2 de abril de 2016

Capítulo X - O rompimento da Sociedade

Aragorn conduziu-os pelo braço direito do Rio. Ali, na margem Oeste, sob a sombra do Tol Brandir, um gramado verde corria para a água, vindo dos pés do Amon Hen.
Atrás dele subiam as primeiras encostas suaves da colina coberta de árvores, e árvores em fila avançavam ao longo das margens sinuosas do lago. Uma pequena nascente caía encosta abaixo, alimentando a relva.
— Descansaremos aqui esta noite — disse Aragorn. — Este é o gramado de Parth Galen: um belo lugar nos dias de verão de antigamente. Esperemos que ainda nenhum mal tenha chegado até aqui.
Arrastaram os barcos através dos verdes barrancos das margens e ao lado deles montaram acampamento. Montaram guarda, mas não ouviram nem viram sinais dos inimigos. Se Gollum tivera êxito em segui-los, permanecia escondido e em silêncio.
Apesar disso, à medida que a noite avançava, Aragorn foi ficando inquieto, frequentemente se agitando durante o sono e acordando. Durante a madrugada, levantou -se e veio até Frodo, que estava encarregado da guarda.
— Por que está acordado? — perguntou Frodo. — Não é o seu turno.
— Não sei — respondeu Aragorn — mas uma sombra ameaçadora esteve crescendo durante meu sono. Seria bom que você puxasse sua espada.
— Por quê? — perguntou Frodo. — Há inimigos por perto?
— Vamos ver o que Ferroada tem a nos dizer — respondeu Aragorn.
Frodo então puxou a lâmina élfica de sua bainha. Para seu assombro, as bordas emitiram um brilho fraco na noite.
— Orcs! — disse ele. — Não muito perto, e ao mesmo tempo perto demais, ao que parece!
— Receava que fosse assim — disse Aragorn. — Mas talvez não estejam deste lado do Rio. A luz em Ferroada está fraca, e pode ser que esteja apontando apenas para espiões de Mordor perambulando pelas encostas do Amon Lhaw. Nunca ouvi falar de orcs sobre o Amon Hen. Mas quem sabe o que pode acontecer nesses dias maus, agora que Minas Tirith deixou de manter seguras as passagens do Anduin? Devemos prosseguir com cautela amanhã.
O dia chegou como fogo e fumaça. No Leste, viam-se camadas negras de nuvens baixas, semelhantes à fumaça de um grande incêndio. O sol que se levantava as iluminava por baixo com chamas de um vermelho obscuro, mas logo subiu acima delas para o céu limpo. O pico do Tol Brandir estava coberto de ouro. Frodo olhou para o Leste e ficou observando aquela ilha imponente, que emergia íngreme da água corrente. Bem acima dos altos penhascos ficavam encostas escarpadas galgadas por árvores, cujas copas se sobrepunham umas às outras; mais acima ainda ficavam paredões cinzentos de rochas inacessíveis, coroadas por um grande pináculo de pedra. Muitos pássaros voavam em círculos ao redor dele, mas não se via qualquer outro sinal de seres vivos.
Depois que todos haviam comido, Aragorn reuniu a Comitiva.
— Finalmente o dia chegou — disse ele. — O dia da escolha que adiamos por tanto tempo. Que será agora de nossa Comitiva, que viajou até aqui como uma sociedade. Devemos rumar para o Oeste com Boromir e nos dirigir para as guerras de Gondor, ou rumar para o Leste em direção ao Medo e à Sombra; ou devemos ainda romper nossa sociedade e ir por este ou aquele caminho, como cada um escolher? O que quer que façamos deve ser feito logo, não podemos permanecer aqui por muito tempo. Sabemos que o inimigo está na margem Leste, mas receio que os orcs possam já estar deste lado do Rio.
Fez-se um longo silêncio, durante o qual ninguém disse nada ou se mexeu.
— Bem, Frodo — disse Aragorn por fim. — Receio que o fardo recaia sobre seus ombros. Você é o Portador, nomeado pelo Conselho. Só você pode escolher seu caminho. Neste assunto, não posso aconselhá-lo. Não sou Gandalf, e embora tenha tentado desempenhar o papel dele, não sei que desígnio ou desejo ele tinha para este momento, se é que na verdade tinha algum. Parece mais provável que, mesmo que ele estivesse aqui agora, a escolha ainda seria sua. É o seu destino.
Frodo não respondeu de imediato. Depois falou devagar.
— Sei que precisamos nos apressar, e mesmo assim não consigo fazer uma escolha. O fardo é pesado. Dê-me mais uma hora, e então falarei. Deixem-me sozinho.
Aragorn olhou-o com pena e carinho. — Muito bem, Frodo, filho de Drogo — disse ele. — Você terá sua hora, e ficará sozinho. Vamos ficar aqui por um tempo. Mas não se perca e nem se afaste demais.
