias limpavam o local, recolhendo ataduras, roupas rasgadas e armas danificadas. Elas reuniram as maçãs douradas em uma cesta e prometeram fazer deliciosos folheados de maçã para o café da manhã.
A pedido de Quíron, os campistas restantes voltaram para seus chalés. Ele prometeu que pela manhã já teríamos elaborado um plano de ação, mas eu não pretendia esperar nem mais um minuto.
Assim que ficamos sozinhos, eu me virei para Quíron e Meg.
— Vou atrás de Kayla e Austin — falei. — Vocês podem ir comigo ou não.
A expressão de Quíron ficou tensa.
— Meu amigo, você está exausto e despreparado. Volte para o seu chalé. Não vai adiantar de nada...
— Não. — Fiz um gesto de desdém, ignorando o conselho dele, o mesmo que faria se ainda fosse um deus. Aquilo devia parecer petulante vindo de um zé-ninguém de dezesseis anos, mas não me importei. — Eu tenho que fazer isso.
O centauro baixou a cabeça.
— Eu devia ter ouvido você antes da corrida. Você tentou me avisar. O que... o que você descobriu?
A pergunta me imobilizou como se fosse uma camisa de força.
Depois de salvar Sherman Yang e ouvir Píton no Labirinto, tive certeza de que sabia as respostas. Eu me lembrei do nome Dodona, das histórias sobre as árvores falantes... Agora, minha mente era de novo uma sopa de pensamentos mortais confusos. Eu não conseguia lembrar por que fiquei tão agitado, nem o que pretendia fazer.
Talvez a exaustão e o estresse estivessem pesando. Ou talvez Zeus estivesse manipulando meu cérebro, permitindo que eu tivesse vislumbres provocadores da verdade, e em seguida arrancando-os fora, transformando meus momentos ahá! em momentos hã?
Gritei de frustração.
— Eu não lembro!
Meg e Quíron trocaram olhares nervosos.
— Você não vai — disse Meg com firmeza.
— O quê? Você não pode...
— É uma ordem — reforçou ela. — Você não vai voltar para a floresta até eu mandar.
Um tremor percorreu meu corpo. Afundei as unhas nas palmas das mãos.
— Meg McCaffrey, se meus filhos morrerem porque você não me deixou...
— Como Quíron falou, você só acabaria morrendo. Vamos esperar até amanhã de manhã.
Pensei em como seria satisfatório jogar Meg da carruagem do Sol ao meio-dia. Por outro lado, uma pequena parte racional de mim sabia que ela podia estar certa. Eu não estava em condições de iniciar uma operação de resgate sozinho. Isso me deixou com ainda mais raiva.
O rabo de Quíron balançou de um lado para o outro.
— Bem, então... vejo vocês dois ao amanhecer. Nós vamos encontrar uma solução. Prometo.
Ele me lançou um último olhar, como se estivesse com medo de eu começar a correr em círculos e uivar para a lua. Em seguida, voltou trotando para a Casa Grande.
Olhei de cara feia para Meg.
— Vou ficar aqui esta noite, para o caso de Kayla e Austin voltarem. A não ser que você me proíba de fazer isso também.
Ela só deu de ombros. Até isso era irritante.
Frustrado e batendo os pés, fui até meu chalé e peguei alguns suprimentos: uma lanterna, dois cobertores, um cantil de água. No último momento, escolhi alguns livros na estante de Will Solace.
Como era de se esperar, ele tinha obras de referência sobre mim para compartilhar com novos campistas. Achei que talvez os livros pudessem ajudar a ativar minha memória. Se não servissem para isso, seriam bom material para uma fogueira.
Quando voltei para perto da floresta, Meg ainda estava lá.
Eu não esperava que ela fosse fazer vigília comigo. Provavelmente só decidiu fazer isso porque concluiu que aquela seria a melhor forma de me irritar.
Ela se sentou ao meu lado no cobertor e começou a comer uma maçã dourada que havia escondido no casaco. Uma névoa invernal surgia por entre as árvores. A brisa da noite soprava a grama, fazendo movimentos similares a ondas.
Em circunstâncias diferentes, eu talvez escrevesse um poema. No meu estado mental do momento, o máximo que conseguiria seria um cântico funerário, e eu não queria pensar em morte.
Tentei ficar com raiva de Meg, mas não consegui. Ela só estava pensando no meu bem... ou talvez não estivesse pronta para ver seu novo servo divino arrumar um jeito de morrer.
Meg não tentou me consolar. Não fez perguntas. Sua diversão se resumiu a pegar pedrinhas e jogar na floresta. Eu não me incomodei com nada disso. Daria uma catapulta para ela, se tivesse uma.
Ao longo da noite, li sobre mim nos livros de Will.
Normalmente, seria uma tarefa feliz. Afinal, sou um assunto fascinante. Mas dessa vez minhas aventuras gloriosas não me deixaram empolgado e orgulhoso. Todas pareciam exageros, mentiras e... bem, mitos. Infelizmente, encontrei um capítulo sobre oráculos. Essas poucas páginas despertaram minha memória e confirmaram minhas piores desconfianças.
Eu estava transtornado demais para ficar apavorado. Olhei para a floresta e desafiei as vozes sussurrantes a me perturbarem. Venham, então. Me levem também, pensei. As árvores continuaram em silêncio. Kayla e Austin não voltaram.
Perto do amanhecer, começou a nevar. Só então Meg falou:
— É melhor a gente entrar.
— E abandoná-los?
— Não seja burro. — A neve salpicou o casaco dela. O rosto estava escondido no capuz, exceto pela ponta do nariz e pelo brilho das pedrinhas dos óculos. — Você vai congelar aqui.
Notei que ela não reclamou do frio. Eu me perguntei se ela sentia algum desconforto ou se o poder de Deméter a mantinha aquecida no inverno, como uma árvore sem folhas ou uma semente adormecida na terra.
— Eles eram meus filhos. — Foi doloroso usar o verbo no passado, mas Kayla e Austin pareciam irremediavelmente perdidos. — Eu devia ter feito mais para protegê-los. Devia ter previsto que meus inimigos mirariam neles para me afetar.
