17 de abril de 2016

Capítulo XIV: De Beleriand e seus reinos

Esta é a descrição das terras para onde os noldor foram, no norte das regiões acidentais da Terra Média, nos tempos antigos; e aqui também se relata como os comandantes dos eldar mantiveram suas terras e o sítio contra Morgoth depois da Dagor Aglareb, a terceira batalha nas Guerras de Beleriand.
Na região norte do mundo, Melkor em épocas passadas havia erguido as Ered Engrin, as Montanhas de Ferro, como uma cerca para sua cidadela de Utumno; e elas ficavam junto às fronteiras do frio eterno, formando uma enorme curva de leste para oeste. Atrás das muralhas das Ered Engrin, no ocidente, onde a curva se voltava para o norte, Melkor construiu outra fortaleza, como defesa contra o ataque que poderia vir de Valinor; e, quando voltou à Terramédia, como foi dito, instalou residência nos intermináveis calabouços de Angband, os Infernos de Ferro; pois, na Guerra dos Poderes, em sua pressa de derrotá-la em seu imponente reduto de Utumno, os Valar não destruíram Angband totalmente, nem investigaram o que havia em suas profundezas. Por baixo das Ered Engrin, Melkor abriu um túnel enorme, que saía ao sul das montanhas; e ali construiu um portão fortíssimo. Acima desse portão, porém, e atrás dele até atingir as montanhas, forjou as torres trovejantes das Thangorodrim, que eram feitas de cinzas e escória de suas fornalhas subterrâneas, e também da imensa quantidade de entulho da abertura dos túneis. Essas torres eram negras, desoladas e extremamente altas. De seu cume saía fumaça, escura e repugnante para os céus do norte. Diante dos portões de Angband, a imundície e a devastação se espalhavam na direção sul por muitos quilômetros pela planície de Ard-galen. No entanto, após a chegada do Sol, brotou ali um capim verdejante e, enquanto Angband estava sitiada com seus portões fechados, havia plantas verdes até mesmo entre os fossos e as rochas quebradas diante das portas do inferno.
A oeste das Thangorodrim ficava Hísilómë, a Terra da Névoa, pois assim foi chamada pelos noldor em sua própria língua em virtude das nuvens que Morgoth para lá enviou durante seu primeiro acampamento. Tornou-se Hithlum no idioma dos sindar que habitavam aquelas regiões. Foi uma bela terra enquanto durou o Cerco a Angband, embora seu ar fosse frio, e o inverno, gelado. No lado ocidental. Seus limites eram as Ered Lómin, as Montanhas Ressoantes, que acompanhavam de perto a linha do litoral; e, no lado oriental e sul, sua fronteira era a grande curva das Ered Wethrin, as Montanhas Sombrias, que davam para Ardgalen e o Vale do Sirion.
Fingolfin e Fingon, seu filho, detiveram a posse de Hithlum, e a maior parte do povo de Fingolfin veio habitar Mithrim, perto das margens do grande lago. A Fingon foi destinada Dorlómin, que ficava a oeste das Montanhas de Mithrim. Contudo, sua principal fortaleza era em Eithel Sirion, a leste das Ered Wethrin, de onde podia vigiar Ard-galen. E sua cavalaria percorria aquela planície até chegar à sombra das Thangorodrim; pois, de uns poucos, seus cavalos se haviam multiplicado rapidamente, e a pastagem de Ard-galen era verde e abundante.
Desses cavalos, muitos dos reprodutores vinham de Valinor, e foram doados a Fingolfin por Maedhros em compensação por suas perdas, por terem sido trazidos nos barcos até Losgar.
A oeste de Dor-lómin, do outro lado das Montanhas Ressoantes, que se embrenhavam na terra ao sul do Estuário de Drengist, ficava Nevrast, que significa a Costa de Cá no idioma sindarin.