Frodo ficou sentado por um momento, com a cabeça abaixada. Sam, que estivera observando seu patrão com grande preocupação, balançou a cabeça e murmurou:
— Está tudo claro como água, mas não seria bom Sam Gamgi meter o bedelho neste momento.
Naquele instante, Frodo levantou-se e se distanciou. Sam viu que, enquanto os outros se contiveram e não olharam para ele, os olhos de Boromir o seguiram atentamente, até que ele sumisse de vista por entre as árvores ao pé do Amon Hen.
Vagando sem destino pela floresta, no início, Frodo percebeu que seus pés o conduziam para as encostas da colina. Encontrou uma trilha, as ruínas de uma antiga estrada que estava desaparecendo. Em lugares escarpados, degraus tinham sido feitos na pedra, mas agora estavam partidos e gastos, rachados pelas raízes das árvores. Subiu um trecho, sem se preocupar com que caminho tomava, até que chegou a um lugar gramado. Sorveiras cresciam ao redor, e no meio havia uma rocha ampla e plana. O pequeno trecho gramado e elevado se abria para o Leste e estava agora repleto da luz do sol da manhã. Frodo parou e olhou por sobre o Rio, muito abaixo dele, para o Tol Brandir e os pássaros desenhando círculos no grande abismo de ar entre ele e a ilha que jamais fora pisada. A voz de Rauros era um ronco poderoso misturado a um estrondo profundo e pulsante.
Sentou-se na pedra e apoiou o queixo nas mãos, olhando par a o Leste e vendo pouca coisa ao redor. Tudo o que acontecera desde que Bilbo deixara o Condado passava através de sua mente, e ele lembrava e ponderava tudo o que podia recordar das palavras de Gandalf.
O tempo passava, e ainda assim Frodo não chegava perto de nenhuma escolha.
De repente, ele acordou de seu devaneio: teve a estranha sensação de que havia alguma coisa atrás dele, de que olhos hostis estavam sobre ele, mas para sua surpresa, tudo o que viu foi Boromir, com um rosto sorridente e gentil.
— Estava preocupado com você, Frodo — disse ele, chegando mais perto. — Se Aragorn tem razão e os orcs estiverem nas proximidades, então nenhum de nós deve vagar sozinho, e você menos ainda: muita coisa depende de você. E meu coração também está pesado. Posso ficar agora e conversar um pouco, já que o encontrei? Isso me consolaria. Onde há muita gente, qualquer conversa se torna um debate sem fim. Mas duas pessoas juntas podem talvez encontrar a sabedoria.
— Você é gentil — respondeu Frodo. — Mas não acho que conversa alguma possa me ajudar. Pois sei o que devo fazer, mas tenho medo de fazê-lo, Boromir: tenho medo.
Boromir ficou em silêncio. As Cataratas de Rauros continuavam rugindo infinitamente. O vento murmurava nos galhos das árvores.
Frodo tremeu. De repente, Boromir se aproximou e sentou-se ao lado dele.
— Tem certeza de que não está sofrendo sem necessidade? — disse ele. — Quero ajudá-lo. Você precisa de um conselho nessa difícil escolha. Aceita o meu?
— Acho que já sei que tipo de conselho você vai me oferecer, Boromir — disse Frodo. — E eu poderia considerá-lo um sábio conselho, se não fosse pela advertência do meu coração.
— Advertência? Advertência contra quê? — disse Boromir abruptamente.
— Contra a demora. Contra o caminho que parece mais fácil. Contra a recusa do fardo que é colocado sobre meus ombros. Contra... Bem, é melhor que eu diga, contra a confiança na força e na sinceridade dos homens.
— Apesar disso, essa força vem por muito tempo protegendo vocês em seu pequeno país, embora não soubessem disso.
— Não duvido do valor de seu povo. Mas o mundo está mudando. As muralhas de Minas Tiríth podem ser fortes, mas não são fortes o suficiente. Se não aguentarem, o que pode acontecer?
— Pereceremos na batalha, valorosamente. Mas ainda existe esperança de que elas aguentem.
— Não há esperança enquanto o Anel continuar existindo — disse Frodo.
— Ah! O Anel — disse Boromir, com os olhos faiscando. — O Anel! Não é um destino estranho nós sofrermos tanto medo e dúvida por uma coisa tão pequena? Uma coisa tão pequena! E eu o vi apenas por um instante na Casa de Elrond. Poderia vê-lo um pouco outra vez?
Frodo levantou os olhos. De repente, seu coração gelou. Captou o brilho estranho no olhar de Boromir, apesar de seu rosto ainda se manter gentil e amigável.
— É melhor que ele fique escondido — respondeu ele.
— Como quiser. Não me preocupo — disse Boromir. — Mas não posso nem falar dele? Pois você parece estar sempre pensando só no poder do Anel nas mãos do Inimigo: em seus usos maléficos, e não nos bons. O mundo está mudando, você diz. Minas Tirith vai perecer, se o Anel perdurar. Mas por quê? Certamente seria assim se o Anel estivesse com o Inimigo. Mas por quê, se estivesse conosco?
