17 de abril de 2016

Capítulo X: Dos Sindar

Ora, como foi relatado, o poder de Elwë e Melian crescia na Terra Média, e todos os elfos de Beleriand, desde os marinheiros de Círdan aos caçadores nômades das Montanhas Azuis, do outro lado do Rio Gelion, reconheciam Elwë como seu senhor. Elu Thingol era ele chamado, Rei Manto-cinzento, no idioma de seu povo. Estes são os sindar, os elfos-cinzentos de Beleriand cheia de estrelas. E, embora fossem moriquendi, sob a liderança de Thingol e com os ensinamentos de Melian se tomaram os mais belos, mais sábios e mais habilidosos de todos os elfos da Terramédia. E, no final da primeira era da Prisão de Melkor, quando toda a Terra estava em paz e a glória de Valinor estava no seu apogeu, veio ao mundo Lúthien, a única filha de Thingol e Melian. Apesar de a Terra Média estar em sua maior parte no Sono de Yavanna, em Beleriand, sob o poder de Melian, havia vida e alegria, e as estrelas brilhantes refulgiam como raios de prata. E lá na floresta de Neldoreth, Lúthien nasceu; e as alvas flores de niphmdil surgiram para saudá-la como estrelas brotando da terra.
Ocorreu, durante a segunda era de cativeiro de Melkor, que anões atravessaram as Montanhas.
Azuis de Ered Luin, entrando em Beleriand. A si mesmos davam o nome de khazâd, mas os sindar os chamavam de naugrim, o povo nanico, e gonohirrimg, mestres da pedra. Muito ao longe no leste, ficavam as habitações mais antigas dos naugrim, mas eles haviam escavado para si grandes palácios e mansões, segundo seu próprio estilo, na parte oriental das Ered Luin E essas cidades tinham em seu próprio idioma os nomes de Gabilgathol e Tumunzahar. Ao norte da enorme elevação do Monte Dolmed ficava Gabilgathol, que os elfos traduziam em sua língua como Belegost, ou seja, Grão-Forte; e ao sul foi esculpida na rocha Tumunzahar, chamada pelos elfos de Nogrod, a Morada Oca. A maior de todas as mansões dos anões era Khazad-dûm, a Mina dos Anões, Hadhodrond no idioma dos elfos, que mais tarde nos seus dias escuros foi chamada de Moria; mas ela ficava muito distante nas Montanhas Nevoentas, para além das longas léguas de Eriador, e só chegava aos elfos como um nome e um rumor com origem nas palavras dos anões das Montanhas Azuis.
De Nogrod e Belegost, os naugrim avançaram para Beleriand; e os elfos se encheram de espanto, pois acreditavam que eram os únicos seres vivos na Terra Média a falar com palavras ou a trabalhar com as mãos, e serem todos os outros apenas aves e feras. Não conseguiam, porém, entender nenhuma palavra da língua dos naugrim, que a seus ouvidos era pesada e sem beleza. E poucos foram os eldar que chegaram a dominá-la. Já os anões tinham facilidade de aprendizado e, de fato, estavam mais dispostos a aprender a língua dos elfos do que a ensinar  a sua própria àquela raça estranha. Poucos dos eldar foram algum dia a Nogrod e Belegost, à exceção de Eol de Nan Elmoth e Maeglin, seu filho. Já os anões faziam comércio com Beleriand e construíram uma grande estrada que passava sob o sopé do Monte Dolmed e acompanhava o curso do Rio Ascar, cruzando o Gelion em Sam Athrad, o Vau das Pedras, onde mais tarde foi travada uma batalha. Sempre foi distante a amizade entre os naugrim e os eldar, embora ela gerasse muitos benefícios mútuos. Naquela época, porém, as desgraças que se interpuseram entre eles ainda não haviam ocorrido; e o Rei Thingol 1hes deu as boas-vindas. Já os naugrim estavam muito mais dispostos a dar sua amizade aos noldor em dias futuros, do que a quaisquer outros elfos e homens, em virtude de seu amor e reverência por Aulë; e louvavam as pedras preciosas dos noldor mais do que qualquer outra riqueza. Na escuridão de Arda, os anões já haviam criado grandes obras; pois desde os primeiros tempos de seus Pais demonstravam fantástica habilidade com metais e pedras. Naqueles tempos antigos, porém, adoravam trabalhar com o ferro e o cobre, e não com a prata ou o ouro.