Esse nome se aplicava de início a todas as regiões costeiras ao sul do Estuário, mas, depois, indicava somente o território cujo litoral se situava entre Drengist e o Monte Taras. Ali, por muito tempo foi o reino de Turgon, o Sábio, filho de Fingolfin, limitado pelo mar, pelas Ered Lómin e pelas colinas que davam continuidade às muralhas das Ered Wethrin na direção do oeste, de Ivrin ao Monte Taras, que ficava num promontório. Alguns achavam que Nevrast pertencia mais a Beleriand do que a Hithlum, pois era uma terra mais amena, irrigada pelos ventos úmidos do mar e abrigada dos frios ventos do norte que sopravam sobre Hithlum. Era uma terra protegida, cercada por montanhas e grandes penhascos litorâneos mais altos do que as planícies no interior; e dali não corria nenhum rio No centro de Nevrast havia uma grande lagoa, sem margens definidas, por ser cercada de vastos pântanos. Linaewen era o nome dessa lagoa, em virtude da multidão de aves que ali habitava, daquelas espécies que adoram juncos altos e águas rasas. Quando da chegada dos noldor, muitos dos elfos-cinzentos viviam em Nevrast, perto do litoral, e em especial ao redor do Monte Taras no sudoeste, pois àquele local Ulmo e Ossë costumavam vir outrora. Toda essa gente aceitou Turgon como seu senhor, e a fusão dos noldor e dos sindar se realizou mais cedo ali; e Turgon morou muito tempo naquele palácio que ele chamou de Viny amar, aos pés do Monte Taras, junto ao mar.
Ao sul de Ard-galen, o vasto planalto chamado Dorthonion cobria trezentos quilômetros de leste a oeste. Nele havia imensos pinheirais, especialmente ao norte e a oeste. Por meio de suaves encostas a partir da planície, ele se erguia até um platô árido e elevado, onde existiam muitos lagos circulares aos pés de picos nus, cujos cumes eram mais altos do que os das Ered Wethrin; mas, na direção sul na qual era voltado para Doriath, ele caía, abrupto, em precipícios apavorantes. Das encostas setentrionais de Dorthonion, Angrod e Aegnor, filhos de Finarfm, contemplavam os campos de Ard-galen, e eram vassalos de seu irmão Finrod, senhor de Nargothrond. Sua população era pequena, pois a terra era árida, e as grandes alturas por trás deles eram consideradas um baluarte que Morgoth não procuraria atravessar sem um bom motivo.
Entre Dorthonion e as Montanhas Sombrias, havia um vale estreito, cujas paredes íngremes eram cobertas de pinheiros. Mas o vale em si era verde, pois o Rio Sirion passava por ele, fluindo para Beleriand. Finrod guardava o Passo do Sirion e, sobre a ilha de Tol Sirion, no meio do rio, construiu um imponente posto de observação, Minas Tirith. Contudo, depois que Nargothrond estava pronta, transferiu a responsabilidade por Minas Tirith principalmente a seu irmão, Orodreth.
Ora, o belo e vasto país de Beleriand cobria as duas margens do grande Rio Sirion, renomado em versos, que nascia em Eithel Sirion e margeava Ard-galen, antes de mergulhar na passagem, avolumando-se cada vez mais com os córregos das montanhas. Dali ele seguia para o sul por cerca de seiscentos e cinquenta quilômetros, recebendo as águas de muitos afluentes, até que, com um tremendo caudal, atingia suas várias fozes e seu delta arenoso, na Baía de Balar. E, acompanhando o Sirion de norte a sul, à sua margem direita em Beleriand Ocidental, havia a Floresta de Brethil, entre o Sirion e o Teiglin, e depois o reino de Nargothrond, entre o Teiglin e o Narog. E o Rio Narog nascia nas quedas de Ivrin, na face meridional de Dor-lómin, percorrendo cerca de quatrocentos quilômetros antes de se juntar ao Sirion em Nan-tathren, a Terra dos Salgueiros. Ao sul de Nantathren havia uma região de pradarias repletas de flores, habitada por pouca gente. E mais adiante ficavam os pântanos e as ilhas de junco das Fozes do Sirion, bem como as areias de seu delta, desertas de seres vivos a não ser pelas aves marinhas.