— Você não estava no Conselho? — respondeu Frodo. — Porque não podemos usá-lo, e porque o que é feito com ele se transforma em maleficio.
Boromir levantou-se e ficou andando de um lado para outro, impaciente.
— Você continua dizendo isso — exclamou ele. — Gandalf, Elrond... todos esses lhe ensinaram a falar desse modo. Em relação a eles próprios, podem estar certos. Esses elfos e meio-elfos e magos, eles talvez fracassassem. Apesar disso, ainda tenho dúvidas se são sábios, e não apenas tímidos. Mas cada um é do seu modo. Homens de coração sincero, estes não serão corrompidos. Nós, de Minas Tirith, temos permanecido firmes através de longos anos de provações. Não desejamos o poder dos senhores dos magos, só a força para nos defendermos, a força numa causa justa. E veja! Em nossa necessidade, o acaso traz à luz o Anel de Poder. É uma dádiva, eu digo; uma dádiva aos inimigos de Mordor. É loucura não fazer uso dela, não usar o poder do Inimigo contra ele mesmo. Os corajosos, os destemidos, só estes conseguirão a vitória. O que não poderia fazer um guerreiro nesta hora, um grande líder? O que Aragorn não poderia fazer? Ou, se ele se recusar, por que não Boromir? O Anel poderia me dar poder de Comando. Como eu poderia rechaçar os exércitos de Mordor, e todos os homens seguiriam minha bandeira!
Boromir andava para cima e para baixo, falando cada vez mais alto.
Parecia quase que tinha esquecido de Frodo, enquanto sua fala se detinha em muralhas e armas, e no ajuntamento de tropas de homens; fazia planos para grandes alianças e gloriosas vitórias futuras; e destruía Mordor e se tornava um rei poderoso, benevolente e sábio. De repente, parou e agitou os braços.
— E eles nos dizem para jogá-lo fora! — gritou ele. — Não digo destruí-lo. Isso seria bom, se racionalmente pudéssemos ter alguma esperança de fazê-lo. Mas não podemos. O único plano proposto é que um pequeno deva andar cegamente para dentro de Mordor e oferecer ao Inimigo todas as chances de recapturá-lo. Loucura!
“Certamente você está entendendo, meu amigo? — disse ele, voltando-se agora de repente para Frodo outra vez. — Você diz que está com medo. Se é assim, os mais corajosos devem perdoá-lo. Mas não seria na verdade o seu bom senso que se revolta?
— Não, estou com medo — disse Frodo. — Simplesmente com medo. Mas estou feliz por ter ouvido você falar tão abertamente. Minha mente agora está menos confusa.
— Então você virá para Minas Tirith? — gritou Boromir, com os olhos brilhando e o rosto ansioso.
— Você não está me entendendo — disse Frodo.
— Mas você virá, pelo menos por um tempo? — persistiu Boromir. — Minha cidade não está longe agora, e a distância de lá até Mordor é um pouco maior do que se partíssemos daqui. Faz tempo que estamos viajando por lugares desertos, e você precisa saber o que o Inimigo está fazendo antes de tomar uma decisão. Venha comigo, Frodo — disse ele. — Você precisa descansar antes de sua aventura, se é que precisa mesmo ir. — Colocou a mão no ombro do hobbit de um modo amigável, mas Frodo sentiu a mão tremendo com uma agitação contida. Deu um passo abrupto para trás, e olhou alarmado para aquele homem alto, com quase o dobro de seu tamanho e muitas vezes mais forte que ele.
— Por que essa hostilidade? — perguntou Boromir. — Sou um homem sincero. Não sou ladrão nem perseguidor. Preciso de seu Anel: agora você já sabe; mas dou-lhe minha palavra de que não pretendo ficar com ele. Você não permitiria pelo menos que eu tentasse pôr em prática meu plano? Empreste-me o Anel!
— Não! Não! — gritou Frodo. — O Conselho designou-me como Portador.
— É por nossa própria tolice que o Inimig o vai nos derrotar — gritou Boromir. — Isso me enfurece! Tolo! Tolo obstinado! Correndo de livre e espontânea vontade em direção à morte, e arruinando nossa causa. Se algum mortal tem o direito de reivindicar o Anel, esse direito pertence aos homens de Númenor, e não aos pequenos. O direito não é seu, exceto por um acaso infeliz, podia ter sido meu. Devia ser meu. Dê-me o Anel!
Frodo não respondeu, mas se afastou até que a grande pedra plana ficasse entre eles.
— Vamos, vamos, meu amigo! — disse Boromir numa voz mais suave. — Por que não se livrar dele? Por que não se libertar de sua dúvida e de seu medo? Você pode colocar a culpa em mim, se quiser. Pode dizer que eu sou forte demais e o tomei à força. Porque eu sou forte demais para você, pequeno — gritou ele, e de repente subiu na pedra e saltou sobre Frodo.