Ora, Melian tinha grande capacidade de previsão, como era comum entre os Maiar. E, quando terminou a segunda era do cativeiro de Melkor, ela avisou Thingol de que a Paz de Arda não duraria para sempre. Ele refletiu, portanto, sobre como construir para si uma habitação régia, um lugar que fosse seguro, se o mal voltasse a despertar na Terra Média. E procurou auxílio e conselho junto aos anões de Belegost. Estes o deram de bom grado, pois naquela época eram incansáveis e ansiavam sempre por novos trabalhos. E, embora os anões exigissem algo por tudo aquilo que fizessem, fosse com prazer, fosse com esforço, naquela ocasião eles se consideraram pagos. Pois Melian muito lhes ensinou que eles estavam dispostos a aprender; e Thingol os recompensou com grande quantidade de belas pérolas. Essas Círdan lhe dera, já que existiam em abundância nas águas rasas em tomo da Ilha de Balar. Os naugrim, entretanto, nunca haviam visto nada semelhante e as tinham em alta conta. Havia uma do tamanho de um ovo de pomba, e seu brilho se assemelhava ao das estrelas na espuma do mar. Nimphelos era seu nome, e o chefe dos anões de Belegost a valorizava mais do que a uma montanha de riquezas.
Assim, por muito tempo os naugrim trabalharam alegremente para Thingol, e criaram muitos palácios no estilo de sua gente, escavados nas profundezas da terra. Ali, por onde fluía o Esgalduin, separando Neldoreth de Region, havia no meio da floresta uma colina rochosa, e o rio passava junto ao seu sopé. Ali os anões ergueram os portões do palácio de Thingol, e construíram uma ponte de pedra sobre o rio, único meio de acesso aos portões. Do outro lado, amplos corredores desciam a salões e aposentos imponentes, que haviam sido escavados na rocha viva muito abaixo do nível da entrada. Eram tantos e tão magníficos, que essa morada foi chamada de Menegroth, as Mil Cavemas.
Os elfos, entretanto, também participaram desse trabalho. E elfos e anões juntos, cada um com seu talento próprio, ali concretizaram as visões de Melian, imagens da maravilha e da beleza de Valinor, além Mar. As pilastras de Menegroth foram esculpidas para se assemelharem às faias de Oromë, tronco, galho e folha, e eram iluminadas com lantemas de ouro. Os rouxinóis cantavam ali como nos jardins de Lórien; e havia fontes de prata, bacias de mármore e pisos de pedras multicores. Imagens entaIhadas de animais e pássaros corriam pelas paredes, subiam pelas pilastras ou espiavam entre os galhos entremeados de miríades de flores. E, com o passar dos anos, Melian e suas servas encheram os salões com tapeçarias nas quais podiam ser lidos os feitos dos Valar, e muitos fatos que haviam acontecido em Arda desde seu início, além de indícios de acontecimentos que ainda estavam por vir. Era a mais bela morada de qualquer rei que jamais existiu a leste do Mar.
E, quando terminou a construção de Menegroth, e houve paz no reino de Thingol e Melian, os naugrim ainda cruzavam as montanhas de vez em quando e comerciavam pelas terras. Mas raramente iam até as Falas, pois detestavam o som do mar e receavam olhar para ele. A Beleriand não chegou nenhum outro rumor ou notícia do mundo lá fora.
Contudo, à medida que avançava a terceira era do cativeiro de Melkor, os anões ficaram preocupados e falaram ao Rei Thingol, dizendo que os Valar não haviam erradicado totalmente os males do norte; e que agora os restantes, tendo por muito tempo se multiplicado nas trevas, voltavam a aparecer, perambulando livremente.
— Há feras cruéis na terra à leste das montanhas, e seus antigos parentes que moram por lá estão fugindo das planícies para as colinas.
E, antes que se passasse muito tempo, as criaturas nefastas chegaram até mesmo a Beleriand, por passagens nas montanhas, ou vindo do sul através das florestas escuras. Havia lobos, ou criaturas que adotavam sua forma, e outros seres cruéis das sombras. E entre eles estavam os orcs, que mais tarde devastariam Beleriand. Naquela época, entretanto, eles ainda eram poucos e desconfiados; e só farejavam aquela terra, enquanto aguardavam a volta de seu senhor. De onde vinham ou o que eram, os elfos não sabiam, supondo que talvez fossem avari que se houvessem tornado perversos e brutais no ambiente selvagem. Conta-se que, sob esse aspecto, infelizmente sua suposição estava quase correta.
Por isso, Thingol começou a pensar em armas, das quais até então seu povo não sentira necessidade. E essas, de início, os naugrim forjaram para ele; pois eram muito hábeis nesse trabalho, embora nenhum deles suplantasse os artífices de Nogrod, dos quais Telchar, o Ferreiro, era o de maior renome. Uma raça belicosa desde tempos imemoriais eram todos os naugrim; e eles se dispunham a lutar, ferozes, com quem quer que os afligisse: servos de Melkor, eldar, avari, animais selvagens, ou, não raramente, sua própria gente, anões de outras casas ou linhagens. O oficio de ferreiro os sindar logo aprenderam com eles. No entanto, de todos os ofícios, somente na têmpera do aço os anões nunca foram superados, nem mesmo pelos noldor; e na confecção de malha de elos unidos, inventada pelos ferreiros de Belegost, seu trabalho era incomparável.