No entanto, o reino de Nargothrond também se estendia a oeste do Narog até o Rio Nenning, que alcançava o mar em Eglarest; e Finrod passou a ser o senhor supremo de todos os elfos de Beleriand entre o Sirion e o mar, à exceção apenas da região das Falas. Ali moravam aqueles sindar que ainda adoravam barcos, e Círdan, o Armador, era seu senhor. Entre Círdan e Finrod havia, porém, amizade e aliança; e, com o auxílio dos noldor, os portos de Brithombar e Eglarest foram reconstruídos. Por trás de suas imponentes muralhas, tornaram-se belas cidades e ancoradouros, com cais e píeres de pedra. No cabo a oeste de Eglarest, Finrod ergueu a torre de Barad Nimras para vigiar o mar ocidental, embora desnecessariamente, como acabou se revelando. Pois, em absolutamente nenhum momento Morgoth tentou construir embarcações ou fazer guerra pelo mar. A água, todos os seus servos evitavam; e ao mar nenhum deles se disporia a ir, a não ser em caso de tremenda necessidade. Com o auxílio dos elfos dos Portos, algumas pessoas de Nargothrond construíram novos barcos e navegaram para examinar a grande Ilha de Balar, pensando em preparar ali um último refúgio, se o pior acontecesse. Mas não era seu destino que um dia viessem a habitá-la.
Era, portanto, o reino de Finrod de longe o maior, embora ele fosse o mais novo dos grandes senhores dos noldor, Fingolfin, Fingon, Maedhros e Finrod Felagund. Mas Fingolfin era considerado o senhor supremo de todos os noldor, ficando Fingon em segundo lugar, embora seu reino se restringisse ao território setentrional de Hithlum. Seu povo era, porém, o mais resistente e corajoso, mais temido pelos orcs e mais odiado por Morgoth.
À margem esquerda do Sirion ficava Beleriand Oriental, que na sua maior largura media quinhentos quilômetros, do Sirion até o Gelion e às fronteiras de Ossiriand. Em primeiro lugar, entre o Sirion e o Mindeb, ficava a terra deserta de Dimbar, à sombra dos picos de Crissaegrim, morada de águias. Entre o Mindeb e o curso superior do Esgalduin ficava a terra de ninguém de Nan Dungortheb; e essa região era impregnada de medo, pois, de um dos lados, o poder de Melian fechava o marco setentrional de Doriath, mas, do outro, os abruptos precipícios das Ered Gorgoroth, as Montanhas do Terror, despencavam das alturas de Dorthonion. Para ali, como foi relatado anteriormente, Ungoliant fugira dos açoites dos balrogs; e ali ela viveu por um tempo, enchendo os desfiladeiros com sua escuridão fatal; e ali ainda, quando ela se foi, sua prole abominável se escondia e tecia suas teias nefastas. E os fios da água que escorriam das Ered Gorgoroth eram contaminados e perigosos, pois o coração de quem os provasse se enchia de sombras de loucura e desespero. Todos os seres vivos evitavam essa terra; e os noldor passavam por Nan Dungortheb somente em caso de grande necessidade, por trilhas próximas à fronteira de Doriath e à maior distância possível das colinas mal-assombradas. Esse caminho fora aberto muito antes, na época em que Morgoth ainda não voltara a Terra Média. E quem seguisse por ele iria para o leste até Esgalduin, onde, no tempo do Cerco, ainda havia a ponte de pedra de Iant Iaur. Dali, o viajante atravessaria Dor Dínen, a Terra Silenciosa, e, cruzando os Arossiach (que significa os Vaus do Aros), chegaria às fronteiras setentrionais de Beleriand, onde viviam os filhos de Fëanor.
Para o sul, ficavam os bosques protegidos de Doriath, morada de Thingol, o Rei Oculto, em cujo reino ninguém entrava a não ser que ele quisesse Sua parte menor e mais ao norte, a Floresta de Neldoreth, tinha como limite leste e sul o escuro Rio Esgalduin, que fazia uma curva para o oeste no meio do terri-tório. E entre o Aros e o Esgalduin situavam-se os bosques mais densos e maiores de Region. Na margem sul do Esgalduin, onde ele fazia a curva para o oeste na direção do Sirion, localizavam-se as Grutas de Menegroth; e Doriath inteira estava a leste do Sirion, a não ser por uma estreita região de mata entre o encontro do Teiglin com o Sirion e os Alagados do Crepúsculo. O povo de Doriath chamava esse bosque de Nivrim, o Marco Ocidental. Cresciam ali carvalhos enormes, e a região também estava incluída no Cinturão de Melian, para que alguma parte do Sirion, que ela amava em reverência a Ulmo, ficasse inteiramente sob o poder de Thingol.