Seu rosto belo e agradável estava terrivelmente transformado; um fogo feroz lhe queimava os olhos.
Frodo recuou e outra vez a pedra ficou entre os dois. Só havia uma coisa a fazer: tremendo, tirou o Anel da corrente e colocou-o depressa no dedo, no exato momento em que Boromir saltava de novo em sua direção.
O homem ficou atônito, olhando surpreso por um momento, e depois correu em volta do lugar, ensandecido, procurando aqui e ali por entre as rochas e árvores.
— Trapaceiro miserável! — gritou ele. — Deixe-me colocar as mãos em você! Agora entendo o que pretende. Levará o Anel para Sauron e nos venderá a todos. Só estava esperando uma oportunidade para nos deixar em apuros. Amaldiçoo você e todos os pequenos com a morte e a escuridão!
Então, tropeçando numa pedra, caiu e esparramou-se de rosto no chão. Por um momento, ficou parado como se sua própria praga o tivesse atingido; depois, de repente, começou a chorar.
Levantou-se passando a mão nos olhos, limpando as lágrimas.
— O que eu disse? — gritou ele. — O que eu fiz? Frodo, Frodo! — chamou ele. — Volte! Uma loucura tomou conta de mim, mas já passou. Volte!
Não houve resposta. Frodo nem ouviu seus gritos. Já estava longe, saltando cegamente pela trilha, em direção ao topo da colina. Estava atormentado de pavor e tristeza, vendo em pensamento o rosto louco e enfurecido de Boromir, e seus olhos flamejantes.
Logo já estava no topo do Amon Hen, e parou, tomando fôlego. Enxergou, como se através de uma névoa, um círculo amplo e plano, com um pavimento de lajes enormes e cercado por um parapeito em ruínas. No centro, instalada sobre quatro pilares esculpidos, estava uma cadeira alta, à qual se chegava por uma escada de muitos degraus.
Subiu e sentou-se na antiga cadeira, como uma criança perdida que tivesse escalado o trono dos reis das montanhas.
No início, conseguiu ver pouca coisa. Parecia estar num mundo de névoa no qual só havia sombras: o Anel agia sobre ele. Então, aqui e ali a névoa cedeu e ele viu muitas imagens: pequenas e nítidas como se estivessem sob seus olhos numa mesa, e ao mesmo tempo remotas. Não havia sons, só imagens claras e vívidas. Parecia que o mundo tinha encolhido e silenciado. Ele estava sobre o Trono da Visão no Amon Hen, a Colina do Olho dos homens de Núlnenor. Ao Leste, examinou as terras selvagens que não estavam nos mapas, planícies sem nome, e florestas inexploradas.
Olhou para o Norte e o Grande Rio jazia como uma fita embaixo dele; as Montanhas Sombrias se erguiam pequenas e rígidas como dentes quebrados. No Oeste viu as pastagens largas de Rohan, e Orthanc, o pináculo de Isengard, como um ferrão preto. Olhou ao Sul, e bem abaixo de seus pés o Grande Rio se enrolava como uma onda enorme e se jogava sobre as cachoeiras de Rauros num abismo de espuma; um arco-íris brilhante brincava na fumaça. E viu Ethir Anduin, o grande delta do Rio, e milhares de pássaros marinhos rodopiando como uma poeira branca ao sol, e debaixo deles um mar verde e prateado, encrespando-se em linhas intermináveis.
Mas em todo lugar que olhava, via sinais de guerra. As Montanhas Sombrias se agitavam como formigueiros: orcs saíam de mil tocas. Sob os galhos da Floresta das Trevas havia contendas mortais entre elfos e homens e animais cruéis. A terra dos beornings estava em chamas; uma nuvem cobria Moria; fumaça subia das fronteiras de Lórien.
Cavaleiros galopavam sobre a relva de Rohan; de Isengard jorravam lobos.
Dos portos de Harad, navios de guerra saíam para o mar; e do Oeste saíam homens sem parar: espadachins, lanceiros, arqueiros, carruagens levando líderes e carroças carregadas. Todo o poder do Senhor do Escuro estava em ação. Então, voltando-se de novo para o Sul, Frodo viu Minas Tirith. Parecia distante e bela: com muralhas brancas, muitas torres, majestosa e linda sobre sua montanha; seus parapeitos reluziam como aço, e suas torres brilhavam com muitas bandeiras. A esperança renasceu em seu coração. Mas contra Minas Tirith erguia-se outra fortaleza, maior e mais forte.
Sentiu que seu olhar se dirigia para o Leste, sendo atraído contra sua vontade. Passou pelas pontes arruinadas de Osgiliath, pelos portões escancarados de Minas Morgul e pelas Montanhas assombradas, detendo-se sobre Gorgoroth, o vale do terror na Terra de Mordor. Lá a escuridão jazia sob o sol.
O fogo reluzia em meio à fumaça.