A essa altura, portanto, os sindar estavam bem armados, expulsaram todas as criaturas do mal e voltaram a ter paz. Os arsenais de Thingol, porém, estavam repletos de machados, lanças e espadas, altos elmos e longas cotas de malha brilhante; pois as armaduras dos anões eram feitas de tal forma que não enferrujavam, mas brilhavam eternamente como se fossem recém-polidas.
E isso se revelou vantajoso para Thingol na época que estava por vir.
Ora, como se relatou, um certo Lenwë da hoste de Olwë abandonou a marcha dos eldar na ocasião em que os teleri foram detidos às margens do Grande Rio junto às fronteiras da região ocidental da Terra Média. Pouco se sabe dos caminhos percorridos pelos nandor, que ele conduziu ao longo do Anduin. Diz-se que alguns deles habitaram por muito tempo os bosques do Vale do Grande Rio; alguns chegaram afinal à sua foz e ali permaneceram junto ao Mar; e outros, ainda, passando pelas Ered Nimrais, as Montanhas Brancas, voltaram para o norte e penetraram nos ermos de Eriador, entre as Ered Luin e as longínquas Montanhas Nevoentas.
Ora, esse era um povo da floresta e não possuía nenhuma arma de aço. A chegada dos animais ferozes, vindos do norte, deixou-os apavorados como os naugrim declararam ao Rei Thingol em Menegroth. Assim, Denethor, o filho de Lemvë, ao ouvir rumores sobre o poderio de Thingol e sua majestade, e também sobre a paz em seu reino, reuniu a hoste que pôde de sua gente dispersa e com ela atravessou as montanhas para entrar em Beleriand. Ali foram acolhidos por Thingol, como parentes há muito perdidos que voltam ao lar, e se instalaram em Ossiriand, a Terra dos Sete Rios.
Dos longos anos de paz que se seguiram à chegada de Denethor, pouco se sabe. Diz-se que, naquela época, Daeron, o Menestrel, o maior sábio do reino de Thingol, criou suas Runas; e os naugrim que vieram a Thingol as aprenderam e se encantaram com o invento, valorizando o talento de Daeron ainda mais do que os sindar, seu próprio povo. Por meio dos naugrim, as Cirth foram levadas para o leste, para o outro lado das montanhas, e se tornaram parte do conhecimento de muitos povos: mas foram pouco usadas pelos sindar para a finalidade de registros até os tempos da Guerra, e grande parte do que se guardava na memória pereceu nas ruínas de Doriath. É que da bem-aventurança e da alegria na vida há pouco a ser dito enquanto duram; assim como as obras belas e maravilhosas, enquanto perduram para que os olhos as contemplem, são registros de si mesmas, e somente quando correm perigo ou são destruídas é que se transformam em poesia.
Em Beleriand naquela época, os elfos perambulavam, os rios corriam, as estrelas brilhavam, e as flores da noite exalavam seus perfumes. E a beleza de Melian era como o meio-dia; e a beleza de Lúthien era como o alvorecer na primavera. Em Beleriand, o Rei Thingol, em seu trono, era como os senhores dos Maiar, cujo poder está em repouso, cuja alegria é como o ar que respiram todos os dias, cujos pensamentos fluem numa onda imperturbável, das alturas às profundezas. Em Beleriand, ainda às vezes cavalgava Oromë, o Grande, passando como um vento pelas montanhas, e o som de sua trompa descia pelas léguas iluminadas pelas estrelas; e os elfos o temiam pelo esplendor de seu semblante e pelo enorme estrondo da investida de Nahar. No entanto, quando a Valaróma ecoava nos montes, eles bem sabiam que todos os seres do mal eram afugentados dali.
Aconteceu, porém, de se aproximar o fim da bem-aventurança, e de a tarde ensolarada de Valinor chegar ao seu crepúsculo. Pois, como foi dito e como todos sabem, por estar escrito nos registros das tradições e por ter sido cantado em muitas obras poéticas, Melkor abateu as Árvores dos Valar com o auxílio de Ungoliant e escapou, voltando para a Terra Média. Muito ao norte ocorreu o confronto entre Morgoth e Ungoliant; mas o terrível grito de Morgoth reverberou por toda a Beleriand, fazendo toda a sua gente encolher de medo. Pois, embora não soubessem o que o grito prenunciava, o que estavam ouvindo era o arauto da morte. Pouco depois, Ungoliant fugiu do norte e entrou no reino do Rei Thingol, e um terror de escuridão a cercava. Contudo, pelo poder de Melian, foi impedida de prosseguir, e não entrou em Neldoreth, mas permaneceu muito tempo à sombra dos precipícios pelos quais Dorthonion se estendia em direção ao sul. E esses passaram a ser conhecidos como Ered Gorgoroth, as Montanhas do Terror, e ninguém ousava ir até lá ou passar por perto. Ali, a vida e a luz eram sufocadas; e todas as águas, envenenadas. Morgoth, porém, como já se relatou, voltou para Angband e a reconstruiu. E acima de seus portões ergueu as torres fumegantes das Thangorodrim. E os portões de Morgoth estavam a apenas setecentos e cinquenta quilômetros da ponte de Menegroth: distantes e, entretanto demasiado próximos.