Na região sudoeste de Doriath, onde o Aros desembocava no Sirion, havia grandes lagoas e pântanos dos dois lados do rio, que ali suspendia seu curso e se perdia em muitos canais. Essa região era chamada de Aelin-uial, os Alagados do Crepúsculo, pois eles estavam permanentemente envoltos em névoa, e o encantamento de Doriath pairava sobre eles. Ora, toda a região setentrional de Beleriand apresentava uma inclinação para o sul até esse ponto, e ali por certa extensão era plana, o que detinha o curso do Sirion. Entretanto, ao sul dos Aelinuial, havia uma queda acentuada e súbita. E todos os campos inferiores do Sirion eram separados dos superiores por essa queda, a qual, para quem estivesse olhando do sul para o norte parecia ser uma cadeia interminável de colinas se estendendo de Eglarest para além do Narog, no oeste, até Amon Ereb, no leste, podendo ser vista ao longe, do Gelion. O Narog atravessava essas colinas num profundo desfiladeiro e descia em corredeiras, mas não apresentava cascatas, e em sua margem ocidental a terra subia até os grandes planaltos cobertos de árvores de Taur-en-Faroth. No lado ocidental dessa ravina, onde o riacho Ringwil, curto e turbulento, se lançava direto no Narog vindo dos Altos Faroth, Finrod fundou Nargothrond.
Porém, cerca de cento e vinte e cinco quilômetros a leste da ravina de Nargothrond, o Sirion caía do norte numa catarata majestosa, a jusante dos Alagados, e então mergulhava subitamente por baixo da terra em túneis imensos, escavados pelo peso da queda das águas. E voltava a surgir a céu aberto quinze quilômetros ao sul, com grande ruído e vapor através de arcos rochosos no sopé das colinas que eram chamadas de Portões do Sirion.
Essa queda divisória era chamada de Andram, a Longa Muralha, de Nargothrond até Ramdal, o Fim da Muralha, em Beleriand Oriental. A leste, porém, ela se tornava cada vez menos íngreme, pois o vale do Gelion apresentava uma inclinação constante para o sul, e o Gelion não tinha cataratas nem corredeiras em todo o seu curso, mas sempre fora mais rápido que o Sirion.
Entre Ramdal e o Gelion, havia apenas uma colina de grande extensão e de encostas suaves, mas que parecia ser mais imponente do que era, por estar isolada. E essa colina se chamava Amon Ereb. No Amon Ereb morreu Denethor, senhor dos nandor que moravam em Ossiriand e que marcharam em auxílio a Thingol contra Morgoth, na época em que os orcs atacaram pela primeira vez em grande número e destruíram a paz cheia de estrelas de Beleriand. Também nessa colina Maedhros morou após a grande derrota. Contudo, ao sul da Andram, entre o Sirion e o Gelion, havia uma terra bravia de florestas emaranhadas nas quais ninguém entrava, a não ser aqui e ali alguns elfos-escuros a perambular. Chamava-se Taur-im-Dunaith, a Floresta entre os Rios.
O Gelion era um grande rio. Nascia de duas fontes e, de início, tinha dois braços: o Pequeno Gelion, que descia da Colina de Himring, e o Grande Gelion, que vinha do Monte Rerir. Do encontro dos dois braços, ele seguia na direção sul por cerca de duzentos quilômetros antes de receber seus afluentes. E, antes de chegar ao mar, era duas vezes mais longo do que o Sirion, embora menos largo e com menor volume de água, pois chovia mais em Hithlum e Dorthonion, de onde o Sirion extraía suas águas, do que no leste. Das Ered Luin desciam seis afluentes do Gelion: Ascar (que mais tarde recebeu o nome de Rathlóriel), Thalos, Legolin, Brilthor, Duilwen e Adurant, rios velozes e turbulentos, que desciam das montanhas íngremes. E entre o Ascar ao norte e o Adurant ao sul, assim como entre o Gelion e as Ered Luin, ficava a região remota e verdejante de Ossiriand, a Terra dos Sete Rios. Ora, a certa altura, quase na metade de seu curso, a corrente do Adurant se dividia para depois voltar a se unir. E a ilha que suas águas cercavam era chamada de Tol Galen, a Ilha Verde. Ali Beren e Lúthien foram morar depois de seu retorno.