A Montanha da Perdição queimava e um cheiro insuportável empesteava o ar. Então, finalmente, seu olhar foi detido: muralhas e mais muralhas, parapeito sobre parapeito, negra, incomensuravelmente forte, montanha de ferro, portão de aço, torre de diamante, ele a viu: Barad-dúr, a Fortaleza de Sauron. Perdeu todas as esperanças.
E, de repente, sentiu o Olho. Havia um olho na Torre Escura que nunca dormia. Frodo sabia que ele tinha percebido seu olhar. Uma determinação feroz e ávida estava nele. Saltou na direção de Frodo, que quase como um dedo o sentiu, procurando-o. Muito em breve iria tocá-lo e saber exatamente onde estava. Tocou Amon Lhaw. Olhou sobre Tol Brandir...
Frodo se jogou da cadeira, agachado, cobrindo a cabeça com seu capuz cinzento. Ouviu-se dizendo: Nunca, nunca! Ou seria: Sim, eu irei, irei até você? Não saberia dizer. Então, como um relâmpago, de algum outro ponto de poder veio à sua mente um outro pensamento: Tire-o! Tire-o! Tolo, tire-o. Tire o Anel!
As duas forças lutavam nele. Por um momento, perfeitamente equilibrado entre os dois pontos agudos, ele se debateu, atormentado. De repente tomou consciência de si próprio outra vez. Frodo; nem a Voz, nem o Olho: livre para escolher, e lhe sobrava um único instante para fazê-lo. Tirou o Anel do dedo. Viu-se ajoelhado em plena luz do sol diante do alto trono. Uma sombra negra pareceu passar sobre ele como um braço; não atingiu o Amon Hen e continuou tateando na direção do Oeste, para depois desaparecer. Então todo o céu ficou claro e azul. E os pássaros voltaram a cantar em todas as árvores.
Frodo se levantou. Estava tomado por um grande cansaço, mas com a disposição firme e o coração mais leve. Falou alto para si mesmo: “Farei agora o que devo”, disse ele. “Pelo menos isto está claro: a maldade do Anel já está operando até mesmo na Comitiva, e o Anel deve abandoná-los antes que lhes cause mais danos. Irei sozinho. Em alguns não posso confiar, e aqueles em quem confio me são muito caros: o pobre Sam, e Merry e Pippin. Passolargo também: seu coração deseja ir para Minas Tirith, e ele será necessário lá, agora que Boromir foi tomado pelo mal. Irei sozinho. Imediatamente.”
Desceu correndo até a trilha e voltou à relva onde Boromir o encontrara.
Ali parou para escutar. Teve a impressão de estar ouvindo gritos e chamados vindos da floresta junto à margem lá embaixo.
— Estão me procurando — disse ele. — Pergunto-me quanto tempo fiquei ausente. Horas, eu acho. — Hesitou. “Que posso fazer”?”, pensou ele. “Devo ir agora, ou não irei nunca mais. Não terei outra oportunidade. Odeio a ideia de deixá-los, ainda mais desta forma, sem qualquer explicação. Mas certamente irão entender. Sam entenderá. E que mais posso fazer?”
Lentamente pegou o Anel e colocou-o no dedo outra vez. Desapareceu e desceu a colina, fazendo menos ruído que o farfalhar do vento.


Os outros permaneceram por muito tempo perto da margem. Por um período ficaram em silêncio, movimentando-se inquietos, mas agora estavam sentados num círculo, conversando. De quando em quando se esforçavam para falar de outras coisas, da longa estrada e das muitas a venturas que tinham vivido; faziam perguntas a Aragorn sobre o reino de Gondor e sua história antiga, e sobre os remanescentes de suas grandes obras que ainda podiam ser vistos naquela estranha fronteira dos Emyn Muil: dos reis de pedra e dos tronos de Lhaw e Hen, e da grande Escada ao lado da cachoeira de Rauros. Mas toda vez seus pensamentos e palavras acabavam voltando para Frodo e o Anel.
O que Frodo escolheria fazer? Por que estaria hesitando?
— Acho que ele está pensando qual caminho proporcionaria menos esperanças — disse Aragorn. — E tem motivos para isso, agora há menos esperanças do que nunca de a Comitiva ir para o Leste, já que fomos seguidos por Gollum, e devemos temer que o segredo de nossa jornada já tenha sido traído. Mas Minas Tirith não fica mais perto do Fogo e da destruição do Fardo. Podemos ficar lá algum tempo, e manter uma resistência corajosa, mas o Senhor Denethor e seus homens não podem ter esperanças de conseguir fazer o que até Elrond disse estar acima de seu poder: ou manter o Fardo em segredo, ou conter toda a força do Inimigo quando ele vier buscá-lo. Que caminho qualquer um de nós escolheria no lugar de Frodo? Não sei. Na verdade, este momento é o que mais nos faz sentir falta de Gandalf.