Ora, os orcs que se multiplicavam na escuridão da terra tomaram-se fortes e cruéis, e seu senhor sinistro os encheu de desejo de devastação e morte. Eles saíram então dos portões de Angband sob as nuvens que Morgoth fez surgir e passaram em silêncio para os planaltos do norte. Dali, de súbito, um enorme exército entrou em Beleriand e atacou o Rei Thingol. Ora, em seus vastos domínios, muitos elfos perambulavam livremente na natureza ou moravam pacificamente em pequenos clãs muito afastados. Somente em torno de Menegroth, no centro da região e ao longo das Falas, no país dos marinheiros, havia grandes populações. Os orcs, porém, investiram contra os dois lados de Menegroth; e, a partir de acampamentos no leste, entre o Celon e o Gelion, e, no oeste, nas planícies entre o Sirion e o Narog, praticaram todo tipo de pilhagem. E Thingol foi isolado de Círdan em Eglarest Ele convocou, então, Denethor; e os elfos vieram em grande número de Region, do outro lado do Aros e de Ossiriand, para travar a primeira batalha nas Guerras de Beleriand. E a hoste oriental dos  orcs foi cercada pelos exércitos dos eldar, ao norte de Andram e a meio caminho entre o Aros e o Gelion. E ali sofreram total derrota; e aqueles que fugiram para o norte a fim de escapar da enorme carnificina caíram na emboscada dos machados dos naugrim que saíam do Monte Dolmed. Na realidade, poucos voltaram para Angband.
Contudo, a vitória dos elfos teve um alto preço. Pois aqueles de Ossiriand estavam pouco armados e não tinham como enfrentar os orcs, que usavam calçados e escudos de ferro e portavam enormes lanças de lâminas largas. Assim, Denethor foi isolado e cercado na colina de Amon Ereb. Ali ele sucumbiu com todos os parentes mais próximos à sua volta, antes que o exército de Thingol chegasse em seu auxilio. Por mais que sua morte fosse vingada com virulência, quando Thingol se abateu sobre a retaguarda dos orcs e os chacinou aos magotes, seu povo lamentou eternamente sua perda e não voltou a ter um rei.
Depois da batalha, alguns voltaram para Ossiriand, e suas notícias inspiraram no restante do povo um medo enorme, de tal modo que a partir dali eles nunca mais se apresentaram para uma guerra declarada, mas se mantiveram em segredo e desconfiança. E eles foram chamados de laiquendi, os elfos-verdes, em virtude de seus trajes da cor das folhas. Muitos foram, porém, para o norte e penetraram no reino protegido de Thingol, misturando-se com seu povo.
E, quando Thingol voltou a Menegroth, soube que o exército de orcs no oeste saíra vitorioso, tendo encurralado Círdan na orla do mar. Por isso, Thingol recolheu, dentro da segurança de Neldoreth e Region, todo o povo que sua convocação pôde alcançar; e Melian acionou seu poder e cercou todo o território ao redor com uma muralha invisível de sombras e desorientação: o Cinturâo de Melian, para que ninguém dali em diante pudesse passar por ele contra a sua vontade ou a do Rei Thingol, a menos que se tratasse de alguém com poder superior ao de Melian, a Maia. E essa terra cercada, que durante muito tempo foi chamada de Eglador, mais tarde recebeu o nome de Doriath, o reino protegido, a Terra do Cinturão. Ali dentro havia ainda uma paz vigilante; mas fora dela, havia o perigo e um enorme pavor; e os servos de Morgoth andavam a solta, menos nos portos murados das Falas.
Novidades estavam chegando, porém, que ninguém na Terra Média previra, nem Morgoth, em seus fossos, nem Melian, em Menegroth. Pois, depois da morte das Árvores nenhuma notícia chegara de Aman, fosse por mensageiro, fosse por espírito, fosse por visão em sonho. Na mesma época, Fëanor cruzou o Mar nas alvas embarcações dos teleri, aportou no Estuário de Drengist e ali, em Losgar, queimou os barcos.

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