Em Ossiriand, sob a proteção dos rios, habitavam os elfos-verdes. É que, depois do Sirion, Ulmo amava o Gelion mais do que quaisquer outras águas do mundo ocidental. A experiência em florestas dos elfos de Ossiriand era tal, que um desconhecido poderia passar por suas terras de uma extremidade a outra sem ver nenhum deles. Na primavera e no verão, vestiam-se de verde, e o som de seus cantos podia ser ouvido do outro lado do Gelion, motivo pelo qual os noldor denominaram a região Lindon, a Terra da Música, e as montanhas mais além chamaram de Ered Lindon, pois as viram pela primeira vez de Ossiriand.
A leste de Dorthonion, as fronteiras de Beleriand eram mais suscetíveis a um ataque; e somente colinas de pouca altura protegiam o vale do Gelion de ataques do norte. Naquela região, na Fronteira de Maedhros e nas terras na retaguarda, moravam os filhos de Fëanor com um povo numeroso; e seus cavaleiros passavam com frequência pela extensa planície setentrional, Lothlann, a vasta e deserta, a leste de Ard-galen, para que Morgoth não tentasse nenhuma investida na direção de Beleriand Oriental. A principal fortaleza de Maedhros ficava sobre a Colina Himring, o Gelo-eterno; e ela era larga, desprovida de árvores, com o topo plano, cercado de muitos montes menores. Entre Himring e Dorthonion, havia uma passagem, muitíssimo íngreme do lado ocidental, a Passagem de Aglon, que servia como portão para Doriath; e um vento implacável sempre soprava por ela, vindo do norte. Celegorm e Curufin, porém, fortificaram Aglon e mantiveram com forças numerosas sua posse, bem como toda a terra de Himlad, ao sul, entre o Rio Aros, que nascia em Dorthonion, e seu afluente Celon, que vinha de Himring.
Entre os braços do Gelion ficava o posto de vigia de Maglor; e ali, a certa altura, as colinas simplesmente desapareciam. Foi por ali que os orcs entraram em Beleriand Oriental, antes da Terceira Batalha. Por esse motivo, os noldor mantinham um grande contingente de cavalaria nas planícies, naquele local. E o povo de Caranthir fortificou as montanhas a leste da Falha de Maglor. Ali, o Monte Rerir, tendo ao seu redor muitos outros morros menores, se destacava da cadeia principal das Ered Lindon, na direção oeste. E, no ângulo formado entre o Rerir e as Ered Lindon, havia um lago, sombreado por montanhas de todos os lados, à exceção do sul.
Era o Lago Helevom, profundo e escuro; e às suas margens Caranthir tinha sua morada. No entanto, todo o vasto território situado entre o Gelion e as montanhas, e entre o Rerir e o Rio Ascar, era chamado pelos noldor de Thargelion, que significa a Terra para Além do Gelion, ou Dor Caranthir, a Terra de Caranthir; e foi ali que os noldor vieram a conhecer os anões.
Contudo, Thargelion era antes chamada pelos elfos-cinzentos de Talath Rhúnen, Vale Oriental.
Assim, os filhos de Fëanor sob o comando de Maedhros eram os senhores de Beleriand Oriental, mas sua gente naquela época se concentrava principalmente no norte daquela região, e na direção sul somente cavalgavam para caçar nas matas. Era lá, porém, que Amrod e Amras tinham sua morada; e raramente vinham para o norte enquanto o Cerco durou. E ali também outros senhores élficos costumavam às vezes cavalgar, vindo mesmo de muito longe, pois a região era selvagem mas belíssima. Desses, Finrod Felagund era o que vinha com maior frequência, pois sentia enorme prazer em passear, tendo chegado até mesmo a Ossiriand e conquistado a amizade dos elfos-verdes. Nenhum dos noldor, contudo, jamais ultrapassou as Ered Lindon, enquanto durou seu reinado. E poucas notícias, geralmente atrasadas, chegavam a Beleriand sobre o que acontecia nas regiões do leste.

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