— Nossa perda foi imensa — disse Legolas. — Mesmo assim, devemos tomar uma decisão sem a ajuda dele. Por que não podemos decidir, e dessa forma ajudar Frodo? Vamos chamá-lo de volta e fazer uma votação! Votarei para Minas Tirith.
— Eu também — disse Gimli. — É claro que nós só fomos enviados para ajudar o Portador ao longo da estrada, e para acompanhá-lo até o ponto que quiséssemos, e que nenhum de nós está sob juramento ou ordem que determine que devemos procurar a Montanha da Perdição. Foi difícil para mim a despedida de Lothlórien. Apesar disso, cheguei até aqui, e digo o seguinte: agora que chegamos à última escolha, está claro para mim que não posso abandonar Frodo. Eu escolherei Minas Tirith, mas se ele não fizer a mesma escolha, vou segui-lo.
— E eu também irei com ele. — disse Legolas. — Seria desleal dizer adeus agora.
— Na verdade, seria uma traição, se todos nós o abandonássemos — disse Aragorn. — Mas se ele for para o Leste, então não é preciso que todos o acompanhem: nem eu acho que todos deveriam. Essa aventura é desesperada: tanto para oito, para três, como para uma única pessoa. Se me deixassem escolher, eu apontaria três companheiros: Sam, que não suportaria se fosse de outra forma, Gimli e eu. Boromir retornará a sua própria cidade, onde seu pai e seu povo precisam dele; com ele os outros deveriam ir, ou pelo menos Meriadoc e Peregrin, se Legolas não tiver intenções de nos abandonar.
— Isso não vai dar certo de modo algum! — gritou Merry. — Não podemos deixar Frodo! Pippin e eu sempre quisemos acompanhá-lo aonde quer que fosse. E ainda queremos. Mas não percebíamos o que isso significava. Tudo parecia diferente lá longe, no Condado ou em Valfenda. Seria loucura e crueldade permitir que Frodo fosse para Mordor. Por que não podemos detê-lo?
— Devemos detê-lo — disse Pippin. — E tenho certeza de que é isso que o preocupa. Ele sabe que não concordaremos com sua ida para o Leste. E não lhe agrada pedir que qualquer um de nós o acompanhe, o pobre camarada. Imagine, ir para Mordor sozinho! — Pippin estremeceu. — Mas o velho e tolo hobbit tem de saber que não será preciso pedir. Tem de saber que, se não conseguirmos detê-lo, não vamos abandoná-lo.
— Desculpe-me — disse Sam. — Acho que não estão entendendo meu patrão de forma alguma. Ele não está hesitando sobre que caminho tomar. Claro que não! Qual seria a vantagem de Minas Tirith, de qualquer modo? Quero dizer para ele, se o senhor me desculpa, mestre Boromir — acrescentou ele, voltando-se para trás. Foi nesse momento que descobriram que Boromir, que primeiro estivera sentado em silêncio fora do círculo, não estava mais lá.
— Agora, aonde ele foi? — gritou Sam, com uma expressão preocupada. — Ultimamente, estava meio estranho, na minha opinião. Mas de qualquer jeito ele não participa deste assunto. Está de partida para sua terra, como sempre disse; e não devemos culpá-lo por isso. Mas o Sr. Frodo, ele tem de encontrar as Fendas da Perdição, se puder. Mas está com medo. Agora chegamos ao ponto, ele está simplesmente apavorado. É isso que o atrapalha. É claro que aprendeu um pouco, por assim dizer – todos nós aprendemos – desde que deixamos nossa casa. Se não fosse por isso, estaria tão apavorado que simplesmente jogaria o Anel no Rio e fugiria. Mas ele ainda está amedrontado demais para dar o primeiro passo. E não está se preocupando conosco: se vamos com ele ou não. Ele sabe que é essa a nossa intenção. Isso é outra coisa que o está incomodando. Se conseguir criar coragem para ir, vai querer ir sozinho. Ouçam o que digo! Vamos ter encrenca quando ele voltar. Pois é certeza que vai criar coragem. Certo como seu nome é Bolseiro.
— Acho que você fala com mais sabedoria que qualquer um de nós, Sam — disse Aragorn. — E o que faremos, se você estiver com a razão?
— Detê-lo. Não deixar que parta! — gritou Pippin.
— Será? — disse Aragorn. — Ele é o Portador, e o destino do Fardo recai sobre ele. Não acho que seja nosso papel conduzi-lo por um outro caminho. Nem acho que conseguiríamos, mesmo que tentássemos. Há outros poderes em ação, muito mais fortes.
— Bem, gostaria que Frodo “criasse coragem” logo e voltasse, e que nos deixasse continuar — disse Pippin. — Essa espera é terrível! O tempo acabou, não acabou?
— Sim — disse Aragorn. — A hora já passou há muito. A manhã está terminando. Devemos chamá-lo.
E naquele momento Boromir reapareceu. Surgiu das árvores e caminhou na direção deles sem dizer nada. Seu rosto parecia severo e triste. Parou, como se estivesse contando os presentes, e depois sentou-se afastado, com os olhos no chão.