Meg jogou outra pedra nas árvores.
— Você já teve muitos filhos. Toda vez que um deles se metia em confusão você se sentia culpado?
A resposta era não. Ao longo dos milênios, eu mal conseguia lembrar o nome dos meus filhos. Se eu mandava um cartão de aniversário ocasional ou uma flauta mágica, achava que já estava cumprindo meu papel de pai. Às vezes, eu só percebia que algum havia morrido décadas depois.
Durante a Revolução Francesa, fiquei preocupado com meu filho Luís XIV, o Rei Sol, aí fui dar uma olhada nele e descobri que havia morrido setenta e cinco anos antes.
Mas agora eu tinha uma consciência mortal. Meu senso de culpa parecia ter se expandido conforme minha expectativa de vida diminuía. Eu não podia explicar isso para Meg. Ela jamais entenderia. Provavelmente, jogaria uma pedra em mim.
— É culpa minha Píton ter retomado Delfos — falei. — Se eu tivesse matado aquele monstro assim que ele reapareceu, quando eu ainda era um deus, ele jamais teria ficado tão poderoso. Jamais teria feito uma aliança com aquele... aquele Besta.
Meg baixou o rosto.
— Você o conhece — especulei. — No Labirinto, quando você ouviu a voz dele, ficou apavorada.
Pensei que ela fosse me mandar calar a boca de novo, mas ela só passou o dedo nos crescentes dos anéis de ouro, sem dizer nada.
— Meg, ele quer me destruir — falei. — De alguma forma, está por trás desses desaparecimentos. Quanto mais soubermos sobre esse homem...
— Ele mora em Nova York.
Eu esperei. Era difícil decifrar o capuz do casaco dela.
— Tudo bem — continuei. — Isso reduz a busca a oito milhões e meio de pessoas. O que mais?
Meg cutucou os calos nos dedos.
— Se você é um semideus vivendo nas ruas, já ouviu falar do Besta. Ele procura gente como eu.
Um floco de neve derreteu na minha nuca.
— Procura gente... para quê?
— Para treinar — respondeu Meg. — Para usar como... servos, soldados. Não sei.
— E você o conheceu.
— Por favor, chega de perguntas...
— Meg.
— Ele matou meu pai.
As palavras dela saíram baixas, mas me acertaram com mais força do que uma pedrada na cara.
— Meg, eu... eu sinto muito. Como...?
— Eu me recusei a trabalhar para ele — explicou ela. — Meu pai tentou... — Ela fechou os punhos. — Eu era muito pequena. Não me lembro direito. Eu fugi. Senão, o Besta teria me matado também. Meu padrasto me acolheu. Ele foi bom para mim. Você não me perguntou por que ele me treinou para lutar? Por que me deu os anéis? Ele queria que eu ficasse em segurança, que pudesse me proteger.
— Do Besta.
Ela baixou a cabeça.
— Ser um bom semideus, treinar muito... é o único jeito de manter o Besta longe. Agora você sabe.
Na verdade, eu tinha mais perguntas do que nunca, mas senti que Meg não estava no clima de falar mais. Eu me lembrei da reação dela quando estávamos na câmara de Delfos, da expressão de puro pavor quando reconheceu a voz do Besta. Nem todos os monstros eram répteis de três toneladas com bafo venenoso. Muitos usavam rostos humanos.
Observei a floresta. Em algum lugar lá dentro, cinco semideuses estavam servindo de isca, inclusive dois filhos meus. Besta queria que eu os procurasse, e eu procuraria. Mas não deixaria que ele me usasse.
Tenho uma ajuda valiosa no acampamento, dissera Besta.
Isso me incomodara.
Eu sabia por experiência própria que qualquer semideus podia se virar contra o Olimpo. Estive na mesa de banquete em que Tântalo tentou envenenar os deuses, nos servindo o filho picadinho em um ensopado. Vi o rei Mitrídates se aliar aos persas e massacrar todos os romanos de Anatólia. Vi a rainha Clitemnestra matar o marido Agamenon só porque ele fez um pequeno sacrifício humano a mim. Os semideuses são uma galerinha imprevisível.
Olhei para Meg e me perguntei se ela podia estar mentindo, se era algum tipo de espiã. Se bem que ela era teimosa demais, impetuosa demais e irritante demais para ser uma agente dupla eficiente.
Além disso, tecnicamente, ela era minha senhora. Podia me mandar fazer quase qualquer coisa e eu teria que obedecer. Se quisesse me destruir, eu já estaria praticamente morto.
Talvez Damien White... um filho de Nêmesis era uma escolha natural para dar uma facada nas costas de alguém. Ou Connor Stoll, Alice, Julia... um filho de Hermes traíra recentemente os deuses ao trabalhar para Cronos, e eu não me surpreenderia se outro fizesse o mesmo. Talvez a bela Chiara, filha de Tique, estivesse aliada ao Besta. Os filhos da sorte eram jogadores por natureza. A verdade era que eu não fazia ideia de quem poderia ser o traidor.
O céu passou de preto a cinza. De repente, ouvi um thump, thump, thump distante, uma pulsação rápida e incessante que foi ficando cada vez mais alta. Primeiro, achei que fosse o sangue latejando na minha cabeça. Cérebros humanos podiam explodir se estivessem cheios de preocupações? Mas então percebi que o barulho era mecânico e vinha do oeste. Era o som distintamente moderno de hélices cortando o ar.
Meg levantou a cabeça.
— Isso é um helicóptero?
Eu fiquei de pé.
A máquina surgiu no horizonte, um Bell 412 vermelho-escuro vindo pela costa. (Como percorro os céus com certa frequência, entendo de máquinas voadoras.) Na lateral do helicóptero havia um logotipo verde pintado com as letras D.E.
Apesar da tristeza que me assolava, uma pequena chama de esperança se acendeu dentro de mim.
Os sátiros Millard e Herbert deviam ter conseguido entregar a mensagem.
— Aquela — falei para Meg — é Rachel Elizabeth Dare. Vamos ver o que o Oráculo de Delfos tem a dizer.