— Onde esteve, Boromir? — perguntou Aragorn. — Você viu Frodo?
Boromir hesitou por um segundo.
— Sim e não — respondeu ele devagar. — Sim, encontreí-o a uma certa distância daqui, na colina, e falei com ele. Implorei que viesse para Minas Tirith, e que não fosse para o Leste. Fiquei furioso e ele me deixou. Desapareceu. Nunca em minha vida vi algo assim acontecer, embora tenha ouvido em histórias. Ele deve ter colocado o Anel. Não consegui encontrá-lo de novo. Pensei que voltaria para cá.
— É tudo o que tem a dizer? — disse Aragorn, olhando para Boromir com severidade e sem muita gentileza.
— Sim — respondeu ele. — Não vou dizer mais nada por enquanto.
— Isso é mau! — gritou Sam. — Não sei o que esse homem andou fazendo. Por que o Sr. Frodo colocaria a coisa? Não deveria precisar, e se precisou, quem sabe o que pode ter acontecido?
— Mas ele não ficaria usando o Anel — disse Merry. — Não depois que tivesse escapado do visitante inconveniente, como Bilbo costumava fazer.
— Mas aonde ele foi? Onde está? — gritou Pippin. — Faz séculos que ele saiu.
— Quanto tempo faz que você viu Frodo pela última vez, Boromir? — perguntou Aragorn.
— Meia hora, talvez — respondeu ele. — Ou pode ser uma hora. Vaguei por um tempo depois disso. Não sei! Não sei! — Colocou a cabeça entre as mãos e sentou-se como se estivesse curvado pelo peso da tristeza.
— Uma hora desde que ele desapareceu! — gritou Sam. — Devemos tentar encontrá-lo imediatamente. Venham!
— Espere um minuto! — disse Aragorn. — Vamos nos dividir em pares, e arranjar... Ei, esperem um pouco!
De nada adiantou. Não prestaram atenção nele. Sam tinha saído correndo primeiro. Merry e Pippin o seguiram, e já estavam desaparecendo entre as árvores perto da margem, ao Oeste, gritando: Frodo! Frodo! Com suas vozes de hobbits, claras e agudas. Legolas e Gimli estavam correndo. Uma loucura e um pânico súbitos pareciam ter caído sobre a Comitiva.
— Vamos todos nos dispersar e nos perder — suspirou Aragorn. — Boromir! Não sei qual foi seu papel nessa história, mas agora ajude! Vá atrás daqueles dois jovens hobbits, e proteja-os pelo menos, mesmo que não consigam encontrar Frodo. Voltem para este ponto, se o encontrarem, ou se virem algum sinal dele. Volto logo.
Aragorn se afastou rapidamente, e foi à procura de Sam. Logo que atingiu o pequeno gramado no meio das sorveiras, conseguiu alcançá-lo, subindo a colina com grande esforço, bufando e gritando, Frodo!
— Venha comigo, Sam! — disse ele. — Nenhum de nós deve ficar sozinho. A traição está à solta. Eu sinto isso. Estou indo para o topo, para a Cadeira do Amon Hen, para ver o que pode ser visto. E veja! É como meu coração suspeitava, Frodo foi por aqui. Siga-me e mantenha os olhos abertos!
Apressou-se pela trilha.
Sam fez o que pôde, mas não conseguiu acompanhar Passolargo, o guardião, e logo ficou para trás. Não tinha ido muito longe quando Aragorn já sumia de vista. Parou, bufando. De repente, bateu a mão na cabeça!
— Ôôôôôh!, Sam Gamgi! — disse ele em voz alta. — Suas pernas são curtas demais, então use a cabeça! Deixe-me ver agora! Boromir não está mentindo, ele não é disso; mas não nos contou tudo. Alguma coisa assustou muito o Sr. Frodo. De repente, ele criou coragem. Finalmente se decidiu... a ir. Para onde? Para o Leste. Não sem o Sam? Sim, até sem levar Sam. Isso é duro. Uma crueldade!
Sam passou a mão nos olhos, limpando as lágrimas.
— Fique firme, Gamgi! — disse ele. — Tente pensar! Ele não pode voar sobre os rios, e não pode escalar cachoeiras. Ele não está levando equipamento nenhum. Então vai precisar voltar aos barcos. Voltar aos barcos! Volte aos barcos, Sam, como um raio!
Sam voltou descendo a trilha como um relâmpago. Caiu e cortou os joelhos. Levantou-se e continuou correndo. Chegou à borda do gramado do Parth Galen perto da margem para onde os barcos tinham sido arrastados, fora da água. Não havia ninguém ali. Teve a impressão de ouvir gritos e chamados na floresta atrás dele, mas não lhes deu atenção. Parou por um momento, olhando, paralisado, bufando. Um barco estava escorregando pela margem, sozinho. Com um grito, Sam atravessou correndo a grama.