32 comentários:

  1. É impressao minha ou esse Paulo gosta de ser desmembrado???
    Jajajajajaja
    Ele se daria bem no Hotel Valhalla...

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    1. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk ta eu ri pakas agr

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    2. realmente, ele tá de parabéns
      brasileiro só se lasca, aqui e no exterior, semideus então... coitados kkkkkkk

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  2. Respostas
    1. eu tambem pensei que fosse o leo

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    2. eu tava com mo esperança que fosse ele

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    3. eu realmente esperava que fosse Leo

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    4. Fernanda: A Filha de Hades25 de julho de 2016 11:04

      Chorei quando descobri que não era...
      Foi só eu?

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    5. Eu também achei que fosse ;-; mas Rachel também é legal.

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  3. Por um instante pensei que fosse o Leo...

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  4. Já pensou se o brasileiro filho de Hebe for o traidor ,kkk

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    1. Eu ficaria mt chateada com o tio Rick se o brasileiro fosse o traidor

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  5. Aiin referencia ao Luke ali em cima <3

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  6. Finalmente a Rachel chegou!!! <3

    -Luiza filha de Hades

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  7. Meg tá dando ordens agora

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  8. Tio Rick me iludiu. Achei que fosse o Leo ;_;

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  9. achei q fosse o leo que chato

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  10. Cara, esse Harley me lembra o Harley de homem de ferro 3 kkkkkkkkk q era um menino acho q da mesma idade que do livro q era um mini gênio que construía um monte de coisa e ajudou o tony

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  11. ninguém percebeu a referencia ao livro do percy em q ele luta com...ta me esqueci mas tinha uma arena com muitos monstros e aquelas correntes que não posso falar pra que serviu senão é spoiler... ou é só impressão minha?

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    1. Esse é o livro com mais referências da vida! heuaheuaheau

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    2. Larii filha de Poseidon10 de novembro de 2016 23:26

      A arena do PJO a batalha do labirinto? (Espero que não seja espoiler)
      #Brasil

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  12. rachel elizabeth dare9 de julho de 2016 20:57

    Nossa fiquei decepcionada pensei q era o leo>:-(

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  13. um filho de Hermes traíra recentemente os deuses ao trabalhar para Cronos, e eu não me surpreenderia se outro fizesse o mesmo.


    Ahhhh 😩 triste referência #RipForLuke 😢 eu ainda amo vc Luke

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  14. é muita referência pra um livro só, tio rick tem que parar de andar com os vingadores.

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  15. Caçadora de Sombras19 de setembro de 2016 20:30

    Agnt pega umas referencias nivel Capitão America nesse livro... Adoro!!! Me iludi pensando q era o Leo '-'

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  16. Aquela arena já apareceu em um dos livros de Percy, acho que eu não posso falar qual se não seria spoiler né?

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  17. quando o Leo voltar eu vou gritar BRASIL!!!!
    s2 s2 s2

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  18. Larii filha de Poseidon10 de novembro de 2016 23:27

    Pensei que era Leo 💔

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  19. Falafel sabor feijoada15 de novembro de 2016 10:40

    Rachel <3

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