O barco entrou na água.
— Estou indo, Sr. Frodo! Estou indo! — gritou Sam, jogando-se da margem e tentando se agarrar ao barco que partia. Errou por um metro. Com um grito e esparramando água, caiu de cara dentro do rio veloz e profundo. Afundou gorgolejando e as águas se fecharam sobre seu cabelo encaracolado.
Uma exclamação de assombro veio do barco vazio.


Um remo virou e mudou a direção do barco. Por pouco Frodo não conseguiu agarrá-lo pelo cabelo no momento em que emergiu, soltando bolhas e lutando contra a correnteza. O medo estava estampado naqueles olhos redondos e castanhos.
— Suba, Sam, meu rapaz! — disse Frodo. — Agora, pegue minha mão!
— Salve-me, Sr. Frodo! — bufou Sam. — Estou me afogando. Não posso ver sua mão.
— Aqui está. Não precisa beliscar, rapaz! Não vou soltá-lo. Venha com cuidado e não faça muita onda, senão o barco pode virar. Agora, segure na lateral, e deixe que eu use o remo.
Com algumas remadas, Frodo trouxe o barco de volta para a margem, e Sam pôde pular para dentro, molhado até os ossos. Frodo tirou o Anel e pisou outra vez na margem.
— De todos os malditos estorvos, você é o pior, Sam! — disse ele.
— Ó, Sr. Frodo, isso é duro! — disse Sam tremendo. — Isso é duro, tentar ir embora sem mim e tudo mais. Se eu não tivesse adivinhado certo, onde o senhor estaria agora?
— A caminho e a salvo.
— A salvo! — disse Sam. — Completamente sozinho sem mim para ajudá-lo? Eu não aguentaria, seria a morte para mim.
— Seria a morte para você ir comigo, Sam — disse Frodo. — E eu não aguentaria isso.
— Não seria uma morte tão certa quanto a de ser deixado para trás — disse Sam.
— Mas estou indo para Mordor.
— Sei muito bem disso, Sr. Frodo. Claro que o senhor vai. E eu vou também.
— Agora, Sam — disse Frodo — não me atrase! Os outros estarão de volta num minuto. Se me pegarem aqui, terei de discutir e explicar, e nunca terei a coragem ou oportunidade de escapar. Mas preciso partir imediatamente. É o único jeito.
— Claro que é — disse Sam. — Mas não sozinho. Também vou, ou nenhum de nós vai. Vou fazer buracos em todos os barcos primeiro.
Frodo riu de verdade. Um calor e uma alegria súbitos encheram-lhe o coração.
— Deixe um inteiro! — disse ele. — Vamos precisar dele. Mas você não pode vir assim, sem seu equipamento, sem a comida e tudo mais.
— Espere Só UM minuto, que vou pegar minhas coisas! — gritou Sam, ansioso. — Está tudo pronto. Achei que partiríamos hoje.
Correu até o acampamento, pegou a mochila da pilha em que Frodo a havia colocado quando tirou do barco as coisas de seus companheiros, agarrou mais um cobertor, e alguns pacotes a mais de comida, e correu de volta.
— Todo o meu plano está arruinado! — disse Frodo. — Não adianta tentar escapar de você, mas estou feliz, Sam. Não consigo dizer como estou feliz. Venha! É óbvio que nós devíamos ir juntos. Vamos, e que os outros encontrem uma estrada segura! Passolargo cuidará deles. Não acho que os veremos outra vez.
— Mas pode ser que sim, Sr. Frodo. Pode ser que sim — disse Sam.
Assim Frodo e Sam partiram no último estágio da Demanda juntos. Frodo remou para longe da margem, e o Rio os levou rapidamente embora, descendo o braço Oeste, passando os penhascos sisudos do Tol Brandir.
O rugido das grandes cachoeiras se aproximou. Mesmo com a ajuda que Sam podia dar, foi difícil atravessar a corrente na extremidade sul da ilha e levar o barco para o Leste, em direção da outra margem.
Finalmente voltaram à terra sobre as encostas Sul do Amon Lhaw. Ali encontraram uma margem elevada e arrastaram o barco para fora, bem acima da água, escondendo-o o melhor que podiam, atrás de um grande rochedo. Depois, de bagagem nos ombros, partiram, procurando uma trilha que os levasse através das colinas cinzentas dos Emyn Muil, descendo até a Terra da Sombra.


Aqui termina a primeira parte da história da Guerra do Anel.
A segunda parte se intitula As Duas Torres, pois os acontecimentos que ali se narram são dominados por Orthanc, a cidadela de Saruman, e pela fortaleza de Minas Morgul, que vigia a entrada secreta de Mordor; trata dos feitos e perigos de todos os membros da agora dividida sociedade, até a chegada da Grande Treva.
A terceira parte trata da última resistência contra a Sombra e do fim da missão do Portador do Anel, em O Retorno do Rei.

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